Maracanã

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sábado, 24 de dezembro de 2011

Então , é Natal!

COLETÂNEA DE NATAL, PRA LER COM CALMA...

NESTE NATAL , QUERO OS MANSOS ...E APROVEITO PARA DIZER QUE O AMOR É O MELHOR DO NATAL NOS CORAÇÕES DOS CRISTÃOS OU NÃO CRISTÃOS...
SÓ O AMOR IMPORTA, NESSA VIDA, AFINAL...
Maria Aparecida Torneros
































Poema para o Natal
Quero os mansos...nesta Noite quero-os todos ao meu redor, como pequenos seres de aconchego a eles darei meu testemunho da fé que ainda cultivo pela humanidade inteira, quase toda em rebuliço... Quero os mansos de pés descalços, os de pele curtida, junto de mim espero que repousem suas almas plácidas, seus ares de conformação, sua compreensão pelos fracos, seu perdão pelos maus comandantes, sua carícia desprendida... Quero os mansos de voz melodiosa, os de canção que embala, aqueles de abençoada passagem pela terra, sem a mancha da ambição, quero-os, melhor dizendo, dentro de mim, para que me aperfeiçoem... que me façam aceitar as diferenças cruéis e me clareiem a comunhão... Quero os mansos... por esta madrugada inteira, com a paz que me ofertarem com a aura do amor dadivoso, com a certeza do sublime, com a magia da culpa desfeita... preciso deles para combater a solidão do meu pensamento infestado de abandonos... Mas, se os mansos não me visitarem na noite de Natal, eu prometo, irei ter com eles... porque preciso ser humilde, buscar as esquinas da periferia, dar um pão a quem tem fome, vinho a quem tem sede, abraçar um corpo magro e abandonado, olhar nos olhos um irmão que me espera, por aí, sem sequer saber meu nome, mas confiante em que o farei feliz... Pelo menos nesta noite de Natal, com cada manso que puder encontrar, partilharei minhas dores, apertarei suas mãos entre as minhas, e cantarei ... então é Natal... com lágrimas nos olhos e coração em festa...

Crônica para Alice e Minie, nesse Natal!







Ela chegou e me encantou. Tem 4 anos, me conquistou com seus olhos interessados na Minie, que eu danei a desenhar repentinamente, virando criança outravez. Estávamos num restaurante, depois de um lançamento de livro de uma amiga que todos amamos. A amiga, que nós achávamos que ia esticar conosco, não veio.

Ficamos assim, Alice e seus pais, eu e Zá. A conversa de adultos não nos atraiu. Alice me tirou da vidinha chata de madura pensante e me levou ao seu país das maravilhas, entre sorrisinhos pródigos e elogios meigos. A cada traço em que eu me esforçava para criar a Minie, ela dizia: - que bonitinho! e me incentivava a colorir, e me contava que a Minie tem vestido de bolinhas como ela viu na foto que mostrei, tirada em Nova York, onde posei com uma mulher fantasiada, e me senti, assim, de novo, infantil, moleca, à cata de risadas fáceis e sonhos de Natal.

Aliás, quando chegamos ao Shopping, onde fica o restaurante que escolhemos, ela logo me confidenciou: - sabe o que o Papai Noel vai trazer para mim? a maquiagem da Barbie... ela sussurrou tal segredinho com mãozinha escondendo a boca e intensa expressão de menina premiada.Alice me fotografou ( pôs o dedinho na frente da minha careta) , eu brinquei até de esconder lápis e achar sob os guardanapos, desfrutando da sua gargalhada infantil e solta, um misto de sapiência e futurismo quanto aos bons momentos da vida.

Ela me mostrou sua linda blusa com gatinhos brilhantes, presenteou-me com forte personalidade, aquietou-me os anseios dos embalos de sábado à noite, eu estava com sua aura de anjo e ela me fazia desenhar. Pintávamos juntas as bolinhas da roupa das muitas Minies que criei, surpreendendo-me...eu disse: - nem eu sabia que podia desenhar Minies...rsA pequenina flor, feliz na companhia dos papais Raul e Glória, era uma dádiva como companhia, amorosa e solícita, tão "pessoa", como se auto definiu para seu pai...não sou macaquinho...sou pessoa...rs
Crianças renovam o Natal.
Afinal, quando deixávamos o lugar, ela parou em ponto estratégico e acenou para o Papai Noel de plantão. Ele olhou-a bonachão, acenou de volta. Ela pulou , vibrou, repetiu aos quatro ventos que o Papai Noel lhe correspondera ao aceno, talvez porque esse era o sinal do quanto ele ama as menininhas como Alice. Assim, tão delicadas e inteligentes, comandando escritoras que se tornam desenhistas de Minies, em plena noite de sábado. Uma foto de nós duas com um boneco do Papai Noel e descubro que o espírito desse Natal acaba de me tomar de assalto, através de Alice.
Preciso pedir ao Papai Noel uma boneca Minie para mim. Afinal, acho que tenho sido uma senhora comportada, rs, e mereço tal mimo, digo, tal Minie, de vestido de bolinhas e orelhas grandes. Obrigada Alice, por trazer de volta ao meu coração, o sonho do Natal!
Aparecida Torneros

um texto do Natal de 2005...Anoiteceu...











"Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel"
Maria Aparecida Torneros da Silva

"Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel"
Quem pensou isso e imortalizou esse verso na canção, foi o conmpositor  Assis Valente, que nos legou a tal letrinha que relembra a desigualdade que campeia, de há muito, na humanidade. Ao conviver, nesse país de realidades tão díspares com pessoas de vivências extremamente diferenciadas, há algumas semanas, fui abordada por uma colega de trabalho, me pedindo a intercessão, na área médica, junto a um hospital famoso da rede pública carioca, para um melhor atendimento a uma senhora que é mãe de um funcionário que me atende no setor de xerox. Como característica personalíssima, ele, às vezes não consegue vir ao trabalho, por ser morador lá do alto do morro da Rocinha, sendo impedido, nos dias de tiroteio forte ou de tensão que o prende no exílio forçado, junto justamente da senhora com quem mora, sua mãe, que quebrou o braço. Ela foi operada de emergência, mas a cirurgia, depois que voltou para casa, apresentou problemas, deixando-a noites sem dormir, com dores lancinantes. Tentou ser reavaliada, mas, o intenso movimento do dito hospital programou que seria examinada num prazo de 30 dias. Evidentemente, para quem está acostumado a se valer de assistência médica normal, fica difícil imaginar-se com dores num braço operado, engessado, sem dinheiro para ir a um consultório particular, morando na comunidade famosa da Rocinha, tendo um único filho, rapaz trabalhador, mas detentor de salário contado para pagar a sobrevivência de ambos. Peguei o telefone e fiz alguns contatos.
Finalmente, consegui falar com a direção do hospital, e, na secretária da diretora, encontrei o Anjo de Natal que atendeu a pobre senhora, nas palavras do seu filho, com tratamento "vip", porque foi constatado que havia infecção pós- operatória e ela poderia , se não fosse vista logo , perder o braço. Ontem, ao passar pela sala em que o jovem trabalha, perguntei por ela. O sorriso dele me contando que ela está bem, feliz, porque vai passar o Natal sem dores. Ele não me disse que vão passar o Natal com presentes, com peru ou pernil, com vinhos ou champanhas, mas apenas, me comoveu, se referindo à felicidade de não sentir dores.
Entendi que o Natal Feliz é saúde, é paz ( tomara que na noite de Natal o tráfico e polícia assinem trégua de paz na Rocinha), é amor de filho e mãe, é esperança de mudar o que é tão difícil de mudar. Natal Feliz não é o dos balsos cheios dos homens do Congresso, recebendo seus extras pelo trabalho de repensar o país tão injusto. Há um Natal mais forte nos lares de milhares de sitiados pela desigualdade nesse Brasil do Oiapoc ao Chuí, com certeza. Mas, ainda bem, há o espírito de Natal e sempre encontraremos Anjos de Guarda capazes de se sensibilizar com as dores dos seus irmãos brasileiros, vítimas do egoísmo desenfreado que acomete os poderosos, há séculos.
Isso me fez lembrar a canção, cuja letra vou transcrever, desejando a todos um Natal, com felicidade, sem dores !
Anoiteceu, o sino gemeu, A gente ficou feliz a rezar. Papai Noel, vê se você tem, a felicidade pra você me dar. Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel, bem assim felicidade, eu pensei que fosse uma brincadeira de papel. Anoiteceu... Já faz tempo que eu pedi mas o meu Papai Noel não vem, com certeza já morreu, ou então felicidade é brinquedo que não tem. Anoiteceu...
Aparecida Torneros

Mamãe Noel... enfrenta a crise...


Em tempos de crise, tanta lamúria,
resolvi presentear a ilusão, abandonar a penúria,
colocar no painel uma Mamãe Noel com luxúria,
sem entretanto subestimar valores éticos,
apenas para contrapor lamentos épicos,
faltando empregos, as bolsas a despencar,
só mesmo brincando com a vida, a ela brindar,
e sussurrar, repetir, acreditar, apesar, apesar, apesar...
Em tempos de recomeço de ano e de propostas,
tornar nossos corações com suas dores expostas,
capazes de recompor-se da quebradeira, só ter fé,
e seguir a caminhada humana, devagar, pé após pé,
sentindo que o Amor é ele mesmo, nosso porto seguro,
a alegria, nossa irmã apoiadora macia para futuro duro...
Em tempos de desejos de Boas Festas, Boas Falas, só as Boas...
são elas que nos amenizam as dores, nos devolvem a graça,
nos fazem brindar aos melhores dias que virão, pois tudo passa,
questão de querer, crer, lutar, reconstruir, a mão na massa...
aparecida torneros


 

 

aqui faz calor, lá está nevando...é Natal...




ele me disse da nevasca

depois da chuva

depois do frio

então me olhou pedinte

nem falou da saudade...

não precisava, a dor é nossa

e ninguém tasca...

a dor não é dor...é só falta

do abraço de verdade

porque na imaginação

estamos mesmos agarrados

como dois pássaros

nos abrigamos da neve e do tempo

precisamos vencer o espaço

a distância, qualquer circunstância

onde paire a dúvida ou a indecisão...

o fato é que o Natal chegou

para todos nós, os que sentem calor

os que passam frio, os do Rio,

os de Nova York, os da Europa, da Austrália, de Israel, Iraque e Afeganistão, onde estão?

nos braços agarrados das suas dores, nas sensações arrepiantes das suas saudades,

há Natais em cada canto do mundo imundo ou do mundo limpo, nem penso bem o que faço...

se vou na enfermaria das crianças do hospital e participo com elas da sua festa na segunda,

se visito o asilo dos velhinhos e choro com eles a emoção de mais um Natal, ou fico como estou:

observando a neve no hemisfério norte, suando o calor do sul do planeta, apenas vou e vou...

é só mais um Natal, é só a grande chance de ter o Jesus menino a nascer na paz profunda...

na paz do gelo que derreta corações empedrados ou no calor tropical que incendeie o Amor...

e que seja para sempre...

Aparecida Torneros















 

 

Ele vem para o Natal!



