Maracanã

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

80 anos de uma deusa francesa!









Cida Torneros: 80 anos de uma deusa francesa (e do mundo) chamada Brigitte Bardot

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CRÔNICA / MULHER
bbardot
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80 anos de La Bardot

Aparecida Torneros

Acho que o ano era 1962. Não estou bem certa. Eu e minhas amigas pré-adolescentes copiávamos para costureira os modelos das calças saint-tropez, a la Brigitte, o que era a última moda e nos deixava com o umbiguinho de fora. Cintura baixa, a pernas em patas de elefante, blusinhas de organza leve, alguns babadinhos e frou-frou. Nossos cabelos, para seguir a musa sensual francesa que despontava como objeto sonhado nas telinhas, ainda nos atrevíamos a pintar mechas claras nos cabelos e usar grandes franjas que caíam selvagengente pelo rosto, emoldurando ares de menina em carinha de mulheres aprendizes.
A Brigitte era nossa ferinha indomável, dava gosto de ler nas revistas semanais as reportagens sobre seus amores , casamentos, rodagens de filmes. Seus ares quase infantis, de BB, literalmente passando aquele jeito de adolescente sapeca, usando por exemplo modelitos em xadrez cor de rosa com babadinhos de bordado inglês, quem não se lembra de vestidos com bolsos, mangas tres quartos, lacinhos e decotes audaciosos?
Ela ditava moda, induzia a comportamentos, incitava a desvendar mistérios de uma femea que Deus criara para seduzir através da sua arte e do seu encanto físico, a uma legião de fãs que se espalharam pelo mundo. Seu amor pela natureza, pelos animais, pelo planeta, é precursor das campanhas ecologicamente corretas dos tempos atuais. Ela se fazia natural por ser, intuitivamente, encantando-se com as praias agrestes da pequenina colônia de pescadores em Búzios, que hoje é reflexo do sua passagem por aquelas terras do Estado do Rio, para onde acorrem turistas ansiosos de conhecer a orla Bardot e tirar fotos com a estátua dela, que na beira do mar, acalenta os sonhos da mulher amante das praias.
Brigitte resistiu ao tempo, como defensora dos animais, como símbolo sexual, como artista polêmica em torno de posições assumidas e por muitas lutas que trava em prol da sobrevivência de muitas espécies.
Mas , o que me parece bem ao seu jeito e quase passa despercebido, é que ela é a própria defesa do seu exemplar humano, um espécime raro de fêmea livre, consciente, decidida, resolvida, amante do amor como entrega e realidade, criatura capaz de oferecer dádivas de prazeres em olhares perseguidores, aqueles que sempre a perseguiram na tentativa de descobrir seus banhos de sol em nudez tão natural quanto inocente, tão pura quanto sintonizada com a paisagem que a acolheu sempre nos esconderijos onde habita e ainda mora, com seus animais e seus amores.
Ela está casada desde os 58 anos de idade com o mesmo homem, segundo o noticiário, parece bem feliz no casamento longo, e , aos 80 anos, dá exemplo de vida bem vivida, continua sendo um sonho de mulher inalcançável para muitos fãs. Por sorte, não perdeu a sensualidade dos olhares e da boca, inconfundível, de lábios cujo coração desenhado mantém o convite ao prazer de viver a vida, com pouca roupa, pés descalços, cabelos ao vento, sorriso espontâneo, ela é a receita simples de vida ao ar livre ou de um estrelato que convive pacificamente com a bandeira da causa ecológica universal.
Brigitte continua a mesma menina, quem duvidar, que a acompanhe e constate, segue brigando para salvar bichinhos e preservar reservas ambientais, esbraveja contra poluição e matanças de espécies indefesas, abraça focas, beija cães e gatinhos, deita ao sol nas manhãs do verão francês e ressurge de vez em quando, em ocasiões especiais, quando sua aparição tem o dom de restituir ao público décadas de magia de uma deusa loura, tão senhora de si agora, como ousou ter sido antes, e como será sempre, confiante!
Cida Torneros

Brigitte Bardot e seu marido Bernard

Brigitte Bardot
Brigitte Bardot Pictures





A diva do cinema francês está casada com Bernard desde 1992, quando tinha 58 anos.


sábado, 27 de setembro de 2014

liberdade para as borboletas





Blog da Mulher Necessária: Rememorando as Tulipas da Confraria das Rosalbas

Blog da Mulher Necessária: Rememorando as Tulipas da Confraria das Rosalbas






uma história de amor com final feliz


Relações amorosas conturbadas, misogenia


Relações Amorosas Conturbadas
Sônia Nemi

Em seu livro “Homens que odeiam suas mulheres & mulheres que os amam”, cujo subtítulo é “quando amar é sofrer e você não sabe porquê”, Susan Forward e Joan Torres, escolhem usar, para descrever tal tipo de homem, a palavra misógino. Misógino é uma palavra grega utilizada como referência a quem odeia mulheres: miso (odiar) e gyne (mulher).

