Maracanã

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Um texto do Contardo para reflexão!!! muitaaaaaaaaaaaaaa!!!

08 Outubro 2009



Razão, crença e dúvida

Contardo Calligaris


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Onde se manifesta a razão? Na arrogância de certezas absolutas ou na capacidade de duvidar?


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MEU PRIMEIRO contato com a história que segue foi em junho passado, no blog de Richard Dawkins (www.richarddawkins.net, site que se autodenomina "um oásis de pensamento claro"). Dawkins é o evolucionista britânico que se tornou apóstolo do racionalismo ateu e cético, escrevendo, entre outros livros, o best-seller mundial "Deus - Um Delírio" (Companhia das Letras, 2007).

 
Mas eis a história. Em 2002, na Austrália, o casal Sam, de origem indiana, perdeu a filha, Gloria, de nove meses.

A menina, a partir do quarto mês, apresentou sintomas de eczema infantil, que é uma condição alérgica que afeta mais de 10% dos bebês e, geralmente, acalma-se ou some aos seis anos ou na adolescência. As causas do eczema infantil não são bem conhecidas; a medicina administra a condição da melhor maneira possível, esperando que passe. O problema é que o eczema (pele seca com prurido) dá uma vontade de se coçar à qual as crianças não resistem, e a pele, ferida, abre-se para qualquer infecção. Foi o que aconteceu com Gloria, que morreu de septicemia.

Não foi falta de sorte: o pai de Gloria é homeopata e, em total acordo com a mulher, medicou a menina só com remédios homeopáticos (insuficientes na condição da menina). Isso até o fim, quando ela definhava pelas infecções internas e externas. Gloria foi levada a um hospital três dias antes de morrer: as bactérias já estavam destruindo suas córneas, e os médicos só puderam lhe administrar morfina para aliviar seu sofrimento.

Os pais de Gloria foram presos, acusados de homicídio por negligência e, no fim de setembro, condenados pela Justiça australiana: o pai, a oito anos de prisão, a mãe, a cinco anos e quatro meses. Segundo o juiz, Peter Johnson, ambos os pais "faltaram gravemente com suas obrigações diante da filha": o marido pela "arrogância" de sua preferência pela homeopatia e a mulher pela excessiva "deferência" às decisões do marido.

Os termos da decisão de Johnson são admiráveis. A obediência -ao marido, no caso-, seja qual for seu fundamento cultural, nunca é desculpa; ela pode ser, ao contrário, o próprio crime. E, sobretudo, o marido é condenado não por recorrer à homeopatia, mas pela "arrogância" que lhe permitiu perseverar em sua crença e em sua decisão diante do calvário pelo qual passava a menina.

A sentença de Peter Johnson é, para mim, um modelo de racionalidade, porque estigmatiza a certeza independentemente do objeto de crença. Ou seja, o juiz não discute o bem fundado da autoridade do marido e, ainda menos, os méritos respectivos da homeopatia e da medicina alopática. Tampouco ele quer limitar a liberdade de opinião, garantida pela Constituição; a sentença penaliza apenas, por assim dizer, a rigidez.


Se me coloco no lugar dos pais de Gloria, não consigo imaginar uma crença, por mais que ela possa ser crucial para mim, que resista à visão do corpinho de minha filha transformado numa ferida aberta e purulenta.

 
Antes disso, eu (embora confiando, a princípio, na medicina alopática) já teria convocado não só os homeopatas (o que, aliás, seria uma banalidade, visto que a homeopatia é uma especialidade médica reconhecida) mas também todos os xamãs, feiticeiros e curandeiros que me parecessem minimamente confiáveis. E, é claro, embora agnóstico, eu rezaria, sem nenhuma vergonha e sem o sentimento de trair minhas "convicções", pois a primeira delas, a que resume minha racionalidade, diz, humildemente, que há muito no mundo que minha razão não alcança.



Se fosse testemunha de Jeová, e minha filha precisasse de uma transfusão (que a religião proíbe), abriria imediatamente uma exceção. Mesma coisa se fosse cientologista, e minha filha precisasse de ajuda psiquiátrica. Sou volúvel e irracional? O fato é que tenho poucas crenças (provavelmente, nenhuma absoluta), e acontece que, para mim, a razão é uma prática concreta, específica: um jeito de pesar e decidir em cada momento da vida.

O surpreendente é que, ao ler os comentários dos leitores no blog de Dawkins, os "racionalistas" parecem tão "rígidos" quanto o pai de Gloria. "A razão" (que eles confundem com uma visão aproximativa do estado atual da arte médica) é, para eles, um objeto de fé, uma crença pela qual facilmente condenariam os "infiéis" à fogueira.

Com o juiz Johnson, pergunto: onde se manifesta a razão? Na arrogância das certezas ou na capacidade de duvidar?

ccalligari@uol.com.br

Agradecimento à editora Usina de Letras!

Coletânea Usina de Letras 10 Anos

Agradeço à editora Usina de Letras,  especialmente ao meu editor Tomás Adour, por ter incluído um conto meu " A visita de Piaf", na sua Coletânea comemorativa.  



Foi lançada a Coletânea 10 anos da Usina  na Bienal do Rio de Janeiro 2009, no Riocentro, no Pavilhão Laranja, estande 17 A (estande da sua Usina), no dia 12 de setembro.


