aqui tem música, poesia, reflexões, homenagens, lembranças, imagens, saudades, paixões, palavras,muitas palavras, e entre elas, tem cada um de vocês, junto comigo... Cida Torneros
Maracanã
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Le Temps... a surpresa do amor, o mistério da vida... resposta ao tempo...
Uma boa conversa via internet, repentinamente, me faz atravessar o tempo...meu interlocutor encontra-se em Argel, capital da Argelia, visitando sua terra de origem, já que vive na França, desde tenra idade.
O tempo, eu me pergunto, para que ele serve, na vida e na morte das pessoas. Tem tantas histórias que o tempo engrandece e outras tantas que ele apaga, o tempo revela coisas antes impublicáveis mas também pode sepultar para sempre amores que não vingaram, que não se superaram, que se escafederam, para surpresa de corações pulsantes que um dia acreditaram em amores eternos. Mas, como não imaginar que a eternidade seja a própria brevidade do mistério que é a vida. Que são 80 ou 100 anos na história de alguém ou da própria humanidade? São nada ou quase nada. Para se respeitar algo consistente em termos de tempo, faz-se mister contar centenários ou milênios, talvez mais um pouco, ou talvez menos? Um amor que dura meses é amor também? Mais do que o tempo de sua duração, a intensidade dos seus sentimentos ou a fortaleza dos seus propósitos? Quem sabe o inquietante ir e vir de expectativas ou mesmo a surpresa dos sentidos incontroláveis, sejam hormonais ou racionais? Corpos que se glorificam, brilhando em torno da luz de alguma boa fala, em qualquer língua dissonante...Salam!!! saudo meu amigo árabe, meu amigo francês, meu amigo argelino, em momento feliz por saber que ele existe e eu também. Saber que é possível atravessar as ondas do tempo, através dos ventos, alcançar terras distantes, perceber a magia dos encontros que a vida oferece e apesar de tudo, crer na efemeridade do nosso tempo por aqui, nossa passagem por um mundo tão intenso e misterioso, tão diferenciado em raças, hábitos, culturas, histórias...
Do outro lado, meu amigo me fala de Farfar. Sua vila de nascimento, de onde saiu aos 3 anos para viver com a família, em Paris. Avisa-me que no próximo domingo irá ali, visitará familiares velhinhos, alguns beirando os 100 anos, que por lá fincaram raízes, onde ele reencontrará suas origens, enquanto ainda há tempo para trocar algo substancial ou espiritual com sua própria gente.
Falo que no Rio de Janeiro o calor está grassando, ele me diz que lá está muito frio. Rimos juntos das nossas falas entrecortadas em línguas díspares, um pouco do francês, de minha parte, mal escrito, uma dose consensual de inglês, algumas saudações em espanhol e árabe, palavras soltas em português, que tento explicar, principalmente no que diz respeito ao futebol, do qual ele é fã inconteste.
Ele me diz que ama o Brasil desde 1970, desde a Copa do Mundo. Já se passaram mais de 40 anos e no entanto, as imagens daquela Copa estão marcadas em mim e nele, que nem sequer imaginávamos um dia nos conhecermos ou falarmos sobre isso.
A vida segue, cheia de surpresas, os amores que confessamos são tão importantes quanto os que nem ousamos imaginar, os mistérios do tempo nos enveredam por almas religiosas ou não, aí está a física para provar ( ou pretenciosamente questionar) que não há espaço-tempo, no final das contas.
O mundo roda, gira a Terra, somos o nosso próprio tempo, em corpos que se buscam ou se bastam, que se desenvolvem ou se desgastam, em mentes que se surpreendem ou se deterioram, em crenças que se arraigam ou se amansam, aí vamos nós...
Ao nos despedirmos, podemos dizer Au revoir, Salam, Adiós, Até logo, Bye, ou somente... silenciar , com o tempo...
Ao nos reencontrarmos, qualquer dia desses, talvez em Paris, talvez no Rio de Janeiro, quem sabe em que tempo, poderemos zombar do tempo, como faz a Nana, na canção...ou será que o tempo é que zomba de nós? Vou voltar no tempo e re-ouvir a música...Resposta ao tempo, uma das mais lindas que já escutei, pode ser que, com o tempo, eu consiga decifrar quem de nós controla o próprio tempo ou simplesmente o joga pelo ralo com as águas da chuva?
Ah, lembrei...o tempo ri, na letra da canção...vale a pena passar como o tempo passa...
Diz que somos iguais...ele é o tempo...
Nós somos o que ele nos deixa ser...
Isso me consola...pelo menos, agora...
Maria Aparecida Torneros
Uma boa conversa via internet, repentinamente, me faz atravessar o tempo...meu interlocutor encontra-se em Argel, capital da Argelia, visitando sua terra de origem, já que vive na França, desde tenra idade.
O tempo, eu me pergunto, para que ele serve, na vida e na morte das pessoas. Tem tantas histórias que o tempo engrandece e outras tantas que ele apaga, o tempo revela coisas antes impublicáveis mas também pode sepultar para sempre amores que não vingaram, que não se superaram, que se escafederam, para surpresa de corações pulsantes que um dia acreditaram em amores eternos. Mas, como não imaginar que a eternidade seja a própria brevidade do mistério que é a vida. Que são 80 ou 100 anos na história de alguém ou da própria humanidade? São nada ou quase nada. Para se respeitar algo consistente em termos de tempo, faz-se mister contar centenários ou milênios, talvez mais um pouco, ou talvez menos? Um amor que dura meses é amor também? Mais do que o tempo de sua duração, a intensidade dos seus sentimentos ou a fortaleza dos seus propósitos? Quem sabe o inquietante ir e vir de expectativas ou mesmo a surpresa dos sentidos incontroláveis, sejam hormonais ou racionais? Corpos que se glorificam, brilhando em torno da luz de alguma boa fala, em qualquer língua dissonante...Salam!!! saudo meu amigo árabe, meu amigo francês, meu amigo argelino, em momento feliz por saber que ele existe e eu também. Saber que é possível atravessar as ondas do tempo, através dos ventos, alcançar terras distantes, perceber a magia dos encontros que a vida oferece e apesar de tudo, crer na efemeridade do nosso tempo por aqui, nossa passagem por um mundo tão intenso e misterioso, tão diferenciado em raças, hábitos, culturas, histórias...
Do outro lado, meu amigo me fala de Farfar. Sua vila de nascimento, de onde saiu aos 3 anos para viver com a família, em Paris. Avisa-me que no próximo domingo irá ali, visitará familiares velhinhos, alguns beirando os 100 anos, que por lá fincaram raízes, onde ele reencontrará suas origens, enquanto ainda há tempo para trocar algo substancial ou espiritual com sua própria gente.
Falo que no Rio de Janeiro o calor está grassando, ele me diz que lá está muito frio. Rimos juntos das nossas falas entrecortadas em línguas díspares, um pouco do francês, de minha parte, mal escrito, uma dose consensual de inglês, algumas saudações em espanhol e árabe, palavras soltas em português, que tento explicar, principalmente no que diz respeito ao futebol, do qual ele é fã inconteste.
Ele me diz que ama o Brasil desde 1970, desde a Copa do Mundo. Já se passaram mais de 40 anos e no entanto, as imagens daquela Copa estão marcadas em mim e nele, que nem sequer imaginávamos um dia nos conhecermos ou falarmos sobre isso.
A vida segue, cheia de surpresas, os amores que confessamos são tão importantes quanto os que nem ousamos imaginar, os mistérios do tempo nos enveredam por almas religiosas ou não, aí está a física para provar ( ou pretenciosamente questionar) que não há espaço-tempo, no final das contas.
O mundo roda, gira a Terra, somos o nosso próprio tempo, em corpos que se buscam ou se bastam, que se desenvolvem ou se desgastam, em mentes que se surpreendem ou se deterioram, em crenças que se arraigam ou se amansam, aí vamos nós...
Ao nos despedirmos, podemos dizer Au revoir, Salam, Adiós, Até logo, Bye, ou somente... silenciar , com o tempo...
Ao nos reencontrarmos, qualquer dia desses, talvez em Paris, talvez no Rio de Janeiro, quem sabe em que tempo, poderemos zombar do tempo, como faz a Nana, na canção...ou será que o tempo é que zomba de nós? Vou voltar no tempo e re-ouvir a música...Resposta ao tempo, uma das mais lindas que já escutei, pode ser que, com o tempo, eu consiga decifrar quem de nós controla o próprio tempo ou simplesmente o joga pelo ralo com as águas da chuva?
Ah, lembrei...o tempo ri, na letra da canção...vale a pena passar como o tempo passa...
Diz que somos iguais...ele é o tempo...
Nós somos o que ele nos deixa ser...
Isso me consola...pelo menos, agora...
Maria Aparecida Torneros
Charles Aznavour-Le temps
Le Temps :
Laisse moi guider tes pas dans l'existance,
Laisse moi la chance de me faire aimer,
Viens comme une enfant au creux de mon épaule,
Laisse moi le rôle,
De te faire oublier:
Le temps qui va,
Le temps qui sommeille,
Le temps sans joie,
Le temps des merveilles,
Le temps d'un jour,
Temps d'une seconde,
Le tempps qui court,
Ou celui qui gronde,
REFRAIN
Le temps,
Le temps,
Le temps et rien d'autre,
Le tien le mien,
Celui qu'on veut notre,
Le temps,
Le temps,
Le temps et rien d'autre,
Le tien le mien,
Celui qu'on veut notre.
Le temps passé,
Celui qui va naître,
Le temps d'aimer,
Et de disparaître,
Le temps des pleurs,
Le temps de la chance,
Le temps qui meurt,
Le temps des vacances.
REFRAIN
Le temps glorieux,
Le temps d'avant guerre,
Le temps des jeux,
Le temps des affaires,
Le temps joyeux,
Le temps des mensonges,
Le temps frileux,
Et le temps des songes.
