Maracanã

Maracanã

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Vem caminhar comigo! ( texto de 2002)





Vem caminhar comigo!

- Isso é um convite?
- É, mas não se assuste, é bem descompromissado. Você só precisa usar um par de tênis confortáveis, e convem levar um bonezinho para o caso do sol forte.
- Tudo bem, gosto da idéia, preciso mesmo exercitar as pernas, eu topo!
- Bem, eu preciso lhe dizer que é mais do que exercitar simplesmente as pernas. Na verdade, onde vamos, é como andar na corda bamba da vida, precisamos de postura.
- Postura? Acha que precisamos postura especial para ir um ao lado do outro, por uma pista como a Claudio Coutinho, dando a volta no morro do Pão de Açúcar, entre o mar e montanha?
- Acho, não.....tenho certeza...
- Imagina que aquele percurso é o nosso desafio. Um lugar especial como a Terra. Onde estamos e precisamos avançar cada quilômetro, em frente, capazes de vencer cada obstáculo.
- Mas o caminho tá livre.
- Quem te garante? Pode chover, desbarrancar, passar uma cobra venenosa, ter alguma pedra onde um de nós tropece.
- Você parece fazer tragédia. Menos, por favor. Tudo é muito simples.
- Me prove!
Aí, a jovem senhora, paciente e lúcida, falou assim:
" quando, no decorrer da caminhada, um de nós se cansar, ou tentar desistir, não tem problema, porque o outro segura, ampara, dá força, abraça, mostra o céu, o horizonte, o mar sem fim, aponta as flores das margens da estrada, faz silêncio para que se possa ouvir o canto dos pássaros, respira fundo e cheira o perfume das tardes calmas que nos esperam para que descansemos os pés de peregrinos. Quando, durante o percurso que fizermos lado a lado, um de nós, comovido ou decepcionado, julgar que tudo precisa ter um fim, o outro, num gesto supremo de amor sublime, apenas acaricia a fronte do companheiro, enxuga-lhe o suor, fixa-lhe a luz dos olhos e o convida a seguir mais um pouco."
- Então, ( ele retruca emocinado) vem caminhar comigo, qualquer dia desses, nessa vida! Cansei de caminhar sozinho.
- Com as mãos dadas?
- Sempre que for possível, por que não? ( ele insiste)
- Qualquer domingo desses, quem sabe? ( ela decide)

Aparecida Torneros

Convite para lançamento do livro em Salvador



Bonfim em cadeia nacional
APARECIDA TORNEROS
O jornal de transmissão nacional na rede de maior audiência finalizou-se com a reportagem sobre a lavagem das escadas do Senhor do Bonfim.Registro folclórico de tradição centenária, o cortejo foi mostrado com sua grandeza ritualística de uma beleza branca imaculada.Mas não foi bem assim que eu senti a repercussão da matéria jornalística apresentada na telinha. O que me arrepiou os poros, aquecendo-me as entranhas de energia, foi o tal misterioso "axé" atravessando as imagens e sons, ultrapassando a razão lógica, reportando-me ao sentimento do sublime que o sincretismo religioso plantou na Bahia, como semente de amor à vida.Elas, as baianas, surgem em bandos, movimentando a Praça da Sé, tal borboletas esvoaçantes, de uma luninosidade resplandescente, com suas vestimentas típicas, enfeitadas, batas e babados, bordados e laços, colares e “quartinhas” nos braços a carregar a água-de-cheiro. O destino a que se entregam, deixa os fiéis “de alma lavada” , como bem declarou uma jovem e linda baianinha, imbuída da mais completa doçura, ao ser entrevistada.A emoção me fez ser testemunha, via televisão, do compromisso cultural representado pelo Memorial das Baianas, daquela procissão caminhante, mulheres com torços enrolados na cabeça, à moda africana, saias rendadas, trilhando com perfumes da alfazema a direção da Conceição da Praia.Sete tipos de folhas verdes e tantas flores brancas adornando rostos que denotam crença no mundo dos homens e no céu do Senhor do Bonfim, aquele que habita o alto da Colina Sagrada, por onde se sobe por degraus de conquista dos bens morais, benemerências espirituais, rezas fortes, corpos fechados na linha dos santos e, sobretudo, na fé , indo a pé, cantando sua devoção, seu clamor de paz.Prometi-me, não me contive, ir no próximo ano e fazer parte do enredo. Ser alguém que participe ao vivo e em cores de tão linda festa de corações solidários tocados pelas bênçãos do Pai Oxalá.Só estive no Bonfim uma vez, era abril de 2004, fui contemplada com um duplo arco -íris assim que saí da igreja, o céu coloriu-se depois de uma leve chuva, agradeci tal presente dos deuses, saí de lá com muitas fitas da sorte, que distribuí aos amigos durante muito tempo.Como presságio, descobri que meu coração abaianou-se.Quanto à alma, nem me perguntem agora, que ela me leva a Salvador, com as asas que a escrita me permite, banhando-me a cabeça com proteção do Bonfim. Amém.

Aparecida Torneros, jornalista, reside no Rio de Janeiro
( artigo publicado no jornal A TARDE e reproduzido no livro A Mulher Necessária)

Despedida de solteiro...




Despedida de solteiro...
Aparecida Torneros

Quando bate aquela vontade de dividir com alguém, qualquer pedaço de bolo que sobrou no prato, ou mesmo uma ponta da coberta que já não dá pra cobrir tantos segredos noturnos, ufa, que divisão estranha essa de se unir a quem nem se pode prever as ranzincices ou os maus humores, mas se pretende esperar fazer feliz por todo o sempre....
Aí, bate aquele frenezi de necessidade urgente em juntar trapinhos e escovas de dentes, compartilhar o cantinho preferido do sofá da sala, e ouvir junto a canção inesquecível, comer naquela mesa de quina do bar idolatrado desde a adolescência, talvez buscar a pessoa amada, de surpresa, na porta do trabalho, na hora do rush, levando um lanche de viagem, do Mac ou do Bobs...se ele não for natureba, claro!!!
Mas, o que dana os miolos é que essas decisões não são tão solitárias assim, precisam ser corresponsabilizadas com amigas e amigos, que palpitarão...evidentemente, com ciúmes salutar ou com inveja perigosa...sem contudo nos desejar nada de mal, apenas nos injetando preocupações, dúvidas, estresses, ou ânimos, incentivos e ajudas providenciais para tantos detalhes que nos instalarão um ir e vir de coisas mil a realizar, arrumar, marcar, comprar, ajeitar, conciliar, renunciar, desejar, dispensar e, um dia, finalmente, lá estamos nós, abrindo mão da solteirice conquistada, em prol de uma vida a dois que é uma grande incógnita ...
O medo maior, ninguém conta, é o do fracasso e da separação...mas esse é um risco impensável, a princípio, deixemos que os anos se encarreguem de voar e que nunca isso aconteça!
Agora, o importante é realizar tudinho e vencer as pedrinhas do caminho.
Casar, juntar, conviver, morar junto...pouco importa...
Mas, oficialmente, despedir, com testemunhas, da liberdade de acordar e dormir solitáriamente, na cama larga e egoisticamente pessoal...isso merece sim uma despedida em estilo especial.
Chamemos as amigas, vamos beber e comer, vamos dançar e ver nudez masculina, vamos nos divertir, rir da vida e rir com ela, que pulsa em nós, pela coragem de tentar a vida em comum, convergindo solidões interiores com vontade de compreender aquela criatura que nos provoca a sensação de completude eternamente buscada, na alma e no coração... Tudo psicologia barata, pode ser, mas tem o sexo, refrigério pro corpo, tem a risada, pausa feliz para a mente acelerada do século XXI, e tem, para nosso consolo definitivo, a possibilidade de que a família cresça, aí, é o latifúndio da loucura, a chegada de rebentos que arrebentarão nossa paz, trazendo choramingos e brincadeiras, preocupações e realizações pessoais nunca dantes navegadas...falo dos filhotes, claro...que quando chegam...coroam a despedida da solteirice com arroubos de grande responsabilidade e intensa perpetuação da espécie...Querem mais? pois tentem crescer, amar, juntar, não sem antes realizar uma despedida de solteira ( dirijo-me às mulheres, com louvor), e nem lembrem de cuecas pra lavar, louças acumuladas na pia ou de casas desarrumadas...lembrem de sorrisos e abraços, bom dia trocado no banheiro enquanto se escova os dentes, olhares cúmplices ao traçar a última colherada do sorvete na taça única...acumulem milhas de bons momentos e, por favor, alcancem bodas, para festejar...de papel, algodão, prata, ouro, diamante...não importa...mas persigam alguma delas, também, pra comemorar, relembrando que um ex-solteiro será sempre um nostágico espécime com saudade das noites em que podia esticar os pés e assistir seu futebol sem ninguém para interromper falando sobre os problemas da faxineira...ou então, uma ex-solteira jamais poderá novamente fofocar sobre os dotes masculinos do chefe, pelo telefone, com as amigas, detalhando sem pudor em alto e bom som, sobre aquela passada de olhos que percebeu em certa manhã primaveril quando trajava um tubinho estampado e escarpins vermelhos de verniz... são historinhas que ficarão pra trás...dos tempos que não voltam mais, quando éramos todos solteiros...e não tínhamos sido fisgados por esse vírus grudento chamado casamento.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A Mulher Necessária em Salvador, Bahia

