aqui tem música, poesia, reflexões, homenagens, lembranças, imagens, saudades, paixões, palavras,muitas palavras, e entre elas, tem cada um de vocês, junto comigo... Cida Torneros
Maracanã
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Tu sais je vais t'aimer
Tu sais je vais t'aimer
Même sans ta presence
Je vais t’aimer
Même sans espérance
Je vais t’aimer
Tous les jours de ma vie
Dans mes poèmes j’ écrirai
C’est toi que j’aime
C’est toi que j’aimerai
Tous les jours de ma vie
Eu sei que vou chorar...
A cada ausência tua
Eu vou chorar
Mas cada volta tua
Há de apagar
O que esta tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda minha vida.
Tu sais je vais pleurer
Quand tu t’éloignera
Je vais pleurer
Mais tu me reviendras
Et j’ oublierais
La douleur de m’ennui
Tu sais je souffrirais
A chaque instant d’attendre
Je souffrirais
Mais quand tu seras lá
Je renetrai
Tous les jours de ma vie
Por toda minha vida.
Rememorando as Tulipas da Confraria das Rosalbas
Em 2002, uma grande amiga me induziu a assistir um filme que marcou um momento ímpar da nossa vida: "Pão e Tulipas", do italiano Silvio Soldini, com os atores Licia Maglietta e Bruno Ganz, nos papéis principais. A crítca da época, no jornal Estado de São Paulo, apontava "um filme gentil sobre a chance que todos têm de mudar de vida". No resumo incluso na edição em DVD, lê-se que "tudo poderia ser apenas um pequeno incidente de férias, daqueles que se pode rir depois, porém o fato do ônibus de excursão partir sem Rosalba, e nem mesmo o marido e dois filhos sentirem sua falta no grupo, torna-se subitamente, uma porta aberta para a fantástica virada de vida."
Pois o filme, visto e revisto por nós, muitas vezes, nos inspirou e criamos a Confraria das Rosalbas. Tivemos um dia especial, o 8 de março, quando reunimos um expressivo grupo de mulheres, no cinema do Palácio do Catete, no Rio, com direito a chamada pela televisão, notinhas em jornais, e debate sobre o tema do filme. Era 2002, nos mobilizamos em seguida e meses depois organizamos uma reunião num hotel em Copacabana, quando tivemos uma palestra sobre biodanza e homenageamos Dedé, uma senhorinha de mais de 80, que começou a ser maratonista aos 55, quando se aposentou da polícia federal e descobriu que podia mudar de vida. Seu depoimento mostrou que as corridas a levaram a correr em lugares onde nunca tinha imaginado que pisaria um dia, Europa, América do Norte, e até países da África passaram a fazer parte dos roteiros de suas participações em corridas internacionais e medalhas colecionadas.
O filme, ambientado em Veneza, fala de liberdade e auto-conhecimento, com delicadeza e proposta de renovação de vida.
Onde entram as tulipas? Exatamente na arrumação delicada da mesa de café, no pão de cada dia, aquele alimento básico, quando a personagem protagonista se hospeda na casa de um garçom e trabalha numa floricultura, enquanto sua família a aguarda para que retorne das "férias" repentinas que tirou, da vida cotidiana e sufocante que levava.
A Confraria das Rosalbas não prosseguiu seu caminho como instituição, ainda somos amigas, algumas vezes lembramos daquele momento, único, e, certamente, uma sementinha germinou-se no grupo, todas seguem suas vidas, com mudanças naturais que a maturidade impõe, mas compreedendo que há que enfeitar o caminho com flores, tulipas especialmente.
Agora, acabo de receber correspondência de uma floricultura paulista sugerindo tulipas para presentear amigos e amores.
O fato é que, até hoje, eu e muitas companheiras trocamos presentinhos com motivos "tulipanos", a figura destas flores se tornou símbolo de vida renovada para nosso grupo.