Ao primeiro contato com um misógino, em geral, ele é considerado um gentleman. Ele é o homem que conquista a mulher de uma forma deliciosamente amorosa e sedutora e passa a ser por ela descrito através de uma farta lista de superlativos. Ele é tão intensamente maravilhoso que fica impossível para a mulher atribuir a ele qualquer responsabilidade dos problemas da relação quando estes começam a acontecer.
O contrato relacional velado se define no início do relacionamento quando o homem vai, aos poucos, verificando até onde pode ir com o seu estilo controlador e manipulador. À medida que a mulher evita confrontá-lo tentando ser boa para preservar a relação, ela está estabelecendo um tópico contratual que configura o contexto para a atuação do misógino, ao tempo em que ela vai enfraquecendo. Como diz Susan Foward: “ela contrata amor e ele controle”.

Esse controle se evidencia nas armas abusivas em que as palavras se tornam, através das quais as críticas e ataques são feitos, até alcançar o controle da sexualidade e o controle financeiro. Mesmo que a mulher tente agradá-lo, tudo que ela faz está errado e ele a convence de que ela é culpada.

Quando as explosões repentinas do homem começam a acontecer, mais elas são sentidas como ameaças veladas pela mulher que fica perplexa e cada vez confusa com o que dá errado. Ela passa a “pisar em ovos”, medindo as palavras, para falar com ele. A forma sutil como ele a desqualifica impede que ela possa perceber que é isso que mina a sua auto estima. Ela se torna irreconhecível, principalmente se antes era uma mulher independente financeira e emocionalmente, uma vez que definha.

Os argumentos utilizados pelo homem parecem tão lógicos e tão cheios de interesse pelo bem da relação que, a mulher vai, cada vez mais afundando no seu pântano emocional. Tudo que ele quer é que ela demonstre seu amor por ele, sendo compreensiva e conhecendo-o tão bem que seja capaz de atender suas necessidades, sem nunca se aborrecer com ele. Com o tempo, a relação parece uma gangorra onde de um lado ele estoura e do outro se arrepende, pede desculpas e se torna o homem maravilhoso do início do relacionamento.

Apesar da descrição devastadora do misógino, ele não tem consciência do seu funcionamento e sequer se dá conta da dor do outro. A construção de tal dinâmica pessoal pode ser entendida a partir da sua história, na família de origem, quando vivenciou sofrimento psicológico o qual não poderia evitar.

O misógino é filho de uma relação conturbada onde aprendeu, observando seus pais, que a única maneira de controlar a mulher é oprimindo-a. Ao lado disso, ele pode ter sentido que a sua mãe não poderia existir sem ele, já que seu pai a maltratava; ou ainda, ele pode ter tido uma mãe que o oprimiu ou rejeitou, ao lado de um pai passivo.

Qualquer que tenha sido a sua história, o misógino está na fase adulta “atuando” a sua dor de “criança” ferida, buscando desesperadamente ser amado ainda que de uma forma equivocada.

No caso da mulher que escolhe formar uma relação com um misógino é possível que ela tenha sido infantilizada pela sua família de origem e busque no seu parceiro o apoio, suporte e amor que não recebeu do seu pai, ou talvez ela teve uma mãe que desqualificava o pai; ela pode também ter vindo de uma família tão caótica que desde cedo ela aprendeu que toda relação é problemática e que ela como mulher não tem chance.

Ainda que o misógino seja visto como algoz e a mulher como vitima, esta também contribui para que tal padrão relacional se implemente e perdure. A mulher instiga o misógino a atuar na medida que ela não estabelece limites claros, diferenciando-se dele e ocupando seu próprio espaço na vida e na relação.

O homem e a mulher nessa relação estão interagindo dentro de seus próprios papéis; da mesma forma que um círculo não tem começo nem fim, a relação se desenvolve sem que se possa indicar um culpado. Um “precisa” do outro para continuar com o padrão, mas para sair dele um dos dois precisa funcionar de uma forma nova.
Uma mulher que sofre numa relação como essa pode: (1) manter-se submissa para preservar seu homem, (2) separar-se, ou (3) construir uma nova relação com o mesmo homem.

