Maracanã

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Juliette Binoche












Binoche nasceu em Paris, filha do cineasta, ator e escultor Jean-Marie Binoche, e de Monique Stalens, professora, realizadora, e atriz. A mãe de Juliette Binoche é de descendência polaca, e os seus avós maternos de origem polaca e católica estiveram presos em Auschwitz por serem considerados intelectuais [1][2]. Binoche tem também ascendência francesa, flamenga, brasileira e marroquina [3][4] Os seus pais divorciaram-se quando esta tinha apenas quatro anos. Binoche e a sua irmã Marion foram levadas para um colégio interno .


Aos 15 anos foi estudar numa escola especializada, após o que já freqüentava o Conservatório Nacional de Arte Dramática de Paris.



Aos 18, conseguiu um papel num pequeno filme independente, La fille du rallye. Enquanto esperava outras oportunidades de trabalho, trabalhou durante cinco anos como atendente em uma loja de departamentos e como modelo de pintura.

Tinha 24 anos quando foi convidada para um grande desafio: trabalhar com o diretor Philip Kaufman em The Unbearable Lightness of Being(A Insustentável Leveza do Ser). Seu desempenho lhe rendeu elogios e o convite para ser a protagonista de Trois couleurs: Bleu, primeiro da trilogia das cores de Krzysztof Kieślowski, com o qual conquistou o Cesar como melhor atriz. Para esse prêmio, ela seria indicada ainda mais cinco vezes.

Em 1996, a enfermeira canadense Hana, seu papel em The English Patient trouxe-lhe a consagração, simbolizada pelo Óscar de melhor atriz coadjuvante, tendo superado a favorita Lauren Bacall, cuja experiência a Academia de Hollywood preferiu ignorar. Nos bastidores, Juliette afirmou que Lauren é que merecia o prêmio.

Em 2000, foi indicada para o Óscar de melhor atriz por seu trabalho em Chocolat, mas foi vencida por Julia Roberts (por Erin Brockovich).


Além do cinema (é a artista mais bem-paga do cinema francês), Juliette também atua nos palcos da Broadway.

Ela tem dois filhos, Raphael (com Andre Halle) e Hanna (com o ator francês Benoit Magimel).


Em abril de 2006 viajou ao Irão a convite do diretor Abbas Kiarostami, para discutir um possível projeto.


 Filmografia


Liberty Belle (1982)


Fort bloque (1983)


Dorothée, danseuse de corde (1983)


The Chicks (1984)


Hail Mary (1985)


Family Life (1985)


Adieu blaireau (1985)


Rendez-vous (1985)


Le meilleur de la vie (1985)


Mon beau-frère a tué ma sœur (1985)


Mauvais Sang (1986)


Je vous salue, Marie (1987)


The Unbearable Lightness of Being (A Insustentável Leveza do Ser, 1988)


Un tour de manège (1989)


Les amants du Pont-Neuf (1991)


Women & Men 2 (1991)


Emily Brontë's Wuthering Heights (1992)


Damage (Perdas e Danos) (1993)


Trois couleurs: Bleu (A Liberdade É Azul, 1993)


Trois couleurs: Blanc (A Igualdade É Branca, 1994)


Trois couleurs: Rouge (A Fraternidade É Vermelha, 1994)


The Horseman on the Roof (1995)


A Couch in New York (1996)


The English Patient (O Paciente Inglês, 1996)


Children of the Century (1999)


Éloge de l'amour (1999)


Alice and Martin (2000)


La veuve de Saint-Pierre (2000)


Code Unknown (2000)


Chocolat (2000)


Jet Lag (2002)


In My Country (2004)


Caché (2005)


Bee Season (2005)


Breaking and Entering (2006)


Quelques jours en septembre (2006)


Paris, je t'aime (2006)


Le voyage du ballon rouge ( A Viagem do Balão Vermelho, 2007)


Dan in Real Life (Eu, meu irmão e nossa namorada, 2007)


Paris (2008)


L'heure d'été (2008)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Aos 91, morre o pianista e compositor de jazz Hank Jones



O pianista e compositor de jazz americano Hank Jones morreu no domingo, em Nova York, aos 91 anos, anunciou nesta segunda-feira seu representante.



Jones morreu em um hospital de Manhattan por causa de complicacões de uma breve doença que seu agente, Jean-Pierre Leduc, não especificou.

"O mundo do jazz está consternado, ele era um gigante, um dos últimos de sua geração", comentou Leduc.
Entre 1947 e 1953, Jones foi pianista de Ella Fitzgerald e se caracterizou por sua versatilidade artística. Era irmão de Thad Jones, trompetista de Count Basie, e Elvin Jones, percusionista que tocou com John Coltrane.


Depois de sua colaboração com Fitzgerald se associou a Benny Goodman, com quem trabalhou até os anos 70.

Seu estilo fez de Hank Jones um dos pianistas mais solicitados e gravados na história do jaz e participou em vários acontecimentos históricos, acompanhando, por exemplo, Marilyn Monroe em 18 de maio de 1962 quando ela cantou Parabéns para você para o então presidente John F. Kennedy.



Hank Jones , morre o grande pianista de jazz...








Los abrazos rotos -



Vidéo exlusive de Michel Sardou

Michel Sardou La Maladie D'amour

Mireille Mathieu - Pardonne-moi ce caprice d'enfant



L'amour est un oiseau rebelle



Que nul ne peut apprivoiser


Et c'est bien en vain qu'on l'appelle


C'est lui qu'on vient de nous refuser

Despedida, a carta de saudade, a chegada do amor... ( um conto)


Despedida, a carta de saudade, a chegada do amor... ( um conto)


O verão se despedira com braveza. Muita chuva e muito caos. Enchentes marcaram a chegada do outono avassalador. Tragédias, mortes, corações sofridos, terremotos, os ecos do Haiti, bem aqui, no meu pedaço de chão. Assim pensava a mulher que se isolava num pequeno castelo de sonhos antigos. Era justo que ele fugisse para surfar nas ondas fortes de algum Havaí, também ali perto, alguns quilômetros acima, alguns graus centígrados abaixo, na costa leste, abaixo do Equador entretanto, em águas mais cálidas , com alguma sorte para enfrentar a fúria dos oceanos, a beleza múltipla dos tubos perfeitos em cujo vácuo talvez fosse possível não pensar em mais nada, além da vida fluida, da vida transformada em água, a mesma vida que de sólida teria somente a imagem refeita depois da tempestade.