Confira abaixo a lista dos talentos que estão participando deste volume especial:








Zilda Costa, José Vaz, Béia Ayer, Neuza Pinto Nissen, Fagner Fonseca, Felipe Catusso, Marcos Airton de Souza Freitas, Roberto Toledo, José Araújo, Paccelli Zahler, Oliver Redublo Quinto, Alexsandre Moro, Antonieta de Sant' Ana, Claudia Vaz, Darcy Brito, João Evangelista de Araújo, Maria Vieira de Morais, Ana Maria Faustino, Fábio Aiolfi, Lucas Franciscon, Marcelo Henrique dos Santos Rodrigues, Marcos Teixeira de Souza, Maria Cristina Violante, Angela Sanchéz, Débora Villela Petrin, Maria Juliana Dacoregio, Maria Aparecida Torneros, José Luiz de Souza Santos - JL Semeador, Jorge Luís de Freitas Lima, José Ricardo Zani, José das Neves Netto, Sônia Carolina, Alfredo Albuquerque, André Ricardo Aguiar, - Zuleide Valente, Lurdinha Dantas, Júlio Cesar Freid´sil, Ione Garcez Vieira, Eulália Cristina Costa e Costa, Mirian Cury e Pedro Gomes da Silva.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Bate coração, Elba Ramalho!

Menino do Rio



Cida Torneros: memórias de meninas do Rio



CRÔNICA/ MÚSICA



COISAS DE MENINAS REBELDES


Cida Torneros


O pequeno disco de vinil, compacto simples, era como o chamavam, rodava manso sobre a vitrolinha portátil num quarto de meninas, em Copacabana, devia ser 1969 ou 70, e a música melodiosa e triste era sussurrada pelas vozes de três jovenzinhas rebeldes, eu e minhas duas primas. A música que nos embalou, variava de gosto e estilo, mas nas horas de desilusão, minha prima Regina, que faleceu há pouco tempo, aos 53 anos, sapecava a voz do Antonio Marcos, cantando “eu hoje estou tão triste, eu precisava tanto conversar com Deus”.


Tínhamos entre 17 ou 19 anos, nos vestíamos para sair na noite, escondidas, é claro, esperando que meus padrinhos, pais delas, pegassem no sono. Queríamos ir a alguma “boite”, com vestidos de mini saia, sapatos salto agulha, bem perto, na Fernando Mendes,onde, nos deslumbrávamos como os artistas que iam dar canja, e nossa bebida de praxe era mesmo a cuba libre. O que queríamos mesmo era aprender a amar.


Tínhamos a meninice brejeira, a pele bronzeada pela frequencia habitual às areias de Copa, o encantamento pela novidade, a sensação da transgressão, e, ao mesmo tempo, o medo de alguma aventura mais arrojada, nada fazíamos a não ser trocar beijinhos com namoradinhos tão jovens quanto nós, e corríamos pra casa, onde entrávamos, com os sapatos na mão, rezando para que a Lady,cadelinha de estimação não desse nem um latido, denunciando nossa chegada no apê, onde ainda viraríamos o resto da madrugada, fofocando sobre pequenos delitos, ou fumando um cigarrinho comum, cujo cheiro íamos disfarçar com perfume em spray.


O disco ia chegando ao final, a tecnologia era mesmo manual, e uma das tres esticava o dedinho para que a agulha voltasse ao princípio da música, e lá íamos nós, envolvidas pelo questionamento sobre a tristeza que começávamos a descobrir ser tão comum nos amores desfeitos pela traição, quando pegávamos as mentiras mal contadas dos tais namoradinhos aprendizes de conviver as emoções da ternura e do prazer. Havia também o fato de que muitas vezes nos entusiasmávos por homens que não nos davam bola por acharem que éramos bobinhas demais e não tínhamos a malicia necessária para um “verdadeiro affair”.


A canção do jovem autor, entre muitas outras, era sucesso, e, ao mesmo tempo, era um libelo inocente para o futuro que teríamos que enfrentar. Ele mesmo, que foi prisioneiro do alcoolismo e morreu em consequencia disso, nos transmitiu, além do talento, uma amargura suficiente para que nos identificássemos com uma das mais cruéis rotinas dos relacionamentos, seus finais dolorosos, as decepções amorosas, os finais onde um dos parceiros teria mesmo que chorar. Então, nos diálogos das três, quantas ocasiões não nos perguntamos: Então o amor era isso? Traiçoes, desilusões e sofrimentos?


Acho que foi nessa época que aprendemos também a saber chorar pelos amores perdidos, pelos amores sonhados, pelos amores mal sucedidos, sem entretanto termos desistido de voltar a buscar qualque tipo de amor, pelo resto de nossas vidas.

Já se passaram quase 40 anos, e hoje, ao ouvir a tal interpretação do saudoso cantor, me vi, exatamente como aquela menina-moça ( como éramos chamadas), sentindo um frio na alma, um aperto no peito, a saudade da esperança daqueles dias de juventude, o cansaço de tantas tentativas de encontrar amor sincero, e aí, desabei num pranto sofrido, doído, inteiramente descontrolado, resgatando um momento que dentro de mim, se repete, como um presságio.

A vida rolou, e ainda rola, Regina deixou filhos adultos e sua irmã Lena hoje é viúva com filhos e netos, ainda trabalha e gosta de dançar. Pouco nos vemos, mas quando nos encontramos, é possivel relembrar as artimanhas quase infantis que ousamos viver, como por exemplo, fugir num fusca de algum amigo para tomar sol na Barra, que era um deserto e o fim do mundo, mas nos dava a dimensão de que esse mesmo mundo cresceria mais. Ainda iríamos ultrapassar fronteiras maiores e nos aventurarmos em caronas de avião indo buscar o amor em lugares e países distantes. Talvez o amor seja mesmo essa coisa impossível, na concepção da tal felicidade fantasiosa, e nem adianta fugirmos para praias desertas ou cidades apinhadas, porque onde houver um coração humano sedento de paixão, sempre haverá a possibilidade de amar alguém que nunca soube o que é o amor, como revela a letra da tal musiquinha.


