Maracanã

Maracanã

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

o tempo, a musica...






Salvador, axé, astral, transe e trânsito!!!








"Macacos me mordam", que desçam dos coqueiros para me sacudir as entranhas, nem estranhe, baiano povo, que esta carioca por aí passou umas 48 horas meio em transe, entre alegria, emoção e trânsito, quanto engarrafamento peguei, ou melhor, me pegou o borburinho de uma cidade crescida em demasia,repentinamente, nem sei de onde surgiram e ainda surgem tantos espigões, ó pai, ó!

Sem pestanejar, lá estava eu chegando na noite de uma sexta feira calorenta, na companhia da amiga Antonieta, que saiu direto da sessão de hemodiálise para o aeroporto, recuperando-se de um processo brabo de doença renal, ela me disse: preciso ir ao Bonfim, pedir e agradecer, e lá fomos, sim no domingo manhãzinha, para nos emocionarmos mais uma vez com a fé da gente da Bahia.

Bahia é mesmo assim, uma mistura intrigante, o progresso dos prédios varando o céu azul e o verde do mar de encantamento a nos convidar ao descanso de um olhar sobre o horizonte para nos perdermos em algum sonho de Brasil histórico, pedaço de raízes africanas, gosto de comida típica, cheiro de pescoço abraçado em noite de lua cheia.

Ali, no hotel em frente ao centro de Convenções, mais uma vez, convenci-me do dito e feito que é a vida pulsando em corações e mentes, fui ao encontro da festa de família, o primeiro aniversário da baianinha Ana Beatriz, uma "bolachinha" filha da prima carioca Luciana com o primo baiano Saulo. Alegria, afeto, carinho, amizade e doces momentos, com direito a muitos docinhos e flores no jardim de Bia, o astral das avós, das bisavós, dos primos, tios, gente que soma no amor e na esperança para fazer da vida da gente, um hino de louvor ao próprio amor à vida.

Sábado cedo, ida ao Mercado Modelo, comprinhas especiais, pose com gorro de rastafari, brincadeiras com os vendedores de bugingangas, destas, um peixe molengo, em madeira, ganhei da Nieta e cá está o bendito representante do artesanato baiano a enfeitar minha sala carioca, olho-o como quem olha a saga do pescador contado por Amado ou cantado por Caymmi. Trago nas imagens presas na memória recente, o vôo sobre as praias de Salvador, momento de retirada, fim de tarde, volta ao Rio, saudade antecipada, promessa de volta breve, gosto daquele surubim do jantar de sexta somado à água na boca pela recordação do acarajé da Regina, no Rio Vermelho, pelo meio dia, vendo os adesivos que a quituteira pregou na sua barraca, apoiando a Dilma 13, sem pejo e sem censura!

Deixar pra trás a Bahia é impossível, não dá, ir lá é ficar um pouco sempre, devo ter deixado um sorriso e uma lágrima, acho que perdi alguma parte da alma, sinto que meu passo ficou preso nalgum chão da orla, e nem posso especificar o arrepio que o vento da praia de Amaralina me provocou pra sempre...

Fui e voltei correndo. Sinto-me deslocada na dimensão possível como dizem os zem budistas, desloquei-me em divisão, alma e corpo, permaneço dividida, aqui estou no Rio, ali me encontro, no trânsito incrivelmente denso, observando a carreata espraiada, a procissão de veículos inflacionando a velha Salvador com um mundo que não lhe devia pertencer, pois sua fama de dengosa e lenta não o permitiria, se não fosse a economia, o progresso, o  mundo girando sobre os calcanhares industriais de um modelo capitalista absurdamente impiedoso. Entretanto, viva a Bahia que a despeito do mundo moderno e antenado, mantem vibrante seu ax'e,  viva a Bahia do Pelourinho antigo e do Bonfim protetor  dos  que trazem no coração o sentido da amorosa presença da fé! Viva a Bahia que me deixa assim, em transe!

Cida Torneros           

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nana Caymmi - Você já foi a bahia?

vc ja foi a Bahia?

Você Já Foi a Bahia?



Dorival Caymmi


Você já foi à Bahia, nêga?


Não?


Então vá!


