Maracanã

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Amor aos pedaços...


Amor aos pedaços é o nome de uma deliciosa loja de doces aqui no Rio. Tortas despudoramente crocantes, além de lindas. Doces de todo o tipo que a gente possa imaginar. Chocolates afrodisíacos, diria eu. Sonhos de creme e muito chantily. Sorvetes incrivelmente excitantes. O fato de ligar o amor ao mel é quase uma necessidade voraz. Comer, devorar, lamber, chupar, sorver, aguçando os prazeres da boca. Eta memória dos peitos maternos, nossos primeiros prazeres, né? Mas, o que mais me intriga mesmo é a sensação de vivenciar o gozo lingual, os gostos diversos, e deixá-los num canto especial do cérebro, guardados e revividos quando a gente volta a fita, sente de novo aquele inesquecível sabor e o deseja provar outravez. Assim é o Amor. Pedaços dele, sim, a gente vai colecionando nas experiências várias, pelo tempo em que se vive, em atitudes de busca, em momentos de encontro, em incontáveis lembranças armazenadas. Os amores, suas faces múltiplas, suas variantes agri-doces, seus temperos azedinhos ou melados demais, tudo nos predispõe a exercitar a degustação em torno da curiosidade de um dia ter no céu da boca, o gosto definitivo do prazer inenarrável. Água na boca, expressão mais verdadeira, cada pele tem a textura mais diferenciada quando nos entregamos ao toque das mãos e da lingua voraz. Amor em doses alternadas. Amor em fatias. Amor em gotas. Amor em pecados de gula e luxúria. Amor tem que ser um prato especial. Por isso, quando o Amor se faz na cama e mesa, tem que ter brinde, saudação, olhar de entrega, carinho de sorriso, murmúrio de paixao, e ainda, se possível, aquela fechada de olhos para meditar enquanto se registra pra sempre, sua eterna receita de satisfação do ego comilão. Cida Torneros

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