Para homenagear Félix Guerra
com o fado que tanto amamos!
aqui tem música, poesia, reflexões, homenagens, lembranças, imagens, saudades, paixões, palavras,muitas palavras, e entre elas, tem cada um de vocês, junto comigo... Cida Torneros
Maracanã
terça-feira, 24 de março de 2009
Na calçada da Biblioteca, em Nova York
Na calçada da Biblioteca em Nova York
A tarde era de um domingo, o 12 de outubro de 2008.
Eu caminhara pela grande avenida observando a parada em homenagem à latino-américa, desfile realizado pelos países do continente de origem hispânica.
Era meu terceiro dia em Nova York, o deslumbre natural de quem sabe que reconhece a cidade dos filmes, das lendas, das tragédias e de tantos enredos do mundo moderno e capitalista.
Parei para tomar um capuccino na calçada da Biblioteca principal da metrópole fervilhante. O tempo prometia esfriar depois, o que ocorreu, mas naqulea tarde, ainda o outono se aquecia num misto de calor humano e fantasia da escritora.
Confundi-me com a gente do lugar.
Vittorio fotografou-me, ali estou sentada e pensativa, alscutando o rumor do tempo e o eco das ruas daquela cidade que não dorme, plugada, irradiando novidades , exportando modos de viver, importando gente do mundo inteiro.
Outras emoções me acompanhariam nessa viagem de 11 dias que me emergiram a um mezanino conturbadamente reflexivo. Eleições de presidente, compras, passeios, visita a Washington, tardes inteiras nos Museus de Arte Natural e Metropolitan, a subida ao topo do Rochefeller Center, o passeio pelo Central Park, a parada em frente ao Dakota, prédio que viu Lennon cair assassinado, a loucura da loja Apple, a viagem de barco para ver de perto a estátua da Liberdade, a perplexidade diante dos escombros que agora serão nova torre, no World Trade Center, a ida e volta de Metrô para Astoria Boulevard, as caminhadas pela sétima ou quinta avenida, o sabor dos pressorts, o barulho das vozes de mil códigos, os rostos desconhecidos, as esperas pelos sanduiches, as travessias nos sinais das esquinas, um certo e perdido ar de solidão, talvez a presença dela, no inconsciente coletivo, um paradoxo, milhões que caminham e falam sozinhos, ouvem Ipods, mps 3 ou 4, falam em iphones ou celulares enquanto fazem compras nos mercados, nem chegam a ver quem está ao seu lado, as caras das raças que ali se cruzam, as roupas e culturas dos que ali estão para ganhar dinheiro, os bilhetes dos home lesses, seus pedidos silenciosos, em tabuletas improvisadas, sentados no chão, esperando pela caridade de algum passante que os enxergue. Mas a crise era o assunto do momento, e a campanha Obama esquentava.
Talvez tenha sido no exato instante desta foto, que disparei a refletir sobre o que iria ver e sentir pelos dias subsequentes. Os EUA continuam a ser uma nação exportadora da sua cultura e da sua indústria, fazem disso seu ponto alto e importam os turistas que chegam de todos os lados para ser parte disso, de algum modo, por alguns momentos, num frenesi alucinante.
Pausa para o café tomado na tarde de um domingo novayorquino.
Ainda bem que o Vittorio estava atento, flagrou-me pensando na vida e me levou para casa.
Aparecida Torneros
Zé Dirceu na Bahia ( reproduzido do site dele)

24/03/2009 13:24
Zé Dirceu na Bahia
Por Aparecida Torneros
Uma longa entrevista concedida...
Maria Aparecida Torneros*
"Uma longa entrevista concedida em Salvador (Bahia Notícias) marcou a passagem do ex-Ministro José Dirceu, no dia 19 de março, pela Bahia, onde foi fazer o que sempre fez, com propriedade e talento: 'política'.