Quem vai ao "Bonfim", minha nêga,


Nunca mais quer voltar.


Muita sorte teve,


Muita sorte tem,


Muita sorte terá


Você já foi à Bahia, nêga?


Não?


Então vá!


Lá tem vatapá


Então vá!


Lá tem caruru,


Então vá!


Lá tem munguzá,


Então vá!


Se "quiser sambar"


Então vá!






Nas sacadas dos sobrados


Da velha São Salvador


Há lembranças de donzelas,


Do tempo do Imperador.


Tudo, tudo na Bahia


Faz a gente querer bem


A Bahia tem um jeito,


Que nenhuma terra tem!






Lá tem vatapá,


Então vá!


Lá tem caruru,


Então vá!


Lá tem munguzá,


Então vá!


Se "quiser sambar"


Então vá! (3x)






Então vá...!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Suave veneno - Nana Caymmi

Suave Veneno


Suave Veneno Nana Caymmi

Vivo encantado de amor

Inebriado em você

Suave veneno que pode curar

Ou matar sem querer por querer

Essa paixão tão intensa

Também é meio doença

Sinto no ar que respiro

Os suspiros de amor com você

Suave veneno você

Que soube impregnar

Até a luz de outros olhos

Que busquei nas noites

Pra me consolar

Se eu me curar deste amor

Não volto a te procurar

Minto que tudo mudou

Que eu pude me libertar

Apenas te peço um favor

Não lance nos meus

Esses olhos de mar

Que eu desisto do adeus

Pra me envenenar

Suave veneno você

Que soube impregnar

Até a luz de outros olhos

Que busquei na noite

Pra me consolar

Se eu me curar deste amor

Não volto a te procurar

Minto que tudo mudou

Que eu pude me libertar

Apenas te peço um favor

Não lance nos meus

Esses olhos de mar

Que eu desisto do adeus

Pra me envenenar

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Esperança, a estátua vive..




Esperança, a estátua vive..

sinto-te tolo

atolado, por outro lado,

sinto-te longe

afastado, de certo modo...
sinto-te denso

sensitivo, daquele jeito,

sinto-te bobo

pensativo, quebrado peito...
sente-me toda

amargurada, da minha parte,

sente-me fraca

arrependida, antes tarde..

sente-me intensa

apaixonada, de quatro patas,

sente-me saudosa

emaranhada, e tu me matas...
sentimo-nos assim

eu em ti, tu em mim

interligados, de muitas maneiras,

sentimo-nos então com asneiras...

sente-me agora

sinto-me, embora
tu nem me fales nada

eu só te espreito, espero,

tu só de mim foges, eu quero

dizer-te que pares, penses, voltes,

entendas, revejas, contemporizes...
sentimos o quanto criamos raízes...

tu te alimentas da minha memória

eu me fortaleço na tua história,

nós sabemos que ainda seremos felizes...
Cida Torneros

Por el amor de una mujer - Julio Iglesias

CAETANO VELOSO-MARIA DOLORES PRADERA-CANTAN NUBE GRIS

JUAN PARDO Y ROCIO DURCAL - OH NENO

Juan pardo Bienvenida señora

Rocio Jurado y Sara Montiel "La Violetera"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Maysa - Caminhos Cruzados

Folha de Papel

Dilma Roussef, Marina Silva, Marisa Leticia e Monica Serra, mulheres e numeros



Dilma Roussef, Marina Silva, Marisa Leticia e Monica Serra, mulheres e numerosNos as acompanhamos nesses ultimos meses, atraves das aparicoes em televisao, jornais , revistas, mencoes em noticiarios, radios, vozes e discursos, acenos e sorrisos, ou mesmo ausencia de vozes ou discursos, como foi o caso de Marisa Leticia e Monica Serra. O que dizem essas duas senhoras, primeiras damas? Se nao dizem explicitamente, representam subliminarmente os milhoes de mulheres esposas, aquelas tradicionais referendadas como as companheiras dos homens que se pretendem fortes, vitoriosos, realizados, apoiados em seus lares e familias. Quanto a Dilma e Marina, suas palavras calaram fundo nos coracoes de brasileiras e brasileiros, somando mais de 65 milhoes de votos, afinal.

