Maracanã

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CONTIGO A LA DISTANCIA - CHRISTINA AGUILERA & LUIS MIGUEL



http://www.youtube.com/watch?v=lsareq3KQV0

Um Amor para quem merece... e um poema para o Amor que sobrevive em todos nós..‏





Muitas vezes, quando leio e releio poemas de amor, tento compreender a extensão e profundidade que movem os sentimentos dos poetas nos seus íntimos seres, para que produzam tão belos encadeamentos de idéias, sob forma de palavrinhas que se tornam mágicas, plenas de emotivas expressões do que lhes vai na alma.


Neruda me encanta com seu poema número 20. Vinícius me leva aos céus com a Conjugação da Ausente. Drummond me fascina com aquele poema em que ele diz que se você sentiu tudo aquilo que descreve ali, não deve deixar escapar o Amor...


A todo momento, é possível ler, reler e conhecer poemas criados por criaturas cuja sensibilidade e talento nos remetem ao mundo dos apaixonados, fazendo-nos sonhar e até mesmo nos identificar com seus devaneios e conclusões.

A poesia dos apaixonados é intensa, pontuada de interrogações e ao mesmo tempo de deslumbramento. Quando um Camões nos diz que o Amor é chama que arde, ele nos põe de cara com uma verdade absolutamente inquestionável. Todo o calor da vida humana se projeta no fogo do amoroso, em algum instante mágico, duas criaturas se juntam e se queimam mutuamente. Ardem em labaredas de desejos e de esperanças, antecipadamente sofrem o latente medo da separação e se entregam aos minutos ou horas ou anos em que podem desfrutar das suas companhias e dos seus carinhos.

Assim é o Amor, que se faz poesia traduzido por mentes prodigiosas.



Os poetas e as poetas se dão aos seus amantes, por meio das palavras, na tentativa audaz de eternizar o que sentem.

A cada verso de Amor corresponde um milhão de sentimentos espalhados em toda a humanidade.


Deve haver no universo um Amor para quem merece...e existirá sempre um poema para o Amor que sobrevive em todos nós... através do romantismo das suas palavras sentidas e escolhidas...


Cida Torneros

São tantas coisas... as três noites que te antecederam...



As três noites que te antecederam...


foram três, sim, três longas noites inquietas


o frio da cidade e a tua ausência invadiam as cobertas


tanto parecia que as janelas estavam abertas


mas não estavam...era o teu calor que me faltava


e eu nem sabia disso, ainda, nem imaginava...




foram três, sim, três noites de espera estranha


uma sensação vazia de buraco em cada entranha


algo me avisava, dizia sobre a sedução e a artimanha


da noite do nosso encontro, aquela que nos espreitava


tu nem sabias disso, ainda, mas meu corpo se preparava...



foram três, sim, três noites de interrogações latentes


sobre o certo, o errado, a surpresa, questões pertinentes,


para que o frio se tornasse calor, nos abraços, beijos quentes,


trocamos na quarta noite, quando teu carinho me inundava,


descobrimos energia própria de um novo ser unido, que encontrava,


após madrugadas solitárias, afinal, o tesouro que buscava...


Cida Torneros

Dr. Carol & Olivier Latry-Notre-Dame Cathedral



Olivier Latry nasceu em Boulogne-sur-Mer, França em 22 de fevereiro, 1962 e é um organista francês, improvisador e professor de Órgão no Conservatório de Paris. After having begun his musical studies in Boulogne-sur-Mer, 1978 he enrolled in the organ class under Gaston Litaize at the Academy of Saint-Maur, and took composition classes with Jean-Claude Raynaud at the Paris Academy. Depois de ter iniciado os seus estudos musicais em Boulogne-sur-Mer, 1978 matriculou-se na classe de órgão sob Gaston Litaize na Academia de Saint-Maur, e teve aulas de composição com Jean-Claude Raynaud na Academia de Paris. After becoming Professor of organ in the Catholic Institute of Paris in 1983 and subsequently at the Academy of Rheims, he succeeded Gaston Litaize at the Academy of Saint-Maur in 1990. Depois de se tornar professor de órgão no Instituto Católico de Paris em 1983 e, posteriormente, na Academia de Reims, conseguiu Gaston Litaize na Academia de Saint-Maur, em 1990. In 1995, Latry was named professor of organ in the Academy of Paris, a post held jointly with Michel Bouvard. Em 1995, Latry foi nomeado professor de órgão na Academia de Paris, um post realizada em conjunto com Michel Bouvard.