Vou esticar o dedinho e desta vez, já não existe mais o vinilzinho pequeno, nem gira melancolicamente na noite da minha saudade, mas posso teclar no yutube, ouvir muitas vezes a voz dos meus 18 anos, e, aos 60, ainda vou chorar mais um pouquinho por que o tempo não apagou minha tristeza diante de amores desfeitos, de amores que não me deram diploma, por ser ainda uma aluna que não aprendeu direito como amar e ser aprovada com a medalha da felicidade.


Cida Torneros , jornalista e escritora, autora do livro “A Mulher Necessária”, mora no Rio de Janeiro.



Foi um rio que passou em minha vida...





segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Chanson d' amour...







FENAM promove I Encontro de Assessores de Comunicação de Entidades Médicas Sindicais no Rio de Janeiro

FENAM promove I Encontro de Assessores de Comunicação de Entidades Médicas Sindicais



A Federação Nacional dos Médicos promove, nos próximos dias 8 e 9 de outubro, próxima quinta e sexta-feira, o I Encontro Anual de Assessores de Comunicação de Entidades Médicas Sindicais (EACEM). O evento, que acontece na sede da FENAM, no Rio de Janeiro, contará com a presença de médicos e jornalistas de sindicatos de todas as regiões do país. O encontro de estudo e trabalho tem como objetivo compartilhar experiências e também o entrosamento entre os dirigentes e os profissionais de comunicação da FENAM e dos sindicatos médicos.

O evento terá início na quinta-feira, às 19 horas, com palestra da jornalista, professora universitária e escritora Aparecida Torneros, que falará sobre o tema "A importância da Assessoria de Comunicação e o relacionamento com a mídia".


As inscrições ainda podem ser feitas até esta quarta-feira, dia 7/10, pelo telefone (21) 2240-6739, no período da tarde, com a jornalista Denise Teixeira, na Assessoria de Comunicação da FENAM, ou por e-mail denisegui9@hotmail.com

Confirmaram presença no encontro jornalistas e médicos dos seguintes sindicatos: Piauí, Pará, Distrito Federal, Ceará, Pernambuco, Tocantins, Santos, Alagoas, São Paulo, Rio Grande do Sul, Campinas, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Amazonas e Rondônia.


Confirma abaixo a programação completa do I EACEM:

Abertura


Dia 08/10, às 19 horas, com palestra da jornalista e escritora Aparecida Torneros


"A importância da assessoria de Comunicação e o seu relacionamento com a mídia".


20h – coquetel de confraternização



Dia 09/10

9h - Ética e credibilidade das assessorias de comunicação


Edna Madallozo, assessora de Comunicação do Sindicato dos Médicos de Campinas



9h20min – debates


Moderadora: Emília Augusta – Assessora de Imprensa do Sindicato dos Médicos do Ceará


10h – A criação de espaços alternativos de divulgação


Elisabel Ferriche – Assessora de Imprensa do Sindicato dos Médicos do Distrito



10h20min – debates


Moderadora: Taciana Giesel

11h – Intervalo para café

11h10min – Os desafios de uma Assessoria de Comunicação – Thais Coimbra –Sindicato dos Médicos do Mato Grosso do Sul



11h30min – debates



12h10min – intervalo para almoço



14h – A importância do planejamento e da estrutura em uma Assessoria de Comunicação


Patrícia Comunello – Assessora de Imprensa do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul



14h20min – debates



Moderadora: Cristal Sá


15h – Investindo na Assessoria de Comunicação



Wellington Galvão – presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas


Moderadora: Aparecida Torneros



15h20min – debates



15h50min – intervalo para café



16h - Experiências bem sucedidas de Assessorias de Comunicação de Sindicatos Médicos


Keyth Washington – Assessora de Imprensa do Sindicato dos Médicos do Pará


Verônica Mendrona - Assessora de Imprensa do Sindicato dos Médicos de Santos e Região


Roberto Souza – Assessor de Imprensa do Sindicato dos Médicos de São Paulo


Chico Carlos – Assessor de Imprensa do Sindicato dos Médicos de Pernambuco






16h45min – Debates



17h30min – encerramento, por Waldir Cardoso, secretário de Comunicação da FENAM

Viva Mercedes! em nossas almas, corações e lembranças!! Viva!!





Fagner e Mercedes, presente do Antonio Flores, da França, solidário com a minha dor ( de todos nós) pela perda da Voz da América Latina

No peito da Dilma, também bate um coração...

A entrevista publicada no domingo, dia 4 de outubro é precedida de um esclarecimento que antecipa aos leitores sobre as circunstâncias do "ping-pong" que se segue. O box introdutório fala em "adversidade", reencontro da entrevistada Dilma Housseff com o entrevistador Jorge Bastos Moreno, fala da sobrevivência diante da doença, da cura anunciada para o câncer após tratamento e na longa conversa que se iniciou num café da manhã e se estendeu quase até a hora do almoço. O jornalista deixa entrever que a ministra abriu mão da agenda oficial para divagar nas ondas da emoção que é recuperar a sede de viver, citando inclusive " Hoje percebo a intensidade da tarde. Observo atentamente o que o vento faz com as folhas das árvores, sionto o perfume das flores e o cheiro da terra". A partir daí, segue-se um abrir de um coração de candidata, ou melhor, um coração feminino, prestes a se "apaixonar" por algo ou alguém mais humano e menos administável, do ponto de vista de qualquer autor de novela, digamos que a reportagem em destaque no jornal O Globo, revela uma "nova" Dilma, que relembra até as novelas que assistiu ainda jovem, na cadeia, acompanhada das outras presas políticas. Mas, ela vai além, repensa sobre a paixão, fala de literatura, de música, aliás, canta algumas letras famosas, segundo seu interlocutor, o jornalista Moreno, hábil no mister de deixar a entrevistada tão à vontade que ela responde "infelizmente não", logo de cara, à primeira pergunta formulada. -" A senhora está namorando? Está apaixonada?"