No ping-pong a que se submeteu, Zé Dirceu dá as cartas discorrendo sobre a aliança partidária que sempre defendeu - PT/PMDB. Não se furta a indicar o nome da ministra Dilma Rousseff como um dos favoritos para a efetiva candidatura à Presidência da República em 2010, pelo PT. Discorre, ainda, sobre sua postura pessoal de aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal, em processo onde busca inocentar-se do crime que lhe imputam de 'chefe do mensalão' que, segundo ele, foi tema aproveitado como motivação de disputas internas dentro do Partido - o que foi mencionado até pelo presidente Lula, há dois anos, nas comemorações do aniversário do PT, coincidentemente, na capital baiana, quando o chefe da nação mencionou a atitude de alguns petistas que não defenderam seus companheiros no momento exato.
A entrevista, longa e factual, detalha pensamentos e relata atitudes diante do processo histórico-político a que o entrevistado se vê atrelado, esclarecendo pontos e questionando outros tantos. De um modo geral, é possível ler nas entrelinhas da reportagem a crescente preparação da volta por cima não, só quanto à sua projeção midiática, onde ele se declarou perseguido e injustiçado nos últimos anos, mas, e sobretudo, o renascimento da liderança incontestável, que o Zé Dirceu amadureceu a partir das suas enfáticas posições de comando ou de sua bem organizada rede de contatos políticos, aliada a uma disciplina voltada para a luta, que ele mesmo revela estar acostumado desde os tempos da ditadura militar.
Uma entrevista para ser lida, relida, guardada e conferida daqui a alguns anos, pois traz em seu bojo um verdadeiro tratado do que possa acontecer aos quadros políticos do Brasil nos próximos anos, além de esclarecimentos pertinentes sobre sua ligação com o presidente Lula, sua dedicação ao Partido, seu caminho revolucionário, de ex-guerrilheiro, combatente, figura que é "prato cheio" para o banquete midiático.
Zé Dirceu continua sendo alvo do noticiário, sem mandato, pouco importa. Na Bahia, terra do Axé, esbanjou fé no futuro. Nada mais apropriado, até porque fé na vida, para esse mineiro, paulistano por adoção, brasiliense por eleições, que já virou baiano, por crença no amanhã, e certamente deve cantarolar a música do Gil: 'andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá!"
* Maria Aparecida Torneros é jornalista e autora do livro "A Mulher Necessária".
Confira a entrevista publicada na seção Clipping do site www.zedirceu.com.br
Feliz e repousante ( vc é especial)

Feliz e repousante
Feliz e repousante estado d'alma
minha paixão pelas palavras
produzindo imagens...
sucessão de encontros da vida..
a expressão do rosto
tudo a ver com o estado D'alma...
olhar para a câmera, vendo através...
agradecendo a realização da profecia...
largadona, sem pintura no rosto
cabelo desajeitado,
com um sorriso de tranqüilidade
ternura da menina cobrindo de mimos...
no meu coração maduro
um sentimento de gratidão leva até você
a alegria de dar-lhe muito carinho
enquanto isso me for permitido.
Cida Torneros
Barcelona, música que a Ana ( sobrinha) mandou pra mim!
oi tia,
ouvi essa música ontem e lembrei muuuuito de você.
beijo,
ana.
BARCELONA (abaixo de zero - música: cadé letra: spinardi)
sabor dessa manhã é algo assim, sabor de hortelã leveza do alecrim o ritmo de sempre, a fé os pássaros, as fotos da gente quem deixamos pra trás sinta o sol de um verão espanhol segura o pronto e vai já não há mais nuvens no céu e o horizonte se enfeita pra quem gosta de ir além se agora nada vai mudar ensaio a alegria de acostumar só eu e você é hora de aplaudir o pôr do sol, tocar um fá maior derrama a saudade rabisca o oceano afino o canto e faz o bem quem tem paz? tanto faz se a paz a gente traz dentro do coração já não há mais nuvens no céu e o horizonte se enfeita pra quem gosta de ir além se agora nada vai mudar ensaio a alegria de acostumar só eu e você
http://www.abaixodezero.net
ouvi essa música ontem e lembrei muuuuito de você.
beijo,
ana.
