aqui tem música, poesia, reflexões, homenagens, lembranças, imagens, saudades, paixões, palavras,muitas palavras, e entre elas, tem cada um de vocês, junto comigo... Cida Torneros
Maracanã
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Karen Blixen, seu livro autobiográfico originou o filme Out of Africa
Out of Africa (Entre Dois Amores (título no Brasil) ou África Minha (título em Portugal)) é um filme estadunidense de 1985, do gêneros drama biográfico, produzido e dirigido por Sydney Pollack, com os atores Meryl Streep e Robert Redford. O orçamento de Out of Africa foi de 31 milhões de dólares.
O roteiro, de Kurt Luedtke, é baseado no livro autobiográfico de Isak Dinesen (pseudônimo de Karen Blixen) chamado Den afrikanske Farm, publicado em Londres em 1937, e em Nova Iorque em 1938, bem como na obra Shadows on the Grass, de Dinesen, e em outras fontes.
O papel de Karen teria sido primeiramente oferecido à Audrey Hepburn antes de ser aceito por Streep - que treinou o sotaque dinamarquês escutando gravações de Dinesen.
O livro e o filme relatam a história real da baronesa dinamarquesa Karen von Blixen-Finecke, uma mulher independente e forte que dirige uma plantação de café no Quênia, por volta de 1914. Para sua total surpresa, ela se descobre apaixonada pela África e pela sua gente. Casada por conveniência com o Barão Bror von Blixen-Finecke, apaixona-se pelo misterioso caçador Denys Finch Hatton.
Principais prêmios e indicações
Oscar 1986 (EUA)
Vencedor nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor trilha sonora original, direção de arte e melhor som.
Indicado nas categorias de melhor ator coadjuvante (Klaus Maria Brandauer), melhor atriz (Meryl Streep), melhor figurino, melhor edição.
Globo de Ouro 1986 (EUA)
Venceu nas categorias de melhor filme - drama, melhor trilha sonora original - cinema e melhor ator coadjuvante - cinema (Klaus Maria Brandauer).
Indicado nas categorias de melhor diretor - cinema, melhor atriz de cinema - drama (Meryl Streep) e melhor roteiro - cinema.
BAFTA 1987 (Reino Unido)
Vencedor nas categorias de melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor som.
Indicado nas categorias de melhor ator coadjuvante (Klaus Maria Brandauer), melhor atriz (Meryl Streep), melhor figurino e melhor trilha sonora.
Prêmio César 1987 (França)
Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro.
Prêmio Eddie 1986 (American Cinema Editors, EUA)
Indicado na categoria de melhor edição.
Academia Japonesa de Cinema 1987 (Japão)
Indicado como melhor filme estrangeiro.
Prêmio David di Donatello 1986 (Itália)
Venceu nas categorias de melhor atriz estrangeira (Meryl Streep) e melhor filme estrangeiro.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Revendo "Out of Africa", entre milhares de amores...Image, Lennon!
http://www.youtube.com/watch?v=9Q0Eyw3l3XM
Revendo "Out of Africa", entre milhares de amores...Image, Lennon!
Em época de Copa do Mundo, desde a África do Sul, busquei um filme antigo ontem. E o assisti porque precisava era mesmo disso. Da sensação de voltar no tempo, coisa que às vezes me invade como retrocesso pertinente ao sentido do tempo versus espaço, capaz de ser presente eterno na vivência emocional.
Às vezes, confesso, sei que tudo parece tão distante, inalcançável até, e me pergunto por que encontramos e descobrimos coisas e pessoas, um dia, nessa vida... Vou lembrando ...
Volto aos anos 60, a menina aluna do curso ginasial que tinha um trabalho de geografia para fazer. Devia escolher um país qualquer, do mundo inteiro. Escolhi, aos 12 anos, o Senegal. Nem me perguntem porque, eu não saberia explicar.
Na classe, foi um festival de apresentações sobre França, Portugal, Inglaterra, Itália, Estados Unidos e por aí... O professor e a turma se espantaram quando mostrei o pouco que meu pai conseguiu para que eu tivesse material, correndo consulados africanos e a pequena representação diplomática do Senegal.
Eu quis entender aquele continente, ou tentar entender... afinal, dele vieram tantos brasileiros afro-descendentes, de tribos que na América se tornaram escravas. Ali, não foi difícil perceber, havia e ainda há, muita riqueza mineral, e a colonização baseada na exploração dos mais fortes sobre os mais fracos, começava a diminuir naquela década, com a independência de alguns povos e a instabilidade civil que se traduziu em guerras cruentas nos anos seguintes.
Ontem, revi esse filme antigo, sobre a África e a vida de uma dinamarquesa que para lá foi nos anos 20, interpretada pela atriz Meryl Streep, contracenando com o ator Robert Redford.
Intitulado em português como "entre dois amores" , o enredo onde me situei pelo menos há vinte anos atrás, quando vi o mesmo filme pela primeira vez. A bela e selvagem África.
Sentindo o continente negro dentro da minha alma, mais uma vez, me reportei ao Senegal, ao Kenia, a Moçambique, a Angola, a Africa do Sul, passeei nas savanas, busquei o cheiro animal do selvagem encontro da vida com a procriação...
