
Nem bem te vi, me apaixonei...
Nem bem te vi, me apaixonei...
Eras mais do que um menino grande,
eras como o pássaro aleatório, aquele que voa com o bico empinado
buscando sorver do céu o azul e a luz, estavas emplumado,
trazias no peito o ar de quem conquista, e não desistas de me seduzir,
não custa tentar mais um pouco, sou meio sonâmbula, não me deixes ir,
me prende, me toma, me organiza a espera, não me permitas dispersar...
Nem bem te vi, ouvi teu canto...
Por muito menos, me encanta, me repousa num ninho de aconhego,
sente minha disponibilidade para o simples ato de amor à vida, o chamego,
tardes esmaecidas em redes alienadas, deixa que o vento me sopre um segredo,
nem ouses mentir para o teu coração, nem camufles o sentimento com o medo,
fica assim, inteiro, esvoaçante, domina os telhados de barro, os de vidro, grita...
Nem bem te vi, és meu apreço, minha mais recente desdita, és minha pressa
de ser e ter em ti um lugar de plenitude, e nem mede cada minha atitude,
porque, não há o que raciocinar, não vale, deixa-me sentir teu vôo sobre mim,
deixa-me voar para teus braços, distribuir meus beijos, receber os teus, enfim...
Nem bem te vi, meu sentido de viver definiu o rumo, a alma buscou o prumo,
e naquela manhã de recomeço, uma esperança risonha transformou-me em sumo
em suco, em líquida sensação de ouro derretido, jóia rara, tomando nova forma...
Nem bem te vi, tornaste-me o teu complemento, sem argumento, sem norma...
Quero aprender a voar contigo, e te persigo no ar, em rodopio, em gozo e cio...
Sou a ave que te completa, voaremos agora em duo, sintonizados e sem frio...
Um aquecerá as asas do outro, a cada volteio, e seremos, um bem-te-vi e um beija-flor
a espalhar no mundo tanta alegria, tanta sonoridade e toda a harmonia do maior amor...
Aparecida Torneros
Nenhum comentário:
Postar um comentário