Maracanã

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Roberto Carlos - Coisa Bonita

Detalhes

CRÔNICA
DETALHES
Maria Aparecida Torneros
Como profetizou o Rei Roberto, o tempo pode até transformar todo o amor em quase nada, mas um dia , muitos anos depois, você acorda e não é que lembra dele, por um detalhe, um movimento qualquer do dia-a-dia que faz com que sua lembrança volte, de repente, mesmo que o sentimento tenha se escafedido, o cara reaparece por uma frase que alguém disse, ressuscitado pela magia da memória que devolve o encanto por algum milésimo de segundo. E você se pergunta: onde ficou aquela criatura que me despertou a tal paixão avassaladora daqueles dias da minha mocidade?
Aliás, em tempos de tanto botox, tanta cirurgia plástica, tanta academia, haja “curves”, para conter o avanço da velhice sobre a juventude que se torna objeto de cultivo raro… por seu bom humor e inconsequencia, muito mais do que por sua contaminação de beleza, leveza, soltura de gestos, falta de dores musculares, ou coisa que o valha, pensemos, em contrição e com certa compaixão por nossa caminhada em mundo tão visual, onde parece até que ter peitos e coxas, bundas e faces, etc, etc, conservados em formol, daria a chave para abrir as portas do paraíso…
Como não se curvar diante daquele pequeno detalhe que alguém nos legou para florescer, exatamente, 20, 30, 40 anos depois, como se fora um feitiço virando contra o enfeitiçado? Aí, o som daquela voz antiga volta como num filme, o brilho de certo olhar insistente e pedinte ressurge das cinzas, o desenho de uma boca, de um nariz e até o contorno dos dedos dos pés podem oferecer registro póstumo para um amor que já morreu, uma daqueles transformado em “quase nada”, que, como diz a própria canção , o próprio “quase também é mais um detalhe…
Aí, melhor embarcar na sucessão de “quases”, deixar-se levar pela emoção revivida, anunciar ao velho coração que “tá tudo bem”, que pode se permitir reviver, rememorar, talvez o gosto de um velho beijo, quem sabe o calor de um abraço que virou nada, até a sensação da presença de alguém que a vida já levou para o outro lado, e a gargalhada, seu eco, sua marca, suas piadas, a luz da sua passagem em nossas vidas, pode ser de gente que está viva, nos deu momentos sublimes, e saiu por aí, casando e descasando, como todos nós, buscando pares novos para velhos desejos de sermos felizes…
E estar feliz é exatamente isso, é ter boas recordações, viver intensos encontros, continuar na luta em função de armazenar detalhes tão pequenos que um dia, ora, pode ser hoje e agora, nos tornam pessoas grandes, profundas, maduras, agradecidas por termos lembrancinhas de amores passados, pérolas de brilhos rejuvenescidos, tesouros interiores.
São tantass coisinhas miúdas, patrimônio nosso de cada dia, como o “pão nosso”, como o detalhe nosso, aquele que deixamos marcado em gente que nos ama ou já amou, nos recorda, e até nos reaparece numa manhã de terça-feira, como um presente que o correio deixou de entregar, levou anos na prateleira, e lá vem ele, exatamente no instante em que a gente descobre que estar vivo para reviver, é uma chance única, só nos resta agradecer…
Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher necessária

Read Mor

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Rod Stewart-I Wish You Love

No dia dos Amantes...algumas reflexões...‏

Era quase meio dia e a taxista jovem (cerca de 30 anos) veio me pegar. Eu tinha que ir à dentista, uma jovem senhora que por acaso é minha prima e que me cuida há décadas... A motorista foi puxando conversa, quando vi, ou melhor, quando ouvi, ela estava me contando que tem um segundo marido e um filhinho do primeiro casamento.

De repente, me confidenciou que o segundo é bem melhor que o primeiro, mas como todos os homens, tem defeitos...ela emendou, e declarou...- "fomos amantes, primeiro, ele era casado e eu também...resolvemos nos separar dos nossos ex e estamos morando juntos há um ano"...

Pensei e falei: então, estão em lua de mel ainda! Ela riu, enquanto me conduzia por um trânsito pachorrento digno de uma quinta-feira nublada que devia anunciar a primavera...mas se mostrou friorenta e pálida.

A linda e falante condutora considerou que na fase de "amantes", tudo parecia melhor, que ela julgava o atual companheiro antes, se mostrou como um ser independente.

-E agora? perguntei...sua resposta veio direta, firme, contundente e conclusiva...- "Agora, ele virou meu filho...Cuido dele!"

Chegamos ao destino, paguei a corrida, desejei-lhe felicidades, fui para a minha consulta, porém ficou guardada em mim a sensação incômoda de que o Amor dos Amantes pode ser bem mais uma idealização do que uma realidade... deixei pra lá e segui meu dia...