Pude me ver projetada em algum lugar mais hospitaleiro, talvez uma cabana perdida na imensidão do mundo, onde o pôr do sol seja de um encanto tamanho que me faça reencontrar o amor, o mesmo que levo dentro de mim, onde quer que eu vá...
Sei que a gente daquele Continente fica , permanece, no meu coração, como tantas permanecem, e transcendem o tempo, transcendem a história... tudo está certo, é parte de um contexto maior, na nossa história...
Mandela e o apartheid. A alegria de fênix, daquela gente explorada, apesar de tudo, sua lição de felicidade interior, ou da busca incessante de escolher como no filme, "entre muitos amores"...
Ou se ama a vida e se luta por ela, ou se entrega os pontos e se deixa explorar pelos desbravadores que lhes levam, ou tentam usurpar, a dignidade de serem os donos da terra, os habitantes originais de lugares ricos e lindos, que pertencem a uma raça chamada humana... afinal...
No filme, revisto e revivido, redescobri a África, e sei porque a tal Copa do Mundo tão colorida e vibrante, oscila entre muitos amores, não apenas dois, mas nos milhares de amores que norteiam nacionalidade, guerra, poder, rivalidade, posse, hegemonia, multinacionalidade, exploração de minas , pedras preciosas, petróleo, num mundo ainda tão dividido, tão desigual, tão variado em camisas de times de futebol, hinos, bandeiras, apegado a fronteiras e disputas.
Aí, imaginei Lennon, claro, "Image", vocês podem dizer que sou uma sonhadora, mas eu não sou a única, ainda bem... e uma taça em Copa do Mundo, ora, é o esporte, e através dele, quem sabe, asiáticos, europeus, africanos, americanos do norte, centro e sul, esta nossa gente, possa se juntar com seus milhares de amores, na verdadeira alegria que é viver e respeitar o direito dos povos de viverem, em paz e com menor sede de exploração...
Salve a África, Lennon, será que você estava também pensando naquele continente quando criou a canção? Ou terá como eu, assistido um dia, Out of África, e juntando tudo, nos legou o hino que deveria abrir e fechar todos os jogos nas Copas do Mundo, nas Olimpíadas, "can you image"?
Cida Torneros
Rio, junho, 2010
"Habaneras de Cádiz" C. Cano y M. Dolores Pradera
Tengo un amor en la Habana y otro en Andalucía...
Por la parte del Caribe así se escribe
cuando una canción de amores, canción tan rica,
se la dedican los trovadores
a una muchacha o a una ciudad..
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Anda, Luzia, não deves parar...."suas orelhas ainda queimam..."
Suas orelhas ainda queimam
Um dia, ela pensou que, na velhice, iria descansar de tanta luta. Tinha tido, durante toda a vida, muita lida, com a dureza do dia a dia, os serviços de casa, a cozinha, as crianças crescendo, o marido reclamativo, a louça se acumulando na pia. Bem, por que lembrar disso agora, passados tantos anos?
Tudo tinha ficado para trás. Os filhos já são quase avós agora, com sua prole em torno dos 20 anos, menos o temporão, o Tavinho, seu netinho mais encantador. Como ela poderia imaginar que veria seus próprios netos na mocidade, tentando entender seus comportamentos incrivelmente estranhos para os conceitos de vida que ela aprendera a valorizar?
Ela tenta se adaptar aos novos tempos e procura não ser uma avó desagradável, com incompreensões. Clarinha, por exemplo, sua netinha de 15, está infestada de peircings. Pelas orelhas, nariz, língua, umbigo, e , só Deus sabe, onde mais. O Bruno, um rapaz de aparência forte e dentes lindos, enfeitou-se com tatuagem no braço, como aqueles antigos marinheiros, e sapecou uma robusta serpente de língua comprida pronta para o bote.
Mas, a doce Luana, essa sim, lembra as meninas do passado, tem olhos tranqüilos e gestos calmos. Toca piano, é plácida, romântica e só tem 12 anos. Talvez mude, e disso ela tem medo. Como proteger a frágil menina do mundo agressivo que tem pela frente?
Hoje, morando sozinha, ela, com seus 70, se acha vigorosa ainda. Tem fôlego para ouvir os filhos, tantas queixas e lamúrias. São os telefonemas noturnos, quando eles se lamentam e ela ouve, consola, tenta fazê-los sorrir um pouco. Dá força e convida sempre, filhos e netos para comerem seu bolo de chocolate. Não há tristeza deles que ela não cure com a sua especialidade coberta de calda. Seu maior prazer é ver quando eles vão se acalmando, enquanto saboreiam a gulodice saciando de doçura seus corações inquietos.
Também, nas manhãs de sol, ela caminha para desenferrujar as juntas e aproveita o tempo para rezar por filhos e netos. Ora com freqüência e com saudades, pela alma do marido "reclamão". Se ainda o tivesse por perto, teria, pelo menos, um ombro amigo, na calada da noite, para recostar, quando as orelhas estivessem quentes.
