Maracanã

Maracanã

sábado, 30 de maio de 2009

PARIS, eu te amo...


Paris, primavera de 2009, o metrö ferve de linhas que se enredam sob a cidade; o homem toca o acordeon em pleno vagao lotado; alguem repousa a cabeça no peito amado sonhando com o momento que nao vai passar.
Tudo ficarà na alma na memoria no coraçao para sempre.
Paris tem a luz que vem de um tempo perpetuado no extase de um infinito espiritualizado, tudo se mistura e cada beijo no Cafe de Flore revive o amor de Simone e Sartre;

As maos dadas, os olhares profundos, a torre Eifel lhes acenando com promessas e o rio Sena lhes espreitando os segredos mais inconfessaveis.

Em Paris; se descobre realmente para que o amor existe, e para que serve, porque aqui os apaixonados se reconhecem assim, na tela pintada por um pintor maravilhoso que se assinou DEUS, nas ruas de Paris...

Cida Torneros

PARIS , O AMOR SERVE PRA QUE?


Amanheceu o sabado em Paris e o sol veio me dizer que meus dias nesta viagem de sonhos é a propria certeza da primavera. O calor de uma atmosfera feliz me invade. Sinto que muitas Maries e Antoines se encontram pelas praças e equinas das ruas parisienses buscando o amor ou a razao dele, como cantou Piaf: pra que serve o amor, o amor serve pra que?

O amor acontece em Paris e serve para reinventar_se...

MARIE E ANTOINE FINALMENTE SE ENCONTRARAM

terça-feira, 26 de maio de 2009

Barcelona, viva a Catalunha!!!

Barcelona é uma festa... gente do mundo inteiro caminhando pela rambla... o passeio de bus, panorämico, nos mostra as maravilhas da arquitetura desafiante, desde Gaudí atè os modernos, muitas cidades coexistem dentro da única Barcelona. Impossìvel náo se emocionar ao olhar as torres da Sagrada Familia. Melhor é subir no elevador e se ver dentro de uma delas, lá no alto, em corredores de escadaria estreita, subindo ao céu do sonho de catalaes como Antoni Gaudí e seus seguidores, a obra se completando , a igreja sendo construída, os visitantes extasiados, as colunas, os tetos recortados, os vitrais fantasticos, e um mundo de imaginaçao aos pés e sobre as cabeças de turistas e espanhóis.

Barcelona é uma festa... Isabel tem 88 anos e pára na calçada para conversarmos, ouviu muito falar do Brasil há algumas décadas quando sua mae disse que um parente de Cuenca ( povoado cerca de madri) tinha emigrado para Sao Paulo. Ela sorri gostoso quando pronuncia Ipanema, me pergunta muitas coisas, usa a bengala, gosta de viver aqui, é saudável, mas há 6 meses perdeu o marido, e agora vive com as filhas. Tiramos uma foto juntas, ela me deseja felicidades e um amor. Eu também converso com seus companheiros de conversas na rua, nas cadeiras espalhadas em La Rambla, e eles sao carinhosos, gostam do futebol brasileiro, e logo pronunciam em coro: Ronaldoooooo...

Barcelona é uma festa... O porto e os cruzeiros, o mar Mediterrâneo, onde eu e minhas companheiras de viagem, banhamos os pés, em cumprimento aos grandes mares dos grandes navegantes, destas terras ibéricas eles saíram para conquistar o mundo, com sonhos incrivelmente intensos.

Barcelona é uma festa... mesmo...
Disso, tenho certeza, estou aqui, estamos felizes e amanha estaremos em Paris...
Paris, tambèm é uma festa, e nos espera!!!
Cida Torneros

sábado, 23 de maio de 2009

Noticias de Portugal e Espanha, duas semanas, maio de 2009

Há duas semanas encontro-me a viajar visitando cidades de Portugal e Espanha. Meu tour, cuja meta é Paris, para fechar com chave de ouro a primeira vez que venho à Europa,inclui lugares históricos, tanto sob o ponto de vista pessoal ( fui primeiro à Galícia, em Vigo, Orense, Verin e Santiago de Compostela) na terra da minha avó Carmen Toneros, como a ancestralidade ibérica que nos atinge a todos na Amèrica Latina.

Portugal me ofereceu a oportunidade de me reconhecer na lingua pátria, tendo visitado o túmulo do grande escritor Luiz Vaz de Camoes, no Convento dos Jerônimos, e tambèm ido até a porta da casa onde ele nasceu, já que meu amigo também poeta, Joao Videira Santos, me presenteou com um roteiro literário invejavel pelo centro de Lisboa, quando passei por bares e restaurantes que foram frequentados por Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Mario de Sa Carneiro, Jose Maria do Bogage, entre outros.

Em Porto, fiquei encantada com o aconchego da sua gente e sua paisagem, senti-me em casa na livraria da Dina Ferreira, a Poetria, e me perdi de alegria ao visitar a Lelo, lugar de tantos livros e tanta tradiçao literária.

Nem sei como descrever Braga, Guimaraes, Óbidos, Batalha, Marvao, sítios de muita história, o barroco português nos inundando olhos e sentimentos.

Aqui em Madri, de onde agora escrevo, há notìcias que me poem de novo na atualidade, e desço à terra, para envolver-me nas discussoes que permeiam os ultimos tres dias que passo na capital espanhola, cidade vibrante, ensolarada na primavera, repleta de turistas, mas "caliente" de assuntos polêmicos. Critica-se o ministerio da Defesa que teria ocultado o surto de Gripe A, entre os soldados de uma unidade militar, em Madri, e que havia recebido a visita de alunos de uma escola, sem terem sido avisados do risco de contaminaçao. Tambèm, ontem, um acidente com a queda de uma torre de sustentaçao para uma grua com cameras de tevê, caiu sobre o publico, na primeiro comicio para as eleiçoes da uniao europeia, pouco antes da chegada do ministro Jose Luiz Zapatero, e felizmente, todos os feridos, foram atendidos sem gravidade. Outro assunto em pauta, que suscita muitos programas de debate, é a lei que permitiria as adolescentes gravidas acima de 16 anos realizar aborto sem o consentimento dos pais. Este tema tem sido veiculado constantemente e a briga é intensa, uma vez que envolve questoes civis, religiosas, filosoficas, sociais e economicas.

Assim, Portugal e Espanha, me adentram a pele, os olhos, a boca ( comidas e vinhos) , a alma, sobretudo, e tento passar para os amigos brasileiros, um pouco do vulcao interno que me acomete. Bastaria só ter falado da Guernica de Picasso, onde me postei por mais de 10 minutos anteontem, no museu Rainha Sofia e seria suficiente para me tornar uma turista nao acidental, mas extremamente consciente do quanto essa peninsula ibèrica me traz mil anos de existencia para o intervalo de duas pequenas semanas.
Aparecida Torneros

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lisboa e o roteiro literàrio ...

Acompanhada pelo amigo escritor e pintor, Joao Videira Santos, estive ontem a tentar conhecer um pouco do roteiro literário da velha Lisboa, por onde andaram os mestres da lingua portuguesa, deixando rastros que muito me sensibilizaram. Emocionada, foi como me senti , o tempo todo, ao cruzar os umbrais do tempo e ver-me caminhando por onde eles tantas vezes haverao de ter caminhado. Tambèm ao adentrar restaurantes, bares e casas que frequentaram, pude perceber o ar intimista que suas palavras e frases de há muito me fazem reviver seus personagens,poemas e livros.

Camoes, Eça de Queirós, Bocage, Sá Carneiro, Fernando Pessoa, fui sentindo suas verves a me cutucar e estontear...

E guardei impressoes da correria de ingressar no seu mundo de uma outra forma, além das letras, através dos espaços fìsicos em que atuaram...onde existiram e deixaram tantas marcas...

Cida Torneros

domingo, 17 de maio de 2009

Portugal, onde sua história ( e nossa) começou

Braga, Guimarães, Lamego, Pinhão, os vinhedos do rio Douro, o vinho do Porto, o Bom Jesus do alto do monte, a chegada a Lamego...
Muita história a ser recontada...
Onde nasceu Portugal, o castelo de Guimarães, o palacios do Duques, a capelinha onde o primeiro rei foi batizado, a cafeteria A Brasileira, em Braga, tantos contrastes entre o novo e o velho, a preservação da cultura, nossas vidas na ancestralidade...
Assim é Portugal, um berço para todos nós brasileiros...
Aparecida Torneros

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Portugal, meu avôzinho... histórias de Antonio Silva

Ele era o pai do meu pai. Convivemos até os meus nove anos, quando ele se foi deste mundo e me deixou a sensação do quanto a palavra é eficaz e profunda. Quando batia com a colher no copo e iniciava uma saudação qualquer, fosse nas reuniões da irmandade da Igreja da Conceição, onde muitas vezes fui expiar, fosse nas festas em família, eu me impressionava com sua verve, sorriso expressivo e um final expresso em duas pequeninas palavrinhas: tenho dito!
Antonio Silva escrevia poemas para minha avó Carmen, fui um apaixonado por ela, com quem teve seus 8 filhos, o meu pai foi o primeiro. Era um avô encantador porque me fazia imaginar a vida, já que gostava muito de viajar e trazia presentes que me encantavam. Uma vez, me trouxe uma pulseira da Bahia, que eu nao queria tirar do braço nem para tomar banho ou dormir. Pedrinhas penduradas, coloridas, baianinhas faceiras prateadas e minusculas. Mas o que me pegava mesmo eram as historias que me contava...
Hoje, estou aqui, na cidade do Porto, impossível nao lembrar dele e da sua fala caracteristica. Sua mae, Leocadia Fonseca, o deixou emigrar e ser criado no Brasil por uma tia.
Rendo-lhe homenagem de neta e de fã.
E Tenho Dito!
Aparecida Torneros