Ele vem para o Natal
Maria Aparecida Torneros da Silva

As ruas pareciam labirintos apinhados de gente afogueada, correndo feito maratonistas, as pessoas voavam em bandos, atropelando-se, com expressões de ansiedade nos rostos que denotam o espírito das festas de fim de ano.
Toda vez que dezembro chega, ela pensa no quanto é incrível a renovação do sentimento de irmandade apregoado aos quatro cantos, como se isso fosse possível na humanidade tão mal acostumada às competições, às guerras e a uma violência infelizmente presente no dia a dia de todos os mortais.
Nos últimos Natais, Maria optou pela paz do seu recolhimento individual. Passou-os sozinha, degustando um bom vinho, comendo algumas iguarias, rezando pelas criaturas de boa vontade e até por aquelas incapazes de amar, autoras de feitos maléficos, os pobres de espírito, que infernizam seus semelhantes com maldades atrozes.
Maria compadeceu-se dos doentes e dos abandonados. Orou por eles, com contrição, pedindo ao Deus dos Homens que os protegesse e confortasse.
Para si, limitou-se a insinuar que bem poderia ter alguém ao seu lado a cada novo Natal. Estava sem marido há tanto tempo. Poderia ser um parceiro amigo e sincero. Melhor seria se Ele viesse envolto em aura de atração e desejo.
Mas, não ousara esperar tanto da vida. Na maturidade, ela se conformava com o destino.
Depois de criar os filhos, que ficaram cada vez mais distantes, passando para aquela visita rápida e obrigatória, deixando-a com seus pensamentos de saudade dos tempos em que tivera uma grande família reunida em volta da ceia da noite santas, ela agradecia, mesmo assim, porque, pelo menos, eles se lembravam de dar-lhe um alô apressado.
E ali ficava, na sala, tendo por companhia a televisão ligada, apresentando os shows com mensagens de confraternização, ou a missa do Galo, transmitida diretamente de Roma.
Era mesmo um alento. Sabia-se sozinha, sem sentir-se assim, porque preferia crer que em algum lugar do Universo, havia um par que chegaria num desses Natais, para brindar com ela, pelo Nascimento do Menino Deus, simbolicamente, enquanto se olhariam com ternura e cumplicidade.
Sempre pensava: Ele vem para o Natal! Nos dias que antecediam a data máxima da cristandade, Maria se esmerava em enfeitar a casa, comprar roupas novas, ajeitar os cabelos, abastecer a geladeira, pendurar badulaques na árvore iluminada e colorida.
Sempre ouvia uma voz interna que lhe dizia: Ele vem para o Natal!
Maria se mantinha esperançosa. Não sabia nem o que a fazia crer que teria a companhia do seu príncipe encantado na noite de Natal.
Um dia, conheceu um homem simpático que a cobriu de atenções e a fez acreditar que era possível amar intensamente, apesar da maturidade.
Ele morava em outra cidade. Viam-se pouco, mas mantinham contato sempre.
Dezembro chegou. Maria ficou ansiosa. Será que Ele vem mesmo para o Natal? Ele não dera certeza, alegou a necessidade de passar com seus filhos na cidade distante. Ela considerou justa a causa e preparou-se para mais um Natal solitário.
A noite de 24 de dezembro pegou-a um pouco cansada. Preparou as rabanadas como a prendera com sua avozinha, ainda menina. Arrumou uma linda mesa. Tirou os cristais para fora, a louça mais fina que dispunha. Sabia que receberia muitos telefonemas.
Assim foi. As horas foram passando. Os filhos deram aquela passada corrida, amigos ligaram. O carteiro entregou mensagens de boas festas. A cada vez que o telefone tocava, seu coração disparava. Queria pelo menos, ouvir a voz dele.
Adormeceu no sofá. Havia exagerado nas doses de vinho, enquanto assistia a um coral maravilhoso na televisão espanhola. De repente, uma voz cantava suavemente: Ele veio...Abra a porta... Ele veio para o Natal...Acordou, sobressaltada. Seu sonho o trouxera, uma ilusão, pensou...
Trocou de roupa. Dirigiu-se ao quarto. Restava dormir na cama e esperar pelo próximo Natal. Estava mesmo sozinha. Aconchegou-se na maciez dos lençóis ao mesmo tempo em que duas lágrimas correram teimosas pelo canto dos olhos. Repreendeu-se pela auto-piedade.
Afinal, já tivera tantos Natais felizes. Este era apenas mais um, em que tinha saúde, podia adormecer em paz. Ele não era tudo nessa vida. Era na verdade, um capricho feminino imaginar-se abraçada a Ele na noite de Natal.
A campainha tocou. Ela se assustou. Olhou o relógio. Meia noite e meia. Correu para atender, ainda que meio descomposta, abriu a porta. Um ramo de flores cor de rosa escondia um rosto querido.
Maria não agüentou e chorou copiosamente. Recebeu o buquê, ao passo que seus braços confundiam-se em torno daquele corpo cujo calor irradiava um grande bem. Ele veio... murmurou com sua voz interna...
Ele apenas disse: - Eu vim passar o Natal com você. Desculpe se não avisei, mas o telefone estava sempre ocupado. Feliz Natal, Maria!

Quem não traz seus Natais dentro do peito ?







Quem não traz seus Natais dentro do peito ?


Quando o Natal chega, todos os anos, não há como evitar, ela lembra de muitos Natais da sua vida. Recorda-se do carrinho azul que viu seu irmão brincar há mais de oito décadas, em manhã de um dezembro distante no tempo, mas tão presente na memória e aí, ela sorri.Naquele tempo, eles moravam numa casa grande, com quintal arborizado, no subúrbio que marcou sua infância feliz. Como eram bons aqueles Natais, de folguedos e birnquedos, família e vizinhos, amigos e simpatícos agregados, trocando abraços, sorrisos e pratos saborosos.Saudade das rabanadas da portuguesa Filomena, dos bolinhos de bacalhau feitos carinhosamente pela vó Luzia, e como era delicioso o frango com lentilhas que a mãe Maria preparava. Vinham em ondas aquelas imagens de pessoas e lugares, evoluindo para a sua adolescência, seus primeiros amores e finalmente, abrindo o baú, nas tardes lentas da velhice, pegava as fotos amareladas do seu casamento com Joaquim e dos seus filhos meninos, Luizinho e Bentinho.Agora, morando num asilo para velhice, Anita se desmancha em sentimentos de saudade, justamente nessa época natalina. Sabe que a sensibilidade lhe aflora ao peito, faz dela uma criatura mole que nem manteiga derretida, a pensar no tempo que correu célere e no quanto foi possível aproveitar a vida, lutar pela criação dos filhos, tê-los visto se formarem, ter segurado nos braços netos que também tinham crescido.A doce Anita de oitenta e tantos anos, ali, naquela casa de repouso e senilidade, traz dentro de si, muitos Natais presos no peito, e, quando as atendentes chamam para a ceia da noite Santa, busca enfeitar-se com seu melhor vestido, o azul royal, de golinha rendada e branca, para juntar-se à sua nova família, senhoras e senhores que dividem com ela, seus momentos de lazer e de oração, refeições frugazes e a certeza do dever curmprido.Conclama a todos que rezem agradecendo aquela comida especial e tão bem cuidada, sorri em reverência a cada amigo ou amiga que lhe cumprimenta. Repete um 'Feliz Natal' que imagina seja o mesmo que seus filhos e netos estejam desejando aos amigos e amigas neste momento em algum lugar, apesar de não receber há muito sua visita, mas lhe mandaram presentes, como chinelos, sabonetes e colônias. Um motorista veio trazer uns dias antes.Explicou que todos tinham viagem marcada e que telefonariam, se pudessem, no dia de Natal, para ela.Anita pensa que já tem um bisneto que nunca viu, ele deve ter uns cinco anos, ela reflete.Tudo bem, Anita pensa: - Deixai-os viver Senhor Jesus, e protejei-os, meu Pai do Céu. Meus filhos ainda são meninos para mim, apesar de cinquentões. E meus netos, já na casa dos trinta, têm muitas responsabilidades, filhos e trabalho, tenho que entender sua falta de tempo e só quero que todos estejam felizes, nesta Noite, como eu estou, aqui, tão bem cuidada.Repentinamente, como se fosse um Anjinho de Natal eis que surge no salão de refeições do asilo, um menino risonho, correndo, que dispara na direção da vovó Anita, para abraçá-la, o que faz com que todos interrompam o jantar e observem a cena- Quem é você, lindo pequerrucho? Anita indaga, extendendo as mãos e acolhendo o infante arfante.- Vc é minha vó Anita, eu vi no retrato que a meu vô Bento me mostrou. Eu pergunto a ele todo dia onde vc mora. E hoje, que é Natal, pedi a ele que queria ver a minha vó Anita... Tô aqui, na sua casa, né? vim passar o Natal com vc, né? vc quer esperar o Papai Noel comigo?Anita ri... vê que agora entram no refeitório, seu filho Bento, a nora, os pais do guri risonho, seu neto e esposa, e os observa, com certa perplexidade, pois há muitos Natais que não os vê e pensava que estavam todos a viajar nos feriados de final de ano, conforme lhe dissera o potador dos presentinhos, dias antes.Mas, Bento, com jeito de filho arrependido, vem dizer à mãe, emocionado, que o pequeno Joaquinzinho não aceitou viajar. Convenceu a todos a irem visitar a bisavó, que ele vivia beijando no retrato, chegou a ficar febril a repetir que só queria ver a vó Anita no Natal, e esperar, com ela, pela chegada do Papai Noel.Anita foi aplaudida pelos companheiros e companheiras de asilo. Agradeceu a visita, abraçou o bisneto, o filho e toda a família, convidou-os a sentarem à mesa. Manteve o menino no colo, que a acariciava, enquanto se pergunta, internamente: - Quem não traz seus Natais dentro do peito?Este Natal é mais um deles, que ela jamais esquecerá, e fará parte da lista de Natais do Quinzinho, daqui a algumas décadas, com certeza.