BARCELONA (abaixo de zero - música: cadé letra: spinardi)
sabor dessa manhã é algo assim, sabor de hortelã leveza do alecrim o ritmo de sempre, a fé os pássaros, as fotos da gente quem deixamos pra trás sinta o sol de um verão espanhol segura o pronto e vai já não há mais nuvens no céu e o horizonte se enfeita pra quem gosta de ir além se agora nada vai mudar ensaio a alegria de acostumar só eu e você é hora de aplaudir o pôr do sol, tocar um fá maior derrama a saudade rabisca o oceano afino o canto e faz o bem quem tem paz? tanto faz se a paz a gente traz dentro do coração já não há mais nuvens no céu e o horizonte se enfeita pra quem gosta de ir além se agora nada vai mudar ensaio a alegria de acostumar só eu e você
http://www.abaixodezero.net
Sarah Vaughan
Em 1970, eu era estagiária da assessoria de imprensa do antigo aeroporto internacional do Galeão. Naquele tempo não havia os corredores sanfonados para se chegar às portas dos aviões. Íamos a pé em direção às aeronaves. Era comum que eu, ao ser incumbida de reportar uma das tantas personalidades que por ali transitavam, fosse esperar na pista e me dirigisse à escada móvel colocada especialmente para que os passageiros subissem ou descessem. Numa tarde de temperatura amena, a diva Sarah Vaughan apontou no alto da escadaria e acenou. Tinha na cabeça um lindo chapéu de palha branca, e o fotógrafo que me acompanhava,colega da agências de notícias, pôs-se a disparar o filme na busca de melhores ângulos da artista.
Nesse momento, houve uma lufada de vento. O chapéu voou da cabeça de Sarah e eu visualizei o trajeto volteado do objeto leve pelo ar, em minha direção. Assim que ele ficou ao alcance das minhas mãos, peguei-o, sob o sorriso agradecido da estrela norte americana, a quem entreguei a peça que compunha sua elegância, enquanto ensaiei algumas perguntas sobre a temporada no Rio de Janeiro, ao caminharmos para a alfândega. Ela iria se apresentar na TV Tupi no programa de Wilson Simonal, onde cantaram juntos "Oh happy day".
Seu sorriso e voz forte me marcaram bastante, porque a diva Sarah, expoente do canto de jazz, mostrava-se curiosa sobre o Brasil onde veio se apresentar por pouco tempo.
O chapéu esvoaçante ainda hoje é, para mim, a lembrança de uma figura expressiva de mulher negra e cantora, que aprendi a gostar e ouvir por décadas, desde que a conheci, pessoalmente. Trago então Sara Vaughan para vocês, no blog, sem chapéu.
Aparecida Torneros
Nesse momento, houve uma lufada de vento. O chapéu voou da cabeça de Sarah e eu visualizei o trajeto volteado do objeto leve pelo ar, em minha direção. Assim que ele ficou ao alcance das minhas mãos, peguei-o, sob o sorriso agradecido da estrela norte americana, a quem entreguei a peça que compunha sua elegância, enquanto ensaiei algumas perguntas sobre a temporada no Rio de Janeiro, ao caminharmos para a alfândega. Ela iria se apresentar na TV Tupi no programa de Wilson Simonal, onde cantaram juntos "Oh happy day".
Seu sorriso e voz forte me marcaram bastante, porque a diva Sarah, expoente do canto de jazz, mostrava-se curiosa sobre o Brasil onde veio se apresentar por pouco tempo.
O chapéu esvoaçante ainda hoje é, para mim, a lembrança de uma figura expressiva de mulher negra e cantora, que aprendi a gostar e ouvir por décadas, desde que a conheci, pessoalmente. Trago então Sara Vaughan para vocês, no blog, sem chapéu.
Aparecida Torneros
Natureza
Natureza
Meu caminho é teu, não sabes, não crês?
Meu carinho é ainda teu, não vês?
Meu sonho é para ti, não percebes?
Meu poema é por ti, não o renegues...
A natureza me fez mulher como as éguas do prado...
E me deu cheiros e sabores estranhos, um fardo,
que carrego com hormônios de semear a terra,
que desdobro em gozos de conceber os frutos,
que acoberto com cada braço que encerra
um recomeço de dia, um alvorecer...