A Mulher Necessária

Dia 15 de novembro, à tarde, a jornalista Maria Aparecida Torneros lança na Mega Store da Livraria Saraiva, no Shopping Salvador, seu livro de artigos e crônicas intitulado “A Mulher Necessária”. São mais de 100 textos que ela escreveu ao longo de 38 anos de profissão, publicados em jornais, inclusive A Tarde de Salvador, sites como Observatório da Imprensa, em revistas e blogs.O livro conta com três prefácios: um, do publicitário e poeta Theo Drummond, outro do jornalista baiano Vitor Hugo Soares e um terceiro escrito pelo advogado, ex-deputado e ex-ministro sempre lúcido José Dirceu. Atualmente, Maria Aparecida trabalha na Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP).
Poemas de Aparecida Torneros AQUI

SAUDADE POLIGLOTA...como responder ao analista?

http://italiasempre.com/verpor/canzoneperterc2.htm


Arruda conversou comigo, ou melhor, eu contei quase tudo...sobre a viagem a NY...


O analista é aquele que ajuda a repensar a vida...da gente e do entorno da gente...eu sei disso...


Falei muito sobre meus dias convivendo com um ser tão carismático como é o Vittorio...


Sua vida daria um livro, se ele parar pra me narrar cada episódio, a história é forte e emocionante, dessas vidas que mudam de lugar e de rumo, com a leveza dos ventos e a fortaleza das rochas, as coisas se vão em redemoinho, mas o protagonista se eleva e voa para o futuro, empreendendo chegadas e abandonando partidas, como num processo depurativo, que, ao mesmo tempo, é renovador, é impulsivo, é producente...


Assim eu o captei, nos poucos dias ao seu lado, absorvendo sua saga de viver e respirar trabalho, luta, negócios, meetings, administrando pessoas e sonhando com reformas de ambientes aconchegantes e práticos...


Arruda foi enfático na pergunta repentina:


- vc sente saudade dele?


Como responder a essa pergunta do analista?


Saudade a gente sente de tudo que é bom e de quem nos faz o bem, pensei primeiro...


O "Sim" saiu imediato..mas não era só isso...


Não se resume a uma saudade daquelas apaziguadas, quando a gente põe de lado a vida, e pára para relembrar bons momentos...


Esse tipo de saudade dá pra levar e continuar vivendo sem grandes questionamentos...


O vazio que porventura surgir, a gente pode preencher com atividades, com música, leitura, amigos, família...essa saudade cujo buraco se pode tapar aqui e ali, de um modo ou de outro, é saudade saudável, eu diria...


Mas, a saudade que sinto do Vittorio é diferente...


É de um pedaço meu que ficou lá...isso eu nâo consegui dizer ao analista...nem parei para concluir ainda, a respeito...


É que estou com saudade do meu braço seguro no do meu companheiro de dias em NY, do seu aperto de mão...mas é da minha própria mão segura na sua que sinto saudade... deixei na mão dele mais que o calor, deixei algumas células, acho, tem alguma pele minha que não viajou de volta comigo...daí, que essa saudade é nova pra eu sentir...


Uma saudade esquisita, de estar deitada num sofá da sala da casa dele e ver seus movimentos na cozinha, aprontando o jantar, enquanto o silêncio se quebra com alguma pergunta em italiano, uma resposta em português, um comentário em espanhol, uma televisão ligada falando em português...


A saudade do Vittorio é poliglota, torna-me idiota, põe-me sem resposta concreta, faz de mim uma elocubradora de respostas em forma de subterfúgios, metáforas, talvez palavras desconexas, olhos que buscam imagens no vazio, ouvidos que ouvem vozes distantes, olfatos que recordam temperos de molhos de talharins, gostos de raviolis e queijos, cervejas com sabor de cerejas, pêssegos recortados e arrumados em pratinhos matinais, uvas melosas degustadas em conjunto, saladas servidas em grandes potes de vidro, conversas infinitamente adiadas sobre assuntos finitos, respirações profundas, beijos de boa noite, compras em lojas de roupas e sapatos, telefonemas entrecortados por risadas, elogios aos meus óculos brancos, aos sapatos estilosos dele, encontros ao pé da escadaria para subir com as sacolas do mercado, minha nossa, que saudade mais doida é essa?


Falando em italiano, não é piccola cosi... é bem maior até...


Dizendo em english, it is the best...sorry!!!


Hablando em castellano, es un cierto dolor de alma...


Abrasileirando o que sinto, é uma saudade daquelas que arrebentam coração e razão...tudo junto...


Vou contar pro analista que sentir saudade assim é tão bom e tão mau...


Paradoxo e doidice, essa saudade poliglota precisa ser traduzida por uma única palavra que pode curá-la: REENCONTRO!!!


maria aparecida torneros


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Eu amo o Rio...


Amo a minha cidade, lugar onde nasci

um Rio de Janeiro intenso e belo

com cada pedacinho do que já vivi

e muito mais a me doar como elo

entre a beleza e o mundo do caos...


Amo o meu Rio compulsivo e tenso

onde a luta é constante e o tempo corre,

silhueta de mulher no horizonte intenso

soberba luz da montanha onde o sol morre...


O mar azul e verde, espumante e ritimado

areias enfeitadas, mulheres bonitas tão morenas

um feixe de esperanças no coração amansado

quando as noites vem cobrir as tardes amenas...


Amo essa cidade maravilhosa e encantadora

do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar, da Penha,

da sua gente risonha, sambista, alegre e lutadora
capaz de superar a dor venha de onde venha...


Amo meu Rio que se engalana

no carnaval, no reveillon, no feriado,

cidade de Ipanema e Copacabana,

de Realengo, Méier e Encantado...


Zona Sul , Barra, Recreio ou Zona Norte,

o subúrbio especialmente produtivo

a cada bairro, uma história linda e forte,

a cada comunidade, a razão, o motivo...


Rio que faz da Urca um lugar de caminhada,

faz de Madureira a sede do gingado de bamba,

da Vila Isabel, a tradição da história do samba,

da Glória, de São Cristóvão, trechos da sua estrada...


Esse Rio que eu amo é tão grande e múltiplo,

com mar, montanha, floresta, diversificado,

capaz de surpreender até o minuto último,

quem buscar nele um recanto afastado...


O Rio é paraíso recortado de geografia e luz

é meu refúgio de amor e meu recato de paixão

tem magia inexplicável que nos seduz,

tem paisagens que inebriam cada coração...


Para essa cidade que me abriga, acolhe e entontece,

desejo superação, ordenamento e progresso,

desejo o fim da violência, uma vida que enobrece,

o patamar da conquista de paz e sucesso...

aparecida torneros

O Mistério da Fêmea ( no site Bahia Já)


03/09/2008 - O MISTÉRIO DA FÊMEA


Aparecida Torneros

Mariazinha tinha 7 saias, alguém cantava antigamente, a Cigana dançava sob 7 véus, a Bruxa enfeitiçava os homens, a Mulher que era Fada, amadrinhava as criancinhas, a Fêmea Sereia atraía os pescadores, aquela que habitava os sonhos é a mesma que nos envolve no seu Mistério. Mulher é isso mesmo. O mistério da bolsa que carrega: um cofre que contém band-aid, batom e fotos da família. Pode-se passar o raio x e lá há de se encontrar um mundo à parte. Talvez um pacotinho contendo folhinhas de alecrim, ou de hortelã, remédios para alma ferida, quem sabe um papelzinho dobrado com a oração do Anjo de Guarda.

