Tom eternizado em nós
APARECIDA TORNEROS
Parem a música! Um minuto! Silêncio... Esse janeiro de 2007, no dia 25, tem qualquer coisa fora do Tom... mas vamos cair "dentro" e inundar de saudade e homenagem o Brasil todo, onde ele paira com seu jeito dengoso de "guardião" de cada coração que canta sua música eternizada em nós.
Falo do Tom, sim, o Jobim, esse menino que completaria 80 hoje, mas que nos legou longevidade cancioneira, nos deixou protegidos pela sua bênção artística, nos põe um jeito cálido de cantar "imagina", sua primeira composição.
Se todos fossem iguais a você, Tom, nem dava para sentir saudades de um tempo em que o amor era verdade. "Imagina", sua composição mais antiga, que Chico Buarque completou com letra perfeita: "Hoje à noite a gente se perder". O maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim faz 80 nesse janeiro. Sua obra é motivo de orgulho para todos os brasileiros, que aprenderam a incorporar nas suas vidas a melodia das suas criações, além do legado de um conteúdo que ultrapassa as fronteiras da geografia dos sentidos.
Tom nos deixou mais de 300 composições, gravadas em todos os cantos do mundo por diversos intérpretes, tal a sua capacidade de exportar brasilidade, desde aquela apresentação com Frank Sinatra cantando a "girl" de Ipanema. Aliás, sobre as "mulheres" do Tom, quem não se lembra da Tereza da praia, imortalizada pelas vozes de Dick Farney e Lúcio Alves? Depois vieram Luíza, Lígia, Ana Luíza, Ângela e tantas outras. Com cada "parceirinho", como gostava de os chamar carinhosamente, ele dava o tom exato do momento musical. Tom esteve sempre cercado pelos compositores e letristas que bebiam do seu talento, somavam com ele verdadeiros primores de uma época áurea da produção nacional de música popular. Como não reverenciar a sensibilidade de quem cantou os pássaros, pelos nomes todos? Costumava dar bom dia aos "macucos", no Jardim Botânico. Nem dá para conter o nó de emoção na garganta ao ouvir as águas de março, em que ele e Elis Regina traduzem a tropical paisagem das chuvas do fim do verão, como se fora um desfile de emoções.
Foi ele que encantou o Rio com o samba que lhe conferiu, merecidamente, virar nome de aeroporto internacional. Um aeroporto com nome de compositor, cujo Samba do Avião tornou quase impossível para um carioca não cantarolar "minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro, estou morrendo de saudades" a cada regresso à cidade maravilhosa. O homem de olhar e sorriso doces, voz mansa, dedos dançarinos ao piano, de chapéu de panamá, além de bela figura, tinha o carisma dos iluminados, ao encantar-se com as mulheres mais lindas , mais cheias de graça, que passam a caminho do mar. Deixou essa imensa saudade que nos faz mais felizes porque podemos reencontrá-lo na sua arte.
Por favor, "parceirinho", "imagina", que, no dia 25, todos estamos cantando um "Parabéns pra você", com um coro de milhões de brasileiros, acompanhados por trilhões de pássaros.
(este artigo está reproduzido no livro "A mulher necessária")
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aqui tem música, poesia, reflexões, homenagens, lembranças, imagens, saudades, paixões, palavras,muitas palavras, e entre elas, tem cada um de vocês, junto comigo... Cida Torneros
Maracanã
terça-feira, 21 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Na "muvuca", em Sampa!



O feriadão me pegou, decidindo vir para sampa, com um casal- Carlos e Otília- paulistas que voltavam do Rio,domingo à noite e são amigos meus, vivendo uma linda lua de mel.
Como eles insistiram, senti que nao seria a vela,e nao ia atrapalhar a viagem... rs...
Viemos confortavelmente na sua landhover, pela estrada e paramos para jantar um bacalhau maravilhoso já em guararema...
Deixaram-me na casa de outra amiga carioca que vive no paraíso, bairro delicioso, e hj de manhã fui com ela ( Lílian) e mais outra amiga, para a muvuca da 25 de março...
Loucura é pouco para definir aquele formigueiro humano a comprar de tudo por ali...
meti-me no meio
comprei desde receituário culinário até caneca do homem aranha, passando por capas de nylon para chuva e brinquedos para filhos de outra amiga , a Lê. Um patinho e um sapo, ambos falantes...rs
Bem, de repente, a grande idéia...o sanduiche do Mercado..de mortadela
fui para a fila, consegui pegar o meu e uma cerveja geladinha lá pelas duas e meia da tarde... delicia das delicias...
e mais muvuca pela rua...viva a sampa do povão..porra meuuuuuuuuuuuu
to que nem pinto no lixo..rs
vou postar logo mais as fotos e vcs vão conferir..
saudações corintianas...de uma flamenguista carioca em pleno feriadão paulistano...
Cida Torneros
sábado, 18 de abril de 2009
"Con te partiro" Andrea Bocelli
Ele está no Brasil e se apresenta no Rio e em São Paulo, é artista magnífico.
Ecos do IV Seminário Médico / Mídia - RJ


Foram dois dias intensos, em termos de reflexões e reordenamento quanto à visão dos médicos sobre os jornalistas e vice-versa.
Um viva merecido para a organização do evento, fruto da dedicação da "coleguinha" Denise Teixeira e sua equipe, sob a coordenação atenta do Dr.Waldir Cardoso.
A FENAM é pioneira nessa modalidade em que se leva um discurso intenso em divergências e questionamentos para a mesa de debates onde se busca o equilíbrio e o entendimento visando a melhor performance conjunta entre as partes interessadas e complementares, que são os mundos da Saúde e da Comunicação, interessados um no outro, e plenos de necessidades a serem satisfeitas para o bom andamento das suas propostas.
O que vimos, desde a apresentação do presidente da Entidades, Dr. Argollo, até o finalzinho repleto de humor com que nos brindou Maurício Menezes, através do seu "Plantão de Notícias", foi uma sucessão de palestras interessantes, participação ativa dos presentes, perguntas e considerações sempre muito oportunas e um sem número de propostas e idéias que fizeram, certamente, crescer nossa visão sobre o tema principal do Seminário.
Destacar tanto as falas dos profissionais da mídia como dos representantes da classe médica é evidenciar que no todo, o nível da quarta versão do já tradicional evento, superou em qualidade e quantidade, os anteriores, o que é uma constatação do quanto é enriquecedor aprofundar temas tão palpitantes.
Gente de todo o Brasil ali esteve, para somar e debater, acrescentar e aparar arestas, formatar novas amizades e desfrutar da hospitalidade do Rio de Janeiro, que nos ofereceu sol e mar de muito azul, alegria de viver, clima temperado e acalorado, oportunidade de repensar o papel primordial da saúde para viver com melhor qualidade de vida e da mídia para informar com responsabilidade orientando a população sobre a prevenção e a vida saudável.
Parabéns a todos que estiveram no Windsor Plaza Copacabana Hotel, e obrigada, mais uma vez, pelo convite para ser a mestra de cerimônias do Seminário, o que muito me honra sempre!
Aparecida Torneros
terça-feira, 14 de abril de 2009
Edith Piaf - La Vie En Rose
Assim...ele vai chegar na zona boêmia e me acompanhar ao café
direi que diminua a pressa dos passos, iremos pé ante pé...
vagarosamente, a vida vai se colorir de rosa, entrelaçamos as mãos,
a energia nos invadirá repentinamente, o beijo explode no calor do nosso abraço...
será verdade ouvir sua voz sussurrada me chamando de ma cherry, moun amour...
meus olhos buscarão o encanto do seu sorriso, nada será mais importante que ele,
em mim, a sua presença, à nossa volta, Paris, cada detalhe de um grande laço...
Assim...ele vai me inundar de sentimento e me apresentar a cidade
direi que tenha paciência com meu deslumbramento, com tanta sensualidade...
generosamente, o mundo vai se colorir de rosa, estreitamos os corpos,
será nossa necessária aproximação nos tornando dois seres agarradinhos a cada passo
Assim, ele vai me surpreender com seu embevecimento, com tanta cumplicidade...
vou retribuir com êxtase, estado fora de prumo, aura flutuante, sentidos etéreos,
serei sua mágica amada a pulsar-lhe o coração,a medir-lhe o fôlego, ambos aéreos,
como bailarinos em volteios, nas calçadas, juntaremos nossos mundos, para sempre, róseos...
Cida Torneros
Edith Piaf - Pra que serve o Amor
A quoi ça sert, l’amour ?
On raconte toujours
Des histoires insensées
A quoi ça sert d’aimer ?
L’amour ne s’explique pas !
C’est une chose comme ça !
Qui vient on ne sait d’où
Et vous prend tout à coup.