Essa imagem me faz rememorar as tulipas da Confraria, quando relembro o exato instante em que cada mulher se descobre "livre" para viver sua própria vida, em que se desabrocha dentro de cada uma de nós a certeza de que há muitas viagens a desfrutar, lugares a conhecer, comidas diferentes a saborear, pessoas novas para interagir e, principalmente, faces interiores que se mantinham escondidas e que nos é dada a chance de revelar e nos permitir surpreender, como fez Rosalba, na sua linda história!
Cida Torneros
FILME INSPIRA A CRIAÇÃO DA CONFRARIA DAS ROSALBAS
O filme italiano "Pão e Tulipas" causou tanto impacto na vida de duas amigas cariocas que elas resolveram montar uma confraria. A professora universitária Aparecida Torneros e a arquiteta e fotógrafa Vera Voto, inspiradas na personagem central do filme, Rosalba (Licia Maglietta), fundaram em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Confraria das Rosalbas. Cerca de 70 mulheres compareceram ao lançamento. As amigas se organizam agora para fazer a primeira reunião do grupo.
Valor Econômico, 10/04/2002.
terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Amores/ Barulhinho Bom
Amores
Estou ouvindo a Marisa Monte
barulhinho bom
é o nome do cd que ela me autografou
coisa séria
de noite na cama
eu fico pensando
se vc me ama
e quanto
ora... rs
tenho tido noites menos solitárias
um homem bom me abraça
ele me resgata tantos amores
de dia eu faço graça pra nao dar bandeira
nao deixovc ver
se vc for embora
eu fico pensando
se vc me ama
eu fico pensando
e quando
de dia tudo passa como brincadeira
tao longe de vc
por hora nao vou ter coragem de dizer
eu fico pensando
como é bom ter amores
muitos
beijos
tb muitos
pela certeza de estar viva dentro de vc
de noite na
se vc me
hummmmmmmm
linda esta música, nao acha?
meu bem me diz que sou linda demais
e eu penso que é maravilhoso exercer minha paixao pelos amores
amores e quereres
quero dizer que é possível ser feliz
misturando tantos amores dentro de mim
fora de mim? só a saudade de dar beijos no vento que sopra na alma
a alegria de estar tão plena
de despertar sentimentos apaixonados todos os dias
ao acordar e dar bom dia ao homem que me afaga com docilidade
merecedora eu de tanto carinho?
nem sei... Marisa canta...eu transcrevo
beija eu
beija eu
beija eu
nada sei do que acontece depois desta vida
nem quero saber
entao deita e aceita eu
deixa que eu seja o céu
deixa o que seja seu
entao beba
e receba meu corpo no seu corpo
anoiteça e amanheça
deixa que eu seja eu
e aceita
molha eu
seca eu
deixa que eu seja o céu...
e receba o que seja seu
Cida Torneros
Declaração...
Felicidade se mede no tempo em que se vive com a plena capacidade dela... a paz maior é , absurdamente, um bem interno intocável... e a doação é melhor do que a recepção... por incrível que pareça, a gente só é realmente feliz quando se dá para os outros, em carinho e atenção... daí, que , cada segundo doado a alguém, vale toda uma vida... e é uma busca infinita do bem supremo : o Amor... este só existe porque todos somos capazes de oferecer alguma parcela do nosso tempo para ouvir os outros, olhar seus movimentos, apreciar suas conquistas, acarinhar seus egos, sentir suas emoções e penetrar nos seus segredos...
obrigada e beijos
Cida
Da suavidade do seu sussurro...
Da suavidade do seu sussurro...
>
>Sibilando que nem vento morno,
>como se fora um aconchego,
>um xamego brando, um sentido solto,
>como aquele ronronar de gato manhoso em almofada fofa,
>sua voz mansa resvalou como pluma no meu ouvido calmo...
>
>Sintonizando a leveza de um encanto, um algodão,
>um toque sentido e lento na alma enebriada,
>eis que seu sussurro me adentrou em ondas
>de carinho, de sentimento, de amor e doação...