Agora, quando a noite começa a cair, descubro que hoje se comemora o dia dos Amantes...ri, sozinha, por não ter percebido antes o que talvez aquela moça já soubesse, e não me contou sobre a data, o que poderia justificar sobre a necessidade de contar sua tragetória de intimidade afetiva, sua busca por um amor de homem que não virasse mais um bebê dependente, como ela descreveu.

Claro, estou a rememorar os amores de amantes apaixonados, célebres, históricos, na literatura, na música, no cinema. Tento enquadrá-los na vida comum da gente que é assim, simples, direta, resolvida, que sai por aí à espera de encontrar o tal "love" da imaginação cultural, do sonho cinematográfico, da realização além da imaginação.

Vou desfiando histórias minhas próprias, em que sempre identifiquei um ponto de mutação, aquele pontinho nefasto, exatamente o instante em que se olha para o outro ser e se consegue ver que ele não é exatamente como se espera ou se deseja ou se idealiza que seja...

Lembrei que nessas horas, nós , as mulheres, temos bastante jogo de cintura, e nos defendemos, ou, mentindo pra nós mesmas e tentando mais um tempo, num processo de "vamos ver se ele melhora", ou de "quem sabe, ele amadurece e muda".

Identifiquei situações onde eles se fragilizam e se curvam, edipianamente, a uma condição fatal de meninos grandes buscando o colo das mães com quem podem dormir e dividir a cama, sem censura. Pensei que esse acordo tácito ou implícito é o mote constante de milhões de casais do mundo, que convivem ou conviveram driblando suas relações nos seus nevrálgicos altos e baixos, superando crises, num bate e volta, casa-separa, briga e reconcilia, que a muitos, faz bem, a outros, desgasta, e aos que refletem demais, se arriscam a "melar"  a relação...

Quando se pensa demais em coisas tão sentimentais,  é como temperar com sal e pimenta o que deveria ter sabor doce e delicado.

Quando se ama, deve-se  sentir, sentir e sentir... sei que isso não é uma lei, mas deveria...a cada reflexão racionalista e cartesiana, o amor balança nas considerações materialistas, o amor se espreme nas alucinadas instâncias do poder, o amor se perde nos conceitos de estatus social ou de nível de escolaridade, e os amantes se tornam pensantes.

Os grandes e melhores amantes podem parecer aqueles que transgridem, os que enlouquecem, os que põem a lucidez de lado e se jogam de corpos e almas no sentimento apaixonado e irrefreável.

Os amantes eternos morrem de vez em quando. Mas também renascem nos sonhos de muitos outros novos amantes.

Os felizes amantes não se importam com estigmas de se parecerem "filhos", bebês, de se chamarem por apelidos escolhidos na doidice que lhes permite sair do dia-a-dia e brincar de amar.

Apenas, refleti um pouquinho sobre o tal dia dos amantes, que pode ser o dia de pessoas que conservam o dom de oferecer o coração a quem lhes dá em troca, tanto faz, pode ser o coração também, além do corpo...ora, se pode!   

Cida Torneros

Ney Matogrosso - Não Existe Pecado ao Sul do Equador

terça-feira, 20 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ANJO - ROUPA NOVA

Como homenagem ao Dia Internacional dos Jornalistas 8 de setembro

Como homenagem ao dia internacional dos Jornalistas...Força pra nossa legião de catadores da informação, disseminadores da verdade, observadores do dia-a-dia, admiradores da esperança e unidos do "furo de reportagem", beijos mil às meninas e meninas que correm atrás da notícia no mundo inteiro!!!



Pensar a profissão nas guerras diárias



Por Maria Aparecida Torneros em 30/01/2006 na edição 366



São mais de três décadas nessa vida de se encontrar, diariamente, com o fato, por ser jornalista. Comecei em redações de jornais e revistas, e enveredei pelas assessorias de imprensa de órgãos onde se concentram notícias do dia-a-dia. Em cada um deles, esteja de que lado estiver, me informando ou passando informação, sinto-me sempre personagem do imprevisível.


Não há um dia de jornalista em que tudo esteja certinho, planejado e possa ser cumprido como uma agenda perfeita. Basta refletir sobre ontem, um dia comum de trabalho, uma sexta-feira em que, mais uma vez, fui ao campo de batalha, e não me feri fisicamente (sorte minha), mas minha emoção, repetidamente, se arranhou de brasilidade frustrada.


Miséria que salta

Mala pronta para passar o fim de semana em Búzios, na casa de amigos, saí na sexta em busca do pretenso dia calmo. Pretendia passar na repartição, atualizar trabalho rotineiro, sair mais cedo e ganhar a estrada rumo à paz e ao mar azul. Trabalho na assessoria de imprensa da empresa que cuida de rios e lagoas no Rio de Janeiro.

Enquanto vou, vestida de um branco impecável, meu chefe liga e me chama: "Vem pra cá, na favela de Vigário Geral, já estamos começando a dragagem com a polícia pra ver se achamos os corpos dos rapazes". Oito jovens estão desaparecidos na comunidade desde dezembro, na guerra do tráfico.