Moi, j’ai entendu dire
Que l’amour fait souffrir,
Que l’amour fait pleurer,
A quoi ça sert d’aimer ?
L’amour, ça sert à quoi ?
A nous donner d’la joie
Avec des larmes aux yeux…
C’est triste et merveilleux !
Pourtant on dit souvent
Que l’amour est décevant
Qu’il y a un sur deux
Qui n’est jamais heureux…
Même quand on l’a perdu
L’amour qu’on a connu
Vous laisse un gout du miel -
L’amour c’est éternel !
Tout ça c’est très joli,
Mais quand tout est fini
Il ne vous reste rien
Qu’un immense chagrin…
Tout ce qui maintenant
Te semble déchirant
Demain, sera pour toi
Un souvenir de joie !
En somme, si j’ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien ?
Mais oui! Regarde-moi !
A chaque fois j’y crois !
Et j’y croirait toujours…
Ça sert à ça l’amour !
Mais toi, tu es le dernier !
Mais toi’ tu es le premier !
Avant toi y avait rien
Avec toi je suis bien !
C’est toi que je voulais !
C’est toi qu’il me fallait !
Toi que j’aimerais toujours…
Ça sert à ça l’amour !
Edith Piaf
A quoi ça sert l'amour (tradução)
Pra que serve o amor
Pra que serve o amor?
A gente conta todos os dias
Incessantemente histórias
Sobre a que serve amar?
O amor não se explica
É uma coisa assim
Que vem não se sabe de onde
E te pega de uma vez
Eu, eu escutei dizer
Que o amor faz sofrer
Que o amor faz chorar
Pra que se serve amar?
O amor, serve pra que?
Para nos dar alegria
com lágrimas nos olhos
É uma triste maravilha
No entanto, dizem sempre
Que o amor decepciona
Que há um dos dois
Que nunca está contente
Mesmo quando o perdemos
O amor que conhecemos
Nos deixa um gosto de mel
O amor é eterno
Tudo isso é muito lindo
Mas quando acaba
Não lhe resta nada
Além de uma enorme dor
Tudo agora
Que lhe parece "rasgável"
Amanhã, será para você
Uma lembrança de alegria
Em resumo, eu entendi
Que sem amor na vida
Sem essas alegrias, essas dores
Nós vivemos para nada
Mas sim, me escute
Cada vez mais eu acredito
E eu acreditarei pra sempre
Que é pra isso que serve o amor
Mas você, você é o último
Mas você, você é o primeiro
Antes de você não havia nada
Com você eu estou bem
Era você quem eu queria
Era de você que eu precisava
Eu te amarei pra sempre
E a isso que serve o amor.
O beijo...





“O beijo implica, ao mesmo tempo, acesso ao corpo do outro e uma entrega talvez maior do que a da transa”, avalia o psicanalista e escritor Contardo Calligaris. “Nele, o amor está quase sempre misturado.” Tanto que, quando o desgaste contamina um relacionamento, o contato labial vai ficando cada vez mais diplomático, até chegar a um selinho, no máximo.
Beijo perdido no aeroporto
Procura-se um beijo perdido,
na pracinha em frente ao Aeroporto,
era de estimação,
seus donos gratificam,
a quem encontrá-lo.
Procura-se um elo rompido,
e, como recompensa, daremos conforto,
de muita oração,
aos que intensificam
a busca de achá-lo.
O beijo que se perdeu,
era de até logo, era um afago,
de duas almas valentes,
era mesmo a praga de um mago,
que os uniu e os separou,
mas que os ungiu de sementes,
com adubo de Paz e a eles deu
o encanto dos vôos ascendentes.
Procura-se esse carinho,
porque ele guardou em síntese,
a esperança do reencontro,
que não houve, ficou escondidinho,
no coração dos que o trocaram.
Foi a despedida dos que se apaixonaram,
foi o momento roubado no tempo,
e representou tanto, foi lindinho.
Quem o encontrar, por favor, devolva,
Coloque-o em caixa dourada, envolva,
com reverência, com zelo, com respeito,
é um beijo solene, tem muita história.
Merece ser resgatado, porque está confuso,
imaginem, perdido, na multidão que viaja,
e ele tenta rever seus donos, para que haja,
entre os dois o alívio de guardá-lo,
em lugar inacessível a terceiros,
em reduto adequado onde os beijos repousam,
dignamente, com a calma dos que não ousam,
em hipótese alguma desfazer sua magia.
Esse beijo que se perdeu tem a glória
de ter sido dado com as almas de dois seres
tão inebriados da paixão e da memória,
que irão reavê-lo, com tais poderes,
eles se acalmarão, se apaziguarão,
se completarão, se perdoarão,
e pra sempre um grande Amor viverão...
Quinta-feira, abril de 2009
Beijos inesquecíveis
Beijos inesquecíveis
Maria Aparecida Torneros da Silva
Publicado em: 22/04/2008
A cena final da película Cinema Paradiso tem como tema uma sucessão de beijos inesquecíveis pinçados de histórias fortes que a sétima arte trouxe ao público no século XX.
O personagem, que quando menino, nao pudera se deliciar com as imagens, que eram cortadas pela censura moralista de uma Itália provinciana, senta-se, já grisalho, imbuído de nostalgia, e assiste, embevecido, aos beijos dos astros que enfeitiçaram gerações.
Um colar de beijos. Contas coloridas de paixão, brilhantes expressões da entrega de enredos que fizeram sonhar tantos homens e mulheres, ávidos de auto-identificar-se com os sentidos daqueles lábios quentes, entregues, ofertando carícias através de bocas sensuais.
Beijos, todos desejados, alguns roubados, outros adiados, sonhados, perdidos.
Nossos beijos, por toda a vida, refletem os momentos em que nos envolvemos com a sedução, a animalidade ou a ternura infinita.
Beijar a testa de crianças, de velhos, de filhos, nada mais gratificante do que passar, pela delicadeza do gesto, um mundo de proteção, uma plêiade de doações desinteressadas onde se oferece o bem-querer, simplesmente.
Beijar as mãos de mulheres ou de homens pode representar reverência e respeito, mas nos dá o sabor do culto à imagem de deusas e deuses dignos de manifestação tão singela.
Beijar a nuca dos amantes, mais do que arrepio, causa uma doce sensação de submissão ao prazer que se inicia na base do pensamento lógico, diminuindo a tensão de uma cabeça pensante, necessitada do relaxamento que por certo, começa ali mesmo.
Beijar as orelhas, os olhos, o rosto inteiro de alguém que esteve muito longe por muito tempo, diminui a saudade como se precisássemos conferir cada pedacinho daquele semblante, buscando preencher com beijos os espaços antes carentes de carinho.
Beijar o corpo inteiro, quando se está empreendendo a grande viagem ao prazer carnal, não só é a glória da conquista amorosa, como também é o caminho trilhado para que se alcance o êxtase da biologia humana, fazendo deslizar lingua amestrada em cada nicho desejado do parceiro sexual.
Beijar a boca de alguém, no momento do orgasmo, é momento que sintoniza o homem ao universo da criação misteriosa, elevando almas inebriadas pelo gozo etéreo aos píncaros do indescritível.
Beijos de amor, ou de posse, beijos de paixão ou de reencontro, beijos de despedida, molhados de lágrimas, beijos de saudade, dados nas costas da própria mão, de olhos fechados, lembrando beijos antigos que já não serão repetidos.
Motivos para beijar, todos devem ter. Motivos para fugir dos beijos, alguns cultivam nos seus medos, porque o inexorável da vulnerabilidade assusta a quem se deixa surpreender pelo mais inesquecível que aquele minuto poderá deixar fluir.
Se listássemos, cada um, nossos melhores beijos, nossas mentes provavelmente iriam questionar histórias de amores passados ou presentes, e nos depararíamos com os beijos que nunca demos em pessoas que nem atrevemos a abordar.
O sonho de cada beijo dado ou sonhado, é maior que o próprio beijo em si.
A aura de magia que cerca um beijo de amor, cinematográfico, nos torna prisioneiros de uma eterna ilusão. Beijar com a alma, com os olhos, com a voz embargada, com o coração aos pulos, com os braços envolvendo um ser que, por instantes, nos doa seu sentido de vida e sua respiração.
Beijar o beijo que não te dei, no dia em que não te encontrei, na noite em que não te abracei, pode ser a loucura semelhante a receber o beijo virtual que me mandaste na despedida ou que me acenaste por trás da cortina de fumaça com que o tempo cobriu a nossa história de beijoqueiros contumazes.
Beijos para ti, no dia do beijo!
Beijos de amizade e de amor, ainda que apenas idealizados, mas irremediavelmente necessários à nossa sobrevivência emocional.