O amor havia chegado sem pedir, como sempre, qualquer tipo de licença. Era marcante sua presença, trazia, mais uma vez, o volume inquietante de sentidos aflorados, ebulição hormonal incontestável, o amor provoca insônia, desfaz tratados, interfere na frequência cardíaca, emudece as frases feitas, constrói expressões verbais alienadas e refaz expressões faciais de encantamento. Também, como um mago impiedoso, o amor cria expressões corporais inimagináveis, serpenteia movimentos pélvicos, multiplica braços e enreda pernas elásticas, encurta distâncias entre bocas e olhos, o amor entontece, entorta, entreabre, entesa, interage, internaliza, inferniza, induz e enleva.


Enquanto ele surfava livremente pelas marolas ao vento, ela adentrava pelos pensamentos intensos, decidira despedir-se dele, apesar da chegada do amor, não era por causa disso, mas era além disso, nem saberia explicar, talvez nem fosse preciso, e se fosse, encontraria uma forma de dizer o que acontecia dentro e fora dela, pensou então num linda carta de saudade.
Sim, esse era o melhor caminho. Falar do quanto a saudade imensa, as muitas ramificações de saudades várias, os acompanhariam pela eternidade. Sentiriam saudades daquele primeiro olhar profundo, e do sorriso no canto da boca inesquecível, também das mãos que se entrelaçaram pela primeira vez, e do grito apaixonado de algum momento selvagem. Lembrariam momentos, lugares, recantos, gestos, palavras, recordariam diálogos, acolheriam silêncios, confundiriam até o que nem sequer teriam vivido, com o que sonharam viver. O jantar à luz de velas, o buquê de flores que ele enviou, a manhã quando esperaram pelo nascer do Sol, sentados na areia da praia, aquela caminhada em volta da lagoa, o sorvete que dividiram naquela tarde tórrida, a foto que tiraram abraçadinhos na noite de lua cheia. Quantas memórias do que viveram, sonharam e do que nem conseguiram realizar, mas, no fundo, foi-lhes facultado sentir e projetar. A viagem para o outro país. Aquela sensação de que só tinham um ao outro no mundo inteiro e a melhor gargalhada que deram juntos na madrugada em que, juntos, quebraram a cama do hotel.


Ela descreveria tudo na carta, carinhosamente, agradecendo cada minuto de felicidade que passaram juntos. O amor trouxera para ambos o efeito catalisador que proporciona atingir a paz que mereciam.


Em paz, sim, ela e ele se amaram em paz, sem conflitos, com a tranquilidade dos honestos que são fiéis, que se entregam de corpo e alma, que sabem exatamente qual o momento de desperdir-se antes de qualquer dor ou sofrimento.

Para fechar a carta de saudade, uma despedida calma, serena, repleta de um amor maduro e plácido, um amor capaz de renúncia, pleno de felicidade e aconchego, um amor saudável que não prende, que solta, que deixa ir, que se deixa levar pelo tempo, que se doa à saudade.


Depois de escrita a carta, ela enviaria pelo correio, seria mais tradicional, ele ia receber sua mensagem, para reler, com certeza, numa noite dessas, muito tempo depois, sentindo o perfume dela na folha amarelada, e observando o beijo de batom que os lábios dela ali deixaram impressos como assinatura.


Melhor assim. Uma carta assinada com um beijo, dedicada a um amor que viera no vaivem das ondas do mar, um amor que pegou seus corações, tumultuou seus pensamentos, invadiu seus sentimentos, fez história em suas vidas.

Ele continuou a surfar e ela seguiu reclusa em seus pensamentos. Ambos permaneceram felizes. Nunca mais se afastaram, porque um ficou dentro do outro para sempre, cada qual no seu mundo particular.


Cida Torneros

Eydie Gorme y Danny Rivera - "Para Decir Adiós"

Danny Rivera - Madrigal

Como um madrigal... ( escrito em 2007)



Como um madrigal...



Acordo com a emoção à flor. Há um sol imenso adentrando no meu quarto. Na memória recente ainda vejo a luz da lua da noite passada, desde o Forte de Copacabana. A vernissage promovida pela Casa da Fazenda, de São Paulo, aconteceu no Rio, com artistas colorindo a vida, através dos seus quadros a retratar emoções insurgentes.


Carlos, meu amigo "mecenas", trazendo de Jundiaí, a pintora Ângela, como seus nus femininos, na fantasia das curvas buscando exprimir o conceito do belo de um corpo humano sempre único. Vou lembrando das imagens que fixei na retina de tantos outros múltiplos trabalhos de tanta gente expressiva. Brasília retratada como um corpo humano. Conversei com a jovem autora e com o pesquisador da tese mística, que explica o plano piloto como se fôra concebido a partir da anatomia.


Sigo na manhã. Deixo-me ir com o som da canção hispânica que preciso agora. Fala de um madrigal, que é trazer dentro do peito o amor de alguém. Aí, registro o momento em que vi o embelezamento do Chico Caruso diante de uma obra que estampava o corpo deformado pelo tempo de uma senhora idosa e nua. Ele ia e voltava e parava ali, diante da tela exposta. Seu pensamento parecia emanar brilhos de elucidação, me atrevi concluir, enquanto eu mesma buscava introjetar o amor que todos trazemos no peito, de alguma forma.


A noite se completou com um jantar com o casal de amigos,e depois, o caminho solitário para casa, e a sensação de ter incorporado mais histórias ao relicário que vou amealhando com a vida dos que trocam suas histórias comigo, enquanto os aceito como são, sem juízo de valor, por ser quem costumam ser, pessoas capazes de exprimir sentimentos, de viver a vida, o que é mistério e desafio.


O calor espicaça meus sentidos agora. Há um verão transbordante no meu coração. Há uma luz extasiante nas figuras pintadas na dor da criação, quando alguém precisa parir amores que já nascem assim, fadados a se transformarem em madrigais amealhados nos anos.


Sei que esses amores existem, para que sejam pintados em telas de todos os matizes, cantados em verso e prosa com todas as palavras, ou se transformem tão somente em objetos de recordação, retirados dos guardados de armários emocionais fictícios, para que apanhem o ar antioxidante de uma manhã em verão escaldante, como este agora, parando de novo o tempo.


Então, me disponho a sentir uma ponta de saudade de tanto quadros impressos na memória visual, já que eles seguirão como um madrigal, transmutando formas no meu caminho, intercalando real com imaginário, sem definir a linha tênue em que termina o sonho e devo acordar para a realidade.