Assim, o que é possível ler, tanto ao pé da letra, como nas entrelinhas da peça jornalística, traz o perfil dos sentimentos de uma mulher como qualquer outra, que vê a vida com olhos de quem precisa divulgar que convive bem com a solidão, porque, na verdade, ela mesma classifica " é o bom convívio consigo mesmo".


Dilma lista suas preferências musicais, tão variadas e de um teor eclético presumível para quem trafega em mundos populares e eruditos, com a missão profissional de melhor entender o povo ao qual se postula como possível candidata a governar, em eleições que esmiuçarão tudo, desde de sua vida pessoal, passando pelo seu comportamento político, e incluindo o nível de equilíbrio necessário para alguém que pode vir a comandar um país como o Brasil.


Se candidata, e se eleita, pela primeira vez, o Brasil terá uma mandatária usando saias , batons e brincos, sem perder de vista que estarão a seu cargo, como chefe do Executuivo, observar com atençaõ os números do PIB, os investimentos necessários para o crescimento da renda per capita das classes mais baixas, e ainda, manter-se serena e conciliadora, por vezes, e noutras, ter pulso firme, apaziguar questões adversas, articular apoios, ser "anticaos".


Ela cita o livro "anticâncer" como o que mais ganhou durante a fase difícil da doença que enfrentou, diz que deve ter recebido uns 20 exemplares, que o leu, que valeu a pena e que o distribuiu em São Paulo, provavelmente, entre os doentes que conheceu.


A entrevistada relembra o personagem Sinhozinho Malta, vivido pelo ator Lima Duarte, e conta que a primeira novela que lembra de ter assistido foi Irmãos Coragem,  nos tempos da cadeia. Dilma solta-se pelos caminhos sensitivos da musicalidade, da literatura, da tietagem por Roberto Carlos, do qual diz gostar demais, e aponta "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", como uma das suas preferidas.


Cantarola uma do Chico : " A Rita levou meu sorriso, no sorriso dela ..." e se diz apaixonada por aquela intitulada "Quem te viu , quem te vê".  Destaca o trecho que gosta mais: " Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria, quero que você assista, na mais fina companhia".


Do Gil, ela fala em Procissão, e tenta lembrar outras, e do Pinxiguinha, ela lembra de Rosa. Canta uma parte memorável; " Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa do amor, por Deus esculturada"


Mas quando se refere a Noel Rosa, a ministra canta inteira a que fala na Noite de S. João.


A entrevista, que ocupou página inteira, e ainda prossegue em meia página mais adiante, acrescenta muito mais sobre os gostos musicais e literários da Dilma candidata, da Dilma cantadora, da Dilma sobrevivente de doença grave, da Dilma que adora João Cabral de Melo Neto, que chega a lembrar dos sonhos infantis, um deles, segundo ela, o que durou mais tempo, o de ser bailarina.


O inusitado da reportagem, em termos de informação ao público que, estatísticamente, parece mesmo conhecê-la ainda muito pouco, e deve ter sido o fato de que um jornal de grande circulação, num domingo de amplo espectro de leitores, se dispôs a divulgar o coração da candidata Dilma.


Uma senhora que está sendo preparada para tentar a disputa no pleito máximo da condução dos caminhos nacionais, e que, até agora, falava de pré-sal, de usinas termo-nucleares, de obras e orçamentos para o programa de aceleração do crescimento, ou se defendia de tiroteios políticos naturais que partem de adversários também interessados na mesma luta pelo poder, ou na democrática e oportuna onda de colocações plausíveis entre situação e oposição.


Pois a "poderosa" Dilma foi apresentada, de coração aberto, digamos assim, entre os devaneios do seu interlocutor, ou os sonhos agora difundidos para os homens disponíveis que se habilitarem a se candidatar a um lugarzinho especial no tal "coração apaixonável" ( por que não?) da candidata a nossa chefe de Governo.


O próprio Jorge Bastos Moreno deixou escapar no seu texto que " esse é o mistério que a campanha eleitoral certamente não vai revelar - uma pena para um país que nunca teve um primeiro-damo".                              
Aparecida Torneros

                                 

domingo, 4 de outubro de 2009

Adios, Mercedes! Gracias por todo! Te amamos!



















Mercedes Sosa - Zamba para no morir

Fito Paes e Mercedes Sosa - Vengo a ofrecer mi corazón

el tiempo pasa, Mercedes Sosa, Gracias por tu vida, Mercedes!


O DOMINGO PARECE MEIO SOMBRIO, PORQUE O TEMPO, NO RIO, AMANHECEU COM CARA DE MUDANÇA E A CHUVA SE ANUNCIA NUM CÉU COR DE CHUMBO. MEU FIM DE SEMANA, UMA SALADA MISTA. APROVEITEI O SÁBADO PRA ASSISTIR DOIS FILMES FRANCESES NO FESTIVAL DE CINEMA, O QUE ME GRATIFICOU POR TREINAR A LÍNGUA QUE ORA ESTUDO ALÉM DE AUMENTAR MINHA ADMIRAÇÃO POR AQUELA CULTURA. NA MADRUGADA, LI NOS SITES DE NOTÍCIAS QUE MERCEDES ESTAVA POR UM FIO. SUA VIDA ACABA DE PARTIR DA TERRA, SUA VOZ SE CALA E FICAM SEUS SONS GRAVADOS, COMO PATRIMÔNIO PARA NÓS, SEUS FÃS.