REFRAIN
Le temps des crue,
Le temps des folies,
Le temps perdu,
Le temps de la vie,
Le temps qui vient,
Jamais ne s'arrête,
Et, je sais bien,
Que la vie est faite,
Du temps des une et du temps des autres,
Le tien le mien,
Peut devenir notre,
Le temps des uns et le temps des autres,
Le tien le mien,
Peut devenir notre,
Le temps,
Le temps des uns et le temps des autres,
Le tien le mien,
Peut devenir notre,
Le temps des uns et le temps des autre,
Le tien le mien,
Peut devenir notre,
Le temps,
Le temps,
Le temps,
Le temps.
Laisse moi la chance de me faire aimer,
Viens comme une enfant au creux de mon épaule,
Laisse moi le rôle,
De te faire oublier:
Le temps qui va,
Le temps qui sommeille,
Le temps sans joie,
Le temps des merveilles,
Le temps d'un jour,
Temps d'une seconde,
Le tempps qui court,
Ou celui qui gronde,
REFRAIN
Le temps,
Le temps,
Le temps et rien d'autre,
Le tien le mien,
Celui qu'on veut notre,
Le temps,
Le temps,
Le temps et rien d'autre,
Le tien le mien,
Celui qu'on veut notre.
Le temps passé,
Celui qui va naître,
Le temps d'aimer,
Et de disparaître,
Le temps des pleurs,
Le temps de la chance,
Le temps qui meurt,
Le temps des vacances.
REFRAIN
Le temps glorieux,
Le temps d'avant guerre,
Le temps des jeux,
Le temps des affaires,
Le temps joyeux,
Le temps des mensonges,
Le temps frileux,
Et le temps des songes.
REFRAIN
Le temps des crue,
Le temps des folies,
Le temps perdu,
Le temps de la vie,
Le temps qui vient,
Jamais ne s'arrête,
Et, je sais bien,
Que la vie est faite,
Du temps des une et du temps des autres,
Le tien le mien,
Peut devenir notre,
Le temps des uns et le temps des autres,
Le tien le mien,
Peut devenir notre,
Le temps,
Le temps des uns et le temps des autres,
Le tien le mien,
Peut devenir notre,
Le temps des uns et le temps des autre,
Le tien le mien,
Peut devenir notre,
Le temps,
Le temps,
Le temps,
Le temps.
Madrid, Madrid, Madrid - Placido Domingo&Agustin Lara
Volveré a Madrid en agust, gracias a Dios, en este 2012, la necesito, la amo, ciudad tan historica em mi vida, tan cálida, tan hermosa y fuerte!
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Via Crucis : o Amor das Marias
Via Crucis : o Amor das Marias
Essa menina de olhos assustados poderia se chamar Maria, morar na periferia de São Paulo, andar maltrapilha, sonhar com as luzes de um palco, comer pão sem manteiga, adormecido, engravidar na adolescência, parir um bebê magrinho e dar a ele o nome de Jesus...
Ela teria sido batizada em terras árabes, ter crescido ouvindo falar da luta pela identidade do seu povo, ter aprendido a odiar os judeus, sem entender exatamente por que, e ainda, alguma tarde dessas, Hanah ou Maria, por questão de segundos, pensou que tudo estava errado com a humanidade...
Em algum lugar do Egito, ou do Sudão, ou da África do Sul, a negra-mestiça Kiria ou Maria, perguntou ao Céu deslumbrante a razão de tanto sofrimento na Terra...
Naquela manhã em que o terremoto se abateu sobre sua cidade, na ilha principal do Japão, Yoko ou Maria, mulher pequenina de olhos amendoados, só lembrou do filho na escola, imaginando se as paredes teriam caído sobre sua cabecinha de garoto dedicado aprendendo a contar números e a decifrar letras.
Já ia noite alta quando a índia da América Central, a quem chamavam Sol Nascente ou Maria, depois de guardar o cesto onde tecia seus panos de vestir, parou para velar o sono do sensível Paquito, acreditando que estava bem guardado por ela.
Na frenética Nova York, Stephanie ou Maria, correndo entre os carros na avenida principal, precisava chegar logo ao colégio do filho adolescente, que a esperava sempre ao entardecer com um sorriso especial para contar as novidades e reclamar do frio.
Em Assis, um italianinho rebelde questiona Sofia ou Maria, sobre a possibilidade de viajar pelo mundo, sozinho, longe do jugo materno, alegando que a “mama” o sufoca com tanta macarronada e tanto não.
Para os lados de Beirute, Nazira ou Maria, nem tem tempo de verificar suas flores a desabrocharem nos vasos da varanda porque é urgente ajudar ao querido filhote que começa a dar os primeiros passos, justo nas ruínas de uma cidade destruída pela guerra civil.
Ellem ou Maria, cortesã de luxo nos cabarés de Paris, ao ser abraçada por um freguês endinheirado, se compraz de júbilo, certa de que aquele faturamento garantirá o pão do seu rebento, um infante esfomeado por pães e doces, chocolates e refrigerantes.
Nada pode desviar a atenção de Cristina ou Maria, bela senhora radicada na Índia, diplomata de profissão, seguidora da causa dos pobres, mantenedora de creches, lugares onde adota meninos especiais e os cobre de carinho para vencerem o medo da vida.
Na esquina da rua deserta, a mendiga Josefa ou Maria, aconchega o pequeno Jaiminho, torcendo para que ele tenha um lar com teto e calor, algum dia.
Lídia ou Maria, assistindo ao julgamento do seu único filho, por tráfico de drogas, clama a clemência pela vida do rapaz perdido na história de uma existência despedaçada entre os sonhos absurdos de fuga da realidade.
Para Ulla ou Maria, mulher alemã, quando seu filho resolveu ser missionário e rumar para o Iraque, em plena guerra, a atitude dele só a encheu de orgulho, apesar dos riscos, proporcionando-lhe a certeza de que está tudo certo.
Para Maria, aquela que viu seu filho Jesus, segundo a lenda ou a história cristã, encarnar toda a dor futura da espécie , restou a glória de partilhar com ele do sofrimento atroz e perdoar os humanos por sua insanidade repetida.
Quando o tiraram da cruz, morto embora, ela o consolou, amparando nos braços a pendida cabeça de um Deus caído, sobre o qual, Maria verteu lágrimas maternas e humanas, capazes de banhar para sempre os corações de todas as mulheres.
Essas Marias estão por toda a parte. Têm o dom de cuidarem de meninos que se tornam homens, bons ou maus, escolhendo cada qual, seu próprio caminho, carregando pesados fardos ou missões, optando por serem carrascos algozes ou réus condenados, sob o olhar de mães amorosas, fontes eternas de perdão.
A Via Crucis de nós todos, apelo inconsciente para a culpa dos mortais diante das injustiças e dos ódios, só se torna suportável porque há Marias no mundo, capazes de doar amor irrestrito aos seres do Planeta.
Elas, como a Terra-Mãe, ainda sonham com a ressurreição do Filho Homem, acreditando que o Bem e a Paz, surpreendemente, reinem, para sempre...
Maria Aparecida Torneros, porque hoje é dia de relembrar a via crucis das Marias...pelo mundo...
(texto escrito em 2005)
Viajantes de nós mesmos
(artigo publicado no jornal A Tarde, da Bahia, 07/11/06)
A música cantada pela Maria Rita, sempre que a ouço, me faz sentir o quanto somos efêmeros, o quanto somos viajantes de nós mesmos, o quanto somos passageiros. Poderia ser filosofia, sim, mas é bem mais... Desculpando-me pela pretensão de cronista refeita do estresse depois de feriadão passado em Búzios, com licença, na casa das minhas amigas Cris e Helô, com direito a ouvir Chico Buarque e Pablo Milanez, só posso re-olhar o mundo nosso como uma grande viagem, seja de trem, ônibus, automóvel conversível, calhambeque conservado a formol ou na sola do pé, em caminhada esotérica.
Marcha de retirantes, caminho de iluminados, estradas de sonhadores, ao longo de rios, ao ultrapassar os morros, ao voar sobre montanhas, quem não há de, ainda que espetacularmente, sentir-se o mago da vida de idas e vindas, capaz de estar aqui e ali, indo em frente, sensação magnânima que nos faz vencer os medos de parar, qualquer dia, em lugar incerto e não sabido, como as pedras que não rolam mais? Pois, quando há greves em sistemas de transporte, o grande nó que se estabelece na vida dos cidadãos, na verdade, não é só o imbróglio do cotidiano econômico-social, mas, o que prevalece, sub-reptício, incomodativo, estranho e inconveniente, é, sim, o medo que dá ficar repentinamente ali, sem meios de seguir.
Ao observar o comportamento de nós todos, nos momentos de espera consumida em pensamentos vários, é possível identificar um grande mal que nos acomete detonado pelo sentido forçado de viajarmos dentro de nós mesmos. Somos, então, queiramos ou não, forçados a nos reconhecer como dependentes dos controladores (palavra bem expressiva) dos nossos destinos, dos condutores, dos motoristas, dos comissários, dos maquinistas, dos mestres da navegação dos mares infinitos e, até, dos deuses astronautas que infestam os sonhos de universo explorável.
Nada como uma greve de controladores para deflagrar enxurradas de pensamentos reflexivos em milhares de cabeças acostumadas à correria de vôos condutores da vida moderna, enquanto somos induzidos a sentir as mazelas que tantos outros sentem. É então que nos vemos caminhando no barro ou esperando a carona na distância dos sertões, tentando chegar a uma cidade grande, para arranjar um emprego, andar de coletivo, metrô ou trem, quem sabe, um dia, subir naquele bicho prateado e conseguir voar, sem precisar esperar tanto que a vida flua, que o mundo seja vencido, que não se tenha mais tempo para parar e esperar, na entupida estação rodoviária.
