Maracanã

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terça-feira, 5 de maio de 2009

Salada a la Noam Chomsky, na minha vida, de novo...



Noam Chomsky, de como ele entrou e faz parte da minha vida, hoje...de novo...

Deparo-me com uma nova entrevista do velho professor de Linguística do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, Noam Chomsky, um homem polêmico por si só, estudioso e corajoso, capaz de questionar a sede imperialista da ideologia do capitalismo norte-americano, sua postura acadêmica ultrapassou o campus universitário e, há muito, que permeia os cérebros conscientes do grande, imenso e incompreensível fosso que separa povos, nações, raças, línguas e corações humanos, em nome de um poder que explode em guerras com objetivos difusos ou com mortes baseadas em razões espúreas.

No final dos anos 70, no curso de mestrado em Comunicação, da UFRJ, eu vivia com os livros do Chomsky a me indagar sobre os seus conceitos de competência e desempenho linguístico, me embrenhando no seu teor político-sociológico de ter incitado seus alunos universitários americanos a não atender a convocação para a guerra do Vietnam. Polêmico, antenado, plugado, suas conferências e o tempo passado na prisão, legaram-nos o homem maduro que fala sobre a América Latina, com a lucidez de um dos maiores pensadores do mundo ocidental contemporâneo. Mas ele virou uma " espécie de guru do movimento anticapitalista no mundo de hoje -assim podemos caracterizar Noam Chomsky. Esse acadêmico, professor de lingüística e filosofia no Massachusetts Institute of Technology (MIT), é também um ativista político incansável em suas manifestações contra o capitalismo americano", dados presentes na sua biografia.

A família de Chomsky era de imigrantes russos. O pai, William Chomsky, foi notável estudioso da língua hebraica. Em 1945, Noam Chomsky iniciou estudos de lingüística e de filosofia na Universidade da Pensilvânia. Em 1949, casou-se com a lingüista Carol Schatz, com quem teria dois filhos. No início dos anos 1950, graças a uma bolsa de estudos, Chomsky realizou pesquisas na Harvard University. Em 1955, concluiu o doutorado na Universidade da Pensilvânia. Dois anos depois, publicou "Estruturas Sintáticas". Nele, Chomsky criou o modelo da gramática generativa, que revolucionou os estudos da linguagem.

Desde 1955, Chomsky é professor e pesquisador do MIT, onde obteve a cátedra de línguas modernas e lingüística, com atividade acadêmica e científica intensa e ininterrupta. Publicou diversos ensaios e estudos teóricos, como "Reflexões sobre a Linguagem", "Linguagem e Mente" e "A Gramática Generativa". Paralelamente à pesquisa filosófica e lingüística, tornou-se ativista político de grande popularidade não só nos EUA, mas também na Europa e no Terceiro Mundo.

A partir de 1964, começou a lutar contra o envolvimento norte-americano na Guerra do Vietnã. Em 1969, publicou "American Power and the New Mandarins", que alcançou grande repercussão. Chomsky passou a dar palestras e divulgar suas idéias políticas a platéias cada vez mais numerosas. Conquistou tanto seguidores, muitos deles no campo da mídia, quanto detratores, que consideram sua visão de mundo simplória.

Em 1978, publicou "Human Rights and Foreign Policy", outra obra de grande popularidade. Atacando a política externa norte-americana, Chomsky tornou-se uma referência nos meios políticos de esquerda. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, as intervenções de Chomsky viram-se ainda mais valorizadas, com a questão do terrorismo e do intervencionismo na ordem do dia.

Em recente entrevista ele nos disse: “A comunidade académica não mudou muito. O que mudou foi a opinião pública. Por exemplo, em relação à guerra do Vietname, as opiniões dos sectores mais instruídos da população e do público em geral divergiam totalmente. A posição mais crítica desses sectores com elevado grau de instrução, por exemplo, em Harvard, é que a guerra foi um erro desastroso que começou a partir de boas intenções. O público em geral não concorda. Pesquisas de opinião feitas entre 1970 e 1990 indicam que cerca de 70% creditam que a guerra não foi um erro, mas uma decisão fundamentalmente errada”.

Isso vale também para superposições e reflexões sobre a tal e famosa formação da opinião pública induzida pela linguagem dos podres poderes, dos detentores dos grandes conglomerados midiáticos, fenômeno surgido no século XX , que amplia as diferenças de oportunidades entre os humanos na terra.

Claro que ele continua a fazer parte da minha vida, toda vez que adentro uma livraria e busco um novo livro seu, ou me hiberno em leitura de textos e entrevistas suas sobretudo , quando me revejo com 20 anos e me sinto tão impotente diante dos sonhos que não se concretizaram de ver uma humanidade melhorada e justa.

Pincei esta resposta dele, sobre o Brasil, durante um Fórum Social Mundial:
- Diante desse panorama, que deveria um país como o Brasil fazer?
O Brasil é um país grande, tem muitas opções. A primeira coisa que o Brasil tem de fazer é controlar os seus ricos. Uma das diferenças entre os países em desenvolvimento do Leste asiático e os países da América Latina, é que qualquer estrato das classes ricas está bastante sob controle. O Estado é forte o suficiente não só para controlar o trabalho, mas também o capital. Assim você não tem o capital voando para Formosa ou para a Coreia do Sul. Na verdade, o Japão nem mesmo permitiu a fuga de capitais até que sua economia estivesse bem forte. Na América Latina, existe uma fuga de capitais imensa, que chega perto do volume da dívida externa. Grande parte dessa dívida poderia ser paga com esse fluxo de capitais. Outra coisa que não há no Leste asiático e que há na América Latina é um enorme défice comercial de importações de produtos supérfluos. Na América Latina há uma enorme importação de supérfluos por causa da profunda divisão das sociedades e os ricos importam produtos como Mercedes Benz. No Leste asiático isto não acontece. Lá existe uma sociedade muito mais igualitária, onde as importações são controladas com muito mais cuidado para suprir as necessidades dos países. Só esses dois factos já fazem uma grande diferença. Significa que os asiáticos não têm uma dívida nem um défice avassaladores. E há outras coisas. Como outros países, eles protegeram seus mercados, mas o fizeram com eficiência. O fizeram de forma a criar a base para a promoção das exportações. A América Latina é muito mais aberta aos mercados internacionais e muitos dos problemas são consequência desse facto. Por razões históricas e outras, o Leste Asiático não é. Esses são países, sobretudo Coreia do Sul e Formosa, que foram colónias japonesas. Os japoneses tratavam suas colónias de forma muito diferente da Europa. Eles eram brutais, mas desenvolviam suas economias. Então, essas colónias se desenvolveram tão rapidamente quanto o Japão, ou até mais rápido. O que certamente não é verdadeiro em relação aos EUA com as Filipinas, ou a Grã-Bretanha com a Índia, ou a Holanda com a Indonésia. Eles arruinaram suas economias. O Haiti era um dos países mais ricos do mundo antes dos europeus chegarem lá. O Japão desenvolveu suas colónias e criou bases para o desenvolvimento social. É claro que há todo tipo de diferenças específicas, mas elas mostram que tipo de coisas países ricos como o Brasil podem fazer."

Observo então, em atitude respeitosa e ao mesmo tempo, de ardorosa admiradora, enquanto reflito sobre suas palavras, que o mundo é mesmo uma salada chomskyana.

De tudo o que leio e releio, vou sintetizando, como sempre acontece, o que se liga ao tal "repertório", que estudamos tantas vezes, em Teoria da Comunicação. E me deixo enlevar por um final não tão feliz, porém bastante instigante, quando ele define, com propriedade, a diferença sutil entre o movimento anarquista e o pensamento libertário:

Ouçamos o Mestre:
" O pensamento libertário, vai muito bem. Ele é a fonte de muitos progressos reais. Formas de opressão e injustiça que mal eram reconhecidas, e muito menos combatidas, não são hoje mais admitidas. É uma conquista, um avanço para o conjunto dos seres humanos, não uma derrota."