Meu momento de luz é teu, meu sol, minha luz...
Meu tormento é por ti, minha lua, que me induz...
Meu talento é pra ti, doce estrela da manhã,
quando te traio com os pássaros e a eles dou maçã...
A natureza te fez macho para meus deleites e desejos,
mas te deu asas de anjo em corpo de lobo, te deu vôos,
fez de ti um planador alado e risonho, te fez tão alto,
inalcançável até, em tantas vezes nas noites, te assalto,
te roubo a paz, te dou angústias em troca da distância..
Meu caminhar é costurado em atalhos que talho em ânsia
a adorar os campos, cobrir-me de folhas, molhar-me de chuva,
a dançar com pés na terra, agarrar-me às arvores da uva...
Minha estrada é pontilhada de brilhos quando piso a nuvem,
meu corpo é inundado de prazer quando sinto tua penugem,
meus dedos são pequenos e iluminados quando te tocam a alma
Natureza... tu me és o esplender dos deuses...
e se te tenho, nem preciso morrer porque vivo em ti
e transmuto matéria em essência, amor em eternidade calma...
Já não me perturba o fim... ele é apenas transformação
de gente em pó... de pó em gente...
Natureza... tu me invades a gruta da nascente lúdica..
e deixa brotar as águas translúcidas da verdadeira emoção..
Te chegas mais e de ti sinto o conforto pleno e doce,
pelo quanto foi justo ter amado tanto como se eu fosse
capaz de guardar o mundo, de me fazer oferenda e prenda...
Na cerimônia da floresta, só me resta, eu sei,
doar-me ao infinito sentido da natureza em festa...
E , quando as feiticeiras, em sábado feliz , se encontram,
suas vozes entoam o cântico perfeito, elas apontam,
mais caminhos, mais atalhos, mais estradas, mais trilhas,
por onde vamos, nos deixamos ir, por milhas e milhas...
Natureza,
não vês que sigo, não vês que flutuo, não vês que mudo?
Aparecida Torneros
Meu caminho é teu, não sabes, não crês?
Meu carinho é ainda teu, não vês?
Meu sonho é para ti, não percebes?
Meu poema é por ti, não o renegues...
A natureza me fez mulher como as éguas do prado...
E me deu cheiros e sabores estranhos, um fardo,
que carrego com hormônios de semear a terra,
que desdobro em gozos de conceber os frutos,
que acoberto com cada braço que encerra
um recomeço de dia, um alvorecer...
Meu momento de luz é teu, meu sol, minha luz...
Meu tormento é por ti, minha lua, que me induz...
Meu talento é pra ti, doce estrela da manhã,
quando te traio com os pássaros e a eles dou maçã...
A natureza te fez macho para meus deleites e desejos,
mas te deu asas de anjo em corpo de lobo, te deu vôos,
fez de ti um planador alado e risonho, te fez tão alto,
inalcançável até, em tantas vezes nas noites, te assalto,
te roubo a paz, te dou angústias em troca da distância..
Meu caminhar é costurado em atalhos que talho em ânsia
a adorar os campos, cobrir-me de folhas, molhar-me de chuva,
a dançar com pés na terra, agarrar-me às arvores da uva...
Minha estrada é pontilhada de brilhos quando piso a nuvem,
meu corpo é inundado de prazer quando sinto tua penugem,
meus dedos são pequenos e iluminados quando te tocam a alma
Natureza... tu me és o esplender dos deuses...
e se te tenho, nem preciso morrer porque vivo em ti
e transmuto matéria em essência, amor em eternidade calma...
Já não me perturba o fim... ele é apenas transformação
de gente em pó... de pó em gente...
Natureza... tu me invades a gruta da nascente lúdica..
e deixa brotar as águas translúcidas da verdadeira emoção..
Te chegas mais e de ti sinto o conforto pleno e doce,
pelo quanto foi justo ter amado tanto como se eu fosse
capaz de guardar o mundo, de me fazer oferenda e prenda...