SÃO 10 DA MANHÃ, PRECISO COZINHAR, VOU LEVAR O ALMOÇO PARA MINHA MÃE, DE 82, QUE ME ESPERA AO MEIO DIA. MAS O CHORO CONVULSIVO ME ESTREMECE DOS PÉS À CABEÇA. PONHO UM CD COM AS MÚSICAS IMORTALIZADAS DE MERCEDES. DELA, LEMBRO TUDO O QUE PUDE SENTIR SEMPRE. LEMBRO ATÉ QUE NAS TRÊS VEZES EM QUE FUI A BUENOS AIRES, TENTEI EM VÃO ASSISTI-LA AO VIVO, MAS SEMPRE ESTAVA FORA DO SEU PAÍS, EM TORNÊS, E NO BRASIL, ESTA CHANCE ME FOI NEGADA PELAS CIRCUNSTÂNCIAS. MAS EU A TENHO DENTRO DO CORAÇÃO, SEMPRE. E AGORA, SUA EMOÇÃO ME TRANSPASSA, COM O SENTIDO MAIS PROFUNDO DE RAÍZES DE UMA AMÉRICA CONTINENTAL E INDÍGENA, QUE ELA TÃO BEM REPRESENTOU, NA SUA POSTURA DE LUTADORA CONTRA A VIOLÊNCIA DOS DITADORES E SEU CANTO DE GUERRA PELOS POVOS QUE TEM DIREITO À TERRA E SÃO LIVRES, E SÃO A SUA GENTE, A NOSSA GENTE, A MINHA GENTE, QUE DÁ GRAÇAS, HOJE, PELA VIDA DA MERCEDES AO PASSAR PELO PLANETA E NOS DEIXAR TANTOS RASTROS DE LUZ.


VOU SEGUIR MEU FIM DE SEMANA, PRECISO CUMPRIR TAREFAS, ORGANIZAR UMA PALESTRA QUE VOU DAR ESTA SEMANA SOBRE A IMPORTÂNCIA DA MÍDIA PARA A CLASSE MÉDICA, NUM ENCONTRO DE SINDICATOS MÉDICOS DE TODO O BRASIL, NA FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS.


PENSO NAS DOENÇAS CAUSADAS PELA TRISTEZA E PELA MISÉRIA HUMANA, SEJA NO PLANO FÍSICO, DAS CONDIÇÕES DE SANEAMENTO E DE ALIMENTAÇÃO E AINDA, PELO MAL ESTAR QUE É OBSERVAR AS INJUSTIÇAS, E O QUE É PIOR, CONVIVER COM ELAS, CANTANDO SOBRE AS MAZELAS HUMANAS. UMA ÍNDIA, CONHECIDA, INTERNACIONALMENTE , PELA BATIDA INCONFUNDÍVEL DA SUA MUSICALIDADE PRIMITIVA ALIADA À CONSCIÊNCIA SOCIAL DE UMA AMÉRICA LATINA EXPLORADA E PERSEGUIDA, COBIÇADA E MANIPULADA POR DETENTORES DO MODELO OPRESSOR QUE TENTA COLONIZAR MENTES E CORAÇÕES.


IMPOSSÍVEL NÃO LEMBRAR DE SUAS MENSAGENS, TÃO FORTES, CONTUNDENTES, SUA FIGURA MATRIARCAL E OPULENTA, SEUS OLHOS AMENDOADOS, SEUS CABELOS ESCORRIDOS, SEU SORRISO DE PÁSSARO, SUA EXPRESSÃO DE ALMA REPRESENTATIVA DE POVOS DOS CAMPOS, DOS PAMPAS, DAS FLORESTAS, DAS CIDADES PARTIDAS, DAS CAPITAIS UNIVERSALIZADAS E GLOBALIZADAS, DOS ANOS DE COMBATE AO TOTALITARISMO E SOBRETUDO, DOS SEUS CÂNTICOS DE AMOR, QUE ELA INTERPRETOU MAGISTRALMENTE, NAS CANÇÕES DE VIOLETA PARRA, MILTON NASCIMENTOS E TANTOS OUTROS AUTORES.

GRACIAS TE DAMOS, MERCEDES, VOU PARAR DE ESCREVER E BUSCAR UM TACHO, VOU PARA O FOGO, ACENDER A CHAMA SIMBÓLICA QUE AQUECE OS ARES, ATRAVÉS DA COMBUSTÃO, NUMA COZINHA DE CIDADE GRANDE, VOU QUEIMAR AS ERVAS QUE PPOSSAM EXALAR OFERENDAS AOS DEUSES QUE TE RECEBEM AGORA, AOS VENTOS QUE ZUMBEM DE ALEGRIA SOBRE AS CORDILHEIRAS NOS ANDES, AOS CÉUS TEMPESTUOSOS QUE VÃO SE ILUMINAR COM TUA PRESENÇA A PARTIR DE HOJE.

GRACIAS, POR TU VIDA, MERCEDES!

CIDA TORNEROS





RÉQUIEN PARA MERCEDES

RÉQUIEN PARA MERCEDES

NÃO SE CALAM OS TAMBORES DA TRIBO
 QUANDO UMA VELHA ÍNDIA MORRE
SUA VOZ RESSOA DENTRO DE NÓS
APENAS SE OUVE O CANTO DE PÁSSAROS
 O VENTO FRIO DOS ANDES GELA TODA A AMÉRICA MERCEDES VOA SOBRE NÓS
SUA VOZ NOS MAGNETIZA
ELA NOS ENVOLVE EM ESPERANÇA
SOMOS SEU SANGUE E SEUS SONHOS
TAMBORES BATEM FRENETICAMENTE
 NOS CÉUS E NOS HORIZONTES NEVADOS
 MERCEDES PAIRA E NOS SORRI
EM SEU DESCANSO ETERNAMENTE
                 CIDA TORNEROS

Artigo do jornalista Vitor Hugo Soares, sobre Mercedes Sosa, reproduzido do site Bahia em Pauta

No dia 11 de novembro de 2007 (o Bahia em Pauta ainda não estava nem em gestação), escrevi para publicação no espaço que disponho há anos, todos os sábados, no Blog do Noblat, um artigo intitulado “Ela (Mercedes Sosa) e elas”, que foi publicado tanbém no Ponto de Vista, espaço de Opinião do jornal Tribuna da Bahia.O texto fala de um momento político na América Latina marcado pela intensificação da participação feminina na política e no poder , que coincidia com o retorno aos palcos, no México, depois de longa ausência por motivos de saúde,da grande cantora argentina que morreu na madrugada deste domingo.