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Santiago.. os peregrinos... um mundo que volta centenàrios atraz




Fui a Santiago hoje com minhas amigas
o mundo rodou para tras ...
explicar o que senti ainda è dificil...pq o tempo se misturou na figura de peregrinos, imagens de anjos, capelas e oracoes...
a fè dos seres humanos
a senhora japonesa que voltou para completar o caminho depois de ter parado na metade...sozinha, com mais de 70 anos...
a missa em polones que assistimos... as ladeiras e o vento frio
um gaiteiro gallego encantando o final da tarde
um guitarrista chileno chorando màgoas de amor
o encontro com a espiritualidade humana que busca compreender-se
muito mais, bem mais, um dia me acomodo para contar
por enquanto, ainda estou vivenciando os ares daqui da Galicia
amanha vamos para Portugal, Porto
mas o mundo continua caminhando por caminhos centenàrios, milenares...
quem somos?
todos perguntamos
e nos abracamos para tornar nossa caminhada mais aconchegada e leve
ou entao, nos ajudamos quando o peso das costas se faz tao grande
caminhantes...
peregrinos
lugares lindos ali ...aqui...acolà...
benditos somos nòs que testemunhamos nossas buscas e as dividimos com Deus...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A emocao... Verin....Orense... històrias de emigrantes

Eles partiram daqui do porto de Vigo para a Amèrica levando sonhos...muitos, como minha avò, Carmen, meu tio avô Obidio, e o pai da Rosària, minha amiga, jamais puderam voltar.. hoje...nòs, eu, ela, sua filha Tatiana e nossa amiga Regina, fomos aos lugares da infancia deles...de mais de um seculo... ela encontrou familiares, o tio Agustin com 84, que ficou feliz com a visita ...
Eu, que fui ao povoado de Rasela, sem esperanca de ver ninguèm que me abracasse...imaginem...conheci Jose Freiria, de mais de 90 anos, que me falou da minha avò e do meu tio avô...choramos juntos...ele os tem vivos na memoria... e ficou muito emocionado comigo... sua mulher Madalena, tambem...
Somente posso passar o sentimento de resgate que nos tomou a todas..
voltamos aqui, em homenagem aos nossos ancestrais...
Seu sangue nos faz amar a Galicia...muito
e de presente, pus aì sua mùsica tìpica..
Aparecida Torneros

a musica da galicia

terça-feira, 12 de maio de 2009

Chegamos à Galicia...12 de maio de 2009

eu e minhas amigas, Regina, Rosària e Tatiana, chegamos hoje à Galicia, na cidade de Vigo, viemos do Brasil, apenas passamos pelo aeroporto em Madri e voamos atè aqui.
o porto, o clima ainda frio, mesmo na primavera, a cidade pacata e organizada, o ar galego que nos entranhou de històrias de nossas familias e nossos ancestrais que daqui partiram em navios para o Brasil e nunca mais aqui voltaram..
somos as sementes que eles plantaram e cà estamos para agradecer nossas origens..
tudo nos dà alegria e nos emociona...
amanhá iremos a Orense e Verin , os lugares onde nasceram...
assim iniciamos nossas fèrias na Europa, e ainda vamos conhecer cidades em Portugal, Espanha e Franca...
saboreamos o pulpo ( polvo) delicioso
como diz a Zà, nossa viagem dos sonhos
e Paris nos aguarda...
Cida Torneros

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Telhados de Paris

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Cida Torneros: rumo à Paris sonhada (uaauuu, publicaram na Bahia!)

Postado em 11-05-2009 00:07
Cida Torneros: rumo à Paris sonhada

A jornalista e escritora carioca Aparecida Torneros decidiu: mesmo com o virus da gripe rondando por lá (por aqui também), ela embarca no Rio de Janeiro com um grupo de amigas, nesta segunda-feira (11) em sua primeira viagem à Europa.”Primeiro Espanha e Portugal. Depois, por seis dias, Paris”, informa a autora de “A Mulher Necessária”. Antes de pegar o avião, Cida Torneros escreveu a crônica a seguir, que compartilha com os leitores do Bahia em Pauta. Na volta, seguramente, muito mais histórias para contar. (VHS).
(no site Bahia em Pauta, editado pelo jornalista e amigo Vitor Hugo Soares)


( Douce France)




Antoine e Marie - roteiro de um filme de amor na França
Aparecida Torneros
Ela chegou apressada no consultório do analista. Deitou-se no divã, esticou bem as pernas, ajeitou as almofadas, e foi avisando que andava muito cansada. O profissional que a conhecia tão bem, observou seus traços tensos, em rosto que, embora amadurecido, trazia sim, ares de menina assustada.

Foi então que Marie falou das suas perdas de velhinhos, pai, tios, agora a doença grave mas controlada da sua mãe, de outro tio, a vida se esvaindo nos corpos das pessoas que ela sempre amou tanto. Na verdade, eles são mesmo a fonte da sua própria vida, ela concluiu chorando. E disse mais, Marie lembrou de momentos da infância, quando essas criaturas a cobriram de mimos e alegrias, recordou a avó espanhola cuja terra vai visitar na próxima viagem. Seus olhinhos então faiscaram. Foi capaz de descrever pedacinhos de chão, nuances das cores do céu galego, e o bendito verde, o tal vede do lugar, que a “avuela” tanto elogiara. O psicólogo chamou de resgate essa necessidade dela de ir lá, na aldeia de onde seu sange se originou, exatamente para render homenagem a uma ancestral imigrante, uma mulher à frente do seu tempo, que veio sozinha para o Brasil no início do século XX.

Cumprindo seu papel, o interlocutor perguntou sobre Paris. Ele sabia que Paris era um sonho que Marie e suas amigas acalentavam há décadas. Finalmente ia conhecer a magia da capital francesa. Então, Marie transformou-se. Um misto de ternura e alvoroço, sim, seus braços movimentaram-se, as risadas surgiram quase do nada, ela tentou definir o que a esperava na cidade-luz. Conseguiu dizer que havia o Antoine, que ele era um presente que Paris ia lhe dar, um amigo novo que lhe mostraria o encantamento do lugar, com ele, ela iria subir a Torre Eiffel, queria até sentir-se no céu de Paris, aconchegada ao carinho dele.

Um homem de verdade? O médico questionou? Desculpou-se pelo teor da pergunta, já que Marie é uma escritora e inventa personagens, podia estar criando mais um e sonhando algo que depois ela tornaria realidade num dos seus livros. Talvez Antoine viesse a ser um herói de um conto de amor, ou o protagonista de um romance misterioso. Uma figura de alguém que Marie estava criando para preencher melhor suas fantasias e voar nas asas da imaginação fértil que sempre tivera. Afinal, o analista pensou, a menina que anda a chorar tantas perdas, precisa por, no lugar destas, uma história bonita, algo bem romântico, com ares e sabores de realização afetiva, tipo conto de fadas com busca de par perfeito, “Marie está derivando suas perdas e salvando sua mente, com um novo ente criado com a função de não deixá-la enlouquecer diante da solidão que a cada dia mais a invade”, foi o que ele pensou, olhando aquela mulher-menina ali, deitada e relatando a história dela e de Antoine.

Vestida com camisa larga e longa, cor bege, pernas torneadas em legging de cotton com estampa em xadrez, tons de marrom, os cabelos soltos espalhados nas almofadas, mãos de unhas pintadas de um vermelho-paixão, o rosto lavado, um colar comprido de onde uma madrepérola em forma de sol pendia brilhando, assim ele a via, uma viajante que lhe contava sobre seus sonhos parisienses.

A sessão devia terminar, mas ela estava no auge da descrição sobre o que esperava dos seus momentos com Antoine, já que este viria de longe, a mais de 500 km de Paris, e , juntos, passariam pelo menos um dia a passear nas ruas e nos cafés da cidade. Ela sabia que voltariam no tempo. Algumas almas de amantes de séculos anteriores os iriam acompanhar, talvez uma legião delas, satisfeitas pela disposição do casal em vivenciar aquele gênero quase ultrapassado de enternecimento e desejo.

Caminhariam de mãos dadas, ela relatou, se abraçariam ao parar em determinados lugares, para olharem juntos a paisagem e seus olhos fixariam nas retinas quadros inesquecíveis pintados por suas memórias, com aura de eternidade. Seriam os pintores da sua obra de arte, uma sequência de imagens em branco e preto, em seguida, evoluiriam para peças coloridas, onde estariam protegidos por roupas dos séculos dos Luizes franceses, e se sentiriam com membros de uma corte irresponsável, insensível ao clamor da gente pobre.

Não, Marie emendou a tempo, ela e Antoine, eram dois camponeses em busca de melhores oportunidades de vida na cidade grande. E ali estavam, para obter o pão, não os brioches, eles eram trabalhadores, fariam de tudo para sobreviver no meio de um mundo tão desigual. Talvez ela pudesse ajudar senhoras a se enfeitarem para seus amados, penteá-las, seria uma boa dama de companhia. Antoine, um bom cocheiro, um condutor de carruagens. E, nos instantes roubados do tempo, eles marcariam encontros fortuitos,em recantos à beira do rio Sena.

Marie e Antoine se beijariam, pela primeira vez, bem no meio de uma linda ponte, com as águas passando sob seus pés, o mundo avançando, e seus olhos fechados, guardando o futuro.

Ao acordarem, ela disse ao analista, veriam que estavam no século XXI, vestiam-se de jeans e jaquetas, calçavam um desses esportivos tênis para caminhada, e, a Paris dos turistas fervia à sua volta. Descobririam que todos tinha tanta pressa, inclusive eles se viram assim também, correndo contra o tempo, precisavam se amar em ritimo alucinante, tudo estava tão programado na vida de ambos, que só seria possível entender que era mesmo um acelerado sonho aquilo tudo.