Aparecida Torneros

viva o sonho do Papai Noel!!!


Feliz Navidad
















De presente, meu sorriso, para ti...

darei a ti meu sorriso franco
é de graça, nem pense em pagar,
tem a graça da pura graça da vida
é meu sorriso de dente branco
boca exprimindo vontade de te abraçar
e desejar feliz ano novo, feliz subida
aos céus do amor, da paz e dos sonhos
sem mais medos ou pensamentos tristonhos,
só alegrias é o que te desejo nesse fim de ano
para que recomeces do zero, que faças um plano
o de se auto-amar, melhor que tudo, amar a todos,
por mais utópico, difícil, estranho, desafiante tratado,
melhor ainda, amar o Amor e se surpreender amado...
porque amar alguém e ser amado enfim, depende do lado
em que se dá ou recebe o sorriso... basta abrir mão de si
distribuir carinho, abdicar do egoísmo, cantar dó-ré-mi
vale apelar para os anjos, acreditar na magia do Natal,
ensaiar no espelho, cantarolar um hino, aceitar o Divino,
e soltar a alma da sua prisão infeliz, voltar a ser menino,
reaprender a ser menina, com as amigas brincar no quintal...
Dou-te meu sorriso de feliz Ano Novo, nem precisas dar-me nada...
Ofereço-te minha PAZ e agradeço porque me aceitas descomplicada...
Afinal, nem fui ao shopping comprar este presente, fui ao sonho,
descobri que posso te ofertar meu melhor afeto com a minha risada...
Aparecida Torneros

"um sorriso como presente de Natal"‏


Os Natais andam chegando depressa demais, comentou uma amiga minha, nessa corrida louca que passa por nossas vidas entre tantas crises e parece que estamos todos à beira de um ataque de nervos, como define Almodovar no seu clássico filme sobre essa coisa de não nos reconhecermos como seres ainda capazes de gestos desprendidos, desprendidos do consumo. Resolvi então que mandaria de presente para os amigos, familiares e afins, um sorriso de presente de fim de ano. Pus no meu blog e saí distribuindo. É o presente mais barato que encontrei e o mais sincero que consegui, porque se encaixa, nem precisa de fita dourada ou papel colorido, ele já vem embalado na promessa-contextual-fotográfica de que lhes desejo paz, alegria, prosperidade, um montão de fons fluidos através da minha boquinha sorridente, tentando afastar maus presságios, dando uma pausa para os desafetos e apostando na positividade da energia do bem. Desses Natais corridos quase não se pode guardar mais aquelas lembranças de famílias conversadeiras em ceias sem muita pompa, mas com excesso de agrados típicos. Era a bisavó a fazer as rabanadas, nem pensar em compraá-las prontas, ou seriam os bolinhos de bacalhau com o tempero materno, as saladas de frutas tropicais descascadas e picadas a oito mãos pelos agregados que apareciam nas nossas casas e eram sempre benvindos. Natais com presépio armado com a ajuda dos meninos e menias, invenções de galos a cantar no alto de alguma montanha concebida em jornal amassado, pintado, de massa verde, ou um laguinho feito com o espelho emprestado da bolsa da irmã mais velha. Patinhos de biscuí nadando na superfície espelhada. Luzes penduradas em árvore que alguém trouxe do jardim, uns pacotinhos imitando presentinhos, bolas coloridas penduradas, a estreva dalva no alto em ponta como um cometa que passava devagar. Era preciso nortear os tres reis Magos, eles viriam do oriente devagar para presentear o menino Deus, e chegariam no dia 6 de janeiro. Aí, era dia de trocar presentinhos simples, como um sabonete ou uma caixinha de talco, um lencinho com letra inicial de nome bordada em azul, talvez um chinelo novo para o avô, ou um xale de lâ para a avózinha. Crianças ganhavam carrinhos de madeira, bolas de gude, bonecas de pano, nem tinha tanta propaganda, nem dinheiro, nem televisão anunciando ofertas de eletrodomésticos. O máximo que se gastava, além das comidas, era uma pinturinha na fachada, para agradar os vizinhos, e recebê-los no brinde da hora santa. Rezava-se pelo bem da humanidade, pela saúde das pessoas e pela paz dos povos, era um tempo tão ingênuo, ou tão desprovido de ambições. Cavalinhos de pau e velocípides rudimentares podiam ser vistos na manhã do dia 25, adestrados por meninos felizes, e as garotas lá estavam a desfilar suas bonequinhas em forma de ternura materna, enquanto se preparavam para a vida que viria as tornaria mães de verdade, sem pressa. Pois é, minha amiga tem razão, tudo passou tão depressa e cá estou, chegando aos 60, observando a crise, e vendo como as pessoas terão que reaprender a dividir e gastar pouco, fazer da simplicidade o melhor dos seus mundos em Natais vindouros, estes sim, que virão mais vagarosos, pois não há mais porque correr atrás de um ouro derretido com a ganância dos grandes, que pensavam se eterno seu poder de compra. Agora, que reinventem felicidade sem ser e viver. Chega de pseudo felicidade em ter e consumir. Basta reunir quem se ama e abraçar bem forte. Um abraço, um beijo e um sorriso, estes sim, podem ser os melhores presentes do Natal da crise, por isso já enviei minha oferenda despretenciosa e nem quero resposta. Aprendi a ser feliz só por isso: desacelero meu fim de ano e busco a Paz maravilhosa que é amar a quem precisa ser amado, ou melhor, sorrir para quem precisa receber um sorriso de Natal.
Aparecida Torneros Jornalista Rio de Janeiro

Feliz Natal e um ano novo brilhante!!!