Nessas horas, nem dá para lamentar o gosto indelicado de achar que se é menos importante que qualquer passageiro de qualquer transporte de massa conduzido por gente que detém o controle das rotas que ainda pretendemos vencer. Mais prudente é sentir necessidade de cantarolar com a Maria Rita, a letra da canção de Milton Nascimento e Fernando Brandt, que diz assim: “Chegar e partir são só dois lados da mesma viagem, o trem que chega é o mesmo trem da partida, a plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar”. APARECIDA TORNEROS
(artigo publicado no jornal A Tarde, da Bahia, 07/11/06)
A música cantada pela Maria Rita, sempre que a ouço, me faz sentir o quanto somos efêmeros, o quanto somos viajantes de nós mesmos, o quanto somos passageiros. Poderia ser filosofia, sim, mas é bem mais... Desculpando-me pela pretensão de cronista refeita do estresse depois de feriadão passado em Búzios, com licença, na casa das minhas amigas Cris e Helô, com direito a ouvir Chico Buarque e Pablo Milanez, só posso re-olhar o mundo nosso como uma grande viagem, seja de trem, ônibus, automóvel conversível, calhambeque conservado a formol ou na sola do pé, em caminhada esotérica.
Marcha de retirantes, caminho de iluminados, estradas de sonhadores, ao longo de rios, ao ultrapassar os morros, ao voar sobre montanhas, quem não há de, ainda que espetacularmente, sentir-se o mago da vida de idas e vindas, capaz de estar aqui e ali, indo em frente, sensação magnânima que nos faz vencer os medos de parar, qualquer dia, em lugar incerto e não sabido, como as pedras que não rolam mais? Pois, quando há greves em sistemas de transporte, o grande nó que se estabelece na vida dos cidadãos, na verdade, não é só o imbróglio do cotidiano econômico-social, mas, o que prevalece, sub-reptício, incomodativo, estranho e inconveniente, é, sim, o medo que dá ficar repentinamente ali, sem meios de seguir.
Ao observar o comportamento de nós todos, nos momentos de espera consumida em pensamentos vários, é possível identificar um grande mal que nos acomete detonado pelo sentido forçado de viajarmos dentro de nós mesmos. Somos, então, queiramos ou não, forçados a nos reconhecer como dependentes dos controladores (palavra bem expressiva) dos nossos destinos, dos condutores, dos motoristas, dos comissários, dos maquinistas, dos mestres da navegação dos mares infinitos e, até, dos deuses astronautas que infestam os sonhos de universo explorável.
Nada como uma greve de controladores para deflagrar enxurradas de pensamentos reflexivos em milhares de cabeças acostumadas à correria de vôos condutores da vida moderna, enquanto somos induzidos a sentir as mazelas que tantos outros sentem. É então que nos vemos caminhando no barro ou esperando a carona na distância dos sertões, tentando chegar a uma cidade grande, para arranjar um emprego, andar de coletivo, metrô ou trem, quem sabe, um dia, subir naquele bicho prateado e conseguir voar, sem precisar esperar tanto que a vida flua, que o mundo seja vencido, que não se tenha mais tempo para parar e esperar, na entupida estação rodoviária.
Nessas horas, nem dá para lamentar o gosto indelicado de achar que se é menos importante que qualquer passageiro de qualquer transporte de massa conduzido por gente que detém o controle das rotas que ainda pretendemos vencer. Mais prudente é sentir necessidade de cantarolar com a Maria Rita, a letra da canção de Milton Nascimento e Fernando Brandt, que diz assim: “Chegar e partir são só dois lados da mesma viagem, o trem que chega é o mesmo trem da partida, a plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar”. APARECIDA TORNEROS
A grande viagem é mesmo interior...
a grande viagem é mesmo aquela que empreendemos interiormente.
acho isso
talvez por ser extremamente reflexiva
ou porque em todas as viagens que tenho feito, quem vai mesmo me acompanhando, sou eu só...
amigos e amigas, claro, podem até estar ao meu lado, nos divertimos, aproveitamos momentos, mas
a transformação maior a partir de cada novo lugar ou experiência se dá no fundo de mim, quase sempre...
uma vez, numa dessas cidades do fim do mundo, interiorzão de Minas Gerais, descobri que era mais feliz do que imaginava.
voltei nova..refeita...e só tinha 16 anos...deixei em Itajubá uma paixão desfeita, mas trouxe uma Cida segura de si.
em Tóquio, tão longe, fiquei perto de mim mesma, no templo de Azakuzá, aos 22 anos, órfã do Cristo que lá ninguém cultuava,
aprendi sobre o recolhimento e a meditação.
em Jackonville, uma noite, aos 42, acordei pensando na fofura daquela cama, bem americana, na casa da minha tia, pulei dali e fui dormir num sofá mais endurecido, precisava tomar posse do meu corpo que se perdia no meio de tanto alcochoado, eu andava rígida, naquele tempo, com a adolescência inquieta do meu filho, então com 16 anos, e me acompanhando naquela viagem.
em Buenos Aires, muitas vezes, me reencontrei com a nostalgia e com a comilança, sem culpas.
no nordeste brasileiro, Natal, João Pessoa e Recife, um misto de brasilidade com auto piedade me ataca, pois a terra é rica e o povo tão pobre, mas me parecendo feliz, mesmo assim.
na Bahia, eu sou mais eu, e namoro o primeiro mulato bonito que me cruza o caminho, exercito o direito de ser livre como uma ex escrava negra que se apaixona pelo senhor de engenho. Salvador tem a propriedade de me energizar a sensualidade intensa.
Vitória, essa me lembra muita muqueca, e uma piscina circular do hotel da ilha do Boi onde é possível olhar o céu rodopiando num colchão inflado de ar, sem esquinas para ter que dobrar..tudo é redondo lá como o universo.
Porto Alegre me deu a chance de buscar o frio ao passo que transitei pelo calor humano da casa da minha amiga Aida. com ela, fui comer chocolate em Gramado, e na convenção das Bruxas em Canela.
Curitiba, por algumas passagens por lá, me prometia uma aventura estranha. um dia, aconteceu. o jovem, mais novo 20 anos, me cobriu de paixão, após um longo jantar de confissão sobre o fim do seu casamento. inesquecível madrugada, aqueles olhos pedintes de um homem recém traido por sua ex mulher, que buscava auto afirmação, e eu dei tudo o que pude, para fazê-lo feliz. no dia seguinte, a caminho do aeroporto, o telefonema com voz de anjo me mandando beijos e pedindo que os guardasse eternamente num cofre especial. estão guardados.
Já s. Paulo, o frenesi, esta é uma cidade que me põe em ebulição, me requisita, me aguça a curiosidade. S Paulo não pára de me proporcionar de tudo um pouco, sempre. Desde o beijo na calçada do Museu da Paulista, dado pelo desconhecido que não se conteve e depois virou meu amigo, até o amor maduro vivido por algum tempo com o executivo da Ambev, até o guri de 20 anos que amou uma mulher de 52, enquanto decidia emigrar para a Rússia e estudar física aero espacial. tb, o vago sentido de trabalhar como uma operária, em dias de 14 horas de dedicação, num escritorio da Brigadeiro e depois ir dançar com amigos espanhóis tomando cuba-libre. no Rio, onde nasci e vivo, viajo sempre, dentro de mim mesma, chego ao cúmulo de mudar o trajeto do taxi, pedindo que volte e me deixe olhar de novo o mar, apesar de estar atrasada, muitas vezes...
é que a viagem dos meus sonhos, dos meus olhos, das minhas lembranças e dos meus cheiros, foi aquela que EU FIZ à Espanha, Portugal e França em maio passado... vivi, inclusive, uma linda história de amor, e era uma questão de sobrevivência de uma descendente de Carmen Torneros, minha avó, que era uma guria de 16 anos quando fugiu para o Brasil e nunca mais voltou. dela, e com ela, viajei demais minha infância inteira, nas histórias que me contava...
no corpo de algum amante latino, devo ter viajado pra bem longe e nem queria voltar, mas... toda viagem tem partida e chegada. melhor é seguir viajando, como cigana, ganhando as ruas do mundo pequeno ou grande. por exemplo, em Búzios, sinto-me em casa, naquelas águas azuis, me tranquilizo e durmo ao luar, na casa da Cris. nos últimos dias, viajo nos braços de um príncipe, e em suas marés, ando me redimindo dos pecados cometidos... rs
nem sei porque conto tudo isso...
coisas da internet. acho...mundo pós moderno
Cida Torneros
acho isso
talvez por ser extremamente reflexiva
ou porque em todas as viagens que tenho feito, quem vai mesmo me acompanhando, sou eu só...
amigos e amigas, claro, podem até estar ao meu lado, nos divertimos, aproveitamos momentos, mas
a transformação maior a partir de cada novo lugar ou experiência se dá no fundo de mim, quase sempre...
uma vez, numa dessas cidades do fim do mundo, interiorzão de Minas Gerais, descobri que era mais feliz do que imaginava.
voltei nova..refeita...e só tinha 16 anos...deixei em Itajubá uma paixão desfeita, mas trouxe uma Cida segura de si.
em Tóquio, tão longe, fiquei perto de mim mesma, no templo de Azakuzá, aos 22 anos, órfã do Cristo que lá ninguém cultuava,
aprendi sobre o recolhimento e a meditação.
em Jackonville, uma noite, aos 42, acordei pensando na fofura daquela cama, bem americana, na casa da minha tia, pulei dali e fui dormir num sofá mais endurecido, precisava tomar posse do meu corpo que se perdia no meio de tanto alcochoado, eu andava rígida, naquele tempo, com a adolescência inquieta do meu filho, então com 16 anos, e me acompanhando naquela viagem.
em Buenos Aires, muitas vezes, me reencontrei com a nostalgia e com a comilança, sem culpas.
no nordeste brasileiro, Natal, João Pessoa e Recife, um misto de brasilidade com auto piedade me ataca, pois a terra é rica e o povo tão pobre, mas me parecendo feliz, mesmo assim.
na Bahia, eu sou mais eu, e namoro o primeiro mulato bonito que me cruza o caminho, exercito o direito de ser livre como uma ex escrava negra que se apaixona pelo senhor de engenho. Salvador tem a propriedade de me energizar a sensualidade intensa.
Vitória, essa me lembra muita muqueca, e uma piscina circular do hotel da ilha do Boi onde é possível olhar o céu rodopiando num colchão inflado de ar, sem esquinas para ter que dobrar..tudo é redondo lá como o universo.
Porto Alegre me deu a chance de buscar o frio ao passo que transitei pelo calor humano da casa da minha amiga Aida. com ela, fui comer chocolate em Gramado, e na convenção das Bruxas em Canela.