Na agenda, há as que anotam os dias de lua cheia para se auto- reconhecerem ou mais belas ou mais feiticeiras nessas noites, em suas cidades ou em suas camas.

Sob as saias moram as virtudes e as magias, e sob os olhos há qualquer vestígio do incompreensível que assuste o desavisado, ou confunda o experiente. Há no conjunto delas, dessas mulheres modernas a enfrentarem com luta sua conquista de lugar ao sol, um mixto de compaixão e ternura, aliado ao retumbar de bumbos que rebatem estridentemente sua corrida para a independência e seu dispor para comandar e formar famílias, cidades, países, terras e corações, mares e olhares, sentimentos e sofrimentos ultrapassados.

Ora, ponham-nas diante das maçãs do tempo, Evas e Liliths, tentações lendárias, e que se comam as vicissitudes da sua dança do tempo, mordam-se seus lábios degustando parte dos seus medos, para que sobrevivam seus feitos e desfeitos, enquanto filhos e filhas, sobrinhos, netos, bisnetos, tantos que as descendam, se encarreguem de interpretá-las na inútil tentativa de decifrá-las.

Tantos séculos, tantas mudanças de saias, das anáguas pulou-se para as saias justas, ou para as mini, ou para a audácia das calças compridas, e o passo de cada fêmea parece adequar-se à passarela dos ventos, ao passo que sua voz se faz ouvir num repicar constante de idéias que reverberam no som interno dos que param, enfim, para ouvir cada mulher que integra o dia-a-dia das metrópoles ou dos campos.

A garota sai sozinha pelo mundo, mochila às costas, a pequena voa sem destino certo mas vai em busca de si mesma, caminha pela estrada da vida e se descobre inteira. Talvez nem tenha completado os 18 anos, mas já se sente dona do seu nariz, precisa saber de tudo um pouco, o mundo é tão vasto, o tempo corre, há que ultrapassar barreiras e protestar pela minimização das diferenças e contra a persistente injustiça.

Nos campus universitários ou nos pátios industriais, elas se multiplicam, são as mulheres se especializando , além dos fogões e dos tanques de lavar roupa, são as fêmeas misteriosas, como se não bastasse seu papel de procriadoras da espécie, seu bailado atávico qual dançarinas que se movem ciosas da cadência dos próprios quadris, elas se vestem com terninhos coloridos e falam nos microfones.

Discorrem sobre energia, organização social, desenvolvimento dos seus países, elas aprenderam a contra argumentar, contra atacar, contra por, contra cenar, contra bandear até. E bandeiam para os lados que escolhem ou são escolhidas, vai da sorte e da mirada. Algumas miram o alvo certo, pregam sua atenção em metas pessoais ou coletivas, e não se desviam do caminho traçado. Chegam lá, não há como duvidar das obstinadas. Porém, suas crianças nascem e crescem, e por incrível que pareça, não é que elas se desdobram e vão nas reuniões de pais das escolas? Como conseguem cozinhar e ler ao mesmo tempo, indagam os de pensamento machista tradicional? Ainda bem que são assim, seres múltiplos, rebatem os antenados, os melhores companheiros para as misteriosas fêmeas modernas.

A senhora setentona viaja pela Europa sozinha descobrindo a história, se atualizando com os eletrônicos, calçando tênis iguais aos das suas netas para caminhadas, e fotografando cada momento e monumento, como registro e conquista.

Certamente, em cada mulher reside, além da sede de viver, o gosto pela descoberta da própria liberdade. E isso tem preço, claro, o preço que surpreende os incautos que lhes cobram posturas, enquanto tentam decifrar porque ainda choram diante de meninos índios desnutridos ou de crianças abandonadas nas ruas.

Cada uma delas sabe que o desafio é imenso, há um planeta desordenado a reconstruir, nada que não se possa incluir num sonho dantesco, na medida que se vai fazendo a parte que lhe cabe, pequenina embora, mas importante para a construção do todo. Disso, toda mulher tem certeza.

A partir de pequenos gestos, unindo esforços e cultivando esperança, não é que o mundo está mudando? Pelo menos para elas, para suas irmãs de gênero, seus pares de caminhada, seus namorados e maridos com quem dividem medos e enfrentam guerras diárias, essas misteriosas criaturas que portam úteros-celeiros de vidas e promessas, são realmente uma fonte inesgotável de perguntas sem respostas e de surpresas em cascata.

Delas, pode-se esperar a qualquer instante, a novidade que aquece a alma e o novo discurso que reorganize o trabalho ou redescubra a pólvora, em lugar incerto e não sabido, no mais longínquo reduto de sobriedade que houver num sentimento pleno de audácia feminina, ou de disciplina humana.

Se alguma ainda apavora a um desavisado que não a consiga entender, aconselha-se a meditação em hora do por do sol, posição de lotus, pensamento vago, soltando as amarras culturais e religiosas, apenas cheirando o ar impregnado de busca, deixado pelo rastro de uma delas.

Quando ela passa, leva consigo nossa admiração ou nossa perplexidade, legando-nos muitas interrogações e alguns pontos exclamativos para compensar as histórias universais, com gestos e mesuras de saias e véus, danças e gargalhadas, acenos e sorrisos, ares de quem sabe onde vai e o que quer, a despeito do seu eterno mistério!

Caminhos cruzados ( poema )


Caminhos cruzados

( há muito tempo eu não tinha inspiração para criar um poema...)


O lugar do tempo é o da brevidade, passa depressa,
ela pensou e chorou...
O muro da vida é o da fronteira do tempo, marca e limita
ele falou em missão e se disse realista...

Por mais que insista, ela sabe do quanto é duro lembrar o que passou
principalmente se alguém se sente cansado e não pensa em recomeçar...

Por mais que desista, ele sente o quanto é pesado buscar o que virá
especialmente se o outro ser tem "defeitos" saltáveis aos olhos e à razão...

Mas, ambos sabem, isso é notório, há qualidades que os ultrapassam pela emoção,
que elevam almas, estabelecem vínculos, aproximam almas, atam os dedos,
apertam as mãos, hipnotizam olhares, aconchegam abraços, detonam prazeres,
levam pra longe os problemas, ajudam a relaxar e esquecer das dores e dos medos...

Talvez tenham se encontrado tarde demais, ela se conformou
talvez seja cedo ainda para tirar conclusões, ele se questionou
sobre a divisão dos sentidos, ambos puderam perceber algo mais
em cada sorriso compartilhado, na loucura do mundo moderno,
se perguntam o que terá sido tão efêmero, a ponto de parecer eterno?

Maria Aparecida Torneros

Muitas versões de La vie en Rose...

http://br.youtube.com/watch?v=pgzz88WtKy4&feature=related


http://br.youtube.com/watch?v=nQz5vGhtt2s&feature=related


http://br.youtube.com/watch?v=TbHAvBfmvFM&feature=related


http://br.youtube.com/watch?v=vydmcT9xLPw&feature=related

La vie en rose...

http://br.youtube.com/watch?v=DUcJWaC-2Co

Outubro Rosa


Mulher consciente na luta contra o câncer de mama

Outubro Rosa


OUTUBRO ROSA


Fonte: FEMAMA
Data da Publicação: 6/10/2008

Outubro Rosa

O Outubro Rosa nasceu há dez anos nas Cidades de Yuba e Lodi, na Califórnia (EUA). Desde então, vários outros lugares do mundo vêm aderindo ao movimento, que tem como objetivo conscientizar as mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, enfermidade que vai afetar a vida de mais de 49 mil brasileiras até o final deste ano.

Não é difícil curar o câncer de mama se ele for diagnosticado em fase inicial, quando o tumor é ainda pequeno para ser detectado ao ser palpado. “Nesses casos, as chances de cura chegam a 95%”, diz Fernando Alves Moreira, presidente do Colégio Brasileiro de Radiologia.

Na maior parte do País, infelizmente, a doença é descoberta já em estado adiantado, quando as chances de cura são bem menores. Essa é a razão pela qual o câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres no Brasil. “A mamografia é o principal instrumento para diminuir a mortalidade por câncer de mama”, afirma Alves Moreira.

No resto do mundo não é diferente. Por isso, diversos países já se engajaram no Outubro Rosa, como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, Grécia, Itália, Israel e Austrália.