Aparecida Torneros

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Elís Regina - Fascinação - Clipe ( conto o Relicário da Velha Senhora)




O relicário da velha senhora


Seu quarto, se é que se poderia chamar aquele ambiente de quarto, parecia um amarfanhado de móveis e objetos, misturados os estilos, entranhando os laços do tempo, um rebuliço de cores e molduras. Tudo levava a crer que sua vida fora um ir-e-vir de constantes buscas pelas alegrias da vida, passando, evidentemente, por suas cruezas.


Ela mantinha ainda, apesar dos seus oitenta e tantos, um sorriso esperto, e, com surpresa, fazia brilharem os olhinhos azuis, circundados por uma pele pregueada, de um rosto expressivo, que me induzia a respeitar pessoas cujas vidas tenham superado os dias e as noites, à procura da felicidade. Sem titubear, eu que a conhecera há pouco tempo, numa praça qualquer, já me sentindo sua amiga, apesar de uma diferença de idade beirando quarenta anos, fiz a pergunta que me engasgava desde que aquela velha senhora me infundira um certo gosto pela sua dignidade solitária.

- A senhora se sente feliz? Esperei seu semblante aquietar-se. Naquela visita semanal, que me habituara a fazer-lhe depois que sumiu da praça, por causa de uma artrite enfadonha, entre um chá e umas torradinhas, minha amiga octogenária me mostraria a importância do amor à vida.


Sua resposta soou calma aos meus ouvidos. Levou-me às lágrimas pelo conteúdo e pela forma. Admirei-a profundamente. Fiz-me pequenina diante da grandeza de criaturas como ela, que precisam tão pouco para serem felizes. - Menina, disse-me, claro que sou feliz! - Você ainda não percebeu? Tenho tudo. Possuo um imenso relicário no coração. Tenho a história da minha própria vida. Ora, minha amiguinha, quantos podem olhar para trás como eu e lembrar de tantos momentos incrivelmente maravilhosos. Fui uma menina que brincou descalça nas ruas de um subúrbio e subi nas árvores para comer suas frutas. Estudei e aprendi a ler, o que no meu tempo não era privilégio das mulheres.


Também, tive um grande amor que só conheci aos cinquenta anos, e, como ele fosse um homem casado com outra, pudemos ter maravilhosos encontros, inesquecíveis, que me renderam belos poemas, que guardo como um relicário. Sou uma mulher tranquila, leio ainda meus livrinhos e posso fazer minhas orações ao cair da tarde, agradecendo a Deus esta longa vida. Além do mais, veja como a vida me recompensa de tudo, ao me presentear com uma nova amiga que me visita, que me ouve, e que me dá a chance de dizer-lhe que precisa também a aprender a guardar num relicário cada instante, como este agora.

Dizendo isso, a velha senhora, me puxou a mão e passou-a na sua cabeça. Senti a seda dos cabelos branquinhos. Chorei pela liçao de vida que acabara de receber e liguei o pequeno rádio da sua cabeceira, esperando que uma canção qualquer nos aliviasse a força do sentimento. Ironia, coincidência ou magia dos deuses, o radinho berrou lindamente: - Os sonhos mais lindos, sonhei.. és fascinação , amor... Recolhi-me, por segundos, fascinada pela vida, mais uma vez. E pus-me a juntar elementos vitais para o meu próprio relicário, a partir daquele dia.

sábado, 15 de maio de 2010

Sandrine Kiberlain : Mademoiselle Chambon










Os dilemas do amor em mademoiselle Chambon


Os dilemas do amor em mademoiselle Chambon





Crítica





14 de maio de 2010

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo


Com Mademoiselle Chambon, o diretor Stéphane Brizé faz um registro preciso da vida da província na França. Sim, é também, e principalmente, um filme de amor, mas que só ganha sentido ao ser desenvolvido no ambiente mais reservado do interior.
Um dos personagens, Jean (Vincent Lindon), é um pacato pedreiro. Casado, ele é bom pai (tem um filho), bom marido e ainda cuida do próprio pai, idoso. Ela é Véronique Chambon (Sandrine Kiberlain), mestra substituta, que passa um ano em uma cidade, depois arruma as malas e é despachada para qualquer outra região da França.
Jean é a estabilidade; Véronique, a itinerância, a mudança permanente de lugar. Ela tem uma janela com defeito em casa e chama Jean para fazer a reforma. Toca violino; Jean gosta da música. Ele é enraizado no interior; ela vem da região parisiense. Todo um jogo de oposições, bem francês no caso, aí se insinua, em particular na dialética Paris versus provence. Na França, o que é a "provence"? Simples: tudo o que não é Paris. Toda uma experiência social se lê nessa dicotomia.


Jogada assim, essa oposição poderia fazer de Mademoiselle Chambon um filme-clichê. Não é assim. E não o é pela sutileza com que Brizé aproxima esse par de contraditórios. Na França, não há grande distância social entre um bom pedreiro e um professor competente. A diferença entre os personagens talvez seja mais cultural. Mas, como se sabe, esta não é suficiente para anular uma atração mútua. O problema está em outra parte e diz respeito à estabilidade, ou, pelo contrário, à disposição em assumir riscos e jogar tudo para cima ao embarcar numa aventura.
Para interpretar esse impasse, Brizé conta com um par de ótimos atores. Em especial Lindon, que, com poucas palavras, mas um rosto expressivo, transmite ao espectador todo o seu dilema. Para o cinema-clichê, o homem apaixonado é sempre alguém exultante. Em Chambon vemos esse homem angustiado, dividido entre impulsos que se anulam mutuamente. De um lado, a vida que construiu e com a qual se sente feliz, mas talvez não de maneira integral. De outro, a promessa de felicidade, mas que só se pode cumprir ao preço da infelicidade alheia.


O filme funciona assim, entre a culpa e o desejo. Pode até parecer fora de moda quando se acredita que todos as vontades podem ser satisfeitas sem demora ou entrave. Na verdade, não funciona assim e as pessoas continuam a ter de fazer negociações graves entre o desejo e suas consequências. Filme adulto, em suma. Delicado, ainda por cima.