Daí, que, fechando a sessão de análise, Marie deu um pulo do sofá buscou as sandálias, foi se despedindo e explicando que ela não inventara Antoine, que ele era real, só que ela o esperava há muitos séculos. Acrescentou que todos, na humanidade, aguardam centenas de anos pela realização de seus sonhos mais profundos.

Deu então um beijo no rosto do analista,e, carinhosamente, sussurrou: -Ora, ninguém melhor que você para entender que nosso inconsciente é como uma alma perdida vagando a buscar histórias escondidas, não é? Pois, acabo de achar uma delas, e nem tenho como fugir desse enredo, porque ele é como eu sonhei por toda a vida. Antoine me espera, vou voar para estar junto dele, depois de mil cartas de amor que não chegaram, que se extraviaram em porões de navios piratas, esatmaos na era do computador. Nos encontramos na internet, gravamos nossas conversas, salvamos na pasta de favoritos, trocamos mensagens de carinho, fotos,já nos telefonamos, e agora, já nos sentimos mesmo é nas ruas de Paris, juntinhos, rindo à-toa.

Marie desceu entao as escadas para a saída do prédio, sentiu a mirada do seu analista que acompanhou seus passos, suas costas captaram e seus sentidos decifraram como ele a definiu, internamente:

- ” Uma boa contadora da própria história”

Foi nesse instante, que ele, por acompanhá-la há tantos anos, desejou com sinceridade, que Antoine não a decepcionasse.”Marie merece criar uma história com final feliz”, ele concluiu!

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro.

domingo, 10 de maio de 2009

Linda Hanchar e Mayim Bialik - Glory of Love(Billy Hill)






The Glory of Love

You've got to give a little,take a little.
And let your poor heart to break a little.
That's the story of.
That's the glory of love.
You've got to laugh a little,cry a little.
Until the clouds roll by a little.
That's the story of.
That's the glory of love.
As long,as there's the two of us.
We,ve got the world and all it's charms.
And when the world is through with us.
We've got each others arms
You've got to win a little,lose a little.
And always have to blues a little.
That's the story of.
That's the glory of love.
Chrous:
As long,as there's the two of us.
We,ve got the world and all it's charms.
And when the world is through with us.
We've got each others arms
You've got to win a little,lose a little.
And always have to blues a little.
That's the story of.
That's the glory of love.

A glória do amor, isso é coisa de mãe




A glória do amor, isso é coisa de mãe

Estávamos lavando a louça do jantar, eu e minha tia Wilma Esposito, na sua casa de Jackosonville, em 1993. Cantarolávamos justamente essa canção: the glory of love.

Era janeiro e no norte da Flórida fazia frio naqueles dias. Éramos quatro visitantes brasileiros, sobrinhos-netos do seu companheiro falecido, nosso tio Obidio Torneros. A casa dela viveu dias de festa com a nossa presença. Ela, mãe de seis filhos já adultos, soletrava os versos da música e eu tentava decorar rapidamente para acompanhá-la, entendendo que toda a receptividade dela para conosco fazia parte do seu papel de mãe, por toda a vida.

Tenho a minha mãezinha, velhinha e perseverante, sou mãe de um homem feito e sou meio-mãe de uma porção de moços e moças que fui adotando pela vida.

Acho que a letra ( tradução e música estão abaixo) se constitui realmente numa linda homenagem a cada mãe que dá um pouco, recebe um pouco, complentando o eterno ciclo do verdadeiro amor.

Desejo a todas as mulheres, mães biológicas ou mães do coração, de filhos, sobrinhos e agregados, que tenham um feliz Dia das Mães, porque é nossa a glória do amor-doação, e não há como duvidar disso.

Maria Aparecida Torneros



http://www.youtube.com/watch?v=8CbpVS0YILI

Você tem que dar um pouco, receber um pouco
e deixar seu pobre coração descansar um pouco,
Essa é a história do, essa é a glória do amor.

Você tem que rir um pouco, chorar um pouco
até que as nuvem passem um pouco.
Essa é a história do, essa é a glória do amor.

Enquanto há dois de nós,
temos o mundo e todos os seus encantos.
E quando o mundo é por nós
temos que abraçar uns aos outros.

Você tem que ganhar um pouco, perder um pouco,
sim, e sempre ter o blues um pouco.
Essa é a história do, essa é a glória do amor.

Mamãe Cidinha...










Quando uma mulher se torna mãe, como eu, aos 28 anos, acontece mesmo uma rebordoza na vida da gente. A chegada do meu filho me trouxe uma nova forma de olhar a vida e me fez mais humilde diante do mundo. Tudo que eu achava que já sabia, de repente vi, que ia mesmo era aprender com aquele menininho ali, nos meus braços, tão indefeso a me passar força para lutar.
Hoje é Dia das Mães, no Brasil, meu bebê já tem 31 anos, mas meu coração, todos os dias, pula de contentamento, por ver o quanto esse guri crescido me faz feliz.
Como ele não mora comigo, a casa está infestada de fotos dele, por todos os cômodos, e o vejo, a todo instante, a cada olhada que dou nos muitos momentos registrados e guardados, tanto na memória quanto nas imagens.
A lembrança que me veio hoje cedo é do seu primeiro dia na escolinha do Maternal, aos dois anos e meio. Quando o deixei lá, com meu coração apertadinho, ele chorando, e o portão se fechou, meu tesourinho infantil foi entregue aos cuidados das "tias" e eu fui trabalhar. Voltei para buscá-lo, na hora combinada, e elas me disseram que o meu queridinho tinha chorado muito e que ao ser perguntado sobre o que queria fazer, para se distrair, brincar talvez com os coleguinhas, só ouviram repetidas vezes, da vozinha lamentosa,a seguinte frase: - Eu quero minha mãe Cidinha!
A vida seguiu, ele acabou não ficando naquele ano na escolinha, frequentou só por 3 ou 4 dias e não se adaptou. Preferi esperar mais um ano para matriculá-lo noutra, até porque ele tinha a vó Norma, minha mãe, para cuidá-lo enquanto a mãe Cidinha corria ao trabalho, viajava a serviço e lhe reservava as férias para, juntos, sairem por aí, e ela ter a chance de lhe mostrar um pouco do mundo. Na verdade, ele é que me apresentou um novo mundo ampliando minha capacidade de amar.
Eu sou a mãe Cidinha mais feliz do mundo, viu, meu Leozinho?

beijo

mamãe

Zeca Pagodinho : uma prova de amor



Homenageio o Antonio Flores, através dessa apresentação do Zeca Pagodinho!
Brasileiro, carioca, vive na França, há 15 anos, e adora um bom pagode!
Para o Tony, um pouquinho da nossa brasilidade e da nossa carioquice!
Com beijo da
Cida Torneros

Franklin de Lima canta La Leyenda del Beso



El barítono venezolano Franklin de Lima canta la romanza Oh! licor de la zarzuela La Leyenda del Beso de Soutullo y Vert en el Teatro Teresa Carreño en Caracas, Venezuela en el 2007

El Beso - Juan Legido y Los Churumbeles de España

sábado, 9 de maio de 2009

La española cuando besa...

EL BESO
(Concha Piquer)
Juan Legido

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En España, Bendita Tierra
Donde puso su trono el amor
Solo en ella, el beso encierra
Armonias en ti de Valor
La Española cuando Besa
Es que Besa de Verdad
Y a ninguna Le interesa
Besar por Frivolidad

El Beso, El Beso,
El Beso en España
Lo lleva La hembra
muy dentro del alma
Le puede Ud Besar en la Mano
o puede darle un Beso de Hermano
Asi, la besara cuando quiera

Pero un Beso de Amor....
No se lo dan a Cualquiera

Hermano yo le aseguro,
le ha de causar la mayor emocion
Ese beso, sin ser puro
que va envuelto en una emocion

La Española cuando Besa
Es que Besa de Verdad
Y a ninguna Le interesa
Besar por Frivolidad

El Beso, El Beso, El Beso en España
Lo lleva, La hembra, muy dentro del alma
Le puede Ud Besar en la Mano
o puede darle un Beso de Hermano
Asi, la besara cuando quiera

Pero un Beso de Amor....
No se lo dan a Cualquiera

El Beso, El Beso, El Beso en España (coro)
Lo lleva, La hembra, muy dentro del alma
Le puede Ud Besar en la Mano
o puede darle un Beso de Hermano
Asi, la besara cuando quiera

Pero un Beso de Amor....
No se lo dan a Cualquiera





Domingo, 3 de Maio de 2009
Beijos poemados e premiados

perfumados, prometidos, perseguidos,
os que nem demos ainda...

são aqueles que nos fazem sonhar...
a mim, provocam ganas de poemar...

a ti, que me incitas a pressentir seus gostos,
dão o tom das nomeações...epidêmicos, perdidos,
reencontrados, emudecidos, estalados, molhados,
tímidos ou audaciosos, parisienses, brasileiros...

com quantos deles se faz um amor que se inicia?
ou qual terá sido o número fatal dos beijos de amores
que a história guardou para sempre na memória dos poetas?

beijos, somente beijos, eternos beijos de paixão,
trocados em momentos inesquecíveis, ainda que roubados no tempo...

beijos calmantes, beijos alucinantes, beijos sobreviventes de guerras
beijos imaginados e nunca dados, beijos devolvidos em cartas que voltaram
beijos de mulheres desiludidas, beijos de homens angustiados,
beijos de fêmeas felizes e de machos amados, beijos reais, beijos virtuais...

beijos com sabor de sonhos, beijos com gosto de aventura, beijos proibidos,
os permitidos pela vida, os camuflados pelo adeus, os decididos pela razão,
até os cuspidos pelo arrependimento, todos valem seu existir em lábios oferecidos,
violados, entregues, fugitivos, fechados, abertos, beijos escapantes,
de bocas que exalam sentimentos enredados como nós tão intrincados,
lábios que podem até apascentar corações revoltosos ou descompassados...

teus beijos me virão buscar qualquer dia desses, em qualquer lugar do mundo,
sei deles porque os antecipo, os aguardo e os calo, vou acalentá-los, senti-los...

depois, nada mais me fará poetar que não seja com a aura deles, seu gosto e perfume,
teremos atingido o nirvana dos beijos que a felicidade guardou para nós, um prêmio...
cida torneros
rio, 3 de maio de 2009

Michelle Carla - The Wives

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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Mireille Mathieu : Paris en Colère (1978)

Mireille Mathieu J'aime Paris en Colere

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Canción para enamorados...

