Maracanã

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domingo, 31 de outubro de 2010

Música para todas as bruxas e fadas do universo inteiro!




























Bruxa

Bruxas Amadas.wmv

Magia Celta

O Despertar da Bruxa

Oswaldo Montenegro - O Rap da Bruxa

Bruxas? deixem-nas soltas! é seu dia, afinal!


Uma lenda da Galícia, terra minha avó Carmen e da minha bisavó Manuela, conta que as Meigas ( como são chamadas as bruxas por ali), não possuem pelos pubianos, são mestras em aparecer e desaparecer, capazes de ajudar os aflitos, protegem mulheres perdidas e acendem luzes nos caminhos dos peregrinos andarilhos, para que alcancem o fim das suas trilhas, com sucesso. Mas, é voz corrente que elas são atentas além de boas cobradoras, se andam soltas nos solstícios ou equinócios, em festas que seitas e tradições lhes oferecem, não se descuidam de afazeres cotidianos. Atendem pedidos, esforçam-se para superar as marcas da terrível inquisição, continuam a produzir poções e unguentos, curam feridas físicas e morais, providenciam pares para soldões aparentemente irreversíveis, viajam de avião, modernamente, travestem-se de jovens bem vestidas, algumas vezes estão nos escritórios em pele de executivas ou comandantes de governos, são mulheres modernas, seguem reencarnando em corpos suficientemente capazes de suportar seus dons que continuam surpreendendo os desavisados ou descrentes.
Bruxas, Meigas, Fadas, Feiticeiras, Médius, Sensitivas, quaisquer nomes que assumam, em verdade cumprem missão nos seus povos, através dos tempos, surgem em comunidades ciganas, em aglomerados de periferias, em  clubes de bairro, em escolas de governos, em competições olímpicas, em pleitos eleitorais, em salas de aula, em salões de danças, em sets de filmagem, elas se multiplicam, assustadoramente, em olhares hipnotizadores, em perfumes extasiantes, são adeptas do no sense, ou do inebriante instante  de  prazer , dominam ambientes, param o tempo, proporcionam mudanças de dimensões, passam enganos, deixam que muitos imaginem que estão sonhando, os tiram da realidade, propositadamente.

Hoje, no tal "dia das bruxas", a la americana, são mostradas como figuras menores, aliadas a abóboras iluminadas, em rituais infantilizados, o que não as incomoda, de modo algum. De tão sábias, em milhões de anos à frente da humanidade aprendiz, elas aproveitam  a data e se soltam por aí, nas entrelinhas do tempo, penetram pensamentos cuja guarda se abre, e plantam fé.
Misteriosas, as Meigas influenciam meditações dos que precisam respostas  e ainda, de quebra, salpicam dúvidas nos que julgavam detentores de verdades absolutas.
So brincalhonas, divertidas, mas sabem ser responsáveis nos instantes  de dores e dramas, se  necessário, fazem dormir e esquecer, acalmam corações aflitos, oferecem  chance de aconchego e paz aos que se acham decepcionados ou desesperançados.
Mas, é preciso sintonizá-las, nas noites de lua cheia, por volta da meia-noite, seu zumbido perpassa  ouvidos sensíveis, seu   perfume inunda narinas delicadas, sua  luz ofusca  quartos escuros, sua aura desencanta os  medos e acende  o céu dos insensatos medos, clareando espaços dignos de fantasias impossíveis.
Duma coisa  estamos certos, elas  estão soltas e devem continuar assim, não as tentem prender, são seres  esvoaçantes  por natureza, entram e saem das nossas vidas, com o desvelo da  liberdade absoluta, não  há  nada a questionar e nem cadeados a trancar. Deixem-nas assim, livres como os pássaros, porque Bruxas são criaturas além da nossa compreensão e habitam entre nós em forma de mulheres  que todos conhecemos, que identificamos e nos põe  interrogações cujas respostas não encontraremos nunca! Se, no meio da madrugada, lhes ouvirmos a gargalhada sonora, ecoando pelo infinito, melhor guardar sua  voz como o símbolo do grito do tempo. Cabe-nos respeitar o delírio do seu riso solto, penetrante, reverberante, aquele riso forte, restaurador e assustador, inquietante e mesmo assim, apaziguador de nossas almas que buscam o elo perdido entre os  místicos poderes que sua energia é mestra em administrar. A elas, nosso silêncio e nosso olhar atento, além, claro , de ouvido ansioso por algum cântico que nos revele o paraíso além do  universo !
Cida Torneros

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Alma salva pelo japonês em semana de eleições!