MADEMOISELLE CHAMBON


Direção: Stépahne Brizé. Gênero: Drama (101 minutos). Cens.: 14 anos

Rede integra museus de história da medicina de todo o país

Cida Torneros conduziu a cerimônia de lançamento ( fotos de Ana Paula da Fonseca)


Rede integra museus de história da medicina de todo o país
14/05/2010


A Federação Nacional dos Médicos lançou, no dia 12 de maio, no Rio de Janeiro, a Rede Nacional de Museus de História da Medicina (RNMHM), evento que estabeleceu um marco na história da entidade. A solenidade reuniu no Hotel Windsor Guanabara convidados e representantes de oito dos 12 museus e memoriais que já aderiram à Rede e contou com palestra do professor Luis Antonio Castro Santos, que falou sobre "História das doenças e instituições de saúde: encontros e desencontros". Depois da conferência, foi lançada a Rede, com a adesão de todos os museus de história da medicina do país.


A Rede Nacional de Museus de História da Medicina (RNMHM) tem como objetivo integrar e aperfeiçoar o trabalho dos museus de medicina existentes no Brasil, bem como fomentar a criação de novas Instituições no setor, para preservar e divulgar o patrimônio cultural médico brasileiro. Funcionará por meio de um comitê gestor e cada instituição é co-responsável pela criação da RNMHM. A adesão dos museus e memoriais não acarreta custos por parte da instituição-membro. Do mesmo modo, a Rede não tem nenhum tipo de compromisso econômico com os museus cadastrados e é a Federação Nacional dos Médicos que vai coordenar e apoiar os trabalhos, que serão voluntários por parte das instituições.
Os museus, memoriais e entidades médicas que já aderiram à Rede são os seguintes: Museu da História da Medicina do Rio Grande do Sul, Centro de Memória da Medicina, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Museu da Vida, da Fundação Instituto Oswaldo Cruz; Casa de Oswaldo Cruz, da Fiocruz; Museu da Academia Nacional de Medicina, Museu Histórico Dr. Wladmir da Prússia Gomez Ferraz, da Unifesp; Museu Histórico Carlos da Silva Lacaz, da Universidade de São Paulo (USP), Memorial da Pediatria, do Rio de Janeiro, Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Associação Comercial do Rio de Janeiro, Museu da Medicina do Pará, e Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Acesso


Integrando as instituições, a Rede Nacional de Museus de História da Medicina possibilitará também que o público tenha acesso a todo o acervo disponível sobre a profissão mais antiga e conhecida no mundo. O objetivo principal é fazer com que toda a população possa conhecer objetos, obras literárias e de artistas plásticos, entre outras peças, que contam não apenas a história da medicina, mas também a própria história do Brasil.

Entre as peças que integram os acervos desses museus estão obras de Candido Portinari, Rodolfo Bernadelli, Batista da Costa e René Lalique; réplica fiel do estetoscópio em madeira inventado por Laennec em 1818, cujo original foi trazido para o Brasil pelo médico de D. Pedro I; óculos que pertenceram a escritores, intelectuais e políticos como Dom Pedro II, Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, Rui Barbosa, Guimarães Rosa e José Lins do Rego; cadeira-trono onde D. Pedro II se sentava quando participava das sessões solenes da Academia Nacional de Medicina; objetos de uso pessoal dos médicos Juliano Moreira, Carlos Chagas, Oswaldo Cruz e Miguel Couto; além de peças curiosas que mostram de que maneira a medicina era praticada antigamente, como os bisturis utilizados no século XIX, o aparelho de alta frequência usado na década de 20 para terapia através da corrente elétrica; seringa do século XVIII utilizada na lavagem de ouvidos, bem como selos raros ligados à personalidades e a fatos históricos relacionadas à medicina.

Lacuna
“A Rede Nacional de Museus da História da Medicina preenche uma lacuna na articulação de todas as entidades que trabalham, que cuidam, que zelam pela preservação da memória do trabalho médico, pela memória da medicina de uma maneira geral. São entidades que, em geral, trabalham de forma isolada e que a Rede vem interligar e fortalecer individualmente o seu trabalho. Com isso, a FENAM claramente está dando a sua contribuição no sentido da preservação da memória da medicina, do trabalho médico e da saúde do nosso país”, afirmou Waldir Cardoso, secretário de Comunicação da FENAM e coordenador do trabalho de implantação da Rede, que na cerimônia de lançamento representou o presidente da FENAM, Paulo de Argollo Mendes.

Força
“A criação da Rede dá força a uma área que na medicina às vezes não ocupa o lugar que devia ocupar. É importante não só do ponto de vista médico, mas do ponto de vista da saúde. São várias frentes de trabalho, que exigem uma preocupação histórica de verificar o início de tudo, quer dizer, como é que começou a discussão sobre varíola, sobre gripe. Quando se fala em gripe e gripe espanhola, qual é a diferença entre uma e outra, ou seja, são tempos diferentes e é interessante comparar sempre, porque na medida em que fazemos essa comparação, percebemos a importância do trajeto histórico para entender o que se passa hoje em dia, os desafios, os erros, os descaminhos, os exageros, às vezes, de interferência médica na vida social”, ressaltou o professor Luis Antonio Castro Santos.


Encontro

A criação da RNMHM foi viabilizada durante o I Encontro Nacional de Museus de História da Medicina, evento realizado pela FENAM nos dias 11 e 12 de março deste ano, no Rio de Janeiro, apoiado pelo Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul e pelos Sindicatos Médicos do Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Pará, São Paulo e Minas Gerais, com a adesão de outras instituições do país.
Fonte : Denise Teixeira

terça-feira, 11 de maio de 2010

Maria Bethania canta "A saudade mata a gente" em Sao Paulo.

Dick Farney e Lúcio Alves - "A Saudade Mata A Gente"

musica japonesa

Carinho de Gueixa



Carinho de Gueixa



Maria Aparecida Torneros da Silva


Nos idos do século XX, bem no tempo em que aquele povo vivia o ressurgimento econômico impulsionado por uma incrível busca tecnológica, apesar do contraste de tradições milenares, a jovem jornalista latino-americana surpreendeu-se com a superdose de história, quando a gueixa, de 54 anos, aconselhou-a a conservar em si um certo carinho cultivado. Soou estranhamente aos seus ouvidos aquele ensinamento sábio. Era como um bálsamo de luminosidade tênue, vindo daqueles lábios mansos, em rosto de giz, corpinho franzino, de uma mulher que lhe contava sobre a adolescência, no exato momento em que decidiu que seria gueixa. A entrevista, publicada em revista de grande circulação, talvez não tivesse ainda conseguido retratar pormenorizadamente, tal a imaturidade da profissional iniciante, a profundeza realista de um dado até certo ponto tão banal.