Um dia, ela tinha sonhado com isso, reuniria toda a família em torno de um grande bolo de chocolate para o seu "bota-fora". Era chegada a hora da viagem dos seus sonhos: ia à Grécia, depois de economizar a vida inteira. Finalmente esse dia chegou.
Luzia está bonita, produzida, os cabelos alinhados em coque, o terninho bem cortado a transforma em senhora elegante. Prepara-se para a tal viagem. O bolo foi providenciado pelo telefone. Permitiu-se encomendar a goluseima e dispensar-se do forno desta vez. Os preparativos foram tantos, os filhos e netos se sucederam na fila das encomendas, das recomendações, dos pedidos.
Ela iria de táxi, combinou com todos que não queria ninguém no aeroporto. Seu grito de liberdade. Uma mulher vivida e sozinha que parte para a viagem sonhada. Muitos beijos, abraços, promessas de telefonemas, Luzia seca as lágrimas e parte.
Horas mais tarde, a bordo do avião, com a cabeça recostada, tentando acomodar-se à nova realidade, suas orelhas ainda queimam. Tavinho, o neto caçula, não pediu nada, nem um brinquedinho, mas encostou sua boquinha melada de menino de três anos bem no ouvido direito da avó e disse assim, em tom pedinte e choroso: - Vó, o bolo de chocolate que você me deu agora tá muito ruim Tudo bem ,eu entendo, você tava com pressa de viajar, não é? Volta logo dessa tal de "Gréchia" e aprende de novo a fazer aquele bolo que eu adoro!
Cida Torneros
este conto faz parte do livro O contra-ataque do amor
terça-feira, 15 de junho de 2010
Textos antigos e inusitados que escrevi...Cida Torneros
Sexo no casamento e dividendos no trimestre
Aparecida Torneros
Leio notícia num jornal que fala sobre a obrigatoriedade do sexo no casamento.
A advogada Regina Beatriz Tavares da Silva, 44 anos, afirma que o cônjuge ou companheiro que se recusa a ter relações sexuais pode ser condenado judicialmente a indenizar o outro.
Ela explica que – “Uma das obrigações matrimoniais é a de os cônjuges manterem contato sexual. O fato de um dos cônjuges se negar a fazê-lo é motivo para um pedido de separação conjugal”.
Questionada sobre o motivo para um pedido de indenização, a resposta não poderia ser mais apropriada para os tempos atuais, de intensa manipulação financeira, onde não se desperdiça nada, nem a gota de amor que escorra pela bica mal fechada.
"- Sem dúvida. O descumprimento de todos os deveres conjugais, uma vez que exista dano, gera ao ofendido o direito de pleitear indenização".
Ora, penso eu, então com meus botões e convido a todos a refletirem junto comigo. Será que passaria pela cabeça dos julgadores de tais processos, questionarem os motivos pelos quais alguém se recusaria a ter relações sexuais com seu parceiro ou parceira de casamento? Poderia se considerar a idade avançada, por exemplo? Ou os impedimentos por ordem de saúde debilitada? Ou ainda o desinteresse gerado por mutações de aparência ou comportamento do companheiro ou companheira, que já não aparentasse aquele ar juvenil e excitante dos primeiros anos de convívio?
Talvez a lei, assim tão fria, ao ser postulada, possa se consolidar como uma nova artimanha para cálculos indenizatórios de esperteza ou golpe. Um casal que supostamente se une por amor, saberá que, quando este se dá por finito, nada mais resta a fazer a não ser enfrentar as agruras burocráticas da separação, com seus envolvimentos de caráter material e emocional, com dores de parte a parte.
Tentar, baseando-se em lei vigente que pode e deve ser discutida pela sociedade civil brasileira, pedir indenização por ter sido preterido na cama do parceiro, pode até levar o postulante de qualquer dos sexos a faturar algum que lhe garanta uma boa soma, mas, com certeza, não preencherá o vazio pelo desejo sexual não satisfeito.
Fica claro que trocamos sentimentos por valores. Quanto vale no mercado o beijo solicitado que alguém deixou de atender? E o abraço que faltou na hora da saudade, quando o parceiro ou parceira dormia pesadamente, sonhando talvez com outro amor?
A que preço seria possível vender um orgasmo que não aconteceu, na noite em que se desejou ser amado por alguém em quem já não despertamos a mesma volúpia de antes?
Por que um dia descobrimos que aquela voz que antes nos fazia tremer o coração, de repente, nos incomoda os ouvidos, e repete frases feitas que perderam a graça? Será que vou ter que pagar por isso? Ou será mais inteligente que me desligue desse relacionamento arrastado?
Absurdamente, me ocorre perguntar também, sobre a seguinte hipótese : quando, apesar dos anos passados juntos, um casal sente o mesmo sentimento intenso de prazer, temendo inclusive o mal olhado dos invejosos, não mereciam este esposo e esposa, então, da sociedade, um prêmio em dinheiro por conseguirem essa proeza matrimonial em tempos de tanto distanciamento e desamor?
Certo é que se legisla sobre o relacionamento porque o casamento é mesmo um contrato social entre partes adultas e responsáveis. Mas, há que se apelar para o bom senso, enquanto pessoas produzem e trabalham para construir relações de afeto e respeito.