Aquelas que escolhem a terceira opção terão que resgatar sua auto estima, assumir o seu lugar no mundo e na relação, estabelecer limites claros e ser firme ao se posicionar diante do seu parceiro. Ela provavelmente precisará de suporte terapêutico até que se tenha fortalecido. É possível que, à medida que ela conquiste seu objetivo, o seu misógino desista do lugar de algoz para ficar ao seu lado ou desista da relação. Se ela sente que o ama, precisará amar a si mesma também para ter coragem de correr o risco de “perdê-lo”.

De qualquer forma dificilmente um misógino busca terapia e, se assim o faz, tão logo se fortalece interrompe o seu processo. Parece que o sofrimento do seu mundo interno é tamanho que ele não suporta ter que contactá-lo através da análise da sua dinâmica e efeito do seu comportamento no outro; para tanto ele teria que admitir que é co-construtor das dificuldades da sua relação e que é, na verdade, um homem sedento de amor. Ele teria que admitir que é o único responsável pelo seu auto preenchimento.

Fonte:http://www.portalmulh

Blog da Mulher Necessária: Amore mi Sbagliai - Roberto Carlos

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Blog da Mulher Necessária: Ce soir, je t'aime mon amour

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Espanha no coração




Postado em 26-11-2013
Cida Torneros: O Pasodoble de Rocio Jurado, o touro negro, e a Espanha no coração
Arquivado em (Artigos) por vitor em 26-11-2013 12:21

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CRÔNICA
ESPANHA NO CORAÇÃO
Cida Torneros
Uma das conversas mais interessantes que travei em Espanha aconteceu em Barcelona, no almoço, no dia 7 de outubro de 2012. Tinha chegado àquela cidade catalã, pela segunda vez na vida. Ia ficar somente um dia e uma noite. Despedira-me , bem cedo, dos meus amigos Denise e Terry, na casa de quem passara 18 maravilhosos dias, em Sao Miguel de Salinas, Alicante. Foi na estação ferroviária antiga, por sugestão de Denise, que peguei o trem costeiro em direção à Barcelona. Uma viagem linda, inesquecível, beirando o mar, passando por Valencia, e por Chipiona.
Na viagem, que durou umas 4 horas e meia, meus pensamentos voaram, rememorando laços pessoais com a cultura espanhola. Sua comida, habitos, música, a influencia da avó galega, o período profissional em que editei um jornal dirigido aos imigrantes que vivem em várias cidades brasileiras. Perdi a conta de quantas vezes ouvi tauromaniacos torcerem contra os touros negros. Minha pena pelos animais, entretanto, nunca foi um empecilho para compreender uma febre cultural que os novos tempos se encarregariam de encerrar.
Na passada por Chipiona, meu coração se encheu de lamento, imagens recentes, de 2006, em que chorei muitas vezes, assistindo, desde a sala carioca da minha casa em Vila Isabel, a agonia, doença e falecimento da grande Maria del Rocio Jurado, a cantora que estava casada como o toureiro Ortega Cano, adorada pelo público, homenageada pelo povo, pranteada por nós, amantes do amor ao desafio da vida!
Orei por ela, sabia que seus restos mortais se encontram ali, segui a viagem me deliciando com a paisagem, precisava aproveitar meu último dia e a noite em Barcelona, onde iria dormir num hotel próximo ao aeroporto, de onde embarcaria rumo ao Brasil, bem cedinho.
Peguei um táxi, devia ser meio dia, fui direto ao bar Espanya, um tradicional pequeno restaurante, ponto de saída das vans que saem em horários pré estabelecidos para o hotel distante do centro da cidade.
Sentei para almoçar, pedi ao garçon que me servisse o prato do dia, degustei a delicia, comi um “dulce” e um cafezito, enquanto conversava com o senhor que era gentil.
Ele me disse que a condução chegaria somente às seis da tarde, que eu podia deixar a bagagem guardada ali e passear um pouco. Contei-lhe que dois anos antes, com duas amigas, estivera na cidade por uma semana e apreciara quase tudo.
Então ele me perguntou se eu visitara a antiga “plaza de touros” onde agora funciona um shopping. Eu respondi negativamente e aceitei a sugestão de ir a pé até o lugar onde por tantos anos milhares de pessoas viveram o glamour das touradas.
Foi entao que perguntei se ele gostava delas, ouvi uma resposta sincera de um homem maduro, nascido naquela cultura, que enfim, me emocionou.
Ele se declarou dividido. Falou que sua emoção desde menino o fazia torcer pelos toureiros, mas que sua razão, de homem consciente, o induzia a aceitar a proibição da prática medieval.
Bem, disfarcei meu derretido estado de saudosa criatura que ama o clima taurino também, mas que, como ele, entende que não se pode ter prazer com tortura de animais tão bravos, valentes, sacrificados.
Fui ao shopping, na ex praça de touradas, passeei, subi ao topo, fotografei, fiz compras numa loja oficial do Barça, time de futebol, imaginei como teriam sido as tardes festivas de corridas de touros, dezenas de anos atrás, por ali, onde a vida seguia em novo curso.
Ao voltar, parei para lanchar num bar de esquina, o ar catalão me impregnava de sonhos, pedi a alguém que me fotografasse, meu coraçãozinho inundou-se de saudade do canto de Rocio, ela tinha enfrentado o touro negro da morte, com galhardia, tendo ao lado o amor do seu toureiro.
Caminhei, refletindo que, agora, ela vive e canta o pasodoble encantando cada alma como a minha, apaixonada por histórias, dividida como a do velho garçon do Bar Espanya, ente a emoção intensa e a razão passageira, imprevisível e fascinante, como o amor, a dor e a vida.
Maria Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, edita o Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi originalmente publicado.
(1) Comentário    Read More
Comentários