In 1985, at 23 years of age, Latry was awarded the post of one of four titulaires des grands orgue of Notre-Dame , Paris alongside Yves Devernay, Philippe Lefèbvre and Jean-Pierre Leguay, following the death of Pierre Cochereau . Em 1985, aos 23 anos de idade, Latry foi galardoado com o posto de um dos quatro TITULAIRES des grands orgue de Notre-Dame, de Paris ao lado de Yves Devernay, Philippe Lefèbvre e Jean-Pierre Leguay, após a morte de Pierre Cochereau.

In addition to this role and his teaching positions, Latry carries out an active career as concert performer: he has played in over forty countries across five continents, in particular in the United States, where he made his first tour in 1986, becoming one of the most popular French organists in that country. Além deste papel e as posições de seu ensino, Latry realiza uma carreira ativa como concertista: ele jogou em mais de quarenta países dos cinco continentes, em especial nos Estados Unidos, onde ele fez sua primeira turnê em 1986, tornando-se um dos os organistas franceses mais populares naquele país.

Latry did not want to specialize in music of a specific time period, but has gained a reputation for performing music by his contemporaries. Latry não queria se especializar em música de um determinado período de tempo, mas ganhou uma reputação para a execução da música por seus contemporâneos. He is renowned for his performances of the works of Olivier Messiaen and has recorded the complete works of Messiaen for Deutsche Grammophon .

Ele é conhecido por suas interpretações das obras de Olivier Messiaen e gravou a obra completa de Messiaen para a Deutsche Grammophon. Latry is also considered to be a distinguished improviser, in the tradition of an exceptional French line that runs from Charles Tournemire through to Pierre Cochereau . Latry também é considerado um improvisador distinguidos, na tradição de uma excepcional francês que vai de Charles Tournemire através de Pierre Cochereau

Olivier Latry at the organ at the Cathedral of Notre Dame

Notre Dame Cathedral Paris Pipe Organ Gigout Toccata

Notre Dame de Paris...poesia



Notre Dame de Paris


Eleonora Cajahyba









Volto e contemplo sempre essa grandeza


Das pedras brutas bem filigranadas


E a nave retumbante de beleza


Em curvas infinitas enlaçadas.






És grandiosa na fé e fortaleza


Dos bravos peregrinos, nas jornadas


De fervidos clamores, na certeza


Que a Madona ouvirá preces rogadas.






Nenhum santo na nave majestosa.


Apenas a Senhora pequenina,


Ao lado só, com a face de menina.






Plena, porém de graça e esplendorosa,


Na sua pequenês, tem compaixão,


Sendo infinita dentre a multidão!

Notre Dame de Paris...

Fiz estas fotos quando visitei a Catedral de Notre Dame de Paris, onde fui tomada de grande emoção, principalmente, ao ficar no seu interior, ouvir o órgão que abafava qualquer borburinho dos turistas e pude perceber um elo entre o homem e o mistério da Divindade, na figura maravilhosa de Nossa Senhora. Na verdade, entrei num transe que , por minutos, me permitiu compreender a força que vem da fé na Virgem Maria e que se espalha em todo o mundo.
Cida Torneros 







A Catedral de Notre-Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico. Iniciada sua construção no ano de 1163, é dedicada a Maria, Mãe de Jesus Cristo (daí o nome Notre-Dame – Nossa Senhora), situa-se na praça Parvis, na pequena ilha Île de la Cité em Paris, França, rodeada pelas águas do Rio Sena.

A catedral surge intimamente ligada à ideia de gótico no seu esplendor, ao efeito claro das necessidades e aspirações da sociedade da altura, a uma nova abordagem da catedral como edifício de contacto e ascensão espiritual.