Talvez seja por isso que ao voltar no tempo, pelo menos 30 anos, ainda vibro com a salada a la Noam Chomsky e devo sair por aí, protestando, mesmo que , solitariamente, através de pequenas e poucas palavras, em artigo que talvez nem interesse a tanta gente, mas que me lava a alma que ainda clama por justiça num mundo tão desigual.
Aparecida Torneros
Jornalista - Rio de Janeiro -


CARTEL DE LA FERIA DEL LIBRO EN MADRID

"Tínhamos medo da sombra" ( meu depoimento no site do Zé Dirceu)




01/04/2008 16:36
Depoimento de Aparecida Torneros

Por Cida Torneros
"Tínhamos medo da sombra"


"Eu tinha meus 17 anos. Estava no Colégio Pedro II, no centro do Rio, quando começou o alvoroço. As aulas paralizaram e fomos todos em direção ao Calabouço. Indignação e protesto. O corpo do Edson Luís sendo carregado pelos estudantes em fúria em consequência de um momento triste da história do Brasil.

Eram os anos de chumbo. Tínhamos medo da sombra. Havia perseguição por toda a parte e nos protegíamos dos dedos-duros, figuras estranhas, estudantes fictícios infiltrados para espionar nossas atividades. Lembro bem do quanto nos assustavam os militares. E lembro muito mais de como éramos uma juventude sedenta de justiça e de construir um país melhor, justo, organizado e alfabetizado.

O Edson foi um mártir que virou símbolo. Depois dele, muitos outros vieram. Os que têm seus nomes nos livros da nossa história contada por quem sobreviveu, se exilou e voltou. Há, também, os que se foram no anonimato, ou se perderam com suas mentes embaralhadas, se exilaram dentro de si mesmos, na loucura que é não reencontrar-se como ser humano digno de ser respeitado por poderes alienantes, governos castradores, esquemas capitalistas cuja selvageria viria a fabricar novas gerações de brasileiros consumistas, ou de seres automatizados pelo modelo propagandista de um mundo egoisticamente depredador do planeta.

Sua emoção é minha e de toda uma geração. Infelizmente, não concordo com você, no todo, mas em parte. Há um Brasil renascido, em termos. Não posso considerar que o tal Brasil que você julga democrático e livre seja um fato real na sua totalidade. Penso que há um povo ainda vivendo muito aquém da lucidez sonhada por nós, naqueles tempos.

Houve mudanças, sim. Mas ainda são muito pequenas, um arremedo de um caminho longo a ser percorrido. Serão arremedo enquanto houver tanta disparidade social, tanta violência, tanta epidemia sem controle, tanta ignorância de conteúdo científico por parte da maioria da população, tanta doença provocada por vírus ou bactérias produzidos pelas más condições de vida das comunidades, e ainda,um contigente imenso de jovens fora do mercado moderno de trabalho por falta de base escolar para exercer cargos técnicos que exigem aperfeiçoamento e bom nível cultural.

Somos mesmo um país de muitos Edsons que sonham em vir para as capitais e tentar ser alguém na vida. Não é dado, por enquanto, por mais que os números impressionem, o caminho das pedras seguro para a maioria dos meninos e meninas que habitam os longínquos rincões do território nacional, para que se fixem em suas localidades e ali se sintam recompensados, não só em alimentação e saúde, mas em estudos, tecnologia, segurança e esperança de futuro concretamente promissor.

De qualquer modo, o Brasil caminha e é múltiplo. Somos muitos Brasis com diferenças estapafúrdias, elites vivendo sonhos das arábias e a massa que se contenta com programas importantes mas que não chegam a representar nem um décimo de tudo o que nossa geração imaginou para este Brasilzão.

De qualquer modo, estamos seguindo em frente, e sua nota expressa, com sinceridade, o testemunho de um brasileiro consciente. De um personagem que viveu, como eu, aquela época, e que está vivo para reavaliar todos os dias, avanços e retrocessos, conquistas e dificuldades. Sem no entanto esmorecer. Permanecendo em guarda, na luta, no embate, na briga boa que é trabalhar por uma nação não só mais justa, como também, mais brasileira e consciente do seu papel no universo dos países emergentes".

Aparecida Torneros é jornalista e trabalha na Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP).

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...



Zé Ramalho

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Categoria: Notícias e política
Pra Não Dizer Que Nao Falei Das Flores
geraldo vandré zé ramalho manifestaçao

Geraldo Vandré - Pra não dizer que não falei das flores



Geraldo Pedrosa de Araújo Dias nasceu em João Pessoa PB em 12 de Setembro de 1935. Apresentou-se num programa de calouros na Rádio Tabajara de João Pessoa quando tinha 14 anos. Em Nazaré da Mata, onde cursava o ginásio em internato, participou de alguns shows organizados para as missões. Foi para o Rio de Janeiro RJ em 1951, e nesse mesmo ano se apresentou no programa de calouros de César de Alencar, no qual foi desclassificado. Aproximou-se então de Ed Lincoln, que nessa época tocava com Luís Eça, na boate do Hotel Plaza, tentando cantar nos intervalos das apresentações. Em 1955, com o pseudônimo de Carlos Dias, defendeu a canção Menina (Carlos Lyra) num concurso musical promovido pela TV-Rio. Mais tarde, o encontro com o folclorista Valdemar Henrique abriu-lhe a oportunidade de se apresentar no programa da Rádio Roquete Pinto, usando o nome Vandré, que resultou da abreviatura do nome do pai, José Vandregisilo. Cursou a Faculdade de Direito, do Rio de Janeiro, época em que participou do Centro Popular de Cultura, da extinta União Nacional dos Estudantes, onde conheceu seu primeiro parceiro, Carlos Lyra.

Poetas andaluces ( Rafael Alberti)



Poema de Rafael Alberti. Recita el poeta; canta Jarcha

Donde los hombres?

Amigos
a mi, esta canción siempre me encantó demasiado...
para mi generación, cuando, me acuerdo, tuvimos que aceptar la injusticia del mundo, las dolores de los que lucharam por la libertad... fue esta interpretación tan sensilla del grupo Aguaviva que me dió fuerza, en aquelles años...
ahora, puedo sentir mejor y con cierta nostalgia lo que fueron los tiempos de mi juventud que tenía sueños... y lo que ha sido la juventud de Lorca y tantos otros muertos por el gobierno franquista.
acá , en Brasil, tuvimos la dictadura militar, en la America Latina, hubo mucho sentimiento de pueblos que no tenian derechos para vivir su vida y havia un movimiento para cambiar las cosas...y volver a la democracia...
estamos en el siglo veinte y uno...havemos conseguido algunas buenas victorias pero hay mucho aún para hacer y luchar!
adelante, poetas!
adelante, hombres y mujeres que tienem corazón y razón, viva la justicia!
por actos y palabras havemos de marchar rumbo a un mundo mejor para nuestros hijos y nietos!
oigan...es mui lindo...
besos
Maria Aparecida Torneros

MOVIMENTO SAIA ÀS RUAS


Mobilização dia 6 de Maio às 19hrs em frente ao STF!

Quem somos nós ( o Movimento começa em Brasília)
MOVIMENTO SAIA ÀS RUAS

Mobilização apartidária que reúne cidadãos e cidadãs de todas as classes sociais, raças, religiões, ideologias, idades e condições sociais. Todos unidos por um país mais justo. Por uma nova luz no judiciário. Nossas ações são radicalmente pacíficas. Porém ativas e com determinação total e contínua no alcance de nossos objetivos. Nossa primeira manifestação foi em 24 de abril, com 10 estudantes e ex-estudantes da UnB. O chamado "ato dos 10" -- dois dias após o bate-boca entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Para manter nosso caráter apartidário e plural, a coordenação do movimento solicita que todos os partidos políticos ou organizações religiosas entrem em contato conosco para saber como colaborar. Todos são bem vindos desde que dentro do espírito de participação ampla, apartidária e diversificada. Crie células de mobilização na sua cidade, no seu estado, em todo o País!!! Contato: (61)8161-9700

QUE BONITA QUE ES MI NIÑA...

QUE VIVA ESPAÑA!



Durante alguns anos, entre 1983 e 1994, editei o Jornal de España, uma publicação mensal dirigida à colônia espanhola residente no Brasil. Esta música, eu a dancei em muitas festas dos clubes espanhóis espalhados em tantas cidades como Rio, Sao Paulo, Niterói, Teresópolis, Juiz de Fora, entre outras.

A alegria do povo imigrante espanhol sempre me contagiou e inspirou meu trabalho, do qual tenho gratas recordações, de um período em que incorporei e consolidei mais ainda o amor por aquele país que agora terei, finalmente , a oportunidade de pisar e conhecer.