Durante um mês, várias ações de conscientização voltadas ao grande público lembram as mulheres da luta global contra o câncer de mama. Palestras, eventos, estandes instalados em locais de grande circulação, distribuição de material informativo, são algumas delas.

Outubro Rosa no Brasil

Lançado em 1° de outubro no Museu de Arte Moderna, em São Paulo, com a presença da jornalista Glória Maria, embaixatriz da Femama, e Maira Caleffi, sua presidente, o Outubro Rosa conta com ações em seis capitais do País.

Pela primeira vez, iniciativas semelhantes às realizadas no resto do mundo acontecerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Brasília.

Em outubro, eventos organizados pela Femama vão alertar sobre a importância da mamografia anual para o diagnóstico precoce, a todas as mulheres com mais de 40 anos.

“É fundamental que toda mulher tenha acesso à mamografia anual após os 40 anos, só assim haverá um impacto real nas estatísitcas de mortalidade da doença”, afirma Ivo Carelli, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional São Paulo.

O mundo fica cor-de-rosa

O Outubro Rosa vem transformando os mais conhecidos pontos turísticos do mundo. Em Paris, a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo tingem a cidade-luz com um toque feminino durante as noites de outubro.

Em Milão, o Teatro Scala, uma das mais famosas casas de ópera do mundo, tem a sua construção iluminada com a cor-símbolo da luta contra o câncer de mama.

O mesmo acontece com o Empire State Building e o Rockefeller Center, em Nova York, dois dos mais famosos edifícios na Big Apple. Em Londres, a tradicional loja de departamentos Harrods também enfeita a sua fachada na Brompton Road.

New York , New York...


New York, New York ...


Em frente ao edifício Dakota, em NY





A vida segue célere, ali.



O Central Park dá o tom verde e sereno para garantir a aparente paz, no lugar onde viveu e morreu John Lennon. O guia da charrete - bicicleta, aponta as janelas do apartamento onde vive Yoko, e conta detalhes sobre a vida dela que ele imagina sejam todos verdadeiros, uma vez que as lendas se misturam á realidade nua e crua de um assassinato doloroso que pôs fim a uma trajetória de emoção e sucesso que um artista ímpar nos legou no século XX. O beatle que virou recluso, que refez e renovou a própria vida tantas vezes, que desafio as regras sociais, que amou o amor, que zombou das crenças, que impõs modismos, que frutificou gerações plantando sementes de reflexão e chamando para um mundo sem fronteiras.

Lennon imaginou e a image que ele nos formatou é a do grande sonho na Big Apple, onde o mundo se encontra, realmente sem delimitações de raça, países ou credos, onde a terra gira em torno de si mesma, e o umbigo do planeta parece emitir um grito tribal da fonte renascida. Ali está o Dakota, prédio antigo, de metro quadrado caríssimo, aparentemente quieto, em cujas cercanias os transeuntes passam, lembram, reverenciam, lamentam e até esquecem do quanto pode ser difícil ter uma vida de sonhos, ceifada sem mais nem menos por algum psicopata ou pela crueldade que a mente humana é capaz de fomentar...

O prédio é testemunha e ao mesmo tempo é um monumento, patrimõnio novayorkino, jaz serenamente, em frente ao verde, onde bebês passeiam em seus carrinhos, turistas curiosos observam com as explicações de guias minuciosos e intrigantes, e , sobremodo, almas sensíveis rezam preces para o descanso eterno do menino de Liverpool que ali viveu e morreu, em nome da paz e da humanidade sem fronteiras.

Aparecida Torneros

Antonia, das langeries...

Sufocada...foi como me senti...quando cheguei na associação de funcionários da empresa em que trabalho e procurei Antonia...ela, a companheira vendedora de langeries, amena, alegre, amigona, que nas vésperas da minha viagem aos EUA, me mostrara e vendera algumas peças sensuais, brincando todo o tempo o quanto eu poderia ser feliz usando tais artifícios bordados, coloridos, recortados, incrustrados de pedrinhas brilhantes e até, com desenhos tão impudicos, dignos de algumas noites de folguedos estritamente fantasiosos...
Mas, ela não estava...as colegas me olharam com certa angústia..pude ler nos seus olhos a notícia que desejavam não me dar... Eu queria contar pra ela que eu tinha adorado o conjunto azul celeste, rendado, que ele tinha me caído como uma luva, que eu me sentira poderosa, tipo estrela de cinema, quando o usara, nas bandas de Nova York...eu ia lhe mostrar fotos do lugar, rir com ela, participar minha felicidade pela chance que a vida acabava de me dar...nessa viagem tão cheia de encontros maravilhosos...o Vittorio, a minha prima Jeanne Marie e sua família, os museus de História Natural e Metropolitan, a cidade capital Washington, os túmulos do Pres. Kennedy e sua Jacqueline...mas...
Logo veio a notícia triste...Antonia tivera um aneurisma cerebral rompido, dias depois que eu viajara, tinha sido internada e operada, mas não resistiu...justo no momento em que eu perguntava por ela, estava marcada a missa de sétimo dia pela sua alma...alma bondosa, de mulher trabalhadora, mãe de dois rapazes, esposa que teve o marido ao seu lado, até o fim, no hospital, e que só tinha 50 anos de idade, vivendo entre nós com honestidade e sonhos que nos confidenciava...
Meu coração ficou apertado, chorei, lamentei não poder dizer a ela tudo que queria, e nem poder vê-la uma vez mais... confortaram-me as palavras das amigas em comum, sobre o fato de que ela se sobrevivesse, teria sequelas graves, paralisias, etc...
Confortou-me ainda mais, saber que não sofreu, estava anestesiada e fora do mundo... e que sua brincadeira de abrir um bordel para fornecer langeries sexys... será sempre lembrada, com risos, entre nós, no meio da saudade da sua imagem pacata, meiga e humana, de mulher que viveu com a dignidade de uma Antonia, cujo nome eu não cansava de repetir para ela , era bonito...
Ela que me disse que antes não gostava do seu nome, passou a gostar, desde que eu lembrei-a da Tonia Carrero...outra Antonia, como ela, com nome tão expressivo, tão lindo, tão sonoro...
Saudade dela, sim, um vazio na sala da Associação, a falta do seu sorriso e das suas langeries sexys, principalmente, do seu jeito de nos convencer a usar algo mais ousado ou mais colorido, talvez com bolinhas, ou com lacinhos, ou com aberturas insinuadoras, para aproveitar a vida, como ela tanto nos recomendou.
Antonia me deixou triste por ter partido assim, tão de repente... mas, na verdade, todas as vezes que eu usar suas langeries, como não lembrar do seu sorriso maroto, e do seu poder de persuasão, principalmente quando me convenceu a comprar determinada camisolinha que nem cobre o corpo direito, mas que brinca com a pele, enfeita as fantasias e me põe a voar nos sonhos da meia-noite. Obrigada, Antonia, pela sua passagem em nossas vidas!
Aparecida Torneros

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Colchas de retalhos, bordados e tricôs...