Domingo, 21 de Dezembro de 2008

De presente, meu sorriso, para ti...

darei a ti meu sorriso franco
é de graça, nem pense em pagar,
tem a graça da pura graça da vida
é meu sorriso de dente branco
boca exprimindo vontade de te abraçar
e desejar feliz ano novo, feliz subida
aos céus do amor, da paz e dos sonhos
sem mais medos ou pensamentos tristonhos,
só alegrias é o que te desejo nesse fim de ano
para que recomeces do zero, que faças um plano
o de se auto-amar, melhor que tudo, amar a todos,
por mais utópico, difícil, estranho, desafiante tratado,
melhor ainda, amar o Amor e se surpreender amado...
porque amar alguém e ser amado enfim, depende do lado
em que se dá ou recebe o sorriso... basta abrir mão de si
distribuir carinho, abdicar do egoísmo, cantar dó-ré-mi
vale apelar para os anjos, acreditar na magia do Natal,
ensaiar no espelho, cantarolar um hino, aceitar o Divino,
e soltar a alma da sua prisão infeliz, voltar a ser menino,
reaprender a ser menina, com as amigas brincar no quintal...
Dou-te meu sorriso de feliz Ano Novo, nem precisas dar-me nada...
Ofereço-te minha PAZ e agradeço porque me aceitas descomplicada...
Afinal, nem fui ao shopping comprar este presente, fui ao sonho,
descobri que posso te ofertar meu melhor afeto com a minha risada...
Aparecida Torneros
 




 

neste Natal, a quem interessar possa...


Neste Natal, a quem interessar possa... ( texto de 2005)

A coisa funciona quase sempre assim. A gente corre e trabalha o ano inteiro, planeja uma série de atitudes, estabelece metas, decide que é momento de algumas mudanças, vai vivendo, driblando os percalços nos meses que se sucedem como num torvelinho.

Aí, um dia, provavelmente numa manhã em que a luz adentra pela janela na casa que se faz fervente, a criatura acorda se sentindo " caminhando contra o vento, no sol de quase dezembro".

Bem, não há como voltar atrás, o que passou, se foi, e o tal dezembro chegou de novo, com sua climatização, seus calores, que no Brasil, fazem do Natal aquele período de verão quentíssimo, de ruas entupidas, de gente se trombando pelos shoppings, de aeroportos e rodoviárias adensados de reencontros, de estradas cheias de esperança por momentos felizes. Não importa o quanto a política e a economia tenham afetado nossas emoções ou os nossos bolsos, agora é Natal e vamos é comemorar. Tem o show especial do Roberto na televisão, tem a árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, dá para encarar uma ceia novamente na casa da mamãe, ou da vovó, ou da namorada recente, quem sabe aquele gato escaldado que tem medo de casamento chegue enfeitiçado de espírito natalino e finalmente faça o sonhado pedido para juntar os trapinhos?

Meu dezembro , como o de vocês, tem mesmo essa aura de necessidade de amar e ser amado. Fico precisando dar o abraço naquele amigo que não vejo há muito tempo, me cobro a visita ao asilo dos velhinhos que tanto adiei, sou tomada de uma impiedosa culpa cristã pelas promessas que não cumpri, e o que é pior, me permito comer as gulodices mais díspares, misturadas e sem a menor parcimônia, em nome da confraternização das boas festas.

Nas luzes que piscam pelas avenidas, tento vislumbrar os amores do passado que me deixaram ainda algum brilho na alma, no afã de perdoar qualquer resquício de mágoa das separações e das traições, herança acumulada ano após ano, no decurso de prazo, no acúmulo de experiências afetivas.

Percebo que há mais sorrisos sendo distribuídos pelas calçadas, enquanto as tulipas de chope gelado são viradas a cada segundo contra bocas sedentas de frescor. Também é possivel identificar que há na febre consumista em torno dessa data um frenesi tresloucado de superação personalista. Todos querem ser queridos, presenteados, paparicados, lembrados, abraçados, beijados, numa proporção potencialmente acima das possibilidades rotineiras.

Mas, neste Natal, a quem interessar possa, nada será tão importante, para mim, do que me recolher com meus pensamentos, na solidão do ato reflexivo, na sala vazia.

Devo pensar sobre o quanto há para fazer além do circuito do meu umbigo, o mesmo que me liga a um ego que tento domar, ao qual me sinto ainda muito presa, com a consciência crescente de que preciso insistir em projetos mais ligados ao meu próximo, ao Brasilzão que implora por nova ordem social, ao meio ambiente e à felicidade compartilhada com meus vizinhos.

Com certeza, desse jeito, terei um Feliz Natal.

Aparecida Torneros
Jornalista-RJ
 
 
 
Anjos, Duendes e o Elemental Papai Noel
Aparecida Torneros

Dois olhinhos azuis brilhavam na minha direção, naquela noite feliz.

Eu os observava sentindo um certo arrepio nas costas, delicioso frêmito que me reportava à infância perdida.

Esses olhos iluminavam minha esperança de sonhos sobre a humanidade, a justiça, a saúde dos povos, a erradicação das diferenças e a paz. De certo modo, eles me hipnotizavam.

A intensidade daquele olhar me tornava tão pequenina.

Imaginei que seu raio de ação era tão abrangente, capaz de alcançar o universo inteiro.

O tal Papai Noel me transformava, insistentemente, numa pequena criança, desejando apenas ser feliz. Tudo era pureza em minha alma, ao ser contemplada pela magia do Natal.

De repente, senti que Anjos dançavam à minha volta, e cantavam o coro da harmonia soprando em meus ouvidos as canções mais doces.

Não podia crer naquela situação em que me via voando sobre as cabeças das pessoas, incrivelmente.

Sim, fui alçada por um grupo de Duendes risonhos e elevada, flutuando passando a me sentir tão leve quanto uma pluma e tao etérea quanto uma nuvem.

Os olhinhos permaneciam dentro dos meus, direcionados.

De onde eu estivesse, nos volteios que fazia no ar, podia divisar o brilho celeste que Papai Noel me enviava, através do azul intenso do seu maravilhoso olhar.

Eu sorria e chorava ao mesmo tempo.

Então era isso que o Espírito de Natal podia fazer conosco?

Os seres humanos podiam voar e mudar de dimensão quando fossem tocados pelos Duendes, Anjos e pelo doce aconchego do bom Velhinho.

Observei lá em baixo, ficando cada vez mais distante, as pessoas da Terra.

Tive tanta pena delas. Senti que podiam ser mais felizes se eliminassem definitivamente tanto sentimento pequeno de competição e tanta inveja.