O sexo, quando espontâneo, entre homem e mulher, casados ou não, deve ser sinônimo de felicidade.
Infeliz será aquele homem ou aquela mulher, cujo companheiro ou companheira, em dado momento, transforma sua relação, que deixa de ser amorosa para ser comercial.
Ele ou ela pagará uma dívida ou cobrará com juros a má sorte de não ter compreendido o fim do amor. E ainda, de não ter aproveitado a chance para sedimentar uma nova grande amizade depois do casamento, com o seu ex-cônjuge.
Sexo, ambos terão muitas novas chances, e não precisarão pagar por isso, se cultivarem encantos afetivos suficientes para não classificar suas relações amorosas como “plus” que rendem dividendos ao fim de cada trimestre.
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19/10/2005
Novos recados de Moscou
Aparecida Torneros
Vendo o tenente-coronel Marcos César Pontes, ao lado do dirigente russo Putin e do presidente brasileiro Lula anunciando a primeira viagem espacial de um brasileiro, senti-me na obrigação de falar sobre o Tony, Antônio Souza, um brasileiro de pouco mais de 20 anos, que viajou para a Rússia, há menos de uma mês.
Já não é pouco sermos amigos, de uns tempos para cá, com a diferença de idade, que soma exatamente a idade dele, mais 10. Sou carioca e ele, paulista. Sempre morei no Rio e ele em Sampa. Ou seja, tenho mais que o dobro do tempo desse menino no mundo. Podia ter sido sua mãe, ou tia, mas sou sua amiga. Nos conhecemos, por acaso, e a amizade surgiu como roubada do tempo-espaço.
Quando ele passou para a escola de Pirassununga, aos 20, comemoramos visitando o Museu do Ipiranga. Isso mesmo, programa cultural com aquele espécime raro, ávido por história brasileira, falante da língua alemã, rabo de cavalo às vésperas de sumir com o novo corte de cabelos para a escola militar, de onde pretendia sair piloto de caça.
Se fomos beber, depois da incursão pelo acervo da Independência, claro que para ele, naturalmente da geração saúde, só suco e água. A mim, coube a parte contaminada da bebida alcoólica, que ele, risonhamente perdoou, brindando até, pois era o seu futuro que eu queria saudar.
Um elogio me brotou: - Parece incrível que na sua idade, você fale um português tão correto. Eu me orgulho disso, seu vocabulário é extenso, concatenado, diferente da garotada que anda por aí.
Tony se foi para os estudos e eu segui minha vida. Trocamos correspondência aqui e alhures, respeitosamente, como cabe aos amigos fraternos. Continuamos amigos. Há cerca de dois meses, ele me ligou para contar a grande e destemida reviravolta da sua vida.
Inscreveu-se, passou, conseguiu, já organizou tudinho, abandonou a história de piloto, e ia viajar, em setembro, para a Rússia, estudar por quatro anos. Queria se despedir de mim. Vai se dedicar na universidade, em Moscou, ao tema "física aero-espacial". E esperou minha reação, num silêncio emocionado.
Como posso descrever o que senti?
Era o tempo atravessado. Nos anos 70, se um amigo de 23 anos me dissesse que ia pra a União Soviética, eu entenderia perfeitamente. Havia o mito do comunismo forte, havia o sonho do brasileiro perseguido pela repressão de direita. Havia uma esquerda crescente e pródiga.
Mas agora?
O que um jovem dessa idade, brasileiro criado em São Paulo, descendente de alemães, ex-aluno do Humboldt, estudante de Pirassununga, morador do Morumbi, falante de um português escorreito, de corpo trabalhado na malhação, leitor de literatura vasta, cheio de namoradinhas patricinhas, tendo um pitt-bul como grande companheiro, detentor dos olhos mais expressivos que um menino brasileiro culto possa ter, o que, meu Santo Antônio dos Pobres, esse rapaz iria fazer tão longe e num lugar onde o sonho parece ter acabado?
Parabenizei-o pela coragem e desejei felicidades na realização do seu novo sonho. Mandei alguns presentinhos, um livro com poemas de Mayakovsky, pedi que assistisse "Dr. Jivago", e que revisse "Adeus, Lênin", descartei pelo menos 30 anos do meu corpo, e , em homenagem ao Tony, esse "Antônio brasileiro", pude me sentir com a idade de outros tempos.
Solicitei, emocionada, que me escreva, descreva e ressuscite em mim o ideal dos povos sofridos, do eterno terceiro mundo, que têm, na sua mocidade, um grande esteio de sonhos e de futuras conquistas.
Vejo o meu amigo Tony embarcando no sonho dos seus antecessores, os jovens da minha geração, como sendo aquele passageiro que sobrou. Deve estar vibrando por lá com o vôo do Tenente Marcos. Depois eu conto o que ele me contar nos próximos tempos, quando me chegarão, atrasados pelo menos algumas décadas, novos recados de Moscou.
Aparecida Torneros é jornalista
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Metralhados no baile funk
Jovens foram mortos num baile funk, em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, no último fim de semana, em conseqüência dos disparos acidentais de uma metralhodora que um traficante presente ao envento, descuidadamente, deixou cair no chão.