Cida Torneros
Reverência ao destino, Carlos Drummond de Andrade


Reverência ao destino - Carlos Drummond de Andrade
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
Lou Andreas-Salomé

Lou Andreas-Salomé, também conhecida como Louise von Salomé (São Petesburgo, Rússia, 12 de fevereiro de 1861 – Göttingen, 5 de fevereiro de 1937) foi uma intelectual alemã, nascida na Rússia.
Lou Andreas-Salomé foi uma bela mulher que escandalizou a sociedade e quebrou regras morais. Teve vários amantes. Conheceu Freud, Jung, Nietzsche, Henri Bergson, Sartre, Paul Rée, entre outros grandes homens. Mulher sensível, tinha mito de sedutora.
A produção literária de Lou esteve sempre muito ligada aos seus envolvimentos amorosos e da relação com Rilke, aos 36 anos, resultaram obras fundamentais da escritora como "A humanidade da mulher" e "Reflexões sobre o problema do amor".
Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!
— Lou-Salomé
Lou Andres Salomé: a paixão viva

LOU ANDREAS -SALOMÉ: A PAIXÃO VIVA
(Do Livro: Os Sentidos da Paixão. Ed. Cia de Letras, 1987, págs. 359-373)
Luzilá Gonçalves Ferreira
Lou Salomé: uma prática de paixão; alguém que viveu a paixão com paixão, e talvez por isso mesmo provocou, até uma idade avançada, o nascimento da paixão nos seres que encontrou em seu caminho: Rilke, Nietzsche, Paul Rée, Tausk e, ao que parece, até mesmo Wagner sucumbiram ao seu encanto e à alegria de viver que transpirava em cada um de seus gestos - e o próprio Freud não parece ter sido indiferente à graça da discípula que ele qualificou de "raio de sol'.
A paixão de Lou pela vida transparecia em seu próprio físico. Freud lhe escreveu um dia: "você tem um olhar como se fosse Natal". E a escritora Helena Klinkberg (citado por Peters): "O sol se levantava quando Lou entrava numa sala". Era um ser luminoso, transparente e lúcido, daquela lucidez talvez de que fala João Cabral de Melo Neto a respeito de Monsieur Teste: "uma lucidez que tudo via, como se à luz ou de dia". Um ser humano para quem a felicidade é condição natural e destino do homem: "dentro da felicidade eu estou em casa". E ainda: "A única perfeição é a alegria".
Essa paixão pela vida, ela a transmitia aos outros, fazendo com que as pessoas ao seu contato desenvolvessem e dessem o melhor delas próprias. O que fez alguém escrever: "Quando Lou se interessa apaixonadamente por um homem, nove meses depois este homem dá à luz um livro. Um interesse pelo outro que o leva a crescer e produzir - mesmo quando esse crescimento e essa produção implicam o sofrimento.
Pois Lou Andreas-Salomé conseguiu realizar, em seus 76 anos de vida, o que nós todos gostaríamos e deveríamos fazer sempre - e não o fazemos por descaso, indolência, medo: tornar a vida o exercício apaixonada de uma busca. Sua exploração em todos os possíveis. Isto que requer a fruição intensa e incessante de coisas e pessoas que nos cercam, de modo que o mundo exterior em nós penetre e a nós se incorpore. Pois a vida, como o dizia Rainer Maria Rilke a propósito de Rodin, "está nas pequenas coisas como nas grandes: no que é apenas visível e no que é imenso".
Antes mesmo do seu encontro com Rilke, Louise von Salomé já intuía essa verdade: desde muito cedo encontramos nela um grande apetite de aprender e de amar - e o objeto de sua atenção podia ser a psicanálise, a curtição de uma paisagem, de uma flor, de um esquilo na floresta ou de um corpo amado.
(.....) Lou escreveu vários ensaios sobre o Erotismo. O primeiro deles data de sua ligação com Rilke. Intitulado reflexões sobre o problema do amor, traz as evidentes marcas da embriaguez física e espiritual que sua autora estava vivendo. Aqui ela assinala, em páginas de um admirável lirismo, a capacidade que tem a paixão amorosa de nos abrir o caminho ao sentimento da totalidade da vida e sua faculdade de nos colocar em estado criativo. O ato amoroso "nos enche a alma inteira (...) de ilusões e de idealizações espirituais, forçando-nos o mesmo tempo a nos chocar brutalmente, sem possibilidade de se esquivar, ao dispensador de uma tal desordem; ao corpo". E Lou escreve:
"Pois, sobretudo, resulta no indivíduo uma espécie de interação ébria e exuberante das mais altas energias criadoras do seu corpo e a exaltação mais alta da alma. Enquanto nossa consciência se interessa vagamente, habitualmente, por nossa vida psíquica, como por um mundo que conhecemos mal e que controlamos ainda pior, que ao que parece forma um com ela, mas com o qual normalmente ela se entende mal - eis que se produz subitamente entre eles uma tal comunhão de enervação que todos os seus desejos, todas as suas aspirações se inflamam ao mesmo tempo."
Por essa exaltação da alma através dos sentidos, por essa impressão que o ato amoroso nos dá de haver ido muito longe, e tocado o indizível, é que ele pode influenciar e favorecer a criação, a "pátria do dizível", como escreveu Rilke. E Lou: "O Mundo da criação e do amor significa: volta ao país natal, entrada no paraíso; o a impossibilidade de criar, ou do amor morto, é, ao contrário, um exílio onde os deuses nos abandonam".
A atividade criadora se apaixona por tudo aquilo que é vida em nós, que é indício do que em nós lateja de mais secreto, e que atinge as raízes do ser. O espírito descobre forças que não possuía ou das quais não se apercebia. Pode voltar àquele estado de inocência primeira que possuiu na infância, redescobre a "novidade" das coisas, com o frescor de uma sensação primitiva: o olhar da criança sobre o mundo que descobre maravilhada; o olhar de Adão diante de Eva recém-saída de si.
Confrontado com os seus longes, o amado vê a si mesmo, e ao mundo exterior, como algo recém-criado. Por isso, às vezes a gente sai do amor como quem saiu de uma catedral, redescobrindo o mundo aqui fora com os olhos renovados. O ato amoroso, vivido em plenitude, obriga os amantes a concentrar em si mesmos tudo aquilo de que são capazes, passível de germinar com a força das plantas na primavera.
"Nesta igualdade original do corpo e do espírito e nesta consciência ingênua de um e de outro - uma criança que acredita em tudo que vê, para quem tudo se renovou, que, cheio de uma fé e de uma confiança sem limites, gostaria de gritar sua alegria ao esplendor inverossímil do mundo, e não saberia saudar de melhor modo a razão senão fazendo cabriolas diante dela... como se balbuciasse em sonho, ele tem algo a dizer sobre estes esplendores ocultos que lhe fizera, ai de nós, esquecer tantas coisas úteis e necessárias."
O ato amoroso transforma o parceiro num "conto estranho e maravilhoso". A Paixão amorosa é uma porta, diferente de todas as outras portas, "em sua arquitetura ornada de elementos ricos de sentido, em virtude de um simbolismo singular". É o caminho por excelência que nos leva a nós mesmos. Por ela "nós não somos um mundo de realidade, somos apenas o espaço e o metteur en scène de um mundo onírico, todo-poderoso, irresistível".
Assim, o amor durará enquanto os amantes forem capazes de oferecer ao outro essa entrega, que dá acesso de modo vital à capacidade de se concentrar neles mesmos, de ser um mundo para si por causa do outro.
A esta altura, a gente poderia se perguntar - não seria esta uma visão demasiado idealizada do amor? Mas Lou não se deixa embalar incondicionalmente pelo êxtase da paixão: esta grande amorosa foi também, segundo a expressão de Freud, uma "compreendedora".
Neste mesmo ensaio, ela nos lembra que no êxtase amoroso, por mais que desejemos nossa fusão com o amado, sempre somos, em última análise, remetidos a nós mesmos. A reconciliação que se fará aqui será sobretudo entre o sujeito e ele próprio, através do outro, mais do que entre o sujeito e o objeto amado.
Num ensaio sobre o erotismo, datado de 1910, e num ensaio posterior, quando Lou já se engajara definitivamente à psicanálise, intitulado Anal e Sexual, ela nos lembra que na união física "a gente não possui um ao outro por meio do corpo, mas apesar do corpo, que, como todo mundo sabe, não se identifica jamais (...) completamente com o todo da pessoa, mas aparece sempre como uma parte dela e resiste à dominação mais viva".