Mudo o trajeto do táxi, vou encontrar com o motorista do trabalho na Avenida Brasil. Troco de carro, vamos à luta. Maleta guardada, minha nossa, estou de sandália, e chego ao matagal, por onde tenho que adentrar, via terreno da Marinha, em Parada de Lucas. Ali, troco de novo de carro, uma caminhonete capaz de vencer o terreno impróprio, rota de fuga de bandidos, um campo imenso do outro lado da margem do rio, bem em frente à violenta e paupérrima aglomeração de casinholas de tijolos aparentes, onde vou assistindo à miséria que salta, nos espiando.






Chiqueiro de porcos


Há um pedaço maior a vencer em que o carro não passa. Sigo a pé, cuidado com as cobras e os formigueiros, vou adensando o passo, amassando capins, folhas, me esquivando dos galhos altos, que me batem no rosto, vou ficando suja, o branco da roupa coalhado de pontos pretos, os pés desprotegidos se safando dos percalços, e encontro o chefe, os policiais, os militares da união, a draga, muitas armas pesadas (há o perigo de sermos alvo repentino de uma rajada vinda do outro lado do rio, porque a guerra do tráfico ali é uma das mais violentas do Rio de Janeiro, atualmente).


Sou a única mulher naquele momento, do lado de cá. Os repórteres que vieram estiveram ali cedo, antes de a draga chegar, e se foram para as redações, com imagens e palavras a serem reproduzidos, ainda começo de operação.


Embrenho-me, ouço e respondo a um bando de meninos do outro lado, não há um só com camisa, todos descamisados e descalços, gritando sobre as mortes, que devem ser parte do seu dia-a-dia, aceno sem saber por que, internamente, sentindo-me tão impotente diante do seu futuro. Meu chefe comenta: "Tanto menino se oportunidade, o que vai ser dessa gente?"


O sol está forte, a tarde avança, o trabalho da draga é insano. O lodo é fedorento, o chiqueiro de porcos do outro lado, dizem, é reduto de carne humana esfacelada, comida dos suínos, lenda ou realidade falada por todos, como se fosse uma coisa normal. Ponto de desova, sujeira encruada, miséria humana a olhos vistos, uma população concentrada, duas comunidades em guerra constante, se odiando em função de apoio de facções criminosas conflitantes.






O vôo e o crime


De repente, tiros. Os policiais correm, se posicionam, há um jipe da Marinha com dois soldados (o único veículo que chegou até a beira onde a draga se posicionou), me mandam entrar no jipe e me proteger. Tudo se acalma, foi só um susto, pego carona no jipe. Os galhos entram pela janela-porta, sem vidro, e me roçam, eu me esquivo, brinco com os rapazes, soldados da Marinha, que parece que estamos no Vietnã dos anos 70, eles são tão jovens, sorriem, mas sei que não entendem muito bem minha alusão.

Não satisfeita, falo em guerra civil do Líbano, olhando a comunidade do outro lado, sua sede de vingança local, problemas tão distanciados da vida legal do país, imagina, nem sabem direito como são as leis que os protegem, quem os protege são os chefes das quadrilhas, seus ídolos, seus comandantes de guetos girando dinheiro e sobrevivência em torno do comércio das drogas. Uma repórter de rádio me liga para saber das novidades, brinco com ela que estou literalmente num mato sem cachorros.

Por sobre as nossas cabeças, aeronaves imensas, na rota comum, se preparam a todo instante para o pouso no Tom Jobim, aquele mesmo que cantou as belezas do Rio. Sei que todos os dias essa gente deve olhar para cima, provavelmente imaginando como será lá dentro de um avião bonito daqueles, tão perto das suas vidas, poucos metros acima, e tão distante da sua realidade, em que cada vôo para o amanhã pode representar a fuga da polícia, o envolvimento com o crime.






Brasil desconexo


Saio do front, vou telefonar e passar informações. Até agora, nada de corpos, os trabalhos vão ser interrompidos, ameaça de chuva forte no Rio, no cair da tarde. Estou cansada, suja, ou melhor, imunda, tenho sede e fome, ali não há nada nem para comer ou beber. O chefe volta, encontramos o motorista, vamos escapar do lugar, mas o caminho não é o de casa ou a cidade da Região dos Lagos que sonhei. Vamos para a Barra da Tijuca, temos problemas com a ecobarreira das gigogas – outra guerra que passamos a enfrentar, tal a quantidade de esgoto e lixo na lagoa, e o risco diário de que elas invadam as praias no verão carioca.


A chuva chega. Atravessamos a cidade, no caos, começa a reunião com os engenheiros e técnicos no posto de recolhimento das gigogas. Lá pelas sete da noite, uma alma caridosa providencia sanduíches e guaraná.