Na cerimônia da floresta, só me resta, eu sei,
doar-me ao infinito sentido da natureza em festa...
E , quando as feiticeiras, em sábado feliz , se encontram,
suas vozes entoam o cântico perfeito, elas apontam,
mais caminhos, mais atalhos, mais estradas, mais trilhas,
por onde vamos, nos deixamos ir, por milhas e milhas...
Natureza,
não vês que sigo, não vês que flutuo, não vês que mudo?
Aparecida Torneros
segunda-feira, 23 de março de 2009
Amor desidealizado

Amor desidealizado
Façamos um trato,
nada de amor idealizado,
este é o novo fato,
amor é só um ato
de uma grande peça
cuja estréia é imprevisível
cujo enredo é questionável,
e o ápice tem interrogações à bessa...
Façamos assim, com respeito,
pelo jeito de cada um de nós,
pelas histórias incompletas,
pelos desejos não realizados,
por cada senão que precede as metas,
porque amar com muito planejamento
pode parecer piegas, é só argumento...
Nada de esperar o óbvio ou antever o amanhã,
por mais que possa parecer que haverá,
depois não me importa, na verdade,
o que conta, realmente, é o momento...
O meu momento é de paz,
o seu, se não for de tormento,
pode até combinar com o meu...
Façamos amor como meninos aprendizes,
saboreemos o gosto dos nossos dedos,
não deixemos que se acelerem alguns dos nossos medos,
apenas soltemos tantos grilhões tão antigos,
não esperemos nem príncipes e nem cinderelas,
somos mulher e homem complicados
descompliquemos, pois,
fiquemos só nós dois,
em pelo,
com zelo,
tão nus quanto no nascimento
nus de alma,
nus de preconceitos
nus de expectativas...
Se nada acontecer que nos acrescente sentimentos
caso não nos permitamos abrir nossos descondicionamentos
pelo menos
teremos tentado
e tentar
já é um grande começo
isso não tem preço
amar sem idealizar
somente amar
ou por sexo
ou por nexo
de sentir-se
bem
bem melhor
bem com a presença do outro
bem porque sua risada soa felicidade
bem poquer seu olhar aquece em lealdade
e seu abraço rejuvenesce
pode não ser pra sempre
mas é tão bom
hoje e agora, aqui na nossa pele...
Façamos um acordo sem papel
um pacto sem sangue
tenhamos um descompromissado encontro
com o melhor de nós mesmos
para trocar boa energia
por sermos quem somos
livres e resolvidos
inteiros e destemidos
vamos evoluindo
um junto do outro
até quando for possível,
quando for tão forte e tiver sentido
nos vermos mais vezes
ou nos tocarmos mais profundamente
ou nos entregarmos nossas mãos
uma dentro da outra
e nossas bocas
perderem o dom da palavra
para que nossos corpos e almas
falem sua própria linguagem...
Façamos uma boa parceria
sem cláusual pétrea
revogável
a qualquer instante...
aí... tenhamos sorte...
disso sim,
vamos precisar...
e se a tivermos,
façamos um castelo
sem sonhos
mas com realidades
minhas e suas
sei que eu o quero
tanto quanto você me quer,
recomecemos do zero,
e seja o que o Diabo quiser...
Cida Torneros , 8 de junho de 2008
Amor [1]
Jurandir Freire Costa
Amor é uma palavra com muitos sentidos. Falamos de amor aos pais, aos filhos, a Deus, à pátria, ao próximo, à causa etc. Vamos reter, dessas acepções, a de amor como sinônimo de "amor erótico".
Amor erótico ou amor-paixão romântico é um complexo emocional formado por sensações, sentimentos, crenças e julgamentos. Saber o que é amor é poder reconhecer, em si ou nos outros, sensações físicas ou mentais de um tipo específico; atitudes ou disposições para com o objeto amado chamadas de sentimentos; convicções sobre a natureza do objeto amado e do amante e, por fim, julgamentos sobre o valor do amor, isto é, sobre sua bondade, sua beleza ou sua necessária participação na felicidade e no equilíbrio psicológico do indivíduo.