Que viva España!
Aparecida Torneros

TEÑO MORRIÑA... DE GALICIA, MIA TERRA MAE

segunda-feira, 4 de maio de 2009

UN CANTO A GALICIA - TERRA DA MINHA AVÓ, MÃE DO MEU PAI



NO DIA 11 DE MAIO DE 2009, ESTAREI PERCORRENDO A VIAGEM DE VOLTA À TERRA QUE MINHA AVÓ CARMEN DOVAL TORNEROS DEIXOU, EM 1910 , QUANDO EMIGROU PARA O BRASIL E NUNCA MAIS LÁ PODE VOLTAR.
CASOU-SE COM O PORTUGUÊS ANTONIO SILVA, TIVERAM 8 FILHOS.
ULYSSES, MEU PAI, O MAIS VELHO. UMA FAMÍLIA BEM ESTRUTURADA, COM OS FILHOS GERSON, PEDRO, PAULO, OVIDIO, HELIO, VERA E MARIA.
FUI A PRIMEIRA NETA, E COM ELA APRENDI TUDO SOBRE A SUA SAUDOSA E AMADA GALICIA.
CRESCI OUVINDO-A DECLAMAR POESIA EM GALLEGO.
SAIO DO RIO DE JANEIRO DIRETO A MADRI E DE LÁ PEGO IMEDIATAMENTE UMA CONEXÃO PARA VIGO.
VOU COM DUAS AMIGAS E A FILHA DE UMA DELAS, QUE TAMBÉM SÃO DESCENDENTES DE GALLEGOS.
ESTAREMOS POR 3 DIAS NA GALICIA E PRETENDEMOS IR A ORENSE E SANTIAGO DE COMPOSTELA.
SABEMOS QUE A GALICIA QUE NOS ESPERA NÃO É MAIS AQUELA QUE NOSSOS ANCESTRAIS TIVERAM QUE ABANDONAR, QUANDO VIVERAM DIAS DIFÍCEIS, POBREZA E FALTA DE TRABALHO.
O BRASIL OS ACOLHEU E NÓS, SEUS DESCEDENTES, QUEREMOS CONHECER NOSSO LUGAR DE ORIGEM, DE ONDE PARTIRAM TRAZENDO SONHOS E PARA CONSTRUIR NOVAS VIDAS.
SERÁ O PONTO DE PARTIDA PARA NOSSA PRIMEIRA VIAGEM À EUROPA.
DE LÁ, SEGUIREMOS PARA PORTUGAL E DEPOIS PARA A ESPANHA.
POR ÚLTIMO, PASSAREMOS UNS DIAS EM PARIS, E TEREMOS COMPLETADO FÉRIAS MERECIDAS DE 20DIAS, QUANDO PRETENDEMOS ABSORVER UM POUCO DA SUA IMENSA CULTURA E COSTUMES, ALÉM DE NOS RECONHECERMOS NAS HISTÓRIAS DA NOSSA ANCESTRALIDADE E DA NOSSA EMOÇÃO.
APARECIDA TORNEROS

Cuando me enamoro...




Namorando o Amor
Através de você, me apaixonei pelo Amor
• Descobri que a flor, a lua, o céu e a paz só acontecem porque
• Sinto seu perfume, olhos seus olhos, me aconchego muito mais no seu peito seu calor
• E me enamoro
• Me completo
• Me dou o direito de sonhar
• Fazer castelos
• Pisar solo secreto
• Me enebriar na sua energia
• Você no dia dos namorados é toda a minha intensa alegria
• Quero trocar abraços apertados, beijos calorosos, olhares intensos
• Quero mostrar que no Amor tudo pode tudo vale
• Porque seus caminhos imensos conduzem à grande realização
• Estar junto é sublime
• Ficar com você é incrível
• Namorar é puro tesão ou é ternura infinita
• Meu bem me enamorei de você, do amor, da emoção

• Acho que só queria dizer obrigada por ter me levado nessa doce aventura que embarquei

• Ao seu lado ficarei um bocado até que tudo do Amor nós vivamos
• Hoje vale pra sempre
• Nos amamos
• E isso é o que importa, meu ser amado

Cida Torneros 1999

Amapola Andrea Bocelli



esta interpretação de Amapola por Andrea Bocelli é simplesmente divina...
não há como não nos arrepiarmos, coisa dos céus..mesmooooooo
maravilhosooooooooo, emocionanteeeeeeeeeeee
Cida Torneros

Amapola

Carlos Gardel : El dia que me quieras

Soneto do poeta Theo Drummond, pra minzinha...


Para Maria Aparecida Torneros (Cida) jornalista, poeta, escritora da melhor estirpe, com o beijo agradecido do seu sempre amigo e admirador.

CONSTATAÇÃO
Théo Drummond

É hora dos sonhares e delirios.
É o tempo da loucura sem receios.
Momento de colher todos os lírios.
O minuto final dos devaneios.

Delirios que nos chegam como anseios.
Loucura que nos leva a acender círios.
Colheita da água límpida dos veios.
Tempo final de todos os martirios.

Chorar lágrima seca e dolorida.
Saber que o tempo é todo um desatino.
Sentir o nosso chão sempre em declive.
.
Não saber que fazer da minha vida.
Carregar como um peso o meu destino.
Nunca esquecer daquilo que não tive.

jan/-06

CONSTATAÇÃO - por Théo Drummond Exibido 24 vezes


Comentários

Veronica de Nazareth noica@brturbo.com
Théo, que lindo! E ainda pensavas nos privar de toda essa tua inspiração??? Estou feliz que estejas aqui conosco, novamente. Grande beijo, querido amigo.

A hora do Sim...

Noivas de maio


Noivas de maio

As noivas são como pérolas cultivadas, com esmero e desvelo
Lá vem elas adentrando nas naves, acompanhadas por seus pais,
ou mentores, ou preceptores, ou guardadores, ou vem sozinhas,
mas levitam em direção aos seus amores ou seus penhores,
empenham suas vidas e corações nas vidas e corações dos pares,
sonham porque as culturas fazem sonhar e elas bailam nos ares...

Deixai que as noivas voem e sonhem, porque é seu momento especial
elas enfeitam o futuro, prometem felicidade, dizem sim, nos emocionam...
Noivas há que sorriem com a alma, outras enlevam e nos apaixonam...
Noivas meninas e noivas senhoras, nos cartórios ou igrejas, é igual,
são flores que desabrocham em cores para nos ofertar seus perfumes...

Nem tentai sentir delas ciúmes, já escolheram a quem amar dali para frente,
até quando for possível, e é possível até que seja para sempre, por agora,
nada as aflige, precisam só serem felizes, como nós todos desejamos,
irão singrar mares de calmaria e tempestade, alternando tempo afora
suas esperanças e decepções, por isso, olhai cada uma com afeto crescente,
elas são como borboletas voando à nossa volta, nos revivem tudo que amamos...

Noivas belas, noivas luminosas, pobres ou ricas, tem os olhos da perpetuação
dos sentimentos da espécie que se atreve a crer que o amor é eterno e terno,
que a paixão é solidária ao vento, que os astros conspiram por novos ninhos
e lá se vão, a desafiar o enredo do processo familiar em construção...

Observai seus gestos, suas expressões faciais, seus movimentos de carinhos,
nada que venha delas será desperdiçado, seu dia feliz, o céu dos caminhos,
que nos invadam os corações, as ilusões, nos incitem sussurrar uma oração,
orai por elas, vós todos, que podeis unir energias para as noivas de maio,
as do ano inteiro, do passado, do presente, do futuro, dos contos de fada,
oferecei-lhes uma chuva de bênçãos, votos, luz, paz na longa estrada...

Que sejam todas realizadas e firmes, mulheres destinadas a somar o mundo
com sua aura de glória, como bonecas de porcelana, magas do amor profundo...
Cida Torneros

Nélida Piñon, discurso: A pátria do verbo


A pátria do verbo

Os homens transitam pela esperança na condição de filhos da treva e da luz. Sabendo , de antemão , que os atos inaugurais consolidam-se primeiro no plano das utopias, para onde convergem versões múltiplas e dispersas da trajetória humana.

Afinadas com tal princípio, as vozes, que nos chegam hoje do passado, arregimentam como outrora os valores do seu tempo, proclamam aos contemporâneos e sucessores a certeza da permanência da arte, do livre curso do pensamento.

Avançando pelas frestas dos anos, elas instalam-se entre nós esta noite, como se legitimassem, outra vez mais, o sonho que inventaram naquela noite de inverno de 1897, quando, inaugurando a Academia Brasileira de Letras, deram início a uma fascinante jornadas do espírito brasileiro.