(....) A fusão inteira do nosso ser com o outro, por mais querido que seja, não seria desejável. É preciso que sejamos cada vez mais nós mesmos, para poder ser um mundo para o outro. A relação erótica, remetendo-nos a nós próprios, é uma ocasião de constante renovação: cada vez ela inaugura em nós um ser novo; como um ato de linguagem, cada vez que eu falo a um Tu, é um Eu diferente que fala a um novo Tu: quando digo Eu, já não sou aquela que falava há pouco. A relação erótica é, assim, nela mesma, criação. E o amor um elemento de produção: somos a cada instante outros, encontramos no outro cada vez um elemento novo, diferente, desconhecido, misterioso até - o que dá à relação erótica sua riqueza:
"só aquele que permanece inteiramente ele próprio pode, com o tempo, permanecer objeto do amor, porque só ele é capaz de simbolizar para o outro a vida, ser sentido como tal. Assim, nada há de mais inepto em amor do que se adaptar um ao outro, de se polir um contra o outro, e todo esse sistema interminável de concessões mútuas... e, quanto mais os seres chegam ao extremo do refinamento, tanto mais é funesto de se enxertar um sobre o outro, em nome do amor, de se transformar um em parasita do outro, quando cada um deles deve se enraizar robustamente em um solo particular, a fim de se tornar todo um mundo para o outro."
É preciso que a gente seja sempre, um para o outro, duas deliciosas surpresas fecundas. Aquele mundo da fábula de La Fontaine "Os dois pombos", que aconselha aos amantes: "Amantes, felizes amantes, vocês querem viajar? Que seja pelas margens próximas/Sejam um para o outro um mundo sempre belo, sempre diverso, sempre novo./ Sejam um todo um para o outro, contem por nada o resto".
E Lou analisa esta necessidade de renovação e da existência do mistério na relação amorosa:
"Pois, nos seio mesmo da paixão, nunca se deve tratar de "conhecer perfeitamente o outro": por mais que progridam neste conhecimento, a paixão restabelece constantemente entre os dois este contato fecundo que não pode se comparar a nenhuma relação de simpatia e os coloca de novo em sua relação original: a violência do espanto que cada um deles produz sobre o outro e que põe limites a toda tentativa de apreender objetivamente este parceiro. É terrível de dizer, mas , no fundo, o amante não está querendo saber "quem é" em realidade seu parceiro. Estouvado em seu egoísmo, ele se contenta de saber que o outro lhe faz um bem incompreensível... os amantes permanecem um para o outro, em última análise, um mistério."
Assim, o amor não seria um encontro, mas uma busca. Não quer dizer que chegamos, mas que estamos próximos.
Rilke perguntava-se na Primeira elegia de Duíno: "Não é tempo daqueles que amam libertar-se do objeto amado e superá-los, frementes? Assim a flecha ultrapassa a corda, para ser no vôo mais do que ela mesma". E nas cartas a um jovem poeta, em maio de 1904:
"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe."
Se o amor é uma busca, se o estudo é uma busca, a arte uma busca, a vida inteira é também busca. E o amor e a paixão são a mola dessa busca.
É preciso buscar com amor, com paixão. Amar a vida, amá-la mesmo e sobretudo quando ela chega ao fim, e o espírito e o corpo vêem limitados seu campo de ação. Nos Cadernos íntimos dos últimos anos, Lou Andreas-Salomé dá um balanço de sua vida. Em fevereiro de 1934, isto é, três anos antes de morrer, ela escreve:
"Distingue-se entre os humanos aqueles que se sentem divididos em um passado e um futuro e aqueles que vivem o presente com cada vez mais densidade, sempre mais plenitude. Os orientais acham natural insistir menos sobre a morte do que se passa do que sobre a perfeição do que se acaba, como aprofundamento da realidade. Nós, ao contrário, começamos a ver aquilo que nos chega, apenas sob o aspecto sempre mais sinistro da morte - como tudo o que se observa de um olhar exterior, logo mortífero."
E um pouco mais adiante:
"Sempre não tive a idéia fixa de que a velhice me traria muito? Em meus jovens anos escrevi em algum lugar: primeiro nós vivemos nossa juventude, em seguida nossa juventude vive em nós. Não sei bem, ainda hoje, o que eu queria dizer com isso outrora. Mas eu tinha realmente medo de não atingir a idade de viver esta experiência; eu o sabia profundamente, uma longa vida, com todas as suas dores, vale ser vivida,. Claro, o valor da vida pode nos ficar escondido pelos desgastes sofridos pela nossa carne, nosso espírito (...) do mesmo modo que a juventude mais empreendedora pode se ver entravada em sua felicidade e em seu sucesso, por um fatal concurso de circunstâncias; mas, por além das perdas, a velhice adquire muito mais que a famosa aptidão à serenidade e à lucidez: ela permite que se chegue a uma plenitude mais acabada."
A velhice pode ser, assim, uma volta àquela espécie de paz inicial e retorno do indivíduo a um estado de não-divisão, de fusão primitiva do eu para consigo mesmo, o corpo parece se acalmar relativizando-se; ...
Num ensaio de 1901, escrito aos 40 anos e intitulado A velhice e a eternidade, Lou afirmava: "O velho está liberto de todos os seus limites pessoais e escrúpulos mesquinhos. Retirado lentamente da vizinhança imediata dos outros seres vivos, ele se vê, progressivamente, reintroduzido no grande encadeamento universal".
É preciso amar a vida em todas as suas fases e amar até mesmo a morte. Aqui Eros e Thanatos se dão as mãos - são forças complementares e não contrárias. A morte é a redenção da vida individual, escreve Lou num artigo sobre o misticismo russo. Nossa morte não nos separa dos seres que amamos; ela nos entrega de modo mais completo a eles:
No dia em que eu estiver no meu leito de morte
Faísca que se apagou -,
Acaricia ainda uma vez meus cabelos
Com tua mão bem-amada
Antes que devolvam à terra
O que deve voltar à terra,
Pousa sobre minha boca que amaste
Ainda um beijo.
Mas não esqueças: no esquife estrangeiro
Eu só repouso em aparência
Porque em ti minha vida se refugiou
E agora sou toda tua [Hino à morte]
A morte desfaz, assim, a distância entre os amantes, que agora vivem um no outro, sem que o individualismo os separe. A morte não é uma partida, umas uma volta: um retorno do indivíduo àquela união primitiva com as cosias. Por isso não a devemos temer.
A grande biografia de Lou Salomé ainda não foi escrita. Mas, pelo que dela nos resta, fica uma lição final de amor pela vida, de paixão pela vida, de totalização da vida. Por isso Lou desejou ser cremada e que suas cinzas fossem jogadas no jardim de sua casa, em Gottingen: para que seu corpo pudesse se incorporar à terra e ser transformado em planta e flor.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Vem caminhar comigo de mãos dadas! ( texto de 2002)

Vem caminhar comigo!
- Isso é um convite?
- É, mas não se assuste, é bem descompromissado. Você só precisa usar um par de tênis confortáveis, e convem levar um bonezinho para o caso do sol forte.
- Tudo bem, gosto da idéia, preciso mesmo exercitar as pernas, eu topo!
- Bem, eu preciso lhe dizer que é mais do que exercitar simplesmente as pernas. Na verdade, onde vamos, é como andar na corda bamba da vida, precisamos de postura.
- Postura? Acha que precisamos postura especial para ir um ao lado do outro, por uma pista como a Claudio Coutinho, dando a volta no morro do Pão de Açúcar, entre o mar e montanha?
- Acho, não.....tenho certeza...
- Imagina que aquele percurso é o nosso desafio. Um lugar especial como a Terra. Onde estamos e precisamos avançar cada quilômetro, em frente, capazes de vencer cada obstáculo.
- Mas o caminho tá livre.
- Quem te garante? Pode chover, desbarrancar, passar uma cobra venenosa, ter alguma pedra onde um de nós tropece.
- Você parece fazer tragédia. Menos, por favor. Tudo é muito simples.
- Me prove!
Aí, a jovem senhora, paciente e lúcida, falou assim:
" quando, no decorrer da caminhada, um de nós se cansar, ou tentar desistir, não tem problema, porque o outro segura, ampara, dá força, abraça, mostra o céu, o horizonte, o mar sem fim, aponta as flores das margens da estrada, faz silêncio para que se possa ouvir o canto dos pássaros, respira fundo e cheira o perfume das tardes calmas que nos esperam para que descansemos os pés de peregrinos. Quando, durante o percurso que fizermos lado a lado, um de nós, comovido ou decepcionado, julgar que tudo precisa ter um fim, o outro, num gesto supremo de amor sublime, apenas acaricia a fronte do companheiro, enxuga-lhe o suor, fixa-lhe a luz dos olhos e o convida a seguir mais um pouco."
- Então, ( ele retruca emocinado) vem caminhar comigo, qualquer dia desses, nessa vida! Cansei de caminhar sozinho.
- Com as mãos dadas?