O amor erótico, portanto, não é apenas uma atração sexual acompanhada de sentimentos ternos (enlevo, carinho, preocupação, cuidado, dedicação, devoção etc.) ou violentos (desejos de posse exclusiva, ciúmes, desconfianças, rivalidades etc.). Pensar no amor dessa maneira já faz parte do aprendizado amoroso, pois significa estar convencido de que ele foi sempre o que é hoje, ou seja, uma emoção sem memória e sem história.
O amor romântico, entretanto, é uma emoção recente na história ocidental. Sua gênese é indissociável do enorme enriquecimento da esfera da vida íntima, da repressão à sexualidade e, por fim, da valorização moral da família nuclear e conjugal. Não é surpreendente, assim, que a liberalização da sexualidade, a ruptura com a tradição familiar e a diluição da intimidade na publicidade estejam mudando a face do amor.
Desidealização do amor
Até agora, o amor era um ideal de auto-realização afetiva que acenava para um tipo de felicidade no qual o êxtase da dissolução no outro era compatível com a consciência da individualização do desejo. Esse ideal, é óbvio, não correspondia à prática amorosa efetiva. Consciência de separação e êxtase fusional raramente andam juntos. Mesmo assim, o ideal se mantinha, pelo fato de incitar a realidade a se superar em direção à idealidade.
Atualmente, o amor vem sendo desidealizado e, em consequência, a realidade emocional parece privada daquilo que a empurrava para a auto-superação. Ora, na cultura individualista de nosso tempo, o amor romântico se tornou o reino do maravilhoso, do mágico, da vontade criativa que resistia aos assaltos da razão calculista, instrumental e utilitarista. No amor valia a regra das exceções que a emoção permite. Podíamos ser excessivos sem culpa, generosos sem temor, doadores avarentos, egoístas com boa consciência, rebeldes cientes do valor da transgressão, enfim, podíamos viver afetos ambivalentes e, ainda assim, estar psicologicamente satisfeitos.
Mas, já se disse, o hábito faz o monge. Novos mundos, novos sujeitos, novas emoções. No momento, estamos, pouco a pouco, aceitando que a experiência amorosa é fugaz e seu destino é a provisoriedade. Resta saber, portanto, para onde vai migrar a vontade de ir além do bom senso, o desafio de realizar o impossível ou o ímpeto de vencer a brevidade, em matéria de felicidade emocional. O amor romântico encarnava essas promessas. Em sua ausência, quem ou o que vai se ocupar do sentido da vida de cada dia ou da fantasia da redenção afetiva? Ainda o mesmo amor? Outras formas de amar? Ou outras maneiras de criar um mundo emocional sem a onipresença do romantismo? Difícil de responder; impossível não querer responder; a cada um a tarefa de procurar responder.
[1] Jornal Folha de São Paulo, Caderno Mais!, Milênio para Iniciantes - AMOR, 31 de dezembro de 2000. A convite do Mais!, especialistas discutem, de A de amor a Z de zoologia, 23 questões fundamentais para a humanidade a partir de 2001. Foto disponível originalmente no site www.imoon21.com/modern/sculpture/canova/canovaimg/amor.jpg
Tem Lua Cheia na noite do Brasil
Tem Lua Cheia na noite do Brasil
Eu compreendo. Tem Lua Cheia, estes dias, na noite do Brasil, e você nem reparou. Natural. Fica complicado observar a luz do satélite prateado, nesses tempos de tanta escuridão por que passamos, com tanta notícia ruim nesse país. Ora, as guerras que nos circundam, guerras antigas e não resolvidas, nos incitam a ouvir com atenção os lamentos que vem do campo, dos injustiçados, dos assassinados.
Há também o canto fúnebre das vítimas do tráfico de drogas nas cidades, por aí. Os desvalidos, os excluídos, negros ou brancos, estão por toda parte, a nos abrir os olhos para uma podridão que se descortina como um esgoto a céu aberto.
É possível sim, nos consolarmos com atitudes de combate aos fora-da-lei, que os governos em seus níveis diversos empreendem, heroicamente.
