Maracanã

Maracanã

sábado, 25 de setembro de 2010






Muitos amores..



na descida da ladeira, naquela cidade mística, sob o reflexo do sol, atrás da vidraça de um café, em pleno século XXI, Marie observou que um homem, contritamente, escrevia uma carta.


ela parou para contemplar a criação que mais parecia a volta aos velhos tempos, numa atitude solitária e romântica. para quem ele dirigia seus sentimentos naquele momento? seria uma carta de amor?


o missivista parecia envolvido de tal modo com seu gesto que nem percebia a mulher que estava parada, ali fora, envolvida com o clima etéreo da imaginação que corria solta... o homem grisalho, rosto que lembrava um dos seus muitos amores, Marie entendeu que podia ser uma projeção do seu pensamento, vontade que tinha de entender as palavras de alguém que lhe escrevesse uma carta para contar que os sentimentos não se perdem, porque eternizam os sonhos dos amores que chegam e depois se vão...


a mulher deixou que seu pensamento voasse, o mundo lhe trazia dimensões inesperadas, de vez em quando, como aquela, quando era possível entender que alguém pudesse organizar idéias e colocá-las num papel, à moda antiga, para depois, certamente, dobrar com cuidado as folhas recem escritas, aconchega-las num envelope e deixar que seguissem seu caminho para serem lidas nas mãos de um outro ser, bem longe daquele lugar.


Marie sabia que havia lugares ainda tão distantes do seu coração e da sua alma, por onde passaria brevemente, e onde, teria que reencontrar seus sentimentos mais profundos, para trocar de bem com seu próprio coração, ultrapassar os limites dos medos que a angustiavam, nos últimos meses.


dar de cara com a cena do homem que escrevia a carta, foi, para Marie, um aviso de simultaneidade dos amores que se acham perdidos nos caminhos dos peregrinos inquietos, daqueles que buscam achar as razões mais profundas para seus sentimentos mais superficiais. ela era uma dessas criaturas, fazia parte da legião dos que sabem reconhecer amores e não os renegam, apenas os vivem, em sua plenitude, aceitando suas efemeridades e suas eternidades, se assim estava escrito...


Marie foi interrompida por uma amiga, que a tocou com sensibilidade, lembrando-a que devia prosseguir a caminhada em direção àquele templo onde ia orar pela redenção de tantos amores sepultados e por um novo amor em fase nascente...


ao descer a ladeira, sem olhar para trás, Marie guardou nos olhos a imagem do homem que escrevia sua carta em contrição, desejou que a tal carta chegasse ao seu destino e levasse uma linda mensagem de amor, um libelo de reencontro, uma notícia bondosa para alguém que a estivesse esperando, por muito tempo, como um prêmio.


os olhos de Marie denunciaram sua emoção, ela chorou baixinho, sem entender ainda que os amores, muitas vezes, fazem chorar, quando se aproximam da tal felicidade e do tal grande encontro com que todos sonham durante suas peregrinações pelo caminho místico da busca do verdadeiro e único amor, o tal amor definitivo, o tal amor maior, o grande amor das nossas vidas...o dela, ela já sabia, a esperava, do outro lado daquela cidade, nem tão longe e nem tão perto, questão de caminhar mais um pouco e chegar até Antoine, que lhe abriria os braços para amparar a viajante cansada de tantos amores...


Cida Torneros






http://www.youtube.com/watch?v=HVpr-uvpdPI

esos amores temerarios y julio iglesias.flv

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

La Soledad - Laura Pausini (TraduçãO)

Emergenia de amor

O amor é uma armadilha



O amor é uma armadilha




Marie acordou pensativa naquela segunda-feira. Tinha lido um artigo dominical sobre a tese de um psiquiatra, Flavio Gikovate, especialista em relações amorosas, que fala da necessidade de saber ser feliz sozinho. Ela sempre pensou nisso, pois estava só, e feliz, há muitos anos. Sabia que o amor, preconizado como ainda romântico, tende a mudar de cara, nos tempos modernos. Marie lembrou de tantos momentos em que chegou a imaginar que pudesse existir amor verdadeiro entre um homem e uma mulher. Destacou um trecho da reportagem:





"O psiquiatra percebeu que a maior parte dos casais é formada por um generoso e um egoísta, numa confirmação do ditado que diz que opostos se atraem. Em seguida, embaralhou, a exemplo de Nietzsche, os juízos de valor contidos nessas duas categorias: “O egoísta não tolera frustrações, é mais estourado e procura sempre arrumar um jeito de levar vantagem, porque a vida dura não é parte de seu psiquismo. O generoso, por sua vez, não consegue dizer ?não? quando solicitado porque não sabe lidar com a culpa, sentindo-se envaidecido e superior por conseguir dar mais do que recebe”. Para superar essa armadilha em que “um reforça a pior parte da alma do outro”, diz Gikovate, é preciso ir além da generosidade. É a atitude do “justo”, cuja característica é dar e receber de maneira equilibrada. Ocupar-se de seus interesses sem se descuidar do outro. Ser compreensivo, sem passar a mão na cabeça de quem erra. Uma sutileza descrita na máxima de Nelson Rodrigues: “Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe”. Diante dos dilemas do amor moderno, em vez da ideia ultrapassada das “caras-metades”, Gikovate prefere a de “almas gêmeas”. Gêmeas bivitelinas, bem entendido. “Se tiver que optar entre o amor e a individualidade, fico com a individualidade.” Para esse entusiasmado defensor da independência entre os casais, no século 21, estar inteiro e feliz é uma condição anterior ao encontro amoroso.