Alma salva pelo japonês em semana de eleições!
Semana de eleições no Brasil, um segundo turno que todos os eleitores querem ver pelas costas, tendo em vista o nível baixo dos debates que expuseram as roupas sujas que as lavadeiras sabem o quanto é impossível desencardir quando a sujeira passa do ponto recuperável. Mas, vejamos assim, tudo pode ser parte de um crescimento doloroso e necessário sob o ponto de vista da nossa história democrática, de aprendizes de  viver no caminho politicamente correto e respeitoso. Caminhemos. Votemos. Aprendamos.

Estava pensando nisso tudo e no meu tédio ( acrescido de tristeza) quanto ao noticiário padrão. Violência, crimes, tsunami de novo, morte do presidente Kirchner, ameaça de rebaixamento do flamengo, feriadão com estradas perigosas, ficha limpa lavada à custa de muita negociação, a "porrada" que levei ( acho que todos estão levando) ao assistir Tropa de Elite 2, o filme que desarticula a pretensa articulação bandida e poderosa, caramba, tenho uma lista de assuntos que me puxam para baixo... Se bem que pudemos testemunhar os 70 anos do rei Pelé, entre as poucas coisas memoráveis que nos chegam nesta semana.

E na quinta-feira, no dia do santo padroeiro das causas impossíveis, o venerado S.Judas Tadeu, eis-me pedindo por boas  novas, talvez um prenúncio de compasso de paz e harmonia, quem sabe um momento onde seja lícito agradecer por estar presente no mundo. Pois que, entre contos e desencantos,  há uma exposição sobre Adolf Hitler, em plena Alemanha, tentando desmistificar o "monstro", alvo de opiniões várias sobre a sua capacidade de conduzir e persuadir milhares de alemães num sonho dantesco de hegemonia racial. Resquícios dessa praga, ainda, os vemos na discriminação constatada, em países europeus, de raças, de costumes, de religiões, de imigrantes, etc.

 Na França, as informações da semana permanecem voltadas para a greve esvaziada mas intensa de protestos, provocada pela mudança na lei das aposentadorias, com descontentamento que atinge os jovens com futuro pífio no tocante ao mercado de trabalho. Um mundo em crise de boas notícias, penso eu. Uma semana que se arrasta com final previsto, eleições que decidem o segundo turno do pleito do executivo federal, com vantagens divulgadas para a candidata Dilma em detrimento da  campanha do candidato Serra, ambos figuras belicosas, cumprindo seu papel na disputa eleitoral, mas, com certeza, nos ultrapassando a paciência ao trazerem como alvo de suas falas, acusações e desmerecimentos, em lugar de  plataformas e bons debates de cunho social.

Mas, perdoadas as exacerbâncias, consideremos válidos os votos de confiança que o Brasil dará aos candidatos no domingo 31 de outubro, acrescendo nossos votos de bom governo a quem se eleger, e boa vida nacional para o povo brasileiro em sua nova jornada pós-era do inesquecível Lula, o operário que, inegavelmente, mudou a história deste país.

O tom da semana seguia assim, na  pasmaceira da miscelânia noticiosa, com seus altos e baixos, sem grandes novidades no front, pelo menos pra mim, pra minha sensibilidade.

Porém, o inusitado, o inesperável, a informação nova, aquela que apareceu para me tirar do lusco-fusco repetitivo da semana, veio no Bom Dia Brasil, da quinta, um bálsamo revigorante: o fã japonês de João Gilberto, que surgiu com aura de anjo salvador, interpretando, em português, a canção "pra que discutir com Madame", imitando seu astro preferido e declarando que já assistiu os 14 shows que o bom baiano fez no Japão e veio ver mais 2 no Brasil.

Não anotei seu nome, nem podia porque fiquei emocionada, esqueci as  mazelas da semana, envolvi-me com a superposição no vídeo, o japonês cantando e João Gilberto encantando, era tudo que eu precisava para salvar a minha semana de eleições.

E de quebra, fui ler sobre Irmã Dulce, beatificada , o que me arrepiou completando a crença de  que ela fizera novo milagre, me trazendo, de bandeja, um japonês-baianizado,  para aliviar as angústias da alma de uma cronista.