Também, as organizações não governamentais, de caráter decisivo na defesa dos direitos humanos, se esmeram em bradar aos quatro ventos, a indignação pelos proscritos, pelos não aquinhoados pela sorte que os colocaria no patamar dos justiçados.
Entretanto, você sabe que o nosso povo tem sempre razão, quando canta suas dores, no forró, no samba ou no hino emocionado, em evento cultural de qualquer porte, seja nas praças públicas, nas estradas empoeiradas, nas florestas dizimadas, nos campos de futebol, nos pátios das escolas, nos jardins dos palácios oficiais.
Há nos ares brasileiros, muita sede de nacionalidade. Não se pode negar a vocação para a claridade que essa nossa gente tem, em sua maioria.
Os desviados de conduta, esses, embora noticiados em percentual avassalador a cada manchete de jornal, não são, felizmente, o contingente maior da população brasileira.
Chamem o IBGE e para medir a quantidade de gente boa que forma a alma nacional. Esta, com Sol ou Lua Cheia, ganha disparado. De tão anônima, parece até que se encolheu. Mas, só parece, sabia?
Muito maior do que se supõe, aí está você, pessoa de bem, que sobrevive honestamente, se choca com as informações sobre tanta maldade, tanto roubo, tanta falcatrua, mas, mesmo assim, segue em frente, cria sua família, mata alguns leões por dia, enfrenta um trânsito desgraçado, caminha por lugares fétidos, tantas vezes, cumprimenta os vizinhos, abraça os amigos, telefona para aqueles que quer bem, produz algo que o gratifica, nem que seja plantando uma florzinha no vaso de barro colocado na janela do minúsculo apartamento de fundos.
E você nem teve tempo de ver que a Lua Cheia brilha para nós todos, como um sinal de benquerença, dessas coisas que a humanidade não consegue explicar, mas sente.
Dá dó constatar como há tanta lei para ser reformada, tanto discurso inútil pelos púlpitos, tantos processos esquecidos nas prateleiras da justiça, mas, dá ânimo saber que é possível lutar para minimizar este quadro mal desenhado da realidade brasileira.
O Brasil é muito mais grandioso e tem vocação de Fênix, mesmo.
Cada qual com seu cada qual, diz o Zeca Pagodinho, e está certo!
Tem uma Lua Cheia, essa que você vai reparar logo mais, passando mensagem de esperança, sim.
Não esmoreça. Apenas respire fundo. Como as bruxas do bem, as fadas, as lendas, os magos, as crendices, não custa nada se imantar na luz da Lua e partir para um amanhecer que traga mudanças.
Elas começam dentro da gente. Ou somos seres humanos, sintonizados com nosso tempo, ou nos conformamos com esta pasmaceira do desconforto diante dos noticiários funestos. Prender matadores de aluguel e seus mandantes, abastecer hospitais de remédios e escolas de professores e merenda, recuperar estradas, fazer saneamento, gastar em obras de infra-estrutura nas cidades e no campo, fazer cumprir a lei, e aperfeiçoá-la. Protestar, sim, a cada deslize dos três poderes, e fazer-se ouvir, em bando, que uma andorinha só não faz verão, já dizia minha avó.
Essa noite, quando você se banhar na luz da Lua Cheia, pense nisso!
Reabasteça sua energia com a propriedade planetária de estar na Terra como um integrante de uma natureza dadivosa que espera de nós todos, muito mais do que estamos fazendo.
Será que dá para acordar amanhã com a certeza de que, apesar de tanta negatividade, a gente pode iluminar mais o futuro do Brasil?
É difícil, sei disso, mas não é impossível, você concorda?
Aparecida Torneros ( texto antigo)
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Eu compreendo. Tem Lua Cheia, estes dias, na noite do Brasil, e você nem reparou. Natural. Fica complicado observar a luz do satélite prateado, nesses tempos de tanta escuridão por que passamos, com tanta notícia ruim nesse país. Ora, as guerras que nos circundam, guerras antigas e não resolvidas, nos incitam a ouvir com atenção os lamentos que vem do campo, dos injustiçados, dos assassinados.