Passados mais de trinta anos, agora, sim, ela compreendia o alcance daquelas palavras na sua vida de altos e baixos amorosos. Carinho de gueixa era tudo o que devia oferecer ao homem amado. Aprendera a emanar da ponta dos dedos vagarosos um certo calor capaz de apaziguar alma penante ao mais brando toque. Era assim mesmo aquele instante de doação sublime, roubado do tempo de feminilidade com doçura e esperteza. Bastava aconchegar o corpo do parceiro elevando à condição de infante o homem que se entregava aos seus braços, deixando-o à mercê da paz mais reconfortante. A cada vez que acariciava a pele dele, sussurrando expressões de afeto, a criatura vivida recordava a figura da senhora japonesa, em trajes floridos, sentada à sua frente, num bar de hotel cinco estrelas, na cidade de Tóquio, no meio da noite, explicando-lhe a diferença sutil entre uma prostituta e uma gueixa. Ficou atenta ao linguajar da bela de olhos puxados, cujo discurso um intérprete ia tornando claro, tentando absorver daquela representante genuína de uma cultura tão diferenciada da sua, cada detalhe, cada suspiro, cada sorriso lânguido. Havia magia naquele encontro. Desde a chegada, em passinhos curtos, a pequenina dama do oriente a fascinara. Não havia como definir sua idade, isso só foi possível porque ela revelou durante o colóquio, à medida que se estabeleceu entre elas, uma certa confiança identificada pela feminilidade de ambas.

Não esperava mais do que um bom conteúdo para uma exótica reportagem sobre uma prática social onde as mulheres gueixas, em plena modernidade, ainda conservavam ao dedicarem suas vidas ao destino de servir aos homens, acalentá-los, entretê-los, servi-los com chá e canções, banhos e massagens. Porém, a repórter de apenas 22 anos foi premiada com muito mais. Obteve da senhora, algumas confissões impublicáveis, na época, que, gentilmente guardou para si, com respeito.

Também, no ápice do ping-pong, aquela mulher de aparência frágil expressou a fortaleza do espírito iluminado, sem queixar-se do cotidiano, ao contrário, demonstrou um orgulho latente do trabalho importante que era tornar os homens felizes ao seu lado. Falou da necessidade de manter a ala masculina em estado de graça, para que sua responsabilidade fluisse em prol da humanidade. A tal nipônica, saída dos livros de contos fantásticos, estava viva, era real, nem parecia se importar com a velocidade do trem bala, ou com a parafernália de som e imagem que começava a invadir a vida do seu povo na corrida pelo desenvolvimento econômico. Foi então, que ao finalizar seu encontro, as duas tiveram as mãos entrelaçadas, troca intensa de olhares, como pano de fundo para a lição principal.

Ao se despedirem, naquela madrugada de 1972, a cidade silenciosa ficou para sempre na sua memória como o lugar de grande contraste. Hoje, ainda ouve, no seu mais interiorizado sentido de amor, a voz maviosa e anestesiante da linda senhora japonesa. - Querida, guarde em você, como lembrança do Japão, que o segredo da felicidade de um homem, é ter uma mulher com carinho de gueixa. Quando estiver com o seu amor, lembre-se disso! Eu me lembro sempre. Como vou esquecer que fui repórter da velha revista O Cruzeiro, para a qual escrevi a matéria "Uma gueixa de meia idade conta seus segredos"?

Aparecida Torneros

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Reproduzindo do Bahia em Pauta, a homenagem ao Dia das Mães



‘Las manos de mi madre” (As mãos de minha mãe), com a saudosa argentina Mercedes Sosa, a música do dia no Bahia em Pauta (sugira a sua) , vai paras todas as mulheres-mães neste domingo especial.


Mulher-mãe, como assinala Cida Torneros na bela crônica publicada hoje no BP, “é toda mulher, mesmo sem ter tido filhos, tem sempre crianças que cruzam seu caminho e pedem colo. Um bebê pode ser até um homem de 40 anos, quando ele deita e pede chamego, freudianamente querendo colo de mãe, já crescido e criado, precisando crescer depois de crescido”…


Uma canção para Jandiras, Celinas, Alices, Marcias, Reginas, Bigas, Marianas, Graças, Patrícias, Carminhas , Grazzis, Cidas, Danis, Olívias, Margaridas, Mercedes…


(Postado por Vitor Hugo Soares )

Dueto - Chco Buarque & Nara Leão

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O filme argentino e os olhares secretos diante das portas da vida...


O filme argentino e os olhares secretos diante das portas da vida...



Custei a ver o filme premiado com o Oscar de melhor estrangeiro. Li algumas boas críticas, adiei, e finalmente, fui , incentivada pelo meu terapeuta, que me avisou sobre um personagem importante no enredo: uma porta.




Ao me envolver pela trama policial e pelo romance, percebi-me tensa e racional. A doutora Irene, que sempre deixava a porta da sua sala aberta, diante do olhar apaixonado do seu subalterno perito judicial, um obstinado que detecta o segredo de um criminoso, exatamente pelo olhar que está presente em várias fotos antigas da vítima, apresentadas pelo marido viúvo, inconformado pela violência do assassinato da linda mulher amada.



Durante toda a exibição prestei muita atenção aos personagens, seus olhares fortes, profundos, as mazelas emocionais que, injustamente, percolam as portas da justiça, os dramas pessoais, de quem exerce profissão de descobrir, prender, interrogar, perseguir ou julgar alguém que mata alguém, e, segundo as leis da Argentina, devia ser condenado à prisão perpétua.



Vi que a vida transcorrida nos 25 anos de história por que passam os protagonistas do enredo, muitas são as prisões em que se enclausuram, desde a rigidez de princípios ou da solidão de valores a defender, vi que o argumento mereceu o prêmio por interceptar as portas de almas e corações, algumas vezes tão fechadas em olhares que tentam abrir-se para revelar emoções, noutras tão abertas para que todos partilhem os segredos das conversas. Estas, nunca se permitem existir sinceras, camuflam-se, assumem versão conveniente, a vida segue, as pessoas envelhecem, nem sempre amadurecem, e muitas vezes se tornam mesmo prisioneiras das suas histórias, dos seus passados. Gastam seu tempo repetindo tramas ou revivendo episódios reproduzidos em maior ou menor escala.



Há pouco tempo, uma noite, dormi, por descuido, com a porta da minha casa, aberta, não lhe passei a chave. Na manhã seguinte, pus-me a conjecturar, com a viagem meio alucinada de escritora e contadora de histórias o que poderia ter-me acontecido. Um invasor, talvez um estuprador, um ladrão, sei lá, uma casa térrea, cuja porta se manteve destrancada toda uma madrugada, onde vive e dorme uma mulher solitária. Daria um roteiro para outro filme de suspense, imagino.