A arquitectura gótica é um instrumento poderoso no seio de uma sociedade que vê, no início do século XI, a vida urbana transformar-se a um ritmo acelerado. A cidade ressurge com uma extrema importância no campo político, no campo económico (espelho das crescentes relações comerciais), ascendendo também, por seu lado, a burguesia endinheirada e a influência do clero urbano. Resultado disto é uma substituição também das necessidades de construção religiosa fora das cidades, nas comunidades monásticas rurais, pelo novo símbolo da prosperidade citadina, a catedral gótica. E como reposta à procura de uma nova dignidade crescente no seio de França, surge a Catedral de Notre-Dame de Paris.

O processo de ascensão



O local da catedral contava já, antes da construção do edifício, com um sólido historial relativo ao culto religioso. Os celtas teriam aqui celebrado as suas cerimónias onde, mais tarde, os romanos erigiriam um templo de devoção ao deus Júpiter. Também neste local existiria a primeira igreja do cristianismo de Paris, a Basílica de Saint-Etienne, projectada por Childeberto por volta de 528 d.C.. Em substituição desta obra surge uma igreja românica que permanecerá até 1163, quando se dá o impulso na construção da catedral.

Já em 1160, e em resultado da ascensão centralizadora de Paris, o Bispo Maurice de Sully considera a presente igreja pouco digna dos novos valores e manda-a demolir. O gótico inicial, com as suas inovações técnicas que permitem formas até então impossíveis, é a resposta à demanda de um novo conceito de prestígio no domínio citadino. Durante o reinado de Luís VII, e sob o seu apoio (visto o monarca central ter também no século XII um poder crescente), este projecto é abençoado financeiramente por todas as classes sociais com interesse na criação do símbolo do seu novo poder. Assim, e tendo em conta a grandeza do projecto, o programa seguiu velozmente e sem interrupções que pudessem ocorrer por falta de meios económicos (algo comum, na época, em construções de grande envergadura).


A construção inicia-se em 1163 reflectindo alguns traços condutores da Catedral de Saint Denis, subsistindo ainda dúvidas quando à identidade de quem terá "colocado" a primeira pedra, o Bispo Maurice de Sully ou o Papa Alexandre III. Ao longo do processo (a construção, incluindo modificações, durou até sensivelmente meados do século XIV) foram vários os arquitectos que participaram no projecto, esclarecendo este factor as diferenças estilísticas presentes no edifício.

Em 1182 presta já o coro serviços religiosos e, na transição entre os séculos, está a nave terminada. No início do século XIII arrancam as obras da fachada oeste com as suas duas torres estendendo-se a meados do mesmo século. Os braços do transepto (de orientação norte-sul) são trabalhados de 1250 a 1267 com supervisão de Jean de Chelles e Pierre de Montreuil. Simultaneamente levantam-se outras catedrais ao seu redor num estilo mais avançado do gótico; a Catedral de Chartres, a Catedral de Reims e a Catedral de Amiens.

As turbulências da História


Vista de sudesteA catedral foi, nos finais do século XVII, durante o reinado de Luís XIV, palco de alterações substanciais principalmente na zona este, em que túmulos e vitrais foram destruídos para substituir por elementos mais ao gosto do estilo artístico da época, o Barroco.


Em 1793, no decorrer da Revolução francesa e sob o culto da razão, mais elementos da catedral foram destruídos e muitos dos seus tesouros roubados, acabando o espaço em si por servir de armazém para alimentos.

Com o florescer da época romântica, outros olhares são lançados à catedral e a filosofia vira-se para o passado, enaltecendo e mistificando numa aura poética e etérea a história de outras épocas e a sua expressão artística. Sob esta nova luz do pensamento é iniciado um programa de restauro da catedral em 1844, liderado pelos arquitectos Eugene Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste-Antoine Lassus, que se estendeu por vinte e três anos.

Em 1871, com a curta ascensão da Comuna de Paris , a catedral torna-se novamente pano de fundo a turbulências sociais, durante as quais se crê ter sido quase incendiada.

Em 1965, em consequência de escavações para a construção de um parque subterrâneo na praça da catedral, foram descobertas catacumbas que revelaram ruínas romanas, da catedral merovíngia do século VI e de habitações medievais.


Já mais próximo da actualidade, em 1991, foi iniciado outro projecto de restauro e manutenção da catedral que, embora previsto para durar dez anos, se prolonga além do prazo.