Curitiba, por algumas passagens por lá, me prometia uma aventura estranha. um dia, aconteceu. o jovem, mais novo 20 anos, me cobriu de paixão, após um longo jantar de confissão sobre o fim do seu casamento. inesquecível madrugada, aqueles olhos pedintes de um homem recém traido por sua ex mulher, que buscava auto afirmação, e eu dei tudo o que pude, para fazê-lo feliz. no dia seguinte, a caminho do aeroporto, o telefonema com voz de anjo me mandando beijos e pedindo que os guardasse eternamente num cofre especial. estão guardados.
Já s. Paulo, o frenesi, esta é uma cidade que me põe em ebulição, me requisita, me aguça a curiosidade. S Paulo não pára de me proporcionar de tudo um pouco, sempre. Desde o beijo na calçada do Museu da Paulista, dado pelo desconhecido que não se conteve e depois virou meu amigo, até o amor maduro vivido por algum tempo com o executivo da Ambev, até o guri de 20 anos que amou uma mulher de 52, enquanto decidia emigrar para a Rússia e estudar física aero espacial. tb, o vago sentido de trabalhar como uma operária, em dias de 14 horas de dedicação, num escritorio da Brigadeiro e depois ir dançar com amigos espanhóis tomando cuba-libre. no Rio, onde nasci e vivo, viajo sempre, dentro de mim mesma, chego ao cúmulo de mudar o trajeto do taxi, pedindo que volte e me deixe olhar de novo o mar, apesar de estar atrasada, muitas vezes...
é que a viagem dos meus sonhos, dos meus olhos, das minhas lembranças e dos meus cheiros, foi aquela que EU FIZ à Espanha, Portugal e França em maio passado... vivi, inclusive, uma linda história de amor, e era uma questão de sobrevivência de uma descendente de Carmen Torneros, minha avó, que era uma guria de 16 anos quando fugiu para o Brasil e nunca mais voltou. dela, e com ela, viajei demais minha infância inteira, nas histórias que me contava...
no corpo de algum amante latino, devo ter viajado pra bem longe e nem queria voltar, mas... toda viagem tem partida e chegada. melhor é seguir viajando, como cigana, ganhando as ruas do mundo pequeno ou grande. por exemplo, em Búzios, sinto-me em casa, naquelas águas azuis, me tranquilizo e durmo ao luar, na casa da Cris. nos últimos dias, viajo nos braços de um príncipe, e em suas marés, ando me redimindo dos pecados cometidos... rs
nem sei porque conto tudo isso...
coisas da internet. acho...mundo pós moderno
Cida Torneros
sábado, 14 de janeiro de 2012
A vida comeca aos 60?( publicada no site mais de 50)
A vida começa aos 60?Uma crônica sobre as rotinas que podem ser reinventadas
20/04/2010
Por Cida Torneros*
A quarta-feira parecia pequena para o tanto de coisas que ela tinha a resolver. Uma passada no intituto de depilação, coisa importante para garantir a textura macia da ausência de pelos no corpo exposto ao sol da praia que ela planejava ir no fim de semana. O cuidado com a manicure, mãos e pés tratados e devidamente esmaltados numa cor café, que em sua pele clara realçava tão bem. Não podia esquecer de apanhar as duas calças compridas novas naquela loja onde fizera umas comprinhas básicas e que tinham ficado de fazer novas bainhas. O salão de cabeleireiro, tintura, corte e escova, coisas fundamentais, pois na quinta, bem cedo, lá estaria ela, mais uma vez, apresentando o seminário anual da federação de médicos, onde teria o prazer de conviver por dois dias, com os temas relativos à saúde e a preocupação com a mídia que divulga ou distorce assuntos tão delicados, de grande responsabilidade na informação ao público em geral.
No cair da noite, ainda bem, a esperava o profissional da grife francesa de cosméticos e maquiagem, para um tratamento especial, e algumas novas recomendações para a pintura de um rosto sempre cuidado, expressivo e luminoso, segundo as bulas explicativas dos produtos que ela compraria sem lamentar custos, refletindo que ecominazaria, pois devia ser muito mais cara uma cirurgia plástica. Ela decidira, por foro íntimo, nunca vir a fazer uma dessas, por motivos estéticos. Preferia cuidar da pele, da alimentação, dos exercícios físicos, da emoção ( fazia psicanálise há 12 anos) para manter-se ativa, bonita e feliz consigo mesma.
O dia corria, a quarta parecia pequena, todavia, ao chegar em casa, ainda assistiu um pouco de televisão, repassou o texto do que ia falar ao microfone do dia seguinte, enrolou os cabelos para que brilhassem soltos na manhã do dia seguinte, passou o creme de limpeza, o hidradante, não esqueceu do anti-rugas em volta dos olhos, releu mais um capítulo do seu atual livro de cabeceira ( Mulheres que correm com os lobos), orou algo em agradecimento pela alegria de viver, deu uma ligadinha para dizer boa noite à mãe de 83 anos, deixou recado na secretária eletrônica do filho de 32, pensou no seu namorado distante ( de 42) , mas que esperava reencontrar no fim de semana, se conseguissem conjugar agendas, pois o moço avisara das ondas fortes e do seu intento de surfar aproveitando o clima propício, o que, a ela, dava uma pontinha de orgulho, por sabê-lo tão cheio de vida e tão amante da natureza.
Então, ajeitou-se na cama, plena de deveres cumpridos, satisfeita pelas promessas de um amanhã comprometido de afazeres, adormeceu e sonhou que era mesmo uma menina saltitante descobrindo os segredos da vida. Ao acordar, cedinho, disse para si própria..." agora eu sei, a vida começa aos 60!" E correu para o seminário, calçando uns sapatos salto 10, elegante, feliz, observando o sol que a iluminava e o céu azul que lhe premiava com a certeza da desimportância de contar os anos, já que sua alma era tão jovem quanto o brilho dos seus olhos.
*Cida Torneros é jornalista
Como eu comemoro a maturidade...
Maria Aparecida Torneros
De vez em quanddo, meu terapeuta me felicita pelo modo como estou vivendo minha maturidade. Realmente, fiz um balanço de tudo que tenho vivido e percebo que é muito positivo!
Já fiz muitas festas de aniversário, as mais recentes, deliciosas, a dos 55 ( na ABI), a dos 57 ( ainda com meu paizinho do lado), a dos 58 ( em casa, cercada de amigos), e a dos 59 ( na livraria Arlequim, lançando meu livro A mulher necessária)... Nos 60, em casa, em setembro de 2009, só a pequena família, mãe, filho, irmão, cunhada, sobrinhos e uma amgia. Os 61, na Arlequim, com amigos e família lançando o livro Contra-ataque do Amor. Os 62, em 2011, com mamãe e meu irmão, em casa dela, e no sábado seguinte, na Bienal do Livro, no Rio, com muitos amigos.
Ao rever textos que escrevi sobre aniversários, reflexões...no tal balanço que a vida me propõe fazer agora, sinto-me em
paz, realizada, feliz e agradecida por tantas coisas boas que pude e
posso ainda viver, e pelas pessoas de bem que me cruzam o caminho.
Só espero daqui para a frente poder realmente
usufruir da experiência de vida, amar com docilidade e aconhego, ter paz
interior, e poder me doar com carinho aos que me cercam, aos que
precisam de mim, a quem eu possa fazer feliz, com doação e entrega plena
de humildade( o que não é fácil, mas tb não é impossível)
é um exercício, sim, a vida nos faz praticar e treinar muitas vezes para atingirmos pontos de equilíbrio e bem-estar.
Nem sempre fica fácil, faz parte sobreviver na montanha russa,
entre altos e baixos, sem contudo perdermos de vista os objetivos
maiores...nossa felicidade é o conjunto de bons momentos que
proporcionamos a outras criaturas e que elas tb nos oferecem ou
compartilham conosco.
Tenho agora a consciência do quanto tenho sido
feliz e do quanto amo a vida, do muito que sou grata pelas chances boas
que a mim tem sido oferecidas...
Pais honrados e de bons exemplos, filho de boa índole e meu
amigo, irmão , cunhada e sobrinhos muito carinhosos, amigos e amigas que
me provam diariamente o quanto é saudável cultivar sua companhia, e
ainda, algum amor inesquecível, para me manter a sede de viver atenta
aos prazeres da alma e da pele, sem lamentar nada, só relembrando
maravilhosos instantes de alegria e bons encontros.
Assim, compartilho com os que me cercam, um muito obrigada
imenso a Deus, que me dá a oportunidade de renascimento constante,
pois me tornei oficialmente, uma sexy-agenária...rs
Aliás, não abro mão da minha
feminilidade e adoro me sentir querida ao poder também querer bem a
quem me faça feliz e mereça meus carinhos, beijos , abraços e atenção.. Amo viajar, e, nos últimos tempos, a vida tem me dado chance de conhecer países e pessoas que vou colecionando como pérolas no colar que enfeita minha alma. Estados Unidos, Espanha, Portugal, Chile, Argentina, França, Itália, Uruguai, entre outros, tem sido lugares onde vou e volto, com imensa alegria de rever cultura e gente, colecionando experiências e amores.Aproveito para relembrar coisinhas e fotos que registram minha alegria de viver!!beijosMaria Cida Torneros
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
.viva Piaf, viva Cassia Eller, viva a Corregedora Eliana Calmon
Em cada cultura, em cada época ou era, a figura feminina tem passado por poucas e boas, melhor dizendo , muitas e más pressões de seu tempo.
Religiões, moral, cobranças, modelos, medos, submissões, dependências, estereótipos, espaços a preencher com imagens físicas e mentais, medidas a serem conquistadas com dietas, pedaços de pele e carne a serem consumidos pelo fútil prazer de serem aceitas por alguém ou pela sociedade em geral, onde estiverem, estão ou estiveram inseridas.
Mulheres sem culpa, será que existem, existiram ou existirão aos bocados, pilhas delas, por aí, na história?