Marie engendrou então sua armadilha e pegou o rato na ratoeira. Conseguiu se disfarçar para fazer seu namorado cair na sedução de um personagem que ela mesma criou. E se arrependeu. Mas já era tarde.


A doce e madura Marie conhecia bem os homens, pelo menos, vários lados deles, e os aceitava como eram. Não ia mudá-los mesmo, uma cultura milenar ocidental fez dos machos seres conquistadores, caçadores, infantis e enganosos. Como abrir mão dos seus pedidos de perdão quando pegos nos deslizes e traições? Foi assim que Marie começou a semana, lembrando que o amor é armadilha.


O mundo é palco de um jogo de encenação, os personagens andam soltos por aí, e os felizes, estes, como Marie, são criaturas que prezam seus sentimentos, correm atrás dos seus prejuízos, até caem de vez em quando nos alçapões da paixão, mas se levantam na preciosidade dos sonhos e dos perdões e seguem correndo em busca de dias e noites melhores, madrugadas afetuosas, manhãs de reencontros, abraços de aconchego e agradecimentos de doçura.




Marie tinha lados egoístas e um só lado generoso, concluiu. Era generosa consigo própria, e se dava chance de amar e ser amada, ainda que obedecendo regras culturais e sociais ultrapassadas, vivenciando compatível ciúmes da pessoa amada, mas, sem abrir mão jamais do seu amor próprio e do seu espaço individual.



Num piscar de olhos, ela se viu cercada por energia sólida, positiva, fez-se altiva, senhora de si, sabia que era pessoa inteira, com objetivos definidos, sabia-se racional, embora, e disso ela não escapou, ao sentir a dorzinha em seu coração ao perceber que poderia perder o sonho do amor, se não o perdoasse. Tal atitude lhe mostrou, de novo, que é preciso se emocionar com a vida, com as pessoas, com os fatos, e perceber que o amor, enquanto armadilha, prende e solta, num movimento infinito e inevitável de encontros e separações.




Marie entrou no táxi, e se viu pedindo que o motorista a levasse para bem longe, como se pudesse atravessar o oceano, como se cruzasse a ruas do seu bairro, em direção ao endereço onde a ilusão insiste em viver, bem ali, na beira do rio, ouvindo cantar os pássaros e vendo singrar os barcos mansos.




O coração de Marie, que pulava desde que ela se levantou, como se fosse explodir, então, repentinamente, se aquietou. A mulher compreendeu o quanto a vida a presenteava e fazia com que os amores novos floresçam a cada primavera. Marie parou de chorar, entendeu melhor a reportagem do psiquiatra. Ela seria sempre uma solitária feliz, capaz de amar alguém, mesmo que esse alguém não estivesse maduro. Talvez ela encarnasse no teatro da vida a tal generosa da história, e não a egoísta, como sempre achara que fosse.


Aparecida Torneros


Rio, 15 de junho de 2009


LAURA PAUSINI








Laura Pausini - Strani amori

Laura Pausini e Fiorello cantano Baglioni - "Stasera pago io"

sábado, 4 de setembro de 2010

como diz meu terapeuta, o J.Arruda, a vida é mesmo um
Ciclo Virtuoso!!!!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Niver 2010!!!

Trevos!

Trevos!

Enquanto seres mediados entre sonhos e  realidades, cultivamos lendas internas e culturais, assimilamos historinhas fantasiosas, deleitamos pequenas superstições, que , no fundo, sabemos, não passam de pretextos fugidios para  nos fazermos um pouco mais felizes em meio a  uma vida onde há muito mais perguntas do que respostas, e estas, quando acontecem, nunca esgotam nossa perplexidade diante do mistério do universo...

Pois  os trevos dizem por aí que são expressão de sorte. Tenho deles, de 3 folhas, teimosamente crescendo nas  frestas da calçada da minha casa, motivo de brincadeira dos meus vizinhos, com quem já reclamei porque os andaram arrancando sob alegação de  que eram matinho, mas pra mim, trazem bom augúrio, florescem pequeninas pétalas azuis, de vez em quando e eu as fotografo quando lembro.

D. Margô, saudosa mãe da minha amiga Marion Bombom, adentrou no hospital, quando meu filho nasceu e me levou, fresquinho  um trevo de 4 folhas, para dar sorte ao pequeno rebento. Colei-o no diário que escrevi para o Léo, aliás, por 30 anos...foi quando entreguei a ele  o livreto repleto de lembranças, da sua vidinha de bebê, de menino, de adolescente e de homem feito...claro que escrevi esporadicamente mas  procurei registrar o quanto eu torço  por ele, pela sua sorte,  na passagem pelos trevos da vida, nos momentos em que as forças  e energias se cruzam e somos testados  pela vida.

Não me atrevo ( trocadilho  infamezinho) a travar embate com trovões  ou traçar coordenadas sobre os caminhos tortuosos que as  voltas da vida nos fazem trilhar. Mas me intrometo no destino com a força  do pensamento positivo, isso sim. Busco a luz, compartilho-a com seres  iluminados que me cruzam o caminho, entendo que as trevas  só existem se não nos permitimos  ver  pontos iluminados  no fim dos túneis escuros, e, quando observamos, lá longe  um resquício de luz, temos que ir ao seu encontro, para  nos fazermos crescer em fé e esperança, em harmonia e bem-querer.