 A literatura e a fama


Durante o espírito do romantismo, Victor Hugo escreveu, em 1831, o romance “Notre-Dame de Paris”, O Corcunda de Notre-Dame. Situando os acontecimentos na catedral durante a Idade Média, a história trata de Quasimodo que se apaixona por uma cigana de nome Esmeralda. A ilustração poética do monumento abre portas a uma nova vontade de conhecimento da arquitectura do passado e, principalmente, da Catedral de Notre-Dame de Paris.


And the cathedral was not only company for him, it was the universe; nay, more, it was Nature itself. He never dreamed that there were other hedgerows than the stained-glass windows in perpetual bloom; other shade than that of the stone foliage always budding, loaded with birds in the thickets of Saxon capitals; other mountains than the colossal towers of the church; or other oceans than Paris roaring at their feet. (Victor Hugo, Notre Dame de Paris, 1831.)
( dados tirados do Wikipedia.com)

DE IGUAL PRÁ IGUAL...



DE IGUAL PARA IGUAL...
JOSÉ AUGUSTO

De Igual Prá Igual



José Augusto


Composição: Roberta Miranda/Matogrosso


Você mentiu


Quando jurava prá mim fidelidade


Fui apenas um escravo da maldade


Você quis, você lutou e conseguiu






Você feriu sentimentos que a ti eu dediquei


Quantas vezes o seu pranto eu enxuguei


Por pensar que era por mim que chorava






Você fingiu


Você brincou com a minha sensibilidade


É o fim do nosso caso na verdade


Só nos restam recordações






Não toque em mim


Pois eu descobri que você não é nada


Não podemos seguir juntos nessa estrada


É o fim do amor sincero que eu senti






Mais aprendi


Fazer amor prá te ferir sem sentir nada


Enquanto eu amava você me enganava


De igual prá igual


Quem sabe a gente pode ser feliz

SÃO TANTAS COISAS

Tânia Mara e Roberta Miranda Gravação DVD

THE ART OF AMÁLIA (Part 8 - Barco Negro, 1955)

Barco Negro, Amalia Rodrigues



Barco Negro



Amália Rodrigues


Composição: David Mourão-Ferreira


De manhã, que medo, que me achasses feia!


Acordei, tremendo, deitada n'areia


Mas logo os teus olhos disseram que não,


E o sol penetrou no meu coração


Vi depois, numa rocha, uma cruz,


E o teu barco negro dançava na luz


Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas


Dizem as velhas da praia, que não voltas:


São loucas! São loucas!


Eu sei, meu amor,


Que nem chegaste a partir,


Pois tudo, em meu redor,


Me diz qu'estás sempre comigo


No vento que lança areia nos vidros;


Na água que canta, no fogo mortiço;


No calor do leito, nos bancos vazios;

Mariza e Camané - Há uma música no Povo

Mariza e Camané - Mais um Fado no Fado

Barco Negro, Marisa

Camané - Lembra-te sempre de mim (ao vivo no Coliseu)

Camané - Mais um Fado no Fado (ao vivo no Coliseu)

Vozes de Portugal: Amália , Rui Veloso, Camané, Carlos do Carmo, Mariza - Estádio da Luz






Abertura da Gala das Sete Maravilhas de Portugal, em Lisboa no Estádio da Luz, com Camané, Rui Veloso, Carlos do Carmo e Mariza. Camané e Rui Veloso
25 de junho de 2008

As vozes portuguesas e a minha lágrima na manhã de novembro....

Busco Camané e Marisa no Google. Ontem, na madrugada, eu a vi cantar no programa do Jô e lembrei da emoção que foi tê-la ouvido muitas vezes, durante minha viagem recente a Portugal, pois a guia do grupo, nas estradas daquele país lindo, punha sempre seu cd player para nos embalar diante da paisagem do seu lugar. A doçura entremeada de nostalgia, a força da paixão a mim legada por sua interpretação que sai da alma e vem direto ao meu coração...