- Sempre que for possível, por que não? ( ele insiste)
- Qualquer domingo desses, quem sabe? ( ela decide)
Salvatore Adamo
Salvatore Adamo (italo/belga) é um cantor « francófono », seus grandes sucessos são: Inch'Allah, C'est ma vie, F comme femme....... Nasceu em Comiso (Italia) em 1 de Novembro de 1943, no seio de uma família pobre com 6 filhos. Estudou numa escola religiosa de educação rígida. O sonho dos seus pais era oferecer-lhe um futuro glorioso. Aluno consciencioso e solitário, Adamo revelou um grande dom para o canto. Adolescente, participou num concurso radiofónico em que ganhou o 1º prémio. Ao mesmo tempo gravou o 1º disco, sem sucesso. Desanimado pensou retomar os estudos. Seguindo o conselho do pai, António, um velho mineiro, Adamo tomou o caminho da capital para tentar a sua sorte. Sustentado pelo pai bateu sem cessar às portas das editoras e assinou por fim um contrato. Em 1963, lançou « Sans toi, ma mie », seu primeiro sucesso, seguido de «Tombe la neige», «Vous permettez, Monsieur», «Les filles du bord de mer», «Mes mains sur tes hanches», «La nuit»..... Cantor popular por Excelência, Adamo seduziu o público em França e no estrangeiro. Ele foi idolatrado no Japão e os seus concertos tinham milhares de espectadores em todos os países do mundo. Artista emérito e trabalhador esforçado, Adamo não poupou esforços, e passou o essencial do seu tempo nas estradas, entre dois concertos. Restabelecido de um grave enfarte que teve em 1984, Adamo publicou, em 1992, «Rêveur de fonds», um novo álbum que foi objecto de críticas elogiosas. Confortado por esta popularidade reencontrada, lançou em 1994, «C’est ma vie», um disco ao vivo, recordação de uma série de concertos no Casino de Paris e título do seu disco de 1975. Em 1995, editou «La vie comme elle passe», um álbum introspectivo, muito intimista, seguido, em 1998, de «Regards». Artista apaixonado, Adamo seguiu a carreira sem se preocupar com modas e tendências. Ele provou que apesar disso a sua popularidade se mantém intocável. Ao fim de quarenta anos de carreira ele publicou «Les mots de l’âme», em 2002, um cd com os seus grandes sucessos.Em 2004 foi a vez de «Zanzibar», o álbum CD/DVD, em 2007 e a vez de «La part de l'ange» o àlbun CD, em 2008 e a vez de «Le bal des gens bien» (duetos) o àlbun CD.
F. COMME FEMME foi seu maior sucesso no Brasil, entre 1969 e 1970, sendo tema de uma grande novela da época.
site ADAMO Italy
domingo, 12 de abril de 2009
Chico Buarque - Tanto Mar
Homenagem à revolução dos cravos, de abril, em Portugal...
com um abraço antecipado a todos o luzitanos!!
Saiba o que foi
a Revolução dos Cravos
Revolução acabou com 48 anos de fascismo em Portugal
O levante militar do dia 25 de Abril de 1974 derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo que cederam perante o movimento popular que rapidamente apoiou os militares. Este levante é conhecido por 25 de Abril ou Revolução dos Cravos. O levante foi conduzido pelos oficiais intermediários da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães, que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução devolveu a liberdade ao povo português (denominando-se como "dia da Liberdade" ao feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).
Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, marcados pela luta entre a esquerda e a direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Passado um ano realizaram-se eleições constituintes e foi estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A guerra colonial acabou e as colônias africanas tornaram-se independentes antes do fim de 1975.
À 0h20 do dia 25 de abril de 1974, a Rádio Renascença, de Portugal, tocou uma música proibida: Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso. Era a senha para o início do movimento dos capitães, que ficou conhecido como a Revolução dos Cravos. Após 48 anos de ditadura, Portugal estava voltando a ter um regime democrático.
O movimento aparece para os portugueses com um programa que se definia por três Ds: Democratização, Descolonização e Desenvolvimento. A revolta militar foi uma conseqüência dos 13 anos de guerra colonial, em que os portugueses enfrentaram os movimentos de libertação nas suas colônias: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
A decadência econômica de Portugal e o desgaste com a guerra colonial provocam descontentamento no interior das Forças Armadas. Em 25 de abril de 1974 eclode a Revolução dos Cravos: oficiais de média patente se rebelam e derrubam o governo de Caetano, que se asila no Brasil; o general António de Spínola assume a Presidência. A população festeja o fim da ditadura distribuindo cravos - a flor nacional - aos soldados rebeldes. Os partidos políticos, inclusive o Comunista, são legalizados e é extinta a Pide, polícia política do salazarismo. O novo regime mergulha Portugal numa agitação revolucionária: Spínola fracassa em sua tentativa de controlar a força política e militar da esquerda e renuncia em setembro de 1974; o governo passa a ser dominado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), fortemente influenciado pelo Partido Comunista. Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau obtêm a independência.
Em março de 1975, após uma fracassada tentativa de golpe de Spínola, o governo passa a ser dominado por um triunvirato formado pelos generais Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. Tem início uma política de estatização de indústrias e bancos, seguida por ocupações de terras. O moderado Partido Socialista, de Mário Soares, vence as eleições para a Assembléia Constituinte em abril de 1975. Em novembro do mesmo ano, o fracasso de uma tentativa de golpe de oficiais de extrema esquerda põe fim ao período revolucionário. Apesar disso, a Constituição de 1976, ainda influenciada pelo MFA, proclama a irreversibilidade das nacionalizações e da reforma agrária.
Em 1976 o general António Ramalho Eanes, comandante das forças que esmagaram a rebelião de oficiais esquerdistas, é eleito presidente da República; os socialistas conquistam 35% dos votos e Mário Soares forma um governo minoritário.
A luta do povo português contra o fascismo e a guerra colonial tornou-se um poderoso movimento de massas, abrangendo praticamente todas as classes e setores da vida nacional.
Nos últimos meses de 1973 e nos primeiros de 1974, antecedendo imediatamente o 25 de Abril, o movimento popular de massas desenvolvia-se impetuosamente em todas as frentes.
A primeira grande frente de luta popular contra a ditadura foi o movimento operário. A classe operária intervinha como vanguarda em toda a luta antifascista, em todo o processo da luta popular. A repressão caía violentamente sobre o movimento operário. Nunca, porém, o fascismo conseguiu liquidar e abafar a organização e a luta dos trabalhadores.
Grandes greves dos operários industriais, dos transportes, dos empregados, dos pescadores, dos trabalhadores agrícolas, exerceram profunda influência no processo revolucionário.
De outubro de 1973 até o 25 de abril, além de muitas centenas de pequenas lutas nas empresas, mais de cem mil trabalhadores agrícolas do Alentejo e Ribatejo participaram numa vaga de greves que vibrou golpes repetidos, incessantes e vigorosos no abalado edifício do regime fascista.
A segunda frente de luta popular contra a ditadura foi o movimento democrático. As formas de organização e métodos de ação de massas do movimento democrático português são um exemplo brilhante da associação do trabalho legal e do trabalho clandestino nas condições duma ditadura fascista.
Mantendo sempre uma grande firmeza política e de objetivos, o movimento democrático nas mais pequenas condicionais possibilidades de atuação legal e semilegal, soube encontrar formas de organização e de ação que lhe permitiram esclarecer amplos setores e desencadear poderoso movimento de massas.
A terceira grande frente de luta popular contra a ditadura foi o movimento juvenil. A juventude teve um papel de extraordinário destaque na luta contra a ditadura fascista. Os jovens (trabalhadores e estudantes) estiveram sempre nas primeiras linhas em todas as frentes da luta política, econômica e cultural, na agitação clandestina, nas manifestações de rua, nas atividades de maior perigo.
A quarta grande frente da luta popular foi a das classes e camadas médias. Os intelectuais, ao longo de quase meio século de opressão, constituíram sempre uma força de oposição, participando ativamente no movimento democrático e desenvolvendo toda uma ação cultural e de criação literária e artística contra o fascismo.
Nos últimos tempos da ditadura, as ações dos intelectuais haviam-se intensificado. A criação da Associação Portuguesa de Escritores e os grandes movimentos dos professores do ensino secundário e dos médicos, com grandes assembléias, concentrações e greves, mostraram bem a oposição tenaz ao regime.
Em todos os setores da vida social, o povo português passara à ofensiva contra a exploração e a opressão fascistas, pelas liberdades e pela solução dos seus problemas vitais.
Na situação portuguesa pesava de forma crescente a guerra colonial com todas as suas conseqüências. Os efeitos da guerra sentiam-se na vida econômica, social e política e na situação das próprias forças armadas. A situação foi-se agravando ainda mais na medida em que os movimentos de libertação da Guiné-Bissau, Moçambique e Angola alcançaram sérios êxitos na luta armada.