Os maridos de Marisa Leticia e Monica Serra, o presidente Lula da Silva e o candidato Jose Serra, continuam detentores de expressivo poder de voto, embora o lugar de cabo eleitoral atribuido ao presidente Lula assuma lugar de destaque na historia recente das eleicoes no Brasil, e o aspirante Jose Serra, agora novamente candidato no segundo turno de 31 de outubro, permaneca carreando votos oriundos dos pares tucanos e dos simpatizantes para as propostas do seu partido e dos seus coligados.
Mulheres que falam e mulheres que calam. Mulheres que nao se furtam a se expor aos olhos dos 136 milhoes de potenciais eleitores, apesar dos mais de 20 milhoes de abstencoes, e mulheres que falam em casa, em familia, entre amigos, aquelas que exercem papel tambem representativo na vida do dia a dia da populacao brasileira onde a maioria das mulheres ainda coordena ou comanda sua casa, lugar onde marido e filhos necessitam da protecao e do sorriso de aprovacao aos seus anseios e atos, assim como precisam da sua postura conselheira ou do seu arsenal de observacoes atentas, imagens que, em fotos ou filmes, alcancam o inconsciente coletivo, aquele mesmo onde as figuras maternais sao de uma forca historica perfeita.
Dilma fala e discursa, defende sua vitoria de 46 milhoes de votos e sua segunda chance de disputar a eleicao presidencial que pode levar uma mulher pela primeira vez ao exercicio do mais alto cargo executivo no pais. Marina fala e emerge como uma lideranca feminina legitima desde o seringal sintonizada com as propostas mais avancadas no que tange ao mundo ambientalista consciente.
Suas idades, geracoes aproximadas, historias diferenciadas, experiencias de vida que as elevam a patamares de criaturas escolhidas pelo destino. Vejamos, Dilma uma jovem que se engajou na luta pela restauracao da democracia do Brasil, Marina, uma quase menina que se conscientizou da necessidade de sair da mata amazonica e ganhar a vida urbana para denunciar sua lutas, Marisa, uma jovem viuva que conheceu um tambem jovem viuvo sindicalista do ABC e com ele passou a construir uma historia de amor e politica, Monica, uma jovem chilena que nao exitou em adotar a nacionalidade brasileira quando conheceu o futuro marido quando este vivia o exilio para um regime ditatorial.
Se fosse possivel coloca-las num debate informal, certamente, Dilma, Marina, Marisa e Monica, teriam muito a contribuir para a maturidade democratica nacional, entre falas e silencios, diriam tudo ou quase tudo que nos toca a consciencia neste momento em que o Brasil caminha para dar exemplo ao mundo da importancia que as mulheres assumiram em nossa historia recente. Os numeros comprovam que as mulheres ascendem, crescentemente, a postos de poder e comando, emergindo sua experiencia de donas de casa, universitarias, professoras, jornalistas, militantes, candidatas, vereadoras, deputadas, governadoras, escritoras, costureiras, cozinheiras, m'aes, avos, esposas, namoradas, companheiras, pro ativas, incentivadoras, chefes de familia, injusticadas ou vencedoras, mas, mais que tudo, grandes exemplos de capacitadas no exercicio da superacao e da esperanca.
Palmas para as mulheres brasileiras, mais uma vez!!
Cida Torneros

Amores rasos e transbordantes; amores profundos que não se desperdiçam...

Amores rasos e transbordantes; amores profundos que não se desperdiçam...



Marie intrigou-se novamente. Aquela imagem que trouxera para o consultório do analista se não era de todo estranha, podia então ser definida como intrigante. Aos seus pensamentos veio a imagem de um amor que não se contém em sua morada, verte-se pelas laterais, vaza pelos cantos, transborda apesar da necessidade de se conservar ali, não consegue permanecer e se perde quando transborda... Ela lembrou dos tanques que se rompem, racham, não suportam o peso e o volume de suas águas... Assim pôde definir seus muitos amores, os que não foi possível cultivar em lugares rasos, pois, ao tentarem expandir-se, viram-se transbordando em muitas direções, incapazes de sustentar-se nos seus domínios iniciais.