Assim, depois de ter dormido embalada por ela, busquei-a na manhã de novembro, e tentei encontrar também o delicioso cantar do Camané, que me foi apresentado por um amigo portuense, no que este me fez um tremendo bem. Camané é tudo de bom na canção portuguesa moderna. Traz em si um sentimento do mundo que nos encoraja a viver amores e perdões. Assim, encontrei um vídeo fascinante, de quebra, estão ainda, juntos, Carlos do Carmo e Rui Veloso.

Então, minha lágrima correu e me dei conta da emoção que as vozes de Portugal me fazem brotar com sua necessidade de expressar o amor mais profundo, aquele dos amantes eternos, que sabem o quanto é possível doer um grande amor, e que, apesar das dores, não se pode fugir dele, nem se deve, pois o amor é mesmo um prêmio e os premiados com ele, vencem distâncias, vencem o tempo, vencem as dores...

Minha manhã de novembro, com um sol lá fora daqueles convidativos a me embrenhar nos mares de um Rio de Janeiro iluminado, eu aqui, trazendo para dentro de mim, as imagens de Lisboa, do Tejo, do Porto, dos muitos rios de Portugal, das suas lindas cidades, estradas, lugares, pessoas, dos amigos que tenho por lá, dos sentidos que lá me esperam para reviver momentos de fado, de canções, de vozes incrivelmente penetrantes do meu espírito voador.

Agradeço. Sou privilegiada. Sei o quanto as vozes de Portugal  me embalam em sangue e sentimento. Vou até elas como um pássaro, e beijo suas nuances, sorvo do seu mel, deixo-me envolver por seus cantares, não me importo de chorar assim, como uma manteiga derretida. Sinto que a paixão em mim é um sobressalto diante da vida de um beija-flor, e sigo, sigo porque é preciso navegar e voar.

É hora de ir mais atrás e buscar também Amalia. Amalia da minha infância, da minha mocidade, das minhas primeiras incursões pelo amor que machuca e redime. 

Ouço então "Com que voz", belíssima e profunda mensagem. Nada como embalar a dor com a docilidade de um triste fado, ou de viver a volta de alguma alegria com a sapiência de um canto que inunda a alma da gente com o conforto do lamento, mas sem perder a esperança de recomeçar, de um ponto qualquer, um porto onde algum barco negro nos espere, para embarcarmos em direção à felicidade eterna.

E volto a sorrir, pois ao escutar Barco Negro, na manhã de novembro, vejo-me bonita de novo, através da inesquecível Amalia, singrando nas luzes das ondas de um mar revolto, entusiasmado, dançante, aventureiro, amante das terras desconhecidas, e descubro que o amor "está sempre comigo", nem chegou a partir... por mais que isso possa parecer inacreditável... é a magia do fado, com certeza...
                                                            Cida Torneros    

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Na idade do amor... ( poema meu no concurso Talentos da Maturidade)


D.Canô, lindaaaaaaaaa



Na idade do amor...







Correu para o abraço


Os netinhos num laço


Gente festeira


Meu Deus, que canseira,


Pensou e sorriu...






Viuvez? Solidão? Liberdade?


Era tudo um novo passo


Os filhos criados, a nova idade


De sair por aí, refletiu...






Maduro tempo, lucro da vida,


Tanta novidade e tanto espaço


Ainda o sonho na alma aquecida


Ainda o amor na idade vencida...






Emocionou-se, os olhos molhados


Buscaram novo par, era seu direito,


Sabe que o coração tem muitos lados


Que para tudo dá-se mesmo um jeito...






Foi dançar depois da visita dos netinhos,


Ouviu canções com o peito em festa,


Beijou a alegria de viver aos bocadinhos


Tudo que o mundo lhe dá ou empresta...






Sabia que tinha atingido finalmente


A idade melhor, estava consciente,


Agora, é só aproveitar cada instante,


Colher os frutos, soltar o dom de amante...






E saiu por aí, como imaginara,


Amando a idade do amor, agora,


Amando tudo o que conquistara,


O que vem de dentro e o de fora...






Abraçou sua história porque ela é seu mundo


Dá-lhe orgulho e força, traz energia lá do fundo


Para prosseguir assim, com felicidade interna,


Sabendo que o amor é a única verdade eterna...