Colchas de retalhos, bordados e tricôs
Maria Aparecida Torneros da Silva

Colchas de retalhos, bordados e tricôs






A pintura de Pedro Bruno, no salão ministerial do Museu da República, no palácio do Catete, no Rio de janeiro, devora-me o olhar, quando ali estão, diante de mim, as figuras de mulheres bordadeiras, impregnando de estrelas uma enorme bandeira brasileira, espalhada pela sala, com crianças ao redor, em gesto de tecelagem medieval. Bordadeiras. As que tecem arabescos, estrelas, flores, matizes de sonho nas bainhas e nas toalhas, pequenos desvelos a suscitarem carinhosa medida de aprovação pelo cotidiano. Começo a me endireitar na postura de mulher com dotes assim. Faço, aprendi menina, tanto o crochet, quanto o tricô. Digo que são terapias. Revelo que são pequenos prazeres lúdicos a me oferecer a calmaria da divagação, e a recompensa da criação colorida. Reproduzo minha avozinha a cerzir os rasgos das meias dos meninos, apoiando-se num ovo de madeira para os costurar. Imito minha mãe que cria as mais lindas peças de crochet, nas tardes esquecidas no jardim da casa silenciosa. No inverno de 98, enquanto decidia sobre a separação do longo casamento, recolhida nos fins de semana , do exílio da minha varanda de Petrópolis, só saía em busca de lâ multicor. Tecia uma colcha que presentei ao meu irmão e cunhada,quando pronta, como símbolo de cama nunca desfeita, do leito enfeitado de rosáceas intercaladas por nuances em tons amenos, além da propriedade macia e calorosa da fibra aquecedora. Na toalha laranja, pendurada agora, ao lado da pia do banheiro, um biquinho delicado de crochet, em linha mesclada, vai ofertando alegria a quem enxuga as mãos, e me dá a certeza do toque personalista que imprimo ao produto industrializado, antes frio e impessoal . Para os bebês que vão chegando, atualmente, os netos das amigas, costumo tricotar sapatinhos para pezinhos doces, gorduchos,inquietos, ligados em verdadeiros motores que os movimentam nos ares, entrecortados por sorrisos e soluços de perpetuação da vida. Compro linhas, agulhas, estojos, alfnetes, estojos que guardam as feminilidades para quando me sobrar mais tempo e puder bordar talvez a inicial dos grandes amores em lençóis de linho azul. Bordar em crivo. Coisa fina. Gesto paciente. Ponto Paris. Preciso relembrar como se borda esse pontinho lindo para as bainhas que brotam de dedos e não de máquinas. Vou estocando apetrechos das vovós antigas, que , certamente, me dão a dimensão necessária do quanto é salutar pregar flores e estrelas em algum tecido opaco e dar-lhe luminosidade e alegria. Depois, quando deduzo que ponto de cruz, vagonite, pintura em seda ou algodão, já não se aprende em escola, corte e costura, nem sei onde é possivel reencontrar, e ainda, aquelas aulas de mulheres que aprendiam as prendas do lar a ser construido. Bordados, crochets, tricôs, para onde marcharam seus caminhos de centros de mesas? Nas camas e nas mesas, certamente, lá estão vocês. Talvez menos assinados pelas senhoras donas de casa, porém, ainda, obedecendo ao curso de viés em ondas, raciocínios ilógicos de afeição e entrega. Que ressuscitem os veludos e os cetins, nos enxovais das listas de presentes, nos chás de panelas, nas alcoviteiras meninas que buscam enfeitar um canto qualquer das suas moradas interiores. "Casa Cor", charme e decoração,mistura de objetos com linhas modernas ao artesanato das formas concebidas pelas mulheres que bordam estrelas na bandeira independente, que aprenderam a empunhar há coisa de um século pra cá. Então, retomo o fio da meada e digo pra mim: - Casa e descasa, mas não perde a cor da paixão pela vida, porque, com um retalhindo de nada, você faz um "fuxico", vai juntando, costura tudo, mostra a manta, enrola na alma, e, finalmente, corre pra abraçar de novo o mundo!

The Way You Look Tonight !

http://br.youtube.com/watch?v=-iXyM6TCMIU


The Way You Look Tonight!
Maria Aparecida Torneros da Silva

http://br.youtube.com/watch?v=Wi2g9UmB1kU&feature=related


The Way You Look Tonight! Você vem, parece até que vem voando...como uma pluma, flutua na minha direção. Sou a criatura mais feliz do mundo esta noite, porque esperava você e agora sei que chegou. Olho minuciosamente para o ser que se encaminha ao meu encontro. Olho os passos cadenciados, o gingado humano, esse resfolegar de pernas e braços, cujo balanço me proporciona a certeza da beatitude da criação. Olho mais profundamente par seus olhos brilhantes que fulguram e refletem minha imagem cada vez maior, dentro deles, nas meninas olhudas, íris centrais, incríveis câmeras fotográficas a me espreitarem com distinção. Aí vem você, pessoa que me atrai, há tanto tempo, nos meus sonhos, muito mais do que na minha dura realidade. E seu rastro se faz iluminado, quando me deixo envolver pelo seu calor que se aproxima. O modo como você se apresenta para mim , esta noite, faz a diferença entre estar vivo ou simplesmente viver. Sinto-me um personagem de filme romântico quando abro os braços para receberem seu corpo e me derreto num sorriso que me brota das entranhas mais energizadas para premiar a sua vinda com minha mais completa dedicação. Todo o mundo que havia até agora, deixou de existir. Nada é mais revelador do que a sensação de renascer para estar com sua encantadora aparição, bem junto do meu ansioso deslumbramento. Você veio e me invade a alma, em alívio absurdamente ensurdecedor. Ouço os sinos de que falam os ciganos, consigo divisar as melodias de mares distantes, parece que os trovões de tempestades condensadas estão a penetrar meu coração com descargas elétricas de forte impacto. Controlo meu estado adolescente por me sentir ridiculamente idiota diante dessa possibilidade gratificante que é estar ao seu lado, misturando afeto e triunfo. Você me dá a medida certa do que é viável sentir em termos de transcender a carne, em movimentos de espírito inquieto, como num purgatório de desejos profanos, pecados a serem perdoados algum dia, e ainda, como um duende brincalhão, ou uma fadinha saltitante, é capaz de me fazer esquecer o tempo. Com você, nada é sólido. Os dedos se desintegram em carícias perdidas, que teimo recuperar a cada minuto seguinte, como uma tolice a mais, não conseguindo deveras repetir nenhuma vez a mesma performance. Com tanta liquidez, gente que me torna uma vítima apaixonada inebriando-me com maestria, pergunto-me em que lugar do universo terão concebido seus predicados infindos, estes mesmos que me deslocam na magia de uma meninice incontida, como me identifico, provando o doce da sua pele, na minha boca. E a cada beijo que trocamos, no exato instante do reencontro, deixo de ser eu para ser você, e me surpreendo. Você está aqui, esta noite, comigo, de um modo que me parece eternamente louco, pois nada sei da morte, como também nada mais sei da vida, só consigo sentir seu cheiro de amor, e nele me perco em arabescos. Cada abraço, como grude, como cola, como goma poderosa, me prende sua oferta de prazeres, e me domina seu sussurro ( ou será gemido?), até que possamos finalmente, dizer qualquer coisa, que não traduzirá nada, nada além do feitiço estranho de estarmos adentrando um no outro, para sempre... Você veio para me fazer feliz, do modo como sabe, esta noite.

Poema que recebi de presente do Theo Drummond

Para Cida, cujas qualidades defino, simplesmente, como amiga e mulher necessárias.

DÁDIVA
Théo Drummond

Que a tua voz, tão cristalina e pura,
continue a falar das coisas belas
que o mundo só reserva à criatura
capaz de descobrí-las, compreendê-las.

Ao conservares, sempre, essa postura,
seja andando na chuva ou sob estrelas,
a tua voz só fala com candura,
e as palavras são simples de entendê-las.

Por isso é que ao ouvir o que tu dizes
as pessoas se sentem mais felizes,
porque és o que és, assim, desde menina.

Em ti nada mudou - pelo contrário:
nem o teu coração extraordinário
nem tua voz, tão pura e cristalina.

domingo, 26 de outubro de 2008

A menina que trago em mim, brincando em NY!!



É uma menina brincalhona, disso tenho certeza...
Fez-me sorrir com a Minie e comer doces com gulodice.
Também, em instantes de profunda concentração, trouxe-me à lembrança letras de canções antigas, que cantarolei com gosto, numa alegria infantil, enquanto caminhava pelas ruas ou buscava ultrapassar o tempo, reviver a juventude, lembrar da adolescência vivida com as telas do cinema americano, aqueles do happy end, ou com a sucessão de sonhos que Walt Disney foi capaz de nos envolver em nuvens de estrelinhas, pó de pir lim pin pin ou histórias da Branca de Neve, dos Sete Anões, da Bela Adormecida, das aventuras do Mickey, do Pato Donald e tantos mais..
A menina que trago dentro de mim encontrou de novo um jeito de se apaixonar e buscou seu príncipe. Ele veio para acordá-la do sono que lhe embaçava as cores da vida. Mostrou-lhe o quanto dá pra acreditar nas coisas boas e ser feliz com novas motivações, ser feliz com solidariedade, ser feliz por que se pode crer em fazer alguém feliz e juntar solidões para formar um só coração cheio de bons sentimentos, um coração restaurado de tantas quebradeiras antigas, batendo de novo tão forte que ressoa bem no fundo e nos marca o compasso do melhor de todos os sentimentos: o amor que nos invade almas e corpos e nos dá sentido pleno a cada dia que virá...
Cidinha Torneros

Unforgetable viagem a NY...

http://www.slide.com/r/XhNZZlKn7z8AEnSOOMoSnqIoOwJnaH8x?previous_view=mscd_embedded_url&view=original

Mensagem do escritor e amigo Theo Drummond


Ola,minha querida amiga! No meu curto e-mail.na sua volta, felicíssima, de Nova Iorque, esternei o que penso sobre você, que é uma pessoa especial e que merecesersempre muiro feliz.
Agora, independente da saudade,é lançar o livro em Salvador, tratar de acabar o romance para publicá-lo
e não se esquecer de que deve a mim e aos seus admiradores o livro de versos. Vou cobrar até morrer, viu?
Beijo do seu amigo
Théo Drummond

Acabei de ler,indo e voltando que o que faço quando gosto,o seu livro A Mulher Necessaria".Amei de montão e recomendo às pessoas que gostam da vida e sabem observá-la,que o leiam também.
Eu

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A mãe do Mestre ( artigo do livro A Mulher Necessária)














A mãe do mestre ( meu filho me pediu que não mencione ou alardeie por aí que sou sua mãe...então, liguei para o editor, o livro estava no prelo, cheguei a pedir para excluir)

Mas, meu coração ficou pequeno, eu tinha escrito esta crônica em homenagem ao professor responsável e capaz que ele é, e também com muito orgulho de quanto é honesto e trabalhador.