Também nesse grupo sou a única representante do sexo que chamam de frágil. Ligo a televisão portátil no carro, no meio do toró, no estacionamento local. Preciso ver as notícias. A noite caiu. Meu estado de abandono físico reflete o compromisso com a informação. Ainda atendo aos retardatários que me perguntam dos fatos, adianto os do dia seguinte. As providências que serão tomadas. Falo da agenda do chefe, a do sábado. Sábado? Minha amiga liga de Búzios: "Você tá chegando?" Só consigo ultrapassar a porta do apartamento lá pelas 10 e meia da noite, depois de vencer, com o motorista, um engarrafamento-monstro, efeito do temporal.

Hora de tomar banho e fazer um lanche. Hora de refletir sobre a escolha profissional. Mas esta eu já fiz, há mais de 30 anos. Num dia em que li a reportagem-depoimento da italiana Oriana Falacci sobre a revolução no México que ela estava cobrindo e onde se acidentou. Previ que também testemunharia muitas guerras no dia-a-dia de um Brasil tão desconexo entre sonho e realidade. Minha sexta-feira foi apenas mais uma dessas batalhas. Agora, já virou notícia velha. Preciso sair em campo e colher novas informações.





terça-feira, 23 de agosto de 2011

MARIA BETHANIA - RECONVEXO

Tony Bennett - The Shadow of Your Smile (1966) いそしぎ

O século da mulher

O século da mulher

  • Terça-feira, 23 Agosto 2011 / 9:37

O século da mulher

                                                             Nizan Guanaes*
       Na noite do dia 13 de setembro, em Nova York, Tina Brown, uma das maiores jornalistas dos Estados Unidos, lança sua Women in the World Foundation. A Fundação Mulheres no Mundo visa mobilizar o mundo em torno dos problemas das mulheres e mobilizar as mulheres em torno dos problemas do mundo.
O que não falta no mundo de hoje são problemas enormes, e em muitos deles a mulher é o caminho mais curto e eficiente para resolvê-los. Como resolver o problema das drogas, da obesidade infantil, da Aids ou da gravidez precoce sem engajar a mulher?
Como expandir o microcrédito ou cobrar a melhora da qualidade de ensino sem o apoio da mãe de família? Como controlar a natalidade, questão fundamental num mundo sufocado, sem envolver a mulher? Dos dez maiores problemas da atualidade, na maioria deles a mulher é a solução. É a mulher quem organiza o lar, a família. Promover o desenvolvimento educacional e social da mulher é injetar desenvolvimento e prosperidade na veia.
Como filho, como marido, como padrasto e como amigo de grandes mulheres, abraço essa causa com absoluta convicção. O desenvolvimento das mulheres no mundo inteiro é o caminho mais rápido para o desenvolvimento do mundo. E a situação da mulher no mundo ainda é de absoluto desrespeito. Tratadas como bichos e escravas, trancadas em quartos e debaixo de burcas, exploradas sexual e economicamente, humilhadas e reduzidas, as mulheres no mundo estão longe das esplendorosas e emancipadas mulheres do cinema, das novelas ou das revistas de moda.
Flagro-me, às vezes, em piadas sexistas que são fruto de 53 anos e da sociedade onde nasci e cresci. E aquele pequeno Carlos Imperial que há dentro da minha idade só não se desenvolve porque, ao primeiro ato falho, ele apanha da Donata. É munido dessa consciência, desse mea-culpa, e dessa imensa fé no potencial transformador da mulher que me engajo na Women in the World Foundation.
Minha mãe, hoje com mais de 80 anos, se formou em engenharia civil em 1957, na Bahia. Foi uma visionária. E seus olhos visionários se tornaram meus.
Mesmo tendo ela nascido no Pelourinho, esses olhos sempre foram globais… E me ensinaram a não ter medo do mundo. Militante de esquerda, minha mãe me ensinou a compreender mais amplamente a história longe do sistema de castas da sociedade aristocrática da Bahia do meu tempo. Ela foi a primeira pessoa a me falar sobre o futuro da China (isso na década de 1970) ou sobre o Peter Drucker, o guru da gestão.
Hoje, ela enfrenta a grande noite do Alzheimer. Mas, se ela já esqueceu de tudo o que ela foi, nunca esquecerei o que ela representa. E, através de mim e de meus filhos, ela deixa sua marca no tempo. Sou eu quem escreve este texto, mas a caligrafia é dela. É por isso que acredito que, cuidando de cada mulher, escrevemos e reescrevemos milhões e milhões de histórias. Mas, para fazermos isso, é preciso mudar o padrão mental de nossa sociedade.
Independentemente da política partidária (virei ateu nessa área), o Brasil já deu um grande passo na política de gêneros ao eleger uma mulher presidente.
E acertarão a publicidade e as marcas que tiverem um entendimento claro da mulher, de seu novo papel e de seu imenso potencial. Dona Maria, a Malu Mulher da base da pirâmide, não quer só os produtos da cesta básica. Dona Maria quer beijar, quer ser jovem, quer unha bonita e o cabelo da Gisele.
E a filha da dona Maria quer falar inglês, trabalhar na Vale ou na Petrobras, ser transferida para uma subsidiária da companhia no exterior e trabalhar num projeto social da empresa para que outros filhos de dona Maria tenham a mesma chance que ela. Entender os anseios da cidadã, da mulher, da mãe, são desafios dos homens públicos, dos empresários, dos homens de marketing e de todos nós, homens em geral.
Tenho certeza absoluta de que, se algo pode mudar radicalmente o mundo e transformá-lo em um lugar mais justo e melhor de viver, esse algo é a mulher.
*Nizan Guanaes é publicitário e escreve na ‘Folha’.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

sábado, 13 de agosto de 2011

Juíza Patrícia Acioli: marcada para morrer ou vestida para matar?