Cida Torneros on 10 janeiro, 2014 at 23:12 #
Viva el pasodoble, siempre!

Blog da Mulher Necessária: Quando li "Mutações", livro de Liv Ullman, a musa de Bergman

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saia do meu caminho, Belchior


saia do meu caminho, escolhi andar sozinha

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Blog da Mulher Necessária: As cartas do meu bisavô, Antonio...

Blog da Mulher Necessária: As cartas do meu bisavô, Antonio...









emoções, luzes e amores



Na memória,  uns murmúrios excusos, fatos e sentimentos misturados. Algumas luzes e a difusa escuridão das coisas esquecidas.  Como canta o Rei, tantas emoções e o tempo passa correndo, ventanias que enfrentou, lugares que conheceu, pessoas que amou. Repetição freudiana de sentimentos confusos. E um certo entendimento agora consciente do quanto desperdiçou energia buscando compreender ou ser compreendida. 

Arrumou então os cabelos brancos, prendeu-os em coque. Evitou encarar o esoelho, mas, desafortunadamente ela se viu inteira como num filme. 
A clareza das cenas embaralhadas. Fixou na mente os bons momentos. Estes sim, vale a pena recordar.
O resto, ora o resto, melhor que se evapore mesmo no buraco negro da ilusão perdida. 

Cida Torneros   

Blog da Mulher Necessária: Com o que as meninas ainda sonham?

Blog da Mulher Necessária: Com o que as meninas ainda sonham?




a caminho do oásis. ..


um lugar sonhado, imagem de paz,
no infinito interior a meditação feliz
na alma de cada ser um eu que lhe diz
sobre o amor que doa, do bem que faz...
trilhar o caminho da iluminação
deixar para trás posses e apegos
buscar segredos de contemplação
seguir estrelas em constelação
crer no resgate da humanidade perdida
valorizar a luta de preservar a dignidade da vida...
Cida Torneros


bon soir!


lembrei do Bengi , o cão que perdi em 2011



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CRÔNICA
O FIM DE UM CACHORRO VALENTE
Maria Aparecida Torneros
Ele foi um cachorro valente…apesar de pequenino, tinha amor pela vida, buscava caminhar, já cego e alquebrado, veio ficar na minha casa nos últimos seis meses, mas era o cachorrinho da minha mãe, que não tinha mais condições de tomar conta dele. Quando eu viajava, o deixava na clínica. Ele me reconhecia pelo cheiro, mesmo velhinho, balançava o rabo e fazia festa. Reclamava como um vovozinho se algo nao lhe ia bem, resmungava. Ele tinha 19 anos.