Ao completar ontem, 61 anos, pensei nos trevos. Nas suas florezinhas azuis, na sua delicadeza e humildade, brotando em cantos de calçadas velhas e abandonadas, sendo confundidos com matos descartáveis, mas nos oferecendo, pelo menos a mim,   chance de  refletir  sobre pequeníssimas manifestações de uma natureza grandiosa e sábia que nos acolhe, a despeito de nossas ignorâncias, nossos descasos, nossos atrevimentos, como  por exemplo, essa coisa de não entendermos bem  porque os trevos podem ser de 3  ou 4 folhas ao passo que somos de  muitas cabeças, muitas  opiniões, e 3 ou 4 podem ser nossas certezas pequeninas em torno do amor, da amizade, da paixão, da espiritualidade, do fascínio pela eternidade questionada, ou pela  sorte de amar com profunda sintonia nossos semelhantes e nossos parceiros de existência.

Bom é ter  alguns trevos florescendo por onde passo, nas manhãs do tempo, ainda que sejam  pisoteados ou arrancados, eles tornam a surgir, teimosamente, a  dizer que a vida é círculo vicioso, não importando muito se nós a entendamos ou não!

Cida Torneros
3 de setembro de 2010    
    

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Venecia sin tí - Charles Aznavour

Veneza sem nós! Ainda!

Veneza sem nós! Ainda!



Há séculos, Veneza sobrevive, com símbolos que remetem a amores eternos e passionais como o de Romeu e Julieta. Através das suas histórias de carnavais mascarados, de intenso mercantilismo e trocas de produtos medievais, deixando-se levar pelo vagaroso traçado de gôndolas por entre seus canais, Veneza ultrapassa festivais de cinema, reorganiza mentalidades, cristaliza sonhos de paixões avassaladoras, cenas de lua de mel, magias de casais que a ela recorrem com esperanças de momentos inesquecíveis.


Considerada a cidade mais romântica do mundo, é cenário de turismo afetivamente compartilhado por pessoas de todos os lugares do planeta, que sonham pelo menos ir a Veneza, um dia durante toda a vida.

Ela nos espera, pacientemente, afundada, dizem os experts, em problemas ambientais graves, mas com seus ares de soberba inconsequencia para estudiosos do seu planejamento urbano inconcebível para os séculos XX e XXI.


Mesmo assim, Veneza não perdeu o glamour. Com certeza, eu a incluirei numa próxima viagem a Europa, esperando encontrar alguém especial que a valorize como eu. Um mago da idade Média estará,por essas horas a movimentar seus pendores extra-sensoriais e decerto premedita os instantes em que a Veneza lendária se livrará do estigma de ter sobrevivido sem nós, por tantos séculos.

A cidade viverá então um renascer de possibilidades, já que abriga saudosas lembranças, e há, no seu entorno, a mescla possível quando se mistura realidade e fantasia, nossa presença encherá de alegria a tal Veneza que parece triste.


Assim foi cantada tantas vezes, por Charles Aznavour, quando alguém volta a ela, solitário e nostálgico. "Venezia sin ti " é o titulo da famosa canção em espanhol, apontando para o fato de que estar naquela cidade italiana recordando alguém, deve ser mesmo uma tortura emocional, uma prova de fogo ou a suprema sensação do abandono.


Chegar a Veneza como a personagem Rosalba, do filme Pão e Tulipas, fugindo da vida cansativa de dona de casa incompreendida pela família, e extasiar-se com a manhã na Praça s. Marco, traduz o encantamento que a cidade tão antiga e tão misteriosa nos oferce.

Entretanto, a Veneza inconfundível pela alegria do seu carnaval que, a nu, é mesmo tão vestido quanto se oculta em castelos de velas mágicas, e age, no amor, sob o feitiço de máscaras de renda e plumas, com tantas inquietações, esta é infestada de expectativas.


Suas construções nos indagam, posso ouvir : - como Veneza sobrevive ainda, sem eu e sem ti?


Logo estaremos juntos, ali, para proclamar a emoção dos que transformam sonhos em realidade, assim como eu e como tu, cavaleiro solitário que me fará a corte, cópia fiel dos velhos tempos. Eu e tu, em Veneza, finalmente, juntos.


Cida Torneros

Linda Batista canta "Vingança" de Lupicínio Rodrigues (1983)

domingo, 22 de agosto de 2010

Um domingo, 22 de agosto!

começa o domingo, quando vejo, já está no meio, passam das 11 da manhã... preparo-me para atravessar a baía, vou comer o cozido da d. Néa, mãe da Dê, minha amiga também jornalista...tempo de inverno ensolarado, o Rio continua lindo, como diria o Gil, mas a violência ainda incomoda...muito...e tome de upps, pra garantir espaços de esperança em terras de malboro...far west fora do cinema americano, melhor ligar pra minha mãezinha, já vou passar  por lá e dar beijinho  na cabeça branca, respeitosa, experiente, apaziguada pelos anos, minha velhinha risonha e braba, que ainda me dá  broncas como se eu fosse só a "sua menina... um gosto de domingo paira no ar de agosto, e com que gosto eu penso nas mães e meninas, cúmplices do seu próprio tempo, festival de batons, bijus, bolsas, botas, sapatos, risadas, gargalhadas, bem ao estilo dominical.. pouco chocolate, digamos, ou melhor, façamos um trato, menos que ele engorda, menos porque é preciso perseverar contra os pneuzinhos, seremos fortes, juntas, venceremos a gula...
avança o domingo, já estou atrasada, andei no facebook a postar canções, recados, curtindo amigos, divagando sonhos e fantasias, fuxiquei mensagens alheias, perdi-me em saudades adolescentes, cuidei do cãozinho cego que vive aqui em casa, corri... aliás, tô correndo...preciso aproveitar a segunda parte deste domingo de agosto...a gosto do freguês, com sabor de inverno ensolarado, aquecido em amizades  e promessas de aconchego...ainda bem...
Cida Torneros