Juíza Patrícia Acioli: marcada para morrer ou vestida para matar?

O chocante assassinato da Juíza Patrícia Acioli, em Niterói, esta semana, crivada de balas, ao chegar sozinha em sua casa, é prova cabal do quanto uma sociedade pode estar refém dos "fora da lei", e até que ponto pode chegar o desafio de retormar os rumos para se acabar com a impunidade que permeia uma rede de malfeitores, corruptos e corruptores, dentro e fora dos poderes constituídos, numa complascência que se sente incomodata quando alguém apenas é sensato, cumpre seu dever e aplica a lei, como a juíza morta tinha fama de ser linha dura para com o crime organizado. Ela estava vestida com a toga que pretende "matar" as chances recorrentes dos criminosos oficiais ou oficiosos, daqueles que se gabam por aí, de não temer a justiça, a tal justiça que pode "até" se corromper, nalgum ponto frágil, possibilitando o exercício covarde de ataques mortais e odientos executados por encapuzados.

A ficção nos inunda sempre com histórias novelescas ou cinematográficas onde mulheres são vítimas ou mentoras de violência. Lembro de um filme, dos anos 80, intitulado Vestida para Matar ( Dressed to Kill) , do diretor Brian de Palma, com Michel Cainea e Angie Dickisnson, fortemente influenciado pela obra de  Alfred Hitchcock. Nele, uma
mulher vive um tórrido caso extraconjugal com um estranho e é morta a navalhadas por psicopata, ao deixar o amante. Com a ajuda de uma única testemunha, o filho da vítima tenta descobrir quem a assassinou.

A novela das nove traz a figura da Norma, atualmente em evidência, criatura que age dubiamente no tocante a ser conivente com a transgressão da lei ou se fazer de vítima da realidade que é ter cumprido pena sem ter sido culpada dos crimes que um tal personagem chamado Leonardo cometeu e lhe jogou nas costas. Nas voltas da vida que a novela  oferece aos telespectadores, a moça antes ingênua, torna-se ardilosa, talvez seja até mesmo a cúmplice perfeita para o criminoso frio de quem ela deseja se vingar, à primeira vista.

Mulheres vestidas para matar, mulheres marcadas para morrer, mulheres corajosas ao exercer seus direitos e deveres, mulheres que se escondem sob véus de hipocrisia, mulheres guerreiras para enfrentar discriminação , mulheres amedrontadas para decidir seu futuro, há uma plêiade de grande variedade entre nós, no tal mundo moderno, desde quando saímos às ruas, fomos para as universidades, fizemos concursos, ascendemos a postos de comando e decisão, assumindo responsabilidades e seus consequentes riscos.

Um artigo que li, já há algum tempo, assinado por Clóvis César Lanaro, diz o seguinte:

"Quando a sociedade é complacente com a violência, ou é culpada ou perdeu a esperança.
Quando a violência chega ao ponto de não fazer escolhas de ataque, quer chamar a atenção para algo mais profundo. E mais profundo do que a perda de uma vida.
E a que a violência quer chamar a atenção? Além de mostrar poder, a violência indiretamente mostra a hipocrisia da sociedade."


No caso da morte da Juíza Patrícia Acioli, de cuja vida pessoal sabemos muito pouco, apenas que tinha 47 anos, deixou três filhos e há apenas uma foto dela com semblante calmo e risonho, tirada talvez em algum momento em que seu coração se sentia pleno de vida bem vivida, vida normal, vida  conquistada com trabalho, com obrigações, com consciência tranquila do dever cumprido, mas, ela estava marcada para morrer, na lista dos magistrados que o crime organizado decide eliminar porque, naturalmente, devem representar impecilho para seus objetivos excusos, sua sede de ganhos atravessados, etc. etc.

O crime que vitimou Patrícia Acioli foi o primeiro registrado no Estado do Rio contra um magistrado em 260 anos. Alvejaram uma mulher, que foi assassinada exatamente assim,  assassinada assim, à queima-roupa, manchando de sangue a história da magistratura brasileira.