Mas, não se deve abrir porta por descuido. Abre-se a porta do coração para quem se pensa conhecer. Abre-se a porta da casa para quem é amigo e confiável. Abre-se as janelas da alma para que os bons ventos tragam felicidade, e é saudável fechá-las diante dos invernos rigorosos, das tempestades e dos vizinhos alcoviteiros.


Grande filme. Fez-me repensar sobre a infeliz necessidade de se usar cadeados, do medo da violação, da incerteza dos amores que vivem pelas ruas e que não sabem conviver em salas ou sobreviver em conversas nas mesas de jantar. Amores talvez que precisem somente de camas mal arrumadas, pequenos espaços de fuga, amores adolescentes, quase infantis, mas que também guardam lembranças de intensos e secretos olhares.


Saí do cinema imaginando que 25 anos não representam quase nada... Como diz o tango tradicional, vinte años no es nada... o que é e conta, realmente, é o momento em que um sobrevive e se liberta dos seus passados revividos, que se livra das suas próprias prisões perpétuas.



Aí, como no final do filme, o sorriso brilha e o olhar se enternece, a palavra solta o verbo preso na garganta, a declaração de algum amor sufocado explode na sala, que, embora de porta fechada, se transforma então no reduto mais liberado do sentimento que andou buscando espaço e ziguezagueou por muito tempo nos confins da dúvida, nos porões da doença emocional, na escuridão da vingança, na infelicidade de um dia-a-dia tirano ou mesmo, na tentativa de fuga de algum assassino confesso.



O que me deu intenso prazer ao assistir "o segredo dos seus Olhos" foi a sensação plena do quanto é importante estar-se atento para abrir ou fechar portas nesta vida, que nos impulsiona, inadivertidamente, a olhares cujo segredo pode ser desvendado, repentinamente, pela razão ou pela emoção, melhor que o seja por ambos, em sintonia com a magia do encontro humano verdadeiro.



Cida Torneros





"O Segredo dos seus Olhos" combina suspense e romance

Pulicada em 25/02/2010




SÃO PAULO (Reuters) - Conhecido por sua comédia de sucesso "O Filho da Noiva" (2001), o diretor argentino Juan José Campanella surpreende pela profundidade e combinação de gêneros de seu novo longa, "O Segredo dos seus Olhos", indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e que estreia em São Paulo, Rio, Porto Alegre e Brasília.


"O Segredo de Seus Olhos" é protagonizado por Ricardo Darín, o ator-fetiche de Campanella, que aqui está num registro diferente daquele que o transformou numa presença constante em comédias argentinas.


Como pede seu personagem, o oficial de justiça Espósito, ele tem uma interpretação mais contida e, por isso, repleta de nuances. A maquiagem contribui nas idas e vindas no tempo da narrativa, mas é o trabalho do elenco - que também inclui Soledad Villamil ("Não É Você, Sou Eu") e Guillermo Francella ("Rude e Brega") - que dá a credibilidade à combinação de estilos e à transição entre passado e presente.


Roteirizado por Campanella e pelo escritor Eduardo Sacheri (autor do romance no qual foi inspirado), o filme toca em feridas da história argentina sem nunca fazer destas o seu tema principal, ou sua razão de ser. Um dos tempos da narrativa é em meados dos anos 1970, quando uma moça é encontrada brutalmente assassinada. Apesar de motivações políticas serem mencionadas - "Seria ela uma subversiva?" - elas não são aprofundadas, pois o foco do diretor é outro.


O poder do amor, da obsessão e a sede de vingança são o que move os personagens. Espósito trabalha num tribunal de justiça criminal, chefiado por uma mulher, Irene (Soledad), por quem ele se apaixona platonicamente. O romance deles sobrevive três décadas depois quando, já aposentado, ele ainda visita a amiga - eterno amor - que trabalha no mesmo tribunal, onde passam horas conversando.


No presente, ele escreve um livro de ficção inspirado naquele crime, possivelmente até hoje sem solução - ou pelo menos, com uma resolução frustrada. O passado jamais descansa. Por meio de flashbacks, que entrecortam toda a narrativa, descobre-se que Espósito foi o detetive que solucionou o caso.


O assassino é descoberto, mas logo ganha liberdade, pois se oferece para ser informante da polícia e fazer o trabalho sujo que a ditadura militar necessita.


"Subversivos são mais perigosos do que estupradores e assassinos", comenta uma pessoa ligada à Justiça. Isso incomoda tanto Espósito quanto o marido da vítima (Pablo Rago, de "Apaixonados"), que todos os dias passava por uma estação de ônibus, na esperança de que o assassino, que ele sabia quem era, passasse por ali.


A montagem, também assinada pelo diretor, dialoga com o passado, com a urgência da resolução do crime, e o presente, carregado da melancolia das oportunidades perdidas. Os personagens olham para trás e analisam as suas vidas e constatam que se transformaram naquilo que nunca planejaram ser.


Esse é sem dúvida o filme mais sombrio e mais interessante do diretor que, ao combinar um clima noir com um drama dos romances frustrados, é capaz de prender a atenção por mais de duas horas. Em se tratando da direção, aliás, existem algumas sequências memoráveis. Especialmente uma tensa e longa perseguição num estádio de futebol abarrotado de torcedores numa noite de jogo.


(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

O Blog da Mulher Necessária participa do Top Blog 2010

O segredo dos seus olhos...filme argentino excelente!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mulheres-mães

Semana de mulheres-mães. Será que todas, mães biológicas  ou não,  já nascem com o gen especial da tal maternidade?

Sempre achei que tem mãe de verdade, de brincadeira, de mentira, de coração, de hora do recreio, de cama de hospital, de carteira da escola, de fila do cinema, de beira de estrada, de cama vazia, de peito aberto, de peito farto, de peito seco, de sonho incompleto, de sonho desfeito, de sonho realizado, de sorte na vida, de perda e superação, de saudade e  história, tem até mãe de guerra sem paz e de praça de maio, ou melhor, tem avó, tem mãe duas, três vezes, se precisar, tem mãe multiplicada, multifacetada, aquela capaz de aparecer na  imaginação do menino abandonado na rua, ou na mente da criança que vive no abrigo mas que nunca esqueceu do seu cheiro antigo.