Como se não bastasse o japonês e irmã Dulce, não é que fui tocada pelos dizeres de um dos muitos cartazes levados por populares para homenagear o presidente argentino morto:  “Gracias Néstor. Pusiste una Argentina de pie, sos un verdadero patriota. Te vamos a extrañar mucho”.

Ao concluir, então,  que a semana está ganha, volto ao samba cantado pelo japonês:
- Pra que discutir com madame? Viva João Gilberto e vamos votar sãos e salvos!

Aparecida Torneros

sábado, 23 de outubro de 2010

Top das cantoras brasileiras melhores de todos os tempos, Artur Xexeo

Top 11Enviado por Artur Xexéo - 14.10.2010

09h30m


ELEIÇÃO COMPLETA


Dalva e Ângela entram para o Top 11










Contei todos os votos incluídos em 102 comentários. Deu Angela Maria disparado. Mas tínhamos duas vagas ainda, lembram-se? O segundo posto foi disputado, mas Dalva de Oliveira acabou na frente de Alcione. Assim, nosso Top 11 de melhores cantoras brasileiras de todos os tempos está completo. Veja abaixo a relação das vencedoras, em ordem alfabética, como sempre, para não ferir susceptibilidades.






# ANGELA MARIA






# CÁSSIA ELLER






# CLARA NUNES






# DALVA DE OLIVEIRA






# ELIS REGINA






# ELIZETH CARDOSO






# GAL COSTA






# MARIA BETHÂNIA






# MARISA MONTE






# NANA CAYMMI






# ZIZI POSSI





Som Brasil Elis - 03 Ângela Maria (Dois pra Lá, Dois pra Cá)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ney Matogrosso - Entrevista Beijo Bandido

Ney Matogrosso - DA COR DO PECADO

O show se intitula Beijo Bandido. As cancoes se sucedem como um colar de p'erolas, v'ao nos envolvendo, volteando nossos sentidos,  adentrando nossos sentimentos, emocionando cada cora'cao de admirador da arte de um cantor-interprete unico na musica popular brasileira, Ney Matogrosso, incomparavel, agora amadurecido parecendo-se com um bom vinho, quanto mais envelhecido, melhor fica. Tive a oportunidade de assisti-lo numa apresentacao especial no Teatro Municipal do Rio, em noite memoravel, muitas vezes voltando ao palco a pedido do publico que pedia bis, e ele, um sofrego exemplar humano de energia, vitalidade, harmonia a esbanjar talento, nos oferecendo seu canto e seu encanto.
                                          Cida Torneros 

Nei Matogrosso no Teatro Municipal do Rio de Janeiro/setembro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

o tempo, a musica...






Salvador, axé, astral, transe e trânsito!!!








"Macacos me mordam", que desçam dos coqueiros para me sacudir as entranhas, nem estranhe, baiano povo, que esta carioca por aí passou umas 48 horas meio em transe, entre alegria, emoção e trânsito, quanto engarrafamento peguei, ou melhor, me pegou o borburinho de uma cidade crescida em demasia,repentinamente, nem sei de onde surgiram e ainda surgem tantos espigões, ó pai, ó!

Sem pestanejar, lá estava eu chegando na noite de uma sexta feira calorenta, na companhia da amiga Antonieta, que saiu direto da sessão de hemodiálise para o aeroporto, recuperando-se de um processo brabo de doença renal, ela me disse: preciso ir ao Bonfim, pedir e agradecer, e lá fomos, sim no domingo manhãzinha, para nos emocionarmos mais uma vez com a fé da gente da Bahia.

Bahia é mesmo assim, uma mistura intrigante, o progresso dos prédios varando o céu azul e o verde do mar de encantamento a nos convidar ao descanso de um olhar sobre o horizonte para nos perdermos em algum sonho de Brasil histórico, pedaço de raízes africanas, gosto de comida típica, cheiro de pescoço abraçado em noite de lua cheia.

Ali, no hotel em frente ao centro de Convenções, mais uma vez, convenci-me do dito e feito que é a vida pulsando em corações e mentes, fui ao encontro da festa de família, o primeiro aniversário da baianinha Ana Beatriz, uma "bolachinha" filha da prima carioca Luciana com o primo baiano Saulo. Alegria, afeto, carinho, amizade e doces momentos, com direito a muitos docinhos e flores no jardim de Bia, o astral das avós, das bisavós, dos primos, tios, gente que soma no amor e na esperança para fazer da vida da gente, um hino de louvor ao próprio amor à vida.