Há também o canto fúnebre das vítimas do tráfico de drogas nas cidades, por aí. Os desvalidos, os excluídos, negros ou brancos, estão por toda parte, a nos abrir os olhos para uma podridão que se descortina como um esgoto a céu aberto.
É possível sim, nos consolarmos com atitudes de combate aos fora-da-lei, que os governos em seus níveis diversos empreendem, heroicamente.
Também, as organizações não governamentais, de caráter decisivo na defesa dos direitos humanos, se esmeram em bradar aos quatro ventos, a indignação pelos proscritos, pelos não aquinhoados pela sorte que os colocaria no patamar dos justiçados.
Entretanto, você sabe que o nosso povo tem sempre razão, quando canta suas dores, no forró, no samba ou no hino emocionado, em evento cultural de qualquer porte, seja nas praças públicas, nas estradas empoeiradas, nas florestas dizimadas, nos campos de futebol, nos pátios das escolas, nos jardins dos palácios oficiais.
Há nos ares brasileiros, muita sede de nacionalidade. Não se pode negar a vocação para a claridade que essa nossa gente tem, em sua maioria.
Os desviados de conduta, esses, embora noticiados em percentual avassalador a cada manchete de jornal, não são, felizmente, o contingente maior da população brasileira.
Chamem o IBGE e para medir a quantidade de gente boa que forma a alma nacional. Esta, com Sol ou Lua Cheia, ganha disparado. De tão anônima, parece até que se encolheu. Mas, só parece, sabia?
Muito maior do que se supõe, aí está você, pessoa de bem, que sobrevive honestamente, se choca com as informações sobre tanta maldade, tanto roubo, tanta falcatrua, mas, mesmo assim, segue em frente, cria sua família, mata alguns leões por dia, enfrenta um trânsito desgraçado, caminha por lugares fétidos, tantas vezes, cumprimenta os vizinhos, abraça os amigos, telefona para aqueles que quer bem, produz algo que o gratifica, nem que seja plantando uma florzinha no vaso de barro colocado na janela do minúsculo apartamento de fundos.
E você nem teve tempo de ver que a Lua Cheia brilha para nós todos, como um sinal de benquerença, dessas coisas que a humanidade não consegue explicar, mas sente.
Dá dó constatar como há tanta lei para ser reformada, tanto discurso inútil pelos púlpitos, tantos processos esquecidos nas prateleiras da justiça, mas, dá ânimo saber que é possível lutar para minimizar este quadro mal desenhado da realidade brasileira.
O Brasil é muito mais grandioso e tem vocação de Fênix, mesmo.
Cada qual com seu cada qual, diz o Zeca Pagodinho, e está certo!
Tem uma Lua Cheia, essa que você vai reparar logo mais, passando mensagem de esperança, sim.
Não esmoreça. Apenas respire fundo. Como as bruxas do bem, as fadas, as lendas, os magos, as crendices, não custa nada se imantar na luz da Lua e partir para um amanhecer que traga mudanças.
Elas começam dentro da gente. Ou somos seres humanos, sintonizados com nosso tempo, ou nos conformamos com esta pasmaceira do desconforto diante dos noticiários funestos. Prender matadores de aluguel e seus mandantes, abastecer hospitais de remédios e escolas de professores e merenda, recuperar estradas, fazer saneamento, gastar em obras de infra-estrutura nas cidades e no campo, fazer cumprir a lei, e aperfeiçoá-la. Protestar, sim, a cada deslize dos três poderes, e fazer-se ouvir, em bando, que uma andorinha só não faz verão, já dizia minha avó.
Essa noite, quando você se banhar na luz da Lua Cheia, pense nisso!
Reabasteça sua energia com a propriedade planetária de estar na Terra como um integrante de uma natureza dadivosa que espera de nós todos, muito mais do que estamos fazendo.
Será que dá para acordar amanhã com a certeza de que, apesar de tanta negatividade, a gente pode iluminar mais o futuro do Brasil?
É difícil, sei disso, mas não é impossível, você concorda?
Aparecida Torneros ( texto antigo)
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domingo, 22 de março de 2009
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