Não sei como ela estaria vestida na hora em que sucumbiu aos seus carrascos, mas imagino que estivesse bem trajada, talvez tivesse deixado a toga no tribunal, mas , com certeza, vestia o modelo ideal para fazer justiça com as armas que a Lei oferece à Sociedade, fazendo cumprir a tal Lei Soberana, Patrícia estava "vestida para viver",  e embora tenha sido atingida, sabemos que nós honraremos sua memória, clamando punição para seus algozes, seriedade para as investigações, exclusão para os que compactuam com o crime nas lides judiciárias e policiais, e, sobretudo, um fim para a  hipocrisia da nossa sociedade.


Patrícia, sua luta continua, porque é a luta de uma população que tem sensibilidade suficiente e é maioria. Os que a marcaram para morrer, podem até se julgar impunes e poderosos, mas são minoria e merecem que a justiça lhes sentencie cadeia!  
Cida Torneros

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Perhaps Love - Traduçao em Portugues

Se o Amor se vai...

Quem pensa que já agarrou o Amor com unhas e dentes, tá ferrado...porque o Amor é como os pássaros, o Amor pousa e voa...ele se vai...como dizem os budistas, que pregam sobre a impermanência das coisas, até dos sentimentos, lembrando que nada fica pra sempre, que é preciso praticar o desapego, nisso também falam os espiritualistas sobre a necessidade até de desprender-se do corpo físico para permitir que a alma busque nos umbrais... quem acha que Amor é posse, tá ferrado...Amor é empréstimo, nem sei bem definir isso, talvez seja só uma doação sem resgate, não há exigência de pagamentos ou juros, paga-se como se pode, como se quer, como se sente...depende da intensidade do sentido, talvez a eternidade do Amor, como pregou Cristo, seja o sonho maior e mais profundo de toda a humanidade, aquele pedaço de emoção que supera a razão e a doçura de imaginar um mundo além, onde todos os que amamos poderemos reencontrar  pra sempre... sonhar faz parte e é preciso...se o Amor se vai, ele faz falta, evidentemente, o Amor dos nossos pais, dos nossos irmãos, amigos, familiares, companheiros de vida em comum, maridos, esposas, namorados, apaixonados, quantos amores vamos vivendo sem muita consciência do seu prazo de validade e quantas vezes metemos os pés pelas mãos sem valorizá-los na época certa... cruzar com gente que lamenta amores perdidos é o que mais nos espera em cada esquina desta vida... mas, por que não identificamos que faz sentido é viver intensamente todo e qualquer Amor, em cada momento em que ele se apresenta... pode ser um sorriso, um olhar, um prato de sopa quentinha, um copo de vinho, um passeio pela orla da praia, pode ser que se divida um bom e carinhoso email, ou a leitura de um sensível poema, a atenção com uma canção emocionante, há tantas múltiplas maneiras de se vivenciar as manifestações inesperadas do Amor...
Há que viver tudo com a delicadeza de quem respeita a brevidade da vida, de quem se mantem alerta para aproveitar o Amor antes que ele vá... se o Amor se vai, melhor é que ele deixe saudades, mas nos tenha preenchido com a beleza dos grandes encontros...
Cida Torneros  

Roberto Carlos, música " Se o amor se vai. 1989 - Rede Globo

terça-feira, 26 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tereza Salgueiro "Voltarei à minha Terra (Meditando)" - M A T R I Z - co...

Amigos e amigas, um "viva" a Portugal!

Amigos e amigas, um "viva" a Portugal!







Na vida, de todos nós, tão misteriosa, curta e cheia de mudanças de rumo, há lugares que nos surpreendem por serem tão familiares, mesmo que ali nunca se tenha vivido, verdadeiramente, mas que, através da história, da ancestralidade e da mídia, literatura, cinema, esses tais pedacinhos de terra, nos puxassem com suas manhas, traços culturais, canções, paixões e até seus próprios medos.






Em mim, acredito que isto se passe a quase todos, determinadas cidades ou países , por onde tenho passado, marcam até por seus cheiros, luzes da manhã ou da noite e incluo nestes sentidos peculiares e delicados até mesmo euforias populares e nostalgias que percebo em olhares de gente que nem conheço, cujo nome nunca vou saber, mas que me passam suas sensibilidades, ainda que por segundos, quando nos cruzamos nas ruas indefinidas de um mundo tão multifacetado e tão globalizado, como querem os economistas do poder.






E poder implica em manipular, manobrar, interferir na história dos povos e nas trajetórias individuais.






Estive em Portugal, em carne e osso, duas vezes, por enquanto. Estive e tenho estado em Portugal, em alma e coração, milhões de vezes.






Trago no sangue a herança do meu avô português, Antonio Pinto da Silva, pai do meu pai, com quem convivi até meus nove anos, quando o perdi para um ataque de coração, ele tinha 65 anos, era um poeta nato, um bon vivant, um viajante, um ser de fé, homem de brio, me passou alegria e força, gostava de me ouvir contar sobre a vida dos índios brasileiros, tudo que eu, na fala atropelada da minha infância, lhe repetia, misturando termos que lhe faziam rir, que a professora me ensinava. Entre "tacapes", "ocas", "curumins", "pajés", além de muitos outros, tais palavrinhas eram um intercâmbio cultural nas tardes dos anos 60, entre um velho avô luzitano e a primeira neta, espevitada, falante, sedenta de contar e descrever algo que fosse novo para aquele homem que veio de Portugal e no Brasil plantou uma bela família.






