Maracanã

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Autografando com carinho...




Gente
A sensação foi de alegria e dever cumprido.
Adiei por décadas a publicação de um livro.
Achava que era como me desnudar diante dos olhos dos leitores.
E é... mas, se eu sempre escrevi poemas, artigos, reportagens e crônicas e eles estão por aí nas revistas, jornais, sites e blogs, porque não juntar alguma parte disso e publicar?
Era uma pergunta que me faziam e eu reverberava internamente...
Tomei coragem, desisti algumas vezes, teve um dia que desisti mesmo...e o Tomaz, meu fiel Editor, me demoveu da "amarelada", e me convenceu...ainda bem...
Porque foi um momento inesquecível poder compartilhar o que escrevo com tanta gente e saber que agora o texto já não me pertence mais..em cada um, nascerá uma reflexão a mais o que enriquecerá minhas idéias e me tornará semente...serei somente semente, como todo escritor.. isso me conforta..
Amei autografar palavras de carinho em cada livro que dediquei.
E vou repetir a dose ( acho que isso vicia..rs), com novos livros.
beijos
Cida Torneros

Parlami D'amore Mariu



Parlami D'amore Mariu
Pediu-me o homem dos meus sonhos que eu lhe falasse do Amor. Pensei primeiro que fosse mais uma brincadeira costumeira, daquelas em que ele me fazia sentir como uma menina surpreendida no meio de travessura qualquer, e sorri. Apenas sorri para ele, na tentativa de ganhar tempo.
Eu? falar do Amor? Logo eu, que toda a minha vida, por décadas, tentara entender um mínimo que fosse da complexidade desse sentimento chamado Amor que os grandes músicos, poetas, pintores andam buscando traduzir em nuances milenares, como eu, simples menina de subúrbio, mulher que amadurecera aos trancos e barrancos emocionais mesclados à luta pela sobrevivência tão difícil, que nem sequer pudera vivenciar todos os sentidos misteriosos da magnitude que intuo sobre o proclamado Amor?
Como, naquele instante, seus olhos me focalizavam com a seriedade mais solene de todos os momentos em que ele já me olhara antes, como teria o homem amado ali na minha frente o direito de me pedir que lhe falasse do Amor? Será que meus olhos já não lhe diziam tudo? Ou ele não conseguia perceber o quanto meu coração pulava no peito em disparada agonia para que eu desse só um passo e o abraçasse o mais forte que conseguisse? Ou será que ele não sentia que meu corpo se arrepiava imaginando o quanto o tinha esperado encontrar como agulha no palheiro, por uma vida quase inteira, tendo sonhado com sua voz e seu semblante desenhado com detalhes de imenso carinho?
Como eu poderia explicar com palavras o que só se explica vivendo, doando, acompanhando, amparando, estando ao lado, participando da caminhada? Amar alguém que é fictício não é amar de verdade. Amar, pra mim, eu queria dizer isso mas não disse, é muito mais. Muito mais que o sexo maravilhoso que eu poderia iniciar com sedução e êxtase a qualquer instante, seguindo um ritual animal ao qual nós dois já podíamos bailar juntos em sinfonia de intenso prazer. Isso seria simples, comum aos mortais, muito embora, era evidente, para mim e para ele, que o nosso relacionamento sexual ultrapassava todas as experiências que tivéramos até nos conhecermos.
Havia algo mais que não era possivel explicar, ele sabia e eu também. Uma cumplicidade capaz de nos atar desde as pontas dos dedos até a raiz dos cabelos. Mesmo assim, o Amor, para nós e para os que têm a ventura de conhecê-lo em toda a sua plenitude, é maior, é magnânimo, é o elo com o infinito, vai além da vida dos corpos, da existência dos sorrisos, da afirmação das vozes, supera a morte, une as almas, eterniza o vôo pelo infinito.Tentei dizer. Não consegui. Sorri e me emocionei. Ele me observou. Primeiro parecia encantado. Depois, seu rosto foi se tornando crispado da certeza de não me perder jamais.
Amor é isso. Nunca nos perdermos um do outro. Demos as mãos então, como os olhos hipnotizados, sem palavras, falamo-nos do grande Amor. Sem promessas e só com certezas. A fortaleza de seguirmos juntos, um junto do outro, para onde tivermos que ir. Um seguirá sempre dentro do coração do outro. E a alma de um é a própria alma do outro, concluímos, sem emitir um único som que não fossem os soluços do quanto choramos de emoção, abraçadinhos, felizes por termos descoberto como falar do Amor é um discurso inútil se não o sentimos profundamente.
O homem dos meus sonhos fala-me do seu Amor por mim eternamente e me ouve, onde quer que esteja, dia-e-noite, pois sabe que nos achamos finalmente e esse encontro é para sempre. Aparecida Torneros