Sábado cedo, ida ao Mercado Modelo, comprinhas especiais, pose com gorro de rastafari, brincadeiras com os vendedores de bugingangas, destas, um peixe molengo, em madeira, ganhei da Nieta e cá está o bendito representante do artesanato baiano a enfeitar minha sala carioca, olho-o como quem olha a saga do pescador contado por Amado ou cantado por Caymmi. Trago nas imagens presas na memória recente, o vôo sobre as praias de Salvador, momento de retirada, fim de tarde, volta ao Rio, saudade antecipada, promessa de volta breve, gosto daquele surubim do jantar de sexta somado à água na boca pela recordação do acarajé da Regina, no Rio Vermelho, pelo meio dia, vendo os adesivos que a quituteira pregou na sua barraca, apoiando a Dilma 13, sem pejo e sem censura!

Deixar pra trás a Bahia é impossível, não dá, ir lá é ficar um pouco sempre, devo ter deixado um sorriso e uma lágrima, acho que perdi alguma parte da alma, sinto que meu passo ficou preso nalgum chão da orla, e nem posso especificar o arrepio que o vento da praia de Amaralina me provocou pra sempre...

Fui e voltei correndo. Sinto-me deslocada na dimensão possível como dizem os zem budistas, desloquei-me em divisão, alma e corpo, permaneço dividida, aqui estou no Rio, ali me encontro, no trânsito incrivelmente denso, observando a carreata espraiada, a procissão de veículos inflacionando a velha Salvador com um mundo que não lhe devia pertencer, pois sua fama de dengosa e lenta não o permitiria, se não fosse a economia, o progresso, o  mundo girando sobre os calcanhares industriais de um modelo capitalista absurdamente impiedoso. Entretanto, viva a Bahia que a despeito do mundo moderno e antenado, mantem vibrante seu ax'e,  viva a Bahia do Pelourinho antigo e do Bonfim protetor  dos  que trazem no coração o sentido da amorosa presença da fé! Viva a Bahia que me deixa assim, em transe!

Cida Torneros           

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nana Caymmi - Você já foi a bahia?

vc ja foi a Bahia?

Você Já Foi a Bahia?



Dorival Caymmi


Você já foi à Bahia, nêga?


Não?


Então vá!


Quem vai ao "Bonfim", minha nêga,


Nunca mais quer voltar.


Muita sorte teve,


Muita sorte tem,


Muita sorte terá


Você já foi à Bahia, nêga?


Não?


Então vá!


Lá tem vatapá


Então vá!


Lá tem caruru,


Então vá!


Lá tem munguzá,


Então vá!


Se "quiser sambar"


Então vá!






Nas sacadas dos sobrados


Da velha São Salvador


Há lembranças de donzelas,


Do tempo do Imperador.


Tudo, tudo na Bahia


Faz a gente querer bem


A Bahia tem um jeito,


Que nenhuma terra tem!






Lá tem vatapá,


Então vá!


Lá tem caruru,


Então vá!


Lá tem munguzá,


Então vá!


Se "quiser sambar"


Então vá! (3x)






Então vá...!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Suave veneno - Nana Caymmi

Suave Veneno


Suave Veneno Nana Caymmi

Vivo encantado de amor

Inebriado em você

Suave veneno que pode curar

Ou matar sem querer por querer

Essa paixão tão intensa

Também é meio doença

Sinto no ar que respiro

Os suspiros de amor com você

Suave veneno você

Que soube impregnar

Até a luz de outros olhos

Que busquei nas noites

Pra me consolar

Se eu me curar deste amor

Não volto a te procurar

Minto que tudo mudou

Que eu pude me libertar

Apenas te peço um favor

Não lance nos meus

Esses olhos de mar

Que eu desisto do adeus

Pra me envenenar

Suave veneno você

Que soube impregnar

Até a luz de outros olhos

Que busquei na noite

Pra me consolar

Se eu me curar deste amor

Não volto a te procurar

Minto que tudo mudou

Que eu pude me libertar

Apenas te peço um favor

Não lance nos meus

Esses olhos de mar

Que eu desisto do adeus

Pra me envenenar

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Esperança, a estátua vive..