Aí, a inquieta Marie ousou sonhar com um amor profundo. Um tipo de amor que fosse se enraizando ou mesmo cavando mais espaço interior, para acomodar-se confortavelmente sem o risco de desintegrar-se em pouco tempo.

O analista embarcou na conceituação inusitada. Talvez ela estivesse com alguma razão. Amores que se aprofundam, não se desperdiçam, aproveitam-se na própria descoberta, aliam-se a descobertas que varam os umbrais do tempo e das esperanças, evoluem para intensos conhecimentos mútuos, superam etapas, atravessam tormentas, alcançam redenção.


Mas o que deixava Marie mais espantada era a sucessão de amores rasos e transbordantes que costumava viver. Não que não fossem bons e marcantes sentimentos, isso eram, sem dúvida, mas aquela repetição de contextos onde havia tantas perguntas que acabavam sempre ficando sem respostas. Ou então, havia tantas respostas que nunca satisfariam as indagações que ela acabava por colocar nalguma prateleira do esquecimento, já que não era possível solucionar tais impasses.

Os amores profundos podiam até durar menos tempo, não era questão de cronologia, o fio condutor do raciocínio se colocava além disso, acima de contagem de anos e meses, o importante era a qualidade do que se sentia, a certeza de incorporar aprendizado e ser inerente guardar experiências positivas. Nos tais amores rasos, tornava-se comum o saldo de enganos sobre o de certezas, e ainda, a sensação de desconfiança com sabor de mentiras contrapondo-se aos momentos de decepção ou de desilusão.



Amor profundo gera confiança mútua. Amor raso baseia-se em suposição de comportamento. Amor transbordante escapa ao encontro verdadeiro. Amor que se desperdiça deixa um rastro de incopentência para quem tentou amar de verdade...



Essa teoria martelou Marie por mais alguns dias, até que ela se imbuiu de auto-compaixão e resolveu viver seus amores rasos ou profundos à medida que surgissem, em fases sazonais, talvez porque fizessem parte de um contexto menos rígido, e houvesse necessidade de aceitar até os amores que vazam pelos recantos dos corações sem destino certo, como barcos à deriva, meninos de rua, pipas avoadas, perdidos sentimentos...


Quem sabe, ela voltou ao analista e perguntou, a cada amor raso vivido e desperdiçado, não se terá ainda o direito de encontrar um amor profundo que preencha a alma amante com sua força definitiva?

Nem ele e nem Marie, tinham a resposta, porque todos os amores abrigam em si mesmos o enigma da conspiração, a incerteza do futuro e o mistério eterno dos corações que procuram seus pares.


Cida Torneros

Eydie Gorme and Trio Los Panchos - AMOR

sábado, 2 de outubro de 2010

Maysa - Ne me quitte pas traduzida



Domingo, 2 de Agosto de 2009



Paris em agosto... música e imaginação...



O verão se instala em Paris, a estação calorosa está no auge, casais caminham lado a lado, os sonhos sobrevivem, gerações de amantes se superam, crianças devoram sorvetes, gente idosa sorri observando a vida que passa. A cidade do romance anda frenética, coalhada de turistas extasiados com seus segredos e tradições. Música, pintura, arte, cultura em profusão, história re-contada, um mundo de cores através dos olhares renovados.


Paris encanta-se de predicados, pessoas passeiam por seus caminhos de grande atração, Paris enternece e estonteia...Faz calor, mas o coração se gela quando alguém lembra do passado recente, deixando que a saudade do que já viveu em Paris, lhe invada a alma em sessão de nostalgia.


Ele voltará a Paris, por muitas vezes, sabe disso. Questões profissionais o obrigam a visitar constantemente a capital francesa, além disso, seu laços com aquele lugar já fizeram parte do seu crescimento pessoal, derivando para a busca da sua maturidade.


Como esquecer a Paris que ele conheceu quase menino, em 1968? Um furor de jovens em ebulição, o mundo pegando fogo nas Barricadas que cercaram a Sorboni, ele assistindo a um espetáculo de cidadania, protesto e engajamento social, de uma geração que mudava o mundo, com gritos de ordem, rostos sem rugas, agilidade e correria, um quadro inesquecível, na sua memória, a guerra nas esquinas do tempo, ele aprendendo a entender aquele povo, com seu coração aos pulos, há décadas atrás.