Por isso, nos últimos tempos do fascismo, o movimento contra a guerra colonial e as lutas nas forças armadas tornam-se um dos centros de polarização de descontentamento e de energias e adquirem uma importância cada vez maior.
É a quinta grande frente da luta popular contra a ditadura que acabará por ser determinante para lhe pôr fim.
A luta contra a guerra colonial e pelo reconhecimento do direito dos povos submetidos ao colonialismo português à completa e imediata independência, tornou-se nos últimos anos do fascismo um vigoroso movimento nacional.
Adquirindo crescente amplitude e tomando várias formas, essa luta travava-se em três frentes principais: a ação política, a resistência nas forças armadas e ações contra o aparelho militar colonialista.
Correspondendo à ação política, multiplicam-se as ações de resistência no seio das próprias forças armadas. Nunca numa guerra colonial o número de desertores e refratários atingiu uma cifra comparável à registrada em Portugal. Segundo alguns cálculos, o número de refratários chegou a atingir quase um terço dos jovens em idade militar. Na grande corrente emigratória um forte contingente era de jovens fugindo ao serviço militar e à guerra.
A par das deserções, as manifestações de resistência nas forças armadas adquiriram um caráter cada vez mais freqüente e maciço. É nesta situação e neste ambiente que toma corpo o "movimento dos capitães" (Movimento da Forças Armadas - MFA).
O "movimento dos capitães" traduz, nas forças armadas, a tomada de consciência do povo português da necessidade do fim da guerra e da pronta liquidação do fascismo. As forças armadas, que haviam sido durante quase meio século o principal apoio do fascismo, tornam-se dia a dia o apoio cada vez mais condicional e incerto.
O agravamento das contradições e dificuldades do regime e o aprofundamento da crise interna, por um lado, e o vigoroso desenvolvimento da luta popular contra a ditadura e contra a guerra, por outro, indicavam que se aproximava a passos rápidos e seguros uma situação revolucionária.
E ao levantamento militar sucedeu-se imediatamente o levantamento popular. No próprio dia 25, as massas populares apareceram poderosas, rodeando, acarinhando, apoiando e estimulando os militares, tomando elas próprias iniciativas de ação, fundindo o povo e as forças armadas numa mesma aspiração e num mesmo combate.
Depois de quase meio século de fascismo iniciava-se a Revolução portuguesa que iria causar a surpresa e a admiração da Europa e do mundo.
Em 25 de Abril de 1974 terminava, derrotada pelo Movimento das Forças Armadas - MFA e pelo povo a longa ditadura fascista de 48 anos que Salazar impôs ao povo português, ditadura tão estruturada, tão repressiva, que sobreviveu à morte do ditador ocorrida em 1970.
Foi talvez a mais linda festa política dos oito séculos da história de Portugal: a multidão, milhares de pessoas em estado de júbilo, dançava, cantava, chorava, sorria. E se abraçava, e abraçava os jovens soldados sem medo dos fuzis. E ocorreu então um caso extraordinário, até hoje sem explicação. Não se sabe como nem porquê, havia cravos vermelhos nas mãos do povo. Homens, mulheres e crianças de cravos nas mãos. Milhares de cravos. E o povo enfeitou de cravos os fuzis militares. E do povo a revolução ganhou nome: Revolução dos Cravos!
Fontes: Utopia.com.br/cc25a/25abril/historico.html
La violetera, sinopse do filme e letra da música

Na Madri do início do Século XX, Soledad vende violetas no lado de fora do principal teatro da cidade. Jovem, bonita e sonhadora, ela canta para distrair seus fregueses. Até que um dia, sua voz encantadora chama a atenção de um jovem e rico aristocrada. Desse encontro, após muitas tentativas e sofrimento, ela se transforma em um grande sucesso mundial. E em meio a tribulações e preocupações, acontece o amor entre os dois. Música, alegria e emoção em um filme inesquecível, responsável pelo grande sucesso de Sarita Montiel.
La Violetera
(Jose Padilla Sanchez/ E. Montesinos Lopes)
Idioma original: ESP
Como aves precursoras de primavera
en Madrid aparecen las violeteras
que pregonando parecen golondrinas
que van piando, que van piando.
Llévelo usted señorito que no vale más que un real
cómpreme usted este ramito
cómpreme usted este ramito
pa' lucirlo en el ojal.
Música
Son sus ojos alegres, su faz risueña
lo que se dice un tipo de madrileña
me trae castiza que siento horná los ojos
que cauteriza, que cauteriza.
Llévelo usted señorito que no vale mas que un real
cómpreme usted este ramito
cómpreme usted este ramito
pa' lucirlo en el ojal.
Música estrofa
cómpreme usted este ramito
cómpreme usted este ramito
pa' lucirlo en el ojal
Sara Montiel- La Violetera
Sara Montiel, inesquecível na interpretação de La Violetera, momento mágico da música espanhola, parte do filme do mesmo nome, de tão grande sucesso na década de 60. A cantante ganhou fama mundial, é lembrada por centenas de outras músicas e ainda se encontra participando da vida espanhola, através de apresentações esporádicas que faz na televisão e nos palcos, apesar da idade já avançada, continua bonita e mantém a voz melodiosa.
Tia Cecília e o domingo de Páscoa

Acordo às 10 horas de um domingo de Páscoa, com um telefonema da mamãe. Avisa que tia Cecília chegou para uma visita. As duas irmãs, de temperamentos tão diferentes, mas sempre unidas, vão passar juntas esse dia,e aviso que vou na hora do almoço, comer com elas. Tia Cecília está com 81, é um ano mais nova que minha mãe, e mora longe, na zona quase rural do Rio de Janeiro. Sua filha Denise a acompanha sempre, com desvelo e paciência. Mas como não ter paciência com ela? Sempre foi aquela criaturinha mais alegre que conheci na minha vida de menina sapeca. Sorridente e de bem com a vida. Com muitos filhos e alguns casamentos, era a "prafrentex" da família do lado materno. Não se importou nunca com os olhares censuradores que lhe imputavam, e saiu por aí, gingando, quando menina, nos ensaios de carnaval, o que fazia meu avô Ataliba acordar nas madrugadas e procurá-la na cama, onde, evidentemente, não estava. E minha mãe saía correndo, ao pressentir a surra que a jovenzinha, nos anos 40 ia tomar, depois de sambar à vontade, fugida de casa. Mas, elas gostam de relembrar a ousadia da Cecília, esta, sacudindo-se no embalo dos batuques no subúrbio de Ramos, respondia à irmã aflita que não tinha problema se ganhasse o castigo, pois já tinha aproveitado muito e pulava mais um pouquinho enquanto a mana Norma, do tipo certinho e não infrigidor de regras, a puxava pelo braço, esperando que o pai delas tivesse adormecido de novo.
Cecília era desafiante, honesta com seus valores e como não quis estudar, foi se casando e descasando, e lhe sobrou um emprego honesto e duro. Foi trabalhar em casa de família, cozinhar, o que sabia fazer muito bem. Só numa das casas em que trabalhou, ficou mais de 20 anos. Criou os filhos da família, aposentou-se e é querida de todos que até hoje lhe seguem os passos e protegem.
É comum que quando nos encontremos ela me conte do pagode que ainda frequenta, pertinho de casa, para ouvir uma boa música de roda, tomar uma cervejinha com moderação e sorrir o sorriso mais plácido que uma tia pode sorrir, ao oferecer sua alegria de viver. Quando minha mãe ficou doente, no ano passado, ela sempre me ligava e dizia: - Faz ela comer e tomar os remédios, ela vai ficar boa, tenho fé! Sim, tia Cecília tem a fé dos que aceitam as agruras da vida e nem reclamam de nada, ela vive cercada de filhos, netos e bisnetos, modestamente instalada na casa de uma das minhas primas. Ao perder meu pai, ofereci-lhe o aparelho de dvd que ele tinha e usava muito para assistir seus filmes de Chaplin, entre outros. Ela ficou como uma menina, de tão feliz, mas disse que só havia um aparelho de televisão na casa e que o genro o monopolizava com partidas de futebol. Então, achamos que devíamos lhe dar também um receptor de tevê e ela fez a festa completa, nos contando, depois, que com uma televisão no seu quarto, podia assistir "a noviça rebelde" quantas vezes quisesse e ver todas as novelas que gosta de acompanhar.
Simples, humana, capaz de me dar bronca se eu atrasar para chegar na hora do almoço, tão risonha e carinhosa, de olhar profundamente solidário, é aquela que abraça e beija, diferente da minha mãe, contida sem muitos afagos, tia Cecília oferta carinhos e palavras doces. Ela traz com ela o sabor do melhor chocolate, aquele em que o amor derrete nosso coração, com lembranças do seu colo na infância, das suas gargalhadas, histórias de vida, exemplos se vida e superação, nem um lamento, nenhuma reclamação, só mesmo doçura, Tia Cecília, que vou ver na hora do almoço, na casa da mamãe, é o meu melhor presente de Páscoa!