Talvez o baile estivesse mesmo muito animado, como geralmente acontece com essas festas para onde acorrem meninos e meninas como esses que foram barrados no baile do futuro, com idades entre 15 e 16 anos, em plena euforia da juventude que busca divertir-se, que é induzida a movimentar-se em direção a fazer qualquer coisa que lhes preencha o tempo e lhes anestesie os sentidos.
O baile aconteceu na favela de Antares, devia estar lotado, imagine-se o misto de prazer, alegria, loucura sacolejante, de corpos suados em adolescentes de sorrisos repletos de inebriante esperança.
Há também feridos que sobreviveram à fatalidade, além de testemunhas das dramáticas cenas que precederam a célebre frase: acabou a festa! Mas que festa? Será a este tipo de festa, com direito à segurança "insegura" de metralhadoras clandestinas que a nossa juventude das periferias têm direito como única opção de cultura e diversão?
Enquanto, no centro do poder brasileiro, se discute a queda da cobrança da CPMF, ou se especula sobre a novela do presidente do Senado, ou ainda, um Ministro assume a Defesa dos interesses nacionais, camuflando-se em operações militares ou impondo-se como um austero gestor de procedimentos corretivos para que se reponha os aviões nos trilhos, ou melhor, os trens da desordem, nas rotas seguras, vê-se que os "bondes" dos jovens funkeiros parecem mesmo é estar à deriva.
Quem deles cuida nas reuniões extensas que nos gabinetes das autoridades lhes assegure educação de qualidade e acesso ao trabalho legal? Quem deles se apercebe quando se deparam com seus próprios conflitos proprios da idade, mas se espelham em violência continuada para justificar os heróis mais próximos da sua realidade cotidiana,ou para serem cooptados pela marginalidade da droga? Quem deles se apieda em sua oscilação de humor e expectativas, na fuga, na desesperança, na vida curta, no baile da vida, interrompido com rajadas de metralhadoras?
O funk, embora de origem norte-americana, cresceu no Brasil, em paralelo ao final dos anos de chumbo da ditadura agonizante. Na década de 70 surgiram as primeiras equipes de som no Rio de Janeiro, como a Soul Grand Prix e a Furacão 2000, que organizavam bailes dançantes. A partir dos anos 80, o funk no Rio foi influenciado por um novo ritmo da Flórida, o Miami Bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. A partir daí, os bailes começaram a atrair cada vez mais pessoas e foram lançadas músicas em português. As letras retratavam o cotidiano dos freqüentadores: abordavam a violência e a pobreza das favelas.
Na época, o funk começou a falar sobre as drogas, as armas, os comandos, mas artistas desta fase, como Claudinho e Buchecha, evoluíram para outros tipos de tema. Ao mesmo tempo que as músicas abordavam o cotidiano das classes baixas, alguns bailes começaram a ficar mais violentos e ser palco de "brigas de galeras", onde pessoas de dois lugares dividiam a pista em duas e quem ultrapassasse as fronteiras de um dos "lados", era agredido pela outra galera. Houve a pressão da polícia, da imprensa e a criação de uma CPI na Assembléia do Rio de Janeiro em 1999 e 2000. As músicas se tornaram mais dançantes e as letras, mais sensuais. Esta nova fase do ritmo, o new funk, se tornou sucesso em todo o país e conquistou lugares antes dominados por outros ritmos, como o Carnaval baiano.
Obras milionárias custeadas pelo PAC vão intervir em comunidades cariocas como Rocinha, Manguinhos e Alemão, o que levará melhores condições de vida e acesso às políticas públicas nessas localidades, mas, há um número enorme de outras necessitando aporte de recursos e decisão política, nas periferias das grandes cidades brasileiras. O funk tem se firmado como o ritmo mais ouvido e o mais influenciador da juventude carioca. Do morro ao asfalto o funk conseguiu de uma maneira inusitada integrar as classes cariocas, tão grotescamente divididas na geografia da cidade. Ao falar sobre a realidade e atual situação do Rio de Janeiro de maneira irreverente e muitas vezes criminosa, curiosamente o caiu nas graças da massa jovem.
Mas, essa massa jovem, desprotegida e esquecida, ainda não caiu nas graças do poder constituido, ou da educação institucional garantida. A juventude funkeira encontra-se à mercê do descaso mas continuará cantando e dançando ao repetir o refrão: - "Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar".
Aparecida Torneros, RJ, 2006
Aparecida Torneros
Leio notícia num jornal que fala sobre a obrigatoriedade do sexo no casamento.
A advogada Regina Beatriz Tavares da Silva, 44 anos, afirma que o cônjuge ou companheiro que se recusa a ter relações sexuais pode ser condenado judicialmente a indenizar o outro.
Ela explica que – “Uma das obrigações matrimoniais é a de os cônjuges manterem contato sexual. O fato de um dos cônjuges se negar a fazê-lo é motivo para um pedido de separação conjugal”.
Questionada sobre o motivo para um pedido de indenização, a resposta não poderia ser mais apropriada para os tempos atuais, de intensa manipulação financeira, onde não se desperdiça nada, nem a gota de amor que escorra pela bica mal fechada.