"And I Love You So" Perry Como

Rod Stewart feat. Michael Buble - They Can't Take That Away From Me (Par...

sábado, 21 de agosto de 2010

EU SOU...


amante do mundo, observante dos seres vivos, admiradora do mistério humano, sensibilizada pela natureza do universo, poeta, escritora, jornalista.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Opiniões sobre o livro: A MULHER NECESSÁRIA

Opiniões sobre o livro: A MULHER NECESSÁRIA


1) Rosana Melo, jornalista, RJ
" Oi, Aparecida,
Estou devorando o seu livro. Leio todo dia a caminho do trabalho. Adorei a crônica sobre sua avó e seu tio e a que dá título a obra. Está maravilhoso, o seu livro. Parabéns!
Bjs,


Rosana


2) Ana Fonseca, estudante de Jornalismo, Universidade Estácio de Sá

" sim, eu tenho uma tia jornalista super cronista que acaba de lançar um livro bacanérrimo - faço propaganda sim! - e de leitura super leve e agradável. parabéns pra titoca mais escritora desse mundão! :)
de alguma maneira, eu quero ser que nem a dona maria aparecida torneros "quando eu crescer"... huehuehue. talvez eu passe essa aura perua dela - que eu acho que combina muito bem com a personalidade dela e tudo mais, mas não com a minha... -, mas definitivamente eu quero ser criadora de oportunidades.
essa mulher aí ralou foi muito, de reporterzinha a chefe de redação! e rala até hoje horrores como assessora de imprensa! e olha que ser assessora não é nada fácil... tem que aturar cada cidadão que não vou nem contar...!
parabéns, titoca cidinha! o lançamento foi coisa fina, viu? huehuehue... foi lindo, tava super cheio e o carinho envolvia a gente assim que a gente entrava pela porta da livraria. muito gostoso mesmo! e obrigada por me inserir em mais esse capítulo da sua vida, viu? muito orgulho!
te amo, titoquinha escritora!

3) Theo Drummond, poeta e publicitário
" Ôi Cida, querida amiga! Estava para escrever para dizer quanto foi agradável nosso almoço e quanto tive satisfação de revê-la. Estou lendo "A Mulher Necessária" e gostando muito. Você é ótima, escrevendo e sob todos os ostros aspectos (rsrsrsrs)...Já recomendei o livro para duas amigas, que certamente irão gostar também. Não esqueça do que falamos sobre a promoção:use os sites mais variados para falar do livro e dizer onde encontrá-lo. tá?


Gostei muito da crônica "O mistério da fêmea..." Você é bárbara.


Beijos da Lena e do


Théo Drummond


4) No site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro:


"A crônica que dá nome ao livro, “A mulher necessária”, é um divertido exercício sobre a volta da cronista à psicanálise. Há artigos e resenhas sobre Fidel (publicado no site do Pravda), o lado militar de Che Guevara, o palhaço Carequinha, o colunista Joaquim Ferreira dos Santos, cronista tipicamente carioca. O texto “Tem alguém acordado aí” está no blog de Al Gore, sobre a necessidade de salvar o planeta.
Do jornal baiano A Tarde, onde trabalhou, são extraídos textos sobre assuntos diversos do cotidiano nacional, tanto político como social, registrando fatos como a lavagem do Bonfim, a agressão à doméstica carioca Sirlei, a reflexão sobre a cidade de São Paulo como ponto de encontro de gente de todo o país, além de considerações sobre pessoas importantes da história do Brasil, como Getúlio Vargas, José do Patrocínio, Tom Jobim, Marina Silva, Dilma Rossef, Jango Goulart e Leonel Brizola, entre muitos outros.
Também há artigos publicados no site do Observatório da Imprensa que analisam a mídia, a profissão de jornalista, o vácuo deixado na TV pela morte do comediante Bussunda, o lançamento na mídia do CD Carioca, de Chico Buarque de Holanda, e ainda análises sobre o “monstro” da Áustria e uma leitura da reportagem com o rabino Henry Sobel, na revista Época, entre outras."


5) Luiza Xavier ( jornalista, Curitiba)


Minha amiga querida,

Dediquei parte deste fim de semana curitibano frio e chuvoso - sim, o recolhimento também é fundamental - para ler seu livro-presente. Que lindo.

Sei que muitas das crônicas estão nos blogs, mas livro será sempre "a casa da palavra", mesmo que os amantes radicias da tecnologia apregoem o seu fim definitivo (meu ex-marido, profissional de informática, sentia um prazer especial ao me provocar dizendo que os livros iriam acabar logo logo e que nosso filho aprenderia a ler em telas de computador - argh!).