Talvez, uma Joana Dark, uma Maria Madalena, uma médica que trabalhe no grupo Médico sem Fronteiras, uma dirigente que não acionou a bomba atômica, uma escritora que disseminou sem pestanejar o direito feminino de ser ela mesma, como fez Simone de Bouvair , por exemplo.
Sem arrependimentos, sem medos passados , presentes ou futuros, que mulheres cultivam a chance de serem realmente livres dentro de si mesmas, lutadoras, bravas, consumidoras da própria essência, mãe amorosa e dura de filhos que ela cria para o mundo tão duro quanto? Poucas, algumas, quase todas, aquelas privilegiadas, as que acreditam em si mesmas, as que enfrentam sem pensar os obstáculos e vão em frente?
A canção de Piaf, interpretada por Cassia Eller me fez pensar na corregedora Eliana Calmon. Calma, minha gente, que a corregedora está no lugar certo e na hora certa, ela corrige, ora, é seu dever de ofício, sem culpa, com dignidade e coragem. Um atributo ora feminino, quem diria...
Em artigo de Ivan de Carvalho, destaco trecho que a mim tocou profundamente: " Nos próximos oito meses há uma grande possibilidade de lances emocionantes na luta entre as duas partes da magistratura, a que quer um Conselho Nacional de Justiça exercendo uma fiscalização eficaz do aparelho judiciário do país e a que quer tornar essa fiscalização esquálida, frágil, quase imprestável. O prazo de oito meses diz respeito ao tempo que resta de mandato à atual corregedora nacional de Justiça, a ministra baiana Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça. Terminará no início de setembro seu movimentado mandato no cargo que ocupa no CNJ, quando os até previsíveis (por corporativos) ataques judiciais e extrajudiciais de setores da magistratura às suas ações e procedimentos levou-a a confrontar esses setores. E, para usar expressão bem popular, botou a boca no mundo. Entre outras coisas, disse que há “um gravíssimo problema” de “bandidos escondidos atrás da toga”.
Que mulher não conhece, nas entranhas e nas fases da lua, prazos como este, de 7, 8 ou 9 meses, justo período para nascer vida nova, parir filhos e mudar o mundo.
Cada vez que penso numa mulher como Piaf, Cassia, Eliana, e tantas outras, do porte de quem se entrega às causas da sua vida e de outras que delas dependem, seja sob o ponto de vista da sensibilidade, da emoão, da razão ou da justiça, lembro mesmo é que é preciso dar um viva às femeas que realizam e não se arrependem, pois vão na direção dos seus propósitos e se baseiam nas suas livres consciências, sem se importar para fogueiras de bruxas, serpentes de traições ou armadilhas de amores mentirosos, elas seguem em frente e vão.
Sem se arrependerem de nada, recomeçam do zero, todos os dias, antes, durante, e depois das próprias vidas, através da reflexão que nos legam e dos exemplos que nos deixam, não se furtam ao toque ameaçador de inimigos públicos ou recônditos, nem à manobra de velhos articuladores que as sociedades fabricam e alimentam no seio de falsos pudores, podres poderes, hipocresias camufladas ou de verdades mascaradas, elas, mais do que tudo, dão a volta nas pedras do caminho e enfrentam seus perigos, arriscam-se nas quedas, aceitam ajuda se preciso for, ou, quando são abatidas, levam consigo o dom de renascerem, em muitas novas Elianas, Edites, Cassias, Joanas, Simones, Marias, Madalenas, Ritas, que cantam... por isso não provoque... ou que entoam juntas..não, eu não me arrependo de nada...
Religiões, moral, cobranças, modelos, medos, submissões, dependências, estereótipos, espaços a preencher com imagens físicas e mentais, medidas a serem conquistadas com dietas, pedaços de pele e carne a serem consumidos pelo fútil prazer de serem aceitas por alguém ou pela sociedade em geral, onde estiverem, estão ou estiveram inseridas.
Mulheres sem culpa, será que existem, existiram ou existirão aos bocados, pilhas delas, por aí, na história?
Talvez, uma Joana Dark, uma Maria Madalena, uma médica que trabalhe no grupo Médico sem Fronteiras, uma dirigente que não acionou a bomba atômica, uma escritora que disseminou sem pestanejar o direito feminino de ser ela mesma, como fez Simone de Bouvair , por exemplo.
Sem arrependimentos, sem medos passados , presentes ou futuros, que mulheres cultivam a chance de serem realmente livres dentro de si mesmas, lutadoras, bravas, consumidoras da própria essência, mãe amorosa e dura de filhos que ela cria para o mundo tão duro quanto? Poucas, algumas, quase todas, aquelas privilegiadas, as que acreditam em si mesmas, as que enfrentam sem pensar os obstáculos e vão em frente?
A canção de Piaf, interpretada por Cassia Eller me fez pensar na corregedora Eliana Calmon. Calma, minha gente, que a corregedora está no lugar certo e na hora certa, ela corrige, ora, é seu dever de ofício, sem culpa, com dignidade e coragem. Um atributo ora feminino, quem diria...
Em artigo de Ivan de Carvalho, destaco trecho que a mim tocou profundamente: " Nos próximos oito meses há uma grande possibilidade de lances emocionantes na luta entre as duas partes da magistratura, a que quer um Conselho Nacional de Justiça exercendo uma fiscalização eficaz do aparelho judiciário do país e a que quer tornar essa fiscalização esquálida, frágil, quase imprestável. O prazo de oito meses diz respeito ao tempo que resta de mandato à atual corregedora nacional de Justiça, a ministra baiana Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça. Terminará no início de setembro seu movimentado mandato no cargo que ocupa no CNJ, quando os até previsíveis (por corporativos) ataques judiciais e extrajudiciais de setores da magistratura às suas ações e procedimentos levou-a a confrontar esses setores. E, para usar expressão bem popular, botou a boca no mundo. Entre outras coisas, disse que há “um gravíssimo problema” de “bandidos escondidos atrás da toga”.
Que mulher não conhece, nas entranhas e nas fases da lua, prazos como este, de 7, 8 ou 9 meses, justo período para nascer vida nova, parir filhos e mudar o mundo.
Cada vez que penso numa mulher como Piaf, Cassia, Eliana, e tantas outras, do porte de quem se entrega às causas da sua vida e de outras que delas dependem, seja sob o ponto de vista da sensibilidade, da emoão, da razão ou da justiça, lembro mesmo é que é preciso dar um viva às femeas que realizam e não se arrependem, pois vão na direção dos seus propósitos e se baseiam nas suas livres consciências, sem se importar para fogueiras de bruxas, serpentes de traições ou armadilhas de amores mentirosos, elas seguem em frente e vão.
Sem se arrependerem de nada, recomeçam do zero, todos os dias, antes, durante, e depois das próprias vidas, através da reflexão que nos legam e dos exemplos que nos deixam, não se furtam ao toque ameaçador de inimigos públicos ou recônditos, nem à manobra de velhos articuladores que as sociedades fabricam e alimentam no seio de falsos pudores, podres poderes, hipocresias camufladas ou de verdades mascaradas, elas, mais do que tudo, dão a volta nas pedras do caminho e enfrentam seus perigos, arriscam-se nas quedas, aceitam ajuda se preciso for, ou, quando são abatidas, levam consigo o dom de renascerem, em muitas novas Elianas, Edites, Cassias, Joanas, Simones, Marias, Madalenas, Ritas, que cantam... por isso não provoque... ou que entoam juntas..não, eu não me arrependo de nada...
Marie Cida Torneros
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Perhaps Love - talvez amor
amor indecifrável
talvez ele seja tudo isso e muito mais...
amor incontrolável
amor indizível
amor incomensurável
amor surpreso
amor suspenso
amor possível
amor impossível
amor doado
amor recebido
amor amado
amor desejado
amor aquecido
amor esquecido
amor ansiado
amor esperado
amor sonhado
amor arrefecido
amor escondido
amor permitido
amor alcançado
amor inalcançável
amor além da vida
amor além da morte
amor eterno
amor de oceano
amor de galáxia
amor universal
amor divino
amor humano
amor infantil
amor maduro
amor carnal
amor espiritual
amor...simplesmente...
amor....
cida torneros
talvez ele seja tudo isso e muito mais...
amor incontrolável
amor indizível
amor incomensurável
amor surpreso
amor suspenso
amor possível
amor impossível
amor doado
amor recebido
amor amado
amor desejado
amor aquecido
amor esquecido
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amor esperado
amor sonhado
amor arrefecido
amor escondido
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amor eterno
amor de oceano
amor de galáxia
amor universal
amor divino
amor humano
amor infantil
amor maduro
amor carnal
amor espiritual
amor...simplesmente...
amor....
cida torneros
Pourquoi j'aime Paris?
L'amour ne s'explique pas. Ou devrions-nous pas essayer de l'expliquer. L'amour a à voir avec les histoires des sentiments que la raison mystérieuse combinaison avec, ou se dissocient des réalités des rêves, ou peut-être même l'amour est un portail qui nous amène à d'autres dimensions, celles dont le déchiffrement peut nous rejoindre après la mort.
Aimer quelqu'un est superbe, sublime, non-dits, indicibles, indescriptibles, parce que, à la hauteur de l'amour, cela étant, par lequel nous tomber ... l'engouement semble avoir aucun défaut ... pour quelque temps, peut-être pour la vie, il est parfait dans les yeux de son amant.
L'amour est un des lieux métaphore solennel, mais n'évite pas la vérité, même si la comparaison est exagérée, il est possible de tomber en amour avec une ville, dans les rêves, à des visites, à première vue, dans la nostalgie, l'accumulation de souvenirs, petits souvenirs à garder revisitant les financer les voyageurs âmes.
Paris, pour moi, était un rêve lointain pour les plus de 40 ans. Lorsque je suis arrivé à 59 ans, je savais qu'il y avait toujours été depuis que j'ai 18, 68 des barricades, ou avant, les classes du professeur Pereira Reis, quand il dramatisé la Révolution française. Aussi, le cinéma et la musique française avait pris sur eux de me conduire à un amour intense, noble, vrai, une ville de la mine de la diversité culturelle, mon Rio de Janeiro, où je suis né et a grandi.