Cida Torneros

Meryl Streep vive ícone americano em 'Julie & Julia'



Meryl Streep vive ícone americano em 'Julie & Julia'



Por Heitor Augusto, do Cineclick



Um filme sobre uma mestra da culinária francesa dos anos 60 e uma jovem que se aventura a preparar suas receitas quatro décadas depois. Supostamente, "Julie & Julia" - que estreia nesta sexta-feira nos cinemas - colocaria a comida como a terceira personagem, mas há muito mais entre temperos, panelas e bon appétit.

Julia Child foi uma personalidade única na televisão norte-americana. Com 1,88 m e dona de uma voz parecida com a de um peru cantante, trouxe a culinária francesa para a mesa dos cozinheiros e cozinheiras ao lançar o livro "Mastering the Art of French Cooking" e, posteriormente, com mais de uma dezena de programas de TV.

Julie Power é a jovem que resolveu arriscar fazer pratos como Boeuf Bourgnon e relatar suas experiências por meio de um blog, The Julie/Julia Project.

Esta é a receita do filme: o encontro cinematográfico dessas duas personagens. O que elas têm em comum? A vontade de sair do estado de deriva e encontrar algo que realmente dê prazer - além dos maridos que lhes dão apoio incondicional.


O filme de Norah Ephron ("A Feiticeira') nos pede a licença poética de exagerar no tom adocicado do filme. É nítido que tudo vai dar certo, Julie será bem-sucedida com o blog e Julia conseguirá publicar o livro. Porém, o que interessa mesmo é como, e não o que, acontece.

A interpretação de Meryl Streep para a grandalhona Julia Child é honesta e habilidosa, mas passa longe de uma recriação da sua personagem. É a perfeita mimese, assim como já fizeram Jamie Foxx em "Ray" ou Marion Cotillard em "Piaf - um Hino ao Amor". Mas não é a reinvenção de Frank Langella em "Frost/ Nixon".

Já Amy Adams mantém o rosto de "Encantada", mas é decente ao interpretar uma jovem urbana nova-iorquina. Até mesmo pelo tamanho da personagem e pelo argumento do filme (garota que cozinha as receitas de Julia), seu desempenho soa como inferior frente a uma mulher alta e falante.


A diretora faz claras opções narrativas que contribuem para o bom ritmo do filme: contar blocos de histórias de ambas as personagens e montá-las em forma de espelho. Assim, o que acontece com Julia também se repete com Julie 40 anos depois.


Outra opção é o uso da comida. Ela tem um papel importante, mas nunca chega perto de ser um terceiro personagem. É um recurso de Ephron para fazer um filme sobre ter prazer naquilo que realmente gostamos. Uma jornada onde ambas saíram do nada até alcançar um ponto.


"Julie & Julia" é uma descompromissada diversão a respeito de uma marcante personagem e seu espelho contemporâneo. Simpático e, digamos, sweet.

Tony Carreira



Tony Carreira



Tony Carreira



Espanha ( poesia)

Epanha, cuida de mim







Espanha, me chama, me canta, me espanta


me encanta e me pranteia, na canção e na saudade


tua misteriosa magia me entontence e invade,


Espanha, me apanha na curva do mar da Galícia,


me embarca no porto rumo a Barcelona, me esvazia


do pote de euforia e me faz dançar em Andaluzia...


Espanha, me puxa e me prende, me fascina e ilumina,


me engana e me mostra teu lado mais duro, tuas dores


que toureias nas praças dos milhares de amores


que se vão, se superam, se matam e renascem, qual sina


dos navegantes buscadores de terras, de mundos distantes,


Espanha, me põe um sinal de bruxaria na testa, me empresta


tua poesia, tua arte, teus pintores, tuas infinitas cores,


me traz de volta ao céu, e me deixes provar do inferno


que tua força maior, terror dos temores, das bombas,


das guerras, os ditadores de mierda, injustiças e abandonos...


Espanha, cuida de mim, de ti mesma, dos teus muitos donos.


Aparecida Torneros






España en el Corazón


A Espanha é uma coisa de tripa.


Por que "Espanha no coração"?


Por essa víscer é que vieram


São Franco e o séquito de Sãos.






A Espanha é uma coisa de tripa.


O coração é só uma parte


da tripa que faz o espanhol:


é a que bate o alerta e o alarme.