Thiago (ah os amores necessários!) me "flagrou" rindo emocionada com uma de suas crônicas e expliquei que você, a autora-amiga e absolutamente necessária para o mundo das letras e dos amigos estejam eles onde estiverem, já tinha estado aqui em casa e que dera de presente a ele uma caixa de lápis de cor.


Ele lembrou e saiu-se com esta: "ah, a Aparecida. Esse é o nome dela porque ela é bem conhecida, né?". Crianças e sua sabedoria ainda intocada pela hipocrisia mundana. Aparecer, ser conhecido e famoso no "bom sentido" do termo. Foi a associação que ele fez.

É isso, claro, ele está certíssimo mais uma vez. Outro nome não te caberia mais adequado. Que você siga crescendo, aparecendo, sendo conhecida Brasil e mundo afora.
Beijos e uma semana maravilhosa.
Luiza Xavier




Onde encontrar o livro:
LIVRARIAS SARAIVA e ARLEQUIM (CENTRO DO RIO)


http://www.arlequim.com.br/WebForms/wfrLoja.aspx

Peppino di Capri - Anema e Cuore

terça-feira, 17 de agosto de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Encanteria, Maria Bethania

Bethania, feita na Bahia!‏

Bons ventos a trazem, sempre, ao céu da música popular brasileira. Sua voz e interpretação nos acompanham, há décadas, com os dons da ressurreição, aquela certeza inconfundível do quanto esta artista é mesmo iluminada. Maria Bethania é patrimônio nacional, é uma consquistadora, sedutora, tem qualquer coisa de sagrado na sua aura pré-destinada a encantar ouvidos e corações, espalhados no mundo todo. Claro, ela venceu mais uma vez, destacando-se como a grande homenageada na festa da música do Brasil, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Um dia, eu a vi, pela primeira vez. Era 1970, ela atravessara a baía de Guanabara para se apresentar no Diretório Acadêmico da Universidade Federal Fluminense. Eu era aluna de Jornalismo, fui com a turma assistir, vi uma jovem magricela, calças brancas, cabelos presos em coque na nuca, muitos colares, descalça, movimentando-se no palco, com tanta força e garra, que, além de me comover, parecia que me revirava por dentro, era um escândalo aquela interpretação de Carcará. Furacão baiano, era pegar ou largar. Peguei!


Dali em diante, virei "tiete", acompanhei sua carrreira, tinha a companhia da minha amiga Marion Monteiro ( Bombom) para nos embevecermos, juntas, muitas vezes, sentadas no chão do Teatro da Praia, em Copacabana, e vê-la impregnar nossas vidas de uma energia incomparável. São tantas histórias que guardo dela, em minha vida, pequenos relicários com as mensagens que a Betha me passa, e que, tenho certeza, alcança milhares de seres que se envolvem com sua voz, suas canções, os poemas declamados, o sorriso maroto, os cabelos esvoaçantes, os pés desnudos, olhares misteriosos, instantes de enlevo e reflexão, puro sentimento, ou seja, arte no sentido lato-sensu, sem tirar nem pôr.

O mano Caetano, este é um fiel escudeiro, talentoso sim, compôs no exílio "Betha, Betha, Bethani, please send me a letter", e tantas homenagens ela merece, claro, é uma cantadora que nos enche de magia, ela é feita na Bahia, é cheia de encantos, pudera, é filha de Iansã, é filha da mãe Menininha, ela é tudo isso e mais alguma coisa.

Era um domingo entardecendo, eu nem tinha lido o jornal, há poucos anos, então, um anjo de plantão me mostrou no segundo caderno, lá pelas seis da tarde, que ela se apresentaria, em fim de temporada, naquela noite, no Canecão, com o show Maricotinha.


Deu-me um arrepio, liguei para a casa de shows, reservei um dos poucos lugares que sobravam ainda. Vesti-me na correria. Tomei um táxi, desde Vila Isabel, pedi pressa ao motorista, cheguei lá, acomodei minha ansiedade de adolescente madura, ela surgiu, eu revivi tudo, uma vida inteira de segredos em torno da sua arte.
Mais uma vez, "peguei" Bethania, como costumamos todos, pegá-la no "tempo, tempo", ela é atemporal, ela continua sendo a melhor pegada musical confirmada, mais uma vez, na festa da nossa canção brasileira. Salve Ela!!



Cida Torneros

Feita na Bahia

Bethania...grande vencedora

Quinta-feira, 12 de agosto de 2010 - 07h25 Última atualização, 12/08/2010 - 08h39



Maria Bethânia é destaque no 21º Prêmio da Música Brasileira



Foto: Bruna Prado/Futura Press Maria Bethânia foi a grande vencedora do Prêmio de Música Brasileira

Da Redação


entretenimento@band.com.br


A cantora Maria Bethânia foi o grande destaque da 21ª edição do Prêmio da Música Brasileira na noite dessa quarta-feira, dia 11. Ela foi a vencedora nas categorias melhor cantora de MPB e melhor disco de MPB pelo álbum “Encanteria”.

Além de Bethânia, estiveram presentes à festa artistas como Caetano Veloso, Nelson Sargento e Aldir Blanc. O cantor Erasmo Carlos e a cantora Zélia Duncan chamaram atenção ao se cumprimentarem com um selinho.

Realizada no no Theatro Municipal, no Rio de Janeiro, a cerimônia homenageou a sambista Dona Ivone Lara.