Todas as Nossas Senhoras- dedicado a todas as Mães do Céu e da Terra



Dia 13 de maio, lembrando N. Sra. de Fátima, sua primeira aparição em Portugal.
Homenageando todas as Nossas Senhoras.
Que Ela seja a Protetora de todos nós!!
Cida Torneros

La romance de Paris



Assim...ele vai chegar na zona boêmia e me acompanhar ao café
direi que diminua a pressa dos passos, iremos pé ante pé...
vagarosamente, a vida vai se colorir de rosa, entrelaçamos as mãos,
a energia nos invadirá repentinamente, o beijo explode no calor do nosso abraço...
será verdade ouvir sua voz sussurrada me chamando de ma cherry, moun amour...
meus olhos buscarão o encanto do seu sorriso, nada será mais importante que ele,
em mim, a sua presença, à nossa volta, Paris, cada detalhe de um grande laço...
Assim...ele vai me inundar de sentimento e me apresentar a cidade
direi que tenha paciência com meu deslumbramento, com tanta sensualidade...
generosamente, o mundo vai se colorir de rosa, estreitamos os corpos,
será nossa necessária aproximação nos tornando dois seres agarradinhos a cada passo
Assim, ele vai me surpreender com seu embevecimento, com tanta cumplicidade...
vou retribuir com êxtase, estado fora de prumo, aura flutuante, sentidos etéreos,
serei sua mágica amada a pulsar-lhe o coração,a medir-lhe o fôlego, ambos aéreos,
como bailarinos em volteios, nas calçadas, juntaremos nossos mundos, para sempre, róseos...
Cida Torneros

Charles Trénet - La romance de Paris



Ils s'aimaient depuis deux jours à peine
Y a parfois du bonheur dans la peine
Mais depuis qu'ils étaient amoureux
Leur destin n'était plus malheureux,
Ils vivaient avec un rêve étrange
Et ce rêve était bleu comme les anges
Leur amour était un vrai printemps, oui
Aussi pur que leurs tendres vingt ans

{Refrain:}
C'est la romance de Paris
Au coin des rues, elle fleurit
Ça met au coeur des amoureux
Un peu de rêve et de ciel bleu
Ce doux refrain de nos faubourgs
Parle si gentiment d'amour
Que tout le monde en est épris
C'est la romance de Paris

La banlieue était leur vrai domaine
Ils partaient à la fin de la semaine
Dans les bois pour cueillir le muguet
Ou sur un bateau pour naviguer
Ils buvaient aussi dans les guinguettes
Du vin blanc qui fait tourner la tête
Et quand ils se donnaient un baiser, oui
Tous les couples en dansant se disaient

{au Refrain}

C'est ici que s'arrête mon histoire
Aurez-vous de la peine à me croire?
Si j'vous dis qu'il s'aimèrent chaque jour
Qu'ils vieillirent avec leur tendre amour
Qu'ils fondèrent une famille admirable
Et qu'ils eurent des enfants adorables
Qu'ils moururent gentiment, inconnus, oui
En partant comme ils étaient venus

{au Refrain}

Tu Es Partout - Edith Piaf - tradução português

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Cireza rumo à Europa...Portugal, Espanha e França





CIREZA rumo à Europa


Ouvindo "I love Paris" com Paul Mauriat
Encontrei numa dessas bancas de cds players que liquidam porque parece que encalharam e ninguém dá bola para canções fora de época. Nem acreditei no preço, seis reais, minha nossa, um Paul Mauriat, aquela orquestra divina, do meu tempo de adolescente. Ali, com o título "I love Paris", esperando por mim, com uma foto reproduzindo uma pintura impressionista, de cafés parisienses, do início do século XX ou fins de outro tempo bem distante. Li "Catherine" sobre a marquise de um deles, observei as mesas na calçada, as mulheres de chapéus, as roupas de inverno, todo mundo muito elegantemente trajado para saborear a vida. Aí, quem poderia resistir? Comprei e saí correndo de volta pra casa.

Liguei o som. Sentei no sofá, comecei a viagem dos sonhos. Só orquestrações maravilhosas e um desfile de canções como Pigalle, La vie en Rose, April in Paris, e uma versão de Paris Je T'Aime de arrebentar corações apaixonados. Bem, o meu, se me perguntarem, hoje, concluo que está de novo apaixonado, sim. É meu direito. Lutei muito contra essa recaída que pressentia acontecer. Está acontecendo.

Sempre amei Paris e nunca estive lá em corpo. Mas passeio por Paris, em sonhos, desde menina, isso eu não posso negar. Com requintes de madame conquistada por alguém fictício, tornado realidade, a cada vez que há o propósito forasteiro de olhar o céu daquela cidade-luz, nos filmes , nas fotografias, nos documentários.

Há alguns dias, fui a uma agência de viagem, com duas amigas com quem fiz um pacto de comemorar nossa amizade em Paris, e traçamos um roteiro. Somos a CIREZA, Cida Reja Zazá. Pretendemos ir pela primeira vez à Europa, em abril próximo. Estamos contando os tostões. Estamos contando com a realização dos nossos sonhos, e incluimos Paris, como final do trajeto. Fecharemos com chave de ouro nossa estada por três países, que o dinheiro é curto, mas a felicidade é grande. Portugal, Espanha e França.

E esse Paul Mauriat, tão experto, a ressuscitar em mim, enquanto desliza sua música nos meus ouvidos, o sentimento de estar ali, nas margens do Senna, com elas, impressionantemente adolescente, extasiada com a história do velho continente, ao passo que meus ouvidos absorvem o barulho das suas ruas, e meus olhos se deslumbram com a paisagem dos seus múltiplos encantamentos.

Já me vejo a dançar em torno de mim mesma, imaginando o gosto do vinho que vamos tomar brindando à vida. Na minha boca, o sabor da baguete que uma senhora risonha terá me oferecido acompanhada de queijo especial. Na minha respiração, o compasso lascivo dos barcos que cruzam sob as pontes, tornando a vida mesmo cor de rosa para os apaixonados que vejo aos beijos, abraços, saudando o amor, o eterno amor.

Edith Piaf está presente em espiritualidade, impossível não estar com ela, ali, no lugar onde viveu sua saga maior e criou a arte mágica da sua passagem pela terra.

Um torvelinho de emoções me assalta. Conto os dias. Conto as moedas. Conto com a ajuda dos elementais para o vôo até lá. Pode parecer banal, hoje, uma ida até Paris, aos olhos da mocidade que já nasceu na era da internet. Para mim, que apreciei e vivi o tempo das missivas, desculpem o palavreado idoso, as tais cartas de amor que iam e vinham escondidas em meio a caixas arrumadas em porões de navios, trazendo e levando promessas de beijos, amores que balançavam com as marés, atravessando o Atlântico, estar em Paris será como ultrapassar a camada da atmosfera.

Menos, diriam os capitalistas atravessadores de bons negócios, num mundo moderno e globalizado, sedento de cifras, contas bancárias recheadas de euros, dólares, francos e libras. Menos, uma pinóia. Respeitem os cabelos brancos pintados de falsidade loura de uma senhora cuja alegria nem de longe se venderia a um índice que faz de cada país, hoje, um artigo de prateleira de supermercado, onde se deva investir ou não investir, como se brinca de dados, ou se pudesse avaliar a felicidade.

Mensurar o que não tem preço, é fácil para quem não tem idéia do valor de uma tarde amena, à beira do Senna, saboreando um gole de um tinto, direto no gargalo, recostada num poste de iluminação, observando a torre Eifel , ao fundo, no momento mágico em que as luzes da noite vem com o lusco-fusco, e alguém cantarola, ou assobia, uma dessas músicas que o Paul Mauriat imortalizou com sua orquestra.

Já consigo romancear algum olhar sorrateiro de um passante solitário em minha direção. Só um olhar. Ele se foi, apressado, mas o seu olhar era a nota que faltava para compor o quadro perfeito, aquele que Paris nos oferece em sonhos, sempre.

Quando lá estiver, com as duas amigas solidárias em superação e vida, prometo lembrar de todos vocês, um a um, como a multidão que conheceu Paris, ao nosso lado, ouvindo "I love Paris", com Paul Mauriat.

Aparecida Torneros ( artigo publicado em 2008 no livro A mulher necessária)

Tony de Matos só nós dois é que sabemos

A NAMORADA QUE SONHEI - NILTON CÉSAR(PARA O DIA DOS NAMORADOS)



( ANTOINE ENVIOU PARA MARIE )

Carla Bruni - L´amour (Live)

Antoine e Marie - roteiro de um filme de amor na França



Ela chegou apressada no consultório do analista. Deitou-se no divã, esticou bem as pernas, ajeitou as almofadas, e foi avisando que andava muito cansada. O profissional que a conhecia tão bem, observou seus traços tensos, em rosto que, embora amadurecido, trazia sim, ares de menina assustada.