Aí, fiz algumas modificações,pois o fato de tê-lo como filho já é uma grande sorte que tenho nesta vida, o resto, é torcer para que ele siga sendo muito feliz, sempre.

Quem é esse homem que passa sempre correndo, cheio de atividades, de uma inteligência apregoada pelos que convivem com ele, sendo chamado, carinhosamente, desde pequeno, de "cientista"? Pra mim, até parece que ele ainda é um menino. Muitas vezes me lembro daquele guri alegre e curioso que me alegrava e continua alegrando os dias desde que nasceu.

Um ser estranhamente sintonizado com a natureza, assim, o meu gurizinho risonho, ao completar 9 anos me pediu de presente um microscópio, e dali pra cá, foi um tal de colecionar asas de borboleta, besouros coloridos, mosquinhas infelizes, baratas capturadas, para desespero das empregadas da casa. Fui percebendo sua sede de saber e pesquisar a cada momento novo durante sua infância. Houve um dia, em que tive certeza do seu ateísmo, de cunho científico, quando li o texto adolescente que ele produzira sobre o pensamento de um cientista, seu compromisso com a verdade. Poderia ter ficado muito preocupada, mas não fiquei. Apenas me preparei ainda mais para o que veio depois. Aprendi a conviver com a sua imagem no Fantástico, nos jornais como O Globo ou como o Diário do Vale do Rio Preto, nas revistas como Veja, e em programas de TV, como uma vez, no SBT, em que falou sobre a não existência de vida depois desta nossa. Um pesquisador, um cientista, um estudante eterno da Física, um profissional da Ciência da Computação, um professor.

Coisa de mãe coruja, pode até parecer, mas é o que ouço o pessoal do seu convívio sempre repetir. Claro que me orgulho. Claro que torço todos os dias para que ele seja só feliz... Que continue descobrindo da vida os segredos das asas das borboletas, assim como a felicidade de amar e ser muito amado. Como ele mesmo diz: a vida é uma só e é preciso fazer dela a melhor coisa, pois só temos essa chance. E sei que ele saberá preservar seu caminho de luta em busca dos seus ideais.

Rogo aos deuses (sou contaminada por este conceito) a bem-aventurança de protegê-lo, para que escreva seus livros de cunho científico .
Porque um filho como ele é, tão cheio de energia, me renova a crença numa humanidade mais justa, me faz reaprender a viver como ser humano sintonizada com os novos tempos. Esse homem que ele é hoje, o professor respeitado, o cientista solicitado, o mestre, assim chamado carinhosamente por seu bando de alunos e ex-alunos, dando-me a oportunidade de ressaltar o meu respeito por ele.Mais ainda, um professor que me desperta a sede de aprender mais e mais, toda a vida.

Agora, descubro que a emoção do amor, definido por ele pra mim um dia, como "sentimento necessário para a perpetuação da espécie", perpetua, em mim, a razão de ser feliz, por ser sua mãe, eternamente.

Dentre as suas expressões mais marcantes, lembro de uma, eu em Brasília, trabalhando, liguei pra casa no Rio, ele devia ter uns 8 anos, perguntei se estava tudo bem, ele me descreveu seu dia, as coisas que fizera, e antes de desligar, me bombardeou com ares de cobrança: - Mãe, posso te perguntar uma coisa? Por que você não é só minha mãe e mais nada?Senti a culpa da mãe moderna, da jornalista viajante que o deixava na casa da avó e nas escolas, tantos cursos, que só dividia com ele, as noites e parte das férias em passeios inesquecíveis por lugares de alegria. Naquele momento, eu ainda não tinha a resposta.

Agora, tenho: porque sou a mãe do mestre, e, para um mestre, uma mãe é sempre muito pequena... se é apenas sua mãe...tem que ser múltipla, e isso é o que tento ser todos os dias, confiando no seu discernimento e aprendendo com ele sobre o sentimento mais puro de repassar conhecimentos e incentivar pessoas a crescerem em suas vidas.

Um verdadeiro mestre se sente honrado quando um discípulo atinge objetivos subindo na escala social, a partir da semente que ele planta. E isso, vejo que o meu filho faz com grandeza de espírito e caráter altruísta. Mesmo assim, peço desculpas pela imodéstia, característica defeituosa da mãe do mestre.
Aparecida Torneros
(artigo publicado no livro A Mulher Necessária)


New York...I am now part of it!!!














New York New York
Vincent Niclot
Start spreadin' the newsI'm leaving todayI want to be a part of itNew York, New YorkThese vagabond shoesAre longing to strayRight through the very heart of itNew York, New YorkI want to wake up in a cityThat doesn't sleepAnd find I'm king of the hillTop of the heapThese little town bluesAre melting awayI'll make a brand new start of itIn old New YorkIf I can make it thereI'll make it anywhereIt's up to youNew York, New YorkNew York, New YorkI want to wake up in a cityThat never sleepsAnd find I'm a number oneTop of the listKing of the hillA number oneThese little town bluesAre melting awayI'm gonna make a brand new start of itIn old New YorkAnd if I can make it thereI'm gonna make it anywhereIt's up to youNew York, New York


I love New York


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Vittorio, o homem doce de NY e a "emergência amorosa"