"- Sem dúvida. O descumprimento de todos os deveres conjugais, uma vez que exista dano, gera ao ofendido o direito de pleitear indenização".
Ora, penso eu, então com meus botões e convido a todos a refletirem junto comigo. Será que passaria pela cabeça dos julgadores de tais processos, questionarem os motivos pelos quais alguém se recusaria a ter relações sexuais com seu parceiro ou parceira de casamento? Poderia se considerar a idade avançada, por exemplo? Ou os impedimentos por ordem de saúde debilitada? Ou ainda o desinteresse gerado por mutações de aparência ou comportamento do companheiro ou companheira, que já não aparentasse aquele ar juvenil e excitante dos primeiros anos de convívio?
Talvez a lei, assim tão fria, ao ser postulada, possa se consolidar como uma nova artimanha para cálculos indenizatórios de esperteza ou golpe. Um casal que supostamente se une por amor, saberá que, quando este se dá por finito, nada mais resta a fazer a não ser enfrentar as agruras burocráticas da separação, com seus envolvimentos de caráter material e emocional, com dores de parte a parte.
Tentar, baseando-se em lei vigente que pode e deve ser discutida pela sociedade civil brasileira, pedir indenização por ter sido preterido na cama do parceiro, pode até levar o postulante de qualquer dos sexos a faturar algum que lhe garanta uma boa soma, mas, com certeza, não preencherá o vazio pelo desejo sexual não satisfeito.
Fica claro que trocamos sentimentos por valores. Quanto vale no mercado o beijo solicitado que alguém deixou de atender? E o abraço que faltou na hora da saudade, quando o parceiro ou parceira dormia pesadamente, sonhando talvez com outro amor?
A que preço seria possível vender um orgasmo que não aconteceu, na noite em que se desejou ser amado por alguém em quem já não despertamos a mesma volúpia de antes?
Por que um dia descobrimos que aquela voz que antes nos fazia tremer o coração, de repente, nos incomoda os ouvidos, e repete frases feitas que perderam a graça? Será que vou ter que pagar por isso? Ou será mais inteligente que me desligue desse relacionamento arrastado?
Absurdamente, me ocorre perguntar também, sobre a seguinte hipótese : quando, apesar dos anos passados juntos, um casal sente o mesmo sentimento intenso de prazer, temendo inclusive o mal olhado dos invejosos, não mereciam este esposo e esposa, então, da sociedade, um prêmio em dinheiro por conseguirem essa proeza matrimonial em tempos de tanto distanciamento e desamor?
Certo é que se legisla sobre o relacionamento porque o casamento é mesmo um contrato social entre partes adultas e responsáveis. Mas, há que se apelar para o bom senso, enquanto pessoas produzem e trabalham para construir relações de afeto e respeito.
O sexo, quando espontâneo, entre homem e mulher, casados ou não, deve ser sinônimo de felicidade.
Infeliz será aquele homem ou aquela mulher, cujo companheiro ou companheira, em dado momento, transforma sua relação, que deixa de ser amorosa para ser comercial.
Ele ou ela pagará uma dívida ou cobrará com juros a má sorte de não ter compreendido o fim do amor. E ainda, de não ter aproveitado a chance para sedimentar uma nova grande amizade depois do casamento, com o seu ex-cônjuge.
Sexo, ambos terão muitas novas chances, e não precisarão pagar por isso, se cultivarem encantos afetivos suficientes para não classificar suas relações amorosas como “plus” que rendem dividendos ao fim de cada trimestre.
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19/10/2005
Novos recados de Moscou
Aparecida Torneros
Vendo o tenente-coronel Marcos César Pontes, ao lado do dirigente russo Putin e do presidente brasileiro Lula anunciando a primeira viagem espacial de um brasileiro, senti-me na obrigação de falar sobre o Tony, Antônio Souza, um brasileiro de pouco mais de 20 anos, que viajou para a Rússia, há menos de uma mês.
Já não é pouco sermos amigos, de uns tempos para cá, com a diferença de idade, que soma exatamente a idade dele, mais 10. Sou carioca e ele, paulista. Sempre morei no Rio e ele em Sampa. Ou seja, tenho mais que o dobro do tempo desse menino no mundo. Podia ter sido sua mãe, ou tia, mas sou sua amiga. Nos conhecemos, por acaso, e a amizade surgiu como roubada do tempo-espaço.
Quando ele passou para a escola de Pirassununga, aos 20, comemoramos visitando o Museu do Ipiranga. Isso mesmo, programa cultural com aquele espécime raro, ávido por história brasileira, falante da língua alemã, rabo de cavalo às vésperas de sumir com o novo corte de cabelos para a escola militar, de onde pretendia sair piloto de caça.
Se fomos beber, depois da incursão pelo acervo da Independência, claro que para ele, naturalmente da geração saúde, só suco e água. A mim, coube a parte contaminada da bebida alcoólica, que ele, risonhamente perdoou, brindando até, pois era o seu futuro que eu queria saudar.
Um elogio me brotou: - Parece incrível que na sua idade, você fale um português tão correto. Eu me orgulho disso, seu vocabulário é extenso, concatenado, diferente da garotada que anda por aí.