Foi então que Marie falou das suas perdas de velhinhos, pai, tios, agora a doença grave mas controlada da sua mãe, de outro tio, a vida se esvaindo nos corpos das pessoas que ela sempre amou tanto. Na verdade, eles são mesmo a fonte da sua própria vida, ela concluiu chorando. E disse mais, Marie lembrou de momentos da infância, quando essas criaturas a cobriram de mimos e alegrias, recordou a avó espanhola cuja terra vai visitar na próxima viagem. Seus olhinhos então faiscaram. Foi capaz de descrever pedacinhos de chão, nuances das cores do céu galego, e o bendito verde, o tal vede do lugar, que a "avuela" tanto elogiara. O psicólogo chamou de resgate essa necessidade dela de ir lá, na aldeia de onde seu sange se originou, exatamente para render homenagem a uma ancestral imigrante, uma mulher à frente do seu tempo, que veio sozinha para o Brasil no início do século XX.

Cumprindo seu papel, o interlocutor perguntou sobre Paris. Ele sabia que Paris era um sonho que Marie e suas amigas acalentavam há décadas. Finalmente ia conhecer a magia da capital francesa. Então, Marie transformou-se. Um misto de ternura e alvoroço, sim, seus braços movimentaram-se, as risadas surgiram quase do nada, ela tentou definir o que a esperava na cidade-luz. Conseguiu dizer que havia o Antoine, que ele era um presente que Paris ia lhe dar, um amigo novo que lhe mostraria o encantamento do lugar, com ele, ela iria subir a Torre Eiffel, queria até sentir-se no céu de Paris, aconchegada ao carinho dele.

Um homem de verdade? O médico questionou? Desculpou-se pelo teor da pergunta, já que Marie é uma escritora e inventa personagens, podia estar criando mais um e sonhando algo que depois ela tornaria realidade num dos seus livros. Talvez Antoine viesse a ser um herói de um conto de amor, ou o protagonista de um romance misterioso. Uma figura de alguém que Marie estava criando para preencher melhor suas fantasias e voar nas asas da imaginação fértil que sempre tivera. Afinal, o analista pensou, a menina que anda a chorar tantas perdas, precisa por, no lugar destas, uma história bonita, algo bem romântico, com ares e sabores de realização afetiva, tipo conto de fadas com busca de par perfeito, "Marie está derivando suas perdas e salvando sua mente, com um novo ente criado com a função de não deixá-la enlouquecer diante da solidão que a cada dia mais a invade", foi o que ele pensou, olhando aquela mulher-menina ali, deitada e relatando a história dela e de Antoine.

Vestida com camisa larga e longa, cor bege, pernas torneadas em legging de cotton com estampa em xadrez, tons de marrom, os cabelos soltos espalhados nas almofadas, mãos de unhas pintadas de um vermelho-paixão, o rosto lavado, um colar comprido de onde uma madrepérola em forma de sol pendia brilhando, assim ele a via, uma viajante que lhe contava sobre seus sonhos parisienses.

A sessão devia terminar, mas ela estava no auge da descrição sobre o que esperava dos seus momentos com Antoine, já que este viria de longe, a mais de 500 km de Paris, e , juntos, passariam pelo menos um dia a passear nas ruas e nos cafés da cidade. Ela sabia que voltariam no tempo. Algumas almas de amantes de séculos anteriores os iriam acompanhar, talvez uma legião delas, satisfeitas pela disposição do casal em vivenciar aquele gênero quase ultrapassado de enternecimento e desejo.

Caminhariam de mãos dadas, ela relatou, se abraçariam ao parar em determinados lugares, para olharem juntos a paisagem e seus olhos fixariam nas retinas quadros inesquecíveis pintados por suas memórias, com aura de eternidade. Seriam os pintores da sua obra de arte, uma sequência de imagens em branco e preto, em seguida, evoluiriam para peças coloridas, onde estariam protegidos por roupas dos séculos dos Luizes franceses, e se sentiriam com membros de uma corte irresponsável, insensível ao clamor da gente pobre.

Não, Marie emendou a tempo, ela e Antoine, eram dois camponeses em busca de melhores oportunidades de vida na cidade grande. E ali estavam, para obter o pão, não os brioches, eles eram trabalhadores, fariam de tudo para sobreviver no meio de um mundo tão desigual. Talvez ela pudesse ajudar senhoras a se enfeitarem para seus amados, penteá-las, seria uma boa dama de companhia. Antoine, um bom cocheiro, um condutor de carruagens. E, nos instantes roubados do tempo, eles marcariam encontros fortuitos,em recantos à beira do rio Sena.

Marie e Antoine se beijariam, pela primeira vez, bem no meio de uma linda ponte, com as águas passando sob seus pés, o mundo avançando, e seus olhos fechados, guardando o futuro.

Ao acordarem, ela disse ao analista, veriam que estavam no século XXI, vestiam-se de jeans e jaquetas, calçavam um desses esportivos tênis para caminhada, e, a Paris dos turistas fervia à sua volta. Descobririam que todos tinha tanta pressa, inclusive eles se viram assim também, correndo contra o tempo, precisavam se amar em ritimo alucinante, tudo estava tão programado na vida de ambos, que só seria possível entender que era mesmo um acelerado sonho aquilo tudo.

Daí, que, fechando a sessão de análise, Marie deu um pulo do sofá buscou as sandálias, foi se despedindo e explicando que ela não inventara Antoine, que ele era real, só que ela o esperava há muitos séculos. Acrescentou que todos, na humanidade, aguardam centenas de anos pela realização de seus sonhos mais profundos.

Deu então um beijo no rosto do analista,e, carinhosamente, sussurrou: -Ora, ninguém melhor que você para entender que nosso inconsciente é como uma alma perdida vagando a buscar histórias escondidas, não é? Pois, acabo de achar uma delas, e nem tenho como fugir desse enredo, porque ele é como eu sonhei por toda a vida. Antoine me espera, vou voar para estar junto dele, depois de mil cartas de amor que não chegaram, que se extraviaram em porões de navios piratas, esatmaos na era do computador. Nos encontramos na internet, gravamos nossas conversas, salvamos na pasta de favoritos, trocamos mensagens de carinho, fotos,já nos telefonamos, e agora, já nos sentimos mesmo é nas ruas de Paris, juntinhos, rindo à-toa.

Marie desceu entao as escadas para a saída do prédio, sentiu a mirada do seu analista que acompanhou seus passos, suas costas captaram e seus sentidos decifraram como ele a definiu, internamente:

- " Uma boa contadora da própria história"

Foi nesse instante, que ele, por acompanhá-la há tantos anos, desejou com sinceridade, que Antoine não a decepcionasse."Marie merece criar uma história com final feliz", ele concluiu!

Aparecida Torneros

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Os refugiados do amor...





Os refugiados do amor...

Um bando de refugiados formou-se nos últimos tempos, buscando emigrar dos seus próprios sentimentos. É bem verdade que tiveram ajuda humanitária do modo de vida consumista, um anestesiante de ação efetiva, que os afasta da realidade, dando-lhes uma plena sensação de satisfação extemporânea, um estado de “nem quero mais pensar nisso que me aflige” ou aquela pitada de desfaçatez própria do cinismo aparente. Os refugiados do amor, em constantes arroubos justificativos para o seu comportamento, apregoam aos quatro ventos que não estão nem aí para suas histórias afetivas profundas e seguem vivendo pequenos enredos sem laços mais fortes. Preferem provar dos amores descartáveis, os tais encontros de “ficantes”, sem vínculos comprobatórios, do tipo “não haverá amanhã”, que, segundo eles, os deixam à vontade, descompromissados, livres para voar, no seu dia-a-dia, ou melhor nas suas noites após noites.

Nada sabem esses fugitivos do amadurecimento que paira sob os olhares antigos de gente que cultiva um grande e sólido amor. Sequer conseguem redimensionar a felicidade de um beijo repetido cujo gosto varia de sabor, por décadas, entre pessoas que aprendem a incorporar seus parceiros como se fossem ares para sua respiração e que não se vêem no mundo sem as presenças de figuras que os complementam. Casais assim, poderiam ser chamados de “os encontrantes”, cada vez mais rareados, mais escassos no sistema produtivo capitalista, pois não os junta nem a conta bancária, tampouco a ambição pelos bens de um ou de outro. O que os une é a alegria do aconchego, a paz do lado-a-lado, o sono acompanhado, as mãozinhas dadas, os olhares para a mesma direção do arco-íris que ilumina seu caminho comum.

Quanto aos refugiados do amor, sua legião cresce com as novas gerações, especializaram-se em sobreviver de encontros superficiais, casamentos-relâmpagos, viagens rápidas pelas paixões esquecíveis, e, o que é pior, desconstruíram em si mesmos o dom de iludir, sim, o melhor dos dons, o da ilusão a dois.

Sem o sonho do dia seguinte, sem a magia do futuro feliz, sem o nirvana do amor eterno,
lá se vão os peregrinos do mundo moderno, de aeroportos em aeroportos, trocando de aeronaves, voando sobre suas próprias cabeças, certos do incerto, convencidos do exercício do supérfluo, anotando em suas agendas eletrônicas os nomes que logo serão deletados, num troca-troca alucinante, confusão de bocas, olhos, cheiros, quiçá de gostos misturados.