Carlos Higgie, o escritor uruguaio, vive na Bahia, já enviei o livro


Parabéns, garota! Como faço para receber o livro? Gostaria muito de comprar um exemplar e muito mais de ler tua prosa brilhante. Tudo bem contigo? Eu ando meio desaparecido, mas un dia destes apareço no ar, novamente.
No dia 14 de agosto, em Rivera, Uruguai, estarei lançando meu romance:"La sombra de los marcos".
Te mando um beijo,
Carlos Higgie

Lançamento do livro em Curitiba, março de 2009


Vamos pensar num lançamento curitibano em 2009? Que tal março? Aproveitando o "gancho" do Dia Internacional da Mulher? Adoraria organizar esse evento..rs. Bj,
Luiza Xavier


Adorei a proposta da Luiza, tô dentro!

Cida Torneros

terça-feira, 23 de setembro de 2008

No site Overmundo, do Ministério da Educação e Cultura



No site Overmundo
do Ministério da Educação e Cultura


A Mulher Necessária

Foi lançado na Bienal do Livro, em São Paulo,no dia 21 de agosto, o livro de artigos e crônicas, da jornalista Maria Aparecida Torneros, intitulado "A mulher necessária". São mais de 100 textos, distribuídos em 250 páginas, que ela escreveu ao longo de 38 anos de profissão e foram publicados em jornais como A tarde, da Bahia, sites, como Observatório da Imprensa, além de diveros sites, revistas e blogs. O livro conta com três prefácios : um do publicitário e poeta Theo Drummond, outro do jornalista Vitor Hugo Soares e um terceiro, escrito pelo advogado, ex Deputado e ex Ministro José Dirceu.O livro foi lançado também, no Rio de Janeiro, em setembro, e vai ser lançado em Salvador, em novembro deste ano.

Sirley e Rita ( artigo do livro A mulher necessária)




Sirley e Rita



Sirley Dias de Carvalho, 32 anos, profissão: doméstica, usa o transporte coletivo, na espera em ponto de ônibus na madrugada, no Rio de Janeiro.Viu-se, de repente, em plena floresta de pedra, atacada por animais selvagens que lhe fraturaram o rosto, quebraram o braço, parecendo famintos de carne fresca e humana. Se não conseguiram comer-lhe as vísceras, de fato, deixaram-lhe as marcas viscerais da dor e da desumanidade.
Rita Lee, 60 anos, compositora e cantora, usa a inteligência para defender as mulheres e outros grupos discriminados socialmente, transporta-nos pela via da sensibilidade consciente. A roqueira-síntese de Sampa, ou de qualquer cidade grande, não estava errada. “Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra”. E diz mais: “Sexo frágil, não foge à luta”.
Sirley não fugiu, foi espancada, desrespeitada, massacrada, eram seis, era um bando, todos jovens, talvez drogados, talvez nem sejam humanos.Sirley teve sorte. Mais do que o índio Gaudino, mais do que outros seres, mulheres, prostitutas, homossexuais, também agredidos.Eles agem, geralmente, em gangues com algumas características perceptíveis, como, por exemplo, vidas de nível mais elevado que a maioria faminta da população brasileira. Ou, melhor índice de escolaridade também. Sirley pôs seu rosto marcado, roxo e inchado, bem na tela da televisão, não se envergonhou de contar sobre os socos, pontapés, xingamentos, sobre as atrocidades que sofreu, porque ela acredita que os tais jovens devam pagar pelo que lhe fizeram.
Chegou a dizer que os perdoa; a magoada Sirley é nobre, é fina flor, é requintada em gestos de grandeza. Talvez Sirley seja carinhosa demais com a família, os amigos, os patrões, os vizinhos.Talvez ela nem sonhasse que lindos rapazes de boas casas, com “pinta” de atores de novela televisiva, aparentemente exercendo o direito de aproveitar sua juventude sadia com festas, alegria e muita música, um dia, no auge da insanidade, lhe fizessem sentir-se como um trapo.
Rita Lee, em recente depoimento, declarou que “só as mulheres podem desarmar a sociedade, são as mulheres que irão dar um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas.” Sirley e Rita, dois grandes corações femininos, inundados de amor e esperança, embora partidos, inúmeras vezes, pela constatação pútrida de que a barbárie é aqui e agora. Elas sonham que os senhores policiais, investigadores, desembargadores, autoridades constituídas de todos os poderes, providenciem o adestramento e a domestificação dos indivíduos de qualquer sexo ou idade que tenham se contaminado com o pregão “odiai-vos uns aos outros” e perdido o elo que os ligaria à civilização.
Elas devem imaginar que os pais e mães que honram sua missão passem aos filhos e filhas o segredo do elo perdido e reencontrem, sob a tutela das próprias almas feridas e fracassadas, um caminho de volta ao verdadeiro sentido de pôr no mundo um ser humano, na acepção da palavra.
Maria Aparecida Torneros