Pois ali conheceu lados da vida que o fizeram sobreviver com garra, foi à luta, esteve clandestino, mas saiu disso com o casamento legal, tornou-se cidadão francês, construiu família, dissolveu-se naquela cultura, a exemplo de milhares de imigrantes, seu clamor interno era o de viver dias de felicidade e de descobertas, o que realmente aconteceu.


Acabou trabalhando no interior da França, onde criou filhos, acostumou-se à vida no campo, adaptou-se ao estilo de suas comidas, bebidas, músicas, programações de televisão, shows, teatro, cinema, os novos amigos, hábitos antes estranhos, desafios de vida a serem superados, e ainda, incrivelmente, o gosto pelo desconhecido com tantos segredos a serem desvendados.


Muitos anos o separam daquele jovem idealista sem experiência, agora ele se vê no limiar de um período em que enfrentará, depois da solidão do divórcio, do crescimento e debandada dos filhos que se foram para morar sozinhos ou casados, agora, lhe apareciam os desejos de voltar a Paris para repensar e recomeçar a vida.


Aquela cidade, mais do que qualquer outra no mundo, lhe proporcionava sentir outra vez o mesmo sentimento de que fora tomado ao chegar tão jovem, para enfrentar a vida.


Retornava a Paris, com a sapiência dos homens mais vividos, os cabelos embranqueceram, as pernas embora ágeis, já não precisavam correr atrás de empregos e estudos, o tempo o premiava com liberdade para sentar nos cafés, apreciar os passantes, relembrar excessivamente seus amores, suas investidas em idéias, profissões, trabalhos desenvolvidos, diálogos que teve com alguém versando sobre o futuro, o tal medo do amanhã.



Ele voltava agora, em agosto. Um lindo sol o recebia. O amor já não estava lá, mas, ele o pressentia, a cada movimento dos olhos. O cheiro do amor vivido ali o confundia com o próprio tempo. Preferiu imaginar que tudo estava certo até sentir uma terrível saudade do que passou. No Café de Flore, sentado em mesa de canto, o homem não chorou para que alguém percebesse, mas seu coração espremeu-se no peito enquanto acendia um cigarro, pedia um vinho tinto, brindava sozinho ao verão em Paris, e, ainda, com olhos molhados, ele sentia a presença dela, podia ouvir sua voz nos ecos do tempo, mas já não conseguia degustar o mesmo beijo que trocaram naquele lugar, quando a vida parecia um festival de primavera, o verão se anunciava, o outono não era bem vindo, e o inverno não devia chegar jamais.


Cida Torneros


RJ, 2 de agosto de 2009

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

ITALIAN LOVE SONG (AL DI LA) - CONNIE FRANCIS



O carinho do do meu italiano



ele tem um jeito especial de me olhar

disso eu não tenho dúvida nenhuma

me observa como se fosse perguntar

de onde vem a luz que me perfuma

ou será que quer saber do cheiro

que minhas palavras exalam, uma a uma,

na confusão de sentidos, ele me ouve

com os dedos e me toca com os ouvidos,

me aliza com o furinho do queixo,

eu me faço de menina bobona e deixo

porque seu carinho nessa vida pra mim

é mesmo um prêmio, um resumo inteiro

de tudo sonhado nos delírios não vividos,

porque ele me trouxe de volta a paz

que uma mulher madura necessita e busca

sua força de viver é exemplo que me ofusca,

eu o quero meu, sei que é posse ultrapassada,

mas, se ele me tem inteira, entregue, dedicada,

dispo a capa de independente e decidida,

me ponho no seu colo como fera ferida pela vida,

e o deixo consolar minhas noites, meus dias,

assim eu recebo seu carinho e dou-me toda,

todinha, de corpo e alma, quero que seu ego exploda

dentro de mim, que encontre em mim suas manias

de amar, de se doar, de receber, de se refazer,

com beijos, abraços, olhares, cheiradas, toques,

com lambidas, risos fartos, chamegos, aconchegos,

cabeça no meu peito, braços protegendo cada amanhecer...