Não faz falta saber o que diriam estas vozes, pungentes e crédulas, caso estivessem entre nós. Seus timbres discretos, cosmopolitas, rascantes às vezes, teatralizariam a solenidade que transcorreu no antigo Pedagogium, da rua do Passeio, quando escandiram as palavras que afinal puseram em marcha os anseios civilizatórios sonhados por muitas gerações antes deles. Ansiosos por anunciar que a sorte da nova comunidade intelectual selava-se em meio às incertezas, à escassez de recursos. Balizada pelo esforço de limar a realidade adversa que então aflorava no Brasil do final do século XIX.

Aqueles homens cumpriam, comedidos, os rituais humanos. Frente à arte do cotidiano, resguardavam sentimentos. Não há registro da natureza do óleo da fé que lhes banhou a alma. Mas, seres de uma pátria frugal, acanhada ante os olhos estrangeiros, opunham-se firmemente ao realismo corriqueiro, desintegrador das utopias. Inclinados a inventar o mundo como forma de celebrar a realidade.

A intervenção dos anos, contudo, não nos isolam deles. Aquelas palavras, sábias e prudentes, ajustam-se às urgências do nosso tempo. Mas serão de Machado de Assis, de Joaquim Nabuco, de Lúcio de Mendonça, entre tantos, as vozes a confirmarem que a despeito da instituição nascer sob a égide provisória do nomadismo, a visão que guardavam da cultura seria pluralista, teriam a língua como alicerce da unidade da pátria?

Passados agora cem anos, é forçoso proclamar que as quimeras e as ilusões, originárias deste inquietante discurso da arte, nunca se afastaram de sua matriz singular. Mais que nunca, na origem e no destino, enlaçam-se com o Brasil, graças ao pacto que nos força a auscultar o coração da espécie brasileira, representada por todos nós.

A tecer, à sombra da conjuração dos dias, a longa narrativa que, a despeito da erosão dos anos, subjuga-se ao cinzel da memória. Esta memória que considera os instantes imperceptíveis, as variantes múltiplas, os episódios que dizem respeito aos brasileiros, em geral, e aos ilustres 252 acadêmicos, em particular, que passaram por esta instituição. Uma vez que uma cultura, como a nossa, refina-se quando o cotidiano a persegue com o fardo excedente do seu legado, quando a fruição do real marcha em compasso com o humanismo.

Esta Casa buscou sempre o cálice da tradição. Uma tradição consubstanciada no saber acumulativo, no denodo em recolher aquela matéria negligenciada, posta à margem, após a passagem dos movimentos revolucionários, dos avanços estéticos. Fragmentos filtrados e aprovados pelo tempo, e que, vistos de longe, formam um mosaico a sinalizar os contornos de um país, de uma instituição.

Uma tradição apta a modernizar o presente. A impedir que o germinar do novo enseja a demolição do repertório ancestral, que tanto nos explica. Disposta a promover a fusão do que é herança com o que emerge das correntes contraditórias, lendárias, rebeldes. A preencher as lacunas da memória, a fortalecer a erupção das idéias, que tiveram nascedouro nesta Casa.

Sob o estímulo desta tradição, a Academia Brasileira de Letras sempre se rendeu às turbulências da arte, às tentações do pensamento, à insubordinação criadora. Instaurou em seu cotidiano o ritual da cerimônia, quis conciliar o que emana do sagrado e do profano, amenizar as discrepâncias, rejeitar os expurgos arbitrários, tornar o convívio fonte de concórdia.

Uma tradição que nos ensinou a conviver com os impasses da história, a resistir aos tormentos da modernidade fátua. A ousar falar do futuro. Obstinada em realçar que a glória da instituição, repousando em tantas vitórias individuais, favorece o fervor coletivo.

O Brasil é um país recente. As nações jovens queixam-se da escassez de sua história. Sentem-se como que privadas daquela matéria arcaica e inconsútil, advinda das mil culturas, que impregnou os solos milenares. Temem que suas façanhas não reverberam na alma, e que suas genealogias, empilhadas ao acaso na memória, neguem-lhes acesso ao próprio mistério, implantem em sua psique o sentimento do vazio. Desatentas, no entanto, em registrar que tal carência estimula-nos a viver a imaginação com voluptuosa intensidade. A fabular ao redor do tempo e do espaço enquanto inventa o contínuo e apaixonante diálogo com o Brasil, com os seres da invenção, com a ficção das realidade.

A Academia Brasileira de Letras engendra seu enredo em consonância com o Brasil. Não perde de vista existir, fora de suas paredes, um país a cobrar-lhe providências culturais, o rastreamento de seus traços civilizadores. Como conseqüência, há cem anos enveredamos indiscriminadamente pelas tarefas da arte, do pensamento, da ciência. Por tão longos anos vimos protagonizando uma ação cultural e criativa que nos inscreve no epicentro da nação.

O conceito de imortalidade há muito ronda esta instituição. Fomentado, decerto, pelo imaginário popular, que na ânsia de crer na perenidade das coisas, na permanência da arte, reveste o criador com o manto da ilusão. Insiste em desprender a arte das agruras do cotidiano, em devolver o artista à vida, sob forma transfigurada. A imortalidade significando tão-somente o desejo coletivo de prorrogar as ações humanas vinculadas à construção artística.

Há um século devotamos inabalável amor à língua lusa. Esta língua que os bárbaros, os necessitados, os poetas, os navegantes, os funâmbulos, seres da ilusão, ígneos e intensos, engendraram para corresponder às carências dos homens.

Afinal, a língua é a alegria dos homens. Nela repousa a poesia do desejo, a melancolia dos gritos primevos, o advento das estações, a exaltação do fino mistério soprado, quem sabe, pelo próprio deus.
Falar, escrever, pensar, alcançar as fendas onde a metáfora pousa solitária, circunscreve-nos ao picadeiro dos homens, ao galeão dos condenados, aos salões galardoados, às terras onde se trava a batalha do verbo e das exegeses.

Como filhos da pátria da língu, de um idioma composto com sobras latinas, gregas, asiáticas, africanas, uma mistura que por onde esteve semeou rastros míticos, pronunciamos suas palavras com unção e ira, captamos-lhe o cintilar de seu sensível timbre.

Esta língua portuguesa, de feição arqueológica, perambula agora pelo coração do Brasil. O corpo sagrado do seu enigma resguarda-se nos descampados e nos grotões, acata os presságios das bruxas, pede emprestado ao vizinho farinha e sentimentos íntimos.
Os inventos verbais desta língua, que peregrina pela península ibérica, pela África, pela Ásia, pela nossa América, trazem a chancela natural da transgressão. Arrasta consigo a luxúria mesmo quando confrontada com experiências radicais, míticas, vizinhas do abismo de Deus.
Feita também de suspiros africanos, chegou ela ao Brasil infiltrada pela nostalgia que nos induz a romper a cada dia o casulo do seu mistério, a perseguir suas contrafacções. É assim que ela converge, acumula, depura-se, exercita-se no gerúndio com a precípua função de ativar a realidade.
É dever desta língua repartir intrigas, predições, narrativas, o prólogo e o epílogo da vida, o vestíbulo das longas despedidas, entre as criaturas do sul, do litoral, do planalto, do sertão, os ribeirinhos. Os habitantes das geografias múltiplas e intransigentes. Todos eles premidos pela emboscada da fantasia e da emoção.

Vinda de tantos recantos do hemisfério, a língua aderiu por inteiro à fábula de uma nação. Esteve na amada Galícia, onde ali conheceu o irrenunciável sentimento oriundo do Finisterre, - a extremidade da Terra -, cruzou o Minho, deixou o Tejo para trás, nos idos de março de 1500, estendeu suas ramas à África e Ásia, com o intuito de florescer, até ancorar afinal no outro lado do Atlântico.

No Brasil, soçobrando em meio aos vastos recursos do pensamento, esticou as cordas plangentes das palavras. Roçou enigmas, traduziu uma pátria composta de mel, leite, trigo, a inexcedível história humana.
Esta língua lusa é uma sombra desapiedada. Sob o teto da ilusão, o instinto do verbo arranca das gavetas os sentimentos resguardados entre os lençóis que rescendem a jasmim. Sobre cada vocábulo projeta a luz incisiva do inventário da arte.

Na morada desta língua, nada lhe sofreia o impacto. Seu mundo visionário, saturado pela desmedida paixão, rende-se à metáfora no esforço de revelar-lhe o fulcro onde reside a equação da poesia humana. De ritmo largo, este idioma implanta em nós os dilemas da condição humana, o destino dos homens. Não permite que nos exilemos do mundo.