Em algum lugar do universo, encontrarão, quem saberá, o refúgio para um exílio seguro depois de tanta fuga. E aí, será que o amor volta? Será que seus corações reaquecidos poderão renascer em paixões que os arrefeçam? Melhor imaginar que suas almas serão sábias para conduzi-los ao lugar onde a fuga cesse, o abrigo do maior amor os acolha e a eternidade os faça acordar um dentro do outro, juntos, fiéis, e para sempre. Sem mais fugirem de si mesmos!
Aparecida Torneros

meu amor é o teu mar...




ontem, olhei o mar
vi que ele é teu
senti o quanto ele pode ser teu
mais que de todos nós
porque é teu o abraço que ele me dá
é teu o som que ele ruge com tantas ondas
quando me vem dizer que me queres
quando me vem contar o quanto o olhas
pensando também em mim, que te observo da areia
nas praias da vida, ali estou eu, a olhar o teu amar
o teu cantar, o teu dizer, o teu sentir, o teu chegar...
e tu vens em ondas de saudade, em passeios de espumas...
chegas...vens... me invades com tuas alegrias, escunas...
barcos alegres, imensos navios de turistas, em cada um...estás tu...
é tua a viagem dos sonhos, as noites com shows e músicas no convés...
trazes a vida em tuas águas, sempre... o mar e tu...um enorme mistério
vens conquistar terras distantes..navegas...és o audaz navegante
e aportas aqui...no meu coração...enquanto abro meus braços
e recebo-te assim, como uma pescadora de ilusões...te faço versos
te presenteio com conchas e búzios, te faço ver em mim uma sereia
e te enfeitiço com as canções do amar o mar, amar tua presença,
e ainda, quando o mar muda de cores, verdes, azuis, cinzas e a escuridão
das madrugadas o põe invisível, vejo-te, no farol, brilhando como estrela
e sei, tenho certeza, que me acendes a chama da paixão, dizes que me amas
me amarás sempre, porque o mar é amor, nas águas do oceano mais profundo
é como a almas que no fundo e no superficial, nada têm a esconder,
mas só a descobrir, deixando para os descobridores das ilhas, a fortuna
de encontrar tesouros em forma de sentimentos...vem amar no mar, vem...
e traz contigo, apenas...tu... basta que te chegues assim...e pules aqui
na beira dágua, como um peixe que se liberta e vem nadar no meu amor...
meu amor é o teu mar...
Cida Torneros

Meu amor é marinheiro...

Katia Guerreiro

Lembra-te sempre de mim

Chega de saudade, Gal Costa




Chega de Saudade...



Chega de Saudade... quando o coração canta a música de cabeceira...


http://www.paixaoeromance.com/50decada/chegasaudade58/chega.htm




Não é possível explicar tudo, quando se sente saudade...aliás, é sentimento, não é razão...por que se quer explicar isso? já não basta ter no fundo do coração aquele fiozinho cortante da não-presença de alguém que a gente gostaria de poder rever, reter no abraço, beijar na boca e na alma?


Isso soa como tema de carta do século XIX, mas é bem mais, é século XXI, é hoje, é agora, é uma manhã nostálgica de uma segunda-feira aparentemente sem sentido, uma vez que vou sair por aí na luta em direção ao trabalho, sabendo que não vou reencontrar aquele que me faria feliz, de verdade, apenas por aparecer como uma visão do paraíso. Besteirol, poderiam classificar alguns materialistas para quem ter saudade de gente que está distante soa como não ter resolvido o sentido de alguma carência infantil. Careço de ver e ouvir, conviver e compartilhar a realidade do meu hoje...com certa criatura... e isso é dependência emocional? perguntinha a ser feita ao meu analista? talvez seja mesmo uma postura sentimentalóide, em momento de vida na meia-idade, quando relembro quantas vezes cantei debaixo do chuveiro a tal cançãozinha que deu start ao movimento da Bossa Nova, nos idos dos anos 60. Eu chegava da praia, com minhas primas Regina ( que viajou para encotrar-se com Deus, muito cedo) e Lena, nós entrávamos as três no banheiro do apartamento de Copacabana, enquanto tomávamos um banho conjunto, salgado, tirando a areia da praia, fazíamos coro. E a cortina do box, sobre a banheira branca antigona, tinha mil peixinhos que a gente apontava no auge da euforia adolescente, ao cantar a deliciosa música pensando nos namoradinhos, que era tantos, mas que deixavam sempre saudade...


Aprendi cedo que essa coisa da saudade é incontrolável mesmo, dentro de cada um. E faz a gente sofrer, querendo ou não, dá um nó na garganta, aperto no peito e vontade de atravessar ares e mares, ruas e bairros, cidades e países, em busca só do olhar ou do abraço de quem nos motiva tal vazio, tal melancolia, tal avalanche de recordações e desejo de voltar a ser feliz de novo, nos infantiliza...parece...


Uma vez, escrevi num poema um verso que diz mais ou menos assim:


"Estou adolescendo de novo"...


Acho que nos tornamos adolescentes repetidas vezes, até quando já pensamos que essa crise não voltaria mais, vem uma saudade infantil no meio da vida adulta, da vida madura, da realidade nua e crua, mas, que bendito tempero é esse ir e vir de sentidos que nos fazem repensar e rever os bons momentos, as pessoas maravilhosas e suas dádidas de amor em nossas vidas?


Hoje, sinto saudade imensa... e quero cantar...chega de saudade!!!


Aparecida Torneros ( novembro , 2008)

Paganini




Niccolò Paganini (Gênova, 27 de outubro 1782 – Nice, 27 de maio 1840) foi um compositor e violinísta italiano que revolucionou a arte de tocar violino, e deixou a sua marca como um dos pilares da moderna técnica de violino. O seu caprice em Lá menor, Op. 1 No. 24 está entre suas composições mais conhecidas, e serve de inspiração para outros proeminentes artistas como Johannes Brahms e Sergei Rachmaninoff.

Vida
Quando criança era constantemente obrigado pelo próprio pai a estudar violino muitas horas por dia, sob ameaça de castigos severos. Quando tinha nove anos de idade foi para Parma a fim de estudar com o famoso violinista Alessandro Rolla. Após ter executado o mais recente concerto de Rolla na primeira leitura, entretanto, o velho mestre aconselhou- o a continuar os seus estudos em composição:"Nada tenho a lhe ensinar, meu menino, vá e procure Ferdinando Paër". Em seus primeiros concertos públicos foi considerado uma criança prodígio. Após libertar-se da custodia do pai-déspota, começou carreira como virtuoso do violino, em toda a Itália. Ficou famoso também pelo seu estilo da vida rebelde, freqüentemente gastando todo seu o dinheiro em jogos e diversões noturnas. Durante os anos 1800-1805 desapareceu completamente da vida pública. Diz a lenda que passou estes anos na prisão.
Embora, no início de sua vida profissional desse os seus concertos apenas na Itália, sua fama como violinista-virtuoso logo espalhou-se por toda Europa.
Só em 1828 saiu da Itália para uma viagem de concertos no estrangeiro. Tocou na Áustria, Alemanha e França entre outros países, sempre com grande sucesso.

É desnecessário dizer que a maioria das obras de Paganini foram escritas para violino. Conquanto diversas obras para violino e orquestra possam fazer parte das suas peças, o violinista somente compôs cinco verdadeiros concertos para violino. O primeiro Concerto pode provavelmente ser datado de 1817. Em todas as apreçiações, cartas e outras fontes contemporâneas aparece o testemunho de como as platéias e os críticos reagiram à execução deste "violinista diabólico". E mesmo agora - ainda que Paganini tenha morrido[1] há mais de um século e meio - ele ainda aparece como um exemplo clássico da execução "virtuose" do violino.

Os últimos anos da sua vida foram passados em Nice. Apesar de muito rico, ficou doente de tuberculose e não podia falar.

O estilo de vida de Niccolò Paganini e a sua aparência mefistofélica deram origem a historias de que o seu virtuosismo era devido a um pacto com o demônio. É mais provável que ele fosse portador de uma doença, a Síndrome de Marfan, cujos sintômas típicos são os dedos particularmente compridos e magros.

Na história dos intérpretes do violino os pontos de referência mais importantes podem ser encontrados a partir do século dezessete. De uma parte isso é coerente com a origem do que hoje em dia é considerado um "verdadeiro" violino, e de outra com o desenvolvimento da legítima música instrumental na qual a virtuosidade se tornou cada vez mais importante.

Ainda que em séculos anteriores diversos instrumentos de cordas tivessem ficado conhecidos tais como o árabe redab e o violino medieval, o violino com quatro cordas não se transformou em padrão antes de que o estilo barroco viesse a surgir na Itália. Com o novo idioma o estilo do instrumental concertante veio a florescer: embora tivesse havido definitivamente obras instrumentais anteriormente, elas tinham sido baseadas principalmente nos modelos vocais e o verdadeiro estilo virtuoso de execução desenvolveu-se durante o período no qual o pricípio concertante estava se tornando gradualmente mais importante.Os compositores mais importantes para o instrumento no século dezessete e na primeira parte do século dezoito foram italianos, tais como Marini, Corelli, Vivaldi e Tartini. Só gradualmente é que outros países começaram a desempenhar algum papel, por exemplo, com Leopold Mozart (pai de Wolfgang Amadeus) que foi não somente um músico talentoso como também publicou um dos mais influentes métodos para a execução do instrumento.

Niccolò PaganiniTão esquecido quanto possa estar Viotti em nossos dias, assim também é Nicoló Paganini. Sendo um dos primeiros instrumentistas do romantismo musical. Paganini mostrou a pianistas do quilate de um Franz Liszt a forma de explorar a virtuosidade. ( extaído de um site)



Camané e o Fado, ai, quero vê-lo e ouvi-lo ao vivo em Portugal!!!