Car en 2009, vint à Paris en train, en provenance de Barcelone, en compagnie de vieux amis d'enfance, et la jeune fille de l'un d'eux. Tout était si confortable. Paris aube. «Les sept heures du matin, aux terrasses des cafés se préparent pour leurs clients qui viennent lire leurs journaux. Une danse dans les rues, les gens traversent tranquillement, un printemps froid, c'était en mai, une légère pluie pour me saluer, le bruit d'un vieux Piaf je lhevava dans le cœur et l'attente du moment maximal que le vieil amour que je ferait don à Paris tout moment.
Car il était de toute façon. Paris m'a donné l'amour véritable. J'ai eu tout ce dont on rêve d'avoir cette ville. Le bon temps, les passions dans les rues, les places, les musées, un mélange de sentiments si fort que quand il est retourné au Brésil, je me suis inscrit dans une école de course pour apprendre la langue française.
Deux ans plus tard, en mai 2011, j'ai pris l'avion en compagnie d'un autre grand ami, et se rendit à Paris pour rencontrer nouveau script. L'émotion était celui qui trouve l'amour vrai. J'ai été retranchés, a dû prendre une grande respiration, je ne devrais pas perdre une minute. J'ai appris à connaître de Regina, un ami qui vit aux Etats-Unis et qui était à Paris pour la première fois. Notre conversation a ensuite été transmis à un sœurs de vie propre, à la fois curtíamos notre amour pour Paris.
Le jour de calendrier suivant. J'ai fait tellement de photos (plus de 1000), je suis retourné au Café de Flore, grillées à Paris, mes yeux se sont remplis d'eau ... Je savais que ça allait revenir ... était sûr.
La nouvelle année approche. En 2012, j'ai programmé deux voyages à Paris, comme un amant qui passera en revue son grand amour, allez à la première journée du 1er mai, séjour de 11 jours. Fr je serai de retour en août, après 16 jours et je suis là pour fêter mon anniversaire (Septembre 2), la ville des lumières ...
J'ai en moi une liste de nouvelles choses à faire à Paris, et de s'asseoir dans le jardin du Luxembourg et regarder les gens passer, tout simplement.
Pourquoi j'aime Paris? Doit être la même raison que j'aime l'homme de mes rêves. Paris est inépuisable. Il a recoins et les secrets de découvrir que chacun de nous retrouvailles. Il est comme ça. Se camoufle dans tant de visages et autant de lignes, mais il est là, et je sais ce qui m'attend.
Un jour peut-être je vais vivre à Paris, et de ne pas dormir dans des lits d'hôtel. Je me réveille, ouvrez la fenêtre, criant Bonjour Paris! Puis descendez les escaliers et atteindre la rue. Je marche lentement, je sais que mon amour dure plus de 50 ans, je sais ce qu'est l'amour éternel. Me survivra, j'atteindrai, est partagé amour, l'amour est un plaisir absolu, l'amour est la capacité à laisser enregistrée dans la mémoire humaine, dans les musées, les parcs, sur les toits, dans les transports, comme les baisers, la sérénité de bateaux de glisser dans Senna, la luminosité de la Tour Eiffel de nuit dans un amant de ville, une ville où chaque amour est spécial.
J'adore Paris, j'ai un grand amour pour Paris, j'ai lié mon âme à Paris. Et l'amour, j'en conviens, ne peut être expliqué, seulement sentir, et l'amour est de vivre seul.
Marie Cida Torneros
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Por que amo Paris?
Amor não se explica. Ou não se deveria tentar explicá-lo. Amor tem a ver com sentimentos misteriosos que misturam razão com histórias, ou dissociam realidades de sonhos, ou pode ser que amor seja mesmo um portal que nos faz passar para outras dimensões, aquelas cujas decifrações talvez nos cheguem depois da própria morte.
Amar alguém é soberbo, sublime, indizível, incontável, indescritível, pois, no auge do amor, aquele ser pelo qual nos caímos de cega paixão...parece não ter nenhum defeito...por algum tempo, quiçá pela vida toda, ele é perfeito aos olhos do seu amante.
Amar lugares é metáfora solene, mas não foge à verdade, ainda que seja exacerbada a comparação, é possível apaixonar-se por uma cidade, em sonhos, em visitas, à primeira vista, em saudades, acumulando lembranças, revisitando pequenos souveniers que guardamos no fundo de almas viajantes.
Paris, para mim, foi um sonho distante, por mais de 40 anos. Quando lá cheguei aos 59 anos de idade, tive a certeza de que lá sempre estivera, desde os meus 18, nas barricadas de 68, ou de antes, das aulas do professor Pereira Reis, quando ele teatralizava a Revolução Francesa. Também, o cinema e a música francesa tinham se encarregado de me conduzir a um amor intenso, nobre, verdadeiro, por uma cidade diversamente cultural à minha, o meu Rio de Janeiro, onde nasci e cresci.
Pois em 2009, cheguei a Paris, de trem, procedente de Barcelona, na companhia de duas velhas amigas, de infância, e da filha jovem, de uma delas. Tudo era tão aconchegante. Paris amanhecia. 'As sete horas da manhã, os cafés preparavam suas calçadas para os clientes que iam chegar e ler seus jornais. Um bailado nas ruas, gente atravessando calmamente, um frio de primavera, era maio, um chuvisco a me saudar, o som antigo de uma Piaf que eu lhevava dentro do coração e a expectativa do momento máximo que o tal amor antigo por Paris me doaria a qualquer instante.
Pois foi assim mesmo. Paris me deu amor de verdade. Tive tudo que alguém sonha ter naquela cidade. Bons momentos, paixões pelas ruas, pelas praças, pelos museus, uma mistura de sentimentos tão fortes que ao voltar ao Brasil, matriculei-me correndo numa escola para aprender a língua francesa.
Dois anos depois, em maio de 2011, peguei um avião na companhia de outra grande amiga, e fomos a Paris para cumprir novo roteiro. A emoção foi de quem reencontra um grande amor. Senti-me entranhada ali, era preciso respirar fundo, não devia perder um só momento. Pude conhecer Regina, amiga que mora nos EUA e que estava em Paris pela primeira vez. Nossa tarde de conversas foi uma passada a limpo de vidas irmãs, ambas curtíamos nosso amor a Paris.
Os dias se seguiram corridos. Fiz tantas fotos ( mais de 1000) , voltei ao Café de Flore, brindei a Paris, meus olhos se encheram dágua... eu sabia que ia voltar...tinha certeza disso.
O ano novo se aproxima. Em 2012, programei duas viagens a Paris, como uma amante que vai rever seu grande amor, primeiro vou no dia primeiro de maio, fico por 11 dias. Volto en agosto, após dia 16 e fico lá para comemorar meu aniversário (2 de setembro), na cidade-luz...
Já tenho dentro de mim uma lista de coisas novas a fazer em Paris, além de sentar no Jardim de Luxemburgo e olhar as pessoas passando, simplesmente.
Por que amo Paris? Deve ser pelo mesmo motivo que amo o homem dos meus sonhos. Paris é inesgotável. Tem recantos e segredos que vamos desvendando a cada reencontro. Ele é assim também. Camufla-se em tantos rostos, e tantas falas, mas está ali, e sei que me espera.
Um dia, quem sabe, vou morar em Paris, e não dormirei em camas de hotel. Vou acordar, abrir a janela, gritar Bonjour Paris! Depois, desço as escadas e alcanço a rua. Caminho devagar, sei que meu amor dura muito mais que 50 anos, sei que é amor eterno. Vai sobreviver a mim, vai me ultrapassar, é amor compartilhado, é amor de prazer absoluto, é amor pela possibilidade de deixar gravada na memória humana, nos museus, nas praças, nos telhados, nos transportes, o gosto de beijos, a placidez dos barquinhos a deslizar no Senna, o brilho da torre Eiffel na noite de uma cidade amante, uma cidade onde cada amor é especial.
Tenho um amor em Paris, tenho grande amor por Paris, tenho minha alma ligada a Paris. E amor, convenham, não se explica, apenas se sente, amor é pra viver e só.
Maria Cida Torneros
Amor não se explica. Ou não se deveria tentar explicá-lo. Amor tem a ver com sentimentos misteriosos que misturam razão com histórias, ou dissociam realidades de sonhos, ou pode ser que amor seja mesmo um portal que nos faz passar para outras dimensões, aquelas cujas decifrações talvez nos cheguem depois da própria morte.
Amar alguém é soberbo, sublime, indizível, incontável, indescritível, pois, no auge do amor, aquele ser pelo qual nos caímos de cega paixão...parece não ter nenhum defeito...por algum tempo, quiçá pela vida toda, ele é perfeito aos olhos do seu amante.
Amar lugares é metáfora solene, mas não foge à verdade, ainda que seja exacerbada a comparação, é possível apaixonar-se por uma cidade, em sonhos, em visitas, à primeira vista, em saudades, acumulando lembranças, revisitando pequenos souveniers que guardamos no fundo de almas viajantes.
Paris, para mim, foi um sonho distante, por mais de 40 anos. Quando lá cheguei aos 59 anos de idade, tive a certeza de que lá sempre estivera, desde os meus 18, nas barricadas de 68, ou de antes, das aulas do professor Pereira Reis, quando ele teatralizava a Revolução Francesa. Também, o cinema e a música francesa tinham se encarregado de me conduzir a um amor intenso, nobre, verdadeiro, por uma cidade diversamente cultural à minha, o meu Rio de Janeiro, onde nasci e cresci.
Pois em 2009, cheguei a Paris, de trem, procedente de Barcelona, na companhia de duas velhas amigas, de infância, e da filha jovem, de uma delas. Tudo era tão aconchegante. Paris amanhecia. 'As sete horas da manhã, os cafés preparavam suas calçadas para os clientes que iam chegar e ler seus jornais. Um bailado nas ruas, gente atravessando calmamente, um frio de primavera, era maio, um chuvisco a me saudar, o som antigo de uma Piaf que eu lhevava dentro do coração e a expectativa do momento máximo que o tal amor antigo por Paris me doaria a qualquer instante.