A Espanha é uma coisa de tripa,


do que mais abaixo do estômago;


a Espanha está na cintura


que o toureiro oferece ao touro,






é que é de donde o andaluz sabe


fazer subir seu cantar tenso,


a expressão, explosão, de tudo


que sa faz na beira do extremo.






Das tripas fundas, das de abaixo


do que se chama o baixo-ventre,


que põem os homens de pé,


e o espanhol especialmente.






Dessa tripa de mais abaixo,


como escrever sem palavrão?


A espanha é cosia de colhão,


o que o saburrento Neruda


não entendeu, pois preferiu


coração, sentimental e puta.






A Espanha não teme essa tripa;


dela é a linguagem que ela quer,


toda Espanha ( não sei é como


chamar o colhão da mulher).


João Cabral de Melo Neto

Flamenco en el Sacromonte

flamencotanz-hamburg.de

pues me enamorado (Antonio)

fuegoflamenco Rumba Antonio Fernandez cante

verde que te quiero verde fuego flamenco

Poetas Andaluces, Federico Garcia Lorca

Los poetas andaluces de ahora




Amigos



Donde los hombres?

a mi, esta canción siempre me encantó demasiado...


para mi generación, cuando, me acuerdo, tuvimos que aceptar la injusticia del mundo, las dolores de los que lucharam por la libertad... fue esta interpretación tan sensilla del grupo Aguaviva que me dió fuerza, en aquelles años...


ahora, puedo sentir mejor y con cierta nostalgia lo que fueron los tiempos de mi juventud que tenía sueños... y lo que ha sido la juventud de Lorca y tantos otros muertos por el gobierno franquista.


acá , en Brasil, tuvimos la dictadura militar, en la America Latina, hubo mucho sentimiento de pueblos que no tenian derechos para vivir su vida y havia un movimiento para cambiar las cosas...y volver a la democracia...


estamos en el siglo veinte y uno...havemos conseguido algunas buenas victorias pero hay mucho aún para hacer y luchar!


adelante, poetas!


adelante, hombres y mujeres que tienem corazón y razón, viva la justicia!


por actos y palabras havemos de marchar rumbo a un mundo mejor para nuestros hijos y nietos!


oigan...es mui lindo...


besos


Maria Aparecida Torneros

Jennifer Lopez and Marc Anthony



TE AMARE POR SIEMPRE

Leyenda Maya (Te Amaré Por Siempre) -cortometraje-



Al principio de los tiempos, los grandes Dioses mayas lucharon para detener la obscuridad, ganándole la batalla al mal y trayendo paz al mundo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Solteirice explícita...



Solteirice explícita...







Ambos estavam solteiros. Depois de seus casamentos longos, filhos criados, namoros intensos e alguns recomeços, falaram sobre o tema da solteirice explícita. Lugar comum para cinquentões libertos de tantas amarras anteriores. Decisões personalistas, escolhas resolvidas entre mil e uma possibilidades, a opção de sairem sozinhos aos lugares públicos, desfrutando de si mesmos, da própria companhia, tanto nas salas de cinema como nas mesas dos restaurantes.


Tinham, finalmente até, o direito de recusar parceiros que não lhes interessavam, preferindo a solidão reflexiva e pródiga de maturidade conquistada.


Estavam solteiros, mas não tinham assinado nenhum documento que os obrigasse a permanecer nesse estado de intenso livre arbítrio, entremeado da inconsciente busca de alguém que os motivasse a voltar a amar.


Se bem que sempre se reconheciam amando a vida, a si mesmos, suas famílias, tantos amigos e amigas. Esse tipo de amor lhes inundava os dias. Mas o amor de casal acasalado, amor de busca entre macho e fêmea, lhes sufocava as madrugadas.


Sabiam o quanto era difícil garimpar alguém que lhes encaixasse em desejos, hábitos e expectativas de vida. Confidenciaram-se. Aliás, o tempo, nos dois últimos anos de constantes encontros profissionais, lhes fora favorável, lhes oferecendo uma dose respeitável de confiança mútua e amizade crescente.


Seus abraços eram tão carinhosos quanto aconchegantes.