Quase dois anos depois o texto vai republicado. Agora no Bahia em Pauta, no dia da partida de Mercedes. Vai a título de informação deste site-blog, mas igualmente de tributo deste editor a uma das artistas que mais contribuiram para o amor do jornalista pela música e paixão pela América Latina.

Com um beijo de saudades no coração de La Negra. (VHS)



ELA(MERCEDES SOSA) E ELAS


Vitor Hugo Soares (24/11/2007)






Miro a Cordilheira dos Andes e os altiplanos do México, enquanto no Atlântico Sul o tucano Fernando Henrique Cardoso sai do silêncio temporário e abre o bico em nova arrelia contra o seu sucessor no Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, ao sugerir que o governante petista detesta a educação, “a começar pela própria”. O novo bafafá já se propaga pelos blogs – a começar por este do Noblat -, com a dura resposta do ministro petista Tarso Genro, e a briga, nem sempre em tons exemplares, promete ser das boas.



Acontece que ando meio saturado dos freqüentes ataques de ciumeira dessa relação tumultuada de amor e ódio entre FHC e Lula. Desvio a atenção para o suplemento cultural da edição “on-line” do jornal chileno “La Tercera”. Ali encontro uma notícia que espero há quase 10 anos: a cantora argentina Mercedes Sosa superou finalmente a enfermidade que a obrigou a um longo afastamento dos palcos e volta a espalhar pela América Latina, o seu canto inimitável, na série de apresentações pelo continente iniciada ontem na Cidade do México.

Em seu giro , Mercedes apresenta o espetáculo “Gracias a la Vida”, considerado pela crítica como um canto de louvor e entusiasmo renovado de quem sai de depressivo e prolongado fundo de poço. A amiga de Milton Nascimento e dos estudantes pode soltar o vozeirão outra vez em “Como la cigarra”, para mim uma de suas mais emblemáticas e comoventes canções.


“Tantas veces me mataron, tantas veces me mori,/ Sin embargo estoy aqui, resucitando”. Imagino à distância essa música se espalhando pela noite da capital mexicana neste final de semana, como tantas vezes vi os garotos e adultos de Buenos Aires fazerem na saída de teatros e casas de discos, quando a artista estava no auge. E como eu próprio me vi fazendo nos anos 70, em meu primeiro show com a argentina de Tucuman, em histórica noite no Teatro Castro Alves, em Salvador.


“Cantando al sol, como la cigarra/ después de um año bajo la tierra/ igual que sobreviviente/ Que vuelve de la guerra”. Desta vez, o mergulho de Mercedes foi mais longo do que uma simples estação. Aparentemente também, muito mais dolorido para a sua alma sensível.


Nos últimas décadas ouvi muito e vi de perto algumas vezes está que é uma das minhas cantoras preferidas. A última vez que estive próximo dela foi há cerca de dois anos, em Buenos Aires, quando Mercedes compareceu a uma apresentação do espetáculo em que o cantor e compositor Victor Heredia celebrava 30 anos de carreira em um teatro de Corrientes, no coração da capital portenha. Foi uma noite inesquecível, até mesmo pelo que deixou de acontecer, como a prevista canja da cantora.


Na platéia, Mercedes demonstrava profundo abatimento físico e parecia extremamente deprimida. Não subiu ao palco. Heredia pediu desculpas ao público e explicou que ela estava “muito gripada e afônica”, impedida de cantar. Agradeceu a presença da cantora no teatro, mesmo doente, e a casa quase vem abaixo de aplausos. Guardei comigo a impressão de que, no corpo e na mente da artista, se escondiam bem mais que um simples resfriado. E conservei a esperança de que, fosse o que fosse, seria passageiro.


Em sua ressurreição, constato agora com alegria que Mercedes Sosa não só voltou à superfície como manteve o prumo. De longe, a impressão é de que ela segue íntegra e fiel ao que sempre foi ao longo de toda a carreira. Quinta-feira, na véspera da primeira das três apresentações que fará no México – a última será neste domingo em Guadalajara –, convocou jornalistas para uma entrevista coletiva e aproveitou para fazer uma convocação política às conterrâneas da revolucionária Fryda Kallo: “As mulheres deste país devem sair a ganhar eleições, porque sabem o que custa manter a casa e manter o trabalho”.



Aos 72 anos, a intérprete que fez de “Coração de Estudante” um hino também da América Latina, chama a atenção para o bom momento das mulheres na política atual. Citou fenômenos como as mandatárias do Chile, Michelle Bachelet; da Alemanha, Ângela Merkel, e de sua conterrânea Cristina Kirchner, que tomará posse na Argentina nos próximos dias. Até ontem, pelo menos, Mercedes Sosa parecia desconhecer que o presidente Lula começa a colocar na fila dos nomes fortes à sua sucessão – o da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.