Claro que havia troca intensa, eu aprendia com ele muitas coisas sobre Portugal e nem me dava conta disso. O seu falar carregado, os discursos na Igreja, sua atividade diária de trabalho constante, as idas aos bailes de carnaval, as festas que organizava na rua em que morávamos, os almoços que oferecia aos padres, e estes, como gostavam de tomar vinho, eu me espantava.






Menina e observadora, via com memória fotográfica se sucederem os Natais onde ele se sentava na cabeceira da grande mesa e sorria ao ver os 8 filhos reunidos, os netos, noras e genros, o movimento dos talheres, os brindes das taças, as falas simultâneas, e pelas janelas da grande sala da casa que ele construiu no subúrbio carioca, via-se o jardim que minha avó espanhola, Carmen, cuidava, as rosas, jasmins, o lago com peixinhos e até uma figueira e uma videira, mesclando-se ao sabor da saudosa terra além do Atlântico, onde, certamente, frutos e flores lhe traziam o gosto dividido da imigração e da aventura.






Pois só fui conhecer Portugal, quer dizer, pisar em seu solo bendito, já beirando os meus 60 anos. Entretanto, eu me revia ali, já o conhecia na verdade, e apenas me sentia voltando à terrinha com ganas de passear por cidades e me fartar dos seus quitudes. Isto foi em 2009, lá fiquei por duas semanas, seguindo depois para Espanha e França.






No mês passado, dois anos depois, voltei a Portugal, por apenas 5 dias, com minha amiga Katia, depois de passarmos quase tres semanas conhecendo Italia e revivendo Paris, desembarcamos em Lisboa, que ela também já conhecia, mas no fundo, antes de voltarmos ao Brasil, era mesmo naquele lugarzinho especial que precisávamos fechar com chave mestra a nossa ida à Europa.






No coração, a tal sensação misteriosa. Senti-me outravez em casa. Agora, vô Antonio tem um bisneto, o João Luis, que fez o inverso dele e mora, há quase um ano, com esposa e filha, em Massamã, próximo de Lisboa. Fomos visitar meus primos, que estão amando viver em Portugal. No curto período em que lá fiquei, desta vez, acompanhei a eleição do novo primeiro ministro e me envolvi com as faces preocupadas da população portuguesa frente à tal crise econômica que assola a Europa.






Nos últimos dias, as notícias sobre a situação financeira de Portugal, deixam-me triste, preocupada, mas sobretudo, enfastiada, porque o país está sendo injustiçado pelas agências de risco...todos sabemos que a crise paira e tem um quê de fabricação intencional nela...como sempre... nosso amado Portugal não merece ser classificado como "lixo" uma vez que há muitos "coelhos" nesse mato econômico... interesses diversos e transversos, muita intriga e manobra que não leva em consideração a sobrevivência humana dos povos, mas o lucro que o Deus chamado "Capital" globalizado obtem ou quer obter à custa do sacrifício das pessoas que são formiguinhas diante de gigantes insensatos e gananciosos, eu diria até desumanos, inconsequentes e virulentos.






Sabemos que há crise em muitos lugares do mundo, na própria Europa, Irlanda e Grécia, não saem do noticiário, o desemprego leva a juventude assustada às ruas, ao protesto, a desestabilização é péssima para muitos e deve ser ótima para alguns poucos, neste tal universo capitalista, selvagem, ao qual nos acostumamos em doses de contaminação eufórica, via shoppings anestesiantes, taxas e impostos escorchantes, injustas colocações em listas e listas de países que oscilam em suas economias, ao bel prazer de irresponsabilidade dos que só vêem cifras à sua frente.






Os que não conseguem sentir a alma dos povos, os que não percebem as dores das guerras, os que não se inquietam com a fome das gentes, os que não respeitam a história das nações, os que não têm a chance de se emocionar com a essência humana, a estes lhes cabe ( ou resta) trabalhar em agências de risco, em mercados flutuantes, em jogos de impacto, em manipulação da vida alheia, pensando talvez, racionalmente, que seriam os novos Santos do Deus Capital. Pena que suas emoções estejam tão adormecidas. E vamos dar um Viva a Portugal, para que a santa Terrinha supere a história, e se reorganize, porque é seu direito, a partir de uma reciclada geral, para o bem do seu povo, da gente que lhe quer bem e para que dê exemplo ao mundo, como precursor que é, da globalização, quando seus navegantes sairam pelo mundo e conquistaram a Terra, a mesma que hoje quer dar as costas, sem lembrar que há na alma portuguesa, uma sede que ultrapassa mares, uma fome de vencer que vai muito "além da Trapobana", por mares nunca dantes navegados", como cantou Camões.
Aparecida Torneros

terça-feira, 5 de julho de 2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Venecia sin tí - Charles Aznavour