Também, refleti, para que tanta ambição entre os povos, e quanta injustiça entre os homens. Vi, me comovi, chorei copiosamente, ao lamentar as guerras, as calamidades, as epidemias, a pobreza e a fome.

Mas, Papai Noel me chamou de volta, com sua atenção especial. Ele me ensinou, naquela noite, que tudo pode ser melhor, que deve se renovar eternamente a esperança e fazer alguma coisa concreta para mudar o mundo.

Cada um descobre em seu caminho algo a fazer de melhor por alguém que precisa. Disso, ele me convenceu. Lembrei de tanta caridade que se organiza em movimentos assistenciais em todo o mundo, e pude ver as luzes de velas acesas, na imensa escuridão do cosmos.

Uma luz maior me possibilitou compreender que a cada ação de paz, a cada sorriso de uma criança, o mundo se renova e a humanidade se redime.

Assimilei a lição do Bom Velhinho e passei a sentir que o Natal é um lindo conto de Fadas, um mágico sonho a ser vivido entre adultos e crianças, para realimentar o universo de Amor.

Sobre o Amor, ainda, ele, com seus profundos olhos azuis, me tirou a dúvida maior que me acompanhava há tanto tempo: o Amor existe, nós somos o próprio Amor, e ele vai além do tempo e do espaço...

Papai Noel me fez voar sobre a Terra e me transformou num raio de luz... Com meus volteios no céu, escrevi um imenso Feliz Natal no ar... para todos os meus amigos e amigas... que vão poder olhar na noite, entre as estrelas , e observar a minha mensagem lá no alto... iluminando cada coração que sintonizar o meu.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ce Qui Me Manque - Julio Iglesias

Un jour tu ris un jour tu pleures

Julio Iglesias - Nostalgie

Julio Iglesias - De vous à moi

Julio iglesias Quelque Chose De France (A Tribute To France)

Necesito de tu Amor

Momentos

JULIO IGLESIAS ,,, DICEN

Amantes ~ Julio Iglesias

JULIO IGLESIAS - QUERER Y PERDER

Ivete Sangalo - Escrito nas estrelas

♥ NE ME QUITTE PAS - MARIA GADÚ ♥

Cássia Eller - O segundo sol

cassia eller - por enquanto

Cássia Eller - Gatas Extraordinárias

Cássia Eller - Eu Sei

Cassia Eller - Malandragem

Cassia Eller e Maria Gadu - lanterna dos afogados

No, Je Ne Regrette Rien , por Cássia Eller...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Oscar ( 104 anos)



No dia primeiro de maio de 2003, assisti no Riocentro, a palestra do arquiteto Oscar Niemeyer para uma platéia repleta de estudantes de arquitetura de todo o Brasil e de vários países da América Latina. Foi durante um grande Congresso da área. 
 
Embora já o conhecesse, naquele dia, misturada à garotada, fui me emocionando de tal forma, com sua grandeza humana, sua alegria experiente, seu depoimento político e profissional, o modo como passava os conceitos de vida para um público que respondia apaixonado.
 
Foi gloriosa a empatia daquele homem capaz de superar a idade com a produção ininterrupta.
 
O que resultou dessa emoção toda foi o poema "Oscar",  que ele recebeu dias depois, através do arquiteto Luiz Paulo Conde, a quem pedi que passasse ao Oscar, minha singela e sincera homenagem. 
 
Acho que devo agora compartilhar com vocês  tendo em vista o dia do seu aniverário, 14 de dezembro, quando ele completou 100 anos.
 
No mesmo dia, meu filho Leandro Vieira, fez 30. 
 
Aparecida Torneros - RJ      


Oscar

Artefato,

traz o fato, Oscar,

para a história contar...


Arcabouço,

desenha a vida,

sem trégua, bem vivida...


Ar menino, de amor imerso,

corta o tempo, Oscar,

nos envolve no universo...


Arquiteto,

põe a terra a girar,

sobre eixos de concreto...


Arquiteto,

põe o teto, Oscar,

sobre nós e o mar...


Arma a estrutura,

luz, espaço , arquitetura,

vem nos integrar...


Articulado, idealista,

no Planalto, Oscar,

cria Brasília, socialista...


Artimanha, surpreende,

faz do ângulo reto

amante da curva ascendente...


Arquiteto, pioneiro,

põe o céu, Oscar, simplesmente,

em cada olhar brasileiro...


Oscar ( poema para Oscar Niemeyer) - por Maria Aparecida Torneros da Silva

Maridalia Hernandez - Sabor A Mi

Quien no sabe de amor no sabe nada Maridalia Hernández

Maridalia Hernandez- Enamorada

Maridalia Hernandez - Libre

Gigliola Cinquetti - La Joconde

GIGLIOLA CINQUETTI - FOREVER!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cassia Eller Malandragem acústico

Cassia Eller ainda é uma garotinha, aos 49 anos...

Cassia Eller ainda é uma garotinha, aos 49 anos...

Ela só pedia a Deus um pouco de malandragem. Sua geração, sucesso dos anos 90, mocidade vivida entre Brasília , Minas e Rio de Janeiro, nos legou um tipo de música cuja interpretação tão forte é um símbolo dos pós anos 70, os filhos daquela gente que ia ser hippie e ia mudar o mundo. Cássia Eller faria 49 anos esta semana, parece que ela ainda está por aí, nos nossos recantos onde observamos as garotinhas que quase 49, as mesmas que tiveram a coragem das mães solteiras, das mulheres destemidas, de pares reais ou efêmeros, de gente cuidadosamente descuidada com a própria vida.

Seus contemporâneos, Cazuza e Renato Russo, eram tão bons e tão fascinantes, na sua arte, que seguem nos encantando tal o nível de criatividade e expressão musical. Cassia tinha uma voz tão forte e tão destemida, ela era um furacão e ao mesmo tempo era doce. Um documentário especial homenageando seus 49 anos, na Globo News, mostrou facetas da cantora e depoimentos sobre trajetória de vida e sua estrada de sucesso. Zelia Duncan falou da docilidade que ela podia imprimir na própria voz , quando queria, como se uma gama de possibilidades vocais a separassem do lugar comum.


Cássia Eller e Nando Reis,  uma dupla de extasiar, cantando Relicário, imperdível e inesquecível. Lembro de um carnaval na Bahia, em 200, transmitido na televisão, quando a Cássia apareceu de seios de fora, solta como um pássaro, ela cantou "Polly", do Nirvana, em pleno carnaval da Bahia, e deixou o Vanutty sem falas quando mostrou os peitos, no gesto irreverente e natural.