Crônica para um amor em Nova York




Agora, eu vôo sobre os arranha-céus da megalópole americana em direção a um amor que ali me espera. Vôo nas asas da fantasia, enquanto não pego o avião e baixo por lá, de verdade. Digamos que nossos telefonemas, tórridos, carregados de tempero ítalo-brasileiro, sejam a preparação para o grande encontro. Sabemos como chegar um no outro, vencendo distâncias e nessa corrida de obstáculos, um sentimento de plenitude nos invade, ao mesmo tempo em que nos transportamos em linhas de intenso carinho. Já não somos crianças, nosso diálogo é denso, forte, carregado de verdades interiores, nos desnudamos em cada palavreado, em cada imagem, em cada respiração mais profunda. Nos amamos com entrega e desenvoltura. Atingimos lugares escondidos e vamos abrindo caminhos em nossas almas, através das sensações dos corpos, num ritmo que se assemelha a uma maratona em busca de ultrapassar a linha de chegada. E chegamos, juntos, a um momento maravilhoso, em que nos tornamos cúmplices de vida e parceiros de desejos realizados. Agora, se ele dorme ou se eu o acordo, é porque lá estou chegando na beira do seu leito e me aconchego no seu abraço sonolento, como uma feiticeira que ultrapassou o céu escuro, guiada pela luz que dele emana em minha direção. Nada é premeditado, tudo é maliciosamente vivido em etapas vencidas, atabalhoadamente, com gosto de "quero tudo", com promessa de " já somos dois em um". O amor que surge em nós é adulto, é inevitável, é frenético, embora sejamos conscientes do mundo em que vivemos e das limitações que teremos que enfrentar unidos. Sua voz me encanta e minha voz o estonteia. Nossos cheiros são incógnitas presumíveis. Nossos gostos são sabores de peles a serem degustadas. Nossas mãos são adestradas para que se acariciem nossas sedes e sejamos inteiros logo que nos seja dada essa chance. Por enquanto, vôo nas nuvens, ele me recebe com a aura flutuante, eu o chamo nos sonhos e ele me carrega no embalo do prazer imaginado. Vivemos assim, como dois seres fora do tempo, além dos músculos, exercitando o sentimento da paixão pela vida ao torcermos para que logo estejamos um dentro do outro, mas na verdade, já sabemos que estamos. Estamos sim, isso é um fato. Do Rio a Nova York, por milhares de quilômetros, navegam pelos ares nossas frases de amor e nossos suspiros de paixão. Poderia ser um conto de fadas. Mas é uma história de dois bruxos, que se enfeitiçam mutuamente, com a capacidade de fazer a magia dos prazeres merecidos. Chego calma, sem fazer barulho, ajeito-me na beirada da cama dele. O reconheço como o homem que me faz feliz. Aproximo minha boca da sua e o beijo durante seu sono profundo. Ele me aperta em meio ao sonho que parece realidade, e, ao acordar, de manhã, terá a certeza de que estive mesmo lá, tão grudada e real como um milagre amoroso de alguma deusa pagã, alguma cachorra uivando no cio da noite, alguma fêmea desesperada que buscou seu macho na calada da escuridão, o encontrou e o amou antes que ele despertasse. Quando faço meu vôo de volta, trago seu cheiro de Armani impregnado na minha pele, seu calor humano queimando meu furor interior, e venho, reabastecida de felicidade, plena de amorosidade, repleta de satisfação física e espiritual. Chego em casa, extenuada embora, mas confiante no quanto é preciso voar mentalmente até ele, todas as vezes que for necessário. Havérá um dia, e não está muito distante, em que nossos vôos serão em harmonia, apegados, de mãos dadas, sairemos por aí, pelo mundo, e voltaremos juntos pra casa, e na nossa cama, reaprenderemos, todas as manhãs a amar o melhor amor das nossas vidas.
Aparecida Torneros