Esperança, a estátua vive..

sinto-te tolo

atolado, por outro lado,

sinto-te longe

afastado, de certo modo...
sinto-te denso

sensitivo, daquele jeito,

sinto-te bobo

pensativo, quebrado peito...
sente-me toda

amargurada, da minha parte,

sente-me fraca

arrependida, antes tarde..

sente-me intensa

apaixonada, de quatro patas,

sente-me saudosa

emaranhada, e tu me matas...
sentimo-nos assim

eu em ti, tu em mim

interligados, de muitas maneiras,

sentimo-nos então com asneiras...

sente-me agora

sinto-me, embora
tu nem me fales nada

eu só te espreito, espero,

tu só de mim foges, eu quero

dizer-te que pares, penses, voltes,

entendas, revejas, contemporizes...
sentimos o quanto criamos raízes...

tu te alimentas da minha memória

eu me fortaleço na tua história,

nós sabemos que ainda seremos felizes...
Cida Torneros

Por el amor de una mujer - Julio Iglesias

CAETANO VELOSO-MARIA DOLORES PRADERA-CANTAN NUBE GRIS

JUAN PARDO Y ROCIO DURCAL - OH NENO

Juan pardo Bienvenida señora

Rocio Jurado y Sara Montiel "La Violetera"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Maysa - Caminhos Cruzados

Folha de Papel

Dilma Roussef, Marina Silva, Marisa Leticia e Monica Serra, mulheres e numeros



Dilma Roussef, Marina Silva, Marisa Leticia e Monica Serra, mulheres e numerosNos as acompanhamos nesses ultimos meses, atraves das aparicoes em televisao, jornais , revistas, mencoes em noticiarios, radios, vozes e discursos, acenos e sorrisos, ou mesmo ausencia de vozes ou discursos, como foi o caso de Marisa Leticia e Monica Serra. O que dizem essas duas senhoras, primeiras damas? Se nao dizem explicitamente, representam subliminarmente os milhoes de mulheres esposas, aquelas tradicionais referendadas como as companheiras dos homens que se pretendem fortes, vitoriosos, realizados, apoiados em seus lares e familias. Quanto a Dilma e Marina, suas palavras calaram fundo nos coracoes de brasileiras e brasileiros, somando mais de 65 milhoes de votos, afinal.

Os maridos de Marisa Leticia e Monica Serra, o presidente Lula da Silva e o candidato Jose Serra, continuam detentores de expressivo poder de voto, embora o lugar de cabo eleitoral atribuido ao presidente Lula assuma lugar de destaque na historia recente das eleicoes no Brasil, e o aspirante Jose Serra, agora novamente candidato no segundo turno de 31 de outubro, permaneca carreando votos oriundos dos pares tucanos e dos simpatizantes para as propostas do seu partido e dos seus coligados.
Mulheres que falam e mulheres que calam. Mulheres que nao se furtam a se expor aos olhos dos 136 milhoes de potenciais eleitores, apesar dos mais de 20 milhoes de abstencoes, e mulheres que falam em casa, em familia, entre amigos, aquelas que exercem papel tambem representativo na vida do dia a dia da populacao brasileira onde a maioria das mulheres ainda coordena ou comanda sua casa, lugar onde marido e filhos necessitam da protecao e do sorriso de aprovacao aos seus anseios e atos, assim como precisam da sua postura conselheira ou do seu arsenal de observacoes atentas, imagens que, em fotos ou filmes, alcancam o inconsciente coletivo, aquele mesmo onde as figuras maternais sao de uma forca historica perfeita.
Dilma fala e discursa, defende sua vitoria de 46 milhoes de votos e sua segunda chance de disputar a eleicao presidencial que pode levar uma mulher pela primeira vez ao exercicio do mais alto cargo executivo no pais. Marina fala e emerge como uma lideranca feminina legitima desde o seringal sintonizada com as propostas mais avancadas no que tange ao mundo ambientalista consciente.
Suas idades, geracoes aproximadas, historias diferenciadas, experiencias de vida que as elevam a patamares de criaturas escolhidas pelo destino. Vejamos, Dilma uma jovem que se engajou na luta pela restauracao da democracia do Brasil, Marina, uma quase menina que se conscientizou da necessidade de sair da mata amazonica e ganhar a vida urbana para denunciar sua lutas, Marisa, uma jovem viuva que conheceu um tambem jovem viuvo sindicalista do ABC e com ele passou a construir uma historia de amor e politica, Monica, uma jovem chilena que nao exitou em adotar a nacionalidade brasileira quando conheceu o futuro marido quando este vivia o exilio para um regime ditatorial.
Se fosse possivel coloca-las num debate informal, certamente, Dilma, Marina, Marisa e Monica, teriam muito a contribuir para a maturidade democratica nacional, entre falas e silencios, diriam tudo ou quase tudo que nos toca a consciencia neste momento em que o Brasil caminha para dar exemplo ao mundo da importancia que as mulheres assumiram em nossa historia recente. Os numeros comprovam que as mulheres ascendem, crescentemente, a postos de poder e comando, emergindo sua experiencia de donas de casa, universitarias, professoras, jornalistas, militantes, candidatas, vereadoras, deputadas, governadoras, escritoras, costureiras, cozinheiras, m'aes, avos, esposas, namoradas, companheiras, pro ativas, incentivadoras, chefes de familia, injusticadas ou vencedoras, mas, mais que tudo, grandes exemplos de capacitadas no exercicio da superacao e da esperanca.
Palmas para as mulheres brasileiras, mais uma vez!!
Cida Torneros