>
>Solfejando a música do espírito domado pela paz
>veio até mim sua palavra doce, e me tornou sua refém...
>Uma penumbra ocultou de mim a causa...
>Aí, entreguei-me ao efeito e soletrei baixinho: amém...
Aparecida Torneros
domingo, 4 de julho de 2010
Sou muitas
Sou muitas
Tantas sou, tu sabes, tu me entendes,
Tontas sou, sou muitas mulheres,
Aquelas integrais que pretendes
Guardar pra sempre nos teus talheres,
Com gosto de quero mais, de feijoada,
De sonhos cremosos, de camarão,
Delícia dos deuses, um frenesi,
Regado a catupiry, com sabor de tesão...
Sou mesmo todas que procuraste,
Até as que não gostaste
De rever desde a adolescência,
Porque te lembram o perdão
Que proclamaste na essência,
Por não suportar a ausência,
A falta delas em ti, tantas vezes,
Nas noites de solitários prazeres,
Nos dias de constantes deveres,
Ao se negar alegrias, ao se rever,
Na dimensão da vida inteira,
Te sinto nelas todas agora,
Por favor, não nos jogues fora,
Somos todas de qualquer maneira,
Tantas mulheres matreiras,
Que tu fabricaste imaginando,
Que tu sonhaste formatando,
Que tu encontraste procurando...
Sou todas elas, tu sabes,
Por favor não acabes,
Com tanto sonho, nos amando...
E no silêncio desta noite,
Envolves a nós com teu manto
Em forma de grande abraço...
Somos todas tuas damas,
É por nós que agora tu chamas,
E aqui estamos, sem embaraço...
Somos todas tuas meninas,
Mulheres a quem fascinas,
Com teu coração de homem paixão
Amigo de tantas horas, um machão
Tão doce quanto o mel puro,
Uma linda luz no escuro,
Um sopro de Amor no coração
De todas nós que te amamos assim,
Tu sabes, é um carinho sem fim...
Cida Torneros
sábado, 3 de julho de 2010
O amor é uma armadilha
O amor é uma armadilha
Marie acordou pensativa naquela segunda-feira. Tinha lido um artigo dominical sobre a tese de um psiquiatra, Flavio Gikovate, especialista em relações amorosas, que fala da necessidade de saber ser feliz sozinho. Ela sempre pensou nisso, pois estava só, e feliz, há muitos anos. Sabia que o amor, preconizado como ainda romântico, tende a mudar de cara, nos tempos modernos. Marie lembrou de tantos momentos em que chegou a imaginar que pudesse existir amor verdadeiro entre um homem e uma mulher. Destacou um trecho da reportagem:
"O psiquiatra percebeu que a maior parte dos casais é formada por um generoso e um egoísta, numa confirmação do ditado que diz que opostos se atraem. Em seguida, embaralhou, a exemplo de Nietzsche, os juízos de valor contidos nessas duas categorias: “O egoísta não tolera frustrações, é mais estourado e procura sempre arrumar um jeito de levar vantagem, porque a vida dura não é parte de seu psiquismo. O generoso, por sua vez, não consegue dizer ?não? quando solicitado porque não sabe lidar com a culpa, sentindo-se envaidecido e superior por conseguir dar mais do que recebe”. Para superar essa armadilha em que “um reforça a pior parte da alma do outro”, diz Gikovate, é preciso ir além da generosidade. É a atitude do “justo”, cuja característica é dar e receber de maneira equilibrada. Ocupar-se de seus interesses sem se descuidar do outro. Ser compreensivo, sem passar a mão na cabeça de quem erra. Uma sutileza descrita na máxima de Nelson Rodrigues: “Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe”. Diante dos dilemas do amor moderno, em vez da ideia ultrapassada das “caras-metades”, Gikovate prefere a de “almas gêmeas”. Gêmeas bivitelinas, bem entendido. “Se tiver que optar entre o amor e a individualidade, fico com a individualidade.” Para esse entusiasmado defensor da independência entre os casais, no século 21, estar inteiro e feliz é uma condição anterior ao encontro amoroso.