Tributo a Charles Aznavour ( no Rio de Janeiro)


Decidi repentinamente. Faltavam 15 minutos para as 8 da noite, de um domingo frio, chuvoso. Meus sentimentos eram de que o show do Aznavour ia começar a alguns quilômetros da minha casa e talvez eu nunca estivesse tão perto dele de novo, pelo menos fisicamente, já que sua canção permanece dentro de mim, há décadas. Mas, um furor tomou-me conta, aprontei-me em 10 minutos, peguei um táxi, rumei para a casa de shows. Cheguei lá e a bilheteira informou-me que acabara de fechar o borderô, e era possível ouvir o som da sua voz ecoando no subsolo, onde fica o palco. Meu olhar pedinte, talvez, a sensação de vitoriosa investida para conseguir um lugar na platéia, ou quem sabe, a energia que emanava do artista e me pegava de jeito definitivo, tudo isso fez com que a mulher me vendesse a entrada, e eu corresse para pegar pelo menos uma hora de show.
Sentei na tal fila às escuras e vislumbrei a cabeça branca dele, no traje escuro, emocionando os ouvintes, esbanjando vitalidade. Seguiram-se os clássicos, vi e ouvi o bom Charles cantar La Boheme, Que cest triste Venize, Her encore, Ave Maria, She.
Tentei fotografar e filmar, atrapalhei-me toda, estava mesmo emocionada. A cada aplauso, o sentido da vida desse artista encantador, e seus volteios, quando cantou Dance in the old fashion way, me fizeram respirar profundamente.
O homem capaz de fazer sonhar uma platéia de românticos que se repete no mundo inteiro, nas suas turnês, quando sua missão é dar sentido mesmo ao amor que as pessoas podem se orgulhar de identificar nas melodias, nas palavras e nas almas invadidas pela melhor das ilusões huamanas.
Saí de lá tão leve, tão dona de mim mesma, do meu intenso dom de agradecer mais uma vez à vida, pela oportunidade. Meu coração permanece apaixonado. Sozinha, imaginei que o amor nem precisava me acompanhar, ele estava dentro de mim.
Ao chegar em casa, tratei de me fotografar. Sabia que meu rosto resplandecia a arte do Charles, e meu coração ainda batia ao compasso do último momento. Quando corri à beira do palco e pude ver e fotografá-lo abrindo a cortina para um aceno que flagrei, com imagem inesquecível, incrivelmente próxima, no auge da minha tietagem explícita e da solene busca do olhar que o Charles me lançou sorrindo e eu retribuí chorando. Coisas de fã, evidentemente. Coisas de gente da minha geração que saúda um grande intérprete, com tanta força de viver, exemplo vivo do bem que nossa alma traz latente, ele, aos 84, estava ali e nos encantou, com talento e doação espiritual, a mim , pelo menos, acho que me enfeitou os olhos, apurou os ouvidos e lapidou frases que agora tento pôr pra fora, como torrente de imperativa eloquência para contar que eu fui , vi e ouvi o Charles Aznavour, como um prêmio e um ritual de vida.
Aparecida Torneros , em 21 de setembro de 2008








O mistério da fêmea ( no site Bahia Já)

O MISTÉRIO DA FÊMEA,
NA VISÃO DA JORNALISTA APARECIDA TORNEROS
( no site Bahia Já)