She Charles Aznavour (subtítulos en español)

Rodízio de amigas (crônica escrita em 2006, publicada no livro A mulher necessária)

Rodízio de amigas


Fui saindo em disparada, atrasada para o cineminha de começo de noite de domingo, e ao despedir do marido da amiga em cuja casa passei o fim de semana, no Leblon, ele me saiu com essa... rodízio de amigas.....eu sorri, assimilei, e corri para encontrar com a outra companheira que já tinha as entradas compradas, para assistirmos juntas ao "Memórias de uma gueixa".



No caminho, enquanto pedia ao taxista para acelerar no trânsito, eu pensei na tarde quase toda, onde nosso grupo, de cinco amigas, estivemos sentadas no quiosque da praia, bebericando água de coco, passando protetor solar, entre conversas que giraram desde política partidária até cirurgias rejuvenescedoras.


O papo reconfortante, com a leveza própria das mulheres de estágio de vida conquistada, combinando a fuga do carnaval carioca, do grupo, umas irão para Buenos Aires, outras para o Chile, e outra ficará para brincar mais uma vez a folia na cidade. Aliás, que cidade linda, no domingo, ontem, com aquele sol de rachar o cérebro, e aquele mar azul, verde, entremeado de brilho, fulgurando nossos biquinis floridos entre risadas e constatações.

Esticamos no Bracarense, com direito a chope claro e escuro, e a delícia de camarão, que saltitava ao paladar como um prenúncio do almoço, logo em seguida, na casa da amiga Tê, aquela capaz de oferecer aconchego com sorriso próprio da vida vivida transbordante.


Fui chegando ao cine para ver a Gueixa, rever internamente uma reportagem que escrevi nos anos 70, quando , em Tóquio, entrevistei uma gueixa de 54 anos, que me revelou sua vida e segredos ( alguns) desde que se tornara gueixa aos 13 anos, estudando na tal escola delas, exatamente como assisti em seguida, na história que o cinema me proporcionou.


No trecho que antecedeu o início da sessão, pude pensar mais uns minutos sobre a nomeação do marido da amiga a respeito do meu ir-e-vir com tantas amigas que me circundam, cobram presença, me telefonam, me buscam, me enternecem, me preocupam, me solicitam, me acodem, me ouvem os lamentos, me dão alegria , me complementam, me esperam nos cinemas, nas equinas, nos restaurantes, nos telefones, nas casas, para almoços, jantares, festas, dançam comigo nos salões dos clubes, riem comigo nas areias das praias, caminham comigo nos calçadões cariocas, me pegam de carro nos teatros paulistas, me acompanham na noite dos bares boêmios, cantam pra mim, nas casas noturnas da Lapa, declamam pra mim nos dias sombrios, me injetam vida nas veias, a cada alvorecer, me dão a saudade necessária pra valorizar suas presenças, e ainda, me fazem sentir a companhia sensata e lógica em dias de domingo.


São muitas, eu é que agradeço, são variadas, de gênio, perfil, gostos e comportamentos, mas são tão necessárias, são tão presentes, tão importantes, que somam os longos esclarecimentos telefônicos que revelam mistérios pertinentes ao mundo feminino e particular. Há ocasiões em que é preciso estar mais atenta aos seus apelos, críticas, lamentos e cobranças, na tentativa pertinente de não se deixar perder seu encanto nos caminhos. Quando isso acontece, é preciso permitir que se vão ao encontro de novas impressões de viagem. E não há o que lamentar, só há o que agradecer, como num diário de bordo. Registrando tudo, a paz do caminho com elas ao lado, essa sede de viver, compartilhando felicidade, falando do mundo que é de cada uma e é de nós todas, num segundo só.



O marido da amiga tem toda razão, é com num rodízio, mas não se pode abrir mão de nenhuma delas. E se vou degustando a alegria da companhia, vou também crescendo interiormente, por ser assim, capaz de absorver querências variadas, desfrutar carinho tanto, agradecer atenção ofertada em doses múltiplas e ainda, de bandeja, assistir ao Aznavour cantando SHE... que, se eu pudesse, dedicava a cada "ELA", que me acompanha e preza.



Vi o filme da Gueixa como se fosse um sonho de amor. She (Ela), personagem-título, contando sua vida, me fez reviver o conselho daquela que entrevistei, há tanto tempo:

- Seja como nós, ofereça dons, entretenha, cante, encante, anime, proporcione ilusões, fantasias...


Cada amiga, do rodízio, tem qualquer coisa de gueixa, cada uma delas me faz sentir assim, com vontade de dedicar-lhes uma crônica com fundo musical e agradecer por sua presença em minha vida.

Aparecida Torneros


Jornalista - Rio de Janeiro