Gonzaguinha Cantando Lupicínio Rodrigues (Ela Disse-me Assim)

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Linda Batista canta "Vingança" de Lupicínio Rodrigues (1983)

Nervos de aço, na voz do autor Lupicínio Rodrigues



Viva a dor de cotovelo...
o chute no traseiro...
o passa-fora, a fossa...
Viva a volta por cima...
O desprezo e o desvelo...
o sobe-e-desce do vespeiro...
a fila anda de quem tá por cima...
o bate-estaca de quem tá por baixo...
Viva a poesia que transforma a dor
em canção, em arte, em bons momentos de amor...
Cida Torneros

Boa noite, Amor!!!! Meu grande Amor!!! Cadeira Vazia...



Chomsky: entrevista sobre Obama, revista Isto é, março, 2009


Domingo, 8 de Março de 2009
Noam Chomsky: entrevista sobre Obama e a crise

Cético Autor de mais de 70 livros, Chomsky diz que Obama não será muito diferente de Bush e que o Brasil está no caminho certo

Entrevista

Noam Chomsky

"Capitalismo só existe no terceiro mundo"

Intelectual americano critica protecionismo dos EUA e diz que o poder do capital é imposto à força nos países pobres

por Maíra Magro


Ele foi considerado o intelectual mais importante do mundo pelo jornal The New York Times. Em 2005, ficou no topo da lista dos principais acadêmicos do planeta,segundo pesquisa feita pelas influentes revistas Foreign Policy, dos Estados Unidos, e Prospect, da Inglaterra. Aos 80 anos, Noam Chomsky, americano descendente de judeus russos, é reconhecido também como o papa da linguística moderna, por ter revolucionado a área com suas pesquisas sobre aquisição de linguagem. Professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) há mais de meio século, Chomsky é também filósofo e comentarista político. A decisão de nadar contra o pensamento político dominante veio com a guerra do Vietnã, nos anos 60. Publicou mais de 70 livros e mil artigos. Em geral, obras de repercussão mundial sobre atentados terroristas, neoliberalismo e política internacional. Um dos maiores críticos da política internacional americana, Chomsky está lançando no Brasil Estados fracassados: o abuso do poder e o ataque à democracia (Bertrand, 349 págs., R$ 45), no qual argumenta que os Estados Unidos assumiram as características de um Estado fracassado e padecem de um déficit democrático. Nesta entrevista concedida à ISTOÉ, o intelectual diz que não vê perspectivas de mudanças com o presidente Barack Obama, mas deposita um mar de esperanças na América do Sul: "Neste momento, é a região mais interessante do mundo."


ISTOÉ - Barack Obama pode mudar o que o sr. chama de "Estado fracassado"?


Noam Chomsky - Possibilidades sempre existem, mas não há nada que aponte para isso. As nomeações têm sido basicamente do lado dos falcões (defensores da guerra), e as ações também. Obama intensificou a guerra no Afeganistão, aumentou os ataques ao Paquistão e rejeitou os apelos dos presidentes desses países para eliminar os bombardeios que atingem alvos civis. Quanto à questão de Israel e da Palestina, ele já deixou bem claro que não tem a intenção de buscar um acordo. Em sua primeira declaração sobre política internacional, afirmou que a responsabilidade primária dos Estados Unidos é proteger a segurança de Israel, e não a dos palestinos, que são os que precisam de proteção.


ISTOÉ - O sr. está dizendo que Obama é igual a George W. Bush?


Chomsky - Para começar, há uma distinção entre o primeiro e o segundo mandato de Bush. O primeiro foi muito arrogante e agressivo, desconsiderou as leis internacionais e foi tão abusivo que se distanciou de países aliados. O segundo mandato amaciou a retórica e as ações, que estavam causando danos demais aos interesses dos Estados Unidos. É possível que Obama dê continuidade às políticas do segundo mandato. Em alguns aspectos, Obama ainda é mais agressivo, como no Paquistão e no Afeganistão, que, pelo que vejo, são suas principais preocupações internacionais.


ISTOÉ - Os Estados Unidos são uma democracia fracassada?


Chomsky - Se você comparar as eleições de 2008 com as de um dos países mais pobres do hemisfério, a Bolívia, o processo é radicalmente diferente. Você pode gostar ou não das políticas do presidente Evo Morales, mas elas vêm da população. Ele foi escolhido por um eleitorado popular que traçou suas próprias políticas. As questões são muito significativas: controle dos recursos naturais, direitos culturais...

A população não se envolveu apenas no dia das eleições, essas lutas estão ocorrendo há anos. Isso é uma democracia. Os Estados Unidos são exatamente o oposto. O melhor comentário sobre as eleições foi feito pela indústria da publicidade, que deu à campanha de Obama o prêmio de melhor campanha de marketing do ano.


ISTOÉ - Alguns presidentes sul-americanos são chamados de populistas.

Chomsky - Populista quer dizer alguém atento à opinião popular.

ISTOÉ - Mesmo quando a distribuição de recursos não é sustentável?


Chomsky - Distribuição de recursos tem a ver com política econômica. Nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, a política econômica é definida por instituições financeiras, por pessoas que levaram o país à ruína e estão levando boa parte do mundo à ruína. Isso não é populismo, é política econômica destinada a enriquecer um setor bem pequeno. Você pode até discutir se a forma que Evo Morales distribui recursos é correta, mas chamar isso de populismo é usar palavras feias para políticas que desagradam aos ricos.


ISTOÉ - O presidente Hugo Chávez acaba de passar por um referendo que permite suareeleição ilimitada. Isso é aceitável em uma democracia?


Chomsky - Você acha que os Estados Unidos foram um Estado fascista até 1945, quando tínhamos a mesma regra? O presidente (Franklin) Roosevelt foi eleito quatro vezes seguidas. Eu,pessoalmente, não aprovo, mas não posso dizer que isso seja incompatível com a democracia, a não ser que você diga que os Estados Unidos nunca foram uma democracia. Isso é uma hipocrisia total. Isso vale também para outras democracias parlamentaristas, em que o primeiro-ministro pode ser reeleito de forma indefinida.


ISTOÉ - O sr. avalia o governo Chávez positivamente?


Chomsky - A pergunta que importa é: o que os venezuelanos pensam do governo? Em pesquisas feitas pelo Latinobarômetro, uma organização chilena muito respeitada, desde a eleição de Chávez, a Venezuela fica no topo ou perto do topo de uma lista de países quanto ao apoio popular ao governo e à democracia.


ISTOÉ - O sr. acha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou alguma mudança para o Brasil?


Chomsky - De forma geral, suas políticas têm sido bastante construtivas. A disposição inicial de aceitar a disciplina das instituições financeiras internacionais foi questionável. Até havia justificativa para isso, mas ele poderia ter escolhido políticas alternativas que teriam estimulado mais a economia. Acho também que as políticas poderiam dar mais apoio a organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Mas, em geral, o País parece estar andando na direção certa. A disposição de lidar com os problemas internos de desigualdade extrema, da fuga de capital, entre outros, está pelo menos na agenda. Além disso, há a tendência de integração regional e independência. A União de Nações Sul- Americanas (Unasul) é um exemplo, mas existem muitos outros, e a integração é um pré-requisito para a independência. De maneira geral, isso torna a América do Sul, do meu ponto de vista, o lugar mais interessante do mundo atualmente.


ISTOÉ - E qual o papel do Brasil?


Chomsky - O Brasil tem um papel central na integração regional, pois é o país mais rico e poderoso da região. O presidente Lula tem tomado uma posição muito boa, garantindo que países que os EUA tentam arruinar, principalmente a Bolívia e a Venezuela, estejam integrados ao sistema. O Brasil também está aumentando as relações com outros países do Sul. Mas a dependência das exportações agrícolas é uma forma questionável de desenvolvimento. Deveria haver tentativas de desenvolvimento que não dependessem tanto de exportações, como a da soja.


ISTOÉ - Como o sr. vê o ressurgimento de medidas protecionistas nos Estados Unidos e na União Européia?


Chomsky - Antes de falar sobre isso, temos que eliminar uma grande quantidade de mitologia. Os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, sempre foram altamente protecionistas. Sua economia avançada depende crucialmente do setor estatal. Se você pensa em computadores, internet, tecnologia da informação, laser, tudo isso foi financiado pelo Estado. Você não pode falar em livre mercado porque eles não acreditam nisso.


ISTOÉ - O capitalismo está entrando em colapso com a crise?

Chomsky - O único lugar onde o capitalismo existe é nos países do Terceiro Mundo, onde ele é imposto à força.

ISTOÉ - Os anticapitalistas têm algum modelo para oferecer?


Chomsky - Existem diversas pessoas propondo coisas interessantes, basta ver o encontro em Belém (Fórum Social Mundial). Elas não são totalmente novas, vêm dos movimentos dos trabalhadores no século XIX. São propostas de se democratizar a sociedade inteira. Isso significa o controle democrático da manufatura, das finanças, dos sistemas de informação, e por aí em diante.


ISTOÉ - Vê algo de positivo no papel dos Estados Unidos atualmente?


Chomsky - Sim. Mas não se deve esperar que os países mais poderosos sejam agentes da moralidade. Não faz sentido ficar elogiando esses países pelas coisas decentes que fazem. Os Estados Unidos deveriam, por exemplo, ter um papel fundamental na reconstrução de Gaza depois das terríveis agressões feitas junto com Israel - foi um ataque em conjunto, pois eles estavam usando armas dos EUA, é claro. A estrangulação de Gaza pelos Estados Unidos e Israel, apoiada pela União Européia, começou imediatamente após as eleições, que foram reconhecidas como livres e justas, mas os Estados Unidos não gostaram do resultado e punem as pessoas. É uma boa indicação da aversão extrema que as elites ocidentais nutrem pela democracia.