Marie engendrou então sua armadilha e pegou o rato na ratoeira. Consegui se disfarçar para fazer seu namorado cair na sedução de um personagem que ela mesma criou. E se arrependeu. Mas já era tarde.
A doce e madura Marie conhecia bem os homens, pelo menos, vários lados deles, e os aceitava como eram. Não ia mudá-los mesmo, uma cultura milenar ocidental fez dos machos seres conquistadores, caçadores, infantis e enganosos. Como abrir mão dos seus pedidos de perdão quando pegos nos deslizes e traições? Foi assim que Marie começou a semana, lembrando que o amor é armadilha.
O mundo é palco de um jogo de encenação, os personagens andam soltos por aí, e os felizes, estes, como Marie, são criaturas que prezam seus sentimentos, correm atrás dos seus prejuízos, até caem de vez em quando nos alçapões da paixão, mas se levantam na preciosidade dos sonhos e dos perdões e seguem correndo em busca de dias e noites melhores, madrugadas afetuosas, manhãs de reencontros, abraços de aconchego e agradecimentos de doçura.
Marie tinha lados egoístas e um só lado generoso, concluiu. Era generosa consigo própria, e se dava chance de amar e ser amada, ainda que obedecendo regras culturais e sociais ultrapassadas, vivenciando compatível ciúmes da pessoa amada, mas, sem abrir mão jamais do seu amor próprio e do seu espaço individual.
Num piscar de olhos, ela se viu cercada por energia sólida, positiva, fez-se altiva, senhora de si, sabia que era pessoa inteira, com objetivos definidos, sabia-se racional, embora, e disso ela não escapou, ao sentir a dorzinha em seu coração ao perceber que poderia perder o sonho do amor, se não o perdoasse. Tal atitude lhe mostrou, de novo, que é preciso se emocionar com a vida, com as pessoas, com os fatos, e perceber que o amor, enquanto armadilha, prende e solta, num movimento infinito e inevitável de encontros e separações.
Marie entrou no táxi, e se viu pedindo que o motorista a levasse para bem longe, como se pudesse atravessar o oceano, como se cruzasse a ruas do seu bairro, em direção ao endereço onde a ilusão insiste em viver, bem ali, na beira do rio, ouvindo cantar os pássaros e vendo singrar os barcos mansos.
O coração de Marie, que pulava desde que ela se levantou, como se fosse explodir, então, repentinamente, se aquietou. A mulher compreendeu o quanto a vida a presenteava e fazia com que os amores novos floresçam a cada primavera. Marie parou de chorar, entendeu melhor a reportagem do psiquiatra. Ela seria sempre uma solitária feliz, capaz de amar alguém, mesmo que esse alguém não estivesse maduro. Talvez ela encarnasse no teatro da vida a tal generosa da história, e não a egoísta, como sempre achara que fosse.
Aparecida Torneros
Rio, 15 de junho de 2009
Realidade: a mulher brasileira mais de 40 depois
Realidade: a mulher brasileira mais de 40 depois
Raquel Piegas
Estagiária de Jornalismo
Quatro décadas após ser apreendida, a edição especial A mulher brasileira, hoje, da já extinta revista Realidade, é relançada pela Editora Abril. Além das 120 páginas do conteúdo original, a edição que já está nas bancas traz um suplemento sobre a importância da Realidade no jornalismo brasileiro.
Para o doutor em Comunicação Antônio Fausto Neto, professor da Unisinos, a revista Realidade tinha um estilo próprio e muito forte. Fausto foi leitor da publicação e avalia a revista como inovadora. “Realidade uniu o fotojornalismo da revista O Cruzeiro com o texto investigativo, oriundo dos jornalistas que ouviam as fontes e acompanhavam as pessoas. Na Realidade, os repórteres eram atores sociais”.