Veja os premiados em cada categoria:


Pop/rock/funk/hiphop


Melhor Grupo: Paralamas do Sucesso


Melhor Disco: "Rock N’ Roll" de Erasmo Carlos


Melhor Cantor: Caetano Veloso


Melhor Cantora: Zélia Duncan


Projeto Especial: Dolores Duran


Disco Eletrônico: "Ultrasom", de Siri


Música Erudita: "Debussy", de Nelson Freire


Disco Infantil: "Adriana Partinpim 2"


Disco Língua Estrangeira: "Tributo a Ella Fitzgerald", de Jane Duboc


DVD: Fernanda Takai, com "Luz Negra"


Concurso de Interpretação Dona Ivone Lara: Tony Daniel, com "Acreditar"


Instrumental


Melhor Grupo: Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz


Melhor Disco: "Luz da Aurora", de Yamandu Costa e Hamilton de Hollanda


Melhor solista: Yamandú Costa

Canção Popular


Grupo: Trilogia


Dupla: Zezé de Camargo e Luciano


Disco: "Coração do Homem Bomba ao Vivo", de Zeca Baleiro


Cantor: Cauby Peixoto


Cantora: Rita Ribeiro

Projeto Visual: Ocimar Versolato, por Ney Matogrosso


Arranjador: Mario Adnet por Afrosamba Jazz


Regional


Grupo: Orquestra Frevo Diabo


Dupla: Chitãozinho & Xororó


Disco: "Alma Caboca", de Ana Salvagni


Cantor: Targino Gondin


Cantora: Elba Ramalho


Voto Popular


Cantor: Juraildes da Cruz


Cantora: Daniela Mercury


Revelação do Ano: Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz


Canção: "Feita na Bahia", de Roque Ferreira interpretada por Maria Bethânia


Samba


Grupo: Casuarina


Disco: "Tantinho canta Pandeirinho da Mangueira"


Cantor: Tantinho


Cantora: Alcione






MPB


Grupo: 4Cabeça


Disco: "Encanteria", de Maria Bethânia


Cantor: Ney Matogrosso


Cantora: Maria Bethânia

sábado, 7 de agosto de 2010

Repùblica oriental do Uruguai, minha primeira vez e o encanto da Casa Pueblo!

Uma onda de frio polar me recebeu na pacata (aparentemente) cidade de Montevideo. Para uma carioca acostumada ao Rio 40 graus, tem sido um ritual vestir tantas roupas para sair as ruas e conhecer o Uruguai, ou parte dele, jà que eu e minha amiga Katia decidimos ir tambèm a Colönia Sacramento e a Punta del Leste, em datas diferentes, o que nos possibilitou entrar em contato com parte da història do paìs, e com o mundo internacional que domina Punta e seus cassinos.
O domìnio portuguës em Colónia è como um resquìcio de um  mundo de muitas lutas. Espanhòis, portugueses, argentinos, uruguaios, brasileiros, todos andaram por estas terras com ganas de fincar suas bandeiras definitivas.
A nossa antiga Provìncia  Cisplatina è lugar de muitos campos, muito gado, capital pouco povoada, populacao que enfrenta alem da onda de frio, suas mazelas economico-sociais e tenta seu lugar ao sol, o mesmo sol que ilumina seu emblema nacional, com o complemento das cores azul e branco. Um moderno aeroporto, na capital Montevidèo nos dà sinal de que as coisas estao mudando por aqui, ainda que a passos lentos, mas seguros. Uma explosáo de torres sendo construidas em Punta del Leste nos dao conta do capital investido em lugar de fama mundial, prazeroso balneario do Atlantico Sul.

Apos 5 dias, tento fazer um pequeno balanco e o que me comove,  sem pestanejar, è mesmo a visita que fiz à Casa Pueblo, do artista Carlos Paez  Villarò. Um encanto me tomou a alma e o coracáo.
Saì de là, com seu livro na máo, o que ele escreveu sobre episodio em que esteve  envolvido seu filho Carlito Miguel, nos anos 70, sobre o aviáo que se perdeu nos Andes, do qual o rapaz foi sobrevivente. 
A expressao poètica da sua obra-casa, os quadros, as ceramicas, sua semelhanca com mestres como Picasso, Gaudi, Miro, Dali, por exemplo, envolvem os visitantes com a profundidade dos que sabem interpretar o mundo, na beira de um mar insistentemente4 azul, perdidamente plàcido, estonteantemente inspirador.
Acho que para uma primeira vez, degusto as horas que me sobram ( volto ao Brasil no domingo 8) com a sensacao importante de ter vindo ao lugar certo na hora certa, senti-me  quase em casa, so nao provei do mate amargo, mas de resto, comi parrilhada, provei seu bom vinho nativo, ouvi sua mùsica, apreciei seus costumes, observei sua gente e me apaixonei por seu artista de punta Balea.
Em tempo, agradeci sua onda polar, mesmo assim, pois pude aquecer com reflexoes o mesmo pensamento que me faz questionar  o quanto os paises da Amèrica Latina sao berco de povos lutadores, sonhadores, guerreiros, sobreviventes e mesmo assim seguem sendo encantadores, como o pueblo uruguaio...
casa    Pueblo
                                 Cida Torneros    


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

A alquimia da diáspora


artigo pubicado no jornal A Tarde, Bahia, 13/07/06


A alquimia da diáspora


APARECIDA TORNEROS






O jornalista José do Patrocínio, mestiço, filho de um padre branco


com uma negra escrava, defensor dos seus irmãos da África, tribuno


eloqüente, era como um animal selvagem a urrar contra a caçada


tempestuosa da escravidão.