Mariazinha tinha 7 saias, alguém cantava antigamente, a Cigana dançava sob 7véus, a Bruxa enfeitiçava os homens, a Mulher que era Fada, amadrinhava as criancinhas, a Fêmea Sereia atraía os pescadores, aquela que habitava os sonhos é a mesma que nos envolve no seu Mistério. Mulher é isso mesmo.
O mistério da bolsa que carrega: um cofre que contém band-aid, batom e fotos da família. Pode-se passar o raio x e lá há de se encontrar um mundo à parte. Talvez um pacotinho contendo folhinhas de alecrim, ou de hortelã, remédios para alma ferida, quem sabe um papelzinho dobrado com a oração do Anjo de Guarda. Na agenda, há as que anotam os dias de lua cheia para se auto- reconhecerem ou mais belas ou mais feiticeiras nessas noites, em suas cidades ou em suas camas.
Sob as saias moram as virtudes e as magias, e sob os olhos há qualquer vestígiodo incompreensível que assuste o desavisado, ou confunda o experiente. Há no conjunto delas, dessas mulheres modernas a enfrentarem com luta sua conquista de lugar ao sol, um misto de compaixão e ternura, aliado ao retumbar de bumbos que rebatem estridentemente sua corrida para a independência e seu dispor para comandar e formar famílias, cidades, países, terras e corações, mares e olhares, sentimentos e sofrimentos ultrapassados.
Ora, ponham-nas diante das maçãs do tempo, Evas e Liliths, tentações lendárias, e que se comam as vicissitudes da sua dança do tempo, mordam-se seus lábios degustando parte dos seus medos, para que sobrevivam seus feitos e desfeitos, enquanto filhos e filhas, sobrinhos, netos, bisnetos, tantos que as descendam, se encarreguem de interpretá-las na inútil tentativa de decifrá-las.
Tantos séculos, tantas mudanças de saias, das anáguas pulou-se para as saias justas, ou para as mini, ou para a audácia das calças compridas, e o passo de cada fêmea parece adequar-se à passarela dos ventos, ao passo que sua voz se faz ouvir num repicar constante de idéias que reverberam no som interno dos que param, enfim, para ouvir cada mulher que integra o dia-a-dia das metrópoles ou dos campos.
A garota sai sozinha pelo mundo, mochila às costas, a pequena voa sem destino certo mas vai em busca de si mesma, caminha pela estrada da vida e se descobre inteira. Talvez nem tenha completado os 18 anos, mas já se sente dona do seu nariz, precisa saber de tudo um pouco, o mundo é tão vasto, o tempo corre, há que ultrapassar barreiras e protestar pela minimização das diferenças e contra a persistente injustiça. Nos campus universitários ou nos pátios industriais, elas se multiplicam, são as mulheres se especializando , além dos fogões e dos tanques de lavar roupa, são as fêmeas misteriosas, como se não bastasse seu papel de procriadoras da espécie, seu bailado atávico qual dançarinas que se movem ciosas da cadência dos próprios quadris, elas se vestem com terninhos coloridos e falam nos microfones.
Discorrem sobre energia, organização social, desenvolvimento dos seus países, elas aprenderam a contra argumentar, contra atacar, contra por, contra cenar, contra bandear até. E bandeiam para os lados que escolhem ou são escolhidas, vai da sorte e da mirada. Algumas miram o alvo certo, pregam sua atenção em metas pessoais ou coletivas, e não se desviam do caminho traçado. Chegam lá, não há como duvidar das obstinadas. Porém, suas crianças nascem e crescem, e por incrível que pareça, não é que elas se desdobram e vão nas reuniões de pais das escolas? Como conseguem cozinhar e ler ao mesmo tempo, indagam os de pensamento machista tradicional?
Ainda bem que são assim, seres múltiplos, rebatem os antenados, os melhores companheiros para as misteriosas fêmeas modernas.
A senhora setentona viaja pela Europa sozinha descobrindo a história, se atualizando com os eletrônicos, calçando tênis iguais aos das suas netas para caminhadas, e fotografando cada momento e monumento, como registro e conquista.
Certamente, em cada mulher reside, além da sede de viver, o gosto pela descoberta da própria liberdade. E isso tem preço, claro, o preço que surpreende os incautos que lhes cobram posturas, enquanto tentam decifrar porque ainda choram diante de meninos índios desnutridos ou de crianças abandonadas nas ruas. Cada uma delas sabe que o desafio é imenso, há um planeta desordenado a reconstruir, nada que não se possa incluir num sonho dantesco, na medida que se vai fazendo a parte que lhe cabe, pequenina embora, mas importante para a construção do todo. Disso, toda mulher tem certeza. A partir de pequenos gestos, unindo esforços e cultivando esperança, não é que o mundo está mudando?
Pelo menos para elas, para suas irmãs de gênero, seus pares de caminhada, seus namorados e maridos com quem dividem medos e enfrentam guerras diárias, essas misteriosas criaturas que portam úteros-celeiros de vidas e promessas, são realmente uma fonte inesgotável de perguntas sem respostas e de surpresas em cascata.
Delas, pode-se esperar a qualquer instante, a novidade que aquece a alma e o novo discurso que reorganize o trabalho ou redescubra a pólvora, em lugar incerto e não sabido, no mais longínquo reduto de sobriedade que houver num sentimento pleno de audácia feminina, ou de disciplina humana. Se alguma ainda apavora a um desavisado que não a consiga entender, aconselha-se a meditação em hora do por do sol, posição de lotus, pensamento vago, soltando as amarras culturais e religiosas, apenas cheirando o ar impregnado de busca, deixado pelo rastro de uma delas.
Quando ela passa, leva consigo nossa admiração ou nossa perplexidade, legando-nos muitas interrogações e alguns pontos exclamativos para compensar as histórias universais, com gestos e mesuras de saias e véus, danças e gargalhadas, acenos e sorrisos, ares de quem sabe onde vai e o que quer, a despeito do seu eterno mistério!
Aparecida Torneros é jornalista e autora do livro "A mulher necessária"