Mãe tem enredo e tem memória, no coração de qualquer um, e tem muita mãe na porta do presídio para levar comidinha gostosa na visita de domingo. Não importa o erro de um filho ou filha, o que fica é o instinto de  proteção, esse vale uma vida inteira, e mãe de sangue  ou de criação, de  barriga  ou de afinidade, carrega a bravura de defender a cria, tem mãe que morre se  ponto na frente da bala dirigida ao rebento. Algumas se lançam no mundo pra ganhar dinheiro, sustentar, dar o  pão e a casa, prover a família, nem sobra tempo pra elas mesmas. Mas tem as que nem conseguem viver o sacrifício e doam seus bebês, com a certeza de que serão melhor cuidados  por outras mães e pais. Essas, naturalmente sofrem  a vida toda, nos instantes de auto-resignação e se consolam com a lembrança de algum    pequeno instante em que suas  crianças estiveram nos seus braços ou sugando seus seios.

Vida bandida, vida perdida, vida dura e traiçoeira, quando afasta mães e filhos,  por necessidade, por maldade, por guerra, por viagem,  por doença, por morte,  por tanto senão, e tanta razão que  nem tem  porquê. 

Mulher-mãe é  toda  mulher, mesmo sem ter  tido filhos, tem sempre crianças que cruzam seu caminho e  pedem colo. Um bebê pode ser até um homem de 40 anos, quando ele deita e pede  chamego,  freudianamente querendo colo de mãe, já crescido e criado, precisando crescer depois de  crescido...

Histórias de mães são todas  sentimentais, quase sempre. Mas tem as de finais felizes e bons resultados de criação dedicada,  assim como há os  relatos de superação pra tantas asperezas do mundo cruel, e  lá se vê a figurinha de alguma delas, as tais mães postiças  ou reais, as que tem palavras  doces  nas horinhas certas, e que  emitem conselhos ásperos nas  vezes necessárias. Elas esbanjam carinho e força, e escondem fraqueza e medo, dentro da geladeira, no fundo das  suas cozinhas, ou na  beira dos tanques, ou debaixo dos chuveiros, lá estão as taizinhas, se permitindo chorar, nunca na frente dos filhotes que precisam amadurecer,  apesar de tudo.

Mães  são mulheres  especiais, aliás, as mulheres  é que se fazem mães em ocasiões especiais. Mães que são médicas e adotam pacientes em leitos de  hospitais, num pacto sigiloso. Mães que são garotas de programa e embalam marmanjos chorões em segredos que ficarão guardados pro resto da vida. Mães que são professoras  confessoras que ouvem os conflitos de  alunos  sem rumo. Mães que são policiais encarregadas de corrigir detentas, mães que são psicólogas, jornalistas, costureiras, manicures, cabeleireiras, taxistas, e  no seu ofício diário, têm sempre uma  palavra amiga,  um  ouvido atento, um  jeito maternal de acolher súplicas e lamúrias ou dividir alegrias e  contentamentos.

Mulheres  se confundem enquanto mães ou criaturas  predestinadas a abraçar  carinhosamente qualquer um de nós. Seus  olhares são tão especiais  e  suas presenças tão ansiadas. Mãe  é mãe,  claro, ela sobrevive intensa e  internamente em cada fêmea  de qualquer  idade, em cada  cultura, ao seu modo, com peculiar  desempenho e eterna  doação de vida.

                                                                          Cida Torneros

     

Crônica de Marta Medeiros

Crônica de Marta Medeiros



Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: 'olha, não dá mais'. Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: mas agora eu to comendo um lanche com amigos'. Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?


Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.


Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito!

Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu. Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos, filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.


Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.

Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto.


O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.


Até que algo sensacional aconteceu...


Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher DEMAIS para ele. Ele quem mesmo???


Martha Medeiros

terça-feira, 4 de maio de 2010

Novas mulheres, Conttardo Calligaris


Novas mulheres

Contardo Calligaris           --------------------------------------------------------------------------------


É bem possível que os homens estejam piorando, mas elas estão cada vez melhor


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" SONHOS ROUBADOS" , de Sandra Werneck, entrou em cartaz na sexta-feira passada. Alguns críticos trataram do filme junto com o de Laís Bodanzky, "As Melhores Coisas do Mundo" (sobre o qual escrevi na minha última coluna). A razão desses comentários conjugados é que os protagonistas do filme de Bodanzky são adolescentes de classe média, enquanto o filme de Werneck conta a história de três meninas da periferia. Portanto, juntando as duas películas, teríamos um retrato da adolescência brasileira ou, no mínimo, de seus dois extremos. É nesse estado de espírito sociológico que fui assistir a "Sonhos Roubados" e que li o livro de Eliane Trindade, "As Meninas da Esquina" (de 2005, relançado agora pela Record), que reúne os diários de seis jovens mulheres, três das quais, com condensações e adaptações, são as protagonistas do filme de Werneck.




Mal precisei esperar até a metade do filme para que meu estado de espírito mudasse (e o mesmo aconteceu ao avançar na leitura do livro): rapidamente, eu me apaixonei pelas protagonistas e me esqueci da periferia, que é o pano de fundo da história. Por quê? Simples: é verdade que as três jovens são vítimas da desigualdade social brasileira, mas é também verdade que elas não têm vocação alguma para o papel de vítima. Ao contrário, elas são as admiráveis heroínas de suas histórias.





Jéssica, Daiane e Sabrina vivem de expedientes, entre fugas da escola, pequenos empregos, famílias patéticas e prostituição ocasional. Nessas condições francamente adversas, elas não deixam de inventar a vida.



Jéssica e Sabrina não desistem de ser mães. Daiane não desiste de encontrar uma profissão e uma família -se não um pai, pelo menos uma mãe. As três não desistem de sair à noite à procura de um amor que nunca dá certo, de um pouco de aventura e de umas risadas entre amigas.





De repente, o título do filme, "Sonhos Roubados", parece injusto para com as protagonistas, pois elas, justamente, lutam para que seus sonhos não sejam roubados.



Disse que Jéssica, Sabrina e Daiane enfrentam condições adversas. A condição mais adversa de todas são os homens, que são insignificantes ou funestos. A galeria é devastadora.




Há o pai de Daiane, que morre de medo de ser pai. Há o avô de Jéssica, simpático por ser beberrão e inepto.




Há o ex-marido de Jéssica, fantoche nas mãos de sua própria mãe. Há o tio de Daiane, que abusa da sobrinha-enteada. E há a fileira dos violentos e boçais, encabeçada pelo namorado de Sabrina.