Em sua passagem pela Cidade do México, a caminho de Santiago do Chile e de outras cidades da América Latina onde levará o show Gracias a la Vida, Mercedes Sosa rende um tributo especial aos estudantes mortos em 1968, no trágico massacre na Praça das Três Culturas de Tlatelolco, ocorrido em 2 de outubro de 1968, dias antes do início dos Jogos Olímpicos do México. Segundo grupos de direito humanos, o massacre deixou uns 300 mortos, a maioria estudantes, como registrou na época a premiada repórter Oriana Falacci nas reportagens que produziu dentro do olho do terremoto.


A cantora argentina fala da enfermidade, que a obrigou a recolher-se por longa temporada: “Cheguei a estar muito grave, em 97 os médicos entravam e saiam de minha casa sem saber o que eu tinha”. Mas aproveita para desmentir a quem anda espalhando por aí que este seja o seu giro de retirada dos palcos: “Nada disso”, reage. Bemvinda, Mercedes! Siempre.


Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitors.h@uol.com.br

Como la cigarra...

SALUDO A LA VIDA DE MERCEDES SOSA QUE SE MARCHÓ HOY PARA OTROS MUNDOS!













GRACIAS POR TU VIDA, MERCEDES!




O DOMINGO PARECE MEIO SOMBRIO, PORQUE O TEMPO, NO RIO, AMANHECEU COM CARA DE MUDANÇA E A CHUVA SE ANUNCIA NUM CÉU COR DE CHUMBO. MEU FIM DE SEMANA, UMA SALADA MISTA. APROVEITEI O SÁBADO PRA ASSISTIR DOIS FILMES FRANCESES NO FESTIVAL DE CINEMA, O QUE ME GRATIFICOU POR TREINAR A LÍNGUA QUE ORA ESTUDO ALÉM DE AUMENTAR MINHA ADMIRAÇÃO POR AQUELA CULTURA. NA MADRUGADA, LI NOS SITES DE NOTÍCIAS QUE MERCEDES ESTAVA POR UM FIO. SUA VIDA ACABA DE PARTIR DA TERRA, SUA VOZ SE CALA E FICAM SEUS SONS GRAVADOS, COMO PATRIMÔNIO PARA NÓS, SEUS FÃS.


SÃO 10 DA MANHÃ, PRECISO COZINHAR, VOU LEVAR O ALMOÇO PARA MINHA MÃE, DE 82, QUE ME ESPERA AO MEIO DIA. MAS O CHORO CONVULSIVO ME ESTREMECE DOS PÉS À CABEÇA. PONHO UM CD COM AS MÚSICAS IMORTALIZADAS DE MERCEDES. DELA, LEMBRO TUDO O QUE PUDE SENTIR SEMPRE. LEMBRO ATÉ QUE NAS TRÊS VEZES EM QUE FUI A BUENOS AIRES, TENTEI EM VÃO ASSISTI-LA AO VIVO, MAS SEMPRE ESTAVA FORA DO SEU PAÍS, EM TORNÊS, E NO BRASIL, ESTA CHANCE ME FOI NEGADA PELAS CIRCUNSTÂNCIAS. MAS EU A TENHO DENTRO DO CORAÇÃO, SEMPRE. E AGORA, SUA EMOÇÃO ME TRANSPASSA, COM O SENTIDO MAIS PROFUNDO DE RAÍZES DE UMA AMÉRICA CONTINENTAL E INDÍGENA, QUE ELA TÃO BEM REPRESENTOU, NA SUA POSTURA DE LUTADORA CONTRA A VIOLÊNCIA DOS DITADORES E SEU CANTO DE GUERRA PELOS POVOS QUE TEM DIREITO À TERRA E SÃO LIVRES, E SÃO A SUA GENTE, A NOSSA GENTE, A MINHA GENTE, QUE DÁ GRAÇAS, HOJE, PELA VIDA DA MERCEDES AO PASSAR PELO PLANETA E NOS DEIXAR TANTOS RASTROS DE LUZ.


VOU SEGUIR MEU FIM DE SEMANA, PRECISO CUMPRIR TAREFAS, ORGANIZAR UMA PALESTRA QUE VOU DAR ESTA SEMANA SOBRE A IMPORTÂNCIA DA MÍDIA PARA A CLASSE MÉDICA, NUM ENCONTRO DE SINDICATOS MÉDICOS DE TODO O BRASIL, NA FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS.


PENSO NAS DOENÇAS CAUSADAS PELA TRISTEZA E PELA MISÉRIA HUMANA, SEJA NO PLANO FÍSICO, DAS CONDIÇÕES DE SANEAMENTO E DE ALIMENTAÇÃO E AINDA, PELO MAL ESTAR QUE É OBSERVAR AS INJUSTIÇAS, E O QUE É PIOR, CONVIVER COM ELAS, CANTANDO SOBRE AS MAZELAS HUMANAS. UMA ÍNDIA, CONHECIDA, INTERNACIONALMENTE , PELA BATIDA INCONFUNDÍVEL DA SUA MUSICALIDADE PRIMITIVA ALIADA À CONSCIÊNCIA SOCIAL DE UMA AMÉRICA LATINA EXPLORADA E PERSEGUIDA, COBIÇADA E MANIPULADA POR DETENTORES DO MODELO OPRESSOR QUE TENTA COLONIZAR MENTES E CORAÇÕES. 


IMPOSSÍVEL NÃO LEMBRAR DE SUAS MENSAGENS, TÃO FORTES, CONTUNDENTES, SUA FIGURA MATRIARCAL E OPULENTA, SEUS OLHOS AMENDOADOS, SEUS CABELOS ESCORRIDOS, SEU SORRISO DE PÁSSARO, SUA EXPRESSÃO DE ALMA REPRESENTATIVA DE POVOS DOS CAMPOS, DOS PAMPAS, DAS FLORESTAS, DAS CIDADES PARTIDAS, DAS CAPITAIS UNIVERSALIZADAS E GLOBALIZADAS, DOS ANOS DE COMBATE AO TOTALITARISMO E SOBRETUDO, DOS SEUS CÂNTICOS DE AMOR, QUE ELA INTERPRETOU MAGISTRALMENTE, NAS CANÇÕES DE VIOLETA PARRA, MILTON NASCIMENTOS E TANTOS OUTROS AUTORES.