Muito alem do Amor, al di la...












O espaço do amor é o lugar dos sonhos...

Ainda que as juntas insistissem em lembrar que a idade da razão deveria ter chegado ao coração cansado, o homem, sexagenário, com olhar maduro e aparentemente plácido, de gestos burilados no tempo, com passos em caminhada cuidadosamente estudada, arriscou pensar no amor, mais uma vez.

Não tinha como aquietar-se agora. Algo fazia pulsar-lhe o peito em estado absoluto de canseira progressiva, respiração entrecortada de suspiros que há muito julgava ter aposentado, já que as suas manhãs, nos últimos anos, eram contemplativas da paisagem que se descortinava à sua frente, como um filme em que os outros eram protagonistas e ele passara a ser mero espectador.

Entretanto, tudo se transformara no dia em que ela o fisgou como um peixe desavisado. Aquela isca em forma de mulher atrevida, afinal, quem ela pensava que era na vida dele, ao invadir assim, como um vento de mudança de clima, no romper da tempestade, levantando poeira e galhos secos, fazendo dançar no espaço as folhas antes caídas no chão. Sim, ela não devia ter o direito de revolucionar desse modo ensurdecedor o silêncio do pássaro, que fora emudecendo através de um processo conquistado a duras penas em que o canto decrescera do sustenido ao sussurro, sufocando os agudos e calando os ais.

Nada o convencia hoje de que ela viera para despertá-lo da inércia com que o mundo o premiara. Para ele, tinham sobrado os programas da terceira idade, os pedidos de financiamento e descontos para médicos e remédios, os acenos de compromisso das festas de família, os telefonemas dos filhos, as risadas com os netos, talvez alguns almoços em restaurantes com fila na porta, em datas especiais.

Aprendera a ser somente o avô sossegado e o pai de plantão que acolheria as mazelas da prole aprendiz. Ele, o sábio, o experiente, o homem cuja história era exemplo aos olhos dos descendentes. Se tinha solidão depois da viuvez, ninguém questionava essa possibilidade, pois o viam caminhando religiosamente nas manhãs, com jeito feliz, junto dos amigos da praça, jogando cartas, tomando um chope gelado, nos entardeceres de verões que lhe emolduravam a calva branca, conferindo-lhe dignidade e magnitude.

Pois era ele mesmo, o aposentado do amor, que se sentia enfim, novamente, envolvido com as agruras de ver seu destino sacudido pela presença dela. Já seus banhos matinais tinham novos sabores enquanto ela ( em imaginação) adentrava seu corpo, o presenteava com prazer inenarrável, o acariciava em ritimo inconfidente.

Ele a acompanhava pelas calçadas, e os seus olhos a espreitavam, preparavam-se para a visão do paraíso, o suor era traiçoeiro quando ela demorava a surgir tão flutuante, saindo da portaria daquele prédio que mais parecia um castelo medieval, donde emergia a princesa mais graciosa, tão sorridente quanto frágil. Dava vontade de escoltá-la onde quer que ela fosse, pelo resto do dia, mas ele apenas ficava como anjo de guarda, discreto, embevecido, a admirar o passo da gazela aprumada, magra, esbelta, elegante, coberta por panos coloridos, de cabelos escorregados pelos ombros, mãos amestradas, dançantes do mundo, e a seguia, com os olhos, por aqueles instantes em que se via tão próximo dela.

Havia dias em que ela ia direto ao supermercado. Ele a acompanhava, com distância medida, e conseguia ouvir o som de algumas palavras quando ela conversava com os vendedores. Registrava as frases, iam direto para o lugar da memória que acionaria nas noites, quando estivesse na cama, e precisasse ouvir dela uma opinião.

- Princesa, por que está comigo esta noite?


- Nossa, mas eu adoro este mamão assim tão maduro!



As frases se encaixavam tão perfeitamente, vinham dela, mas ele se apropriava com esperteza, assim como também guardava para uso posterior alguns olhares mais expressivos, volteios de cabeça e corpo importantes, mãos compactadas que seguravam bolsas, para que se amoldassem aos entrelaçados desejos de senti-las em si, segurando as peles cujo viço voltava depois que ela o conhecera.