Tony se foi para os estudos e eu segui minha vida. Trocamos correspondência aqui e alhures, respeitosamente, como cabe aos amigos fraternos. Continuamos amigos. Há cerca de dois meses, ele me ligou para contar a grande e destemida reviravolta da sua vida.
Inscreveu-se, passou, conseguiu, já organizou tudinho, abandonou a história de piloto, e ia viajar, em setembro, para a Rússia, estudar por quatro anos. Queria se despedir de mim. Vai se dedicar na universidade, em Moscou, ao tema "física aero-espacial". E esperou minha reação, num silêncio emocionado.
Como posso descrever o que senti?
Era o tempo atravessado. Nos anos 70, se um amigo de 23 anos me dissesse que ia pra a União Soviética, eu entenderia perfeitamente. Havia o mito do comunismo forte, havia o sonho do brasileiro perseguido pela repressão de direita. Havia uma esquerda crescente e pródiga.
Mas agora?
O que um jovem dessa idade, brasileiro criado em São Paulo, descendente de alemães, ex-aluno do Humboldt, estudante de Pirassununga, morador do Morumbi, falante de um português escorreito, de corpo trabalhado na malhação, leitor de literatura vasta, cheio de namoradinhas patricinhas, tendo um pitt-bul como grande companheiro, detentor dos olhos mais expressivos que um menino brasileiro culto possa ter, o que, meu Santo Antônio dos Pobres, esse rapaz iria fazer tão longe e num lugar onde o sonho parece ter acabado?
Parabenizei-o pela coragem e desejei felicidades na realização do seu novo sonho. Mandei alguns presentinhos, um livro com poemas de Mayakovsky, pedi que assistisse "Dr. Jivago", e que revisse "Adeus, Lênin", descartei pelo menos 30 anos do meu corpo, e , em homenagem ao Tony, esse "Antônio brasileiro", pude me sentir com a idade de outros tempos.
Solicitei, emocionada, que me escreva, descreva e ressuscite em mim o ideal dos povos sofridos, do eterno terceiro mundo, que têm, na sua mocidade, um grande esteio de sonhos e de futuras conquistas.
Vejo o meu amigo Tony embarcando no sonho dos seus antecessores, os jovens da minha geração, como sendo aquele passageiro que sobrou. Deve estar vibrando por lá com o vôo do Tenente Marcos. Depois eu conto o que ele me contar nos próximos tempos, quando me chegarão, atrasados pelo menos algumas décadas, novos recados de Moscou.
Aparecida Torneros é jornalista
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Metralhados no baile funk
Jovens foram mortos num baile funk, em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, no último fim de semana, em conseqüência dos disparos acidentais de uma metralhodora que um traficante presente ao envento, descuidadamente, deixou cair no chão.
Talvez o baile estivesse mesmo muito animado, como geralmente acontece com essas festas para onde acorrem meninos e meninas como esses que foram barrados no baile do futuro, com idades entre 15 e 16 anos, em plena euforia da juventude que busca divertir-se, que é induzida a movimentar-se em direção a fazer qualquer coisa que lhes preencha o tempo e lhes anestesie os sentidos.
O baile aconteceu na favela de Antares, devia estar lotado, imagine-se o misto de prazer, alegria, loucura sacolejante, de corpos suados em adolescentes de sorrisos repletos de inebriante esperança.
Há também feridos que sobreviveram à fatalidade, além de testemunhas das dramáticas cenas que precederam a célebre frase: acabou a festa! Mas que festa? Será a este tipo de festa, com direito à segurança "insegura" de metralhadoras clandestinas que a nossa juventude das periferias têm direito como única opção de cultura e diversão?
Enquanto, no centro do poder brasileiro, se discute a queda da cobrança da CPMF, ou se especula sobre a novela do presidente do Senado, ou ainda, um Ministro assume a Defesa dos interesses nacionais, camuflando-se em operações militares ou impondo-se como um austero gestor de procedimentos corretivos para que se reponha os aviões nos trilhos, ou melhor, os trens da desordem, nas rotas seguras, vê-se que os "bondes" dos jovens funkeiros parecem mesmo é estar à deriva.
Quem deles cuida nas reuniões extensas que nos gabinetes das autoridades lhes assegure educação de qualidade e acesso ao trabalho legal? Quem deles se apercebe quando se deparam com seus próprios conflitos proprios da idade, mas se espelham em violência continuada para justificar os heróis mais próximos da sua realidade cotidiana,ou para serem cooptados pela marginalidade da droga? Quem deles se apieda em sua oscilação de humor e expectativas, na fuga, na desesperança, na vida curta, no baile da vida, interrompido com rajadas de metralhadoras?
O funk, embora de origem norte-americana, cresceu no Brasil, em paralelo ao final dos anos de chumbo da ditadura agonizante. Na década de 70 surgiram as primeiras equipes de som no Rio de Janeiro, como a Soul Grand Prix e a Furacão 2000, que organizavam bailes dançantes. A partir dos anos 80, o funk no Rio foi influenciado por um novo ritmo da Flórida, o Miami Bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. A partir daí, os bailes começaram a atrair cada vez mais pessoas e foram lançadas músicas em português. As letras retratavam o cotidiano dos freqüentadores: abordavam a violência e a pobreza das favelas.