Esta sensível e afortunada eloquência auspicia à língua elucidar a emoção através de preciosa linguagem simbólica, que é assunto de berço, do território amoroso, da perdição alada do pensamento.
Nada mais fez a Academia Brasileira de Letras nestes cem anos, desde a sua fundação, que honrar a aventura do espírito sob o vertiginoso impulso do idioma. Sempre soubemos que não há pátria sem a defesa da língua. Seus códigos, seus objetos, suas emoções, situam-nos no mundo. Não há igualmente lar e liberdade sem o exercício pleno das palavras que nos levam ao pranto, ao riso, ao amor, aos pequenos descuidos do cotidiano. A louvar o Sol, a reverenciar a Deus.

Esta magnífica língua lusa, falada por obra dos homens em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, leva no bojo o discurso da ruptura, as emendas que engrandecem a jornada dos homens.

Sob o primado da imaginação e da língua, a Academia Brasileira de Letras celebra neste 20 de julho de 1997, junto às nações amigas, aos brasileiros de todas as gerações, o seu Primeiro Centenário.
Integrada rigorosamente aos instantes constitutivos da história do Brasil, ela reverencia a construção de um tempo que semeia sonhos, esperanças, a paisagem do futuro.

Agora secular, esta Academia Brasileira de Letras percorre livre os espaços da memória. Não teme retroceder nos anos, alojar-se entre os aedos gregos, os poetas da evocação. E, por amor à cultura, estar nos lugares onde nossos corações estiveram em tantos momentos. Em qualquer terra onde se deflagrou no passado a aventura de fabular. De narrar a história que os homens vêm escrevendo há milênio e cuja leitura, perturbadora, consola o humanismo da nossa Instituição que , ao longo de cem anos , exerce irredutível defesa da civilização brasileira.

domingo, 3 de maio de 2009

Short tribrute to Anna and The King

Ana e o Rei

Deborah Kerr and Yul Brynner-clip 2

The King and I /Yul Brynner Deborah Kerr 1956

Dança comigo?

Hora de reaprender a amar seu par...



Hora de reaprender a amar seu par...

Nem pergunte como ou porquê
apenas recomece
pelos pelos da orelha
acenda a velha centelha
do fogo do amor adormecido
reprograme e acesse
a razão maior do sentimento
aproveite que a hora é essa
há um novo ano chegando,
tem de tudo um pouco nesse momento
reaja e reaproveite energia e luz
abrace com força o seu amor,
sinta renascer entre vocês o calor
feche os olhos, medite sobre a vida,
o prêmio, o encontro, o que for bom,
olhe na estrada o futuro incerto,
aconchegue-se a quem está tão perto,
e diga o quanto é maravilhoso dividir
com essa pessoa a felicidade e a idade...
vamos, reaprenda a amar seu par,
e siga entre nuvens, sonhos e poesias,
deixe para depois a tal incomodativa realidade...
agora, se espalhe na alegria e mergulhe nas fantasias...
Vocês merecem!!!
Cida Torneros

Beijos poemados e premiados


perfumados, prometidos, perseguidos,
os que nem demos ainda...

são aqueles que nos fazem sonhar...
a mim, provocam ganas de poemar...

a ti, que me incitas a pressentir seus gostos,
dão o tom das nomeações...epidêmicos, perdidos,
reencontrados, emudecidos, estalados, molhados,
tímidos ou audaciosos, parisienses, brasileiros...

com quantos deles se faz um amor que se inicia?
ou qual terá sido o número fatal dos beijos de amores
que a história guardou para sempre na memória dos poetas?

beijos, somente beijos, eternos beijos de paixão,
trocados em momentos inesquecíveis, ainda que roubados no tempo...

beijos calmantes, beijos alucinantes, beijos sobreviventes de guerras
beijos imaginados e nunca dados, beijos devolvidos em cartas que voltaram
beijos de mulheres desiludidas, beijos de homens angustiados,
beijos de fêmeas felizes e de machos amados, beijos reais, beijos virtuais...

beijos com sabor de sonhos, beijos com gosto de aventura, beijos proibidos,
os permitidos pela vida, os camuflados pelo adeus, os decididos pela razão,
até os cuspidos pelo arrependimento, todos valem seu existir em lábios oferecidos,
violados, entregues, fugitivos, fechados, abertos, beijos escapantes,
de bocas que exalam sentimentos enredados como nós tão intrincados,
lábios que podem até apascentar corações revoltosos ou descompassados...

teus beijos me virão buscar qualquer dia desses, em qualquer lugar do mundo,
sei deles porque os antecipo, os aguardo e os calo, vou acalentá-los, senti-los...

depois, nada mais me fará poetar que não seja com a aura deles, seu gosto e perfume,
teremos atingido o nirvana dos beijos que a felicidade guardou para nós, um prêmio...
cida torneros
rio, 3 de maio de 2009

Perfume de Mulher

sábado, 2 de maio de 2009

cultura do slow down ( virei adepta dela e estou muito feliz...)













Amigos e amigas
De uns tempos pra cá
aconteceu comigo
foi intuitivamente, nem sabia que esse movimento existia no mundo
mas, depois de décadas correndo que nem doida atrás nao sei bem de que, descobri que precisava desacelerar
e é o que venho fazendo..devagarinho
diminuí meu ritmo profissional
já penso em me aposentar
ando mais atenta ao meu dia a dia
observo melhor as noites estreladas
já paro para ouvir alguma vizinha que quer me contar da sua vidinha
leio e releio livros que adoro e que me esperavam há muito tempo na estante
quando ouço uma canção, páro e presto atenção na letra e melodia
abraço com maior carinho cada pessoa que não vejo há muito tempo
busco aqueles que andam distantes de mim
lembro das datas dos aniversários que antes esquecia
páro no meio do dia para tomar um sorvete eski bom
voltei a cantarolar no chuveiro ( chega de saudade, como antes)
voltei a fazer crochet e aquela toalha colorida começa a tomar forma como sonhei
afinal, o calista me recebeu e cuidei dos pés como antigamente
vou aprender a cozinhar ainda que seja uma aluna complicada, mas vou tentar
a tarde de sol e o por do astro rei voltam a fazer parte da minha mirada extasiada
caminhar pelas ruas observando as fachadas do casario, há quanto tempo eu não fazia isso com tanta atenção
ouvir as crianças brincando na vila e sorrir com suas gritarias
sentar-me na espriguiçadeira e fechar os olhos para recordar um bom momento ou sonhar com os melhores que estão por vir
sonhar acordada com minha viagem a Europa
escolher sapatos confortáveis em lugar dos elegantes e cansativos
diminuir o peso das malas, eliminando supérfluos
degustar frutas da época
sentir o cheiro das flores do jardim quando passo em frente a um canteiro de rosas
não me incomodar com a pressa alheia
afastar-me dos estressados de plantão, não me deixar contaminar por eles
nao espraguejar e sim manter a paciência
ouvir música durante o trajeto longo de metrô, ônibus etc.
cuidar da pele com muito hidratante após o banho
espreguiçar-me com mais frequencia
perdoar sempre cada ex amor que ficou pra trás
entender que amor é passageiro e infinito enquanto dura
etc.etc. etc.
contar tudo isso a vc e..convidá-lo a ser mais feliz junto comigo...
beijo
Cida Torneros


18 Julho, 2007
A CULTURA DO SLOW DOWN


Belo artigo...recebido via e'mail não sei de onde.