Às vezes, eu o envolvia em manta e o embalava como um bebê ( ele só pesava 3 kilos), ficou internado várias vezes, hospedado na veterinária, onde era querido e cohecido. Semana passada veio pra casa, e nestes dias, eu o senti se despedindo. Seu corpo não respondia mais direito a nada. As patinhas traseiras travavam. Ele reclamava, mas tentava comer, dormia horas no tapete da sala. De madrugada, roçava na porta do meu quarto, me chamando. Como já nao controlava os esfincters, eu o banhava no meio da noite, com água quente, ele se acalmava e voltava a dormir, sono profundo, mas no domingo, anteontem, recusou-se a comer, a beber, e chorou …um choro de despedida…levei-o na segunda cedo para a clínica. A veterinária colocou-o no soro, e me pediu 24 horas para pensar, eu devia ligar hoje cedo e decidir pelo sacrifício.
Tudo o que fiz foi rezar, enquanto lavava as mantas dele ontem à tarde, meu choro era um pedido de que a morte lhe chegasse sem que eu precisasse ser responsável por ela. Lembrei-me então de S. Francisco de Assis, considerado protetor dos animais, em cuja igreja estive orando em maio passado, na Italia, e pedi, que o Santo, se pudesse, tomasse conta do destino do Benginho.
Acordei hoje e protelei ligar para a clínica. Eu não queria decidir. Busquei distrair-me batendo papo no computador com um italiano chamado Enzo. a manhã passou correndo. Eu não queria pensar na responsabilidade de mandar sacrificar o cãozinho.
Mas quando consegui telefonar, já hora do almoço, a médica veio ao telefone informar que ele falecera às 7 da manhã, de morte natural, no soro, dormindo.
Lembrei então, de repente, que hoje é o dia de S. Francisco de Assis…e chorei muito, agradeci que o Benginho descansou…estou sentindo imensa saudade do seu caminhar lento pela casa, da sua graça de velhinho valente. Lembro das vezes em que era bem novinho e dava pulos altos ao nos receber na casa da mamãe.
Não tive coragem de ir lá e vê-lo agora. Pedi ao meu filho que resolva tudo pra mim, sobre a cremação, e busquei a última foto que fiz dele, esta semana, enquanto dormia calmo no tapete da sala.
Quando ele reclamava eu dizia: Bengi, estou aqui, você não está sozinho. Já nem sei se ele me ouvia. Só sei que eu cuidava de um cachorrinho velho e valente, amoroso e reclamão, companheiro que foi da minha mãe, por tantos anos, fiel pois, há 3 anos atrás, quando ela esteve internada no hospital, doente, ele não quis comer todos os dias enquanto ela nao retornou para casa.
Não sei se os cães tem alma. Sei somente que eles sabem amar. E nos dão exemplo de fidelidade que muitas vezes seres humanos não sabem dar.
Acho que S.Francisco o recebeu em algum lugar da Itália. Quando estive na igreja dele, contei sobre o Bengi, achei que o santo devia saber que havia um cachorrinho no Brasil que amava a vida, amava as pessoas, lutava para prolongar sua estada aqui e que viveria até o dia em que S.Francisco o viesse buscar.
Se tudo o que estou escrevendo ou pensando ou sentindo tem o reflexo da minha tristeza por perder o Bengi, creio que tem mais que isso, tem a certeza do quanto esse animalzinho me ensinou sobre a Vida.

Aparecida Torneros , jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro

Cão adotado acompanha velorio da idosa



Cão adotado acompanha velório de idosa que recuperava presos no RS
Maria Ribeiro da Silva Tavares morreu aos 102 anos em Porto Alegre.
Milke, de 5 anos, permaneceu a maior parte do tempo ao lado do caixão.
Paulo Ledur
Da RBS TV

Cachorro acompanhou velório em Porto Alegre (Foto: Paulo Ledur/RBS TV)
Cachorro adotado pela idosa acompanhou velório da dona em Porto Alegre (Foto: Paulo Ledur/RBS TV)
Não foi só a tristeza de amigos e familiares que chamou a atenção durante o velório da assistente social Maria Ribeiro da Silva Tavares, de 102 anos, que há mais de sete décadas prestava apoio para a ressocialização de detentos do regime semiaberto em Porto Alegre. No funeral, o cachorro adotado pela idosa, Milke, de 5 anos, permaneceu a maior parte do tempo ao lado do caixão, encolhido no carpete.
saiba mais
Aos 102 anos, morre voluntária que recuperava presos desde 1942 no RS
A voluntária morreu no domingo (21). Ela apresentava problemas respiratórios e estava internada há uma semana no Hospital Ernesto Dornelles.
O cão foi abandonado na porta da entidade quando era filhote. A predisposição inata em ajudar de Maria Tavares não falhou: ela acolheu o cãozinho. Ele passou a ser o companheiro inseparável da idosa nos últimos anos. Agora, o animal ficará sob os cuidados dos ex-detentos.
No bairro Teresópolis, Zona Sul de Porto Alegre, fundou o Patronato Lima Drummond foi fundada em 1942, onde  prestava ações voltadas à recuperação dos detentos. Atualmente, Maria também estava sob os cuidados de detentos. O sepultamento está previsto para a manhã desta segunda-feira (22) no Cemitério Jardim da Paz.