Pois foi assim mesmo. Paris me deu amor de verdade. Tive tudo que alguém sonha ter naquela cidade. Bons momentos, paixões pelas ruas, pelas praças, pelos museus, uma mistura de sentimentos tão fortes que ao voltar ao Brasil, matriculei-me correndo numa escola para aprender a língua francesa.
Dois anos depois, em maio de 2011, peguei um avião na companhia de outra grande amiga, e fomos a Paris para cumprir novo roteiro. A emoção foi de quem reencontra um grande amor. Senti-me entranhada ali, era preciso respirar fundo, não devia perder um só momento. Pude conhecer Regina, amiga que mora nos EUA e que estava em Paris pela primeira vez. Nossa tarde de conversas foi uma passada a limpo de vidas irmãs, ambas curtíamos nosso amor a Paris.
Os dias se seguiram corridos. Fiz tantas fotos ( mais de 1000) , voltei ao Café de Flore, brindei a Paris, meus olhos se encheram dágua... eu sabia que ia voltar...tinha certeza disso.
O ano novo se aproxima. Em 2012, programei duas viagens a Paris, como uma amante que vai rever seu grande amor, primeiro vou no dia primeiro de maio, fico por 11 dias. Volto en agosto, após dia 16 e fico lá para comemorar meu aniversário (2 de setembro), na cidade-luz...
Já tenho dentro de mim uma lista de coisas novas a fazer em Paris, além de sentar no Jardim de Luxemburgo e olhar as pessoas passando, simplesmente.
Por que amo Paris? Deve ser pelo mesmo motivo que amo o homem dos meus sonhos. Paris é inesgotável. Tem recantos e segredos que vamos desvendando a cada reencontro. Ele é assim também. Camufla-se em tantos rostos, e tantas falas, mas está ali, e sei que me espera.
Um dia, quem sabe, vou morar em Paris, e não dormirei em camas de hotel. Vou acordar, abrir a janela, gritar Bonjour Paris! Depois, desço as escadas e alcanço a rua. Caminho devagar, sei que meu amor dura muito mais que 50 anos, sei que é amor eterno. Vai sobreviver a mim, vai me ultrapassar, é amor compartilhado, é amor de prazer absoluto, é amor pela possibilidade de deixar gravada na memória humana, nos museus, nas praças, nos telhados, nos transportes, o gosto de beijos, a placidez dos barquinhos a deslizar no Senna, o brilho da torre Eiffel na noite de uma cidade amante, uma cidade onde cada amor é especial.
Tenho um amor em Paris, tenho grande amor por Paris, tenho minha alma ligada a Paris. E amor, convenham, não se explica, apenas se sente, amor é pra viver e só.
Maria Cida Torneros
Reginella, depois da meia-noite!
Reginella depois da meia-noite
Ja passa da meia-noite, o sono nao chegou, busquei a televisao e a apresentadora citou a cancao Reginella que tanto a emociona, interpretada por Massimo Raniere, no original em dialeto napolitano.
Vou ao computador para reencontrar os versos de um amor de anteontem, quando duas pessoas se amaram, com
intensidade, e agora, distraidamente, uma delas pensa na outra. Imagens de amores arrefecidos ser'ao sempre um convite ao emotivo sentido da saudade com seu sabor de lembrar o que ja passou mas ainda se encontra presente na memoria dos sentidos.
Reviver os momentos de paixao traz a superposicao de alegria triste ou de tristeza alegre, coisa meio inexplicavel, coisa de ser humano que fica ancorado em algum instante da propria vida, se poe ali, como amarrado ao porto com seu barco que estaciona e nao volta a navegar.
Recordo que algum dia vislumbrei o horizonte onde alguem me apontou a luz do amanhecer, tao prodigo de promessas. Era a hora de fazer planos, imaginar o futuro, criar fantasias e gerar expectativas. Como na cancao, a alma voa para os lugares onde se viveu amores com chapeus, fitas, flores, sorrisos, beijos, onde o amor pareceu eterno, invadiu com sua chama os coracoes que se entregaram em combustao. Passaros de fogo, amantes incendiados, ardentes consumindo-se nos limites do amor para um dia vivenciar suas lembrancas.
Reginella pode ser a ave livre que sobrevoa o universo com suas asas leves, pode ser a incerteza das juras de amor, aquelas juras cujas razoes se dissipam para dar lugar a pensamentos distraidos, discretos, amansados, que o tempo se encarrega de minimizar, ou de apagar as linhas mais fortes, permitindo apenas que se ouse chamuscar de pequenas faiscas aqueles sentimentos que nos enganavam, iludiam, diziam ser amor, mas se perderam ou se encantaram, para sempre.
Cida Torneros
Ja passa da meia-noite, o sono nao chegou, busquei a televisao e a apresentadora citou a cancao Reginella que tanto a emociona, interpretada por Massimo Raniere, no original em dialeto napolitano.
Vou ao computador para reencontrar os versos de um amor de anteontem, quando duas pessoas se amaram, com
intensidade, e agora, distraidamente, uma delas pensa na outra. Imagens de amores arrefecidos ser'ao sempre um convite ao emotivo sentido da saudade com seu sabor de lembrar o que ja passou mas ainda se encontra presente na memoria dos sentidos.
Reviver os momentos de paixao traz a superposicao de alegria triste ou de tristeza alegre, coisa meio inexplicavel, coisa de ser humano que fica ancorado em algum instante da propria vida, se poe ali, como amarrado ao porto com seu barco que estaciona e nao volta a navegar.
Recordo que algum dia vislumbrei o horizonte onde alguem me apontou a luz do amanhecer, tao prodigo de promessas. Era a hora de fazer planos, imaginar o futuro, criar fantasias e gerar expectativas. Como na cancao, a alma voa para os lugares onde se viveu amores com chapeus, fitas, flores, sorrisos, beijos, onde o amor pareceu eterno, invadiu com sua chama os coracoes que se entregaram em combustao. Passaros de fogo, amantes incendiados, ardentes consumindo-se nos limites do amor para um dia vivenciar suas lembrancas.
Reginella pode ser a ave livre que sobrevoa o universo com suas asas leves, pode ser a incerteza das juras de amor, aquelas juras cujas razoes se dissipam para dar lugar a pensamentos distraidos, discretos, amansados, que o tempo se encarrega de minimizar, ou de apagar as linhas mais fortes, permitindo apenas que se ouse chamuscar de pequenas faiscas aqueles sentimentos que nos enganavam, iludiam, diziam ser amor, mas se perderam ou se encantaram, para sempre.
Cida Torneros
Sozinha na minha janela/ Seul dans ma fenêtre
Sozinha na minha janela
Quantas vezes, tenho ficado, sozinha em minha janela, junto da lua, tentando encontrar a razao precisa para que alguem saia da minha cabecinha dura? Nas vezes em que tentei lograr exito em tal empreitada, evidentemente, nao consegui, pois parece que quanto mais se reza , mais a tal assombracao aparece... nada disso, a verdade se prende ao poder que um sonho detem na mente de todos os que se permitem sonhar sem limites. Os pensamentos voam, os encontros imaginarios se sucedem, as felicidades desejadas acontecem, num passe de magica, e ali estamos como a Carolina do Chico Buarque, vendo o tempo passar na janela, sem ver a realidade, mas vivendo o sonho, ou melhor, vivendo, com certeza. Quem pode julgar que cada sonho nosso nao seria realmente um momento intenso de vida vivida? Pois eu adoro uma cancao flamenga, gravada e regravada por senhoras da musica espanhola, que trata exatamente desse tema... Uma mulher canta sua saga de ficar na janela tentando tirar um homem do seu pensamento, mas , em contrapartida, ali ele se encontra, com toda forca do sentimento mais profundo...na letra, ela define bem, vive um sonho de amor e loucura, adormece e amanhece com ele, dentro de si, como um pesadelo, mas nao passa de um sonho, de uma perseguicao traicoeira do inconsciente ( como gosto de dizer ao terapeuta), um intenso exercicio de auto-flagelacao, digamos, a necessidade de reviver ou antever o que ja passou ou o que nem venha a se realizar algum dia.
O mundo gira, milhoes de mulheres vao debrucar nas suas janelas, vislumbrando sonhos antigos, sonhando novos amores, tentando esquecer grandes e pequenos amores, revivendo intensos e superficiais encontros, nao importa em que fase da vida se encontrem, suas historias individuais sao somente sua capacidade de deixar livres os pensamentos, deixa-los voar em direcao ao infinito espaco onde amar nao passa de um grito de liberdade que seus egos clamam, alem, muito alem das amarras culturais, religiosas, das questoes de idade, cor da pele, classe social, nada disso tem poder para sufocar um sonho de amor por mais impossivel que ele possa parecer... Cada amor se torna livre quando um peito arfante repousa sobre uma janela e a alma de cada uma debruca sua paixao pela vida, num impulso contraditorio... tenta-se esquecer o amor, mas o que se quer no fundo, com maior ou menor desprendimento emocional, se arrasta noite adentro, num jogo de quero e nao quero, de posso e nao posso, de devo e nao devo, e o que se faz, na profundidade de um ser feminino, tem o sabor da solidao a beira da janela, acompanhada de alguma lua perfeita, que completa o quadro, para que se entregue a alma ao sonho de um amor imperfeito, mas tao presente, que de repente, torna-se tao perfeito quanto o universo. Apesar de tudo, transforma-se num daqueles amores que inspiram poetas, cantadores e que movimentam o mundo, afinal, dentro e fora dos coracoes apaixonados, ainda que parecam pedras, ainda que fujam e tenham medo da entrega honrosa para se perderem nas noites, em quaisquer janelas, de algum lugar desse mundo imenso....