“Há já 18 anos que ingressei na Volvo, empresa sueca bem conhecida.
Trabalhar com eles é uma convivência deveras interessante. Qualquer projecto aqui demora dois anos a concretizar-se, mesmo que a ideia seja brilhante e simples. É uma regra.
Os processos globalizados causam-nos a nós (portugueses, brasileiros, argentinos, colombianos, peruanos, venezuelanos, mexicanos, australianos, asiáticos, etc.) uma ansiedade generalizada na busca de resultados imediatos.
Consequentemente, o nosso sentido de urgência não surte efeito dentro dos prazos lentos dos suecos.
E trabalham! com um esquema bem mais “slowdown". O melhor é constatar que, no fim, isto acaba por dar sempre resultados no tempo deles (suecos) já que conjugando a necessidade amadurecida com a tecnologia apropriada, é muito pouco o que se perde aqui na Suécia.
Empresas de capital sueco: Volvo, Skandia, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare , etc.
Para se ter uma ideia da sua importância basta mencionar que a Volvo fabrica os motores de propulsão para os foguetes da NASA.
Os suecos podem estar enganados, mas são eles que me pagam o salário. Devo referir que não conheço nenhum outro povo com uma cultura colectiva superior à dos suecos.
Vou contar-vos uma pequena história, para ficarem com uma ideia:

A primeira vez que fui para a Suécia, em 1990, um dos meus colegas suecos apanhava-me no hotel todas as manhãs. Estávamos em Setembro, já com algum frio e neve.
Chegávamos cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (são 2000 empregados que vão de carro para a empresa).
No primeiro dia não fiz qualquer comentário, nem tão pouco no segundo ou no terceiro.
Num dos dias seguintes, já com um pouco mais de confiança, uma manhã perguntei-lhe:
"Vocês têm aqui lugar fixo para estacionar? Chegamos sempre cedo e com o parque quase vazio estacionas o carro mesmo no seu extremo…
E ele respondeu-me com simplicidade:
“É que como chegamos cedo temos tempo para andar, e quem chega mais tarde, já vai entrar atrasado, portanto é melhor para ele encontrar um lugar mais perto da porta. Não te parece?"

Imaginem a minha cara! Esta atitude foi a bastante para que eu revisse todos os meus conceitos anteriores.
Europa chamado "Slow Food". A “Slow Food International Association”, cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede em Itália (o site na Internet é muito interessante.
www.slowfood.com)

O que o movimento Slow Food preconiza é que se deve comer e beber com calma, dar tempo para saborear os alimentos, desfrutar da sua preparação, em família, com amigos, sem pressa e com qualidade.
A ideia é contraposição ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida.

Verdadeiramente surpreendente, é que este movimento de Slow Food está a servir de base para um movimento mais amplo chamado “Slow Europe” como salientou a revista Business Week numa das suas últimas edições europeias.
Na base de tudo isto está o questionamento da "pressa" e da "loucura" geradas pela globalização, pelo desejo de "ter em quantidade" (nível de vida) em contraponto ao "ter em qualidade", “Qualidade de vida" ou “Qualidade do ser".
• Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, ainda que trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que os seus colegas americanos e ingleses. E os alemães, que em muitas empresas já implantaram a semana de 28,8 horas de trabalho, viram a su produtividade aumentar uns apreciáveis 20%.


A denominada "slow attitude" está a chamar a atenção dos próprios americanos, escravos do "fast" (rápido) e do "do it now!" (¡faça já!).

Portanto, esta "actitude sem pressa" não significa fazer menos nem ter menor produtividade.
Significa sim, trabalhar e fazer as coisas com "mais qualidade" e "mais produtividade", com maior perfeição, com atenção aos detalhes e com menos stress.

Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do prazer dum belo ócio e da vida em pequenas comunidades.
Do "aqui" presente e concreto, em contraposição ao "mundial" indefinido e anónimo.

Significa retomar os valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver, e até da religião e da fé.
SIGNIFICA UM AMBIENTE DE TRABALHO MENOS COERCIVO, MAIS ALEGRE, MAIS LEVE, E PORTANTO MAIS PRODUTIVO, ONDE OS SERES HUMANOS REALIZAM, COM PRAZER, O QUE MELHOR SABEM FAZER
É saudável reflectir sobre tudo isto. Será que os antigos provérbios: “Devagar se vai ao longe" e “A pressa é inimiga da perfeição" merecem novamente a nossa atenção nestes tempos de loucura desenfreada?

Não seria útil e desejável que as empresas da nossa comunidade, cidade, Estado ou país, começassem já a pensar em desenvolver programas sérios de “qualidade sem pressa" até para aumentarem a produtividade e a qualidade dos produtos e serviços sem necessariamente se perder “qualidade do ser"?
No filme "Perfume de Mulher" há uma cena inesquecível na qual o cego (interpretado por Al Pacino) convida uma jovem para dançar e ela responde: "Não posso, o meu noivo deve estar a chegar". Ao que o cego responde: “Num momento, vive-se uma vida", e leva-a a dançar um tango. É o melhor momento do filme, esta cena que dura apenas dois ou três minutos.
No filme "Perfume de Mulher" há uma cena inesquecível na qual o cego (interpretado por Al Pacino) convida uma jovem para dançar e ela responde: "Não posso, o meu noivo deve estar a chegar". Ao que o cego responde: “Num momento, vive-se uma vida", e leva-a a dançar um tango. É o melhor momento do filme, esta cena que dura apenas dois ou três minutos.
Muitos vivem a correr atrás do tempo, mas só o alcançam quando morrem, quer seja de enfarte ou num acidente na auto-estrada por correrem para chegar a tempo.

Ou outros que, tão ansiosos para viverem o futuro, esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que realmente existe.
O tempo é o mesmo para todos, ninguém tem nem mais nem menos de 24 horas por dia.

A diferença está no que cada um faz do seu tempo. Temos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, “A vida é aquilo que acontece enquanto planeamos o futuro".
Parabéns por teres conseguido lerem esta mensagem até ao fim.

Decerto haverá muitos que leram só metade para "não perder tempo" tão valioso neste mundo globalizado.

Por Caesar em 18.7.07

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Despedida - confusos amores...



Confusos amores

Ainda que não pudesse, mesmo que não tentasse, apesar das desistências, a par das reticências, em detrimento dos adiamentos, considerando os contratempos, ainda assim, ele, o amor, insistia em renascer.

Ele brotava tão verde quanto os galhinhos atrevidos em troncos de árvores vividas, e brilhava com jeito especial, ao mostrar-se capaz de fazer reviver sentimentos adormecidos...

Era só mais um amor...dentre tantos amores confusos, já vinha este, novo e especial, a lhe fazer arder as entranhas, aquecer as ancas, entumescer as extremidades, secar-lhe a bôca, tornando-a ávida de abrir-se à idéia de reconhecer, em outro ser, a sensação da busca que se faz entrega , do sonho que se faz real.

Não lhe valiam mais, nesse momento, os argumentos baseados em histórias vividas, em lembranças marcantes de amores intensos com despedidas passionais, isso já nem contava mais agora, porque , a cada final de conto, ela, decididamente, acrescentava um ponto... de interrogação...e agora?

Ainda que não quisesse, mesmo que não se permitissem, apesar das diferenças, de mundos, idades ou crenças, em detrimento dos sofrimentos, considerando os desencantos, ainda assim, ela, esse amor...viveria...


Aparecida Torneros

Digam...quando olho pra vc..amores-naves...




Quando olho pra vc...

Quando olho pra vc
sorrio assim,
cheia de mim,
vida que vejo
quero seu beijo
o da amizade
o mata-saudade,
o sem compromisso
o jeito de ser tão solto
livre do preconceito,
quando eu olho bem no olho
na menina que vira espelho
me enclausuro bem no meio
como uma flor de repolho
a sentir meu corpo envolto
na energia do olhar alheio...
Quando olho pra vc,
nem preciso frase feita,
basta olhar e me calar,
que a alma feliz se ajeita,
e meu peito bate, late, explode...
Eu peço, amor, "me acode",
não me deixe errar o pronome,
mas é tão feio dizer "me acuda"
então, resolvo, só olho,
e, expertamente...fico muda...
Cida Torneros



Amores-naves
O vento te traz, muitas vezes
nas manhãs do tempo, nos meses
de outono, primavera ou recesso...
Quando me passas energia e apreço,
nos momentos de não-solidão,
se nos vemos ou nos amamos então,
apenas somos amigos do vento,
somos somente cúmplices do advento
que o universo conspira para juntar
seres distantes em forma de luzes,
brilhantes adereços a nos enfeitar...
O vento me leva, me põe no teu colo,
enquanto vagamos por aí, além do solo,
voamos, voamos, voamos, como aves...
No vento, no tempo, nos ares, nos mares,
eu e tu, criaturas solitárias, vamos em pares,
soltas da terra, no espaço, somos amores-naves...