Esta foto registra um momento doce...sim estamos na maior loja de brinquedos e doces da Quinta Avenida, e meu anfitrião, como eu, não resiste a escolher guloseimas na tarde de um domingo feliz que passamos juntos.
Foram muitos dias de alegrias, risadas, conversas, passeios, desprendimentos e descobertas.
Nosso encontro no mundo deu-se pela internet, há cerca de um ano e meio atrás, quando passamos a ser amigos, trocando conversas sobre a vida e o nosso dia a dia.
Quando surgiu o convite para ir a Nova York, eu estava enrolada com problemas pessoais de diversas ordens e o mais grave deles era o estado de saúde da minha mãe.
Convite aceito e viagem adiada. Tentativa de ir em julho e o visto americano protelado para agosto. Viagem marcada então para setembro mas questões de trabalho só me permitiram finalmente marcar para outubro e lá fui eu ao encontro do Vittorio, italiano de Turin, que já viveu muitos anos no Brasil e mora há quase uma década em N. Y.
Nossos diálogos ficaram mais ansiosos, pois teríamos que ultrapassar barreiras e ir além do conhecimento via msn, telefonemas e emails.
No dia em que cheguei por lá, nossa primeira conversa telefônica denotou ansiedade e alegria. Marcamos de nos ligarmos mais tarde...adiamos um pouco mais o momento dos "olhos nos olhos".
Fui para um bar-restaurante na 40 Street, o Jacks.
Lá, dei as coordenadas de onde estava.
Esperei... talvez por uma hora, ou terá sido menos, nem sei...mas eram segundos arrastados...
Evidentemente que já sabíamos muito um sobre o outro, entretanto, somos duma geração que se moderniza de modo surpreso, com esses aparatos que aproximam seres em lugares distantes e os tornam cúmplices de um teor diferenciado de felicidade.
A amizade já era uma conquista nossa, e dela não íamos mesmo abrir mão. Maduros e sensatos, vividos e corajosos, lá fomos nós em busca de satisfazer nossa mútua curiosidade.
Dali, saímos caminhando, de mãos dadas, pelas ruas da frenética Manhathan. Um sem número de vezes nos sentimos envolvidos pela sensação da novidade e, falo por mim, um típico momento adolescente me invadiu.
Bastava só aquela tarde, a travessia das ruas, o ar daquela cidade que mais parece uma Babel, o som das nossas vozes, e já teríamos realizado o sonho de nos conhecermos na vida real.
Não nos intimidamos com o complicado enredo, o trabalho que o chamava a todo instante, o meu desconhecimento do lugar, nada disso... o que nos enchia de brilho as faces, era mesmo a satisfação de estarmos ao vivo e a cores, um em frente ao outro...
Num universo de milhões de seres humanos que nunca se cruzaram, havia então duas criaturas que planejaram estar juntos e conseguiam agora caminhar lado a lado , ainda que fosse por algumas horas...
Foram mais, muitas mais...uma sucessão de trocas e carinhosas confissões. Duas vidas que se dispuseram a doar o melhor de si, o bem dos seus corações e até a criancice renovada das suas histórias individuais, Vittorio e eu, decidimos sermos nós mesmos, sem subterfúgios ou máscaras.
Vivemos experiências gratificantes e necessárias, compartilhamos refeições, ele se revelou um grande cozinheiro com seu tempero italiano e eu me deliciei com pratos preparados pelo seu afeto.
O tempo passou depressa, atropelou-n0s na correria da vida, saí muitas vezes sozinha a passeio e para visitar museus, e até para viajar a Washington, com um grupo de turistas brasileiros.
Marcamos algumas saídas em conjunto, fomos comer comida japonesa numa noite ou churrasco à brasileira em outro dia, e jantamos no El Corso, onde conheci seu filho, ultrapassamos a temporada de ficarmos assim, companheiros de caminhada por tempo breve, mas profundo.
Ele me presenteou de várias maneiras, tanto com bens materiais, como com a delicadeza de tratamento e o justo respeito humano. Apresentou-me o lado humano da cidade da loucura. Na sua casa, havia aconhego e ternura, capacidade minha e dele em dividir preocupações com a crise econômica que alternamos com filmes no vídeo ou dvc, ou assistindo programação inteligente da televisão italiana ou do noticiário sobre as eleições americanas.
Eu o admirei e aprendi a gostar do seu jeito de ser...mais que isso...serei eternamente grata pela doçura da sua recepção para comigo...e, claro, ofereci minha casa no Brasil, no RJ, para que ele venha me visitar e eu possa retribuir tamanha acolhida, que não esquecerei jamais. Trouxe na minha lembrança o aperto de mão que trocamos no caminho do aeroporto, quando sabíamos que tínhamos que nos despedir, mas que estávamos apenas nos permitindo cantarolar baixinho uma das tantas canções que tiramos do baú, para nos sintonizarmos e nos identificarmos em nossas histórias e gostos. Talvez eu tenha cantado sussurrando..."The shadow of your smile, when you are gone", lembro disso... mais um good time... e, quando ele ficou pra trás e eu adentrei pelo aeroporto, agradeci baixinho, dentro de mim, o quanto essa viagem fora inusitada, feliz, com gosto de sonho realizado, e , sobretudo, cheia de doçura, um intervalo que eu chamei brincalhonamente de "emergência amorosa", num texto de um email em que pedia autorização ao meu chefe para me ausentar por alguns dias do trabalho.
Aparecida Torneros

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Family... in USA, família no Brasil











Minha família nos EUA... é assim...






Como a família do Brasil, o ramo da vertente que veio da Espanha através da Avó Carmen Torneros da Silva que imigrou para o Brasil, enquanto seu irmão Obidio Doval Torneros imigrou e tornou-se cidadão do estado de Nova York, nos Estados Unidos da América.

Ambos constituiram famílias nesses países, Obidio foi pai de Dolores Manuela, que se casou com Theodore Colombo e tem três filhos, Ted, Jeanne Marie e Michael.

Encontrei com Jeanne Marie, seu Marido Michael e seus filhos adolescentes Justin e Christopher, na semana passada em NY.


Ela completava naquele dia, feriado, Columbus Day, 44 anos, e é típica mulher americana sintonizada com seu tempo, trabalha no American Express Card, é executiva da área de marketing. O marido é advogado, vivem em New Jersey, os filhos jogam baseball, são alegres, simpaticíssimos.

Trocamos presentes e afeto.Almoçamos juntos e passeamos. Contei-lhes sobre o bisavô que eles nem conheceram, mas com quem convivi bastante, durante suas constantes viagens para visitar a irmã, no Brasil.

Laços de sangue, na verdade, são para sempre!!!

Foi um dia bem feliz, de resgate histórico, pois uncle Obidio sempre me falava do seu amor pela filha e seus netos, sua pequena Jeanne, que eu só vira antes em fotos, e agora estava ali, juntinho de mim, tantas décadas depois, revivendo histórias e prometendo vir conhecer o Brasil.

Aqui, a família é grande. Vó Carmen teve 8 filhos, só 4 estão vivos. Maria, Pedro, Hélio e Gerson.Já se foram Ulysses ( meu pai), tia Vera, tio Paulo, tio Ovidio.

Mas filhos e netos, bisneta e agregados, todos somos a saga dos Torneros en el mundo...


Maria Aparecida Torneros




No Museu Aero Espacial em Washington

Por duas hors, me perdi e me encontrei por inúmeras vezes, buscando o mundo das estrelas, através das exposições diversas que o Museu Aero Espacial de Washington nos deixa observar.
Toquei na Moon Rock ( rocha lunar) que lá está exposta. Fotografei espaço naves, sondas lunares, foguetes e aviões, trajes de astronautas, painéis sobre as missões Apollo rumo à Lua, deliciei-me com realidade que tornou possível o sonho do homem pisar no solo do satélite.
Viajei no tempo, projetei-me no espaço e imaginei o futuro da humanidade vivendo em estações orbitais distantes da Terra.
Criei coragem para pensar no tempo vindouro como um lugar de seres ultrapassantes e insatisfeitos. Era o contraponto do mundo da história natural a que eu me dedicara alguns dias antes, no museu de Nova York. Répteis, anfíbios e animais pré-históricos, me fizeram linkar o passado distante ao futuro não tão distante.
Vittorio disse-me sobre seu interesse em saber como será o mundo daqui a muito tempo e que não poderemos testemunhar. Nem tinha pensado nisso de verdade. Ele me inoculou um vírus qualquer de curiosidade sobre o que acontecerá daqui a 100 anos por exemplo.
E no Museu Aero Espacial em Washington, decidi que me esforçaria em imaginar um mundo melhor, apesar dos pesares. Perguntei-me sobre a mensagem de Image, a canção maior de John Lennon, sobre o mundo sem fronteiras. Um sonhador , foi assim que ele se definiu na letra da música, mas ressalvou, não era o único.
Todos somos sonhadores quando imaginamos um mundo melhor e uma humanidade mais feliz.
Talvez o melhor dos mundos não esteja tão longe de nós, talvez esteja mesmo dentro de nossos sentimentos e se alimente de sonhos possíveis ou impossíveis, mas sonhos que nos tornam profetas de futuros risonhos ou testemunhas de passados ultrapassados.
Quando mergulhei no teor futurista do Museu Aero Espacial de Washington, afoguei-me em elocubrações, retomei o fôlego com o conforto de ter visto ali, centenas de meninos e meninas com seus professores sintonizados com seu novo tempo, capacitando-se para nos salvar e nos trazer à tona, felizes, por entender que eles viverão para tornar nossos sonhos, realidades.
Aparecida Torneros