ISTOÉ - O sr. concorda que os intelectuais de hoje são menos engajados que nos anos 60 e 70, por exemplo?


Chomsky - Não concordo com isso. É uma ilusão pensar que intelectuais eram diferentes no passado. De modo geral, os intelectuais são altamente fisubordinados ao poder. Isso também era verdade nos anos 60. Veja, por exemplo, a guerra do Vietnã, que era uma questão importantíssima na época. Se você olhar o The New York Times ou outro jornal importante nos quais intelectuais se expressavam, a crítica mais forte que poderá encontrar da guerra é - bem, estou citando a crítica mais extrema - de que a guerra começou com esforços de fazer o bem, mas se transformou em um desastre com custos muito altos para nós mesmos.


ISTOÉ - O sr. dedicou a vida a pensar as questões mais importantes do mundo.Como se sente hoje?


Chomsky - Há passos em direção a um mundo mais livre, justo e democrático. Isso não cai do céu como um presente, vem da luta popular engajada. E, sim, ela tem sido muito bemsucedida. Então, na medida em que sou parte dela, eu me sinto feliz. Os movimentos populares que se desenvolveram a partir dos anos 60 tiveram um impacto muito significativo no mundo, de diversas formas. Veja um exemplo óbvio,das últimas eleições nos Estados Unidos: o Partido Democrata tinha dois candidatos, uma mulher e um afro-americano. Isso seria inconcebível 20 anos atrás.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Salada a la Noam Chomsky, na minha vida, de novo...



Noam Chomsky, de como ele entrou e faz parte da minha vida, hoje...de novo...

Deparo-me com uma nova entrevista do velho professor de Linguística do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, Noam Chomsky, um homem polêmico por si só, estudioso e corajoso, capaz de questionar a sede imperialista da ideologia do capitalismo norte-americano, sua postura acadêmica ultrapassou o campus universitário e, há muito, que permeia os cérebros conscientes do grande, imenso e incompreensível fosso que separa povos, nações, raças, línguas e corações humanos, em nome de um poder que explode em guerras com objetivos difusos ou com mortes baseadas em razões espúreas.

No final dos anos 70, no curso de mestrado em Comunicação, da UFRJ, eu vivia com os livros do Chomsky a me indagar sobre os seus conceitos de competência e desempenho linguístico, me embrenhando no seu teor político-sociológico de ter incitado seus alunos universitários americanos a não atender a convocação para a guerra do Vietnam. Polêmico, antenado, plugado, suas conferências e o tempo passado na prisão, legaram-nos o homem maduro que fala sobre a América Latina, com a lucidez de um dos maiores pensadores do mundo ocidental contemporâneo. Mas ele virou uma " espécie de guru do movimento anticapitalista no mundo de hoje -assim podemos caracterizar Noam Chomsky. Esse acadêmico, professor de lingüística e filosofia no Massachusetts Institute of Technology (MIT), é também um ativista político incansável em suas manifestações contra o capitalismo americano", dados presentes na sua biografia.

A família de Chomsky era de imigrantes russos. O pai, William Chomsky, foi notável estudioso da língua hebraica. Em 1945, Noam Chomsky iniciou estudos de lingüística e de filosofia na Universidade da Pensilvânia. Em 1949, casou-se com a lingüista Carol Schatz, com quem teria dois filhos. No início dos anos 1950, graças a uma bolsa de estudos, Chomsky realizou pesquisas na Harvard University. Em 1955, concluiu o doutorado na Universidade da Pensilvânia. Dois anos depois, publicou "Estruturas Sintáticas". Nele, Chomsky criou o modelo da gramática generativa, que revolucionou os estudos da linguagem.

Desde 1955, Chomsky é professor e pesquisador do MIT, onde obteve a cátedra de línguas modernas e lingüística, com atividade acadêmica e científica intensa e ininterrupta. Publicou diversos ensaios e estudos teóricos, como "Reflexões sobre a Linguagem", "Linguagem e Mente" e "A Gramática Generativa". Paralelamente à pesquisa filosófica e lingüística, tornou-se ativista político de grande popularidade não só nos EUA, mas também na Europa e no Terceiro Mundo.

A partir de 1964, começou a lutar contra o envolvimento norte-americano na Guerra do Vietnã. Em 1969, publicou "American Power and the New Mandarins", que alcançou grande repercussão. Chomsky passou a dar palestras e divulgar suas idéias políticas a platéias cada vez mais numerosas. Conquistou tanto seguidores, muitos deles no campo da mídia, quanto detratores, que consideram sua visão de mundo simplória.

Em 1978, publicou "Human Rights and Foreign Policy", outra obra de grande popularidade. Atacando a política externa norte-americana, Chomsky tornou-se uma referência nos meios políticos de esquerda. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, as intervenções de Chomsky viram-se ainda mais valorizadas, com a questão do terrorismo e do intervencionismo na ordem do dia.

Em recente entrevista ele nos disse: “A comunidade académica não mudou muito. O que mudou foi a opinião pública. Por exemplo, em relação à guerra do Vietname, as opiniões dos sectores mais instruídos da população e do público em geral divergiam totalmente. A posição mais crítica desses sectores com elevado grau de instrução, por exemplo, em Harvard, é que a guerra foi um erro desastroso que começou a partir de boas intenções. O público em geral não concorda. Pesquisas de opinião feitas entre 1970 e 1990 indicam que cerca de 70% creditam que a guerra não foi um erro, mas uma decisão fundamentalmente errada”.

Isso vale também para superposições e reflexões sobre a tal e famosa formação da opinião pública induzida pela linguagem dos podres poderes, dos detentores dos grandes conglomerados midiáticos, fenômeno surgido no século XX , que amplia as diferenças de oportunidades entre os humanos na terra.

Claro que ele continua a fazer parte da minha vida, toda vez que adentro uma livraria e busco um novo livro seu, ou me hiberno em leitura de textos e entrevistas suas sobretudo , quando me revejo com 20 anos e me sinto tão impotente diante dos sonhos que não se concretizaram de ver uma humanidade melhorada e justa.

Pincei esta resposta dele, sobre o Brasil, durante um Fórum Social Mundial:
- Diante desse panorama, que deveria um país como o Brasil fazer?
O Brasil é um país grande, tem muitas opções. A primeira coisa que o Brasil tem de fazer é controlar os seus ricos. Uma das diferenças entre os países em desenvolvimento do Leste asiático e os países da América Latina, é que qualquer estrato das classes ricas está bastante sob controle. O Estado é forte o suficiente não só para controlar o trabalho, mas também o capital. Assim você não tem o capital voando para Formosa ou para a Coreia do Sul. Na verdade, o Japão nem mesmo permitiu a fuga de capitais até que sua economia estivesse bem forte. Na América Latina, existe uma fuga de capitais imensa, que chega perto do volume da dívida externa. Grande parte dessa dívida poderia ser paga com esse fluxo de capitais. Outra coisa que não há no Leste asiático e que há na América Latina é um enorme défice comercial de importações de produtos supérfluos. Na América Latina há uma enorme importação de supérfluos por causa da profunda divisão das sociedades e os ricos importam produtos como Mercedes Benz. No Leste asiático isto não acontece. Lá existe uma sociedade muito mais igualitária, onde as importações são controladas com muito mais cuidado para suprir as necessidades dos países. Só esses dois factos já fazem uma grande diferença. Significa que os asiáticos não têm uma dívida nem um défice avassaladores. E há outras coisas. Como outros países, eles protegeram seus mercados, mas o fizeram com eficiência. O fizeram de forma a criar a base para a promoção das exportações. A América Latina é muito mais aberta aos mercados internacionais e muitos dos problemas são consequência desse facto. Por razões históricas e outras, o Leste Asiático não é. Esses são países, sobretudo Coreia do Sul e Formosa, que foram colónias japonesas. Os japoneses tratavam suas colónias de forma muito diferente da Europa. Eles eram brutais, mas desenvolviam suas economias. Então, essas colónias se desenvolveram tão rapidamente quanto o Japão, ou até mais rápido. O que certamente não é verdadeiro em relação aos EUA com as Filipinas, ou a Grã-Bretanha com a Índia, ou a Holanda com a Indonésia. Eles arruinaram suas economias. O Haiti era um dos países mais ricos do mundo antes dos europeus chegarem lá. O Japão desenvolveu suas colónias e criou bases para o desenvolvimento social. É claro que há todo tipo de diferenças específicas, mas elas mostram que tipo de coisas países ricos como o Brasil podem fazer."

Observo então, em atitude respeitosa e ao mesmo tempo, de ardorosa admiradora, enquanto reflito sobre suas palavras, que o mundo é mesmo uma salada chomskyana.

De tudo o que leio e releio, vou sintetizando, como sempre acontece, o que se liga ao tal "repertório", que estudamos tantas vezes, em Teoria da Comunicação. E me deixo enlevar por um final não tão feliz, porém bastante instigante, quando ele define, com propriedade, a diferença sutil entre o movimento anarquista e o pensamento libertário:

Ouçamos o Mestre:
" O pensamento libertário, vai muito bem. Ele é a fonte de muitos progressos reais. Formas de opressão e injustiça que mal eram reconhecidas, e muito menos combatidas, não são hoje mais admitidas. É uma conquista, um avanço para o conjunto dos seres humanos, não uma derrota."

Talvez seja por isso que ao voltar no tempo, pelo menos 30 anos, ainda vibro com a salada a la Noam Chomsky e devo sair por aí, protestando, mesmo que , solitariamente, através de pequenas e poucas palavras, em artigo que talvez nem interesse a tanta gente, mas que me lava a alma que ainda clama por justiça num mundo tão desigual.
Aparecida Torneros
Jornalista - Rio de Janeiro -


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