Paris na Primavera

Cida Torneros:a gripe e o dilema de ir a Paris




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CRÕNICA DE VIAGEM

Sonhando com beijos “epidêmicos” em Paris

Aparecida Torneros

“O acaso me pegou como um caso sério. Afinal, depois de ter sonhado por décadas com uma viagem à Europa, tudo praticamente pronto, a uma semana do embarque, as amigas telefonam e pensam em desistir por conta da epidemia da gripe “porquinha”. Logo agora, que entre os roteiros turísticos que programamos, além das idas a capitais de países ibéricos, cidades religiosas e terras galegas dos nossos ancestrais, eu somei os beijos parisienses, os chamados beijos prometidos… Como fazer para abrir mão dessa parte do alvoroço adolescente de que me vi tomada, nos mais recentes dias, imaginando as cenas, vislumbrando sensações de plenitude afetiva, para registrar quadros impressionistas inesquecíveis, aqueles em que as ruas da capital francesa seriam pano de fundo para beijos apaixonados?

Os argumentos das minhas companheiras de vida e viagem são plausíveis, centrados, afinal a pandemia da influenza suina ou A, como a querem rebatizar agora, nos coloca em situação à mercê do imponderável e imprevisível, nunca se sabe o que vem depois que a peste se instalar infectando os ares e as respirações de povos, adentrando por aeroportos e escondendo sorrisos atrás de máscaras de proteção. Uma delas me questiona: - Que graça teria essa viagem, asim, sempre com medo do que possa vir adiante, se fecham lugares públicos que pretendíamos visitar, se nos interrompem os passeios, se podem até nos impedir de sair de alguns lugares ou entrar em outros? Instala-se o pânico, vejo-me na idade média, sei lá, ou no início do século XX, quando minha avó contava que as carroças passavam nas ruas para recolher os cadáveres de vítimas da gripe espanhola. E não havia ainda o uso indiscriminado de antibióticos e nem a farmacologia tinha chegado aos patamares de sofisticação que alcançou atualmente. Porém, um mundo tão globalizado e em crise econômica, todo e qualquer procedimento que envolva a parada para pensar ou a matança de gente e de sonhos, tem uma aura de guerra sem estrelas, verdadeira batalha travada no inconsciente afetado pelo medo generalizado e por inimigos virais, passíveis de serem detectados em microscópios, passados por bocas, ai meu Deus, por bocas falantes, respirações ofegantes, sorrisos escondidos, talvez por mãos contaminadas, etc. etc.

E como ficarão os beijos em Paris? Adiados, descartados, esquecidos ou desistidos?
Difícil aceitar que vou acovardar-me diante de gripe emporcalhando vidas, e ainda por cima vou temer ser uma “Kamikase” dos melhores beijos “epidêmicos” que ainda quero provar em boca que me esperará em Paris. Nas próximas 24 horas, vou remoer pensamentos, resolver questões de medo e audácia, vou tentar convencer as amigas, vou rezar aos santos da Velha Europa para que me iluminem as idéias, e me mostrem que destino devo dar aos beijos “prometidos” e aos “sonhados”…

Já não posso permitir que eles fiquem eternamente “perdidos” por aí, pois, há uns anos atrás, um poema meu “procura-se beijo perdido em aeroporto”, deixou-me marca que custei a apagar. Logo agora, que reencontrei a chance de cantar como a Rosa Passos cantou magistralmente em Madri, um “Besame mucho”, carregado de latinidade abrasileirada e sutil, nem pensem os senhores de laboratórios onde se fabricam moléstias advindas de mutações virais, que vou permitir que injetem seus males nos meus “beijos desmacarados”.

Com máscaras de proteção fica impossível beijar e sentir o quanto lábios mornos e vivos são capazes de neutralizar medos e vírus. Minha Notre Dame, guardai nossos beijos, quer dizer , os meus, os dele, e os de todos que sonham com beijos assim, e, num milagre possível, rogai ao
Pai para que eu viaje, adentre sua Nave para agradecer a maravilhosa epidemia de beijos que testemunharei na face da Terra, apesar dos pesares, no mes das Nossas Senhoras, isso mesmo, num maio primaveril, de beijos em flor, pelos cantos de uma Paris que merecerei conhecer”.

Aparecida Torneros é jornalista e escritora carioca, autora de “A Mulher Necessária”.

Comentário no site Bahia em Pauta:

Regina on 1 May, 2009 at 14:33
# Ai que inveja!!! Paris e um amor enrustido que tenho e que me preparo para a entrega ha muitos anos. Se vc esta preparada, nao pense duas vezes, VA. O amor, os beijos e a loucura sobreviven as “pestes” do mumdo, sao muito mais poderosos!!!!!!

Beijo "epidêmico"

Besame Mucho

A canção da mexicana Consuelo Velasquez

Besame Mucho

Pedro Infante Besame Mucho

Sonhando com beijos "epidêmicos" em Paris

Nat King Cole : Stardust

Andrea Bocelli - Besame Mucho (2006)

Andrea Bocelli & Laura Pausini - Dare To Live (Vivere)

LAURA PAUSINI E ANDREA BOCELLI "VIVERE"

quinta-feira, 30 de abril de 2009

beijos

Namorados públicos





Namorados públicos
Vinícius de Moraes

Da mesma forma que os monumentos históricos ou artísticos, as belezas naturais, os bailes e cafés, os parques e jardins - os casais de namorados são coisa que pertencem ao patrimônio de uma cidade. Uma cidade sem namorados públicos não é uma verdadeira cidade. Os cicerones de Paris costumam mostrá-los aos turistas, inteiramente despreocupados em suas ternuras, como típicas curiosidades locais. No Hyde Park, em Londres, é possível vê-los às centenas, sobre o gramado esmeralda desse parque inexcedível como se estivessem em casa. O transeunte margeia beijos intermináveis, abraços infinitos, olhares abissais, namorados que lêem romances, namorados que dormem, namorados que brigam, a um passo uns dos outros, perfeitamente indiferentes ao que lhes vai em torno, - e o que é formidável - guardados da curiosidade, ou malícia alheias, por um passante constable, cuja função é zelar pela perfeita consecução de seus carinhos, com uma imparticipação e fidelidade dignas de todos os aplausos. É claro que os namorados não abusam. Mas nessa questão de carinhos de superfície eles se permitem um uso inumerável. Estrafegam-se em beijos que fariam a inveja de John Gilbert ao tempo da sua paixão por Greta Garbo. Dão-se abraços de não se saber mais quem é o outro. Fazem-se cafunés maravilhosos, esfregam-se os narizes, acarinham-se os rostos, enfim: tudo isso que faz a deliciosa cozinha dos que se amam e que vem sendo a mesma desde os tempos mais recuados no tempo.
Ninguém pode dizer que o Rio não seja uma cidade de namorados: ela o é. Seria difícil, aliás, compreender-se uma cidade tão pródiga em beleza, sem namorados. Mas são namorados, meu Deus, ou tão ousados ou tão tímidos que parecem uma contrafação da natureza humana diante da Natureza. Grande culpada disso foi, até certo tempo, a nossa polícia de costumes, que arrolava todas as carícias de namorados dentro de um mesmo código moral, chegando até ao abuso de prender gente casada que saía para namorar fora de casa. Não. Há carícias e carícias. Que mal existe em se beijarem os namorados em praça pública ou nos cantos de rua? Em que uma coisa dessas ofende a moral? Por que não se poderão eles abraçar ternamente, quando tiverem vontade? Pois parece incrível: outro dia um amigo meu contou que foi "apitado" várias vezes por um guarda do Jardim Botânico, por estar dando um "peguinha" na namorada. De fato: é justo, mais do que justo, que se moralizem os costumes. Nada mais certo. Mas perseguir os namorados, da mesma forma que arrancar as plantas dos parques, ou maltratar os animais, é indício de mau caráter. Que os namorados se beijem à vontade nesta linda Rio de Janeiro. Nada há de mal no beijo dos namorados, como no amor dos pássaros. Deixai-os nos seus parques, nas suas ruas escuras, nos seus portões de casa. Deixai-os namorar, Senhor Prefeito, Senhor Diretor do Jardim Botânico, deixai-os namorar, porque eles têm cada dia menos lugares onde ir esconder seus anseios. Deixai-os se beijarem à vontade, porque o que em seus beijos irrita os burgueses moralizantes é justamente essa liberdade, essa beleza, essa poesia, esse vôo que há num beijo de amor. Tréguas aos namorados!


in Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
in Poesia completa e prosa: "Para viver um grande amor"

Se eu quiser falar com Deus...

A mãe do mestre ( crônica publicada no meu livro A mulher necessária)



A mãe do mestre

( meu filho me pediu que não mencione ou alardeie por aí que sou sua mãe...então, liguei para o editor, o livro estava no prelo, cheguei a pedir para excluir)

Mas, meu coração ficou pequeno, eu tinha escrito esta crônica em homenagem ao professor responsável e capaz que ele é, e também com muito orgulho de quanto é honesto e trabalhador.