Rodízio de amigas...e amigos...

Tereza Cristina, Mauro, que trouxe o abraço da Celeste



Tomásia e Alessandra







Márcia e Sônia












Mônica e Léo, marido da Reja
















Sonia, Erika e amigas













Verinha, Leonor e eu





















Ademir




Iolanda , eu e mamãe
















Michel e Camila




Rosas de um amigo, rosas de um abrigo


Eu e as rosas ... rosas de um amigo...rosas de um abrigo que abrigam minha alma aquecem o coração, dão-me alegria rosas que me chegam no mesmo dia em que abraço de novo meu filho... são rosas que vieram de um amigo elas me tomam o ser como um abrigo me mostram a delicadeza e o brilho de uma amizade e da paz que persigo... rosas em buquê, flores em botão, enfeitam minha vida, me chamam atenção para a especialidade do gesto carinhoso alguém de longe manda parte de um jardim um sentido doce se apodera de mim quero dizer que o amor é flor também há nele perfume e ternura bem além do quanto se sonha, do quanto se ganha, do quanto se perde, do quanto se espera... cheiro e me encanto com as rosas belas sou então, preciosa e tola admiradora delas, da sua natureza misteriosa, por me fazerem bem dão-me alento, aconhego, espaço de sentir afugentam-me qualquer dor, enlevam da terra... rosas me vieram de avião, voaram até mim trouxeram amizade, carinho , respeito, enfim... encosto-me nelas e faço-me flor por segundos, sou ser mutante deste e de outros mundos, nas suas pétalas envolvo-me de pura magia, da sua presença colho a semente para novo dia...

Poema feito para as rosas que o Zé Dirceu me enviou como presente de aniversário e felicitações pelo lançamento do meu livro.
Aparecida Torneros 11 de setembro de 2008

O pessoal da Emop/Serla, só gente bonita!
















Vou postar mais...esperem

Recado carinhoso da Benedita, irmã da Antonieta




É, Aparecida, você é realmente uma pessoa muito especial. Você transborda emoção, a boa emoção. É um privilégio conhecê-la. Bjs. Benedita.

La opinion de la querida amiga argentina Beatriz Altschul


Hola Cida, Lindiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisimo su libro, comencé a llerlo rapidamente y me di cuenta que es un libro para saborear lentamente, y asi estoy ahora, me encanto lo que escribiste de Buenos Aires, me senti muy reflejada, un placer conocerte y un enorme placer leer tu libro.
Espero que nos podamos ver en BAires, que es mas facil para convesar contigo, ya estoy pensando en lugares que te gustaria conocer.
Gracias por el convite, y hasta pronto.
Ya manhana dia 23 vuelo a tu Buenos Aires querido, desde mi Rio querido y ya lo estoy extranhando, y ni siquiera termine la mala, las saudades de Rio acaban conmigo, sera entonces hasta que nos veamos en baires y hasta que vuelva a matar saudades a mi Rio del alma.gracias, besos, en 22 de septiembre de 2008
Beatriz, la portenha acariocada

O carinho especial dos amigos antigos, desde os tempos do Colégio Pedro II

Cida Reja Zazá, o trio que marcou os anos 60 no CPII e no Instituto de Educação
Criamos CIREZA SS, instituição fortalecida ao longo de décadas!