Com período de circulação curto – sua última edição chegou às bancas em janeiro de 1976 –, Realidade abordava temas comportamentais que eclodiam na época. “Era uma revista experimental e cara, com uma equipe de jornalistas jovens. Ela antecedeu a fase de interesse puramente mercadológico da editora Abril”, avalia Fausto.
A história da edição apreendida
Foram seis meses de reportagens para fazer um raio-X da mulher brasileira na década de 60: suas conquistas, seus desejos e seus medos.
As chamadas da capa da edição nº 10 da revista mensal anunciavam o impacto que aquele exemplar iria causar. Confissões de uma moça livre, Eu me orgulho de ser mãe solteira e Porque a mulher é superior eram matérias que davam voz à mulher que aos poucos se desvencilhava de rótulos e conquistava seu espaço.
No entanto, poucas horas depois da distribuição da metade dos mais de 400 mil exemplares, Realidade começou a ser recolhida das bancas com o apoio da Delegacia de Costumes de São Paulo. Os volumes restantes, que ainda estavam na gráfica, foram confiscados para serem triturados logo após. O motivo para a apreensão? Um juiz de menores entendeu que a revista tinha caráter obsceno e feria a dignidade e honra da mulher.
Na opinião de Fausto Neto, a apreensão se deu em um contexto no qual grandes paradigmas morais estavam sendo questionados. “O ano de 1967 foi a antessala da crise de comportamento que ocorreu no final daquela década. O discurso vanguardista da Realidade falava dessas mudanças e das ansiedades femininas, que dialogavam com as ansiedades políticas”.
A edição relançada da revista Realidade traz um panorama sobre a vida da mulher brasileira de 1967 a 2010. Realidade – Edição Especial Mulher custa R$ 20 e já está nas bancas.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
De quem são os filhos adoptivos da dona do 'Clarín'?
De quem são os filhos adoptivos da dona do 'Clarín'?
Adoptados em 1976 , Marcela e Felipe podem ser descendentes de desaparecidos durante a ditadura militar. Foram obrigados a ceder amostras de ADN
Marcela e Felipe não quiseram ceder amostras de ADN ao Banco de Dados Genéticos da Argentina para que se esclarecesse se fazem parte das 500 crianças filhas de presos políticos que nasceram em cativeiro durante a ditadura militar argentina, de 1976 a 1983, e a justiça interveio obrigando-os a colaborar. A polícia entrou em casa dos dois irmãos para recolher roupa de ambos no final de Maio para que fosse entregue para análise. O resultado só será conhecido no final do mês, mas o caso dos dois irmãos tem a Argentina em suspenso: foram adoptados por Ernestina de Noble, de 84 anos, dona do jornal diário Clarín, mas persistem dúvidas quanto às suas origens. O caso arrasta- -se desde 2002.
Nesse ano, as suspeitas de irregularidades no processo de adopção de Marcela e Felipe levaram Ernestina de Noble a ser detida, por ordem do juiz Roberto Marquevich. Foi libertada após alegar problemas de saúde, mas a associação Avós da Praça de Maio, que reúne familiares de desaparecidos, mantém as dúvidas quanto às origens destas crianças, hoje jovens adultos, sobretudo de Marcela, e apresentou o caso aos tribunais, em conjunto com várias famílias.
Ernestina de Noble garante que a menina apareceu à porta da sua casa em Maio de 1976. Carlos Mi-randa, engenheiro mecânico, assegura, por outro lado, que se trata antes da sua sobrinha Matilde, filha da irmã, Amelia, e do cunhado, Roberto Lanuscu, militante do grupo cristão-nacionalista Montoneros. Não são os únicos a reclamar parentesco. A família Gualdero-García acredita que a jovem pode ser a sua neta. E outras 20 famílias que tinham filhas a ponto de dar à luz em da- tas próximas às do nascimento de Marcela e Felipe. Este, segundo Ernestina de Noble, foi-lhe entregue em Julho de 1976 pela respectiva mãe.