Por isso, foi chamado "O Tigre da Abolição", pelos seus discursos e


artigos publicados no jornal Gazeta de Notícias, no período que


antecedeu a assinatura da lei Áurea, em 1888.


A agressão contra homens e mulheres roubados das suas terras e


tribos, a quem não restou outra sina que não fosse a adaptação e o


sofrimento, como compensação ou lição, impregnou nosso povo com sua


alma sedutora.


Por toda a América, sua influência é um fato, sendo que no Brasil, a


conquista da sua liberdade não invalida as seqüelas sociais advindas


da segregação.


Mesmo assim, os negros africanos transformaram a sua diáspora em


verdadeira alquimia cultural.


Legaram, além da vivacidade de olhos de jabuticaba e sorrisos de


nuvem branca, os tons de pele mais luminosos, resultantes dos amores


que conquistaram nos corações e nas camas.


Ainda, como trovadores da idade moderna, injetaram a ginga à música


nacional, o sabor à cozinha, o colorido à vestimenta.


A identidade que ora se discute em Salvador, passa certamente, pela


complexidade de seus ritmos além da religiosidade envolvente dos seus


rituais inconfundíveis e abençoantes.


Há um crescente movimento direcionado para a África atual, a buscar


soluções e compadecimentos que despertem o resto do mundo para o seu


desenvolvimento, onde se lute contra a injustiça, a exploração, a


doença epidêmica, a orfandade de uma infância herdeira de tantas


guerras civis.


Nesse caldeirão fervente, engajam-se atores, atrizes, cantores,


líderes de banda, intelectuais, unindo-se em prol da valorização de


uma população a quem os colonizadores devem tanto.


A África, ainda muito explorada, é o lugar do mundo onde as novas


gerações nascem predestinadas à injustiça.


Mudar esse quadro é o grande desafio.


Questão de química social e econômica, responsabilidade compartilhada


entre países ricos e pobres, como resgate histórico do continente afr


icano.


Quanto à negritude brasileira, nossa melhor bandeira é da aceitação


da mistura sangüínea, da miscigenação cultural e religiosa,


eliminando os radicalismos porque há um coração africano pulsando em


cada peito brasileiro, assim como se inflama um vodu tribal em cada


oração popular na América Central. Na canção gospel ou blue


norteamericano, ouve-se o lamento do escravo fugitivo.


Verdadeiros alquimistas da nova era, os negros africanos forjam nos


sonhos da liberdade e da justiça, o direito à riqueza de um futuro


digno. Esse mesmo futuro que merecem todos os povos afro-descendentes


espalhados pela terra, a começar no Brasil, pela Bahia

Diana Krall - Quiet Nights (legendado)

Diana Krall - Este seu Olhar

Yellow Submarine Beatles Premier July'68

The beatles yellow submarine

A cadeira amarela

hotel meliá brasilia 28 de julho de  2010

Charles Aznavour - Paris au mois d'août

sábado, 31 de julho de 2010

Rosa de Hiroshima

Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer

http://www.paixaoeromance.com/70decada/rosa_iroshima/h_rosa_de_hiroshima.htm

Rosa de Hiroshima

Ney Matogrosso

Composição: Vinícius de Moraes / Gerson Conrad

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas, oh, não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada





Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer


Exposição na Associação Paulista de Medicina relembra a tragédia que mudou a história do planeta 65 anos atrás
A Associação Paulista de Medicina (APM) promove, entre 2 de agosto e 3O de setembro, a mostra “Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer!”. Um dos objetivos é provocar reflexões sobre esse trágico momento da história mundial, 65 anos atrás. O material veio do Japão, por intermédio da Associação Médica de Hiroshima. São 30 pôsteres com imagens e textos informativos e cinco DVDs que reúnem testemunhos dos sobreviventes, documentários e animações japonesas.
A abertura ocorrerá no próprio dia 2 de agosto, às 20h, com vídeoconferência ao vivo, direto do Japão, com Steven Leeper, presidente da Hiroshima Peace Culture Foundation.
De acordo com Milton Massato Hida, um dos colaboradores da exposição, o intuito, além de relembrar as consequências da tragédia, é homenagear os sobreviventes que moram no Brasil, incentivar a abolição das armas nucleares e celebrar a paz.
A mostra terá entrada franca. Poderão ser agendadas visitas de alunos do ensino médio e universitários, que participarão de uma contextualização histórica e da proposta de feitura dos tsurus, pássaros de origami (técnica de dobradura em papel) que incentivam a paz.