Suas confissões eram desmascaradas, e, de tão sinceras, remetiam a capítulos de novela romântica ou trágica, dependendo do humor em suas sessões semanais.


Os olhos se encontraram depois de dois meses afastados. Havia satisfação e segurança na troca desse olhar questionador que os tornava caçador e caça, faces opostas de uma mesma moeda, como signos cuja dualidade é a fonte do seu status sólido.



Como um mágico que tira um coelho branquinho da cartola, ele a surpreendeu com jeito de pedinte do amor. Ela, por sua vez, mudou o foco e o viu, pela primeira vez como um homem, apenas como um homem, não mais como um amigo profissional com quem se reunia todas as semanas.


Então, num gesto impensado e impulsivo, ele segurou as mãos dela, juntas, de uma só vez, a uma distância menor que um metro, puxando-a para aconchegar-se no seu peito.


Ela fechou os olhos. Deixou-se levar pelo sentimento pleno. Era só isso. O carinho do homem solitário, lhe oferecendo segurança emocional e vontade de ficar ali pelo resto da vida.


Mas, em seguida, meio envergonhados, despediram-se.


Marcharam em busca de alguns sonhos realizáveis. Viagens, escrita de livros, camaradagem humana, e um ponto contou a seu favor para que se tornassem um novo casal de namorados.


Ele , o psicanalista, ela, a paciente, ambos, solteiros, cinquentões, com filhos criados, sede de viver um novo amor, talvez até um novo casamento.


Quando chegou em casa, ela pensou em agradecer a ele pela sessão que acabava de ter com ele. Esclarecedora, cada palavra dita por ele, soara como um libelo para o caminho dela, que o achava sem rumo, sentindo-se perdida como uma vaca solta num imenso pasto.


Compreendeu então que estava livre para escolher que espécie de capim devia comer, onde devia se proteger do verão intenso e talvez pular alguma cerca que ainda a separava da vida lá fora.


Agradeceu a ele, via recado no celular. Ainda assim, esperou por ele por muitas noites e orou por ele, nas manhãs ensolaradas e nos dias nublados.


Ambos estavam solteiros, continuaram a cruzar seus olhares, perdoaram seus arrepios constantes, expuseram-se então, e num dia de sábado, ele a convidou para jantar.


Fundiram-se em um único olhar durante todo o encontro. Ainda permaneceram solteiros distanciados por um bom período. Suficiente foi esse tempo que se permitiram, para refletir sobre o que sentiam e o que esperavam um do outro. Resumiram numa palavra pequena, gasta, corriqueira, mas plena de significados. Amor... essa palavra pôs fim ao seu longo tempo de solteiros, e dali em diante, passaram a ter duas casas, duas camas, dois endereços, duas chances individuais de replantar seu jardim e colher flores para enfeitar seus domicílios. A partir desse dia, buscaram estar juntos, sempre que fosse possível, necessário e prazeroso. E abandonaram o estado "civil"izado, em cerimônia íntima e simbólica, concorrida por familiares e amigos.


A partir de então seriam solteiros aconchegados e próximos. Continuaram a morar em suas casas anteriores e a preservar a tal intimidade tão violada nos dias de hoje. Assim, seriam eternamente visitas na casa um do outro, e brindariam para sempre, juntos, o tal Valentine's Day, a cada fevereiro, numa promessa gratificante, enquanto pudessem ficar assim, solteiros, amigos, amantes, presentes, carinhosos e saudosos um do outro, explicitando um novo modus vivendi, entre os novos solteiros do século XXI. Se realmente viriam a contrair matrimônio, nem eles mesmos sabiam responder. Apenas tinham uma certeza, sua solteirice era compartilhada entre si, e seus sentimentos os entrelaçavam em rituais de carinho e sensualidade, com salutar distância das suas intimidades. Tinham encontrado um modo de viver que os agradava, e seu amor era tão real quanto suas almas podiam alcançar, pois se descobriram felizes e se amando verdadeiramente. Mesmo assim, preferiram continuar solteiros, inteiros, parceiros, amigos, amantes e admiradores um do outro pelo resto de suas vidas. Seriam como dois pássaros a voarem para se bicarem e beijarem todas as vezes que necessitassem um do outro.


Aparecida Torneros