Amores rasos e transbordantes; amores profundos que não se desperdiçam...

Amores rasos e transbordantes; amores profundos que não se desperdiçam...



Marie intrigou-se novamente. Aquela imagem que trouxera para o consultório do analista se não era de todo estranha, podia então ser definida como intrigante. Aos seus pensamentos veio a imagem de um amor que não se contém em sua morada, verte-se pelas laterais, vaza pelos cantos, transborda apesar da necessidade de se conservar ali, não consegue permanecer e se perde quando transborda... Ela lembrou dos tanques que se rompem, racham, não suportam o peso e o volume de suas águas... Assim pôde definir seus muitos amores, os que não foi possível cultivar em lugares rasos, pois, ao tentarem expandir-se, viram-se transbordando em muitas direções, incapazes de sustentar-se nos seus domínios iniciais.


Aí, a inquieta Marie ousou sonhar com um amor profundo. Um tipo de amor que fosse se enraizando ou mesmo cavando mais espaço interior, para acomodar-se confortavelmente sem o risco de desintegrar-se em pouco tempo.

O analista embarcou na conceituação inusitada. Talvez ela estivesse com alguma razão. Amores que se aprofundam, não se desperdiçam, aproveitam-se na própria descoberta, aliam-se a descobertas que varam os umbrais do tempo e das esperanças, evoluem para intensos conhecimentos mútuos, superam etapas, atravessam tormentas, alcançam redenção.


Mas o que deixava Marie mais espantada era a sucessão de amores rasos e transbordantes que costumava viver. Não que não fossem bons e marcantes sentimentos, isso eram, sem dúvida, mas aquela repetição de contextos onde havia tantas perguntas que acabavam sempre ficando sem respostas. Ou então, havia tantas respostas que nunca satisfariam as indagações que ela acabava por colocar nalguma prateleira do esquecimento, já que não era possível solucionar tais impasses.

Os amores profundos podiam até durar menos tempo, não era questão de cronologia, o fio condutor do raciocínio se colocava além disso, acima de contagem de anos e meses, o importante era a qualidade do que se sentia, a certeza de incorporar aprendizado e ser inerente guardar experiências positivas. Nos tais amores rasos, tornava-se comum o saldo de enganos sobre o de certezas, e ainda, a sensação de desconfiança com sabor de mentiras contrapondo-se aos momentos de decepção ou de desilusão.



Amor profundo gera confiança mútua. Amor raso baseia-se em suposição de comportamento. Amor transbordante escapa ao encontro verdadeiro. Amor que se desperdiça deixa um rastro de incopentência para quem tentou amar de verdade...



Essa teoria martelou Marie por mais alguns dias, até que ela se imbuiu de auto-compaixão e resolveu viver seus amores rasos ou profundos à medida que surgissem, em fases sazonais, talvez porque fizessem parte de um contexto menos rígido, e houvesse necessidade de aceitar até os amores que vazam pelos recantos dos corações sem destino certo, como barcos à deriva, meninos de rua, pipas avoadas, perdidos sentimentos...


Quem sabe, ela voltou ao analista e perguntou, a cada amor raso vivido e desperdiçado, não se terá ainda o direito de encontrar um amor profundo que preencha a alma amante com sua força definitiva?

Nem ele e nem Marie, tinham a resposta, porque todos os amores abrigam em si mesmos o enigma da conspiração, a incerteza do futuro e o mistério eterno dos corações que procuram seus pares.