Eliane Garcia, a doce médica, mãe da Vivi, amiga desde o ginásio

Eduardo e Lena, parceiros do jornal Bossa Nova, em 1965,
hoje, avós da Letícia que compareu em fotografia, confiram!



Outras opiniões...me deixam orgulhosa, sabiam?

Amigos e amigas
relutei muito em publicar um livrojuntei muitos textos, escolhi os que compõem o "A mulher necessária"claro que as opiniões são de pessoas que me conhecem, pois são por demais elogiosas...rs
mas, me faz muito bem saber que o livro é leve, tem conteúdo reflexivo, e leva emoção a quem o lê.agradeço a todos e todas.e tomo fôlego para fazer o lançamento em Salvador , em novembro
beijos
Cida Torneros

Eis mais duas:



Theo Drummond, poeta e publicitário

" Ôi Cida, querida amiga! Estava para escrever para dizer quanto foi agradável nosso almoço e quanto tive satisfação de revê-la. Estou lendo "A Mulher Necessária" e gostando muito. Você é ótima, escrevendo e sob todos os ostros aspectos (rsrsrsrs)...Já recomendei o livro para duas amigas, que certamente irão gostar também. Não esqueça do que falamos sobre a promoção:use os sites mais variados para falar do livro e dizer onde encontrá-lo. tá?
Gostei muito da crônica "O mistério da fêmea..." Você é bárbara.
Beijos da Lena e do
Théo Drummond

Luiza Xavier ( jornalista, Curitiba)

Minha amiga querida, Dediquei parte deste fim de semana curitibano frio e chuvoso - sim, o recolhimento também é fundamental - para ler seu livro-presente. Que lindo. Sei que muitas das crônicas estão nos blogs, mas livro será sempre "a casa da palavra", mesmo que os amantes radicias da tecnologia apregoem o seu fim definitivo (meu ex-marido, profissional de informática, sentia um prazer especial ao me provocar dizendo que os livros iriam acabar logo logo e que nosso filho aprenderia a ler em telas de computador - argh!).
Thiago (ah os amores necessários!) me "flagrou" rindo emocionada com uma de suas crônicas e expliquei que você, a autora-amiga e absolutamente necessária para o mundo das letras e dos amigos estejam eles onde estiverem, já tinha estado aqui em casa e que dera de presente a ele uma caixa de lápis de cor. Ele lembrou e saiu-se com esta: "ah, a Aparecida. Esse é o nome dela porque ela é bem conhecida, né?".
Crianças e sua sabedoria ainda intocada pela hipocrisia mundana. Aparecer, ser conhecido e famoso no "bom sentido" do termo. Foi a associação que ele fez. É isso, claro, ele está certíssimo mais uma vez. Outro nome não te caberia mais adequado. Que você siga crescendo, aparecendo, sendo conhecida Brasil e mundo afora.
Beijos e uma semana maravilhosa.

Os descendentes de Carmen Torneros, minha avó paterna...

Luisa, com Fabiane e Tomásia, estreando no mundo dos livros














João Luís, primo, pai da Luisa e fiho da Maria Carmen
l














Maria Carmen, mãe da Luciana e do João Luís
















Tia Fernanda, esposa do tio Gerson e mãe da Carmen e do Luís















Iolanda, prima, irmã da tia Marilene














Paulo César, filho do tio Paulo e tia Marilene,
marido da Noêmia, pai da Carolina, da Ligia, da Marina e do Leonardo














Ana Clara, neta do tio Pedro, filha da prima Eliane e do Porfírio,
acho que também vai ser escritora...








Amigas jornalistas no lançamento no Rio

Teresa Tavares












Eliane Carvalho













Thereza Diogo













Antonieta Santos





Sonia Moreira



Diene Dayse e marido







Erika Kavikine




Denise
Guimarães









Tania Mallheiros