GRACIAS TE DAMOS, MERCEDES, VOU PARAR DE ESCREVER E BUSCAR UM TACHO, VOU PARA O FOGO, ACENDER A CHAMA SIMBÓLICA QUE AQUECE OS ARES, ATRAVÉS DA COMBUSTÃO, NUMA COZINHA DE CIDADE GRANDE, VOU QUEIMAR AS ERVAS QUE PPOSSAM EXALAR OFERENDAS AOS DEUSES QUE TE RECEBEM AGORA, AOS VENTOS QUE ZUMBEM DE ALEGRIA SOBRE AS CORDILHEIRAS NOS ANDES, AOS CÉUS TEMPESTUOSOS QUE VÃO SE ILUMINAR COM TUA PRESENÇA A PARTIR DE HOJE.


GRACIAS, POR TU VIDA, MERCEDES!
CIDA TORNEROS

sábado, 3 de outubro de 2009

Yes, we "créu" !




Do senso de humor carioca, ninguém duvida, e logo que foi anunciada a vitória do Rio de Janeiro na disputa para sediar as Olimpíadas de 2016, começou a circular na internet, com notoriedade nas bandas dos usuários do twitter, uma frase brincalhona, parodiando o mote da campanha do presidente americano Obama.
- Yes, we "créu"! 
Divulgada junto de uma imagem caricaturada que lembra o homem mais poderoso do mundo, mas com as feições modificadas para o saudoso Mussum, humorista carioca que fez parte da turma dos trapalhões. 
A frase, galhofeira e oportuna, pelo teor de alegria que invade o povo  brasileiro pela vitória em Copenhagem, é reflexo também da utilização pelo próprio presidente Lula, que se referiu ao fato de que agora nós podemos sim realizar a sonhada competição, pela primeira vez na América do Sul, no Brasil e no Rio de Janeiro, ao defender a candidatura emocionada da capital conhecida internacionalmente por suas belezas naturais.
Mas o espirito brincalhão do carioca  prevaleceu,  e a imagem disseminada no mundo cibernético, lembra também o nosso Pelé, tem um pouco de cada mestiço brasileiro, traz um sorriso feliz e um certo ar de quem teve malandragem suficiente para esperar a sua hora... Afinal, o Brasil ganha o status de país capaz de capitanear um sonho de atletas, empresários, torcedores, governantes, jovens, crianças e idosos que gritam pelas ruas : Sim , nós podemos! 

Cida Torneros       

EU NO RIO...


RIO CIDADE MARAVILHOSAAAAAAAAAAAAAA

RIO 2016!!!






Rio2016 - Festa na Praia de Copacabana - Escolha do Rio como cidade sede dos Jogos Olímpicos 2016

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pela luz dos olhos teus...

Sorrio pro meu Rio....sorrio... sorriooooooooooooooo..... é tempo de torcer pelas Olimpíadas...










Fotos que fiz na Pista Claudio Coutinho, Urca, Rio de Janeiro, fevereiro, 2009





Brilhos nos olhos...




Luzinhas instantâneas  e teus olhos encontraram os meus
questionei-os, entre nós o espaço de menos de um terremoto
porque dentro de nós havia o tremor dos sentidos, o desconhecido...


Por mais que se olhassem nossos olhos parecia que nem nos víamos,
apenas nos buscávamos, e na espreita de um segundo, o breve tempo
nos induzia a clamar pela hipnose, não era mais possível desviar o olhar,
porque a fixação da dupla imagem ali estava, no fundo deles, o reflexo...


Miradas intensas e tantas perguntas sem respostas, por aquelas íris brilhantes
passavam nossos desejos e temores, atravessavam nossos cantos e encantos,
era por aqueles pequenos elos que nos uníamos então e para todo o sempre...


Ficaste assim, um ser intacto de movimentos leves, uma quase esfinge de pedra,
enquanto eu, no auge da inquietação, desbravei caminho para dentro de ti,
percorri infinito labirinto emocional e cheguei ao teu coração como uma flecha,
mas não queria magoar-te, só precisava mesmo era ajeitar-me por algum atalho,
somente ia buscar a luz que teus olhos me injetavam,  para te amar eternamente...
                                                                                     Cida Torneros     





  

Brilhos nos olhos...




Luzinhas instantâneas  e teus olhos encontraram os meus
questionei-os, entre nós o espaço de menos de um terremoto
porque dentro de nós havia o tremor dos sentidos, o desconhecido...


Por mais que se olhassem nossos olhos parecia que nem nos víamos,
apenas nos buscávamos, e na espreita de um segundo, o breve tempo
nos induzia a clamar pela hipnose, não era mais possível desviar o olhar,
porque a fixação da dupla imagem ali estava, no fundo deles, o reflexo...


Miradas intensas e tantas perguntas sem respostas, por aquelas íris brilhantes
passavam nossos desejos e temores, atravessavam nossos cantos e encantos,
era por aqueles pequenos elos que nos uníamos então e para todo o sempre...


Ficaste assim, um ser intacto de movimentos leves, uma quase esfinge de pedra,
enquanto eu, no auge da inquietação, desbravei caminho para dentro de ti,
percorri infinito labirinto emocional e cheguei ao teu coração como uma flecha,
mas não queria magoar-te, só precisava mesmo era ajeitar-me por algum atalho,
somente ia buscar a luz que teus olhos me injetavam,  para te amar eternamente...
                                                                                     Cida Torneros