Uma vez, quando a perdeu de vista ( culpou os óculos cujo grau estava fraco e precisava renovar o exame no oftalmologista), voltou pra casa desconsolado.

Não se perdoou por este deslize absurdo. Perder sua princesa em plena rua de trânsito infestado de gaviões que andavam à cata de uma presa para caçar. Rezou ao Deus em que acreditava. Nem dormiu direito aquela madrugada, não conseguia se imaginar sem ela.

No dia seguinte, enfeitou-se, vestiu uma das camisas novas que ganhara no dia dos pais, perfumou-se, calçou tênis ao estilo garotão, pôs na cabeça um boné que o neto lhe dera, com as iniciais do seu nome, aparou a barba, olhou bem no espelho para conferir se a bermuda estava bem vincada, apressou-se na direção da sua musa.

A hora estava próxima. Deu uma paradinha na carroça de refrigerante, pediu um mate enquanto aguardava a chegada dela.

A deusa surgiu soberana. Tinha o ar senhoril das dominadoras e caminhou em sua direção. Aproximou-se dele, dirigiu-lhe a palavra. Ele não conseguia entender nada. Estava estático, surpreso, sem jeito, fora do ar, um botão qualquer precisava ser acionado, sentia-se surdo, e a visão dela assim a dizer-lhe algo, o deixava quase cego. Excesso de luz, que sensação mais estranha, aí, ela tocou-lhe o ombro, um palavreado sem nexo embolou-se nos seus ouvidos.

Só lembra que acordou na ambulância, ela a lhe sorrir, acariciando-lhe a fronte, dizendo: - Vovô, não se preocupe, vou acompanhá-lo ao hospital. Está tudo bem, acho que é o calor, quando eu lhe perguntei se tinha visto se passara algum ônibus refrigerado para o centro, o senhor desmaiou. Chamei os bombeiros , vieram depressa. O médico está aqui ao lado. Tudo vai ficar bem. Fique calmo. Sou a Lenice, vejo sempre o senhor quando vou ao supermercado e vou confessar uma coisa, nunca o vejo comprar nada. Mas já imaginei que gosta mesmo é de passear sozinho, né? Agora, force um pouco a memória e me diga nome e telefone de alguém da sua família para que eu ligue avisando sobre você.

O aposentado fixou bem a imagem daquele rosto de anjo, assim tão perto de si e murmurou: - Minha mulher é uma princesa, mas o castelo onde moramos não tem telefone.

Homem de sorte, ele caiu então, em sono profundo, para sonhar com o amor da sua princesa, eternamente.

Aparecida Torneros

Rome adventure!!!










Candelabro italiano











AGORA 'E QUE SAO ELAS... A HORA 'E DELAS... ELAS POR ELAS...



DEBATE NA REDE GLOBO, MULHERES DAO SHOW...MARINA E DILMA...
ELAS SE DESTACARAM NA NOITE DE QUINTA-FEIRA, 30 DE SETEMBRO, FORAM BRILHANTES, SEGURAS, SIMPATICAS E SOUBERAM APROVEITAR SUAS IMAGENS DE MULHERES CANDIDATAS COM CHANCES QUE NAS PESQUISAS APONTAM PARA A LIDERANCA DE DILMA ROUSSEF, MAS QUE, PROVAVELMENTE, APOS O DEBATE OSCILARA A FAVOR DE MARINA NA SUBIDA DO TERCEIRO PARA O SEGUNDO LUGAR.

SERRA E PLINIO FORAM PREVISIVELMENTE REDUNDANTES, SERRA REPETIU SEU DISCURSO SEM MUITA ENFASE E PLINIO TEVE A CHANCE DE COLOCAR O IDEALISMO ANTI CAPITALISMO QUE SEU PARTIDO REPRESENTA E O FEZ COM PRIMAZIA E PROPRIEDADE.

MAS, AS MULHERES MOSTRARAM AO QUE VIERAM, CHEGOU A HORA DELAS NA DISPUTA PRESIDENCIAL BRASILEIRA, COM CERTEZA.
CIDA TORNEROS

Novos Baianos - Brasil Pandeiro [1973]