Aparecida Torneros
Mulher de coragem..."corpo com cabeça"
Mulher de coragem... ( este texto é de abril de 2005)
sempre fui corajosa...desde menina...aprendi a matar muitos leões todos os dias..fui à luta...sempre estudei e trabalhei muito...tive vitórias... derrotas, algumas, sim, mas não tão absolutas que se tornassem obstáculos para impedir que continuasse minha peregrinação nessa vida repleta de caminhos a seguir..escolhi alguns atalhos e fui por eles, na ilusão de chegar mais rápido...sempre que me percebi em estradas complicadas, voltei e reiniciei a viagem com mais garra...nunca me vi como uma covarde assumida... pelo menos, desenvolvi em mim a consciência do meu potencial para batalhar por dias melhores para mim, para os que me cercam, para os que eu possa ajudar, nos cruzamentos de inumeráveis viagens que empreendi...
...ontem, à noite, confessei ao meu analista, que me sinto peixe fora dágua... disse que não tenho interlocutor para o meu diálogo, que acaba sendo um grande monólogo...ele me perguntou sobre os homens... já que tenho muitas mulheres como amigas, com quem convivo diariamente, viajo sempre, troco muito carinho, confidências e expectativas...
...respondi que a sede de sexo dos machos, na verdade, me incomoda...apesar de ser ainda, na minha idade madura, muito fogosa, é como se constatasse que eles só querem ver em mim um corpo... sem cabeça...um corpo apto aos prazeres, mas um cérebro idiota, uma mente culturalmente relegada ao plano medieval das fêmeas que não deviam crescer e se o fizessem, seriam queimadas, como "bruxas" na fogueira imposta pela dominação masculina...
...respondi que não seria jamais uma "garota de programa", mas sim uma "senhora do meu destino"...
...ele considerou que sou uma sedutora...das maiores...que seduzo as pessoas com a minha palavra, meu grau de articulação poética e a minha própria liberdade de ser...
...acrescentou que isso é um jogo...o da sedução...que eu jogo muito bem... e que não devo me surpreender pela reação das pessoas quando se sentem atraídas pelo feitiço dos meus textos...do meu jeito de ser...quando me desnudo na paixão pela poesia, esquecendo que para muitos, isso parecerá a nudez da alma e do corpo... quando na verdade, não é!
... ele finalizou me dando um toque pessoal para que eu me pergunte onde fica o meu prazer de comandar esse jogo de palavras e de "fetiches", já que a partir dele, estabeleço o pilar da minha eterna coragem de viver...
...deduzi que sou uma feiticeira em vias de aposentadoria...preciso parar com essa mania de encantar meus amigos e amigas, leitores e leitoras, namorados e admiradores, se o faço pelo prazer do exercício da sedução...
... penso que acontece a todos...os mortais...a necessidade de serem reconhecidos...de conquistarem o olhar extasiado dos que nos observam caminhando...
...mas, preciso ser mais responsável...não posso permitir que alguém se sinta seduzido por mim... sem medir a extensão desse sentimento... sem avaliar que há pessoas que imaginam que eu venha a lhes oferecer o que não posso: a minha liberdade de ser... inteira... com coragem de ser sozinha...
...até que me apareça, pelo caminho, alguém que me faça sentir inteira, mas companheira, tranquilamente inteira e pronta pra receber um parceiro a quem eu complete, também, inteira e corajosamente.
Cida Torneros
Torre Eiffel - 120 anos


A Torre Eiffel (em francês Tour Eiffel) é uma torre de ferro construída no Campo de Marte ao lado do Rio Sena em Paris. A torre tornou-se um ícone mundial da França e uma das mais conhecidas estruturas do mundo.
História
Torre Eiffel em construção em julho de 1888
Inaugurada em 31 de Março de 1889, a Torre Eiffel foi construída para honrar o centenário da Revolução Francesa. O Governo da França planejou uma Exposição mundial e anunciou uma competição de design arquitetônico para um monumento que seria construído no Champ-de Mars, no centro de Paris. Mais de cem designs foram submetidos ao concurso. O comitê do Centenário escolheu o projeto do engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923), de quem herdaria o nome, da torre com uma estrutura metálica que se tornaria, então, a estrutura mais alta do mundo construída pelo homem. Com seus 317 metros de altura, possuía 7300 toneladas quando foi construída, sendo que atualmente deva passar das 10000, já que são abrigados restaurantes, museus, lojas, entre muitas outras estruturas que não possuía na época de sua construção. Eiffel, um notável construtor de pontes, era mestre nas construções metálicas e havia desenhado a armação da Estátua da Liberdade, erguida pouco antes no porto de Nova Iorque. Quando o contrato de vinte anos do terreno da Exposição mundial (de 1889) expirou, em 1909, a Torre Eiffel quase que foi demolida, mas o seu valor como uma antena de transmissão de rádio a salvou. Os últimos vinte metros desta magnífica torre correspondem a antena de rádio que foi adicionada posteriormente.
A torre é visitada anualmente por 6,9 milhões de pessoas.
Os 72 nomes na Torre Eiffel
Os nomes de setenta e dois cientistas, engenheiros e outros franceses notáveis estão gravados em reconhecimento a suas contribuições por Gustave Eiffel. Estas gravações foram cobertas de tinta no começo do século XX, e restauradas em 1986-1987 pela Société Nouvelle d'exploitation de la Tour Eiffel, uma companhia contratada para negócios relacionados à Torre.
Comemorações dos 120 anos
Em 2009 vai ser redesenhada a plataforma panorâmica do último andar e conferir uma nova silhueta à torre, o projecto expandirá a área acessível ao público de 280 para 580 metros quadrados numa estrutura em kevlar, com projecto do arquiteto francês David Serero.
Jacqueline François "moi je dors près de la Seine"

Nome
Jacqueline François
Data de Nascimento
30/01/1922
De um lado o grande compositor e cantor Charles Trenét , do outro uma das mais belas vozes femininas da música francesa Jacqueline Françoise. Reunidos nesse CD mostram ao mundo todo o encanto e romantismo da música francesa. La mer, Melancolie, La vie en rose, Menilmontat e Douce France são algumas das envolventes faixas deste CD.
LBACD-043 - DOUCE FRANCE
Charles Trénet - Jacqueline François
1. LA MER - (Charles Trénet) - Charles Trénet - 3´20"
2. MÉLANCOLIE - (Al. Romans - P. Dudan) - Jacqueline François - 3´11"
3. MARIE MARIE - (Charles Trénet - Chaullac) - Charles Trénet - 2´50"
4. BOLÉRO - (P. Duran - H. Content) - Jacqueline François - 3´21"
5. MÊS JEUNES ANNÉES - (Charles Trénet) - Charles Trenet - 3´14"
6. HYMNE A L´AMOUR - (E. Piaf - M. Monnot) - Jacqueline François - 3´08"
7. BOUM!!... - (Charles Trénet) - Charles Trénet - 2´33"
8. LE VIE EN ROSE - (Louigui - E. Piaf - Paul Durand) - Jacqueline François - 3´15"
9. MENILMONTAT - (Charles Trénet) - Charles Trénet - 3´17"
10. UN JOUR TUR VERRAS - (G. Van Parys - Mouloudji) - Jacqueline François - 2´47"
11. L´ÂME DES POÈTES - (Charles Trenet) - Charles Trénet - 2´41"
12. PADAM-PADAM - (Glanzerb - Contet) - Jacqueline François - 2´59"
13. QUE RESTE-T-IL DE NOS AMOUR - (Charles Trénet) - Charles Trénet - 3´11"
14. LA SEINE - (J. Lafarge - R. Monod) - Jacqueline François - 3´18"
15. VOUS QUI PASSEZ SANS ME VOIR - (Trénet - Paul Misraki) - Charles Trénet - 3´18"
16. SI TU PARTAIS - (Michel Emer) - Jacqueline François - 3´23"
17. REVOIR PARIS - (Trénet - Lasry - Trénet) - Charles Trénet - 2´59"
18. FEUILLES MORTES - (J. Kosmo - J. Prévert) - Jacqueline François - 2´20"
19. DOUCE FRANCE - (Charles Trénet) - Charles Trénet - 3´10"
20. MADEMOISELLE DE PARIS - (P. Durand - H. Contet) - Jacqueline François - 3´01"
TOTAL: 61´16"
Jacqueline François , por Marcelo Coelho
Jacqueline François
Marcelo Coelho
Tomei algum contato com a música popular francesa não por meio de Edith Piaf ou de Charles Aznavour, mas porque meus pais tinham, em meio a uns poucos LPs, dois discos de Jacqueline François, uma cantora de sucesso no tempo do onça, capaz de dar alguma fumaça de cigarro gutural a canções agradáveis e poéticas como “Demoiselle de Paris”, “La mer”, e outras daquelas coisas que, segundo me lembro, gravei numa fita cassete para ouvir no primeiro carro que tive, um Fusca branco, no ano de 1979. Fazia frio naquele mês. não sei se de junho ou de agosto, e foi ouvindo Jacqueline François que me dirigi, com máximo cuidado, ao Largo 13, em Santo Amaro, para assistir numa noite de inverno ao primeiro comício do PT.