Recentemente um antigo director do La Razón, José Pirillo, declarou publicamente que Héctor Magnetto, presidente do conselho de administração do Clarín e marido de Ernestina de Noble, lhe teria pedido que deixasse de publicar relatos de bebés porque os seus filhos adoptivos tinham sido conseguidos através de uma antiga alta funcionária do regime do general Videla.
O caso Herrera de Noble tem dimensão nacional e contornos políticos, dada a relação tensa que mantêm a dona do Clarín e a Presidente argentina, Cristina Kirchner (o grupo editorial critica as opções da governante, esta terá promulgado uma lei que lhes retira os direitos de difusão de transmissões de futebol), o que levou Marcela e Felipe virem a público defender Ernestina de Noble, dizendo que estão a ser usados como arma de arremesso numa outra batalha, política.
A declaração, publicada em vários jornais e transmitida pela televisão em Abril, antes de o tribunal ter determinado a recolha obrigatória das amostras de ADN, os dois irmãos diziam-se perseguidos pelo Governo. "A nossa mãe é a directora do Clarín, mas, para nós foi, é e será sempre a nossa mamã. A pessoa que há 34 anos nos escolheu como filhos e que nos falou com verdade", afirmaram os dois irmãos, declarando-se "com medo, angustiados e perseguidos". Chegam mesmo a acusar a Admi-nistração de Cristina Kirchner de manipular juízes. "O Governo precisa politicamente que sejamos filhos de desaparecidos? E depois, que vão querer? Que a nossa mãe seja a apropriadora?"
As perguntas fo-ram respondidas logo a seguir pelo subsecretário dos Direitos Humanos, Luis Alén. "Causam-me tristeza estes jovens, porque as pressões de que são alvo impedem-nos de ver que não é uma questão política o que está em jogo. Trata-se do direito à verdade de toda uma sociedade e o direito à identidade, não só deles para saberem quem são verdadeiramente mas também das famílias a que pertencem biologicamente, que também querem saber o que aconteceu aos filhos dos seus filhos", afirmou o responsável, citado pelo La Nación. "Conhecer-se a sua verdadeira identidade não significa romper os laços com a senhora Ernestina Herrera, se os querem conservar", acrescentou.
Estela de Carlotto, líder da associação Avós da Praça de Maio (candidato ao Prémio Nobel da Paz), já tinha alertado para os perigos da tensão entre poder político e mediático, pese embora considerar que os atrasos na justiça se devem "a uma certa conivência entre po-der económico e mediático". Algo que foi alterado com a aprovação, em Novembro de 2009, da lei que permite à justiça requerer a recolha compulsiva de amostra de ADN em caso de suspeita e que sejam comparadas com todas as que existem no Banco de Dados Genéticos. O diploma prevê que a obtenção das provas seja feita "do modo menos lesivo e sem afectar o pudor". Precisamente o que os irmãos dizem que não aconteceu. "Tivemos de tirar a roupa diante de sete pessoas", disse Marcela para as câmaras do canal 13, um dia depois de as autoridades terem entrado na sua casa. "Fomos tratados como delinquentes", acrescentou Felipe.
Os argumentos entre as partes esgrimem-se tanto em tribunal como na praça pública. Os Herrera de Noble quiseram impugnar (e não conseguiram) o nome da juíza encarregada do caso, Sandra Arroyo Salgado, acusada de parcialidade por ter prestado declarações sobre o assunto antes de chegar à barra do tribunal. Do outro lado, Pablo Llonto, advogado da família Lanuscu (e antigo jornalisto do Clarín), afirma que houve manobras judiciais do anterior juiz, Conrado Bergesio, para que o caso fosse sendo adiado, à espera que Ernestina de Noble morresse e ninguém fosse julgado.
A empresária assumiu a liderança do Clarín em 1969, após a morte do marido, Roberto de Noble, fundador da publicação nos anos 50, sob protecção de Juan Domingo Perón. Nos anos 70 e 80, já com Ernestina ao comando, cresce e ultrapassa o maior concorrente, La Nación. Ampliou o seu raio de actividade a canais de televisão e rádios.