Bombardeios


O lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki ocorreu no final da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente. Estima-se que cerca de 220 mil pessoas foram mortas nos ataques, e outros milhares sofreram graves sequelas pela exposição à radiação.
A tragédia guardou histórias simbólicas como a da menina Sadako Sasaki, que será retratada na exposição. Personagem da luta pela paz, ela tinha dois anos de idade na época do ataque. Devido à radiação teve leucemia, e após compreender que a doença fora causada pela guerra, passou a dobrar origamis de Tsuru (pássaro da paz) em manifestações públicas por sua saúde e pela paz.
Um dos últimos Tsurus feitos por Sadako será entregue na cerimônia de abertura à Associação Hibakusha Brasil pela Paz, instituição que reúne vítimas da bomba atômica.
Segundo o curador da exposição dr. Ruy Tanigawa, secretário-geral da Associação Paulista de Medicina, a mostra busca exibir as consequências da arma nuclear, mostrando para o público seus efeitos impactantes no Japão e no mundo, e a importância em relação à paz:
“A exposição será direcionada principalmente aos mais jovens, no sentido de promover uma ação educativa pela paz entre os povos”
Mais informações pelo telefone (11) 3188-4304 ou pinacoteca@apm.org.br.
Exposição sobre história da bomba de Hiroshima
Data: 2 agosto a 30 de setembro de 2010
Horário: 12h às 21h
Visitas agendadas: manhã, tarde e noite.
Local: APM
Endereço: Brigadeiro Luís Antônio, 278 - São Paulo - SP


Informações e inscrições: (11) 3188-4304
E-mail: pinacoteca@apm.org.br

Brenda Lee - Always on my mind.

Brasília, minhas redescobertas...


Em Brasília, durante cinco dias, participando com minha amiga também  jornalista Denise Teixeira,do Encontro Nacional das Entidades Médicas, o ENEM, tive a chance de viver novas redescobertas.

Redescobri, por exemplo, o gosto de observar o  por do sol no serrado, encantador e reconfortante, enquanto o carro deslizava nas vias extensas  e  a silhueta dos arbustos  se completava  em tons de rosa e dourado, à  vista   dolhos, como um desenho encomendado ao pintor não  identificado, o misterioso criador  dos   momentos que passam tão rapidamente. Redescobri o sentimento de estar no centro de um país tão pujante, ouvir o hino nacional tocado  por um sax e me emocionar de  novo...
Redescobri a doçura de um olhar penetrante e a vontade de um beijo que não demos ainda...
mas, redescobri mais... a verdade que se abriga na "mentira", a mesma mentira que escrevi em crônica antiga publicada no meu livro a Mulher Necessária...
Redescobertas à parte, Brasília me me  proporcionou tietar JK, admirá-lo mais, e beijar o seu chão...não é que levei um tombaço, saindo do Shopping Pátio e literalmente beijei a calçada? rs
Cida      


As pontes de Brasília
Na lembrança, retorno à minha redação premiada, em 1960, sobre a nova capital : Brasília. Eu tinha 10 anos, ganhei o prêmio a mim entregue em cerimônia no cine Rex, na Cinelândia, Rio de Janeiro, das mãos de autoridades do Governo do novo Estado da Guanabara, que nascia junto com a cidade projetada no planalto central.


Sonho de JK, imaginação fértil e linda nas pranchetas de Niemeyer e Lúcio Costa, a cidade planejada, Brasília, trazia a esperança de um novo Brasil que cresceria a despeito de tudo e de todos, nas décadas seguintes, com a industrialização que, àquele tempo, nos invadia com promessas de futuro melhor.


Já não consigo rever na memória exatamente o conteúdo do meu texto infantil e ufanista, mas sei, tenho certeza, nele invocava a certeza de que Brasília vinha para ficar, seria um marco do Brasil jovem, imponente, a ser construído como país-marco no cenário latino-americano. Só fui conhecer a cidade muitos anos depois e a primeira sensação que tive foi da visão de um lugar em que as pessoas me pareciam distantes umas das outras. Entretanto, nos anos subseqüentes, voltei a Brasília a trabalho algumas vezes e não me cansei de admirar sua força com a motricidade dos lugares que somam história e se auto-delegam como impulsionadores do progresso e das misérias sociais das periferias. Apesar do carinho nutrido por aquele rincão, sempre me deu certa angústia sentir a energia oscilante que por ali vigora,místico lugar que sedia seitas e ampara muitos desenganos.


As tais cidades-satélites crescentes e concentradoras de gente imigrante em nada ficaram a dever às regiões metropolitanas de Rio ou São Paulo, e logo se constatou que o centro de Brasília era uma ilha de poder cercada por gente sonhadora por todos os lados. Quando observo os episódios recorrentes em que Brasília está metida, uma pergunta paira no ar. Talvez não fosse o caso de nos indagarmos de que te acusam, Brasília, de ser uma ilha da fantasia, onde mascarados dançam música ensandecida? Nada disso, diriam os que conseguem se distanciar das histórias escabrosas ou das decisões alvos de acordos e conchavos.


Apenas o exercício pleno da democracia representativa, é o esperável, quando se aguarda que sejam barrados no baile da hipocrisia todos os que nos tentam enganar com frases de efeito ou ações em suspeição.


É preciso construir pontes que nos liguem à Brasília do meu sonho de menina, aquela cidade do imaginário socialista, plano-piloto da grande nave da nação, cujas asas equilibram-se à direita e a esquerda, mantendo o rumo do país, deitado na planície circundante, verdadeiro mar de esperança nacional, berço dos candangos. Foram eles teus primeiros estadistas, e, na linha de sucessão, espera-se que agora, se cumpra teu destino como metrópole iluminada capaz de te religar ao continente verde-amarelo, na mais perfeita engenharia moderna, para que o isolamento não te condene a ser eternamente cidade da mentira.
Aparecida  Torneros
(artigo publicado no livro A mulher necessária)