Na época, o funk começou a falar sobre as drogas, as armas, os comandos, mas artistas desta fase, como Claudinho e Buchecha, evoluíram para outros tipos de tema. Ao mesmo tempo que as músicas abordavam o cotidiano das classes baixas, alguns bailes começaram a ficar mais violentos e ser palco de "brigas de galeras", onde pessoas de dois lugares dividiam a pista em duas e quem ultrapassasse as fronteiras de um dos "lados", era agredido pela outra galera. Houve a pressão da polícia, da imprensa e a criação de uma CPI na Assembléia do Rio de Janeiro em 1999 e 2000. As músicas se tornaram mais dançantes e as letras, mais sensuais. Esta nova fase do ritmo, o new funk, se tornou sucesso em todo o país e conquistou lugares antes dominados por outros ritmos, como o Carnaval baiano.
Obras milionárias custeadas pelo PAC vão intervir em comunidades cariocas como Rocinha, Manguinhos e Alemão, o que levará melhores condições de vida e acesso às políticas públicas nessas localidades, mas, há um número enorme de outras necessitando aporte de recursos e decisão política, nas periferias das grandes cidades brasileiras. O funk tem se firmado como o ritmo mais ouvido e o mais influenciador da juventude carioca. Do morro ao asfalto o funk conseguiu de uma maneira inusitada integrar as classes cariocas, tão grotescamente divididas na geografia da cidade. Ao falar sobre a realidade e atual situação do Rio de Janeiro de maneira irreverente e muitas vezes criminosa, curiosamente o caiu nas graças da massa jovem.
Mas, essa massa jovem, desprotegida e esquecida, ainda não caiu nas graças do poder constituido, ou da educação institucional garantida. A juventude funkeira encontra-se à mercê do descaso mas continuará cantando e dançando ao repetir o refrão: - "Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar".
Aparecida Torneros, RJ, 2006
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Tony Bennett - stranger in paradise
Letra:Take my hand,
I'm a stranger in paradise
All lost in a wonderland
A stranger in paradise
If I stand starry-eyed
That's a danger in paradise
For mortals who stand beside
An angel like you
I saw your face
And I ascended
Out of the common place
Into the rare
Somewhere in space
I hang suspended
Until I know
There's a chance that you care
Won't you answer this fervent prayer
Of a stranger in Paradise
Don't send me in dark despair
From all that I hunger for
But open your angel's arms
To this stranger in paradise
And tell him that he need be
A stranger no more
Take my hand,
Pegue minha mão,
I'm a stranger in paradise
eu sou um estranho no paraíso
All lost in a wonderland
tudo perdido em um país das maravilhas
A stranger in paradise
Um estranho no paraíso
If I stand starry-eyed
Se eu ficar deslumbrado
That's a danger in paradise
isso é um perigo no paraíso
For mortals who stand beside
Para os mortais que estão ao lado
An angel like you
um anjo como tu
I saw your face
Eu vi seu rosto
And I ascended
e eu subia
Out of the common place
Fora do lugar comum
Into the rare Into the rara
Somewhere in space
Em algum lugar no espaço
I hang suspended
eu penduro suspenso
Until I know
Até que eu sei
There's a chance that you care
Há uma chance que você se importa
Won't you answer this fervent prayer
Você não vai responder a esta oração fervorosa
Of a stranger in Paradise
de um estranho no paraíso
Don't send me in dark despair
Não me mande em desespero escuro
From all that I hunger for
De tudo o que eu tenho fome de
But open your angel's arms
Mas abrir os braços do seu anjo
To this stranger in paradise
Para esse estranho no paraíso
And tell him that he need be
E dizer-lhe que ele precisa ser
A stranger no more
Um estranho não mais
A Stranger in Paradise" is a popular song from the 1953 musical Kismet and is credited to Robert Wright and George Forrest. Like all the music in that show, the melody was based on music composed by Alexander Borodin, in this case, the "Gliding Dance of the Maidens," from the Polovetsian Dances.
Richard Kiley and Doretta Morrow (Man of La Mancha and The King and I) performed the song in the original cast of Kismet. Vic Damone and Ann Blyth performed the song in the 1955 film.
The most popular version was sung by Tony Bennett, but other versions by The Four Aces and Tony Martin also received popular favor in 1954. Bennett's version reached number one in the UK Singles Chart in May 1955. It was not until 1955 that Kismet, and thus the songs from the show, came to London. It was Bennett's debut hit record in the United Kingdom.
Keely Smith, Ray Conniff, Wes Montgomery, George Shearing, Curtis Counce, Isaac Hayes, Sun Ra, The Supremes (for their album I Hear A Symphony), Sarah Brightman, and Saint Etienne have also recorded cover versions of this standard.
The song was also featured in the video game Jikkyō Oshaberi Parodius for the PlayStation. Not only did it appear as background music in Parodius, it was also featured in Ape Escape 3 on the Saru-Mon's (Immobile) Castle stage.
In the 1999 film, Breakfast of Champions, based on the book of the same name by Kurt Vonnegut, Jr., the song is used as a recurring motif.
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