Em 2002, Armandinho e seu trio elétrico que desfilou no circuito Barra-Ondina no carnaval de Salvador fez uma homenagem a ela, durante a apresentação do blogo "Trio Fobicão, na avenida.
Depois de mencionar a criação da guitarra elétrica e do trio elétrico, obra de Dodô e Osmar, Armandinho emendou uma homenagem à cantora Cássia Eller, que morreu em dezembro de 2001, vítima de infarto, com a música "Malandragem".

Num trecho de artigo de autoria de Hagamenon Brito, vale ressaltar o que ele diz :"filha
de um sargento paraquedista do Exército e mãe dona de casa, Cássia Eller completaria 49 anos. Quis o senhor da razão e da emoção, porém, que a cantora carioca partisse cedo demais, aos 39 anos, em 29 de dezembro de 2001, de infarto.

Entretanto, caros admiradores da irmãzinha tímida e rebelde de uma geração, uma década depois de sua morte não existe motivo para tristeza e, sim, celebração por tudo aquilo que Cássia Eller viveu - de modo intenso -, cantou e deixou. Dois lançamentos da gravadora Universal homenageiam a única cantora que rivalizou com Marisa Monte nos nos 90 em impacto e relevância na música brasileira - mas que, diferentemente da comportada MM, foi rock’n’roll em atitude e irreverência no palco e na vida pessoal".

Ela nos deixou um relicário imenso, se contabilizarmos suas interpretações tanto nos lançamentos em vida como nos álbuns lançados pós-mortem e agora, nas edições que homenageiam sua memória com um trabalho coordnado e remasterizado por Carlos Savalla, intitulado O Mundo Completo de Cassia Eller, que reúne, em nove CDS, todos os álbuns da artissat e mais o DVD do show Violões, de 1996.


Faz bem lembrar que ela gravou Clarice Lispector, Que o Deus venha, poema musicado por Cazuza e Frejat. Importante voltar no tempo e ouvi-la interpretar No me quites pas, e nunca esqueçamos que ela ainda é mesmo uma garotinha rebelde, mãe do Chicão, ousada, nos contando que mudaram as estações... Tudo era pra sempre, sem saber que pra sempre, sempre acaba...


"Mas nada vai conseguir mudar... nem desistir nem tentar, agora, tanto faz", garotinha Cássia, você estará sempre de volta para a casa... que é o coração de gerações que aprenderam a respeitar sua passagem por aqui e a amar sua arte inquietante. "Palavras ao vento", talvez você esteja mesmo coberta de razão, anda por aí tentando encontrar o tal amor que jamais será palavras apenas, palavras pequenas... Você conquistou o seu lugar na paixão da vida agitada e sôfrega, agitou, agita ainda, pois ainda não se superou e tem fôlego para seguir encantando novas gerações, afinal, "quando o segundo sol chegar para realinhar as órbitas dos planetas", você estará na frente, pois este outro cometa tem um nome: Cássia Eller...


Maria Aparecida Torneros

Perhaps Love - Traduçao em Portugues

O chope das meninas!


O Chope das Meninas versus o Xote das Meninas..

Histórias assim, boas de contar e boas de beber, boas de sorrir e ótimas de gargalhar, só acontece com "meninas", como nós, que caímos na vida para curtir as amizades, a energia de contagiar luzes e cores, como aconteceu no bar "antigamente", na segunda feira, 13 de dezembro. Soninha, a mentora do encontro, Erika, minha "filha do coração", que vai passar o Natal na Europa, Eliane, a fotógrafa oficial do trem das onze, Tania, a cantora-jornalista prêmio Esso, que tanto nos orgulha, a Maria Beatriz, falando de casamento e lembrando que deve se casar aos 40, Patrícia, a boliviana-carioca organizadora da vida, Marcia, a inquieta guria que aquece corações com frases perfeitas para ocasiões necessárias, e eu, a "tia" de todas, aquela que se deu o direito de ensiná-las como saborear um croquete, fino, porém gostoso,rs.

Nossas gargalhadas, projetos de vida, viagens, lembranças de momentos que vivemos antes, juntas ou separadas, tudo veio para a mesa do bar, como antigamente... Curtir nossas presenças era como revolver um armário lotado de coisas bonitas, muitas vezes esquecidas, mas que ao serem tocadas, vibram, saem do dito armário, prontas para brilhar aos olhos dos que observam mulheres a caminho de soluções, à custa de empurrões, suspiros, porradas, arranhões, carinhos, puladas de cerca, sapos goelas abaixo, ou, ainda bem, amores vividos, sonhados, relembrados, amados, futuros, presentes, caprichados, resolvidos, a caminho, na fila de espera, ora, são tantas as paixões das meninas pela vida e por seus pares, que é preciso respirar fundo e viver cada qual na dose recomendada, para que não provocar intoxicação...

Os "meninos" nos conhecem pouco, esta é a nossa verdade. Somos  e podemos muito mais do que eles imaginam. Sabemos driblar conceitos e preconceitos. Falamos deles com respeito e sentindo sempre sua falta. Mas sabemos que no nosso Chope... menino não entra...rs

Como diz a canção: menina quando enjoa da boneca é sinal de que o amor já chegou no coração.
Nossos corações não se enjoam nunca da sede de amar e sermos amadas, estamos no eterno estágio de "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", portanto, nossa confraternização para despedir 2011, foi perfeita... Éramos a mesa mais alegre, enquanto o conjunto musical da casa tocava chorinho, nós sorríamos, talvez inconscientemente homenageando a nossa pioneira do choro e do carnaval, Chiquinha Gonzaga, que fez da sua vida um exemplo de mulher forte, sensível, inteligente, livre e maestra formada em tempo em que as "meninas" só ficavam de fogão ou de bordados.

Somos as novas "meninas", as do "croquete" , fino porém saboroso... Somos as amigas de tantos anos e partilhamos vitórias, dividimos experiências, projetamos sucessos, torcemos cada uma por todas e todas por uma.  Melhor chope não poderia ter sido. Foi um encontro muito bom, divertido, energético, intenso por nossa egrégora luminosa, fechamos o ano com aquela boa certeza de que "unidas" vencemos e derrubamos as pedras que porventura surgirem na nossa estrada, e que, em 2012, como a maioria do grupo é de jornalistas, daremos início aos ensaios do "Imprensa que eu gamo", lindonas e festeiras, como nos cabe ser.

Suspeita e orgulhosíssima de tê-las em minha vida, a cronista se descobre emocionada, agradecida e muito feliz com o nosso Chope no Antigamente....     