Abuelas de la Paz, desde Argentina...
El 24 de marzo de 1976 las Fuerzas Armadas usurparon el gobierno constitucional en la República Argentina por medio de un golpe de estado. Desde ese momento, el régimen militar, que se autodenominó "Proceso de Reorganización Nacional", llevó adelante una política de terror. La "desaparición", forma predominante a través de la cual ejerció la represión política, afectó a 30.000 personas de todas las edades y condiciones sociales que fueron sometidas a la privación de su libertad y a la tortura, y entre ellas a centenares de criaturas secuestradas con sus padres o nacidas en los centros clandestinos de detención a donde fueron conducidas las jóvenes embarazadas.
La cantidad de secuestros de niños y de jóvenes embarazadas, el funcionamiento de maternidades clandestinas (Campo de Mayo, Escuela de Mecánica de la Armada, Pozo de Banfield, etc.), la existencia de listas de familias de militares en "espera" de un nacimiento en esos centros clandestinos y las declaraciones de los mismos militares demuestran la existencia de un plan preconcebido no sólo de secuestro de adultos sino también un plan sistemático de apropiación de niños.
Los niños robados como "botín de guerra" fueron inscriptos como hijos propios por los miembros de las fuerzas de represión, dejados en cualquier lugar, vendidos o abandonados en institutos como seres sin nombre N.N. De esa manera los hicieron desaparecer al anular su identidad, privándolos de vivir con su legítima familia, de todos sus derechos y de su libertad.
La Asociación Civil Abuelas de Plaza de Mayo somos una organización no-gubernamental que tiene como finalidad localizar y restituir a sus legítimas familias todos los niños secuestrados desaparecidos por la represión política, y crear las condiciones para que nunca más se repita tan terrible violación de los derechos de los niños, exigiendo castigo a todos los responsables.
Nada ni nadie nos detuvo para buscar a los hijos de nuestros hijos. Tareas detectivescas se alternaban con diarias visitas a los Juzgados de Menores, Orfelinatos, Casa Cunas, a la vez que investigábamos las adopciones de la época. También recibíamos -y seguimos recibiendo- las denuncias que el pueblo argentino nos hace llegar, como una manera de colaborar en la tarea de ubicación de los pequeños. Este es el resultado de nuestra tarea de concientización de la comunidad.
Con el fin de localizar los niños desaparecidos Abuelas de Plaza de Mayo trabajamos en cuatro niveles: denuncias y reclamos ante las autoridades gubernamentales, nacionales e internacionales, presentaciones ante la Justicia, solicitudes de colaboración dirigida al pueblo en general y pesquisas o investigaciones personales. En años de dramática búsqueda sin pausas logramos localizar a 95 niños desaparecidos.
Para su trabajo la Asociación cuenta con equipos técnicos integrados por profesionales en los aspectos jurídico, médico, psicológico y genético.
Cada uno de los niños tiene una causa abierta en la Justicia a la que se agregan las denuncias que se van recibiendo con el correr del tiempo y que conforman elementos probatorios que determinan su verdadera identidad y la de los responsables de su secuestro o tenencia ilícita.
Para asegurar en lo sucesivo la validez de los análisis de sangre hemos implementado un Banco de Datos Genéticos, creado por la Ley Nacional Nº 23.511, donde figuran los mapas genéticos de todas las familias que tienen niños desaparecidos.
Trabajamos por nuestros nietos -hoy hombres y mujeres-, por nuestros bisnietos -que también ven violado su derecho a la identidad-, y por todos los niños de las futuras generaciones, para preservar sus raíces y su historia, pilares fundamentales de toda identidad.
(site http://www.abuelasdelapaz.com.ar/)
Audrey Hepburn é eleita a mais bonita do século
Audrey Hepburn foi eleita a mulher mais bonita do século XX, de acordo com a nota publicada nesta quinta-feira, 1, no site "Sky News".