Na calçada da Biblioteca em Nova York



A tarde era de um domingo, o 12 de outubro de 2008.
Eu caminhara pela grande avenida observando a parada em homenagem à latino-américa, desfile realizado pelos países do continente de origem hispânica.
Era meu terceiro dia em Nova York, o deslumbre natural de quem sabe que reconhece a cidade dos filmes, das lendas, das tragédias e de tantos enredos do mundo moderno e capitalista.
Parei para tomar um capuccino na calçada da Biblioteca principal da metrópole fervilhante. O tempo prometia esfriar depois, o que ocorreu, mas naqulea tarde, ainda o outono se aquecia num misto de calor humano e fantasia da escritora.
Confundi-me com a gente do lugar.
Vittorio fotografou-me, ali estou sentada e pensativa, alscutando o rumor do tempo e o eco das ruas daquela cidade que não dorme, plugada, irradiando novidades , exportando modos de viver, importando gente do mundo inteiro.
Outras emoções me acompanhariam nessa viagem de 11 dias que me emergiram a um mezanino conturbadamente reflexivo. Eleições de presidente, compras, passeios, visita a Washington, tardes inteiras nos Museus de Arte Natural e Metropolitan, a subida ao topo do Rochefeller Center, o passeio pelo Central Park, a parada em frente ao Dakota, prédio que viu Lennon cair assassinado, a loucura da loja Apple, a viagem de barco para ver de perto a estátua da Liberdade, a perplexidade diante dos escombros que agora serão nova torre, no World Trade Center, a ida e volta de Metrô para Astoria Boulevard, as caminhadas pela sétima ou quinta avenida, o sabor dos pressorts, o barulho das vozes de mil códigos, os rostos desconhecidos, as esperas pelos sanduiches, as travessias nos sinais das esquinas, um certo e perdido ar de solidão, talvez a presença dela, no inconsciente coletivo, um paradoxo, milhões que caminham e falam sozinhos, ouvem mps 3 ou 4, falam em iphones ou celulares enquanto fazem compras nos mercados, nem chegam a ver quem está ao seu lado, as caras das raças que ali se cruzam, as roupas e culturas dos que ali estão para ganhar dinheiro, os bilhetes dos home lesses, seus pedidos silenciosos, em tabuletas improvisadas, sentados no chão, esperando pela caridade de algum passante que os enxergue.
Talvez tenha sido no exato instante desta foto, que disparei a refletir sobre o que iria ver e sentir pelos dias subsequentes. Os EUA continuam a ser uma nação exportadora da sua cultura e da sua indústria, fazem disso seu ponto alto e importam os turistas que chegam de todos os lados para ser parte disso, de algum modo, por alguns momentos, num frenesi alucinante.
Pausa para o café tomado na tarde de um domingo novayorquino.
Ainda bem que o Vittorio estava atento, fraglou-me pensando na vida e me levou para casa.
Aparecida Torneros

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Eleições americanas, internet faz a diferença ( publicado no Observatório da Imprensa- Brasil)



ELEIÇÕES AMERICANAS
A internet faz a diferença

Por Maria Aparecida Torneros em 21/10/2008

Hoje, depois de passar 11 dias em Nova York, retorno para o Brasil, com uma sensação de ser espectadora vip de um espetáculo eleitoral, na disputa presidencial norte-americana, que em nada ficaria a dever a um show da Broadway, pelo aparato que assume cada entrevista ou discurso dos candidatos.
Também um sem número de produções cinematográficas está por toda a parte e é possível observar os detalhes do requinte quando se prepara e se apresenta, via televisão, um lauto jantar, onde Obama e McCain, devidamente trajados em fraque e gravatas brancas, trocam amabilidades e farpas, com o tom mais educado e brincalhão cabível na hora da mais séria crise financeira que se abate sobre o império do capitalismo internacional.
No programa brasileiro Manhattan Connection, o apresentador Lucas Mendes, radicado por estas bandas há décadas, questiona o que faz a diferença desta campanha e a participante Camila observa um fato novo que vem da organização do grupo do candidato Obama, que utiliza a internet como meio avassalador de atingir eleitores e incitá-los a comparecer as urnas, uma vez que o voto, nos EUA, não é obrigatório.

Ânimos acirrados
Entretanto, alertam os debatedores do programa televisivo de grande audiência entre brasileiros e latinos em geral, ainda é uma incógnita prever se essa ferramenta realmente mobilizará adultos maduros ou jovens ativistas plugados a se disporem a participar do pleito e surpreender as estatísticas – e até os resultados da disputa.
O fato marcante reporta ao momento ímpar da história americana, que é marcada pela importância da aceitação ou rejeição de presidentes, com registro de quatro assassinatos de mandatários no exercício do cargo, além de renúncia, processo de impeachment, atentados etc., como se fossem parte de um enredo extremamente fiel ao acirrado jogo que o poder abre a cada disputa entre democratas e republicanos, ao longo de décadas.
No ar pesado, entre as cotações oscilantes de Wall Street, paira também um clima de tensão velada, o mesmo que prenuncia a vitória de Obama, mas a possibilidade de que este venha a ser alvo de discórdia ou rejeição pelo conservadorismo da cultura nacional, capaz de produzir alguma louca reação, que requerá, por suposto, um forte esquema de segurança para o candidato, caso se confirmem as previsões e ele venha ser declarado o novo presidente do país mais rico do mundo.
Dá para verificar, através do calor crescente que a campanha permite detectar, que os ânimos se acirrarão um pouco mais à medida que se aproxima o dia definitivo em que o povo americano poderá eleger um representante da raça negra para a Casa Branca.

Efeito dominó da quebradeira
Não é por acaso que, entre os bottons vendidos pelos camelôs das esquinas de Nova York, por exemplo, há um que faz muito sucesso e traz os rostos de Obama e Luther King, com a inscrição da célebre e memorável frase-desabafo do líder negro assassinado: "I have a dream!"
Também os americanos como um todo têm um sonho renovado, agora que seu mundo capitalista se vê abalado pela quebra dos bancos, em que seu modo de vida (way of life) se sente ameaçado por uma avalancha de notícias que põem em dúvida o caminho aparentemente seguro do crédito sobre ganhos futuros. É hora de questionar a sociedade e sua febre de consumo, dizem vários articulistas nos principais jornais e comentaristas espoucam idéias de repensar o sonho americano de poder e hegemonia mundial.
Entretanto, o que se vê nas ruas, tanto da cidade síntese da corrida capitalista, que é Nova York, ou o que se pode sentir na preservada Washington, onde estive na quinta-feira (16/10), absorvendo seu clima calorento em contraponto ao pré-inverno que já atinge os 5 graus na semana que começa gelada por NY, será, com certeza, a promessa de um aquecimento promovido por mais debates, especulações financeiras e providenciais medidas de ajuda a bancos e empresas para evitar o efeito dominó da quebradeira geral.
Cavaleiros medievais
Modelo de disputa democrática, o país da liberdade, que constrói a toque de caixa uma torre imensa no lugar da tragédia do World Trade Center, já batizada de Freedom Tower e prevista para ser inaugurada no dia 11 de setembro do ano em que o atentado às torres gêmeas estará completando exatamente 11 anos, parece não deixar passar em brancas nuvens sua sede hegemônica e adaptará sua guerra interna de valores ao mundo globalizado que inclui a internet como ferramenta tão importante no século 21 como foi a indústria cinematográfica hollywoodiana no século 20.
Obama e McCain seguem seus caminhos em torno da disputa do comando do país assumindo o papel de verdadeiros cavaleiros medievais a defender as cruzadas dos bons resultados econômicos, das mudanças sociais, da cobrança de taxas e impostos com melhores e mais justas adequações por classes e níveis financeiros da sua população e de olho na riqueza produzida pela força do trabalho imigrante, que soma números que também fazem a diferença nas terras do Tio Sam.

Palpite e torcida à distância
As mulheres se buscam espelhar em duas figuras antagônicas, representantes de democratas e republicanas, atreladas oficialmente aos programas dos dois candidatos. Hillary Clinton e Sarah Palin não se furtam a emprestar suas imagens fortes a um jogo de cena, em que o voto pode ser buscado no inconsciente feminino das mães, donas de casa, mulheres profissionais ou executivas bem sucedidas, entre muitas que também questionam agora sua parcela importante de contribuição nos rumos da nação.
Na internet, também, as piadas feitas sobre elas ocupam espaços galhofeiros, tanto quanto dos candidatos principais, remetendo a brincadeiras e piadas de ocasião, no intuito claro de captar simpatias ou acirrar rejeições.
No mundo globalizado, a campanha presidencial norte-americana desloca o eixo interno do país do tio Patinhas e assume caráter tão internacional que incita cidadãos de inúmeros países a palpitarem e torcerem, à distância, por Obama ou por McCain, ou, em último caso, a acompanharem atentamente o desfecho de tão intenso momento por que passa a sociedade que, há muitos anos, inventou a indústria automobilística, o show do Oscar e a própria internet, este instrumento que virou o Big Brother na consciência da massa plugada mundial.
Aparecida Torneros
Jornalista - escrevendo de NY
em 20 de outubro de 2008