Cida Torneros, 14 de dezembro de 2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

Julio Iglesias ne me quitte pas - Francês (Video)

Julio Iglesias , Abraça me , Francês Video

JULIO IGLESIAS _TU Y YO

Amores trapaceiros

CRÔNICA/ SENTIMENTOS AMORES TRAPACEIROS
Maria Aparecida Torneros
A noite, em Copacabana, era momento de brinde, muito chope rolando, na Avenida Atlântica, um mesmo restaurante de tantos anos, o grupo de amigos festejando o final do ano, a cada tim-tim, repetíamos: ao Amor!! e assim foi, por horas, quando já, na madrugada, voltando pra casa, o som da palavra “amor” reverberava dentro de mim… Amor, quantas vezes teremos provado de suas trapaças, e, porque, num processo freudiano, tendemos a reprisar comportamentos que julgamos, sob o ponto de vista racional, que beiram a estupidez, ou se alicersam em jogadas trapaceiras?

Pois dormi pensando nisso. Acordei pensando nisso. Fiz um balanço oportuno, desses que costumamos nos dar o direito íntimo de fazer na época de Boas Festas, lembrei de amores de uma vida inteira, lembrei de amores de novela, amores de cinema, amores de literatura, amores trágicos, amores passionais, amores que justificaram crimes, amores que propiciaram poder, amores que se perderam, amantes que viveram comédias, que se enganaram mutuamente, amantes que se amaram a si mesmos, usando o outro apenas como espelhos para sua sede narcisista, amantes que se doaram e renunciaram para deixar que seus parceiros seguissem livres e pudessem tentar novos rumos em busca da tal felicidade.

Aí, uma canção melosa, antiga, bem latina, bem nostálgica, me veio na memória, dos tempos em que eu editava um jornal espanhol e o cantor Julio Iglesias estava no auge da sua carreira. Ele veio ao Brasil, no início dos anos 80, eu participei de uma entrevista coletiva sua, em São Paulo, o homem jogava charme em todas as direções, tinha um marketing perfeito para vender o tal amor trapaceiro.

A letra da música, que ele também gravou em português, ressurgiu em mim, como um troféu para “amantes” , os tais que são estúpidos, se deixam levar por impulsos, vão no olho do furacão, se embrenham no vendaval, atores em cena, buscando representar e voar enquanto a vida segue em meio a desencontros, afastamentos, saudades arrefecidas, vidas divididas, e, na maturidade, um dia, vem o final do ano, chegam os tais pensamentos que nos fazem sentir o quanto fomos ( e somos) estúpidos, em conceituar e viver certos amores trapaceiros. Um inconsciente sado-masoquista, quem sabe, proporcionado por um mundo imaginário, o lugar das “briguinhas” por amor, mas o tempo, impiedoso, ultrapassando o orgulho, a questão de sofrer por amor, como se isso fosse uma regra básica para que a felicidade nos inundasse, e, de repente, vemos que tudo poderia ter sido diferente.

“Se eu pudesse a vida mudar”, prega o cantante, como uma chicotada da saudade, numa atitude impensável, e ainda assim, tão trapaceira e marketeira, como se o lamento por tudo que se passou, essa maneira de julgar sentimentos como se eles fossem deveres legalizados, estivessem escritos não nas estrelas, mas no código civil, conferindo à loucura da paixão um lugar inconcebível, onde coubesse razão em lugar de impulso.

Não há como voltar atrás, os amores vividos, quase sempre tiveram sua dose de trapaça consentida, faz parte do jogo, é lícito e legal sentir ciúmes, provocar também, brigar e reconciliar, ter saudades e reencontrar-se com o amor, numa rodada de chope, ainda que seja num brinde que vira mantra… Repetir o tim-tim ao amor, permitir que ele se reverbere internamente, que sua meladeira contagiosa nos inunde de muitas saudades, muitas lembranças, espelhos do tempo estradeiro, coisas fortes entranhando memórias, espaços feridos de corações amadores, aprendizes de jogadas que deviam se transformar em golpes de mestre, mas que, no fundo, não passaram de “blefes”, ou melhor, podem ser classificadas como tentativas cujos acertos ou erros, não nos cabe juízo de valor, justamente agora, se não há como ” poder mudar a vida”.

Então, mais prudente, honesto, saudável, é olhar para a frente, seguir vivendo, amando, aprendendo a vencer novos amores trapaceiros, fingir que tudo será diferente, prometer-se uma isenção quase alienada, comprometer-se com a paz de uma alma amante da emoção, pronta para voar como gaivotas sobre mares imensos, disposta a enveredar pelas artimanhas dos grandes encontros, sem dispensar a malícia e o sabor passageiro dos pequenos arremedos do bendito amor…

Feliz final de ano para os amores, todos, os trapaceiros, principalmente, porque é deles o enredo que move a indústria cinematográfica, a produção literária, a poesia , a música, a pintura, a escultura, sua saga inunda o planeta, com arte e ilusão, passemos pois à contagem regressiva, vamos saudar o amor, eu e tu, como na velha canção melosa que a voz do cantante latino trouxe de volta ao meu “coração vagabundo”. Tim-tim!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

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Comentários

regina on 19 dezembro, 2010 at 14:56 #
…por que ainda não inventaram uma droga mais poderosa que o amor, brindemos a ele…
TIM… TIM…

Marco Lino on 19 dezembro, 2010 at 23:05 #
“Deus envia o Amor para que as pessoas sejam felizes”, escreveu Platão.
Se a sentença do grande mestre grego estiver correta, quantas e quantas vezes abdicamos de momentos de pura satisfação, prazer, alegria (y otras cositas más) por obedecermos cegamente a regras sociais estúpidas? Bem disse Freud que a tristeza do homem é diretamente proporcional ao seu grau de civilização. Quanto mais civilizado, mais triste!

Daí a importância de Marcuse. A civilização pode acontecer sem essa repressão toda. É preciso tirar a corda do pescoço do humano, folgar a corda para que vivamos uma vida mais digna e própria de um animal que evoluiu. Evoluiu?!

Leonardo Boff (o frei católico que os conservadores detestam) disse que quando o fenômeno (amor) acontece não se deve questionar se a pessoa é casada, divorciada, comprometida, livre, presa etc, etc, etc, mas viver o fenômeno. Que beleza, hein?

Não poderia deixar de citar o velho Marx: “A crítica arrancou as flores imaginárias que cobriam as cadeias humanas, não para que o homem utilizasse cadeias sem flores, mas para arrebentasse os grilhões e apanhasse a flor viva”. Vida sem cadeias para o amor brote (aqui, todo amor possível e imaginável)!

“Deixa nascer o amor, deixa fluir o amor, deixa…” continua implorando Beto Guedes. Aliás, é Guedes também quem canta que “o medo de amar é o medo de ser livre”, não?

Por fim, e para acalmar um pouco os cristãos mais ortodoxos, cito Pedro, o apóstolo: “melhor é obedecer a Deus” (que envia o Amor) “do que aos homens” (que criam as regras sociais)…

Beleza pura…

JULIO IGLESIAS _TU Y YO

Tu e Eu Julio Iglesias