Segundo o veículo, a diva do cinema - que estrelou clássicos como "Bonequinha de Luxo" e "A Princesa e o Plebeu" foi escolhida em uma pesquisa foi promovida pela pelo canal de vendas britânico "QVC" e teve mais de dois mil votos.
No segundo lugar aparece a cantora Cheryl Cole, e Marilyn Monroe é a terceira colocada. Angelina Jolie, que já confessou se inspirar em Audrey nas questões sociais, ficou em quarto lugar.
Confira o ranking:
1. Audrey Hepburn
2. Cheryl Cole
3. Marilyn Monroe
4. Angelina Jolie
5. Grace Kelly
6. Scarlett Johansson
7. Halle Berry
8. Lady Di
9. Kelly Brook
10. Jennifer Aniston
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Brilho de uma paixão ( filme)

Londres, 1818. Um caso de amor secreto se inicia entre o poeta inglês John Keats, de 23 anos, e sua vizinha Fanny Brawne, uma estudante de moda. Os dois não se dão bem, mas quando ela descobre que ele cuida do irmão mais novo, seriamente doente, se oferece para ajudá-lo. Sua bondade toca Keats que, em troca, concorda em ensinar-lhe poesia.
Intensamente envolvidos, os jovens amantes são tomados por poderosas sensações. Juntos, eles criam uma onda de obsessão romântica que cresce na mesma progressão de seus problemas. Até que Keats fica doente, e o problema se mostra intransponível.
NATUREZA
Natureza
Meu caminho é teu, não sabes, não crês?
Meu carinho é ainda teu, não vês?
Meu sonho é para ti, não percebes?
Meu poema é por ti, não o renegues...
A natureza me fez mulher como as éguas do prado...
E me deu cheiros e sabores estranhos, um fardo,
que carrego com hormônios de semear a terra,
que desdobro em gozos de conceber os frutos,
que acoberto com cada braço que encerra
um recomeço de dia, um alvorecer...
Meu momento de luz é teu, meu sol, minha luz...
Meu tormento é por ti, minha lua, que me induz...
Meu talento é pra ti, doce estrela da manhã,
quando te traio com os pássaros e a eles dou maçã...
A natureza te fez macho para meus deleites e desejos,
mas te deu asas de anjo em corpo de lobo, te deu vôos,
fez de ti um planador alado e risonho, te fez tão alto,
inalcançável até, em tantas vezes nas noites, te assalto,
te roubo a paz, te dou angústias em troca da distância..
Meu caminhar é costurado em atalhos que talho em ânsia
a adorar os campos, cobrir-me de folhas, molhar-me de chuva,
a dançar com pés na terra, agarrar-me às arvores da uva...
Minha estrada é pontilhada de brilhos quando piso a nuvem,
meu corpo é inundado de prazer quando sinto tua penugem,
meus dedos são pequenos e iluminados quando te tocam a alma
Natureza... tu me és o esplender dos deuses...
e se te tenho, nem preciso morrer porque vivo em ti
e transmuto matéria em essência, amor em eternidade calma...
Já não me perturba o fim... ele é apenas transformação
de gente em pó... de pó em gente...
Natureza... tu me invades a gruta da nascente lúdica..
e deixa brotar as águas translúcidas da verdadeira emoção..
Te chegas mais e de ti sinto o conforto pleno e doce,
pelo quanto foi justo ter amado tanto como se eu fosse
capaz de guardar o mundo, de me fazer oferenda e prenda...
Na cerimônia da floresta, só me resta, eu sei,
doar-me ao infinito sentido da natureza em festa...
E , quando as feiticeiras, em sábado feliz , se encontram,
suas vozes entoam o cântico perfeito, elas apontam,
mais caminhos, mais atalhos, mais estradas, mais trilhas,
por onde vamos, nos deixamos ir, por milhas e milhas...
Natureza,
não vês que sigo, não vês que flutuo, não vês que mudo?
Aparecida Torneros (poema de 2005)
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