Com esses homens, Jéssica, Sabrina e Daiane não podem contar. Eles são sombras, incapazes de assumir um amor (seja ele paterno ou conjugal), uma amizade e, na verdade, qualquer compromisso: são todos nanicos morais. A única exceção é o presidiário encarnado por MV Bill -o que me levou a pensar (seriamente) que talvez homem só melhore mesmo na cadeia. Nas periferias e nas favelas, os núcleos familiares estáveis se organizam, em geral, ao redor de mulheres.




A explicação recebida por esse fenômeno diz que um lugar social desfavorecido, subalterno ou marginal corrói a "virilidade" dos homens e, portanto, torna-os ou nulos ou violentos (como se eles precisassem compensar na marra a virilidade perdida).


Mas será que essa debandada masculina é apenas um fenômeno de nossas periferias? Ou será que, periferia ou não, os homens de hoje (para usar uma expressão da Carol do filme de Laís Bodanzky) são mesmo um pouco (ou muito) "cuzões"?

Não sei responder, mas o fato é que o filme de Sandra Werneck não me deixou nem um pouco aflito. Ao contrário, saí do cinema alegre, pensando: é bem possível que os homens estejam piorando, mas, por sorte, as mulheres estão cada vez melhor. Como assim?


Nas primeiras décadas depois dos anos 1960, parecia que as mulheres, para afirmar sua independência e conquistar sua cidadania, teriam que renunciar a ser "mulher", pois, por exemplo, a maternidade e o próprio desejo sexual eram considerados como caminhos de submissão ao homem e ao patriarcado.



Pois bem, as meninas de "Sonhos Roubados" não renunciam ao sexo nem à maternidade; elas podem até se servir de seus charmes para arredondar o fim de mês ou o fim de semana. Mas não por isso elas dependem dos homens. Talvez seja porque não há homens de quem depender. Talvez seja porque elas são as novas mulheres -mulheres sem a culpa de serem "mulher".

Cristina Braga (harpa) e Ricardo Medeiros

Cristina Braga - O que tinha de ser

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ouvindo a arte de Floraleda...


Fui ouvir Floraleda e  sua arte na harpa na tarde de segunda feira, na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.
A jovem musicista italiana é realmente encantadora. Sua música é magia em toques de dedos delicados que já trazem calos (ela me mostrou) nas pontas, depois de 19anos de estudos.
Cida Torneros  

Emilio Santiago- Flamboyant (ao vivo)

Emilio Santiago- Coisas Da Paixão -(Ao Vivo)

Emilio Santiago Saigon e Tudo que se quer



sábado, 1 de maio de 2010

H. Mancini: Moon River - Floraleda Sacchi (harp)

Floraleda e um Rio de Janeiro encantado pelo som das harpas...




Floraleda Sacchi,  italiana, jovem, harpista  há dezenove anos, nos cumprimentamos e iniciamos agradável conversa misturando inglês, português e italiano. 

Eu a observei, quando ela ziguezagueava, com olhar curioso e deslumbrado,  pelos salões do Palácio da Cidade, sede festiva da Prefeitura do Rio de Janeiro, logo após a apresentação do grupo egípcio, que abriu com especial performance, na noite de sexta-feira, 30 de abril, o V RioHarpFestival.

Durante todo  o mês de maio, cariocas e visitantes  poderão assistir concertos tanto em locais tradicionais como teatro do Centro Cultural  Banco do Brasil, Academia Brasileira de Letras, Museu do Exército ( Forte Copacabana), como em estações de Metrô, na Ilha Fiscal, no Teatro Municipal de Niterói, na Igreja Santa Cruz dos Militares, e ainda, no Corcovado, e no Morro Dona Marta.   Programação cuidadosa, oportunidade ímpar para os amantes da boa música.

Evento que traz harpistas de várias nacionalidades para encantarem a cidade, em promoção incluída no tradicional trabalho intitulado "Música no Museu", coordenado pelo seu criador e diretor, Sergio Costa e Silva. 

Fui  lá, no coquetel de abertura, fazendo companhia à minha amiga Elza Gimenez, produtora do RJ TV,  que me pegou de última hora, e dividiu comigo instantes de viagem maravilhosa  para almas voadoras como as nossas.  

Harpas invadem a cidade maravilhosa no   mês de maio, há cinco anos, desta vez, com mais de 30 concertos gratuitos, em locais escolhidos para enlevar os cariocas no som do único instrumento "eóleo", ou seja, aquele que, tangido pelo vento, emite maviosos sons musicais.

Milenar, a harpa atravessou toda a história da música mantendo sua forma triangular.  No museu de Londres, há um belo exemplar, em prata, de uma harpa sumeriana, datado de mais de três mil e quinhentos anos.

Pois, neste maio outonal de céu transbordantemente azul, o Rio recebe harpistas de 25 países,  e se dá ao luxo de voejar pelas notas das canções cuja  delicadeza sintetiza o movimento cultural que caracteriza a  vocação de cidade musical, como já dizia o mestre Villa Lobos.

Vou ouvir Floraleda, ao vivo e a cores, na sua apresentação do dia 3 de maio, na Biblioteca Nacional, eu lhe prometi. Ela, simpática e carinhosa, tirou da bolsa um cd intitulado Harp Dances e me presenteou. Brindamos, eu, ela e Elza, ao nosso encontro na vida  e à música feiticeira que nos permite atingir belíssimas dimensões espirituais!

A musicista de Milão, que acabara de chegar pela primeira vez ao Brasil, revelou sentir-se verdadeiramente feliz por ter sido convidada a tocar no Rio. Segundo ela, que já se apresentou em vários continentes, sendo que uma única na América do Sul, no Peru, vir ao Rio e participar deste Festival, é uma imensa realização.

O Rio, encantado pelo som das  harpas, emana leveza que lhe renova as forças para seguir enfrentando intempéries, violência, num caminho bendito de pacificação e beleza,  que, para Floraleda,  extasiada com a paisagem que pôde ver num sobrevôo no céu carioca, é tão lindo que ela se considera agora, privilegiada!

Salve a música, linguagem realmente universal, que une povos, enternece corações, e nos dá a chance de, mais uma vez, de ouvir artistas viajantes do tempo e da paz, oriundos de lugares como Egito,  Croácia,  Canadá, Inglaterra, França, Itália, Alemanha, entre outros,  incluindo ainda os brasileiros dedicados à esta arte de dedilhar cordas e extrair delas sons tão mágicos.  Estamos todos tão encantados quanto Floraleda, a jovem harpista italiana. Que os anjos, também harpistas,  digam Amén!

Cida Torneros