Cida Torneros
Seul dans ma fenêtre
Combien de fois, j'ai été le seul à ma fenêtre, avec la lune, en essayant de trouver la raison précise pour quelqu'un de sortir de ma petite tête dure? La fois où j'ai essayé d'atteindre le succès dans cette entreprise, bien sûr, ne pouvait pas, car il semble que plus nous prions, plus obsédante qu'elle apparaît ... tout cela est vrai, que la puissance qui détient un rêve dans l'esprit de tous ceux qui se permettent de rêver sans limites. Pensées volée, des rencontres imaginaires venus dans le lieu que vous voulez le bonheur, comme si par magie, et il ya autant de Chico Buarque Caroline, en regardant passer le temps dans la fenêtre, sans voir la réalité, mais de vivre le rêve, ou plutôt vie, pour sûr. Qui peut juger chacun de nos rêve qui ne serait pas un moment très intense de la vie vécue? Pour une chanson que j'aime le flamenco, enregistré et réécrit par les dames de la musique espagnole, qui traite exactement avec cette question ... Une femme chante sa quête pour rester dans la fenêtre essayant de trouver un homme de sa pensée, mais, en revanche, il est là, avec toute la force sentiment plus profond ... dans la lettre, il définit et vit un rêve d'amour et de la folie, s'endort et se réveille avec elle à l'intérieur, comme un cauchemar, mais pas juste un rêve, une persécution perfide de l'inconscient (comme je tiens à dire que le thérapeute), un exercice intense de l'automutilation, par exemple, la nécessité de faire revivre ou anticiper ce qui est déjà passé ou ce qui ne sera réalisé un jour.Les tours du monde, des millions de femmes à se préoccuper de leurs fenêtres, en voyant de vieux rêves, le rêve amours nouvelles, petits et grands en essayant d'oublier l'amour, en revivant des rencontres intenses et superficielle, peu importe à quelle étape de la vie sont, de leurs histoires individuelles sont votre seul capacité de faire des réflexions libres, les laisser voler dans l'espace infini où l'amour est juste un cri de liberté que leurs égos prétendent, au-delà, bien au-delà des liens culturels, religieux, les questions d'âge, de race, de classe sociaux, aucun n'a le pouvoir d'écraser un rêve d'amour impossible que cela puisse paraître ... Chaque gratuitement quand l'amour devient une poitrine haletante repose sur une fenêtre et l'âme de chacun se concentre sa passion pour la vie, dans un impulsions contradictoires ... essayer d'oublier l'amour, mais ce que vous voulez dans le fond, un détachement plus ou moins émotif, se glisse dans la nuit dans un jeu et je ne veux pas, car je ne peux et ne peut pas, car je dois et ne doit pas, et ce ne, la profondeur d'un être femelle, a la saveur de la solitude au bord de la fenêtre, accompagné par une lune parfaite, ce qui complète le tableau, de renoncer à son âme au rêve d'un amour imparfait, mais tellement présent, que soudain devient si parfaite que l'univers. Après tout, il devient l'un de ces amours qui a inspiré des poètes, des chanteurs et qui se déplacent dans le monde, après tout, dans et hors des cœurs l'amour, mais il semble pierres, toujours peur de fuir et de livraison honorables à se perdre dans les soirées, dans n'importe quelle fenêtre, à partir de quelque part dans ce monde immense ....
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Por do Sol no Guaíba,em Porto Alegre e outras cidades do Rio Grande do Sul
Um Rio Grande do Sul muito quente, a 30 graus, com sol forte e intenso calor, nos recebeu por 5 dias, a mim, minhas amigas jornalistas Hermelinda Rita, Elza Gimenez, e o namorado desta, Luiz Amorim.
Logo na chegada, fomos assistir, no fim do dia ao belíssimo Por do Sol no Guaíba, em reverência à beleza e o bom astral das terras gaúchas. Percorremos muitas cidades entre idas e vindas, incluímos a Serra, Nova Petrópolis, Caxias do Sul, Gramado, Canela, entre outras. Tudo lindo, produtivo, fervendo de calor e de turismo, um estado exemplar, pulsante, que ainda mistura tradições com modernidade, encanta e acolhe.
Voltamos ao Rio de Janeiro, com gosto de uvas na boca, ares de brisa do Guaíba nas narinas, passeamos de barco, visitamos o delta do Jacuí, sensação de brasilidade marcadamente nacionalista que é traço comum ao povo dali.
Valeu o passeio, valeu o reencontro com a gauchada (eu não ia ao Rio Grande há 20 anos) e valeu muito a alegria das amigas durante a viagem. A estiagem ( falta total de chuvas por lá) preocupa mas há previsão da meteorologia de que haverá melhoras na próxima semana. Tomara, há uma imensa área agrícola precisando de água, há um gado necessitado dessedebntar-se e haverá sempre um Rio Grande do Sul, guerreiro, lutador, brigão por seu lugar no Sol do Brasil, berço de brasileiros ilusstres, presidentes, políticos, escritores, músicos, gente talentosa para versejar, governar, lutar e vencer em nome da República que ainda bem, é brasileira, e não separou de nós todos, este patrimônio nacional, o nosso rico Rio Grande do Sul!!!/
Cida Torneros
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Logo na chegada, fomos assistir, no fim do dia ao belíssimo Por do Sol no Guaíba, em reverência à beleza e o bom astral das terras gaúchas. Percorremos muitas cidades entre idas e vindas, incluímos a Serra, Nova Petrópolis, Caxias do Sul, Gramado, Canela, entre outras. Tudo lindo, produtivo, fervendo de calor e de turismo, um estado exemplar, pulsante, que ainda mistura tradições com modernidade, encanta e acolhe.
Voltamos ao Rio de Janeiro, com gosto de uvas na boca, ares de brisa do Guaíba nas narinas, passeamos de barco, visitamos o delta do Jacuí, sensação de brasilidade marcadamente nacionalista que é traço comum ao povo dali.
Valeu o passeio, valeu o reencontro com a gauchada (eu não ia ao Rio Grande há 20 anos) e valeu muito a alegria das amigas durante a viagem. A estiagem ( falta total de chuvas por lá) preocupa mas há previsão da meteorologia de que haverá melhoras na próxima semana. Tomara, há uma imensa área agrícola precisando de água, há um gado necessitado dessedebntar-se e haverá sempre um Rio Grande do Sul, guerreiro, lutador, brigão por seu lugar no Sol do Brasil, berço de brasileiros ilusstres, presidentes, políticos, escritores, músicos, gente talentosa para versejar, governar, lutar e vencer em nome da República que ainda bem, é brasileira, e não separou de nós todos, este patrimônio nacional, o nosso rico Rio Grande do Sul!!!/
Cida Torneros
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Reginella, texto antigo
http://italiasempre.com/verpor/reginella2.htm
Reginella depois da meia-noite
Ja passa da meia-noite, o sono nao chegou, busquei a televisao e a apresentadora citou a cancao Reginella que tanto a emociona, interpretada por Massimo Raniere, no original em dialeto napolitano.
Vou ao computador para reencontrar os versos de um amor de anteontem, quando duas pessoas se amaram, com
intensidade, e agora, distraidamente, uma delas pensa na outra. Imagens de amores arrefecidos ser'ao sempre um convite ao emotivo sentido da saudade com seu sabor de lembrar o que ja passou mas ainda se encontra presente na memoria dos sentidos.
Reviver os momentos de paixao traz a superposicao de alegria triste ou de tristeza alegre, coisa meio inexplicavel, coisa de ser humano que fica ancorado em algum instante da propria vida, se poe ali, como amarrado ao porto com seu barco que estaciona e nao volta a navegar.
Recordo que algum dia vislumbrei o horizonte onde alguem me apontou a luz do amanhecer, tao prodigo de promessas. Era a hora de fazer planos, imaginar o futuro, criar fantasias e gerar expectativas. Como na cancao, a alma voa para os lugares onde se viveu amores com chapeus, fitas, flores, sorrisos, beijos, onde o amor pareceu eterno, invadiu com sua chama os coracoes que se entregaram em combustao. Passaros de fogo, amantes incendiados, ardentes consumindo-se nos limites do amor para um dia vivenciar suas lembrancas.
Reginella pode ser a ave livre que sobrevoa o universo com suas asas leves, pode ser a incerteza das juras de amor, aquelas juras cujas razoes se dissipam para dar lugar a pensamentos distraidos, discretos, amansados, que o tempo se encarrega de minimizar, ou de apagar as linhas mais fortes, permitindo apenas que se ouse chamuscar de pequenas faiscas aqueles sentimentos que nos enganavam, iludiam, diziam ser amor, mas se perderam ou se encantaram, para sempre.
Cida Torneros
Reginella depois da meia-noite
Ja passa da meia-noite, o sono nao chegou, busquei a televisao e a apresentadora citou a cancao Reginella que tanto a emociona, interpretada por Massimo Raniere, no original em dialeto napolitano.
Vou ao computador para reencontrar os versos de um amor de anteontem, quando duas pessoas se amaram, com
intensidade, e agora, distraidamente, uma delas pensa na outra. Imagens de amores arrefecidos ser'ao sempre um convite ao emotivo sentido da saudade com seu sabor de lembrar o que ja passou mas ainda se encontra presente na memoria dos sentidos.
Reviver os momentos de paixao traz a superposicao de alegria triste ou de tristeza alegre, coisa meio inexplicavel, coisa de ser humano que fica ancorado em algum instante da propria vida, se poe ali, como amarrado ao porto com seu barco que estaciona e nao volta a navegar.
Recordo que algum dia vislumbrei o horizonte onde alguem me apontou a luz do amanhecer, tao prodigo de promessas. Era a hora de fazer planos, imaginar o futuro, criar fantasias e gerar expectativas. Como na cancao, a alma voa para os lugares onde se viveu amores com chapeus, fitas, flores, sorrisos, beijos, onde o amor pareceu eterno, invadiu com sua chama os coracoes que se entregaram em combustao. Passaros de fogo, amantes incendiados, ardentes consumindo-se nos limites do amor para um dia vivenciar suas lembrancas.
Reginella pode ser a ave livre que sobrevoa o universo com suas asas leves, pode ser a incerteza das juras de amor, aquelas juras cujas razoes se dissipam para dar lugar a pensamentos distraidos, discretos, amansados, que o tempo se encarrega de minimizar, ou de apagar as linhas mais fortes, permitindo apenas que se ouse chamuscar de pequenas faiscas aqueles sentimentos que nos enganavam, iludiam, diziam ser amor, mas se perderam ou se encantaram, para sempre.
Cida Torneros
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