Registro a morte de Jacqueline François, em março deste ano, não sem dar alguns links para suas interpretações.
Ela morreu no dia 7 de março, aos 87 anos.
Escrito por Marcelo Coelho
sábado, 11 de abril de 2009
Ressurgiu...

Ressurgiu
chegou de mansinho no peito daquela criatura solitária
de tão esquecido, quase não pôde ser reconhecido...
fez-se de festas, mas seu brilho estava ainda embaçado
tão longa fora sua ausência na vida dela, tão longe no tempo,
que as lembranças de como amar encontravam-se apagadas, encobertas...
Reviu seu Tempo
quantos o tinham abandonado pelas esquinas do caminho?
e a quem atribuir maior saudade ou mais profunda recordação?
podia ser mais simples essa questão de apegar-se e desapegar-se...
os corpos se transmutam e os espíritos permanecem, melhor pensar assim...
Reencontrou a Felicidade
esta tornou a lhe bater à porta, e como foi duvidoso se devia abrir ou não...
questionou seus medos e aflições...criatura feita à luz e semelhança do Senhor
sim, era preciso amar sem medir e doar-se sem temer... abrir os braços para receber
Recebeu a Luz, reatou os laços com a Paz
reviveu cada perdão e cada aconchego
renovou seus votos de aproximação e humanidade
rendeu-se ao pranto de emoção e humildade
sentiu-se novamente na casa do seu coração pleno
reencarnou sua espiritualidade infinita e ...
Subiu então aos Céus abençoados dos que retornam ao Paraíso
porque voltou a amar sua mais simples realidade, rejubilou-se,
iluminou-se, expandiu-se em milhões de partículas perfumadas,
transbordou fé a seus semelhantes e extasiou-se com o perfeito Amor...
Aparecida Torneros
sexta-feira, 10 de abril de 2009
A grande metáfora - Leonardo Boff
A grande metáfora
> Leonardo Boff
>
> Para os cristãos a Semana Santa é a grande semana em que se celebra a
> vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Esses três fatos são momentos
> de um único processo, chamado de ''mistério pascal'', mistério da
> passagem (páscoa na linguagem bíblica) da vida para a morte e da morte
> para a ressurreição.
>
> Ou então da passagem do cativeiro egípcio para a libertação do povo no
> deserto e para a conquista da terra da promissão.
>
> Hegel quando jovem estudante de teologia em Tübingen (foi primeiramente
> teólogo bem como Heidegger) em seu Stift (seminário) teve durante a
> sexta-feira santa uma iluminação que modificou toda sua vida e que está
> na raiz de sua filosofia. Chama a esta sexta-feira de ''sexta-feira
> santa teórica''. Viu a unidade do processo da natureza e da história que
> passa pela vida, pela morte e pela transfiguração bem como no mistério
> pascal cristão. Chamou a isso de dialética.
>
> Se bem repararmos, a semana santa, para além de seu caráter religioso,
> representa uma grande metáfora. Tudo no universo, nos processos
> biológicos, humanos e biográficos se estrutura na forma da dialética. O
> primeiro momento é a tranqüila serenidade e paz infinita daquele
> pontozinho quase infinito de onde viemos. De repente, sem sabermos por
> quê, ele explode. Produz um incomensurável caos. A evolução do universo
> significa um processo de criar ordem no caos. Cada ser vivo nasce, se
> desenvolve, morre e se transfigura no Todo. As sociedades passam por
> crises. As estrelas-guia já não respondem aos novos desafios. Produz-se
> um processo de dissolução.
>
> Quando se define outra forma de organização social emerge uma nova ordem
> com um outro sentido de ser. O ser humano vive seu arranjo existencial
> sereno e tranqüilo. Eis que irrompe a crise e tudo se abala.
> Purifica-se, madura e cria outra ordem vital. Esta por sua vez,
> lentamente, também se desestabiliza e somente volta à serenidade quando
> elabora outro sentido de vida ou passa para uma outra dimensão
> além-morte. Em todo esse processo dialético há a experiência de vida, de
> morte e de transfiguração; de ordem, desordem e nova ordem; de tese,
> antítese e síntese. A complexidade segundo Edgar Morin se estrutura
> nesta dialética.
>
> Nesta visão dialética a pessoa não foi criada para conhecer um fim na
> morte mas para se transfigurar através da morte. Passa, como diriam os
> alquimistas medievais, por um processo alquímico e entra numa ordem mais
> alta. Os cristãos chamam a isso de ressurreição. Ela não significa a
> reanimação de um cadáver mas a transfiguração completa do ser humano em
> comunhão com o Ser. É a dialética da semente: ''se o grão de trigo,
> caindo na terra não morrer, ficará só, mas se morrer, produzirá muito
> fruto'', como disse o Mestre.
>
> Hoje a natureza e a humanidade vivem sob pesada sexta-feira santa
> ameaçadora. Há devastação e sofrimento em demasia. A via-sacra tem
> estações sem fim. A nossa esperança é que este padecimento se ordene a
> uma radiante transformação, a um novo paradigma de convivência onde não
> seja tão difícil tratarmos os seres da natureza com compaixão e nossos
> próximos com humanidade e com cuidado.
>
> Depois que Cristo ressuscitou após um fragoroso fracasso pessoal não
> temos mais direito de ficar tristes e de perdermos a esperança.
>
Feliz Páscoa!!! Happy Easter! Felices Pascuas

This picture shows Carmen Torneros y su hermano Obidio Torneros, em 1968, in Brasil!
Feliz Páscoa!!! Happy Easter!!!
Olho a foto da família reunida no final dos anos 60! Era mais uma dessas comemorações que marcavam as visitas, sempre no mês de julho, que o tio Obidio, irmão da minha avó Carmen, espanhol radicado em N. York, fazia ao Brasil, hospedando-se na casa dela, em Ramos, subúrbio do Rio de Janeiro.
Festas se sucediam, almoços e jantares, nas casas dos sobrinhos para alegria da garotada. Essa foto é na sala do apartamento em que morávamos, eu, minha mãe, meu pai e meu irmão. Adolescente, como eu aproveitava essa vindas do tio Obye, passeando com ele por toda a cidade e até por S Paulo, onde ele fez questão de visitar o casa dos Bandeirantes, entre outros lugares.
Voltando à foto, observo o brinde e a alegria familiar. Em nossos encontros, houve sempre a renovação do carinho recíproco, a matriarca Carmen Torneros nos cultivou tal atitude positiva diante da vida, e seus filhos e netos, tiveram o privilégio de conhecer o verdadeiro espírito de aconchego que deve ser o da ressurreição dos bons sentimentos entre as pessoas.
Até hoje, mesmo espalhados por bairros do Rio e até por cidades e países diferentes, ainda nos sentimos tão unidos e presentes uns nas vidas dos outros, e, mesmo perdendo alguns que já se encontram na vida eterna, sabemos que permanecemos juntos, em constante renovação de amor e carinho.
Saudades que nos estimulam a construir novas vidas, vidas essas que se perpetuam nos meninos e meninas que nascem, descendentes nossos, filhos, netos, sobrinhos, sobrinhos-netos, uma teia de sangue e gens para brindar o bom caminho, a boa cepa, tantos ensinamentos.
Vó Carmen e Vô Antonio nos legaram bons exemplos.Dos seus filhos, eram 8, Ulysses ( meu pai), tio Ovidio, tio Paulo, tia Vera e tio Pedro, já partiram para o céu dos abençoados, e contamos com a felicidade do convívio com tio Helio, tio Gerson e tia Maria, no Brasil, e da prima Dolores (filha do tio Obidio) e seus filhos e netos, nos Estados Unidos.
Sabemos que para nós todos, Páscoa significa renascimento dos nossos sentimentos de amor familiar, respeito crescente por valores além de preconceitos baseados em amor incondicional.
Um brinde e um saludo a todos e todas! Somos abençoados e desejamos oferecer nossa paz e harmonia do fundo dos nossos corações, com respeito e amizade, para sempre!
Maria Aparecida Torneros da Silva
Rio de Janeiro, Brasil
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