Cida Torneros

Eydie Gorme and Trio Los Panchos - AMOR

sábado, 2 de outubro de 2010

Maysa - Ne me quitte pas traduzida



Domingo, 2 de Agosto de 2009



Paris em agosto... música e imaginação...



O verão se instala em Paris, a estação calorosa está no auge, casais caminham lado a lado, os sonhos sobrevivem, gerações de amantes se superam, crianças devoram sorvetes, gente idosa sorri observando a vida que passa. A cidade do romance anda frenética, coalhada de turistas extasiados com seus segredos e tradições. Música, pintura, arte, cultura em profusão, história re-contada, um mundo de cores através dos olhares renovados.


Paris encanta-se de predicados, pessoas passeiam por seus caminhos de grande atração, Paris enternece e estonteia...Faz calor, mas o coração se gela quando alguém lembra do passado recente, deixando que a saudade do que já viveu em Paris, lhe invada a alma em sessão de nostalgia.


Ele voltará a Paris, por muitas vezes, sabe disso. Questões profissionais o obrigam a visitar constantemente a capital francesa, além disso, seu laços com aquele lugar já fizeram parte do seu crescimento pessoal, derivando para a busca da sua maturidade.


Como esquecer a Paris que ele conheceu quase menino, em 1968? Um furor de jovens em ebulição, o mundo pegando fogo nas Barricadas que cercaram a Sorboni, ele assistindo a um espetáculo de cidadania, protesto e engajamento social, de uma geração que mudava o mundo, com gritos de ordem, rostos sem rugas, agilidade e correria, um quadro inesquecível, na sua memória, a guerra nas esquinas do tempo, ele aprendendo a entender aquele povo, com seu coração aos pulos, há décadas atrás.



Pois ali conheceu lados da vida que o fizeram sobreviver com garra, foi à luta, esteve clandestino, mas saiu disso com o casamento legal, tornou-se cidadão francês, construiu família, dissolveu-se naquela cultura, a exemplo de milhares de imigrantes, seu clamor interno era o de viver dias de felicidade e de descobertas, o que realmente aconteceu.


Acabou trabalhando no interior da França, onde criou filhos, acostumou-se à vida no campo, adaptou-se ao estilo de suas comidas, bebidas, músicas, programações de televisão, shows, teatro, cinema, os novos amigos, hábitos antes estranhos, desafios de vida a serem superados, e ainda, incrivelmente, o gosto pelo desconhecido com tantos segredos a serem desvendados.


Muitos anos o separam daquele jovem idealista sem experiência, agora ele se vê no limiar de um período em que enfrentará, depois da solidão do divórcio, do crescimento e debandada dos filhos que se foram para morar sozinhos ou casados, agora, lhe apareciam os desejos de voltar a Paris para repensar e recomeçar a vida.


Aquela cidade, mais do que qualquer outra no mundo, lhe proporcionava sentir outra vez o mesmo sentimento de que fora tomado ao chegar tão jovem, para enfrentar a vida.


Retornava a Paris, com a sapiência dos homens mais vividos, os cabelos embranqueceram, as pernas embora ágeis, já não precisavam correr atrás de empregos e estudos, o tempo o premiava com liberdade para sentar nos cafés, apreciar os passantes, relembrar excessivamente seus amores, suas investidas em idéias, profissões, trabalhos desenvolvidos, diálogos que teve com alguém versando sobre o futuro, o tal medo do amanhã.



Ele voltava agora, em agosto. Um lindo sol o recebia. O amor já não estava lá, mas, ele o pressentia, a cada movimento dos olhos. O cheiro do amor vivido ali o confundia com o próprio tempo. Preferiu imaginar que tudo estava certo até sentir uma terrível saudade do que passou. No Café de Flore, sentado em mesa de canto, o homem não chorou para que alguém percebesse, mas seu coração espremeu-se no peito enquanto acendia um cigarro, pedia um vinho tinto, brindava sozinho ao verão em Paris, e, ainda, com olhos molhados, ele sentia a presença dela, podia ouvir sua voz nos ecos do tempo, mas já não conseguia degustar o mesmo beijo que trocaram naquele lugar, quando a vida parecia um festival de primavera, o verão se anunciava, o outono não era bem vindo, e o inverno não devia chegar jamais.


Cida Torneros


RJ, 2 de agosto de 2009