Maracanã

Maracanã

terça-feira, 2 de setembro de 2014

50 anos em 5 minutos e a cama cheia de presentes!





Há 50 anos, fiz 15. Vovó me deu o primeiro abraço,  ainda na cama. Tia Vera tinha feito o vestido cor de rosa bordado, mas simples. Mamãe comprou meu primeiro par de sapatos brancos, de saltinhos altos e tio Pedro me deu um perfume francês,  heure intime, spray. 

A vizinha da casa ao lado me presenteou com um sabonete. Tia Maria fez docinhos e um bolo. Eu ensaiei no sax do tio Pedro e quando papai chegou do trabalho, toquei soprando, o parabéns pra vc. Risada geral. Era um dia comum de trabalho. Só a pequena família reunida. Mamãe,  papai, tia Maria, tio Pedro, meu irmão e duas amiguinhas de infância.  Retrato? Ninguém tinha máquina.

  Mas na memória ficou a imagem dos presentes arrumadinhos sobre a cama, como era costume.

De repente, em 5 minutos, faço 65 hoje. O telefone, desde cedo, não parou. Uma amiga vai encontrar comigo para o almoço.  Outras duas virão na minha casa de tarde. E à noitinha irei para a casa da minha mãe.  Lá,  já ganhei no domingo, a festinha da família.  

E para comemorar, como o velho costume, arrumei os presentes sobre a cama. Os da família, mamãe,  irmão,  cunhada, sobrinhos, filho e nora,  e os de amigos que anteciparam as entregas.

Coisas simples realmente enfeitam a vida. E saudades brabas me invadem. Tios e tias, meus padrinhos, meu pai, minha avó,  pessoas que já não posso abraçar.  

No ano passado, a esta hora, minha querida secretária Tania, comigo há  30 anos ,veio me presentesar fazendo panquecas. Ela partiu há alguns meses. Meu coração doído tenta se acalmar. Amanhã,  faz um ano que perdi Antonieta, amiga de todas as horas que se foi  não sem antes me ligar na véspera do seu vôo eterno. Faltam as vozes da tia Maria que me renovava o amor de sempre, da minha dinda Iveta, do meu pai Ulysses, mas eles ressoam dentro de mim, sempre.

E quando olho a cama com os presentinhos arrumados, vejo que 50 anos são apenas 5 minutos, e aqui estou , carinha amassada, olhar que busca oferecer amor, já que o recebo tanto.

Havia um hábito que já nao tenho mais. Vovó dizia:  Desembrulhe cada presente e ponha o papel debaixo da cama que é pra ganhar muitos outros.

Nem precisa. O maior de todos, eu ganho todos os dias, nesses 65 anos. Chama-se AMOR  e não cabe em nenhuma embalagem. É do tamanho do Universo! 
Cida Torneros



2 comentários:

Contra-ataque do amor disse...

Vera virá almoçar comigo no Siri. Reja e Zaza virão de tarde na minha casa!

Cida Torneros disse...

Também vieram Bete e Liege! Surpresa!