Aí, fiz algumas modificações,pois o fato de tê-lo como filho já é uma grande sorte que tenho nesta vida, o resto, é torcer para que ele siga sendo muito feliz, sempre.

Quem é esse homem que passa sempre correndo, cheio de atividades, de uma inteligência apregoada pelos que convivem com ele, sendo chamado, carinhosamente, desde pequeno, de "cientista"?


Pra mim, até parece que ele ainda é um menino. Muitas vezes me lembro daquele guri alegre e curioso que me alegrava e continua alegrando os dias desde que nasceu.

Um ser estranhamente sintonizado com a natureza, assim, o meu gurizinho risonho, ao completar 9 anos me pediu de presente um microscópio, e dali pra cá, foi um tal de colecionar asas de borboleta, besouros coloridos, mosquinhas infelizes, baratas capturadas, para desespero das empregadas da casa.

Fui percebendo sua sede de saber e pesquisar a cada momento novo durante sua infância. Houve um dia, em que tive certeza do seu ateísmo, de cunho científico, quando li o texto adolescente que ele produzira sobre o pensamento de um cientista, seu compromisso com a verdade.

Poderia ter ficado muito preocupada, mas não fiquei. Apenas me preparei ainda mais para o que veio depois. Aprendi a conviver com a sua imagem no Fantástico, nos jornais como O Globo ou como o Diário do Vale do Rio Preto, nas revistas como Veja, e em programas de TV, como uma vez, no SBT, em que falou sobre a não existência de vida depois desta nossa.

Um pesquisador, um cientista, um estudante eterno da Física, um profissional da Ciência da Computação, um professor.

Coisa de mãe coruja, pode até parecer, mas é o que ouço o pessoal do seu convívio sempre repetir. Claro que me orgulho. Claro que torço todos os dias para que ele seja só feliz... Que continue descobrindo da vida os segredos das asas das borboletas, assim como a felicidade de amar e ser muito amado.

Como ele mesmo diz: a vida é uma só e é preciso fazer dela a melhor coisa, pois só temos essa chance. E sei que ele saberá preservar seu caminho de luta em busca dos seus ideais.

Rogo aos deuses (sou contaminada por este conceito) a bem-aventurança de protegê-lo, para que escreva seus livros de cunho científico .


Porque um filho como ele é, tão cheio de energia, me renova a crença numa humanidade mais justa, me faz reaprender a viver como ser humano sintonizada com os novos tempos. Esse homem que ele é hoje, o professor respeitado, o cientista solicitado, o mestre, assim chamado carinhosamente por seu bando de alunos e ex-alunos, dando-me a oportunidade de ressaltar o meu respeito por ele.

Mais ainda, um professor que me desperta a sede de aprender mais e mais, toda a vida.

Agora, descubro que a emoção do amor, definido por ele pra mim um dia, como "sentimento necessário para a perpetuação da espécie", perpetua, em mim, a razão de ser feliz, por ser sua mãe, eternamente.

Dentre as suas expressões mais marcantes, lembro de uma, eu em Brasília, trabalhando, liguei pra casa no Rio, ele devia ter uns 8 anos, perguntei se estava tudo bem, ele me descreveu seu dia, as coisas que fizera, e antes de desligar, me bombardeou com ares de cobrança: - Mãe, posso te perguntar uma coisa? Por que você não é só minha mãe e mais nada?

Senti a culpa da mãe moderna, da jornalista viajante que o deixava na casa da avó e nas escolas, tantos cursos, que só dividia com ele, as noites e parte das férias em passeios inesquecíveis por lugares de alegria. Naquele momento, eu ainda não tinha a resposta.

Agora, tenho: porque sou a mãe do mestre, e, para um mestre, uma mãe é sempre muito pequena... se é apenas sua mãe...tem que ser múltipla, e isso é o que tento ser todos os dias, confiando no seu discernimento e aprendendo com ele sobre o sentimento mais puro de repassar conhecimentos e incentivar pessoas a crescerem em suas vidas.

Um verdadeiro mestre se sente honrado quando um discípulo atinge objetivos subindo na escala social, a partir da semente que ele planta. E isso, vejo que o meu filho faz com grandeza de espírito e caráter altruísta. Mesmo assim, peço desculpas pela imodéstia, característica defeituosa da mãe do mestre.
Maria Aparecida Torneros

terça-feira, 28 de abril de 2009

Suas orelhas ainda queimam!


Suas orelhas ainda queimam
por Maria Aparecida Torneros da Silva
Publicada em 04/05/2005



Um dia, ela pensou que, na velhice, iria descansar de tanta luta. Tinha tido, durante toda a vida, muita lida, com a dureza do dia a dia, os serviços de casa, a cozinha, as crianças crescendo, o marido reclamativo, a louça se acumulando na pia.

Bem, por que lembrar disso agora, passados tantos anos? Tudo tinha ficado para trás. Os filhos já são quase avós agora, com sua prole em torno dos 20 anos, menos o temporão, o Tavinho, seu netinho mais encantador.

Como ela poderia imaginar que veria seus próprios netos na mocidade, tentando entender seus comportamentos incrivelmente estranhos para os conceitos de vida que ela aprendera a valorizar? Ela tenta se adaptar aos novos tempos e procura não ser uma avó desagradável, com incompreensões.

Clarinha, por exemplo, sua netinha de 15, está infestada de peircings. Pelas orelhas, nariz, língua, umbigo, e , só Deus sabe, onde mais.

O Bruno, um rapaz de aparência forte e dentes lindos, enfeitou-se com tatuagem no braço, como aqueles antigos marinheiros, e sapecou uma robusta serpente de língua comprida pronta para o bote.

Mas, a doce Luana, essa sim, lembra as meninas do passado, tem olhos tranqüilos e gestos calmos. Toca piano, é plácida, romântica e só tem 12 anos. Talvez mude, e disso ela tem medo. Como proteger a frágil menina do mundo agressivo que tem pela frente?

Hoje, morando sozinha, ela, com seus 70, se acha vigorosa ainda. Tem fôlego para ouvir os filhos, tantas queixas e lamúrias. São os telefonemas noturnos, quando eles se lamentam e ela ouve, consola, tenta fazê-los sorrir um pouco. Dá força e convida sempre, filhos e netos para comerem seu bolo de chocolate. Não há tristeza deles que ela não cure com a sua especialidade coberta de calda. Seu maior prazer é ver quando eles vão se acalmando, enquanto saboreiam a gulodice saciando de doçura seus corações inquietos.

Também, nas manhãs de sol, ela caminha para desenferrujar as juntas e aproveita o tempo para rezar por filhos e netos. Ora com freqüência e com saudades, pela alma do marido "reclamão". Se ainda o tivesse por perto, teria, pelo menos, um ombro amigo, na calada da noite, para recostar, quando as orelhas estivessem quentes.

Um dia, ela tinha sonhado com isso, reuniria toda a família em torno de um grande bolo de chocolate para o seu "bota-fora". Era chegada a hora da viagem dos seus sonhos: ia à Grécia, depois de economizar a vida inteira.

Finalmente esse dia chegou. Luzia está bonita, produzida, os cabelos alinhados em coque, o terninho bem cortado a transforma em senhora elegante. Prepara-se para a tal viagem. O bolo foi providenciado pelo telefone. Permitiu-se encomendar a goluseima e dispensar-se do forno desta vez.

Os preparativos foram tantos, os filhos e netos se sucederam na fila das encomendas, das recomendações, dos pedidos. Ela iria de táxi, combinou com todos que não queria ninguém no aeroporto. Seu grito de liberdade. Uma mulher vivida e sozinha que parte para a viagem sonhada. Muitos beijos, abraços, promessas de telefonemas, Luzia seca as lágrimas e parte.

Horas mais tarde, a bordo do avião, com a cabeça recostada, tentando acomodar-se à nova realidade, suas orelhas ainda queimam.

Tavinho, o neto caçula, não pediu nada, nem um brinquedinho, mas encostou sua boquinha melada de menino de três anos bem no ouvido direito da avó e disse assim, em tom pedinte e choroso:

- Vó, o bolo de chocolate que você me deu agora tá muito ruim Tudo bem ,eu entendo, você tava com pressa de viajar, não é? Volta logo dessa tal de "Gréchia" e aprende de novo a fazer aquele bolo que eu adoro!
Aparecida Torneros